História Neurótica - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias Harry Potter
Personagens Draco Malfoy, Hermione Granger
Tags Dramione
Visualizações 76
Palavras 3.245
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Hentai, Policial, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 4 - Capítulo 4


Hermione Granger é acusada de matar Ronald Weasley

O que parecia ser um suicídio inexplicável há dois dias ganhou uma nova resolução ontem quando Lavender “Lilá” Brown – 34 anos, proprietária da loja especializada em animais mágicos Bathing and Grooming, localizada no Beco Diagonal – procurou o Quartel General dos Aurores do Ministério para prestar queixa formal contra Hermione Granger.

Segundo Brown, o casamento de Ronald e Hermione não passava de uma farsa para enganar a sociedade e que, na noite em que morreu, o Sr. Weasley iria pedir o divórcio a mulher para que ficassem juntos, finalmente. Lilá não vê outra explicação para a morte de seu amante, pois, em suas palavras “estávamos muito felizes agora que ele finalmente se veria longe dela”.

Ela ainda descreve Hermione Granger – já que possivelmente voltará a usar o nome de solteira - como uma mulher fria, que só conservou o casamento com Ronald por causa de seu cargo no Ministério. Brown ainda afirma que a viúva é “completamente desequilibrada, Ron não a suportava”. Atualmente, a Sra. Weasley é Promotora da Suprema Corte Bruxa, mas, devido às acusações envolvendo seu nome, provavelmente será afastada do ofício enquanto o caso é resolvido.

Fontes anônimas nos informaram que Granger já está arquitetando sua defesa juntamente com Draco Malfoy – advogado de renome, conhecido pelas extensivas vitórias dos casos Sewell e Griffin. Considerando que ambos já se enfrentaram inúmeras vezes no tribunal podemos esperar audiências arrebatadoras no Décimo Tribunal, caso o inquérito apure e ela seja acusada formalmente pela Corte. Continuaremos a acompanhar o desenrolar deste caso amanhã com as últimas e exclusivas notícias obtidas pelo Profeta Diário.

Draco descartou o jornal assim que terminou de ler a matéria de Colin Creevey – não, não haviam colocado um repórter mais imparcial para cobrir o caso e considerou que tal fato poderia até ajudar na defesa. Ignorou Narcisa completamente ao tomar calmamente metade de seu chá praticamente engolindo as torradas com geleia de ameixa.

Sentia o olhar dela sobre si fuzilando-o, se possível, até a alma. Não aguentava mais as discussões que acompanhavam todas as refeições que fazia em casa, o conteúdo destas lhe eram ainda mais intragáveis. Narcisa insistia com afinco e dedicação que deveria ter uma companhia na droga do Baile Anual Beneficente do Ministério da Magia, pois já tinha 34 anos e era errado que não estivesse, pelo menos, pensando em arranjar uma noiva.

Não, Draco não estava pensando em arranjar uma noiva, pois todas as que passavam por sua mente eram fúteis, ou grudentas, ou ciumentas demais. A favorita de sua mãe, Pansy Parkinson, ocupava o último e merecido no lugar em sua lista mental. Sem contar que sua vontade e empenho quanto a essa tarefa eram mínimas. Não queria se casar, não queria lidar com o estresse feminino e desnecessário que organizar um casamento causava, não queria estar cercado por mulheres superficialmente neuróticas por causa de uma simples cerimônia simbólica.

– Mamãe... – Começou largando os talheres cuidadosamente sobre o prato e, finalmente, encarando a senhora à sua frente. – Eu não irei convidar ninguém para ir comigo, nem que a senhora mova céu e terra para que isso aconteça.

– É isso que você quer? Exterminar o nosso sobrenome da Terra? – Ela levantou-se indignada. – Pois é isso que conseguirá se continuar com esse maldito orgulho. Você sabe o que faz, Draco, é um homem adulto afinal de contas. Apenas lembre-se de uma coisa: eu quero netos!

Dizendo isso, ela jogou o guardanapo sobre a mesa e saiu da sala de jantar. Os passos rápidos e secos estalando contra o piso de pedra. Revirou os olhos e terminou calmamente seu café da manhã. O departamento “filhos” também não era com ele, crianças em geral não o agradavam, não sabia se teria paciência para ser pai, não estava pronto para dar à Narcisa o que ela tanto queria, apesar de que, às vezes – apenas às vezes – imaginar uma menininha correndo pela casa era extremamente encantador. De qualquer maneira, estava acostumado, era realmente um desastre como herdeiro dos Malfoy.

Levantou-se pacientemente enganchando a pasta executiva ao redor de seu pescoço e adentrou a lareira, exageradamente grande para que uma pessoa de sua estatura pudesse ficar completamente de pé, mentalizando resignado o vilarejo de Godric’s Hollow. Sentiu o conhecido puxão no umbigo e no instante seguinte estava andando em direção à casa de Potter enquanto ajeitava seu terno caro e impecável.

Dessa vez, quem atendeu a porta não fora Potter e Draco amaldiçoou cada uma de suas próximas trinta gerações por isso, pois a Coelha não estava sozinha. Três – três – crianças a rodeavam e todas elas pareciam ter corrido uma maratona para ver quem abriria primeiro à porta. Particularmente, ele preferia que nenhuma delas estivesse ali, pois aqueles olhinhos irritantemente interrogadores e as feições mais parecidas com Potter do que ele achava necessário o deixava desconfortável.

– Bom dia, Malfoy. – Disse ela abrindo caminho para ele entrar. – Harry teve de ir para o trabalho, com tudo que está acontecendo com Hermione ele prefere se sentir útil fazendo algo lá. Er... Fique à vontade, eu irei chamar...

– Não precisa, Ginny. – Falou a voz de Granger ao começar descer as escadas, lentamente. Viu o olhar preocupado de Potter, que agora, em contraste com os tempos de Hogwarts, usava as madeixas vermelhas à altura do ombro, sob a amiga, embora esta praticamente a tivesse ignorado ao pegar o bebê que pedia colo como um bicinho pedia atenção. – Bom dia, Malfoy.

Não era necessário ser um bom observador para perceber que as coisas por ali andavam tensas. Apenas não sabia distinguir o motivo: as acusações de Lilá Brown ou qualquer outra coisa menos importante que isso. Draco até entendia Ginny Potter. Apesar de confidente de Granger, a consciência de que poderia estar frente a frente com a assassina de seu irmão incomodava, sempre presente, pairando como um agouro sobre a cabeça de ambas, Hermione não era idiota ao ponto de não perceber tal fato. O esforço da Potter para manter as coisas como deveriam era até louvável.

– Estávamos indo tomar café da manhã, nos acompanha, Malfoy? – Disse a mulher ruiva, no que Granger a interrompeu.

– Temos muito que tratar, Ginny, mas obrigada.

– Hermione, você precisa se alimentar, não come direito há...

– Sei disso e sei também que não estou com fome. Obrigada, Ginny. – Cortou Granger entregando o bebê para a amiga e o empurrando mal educadamente em direção ao escritório de Potter. – Ela não me deixa em paz...

– Nunca pensei que diria isso, Granger, mas a ruiva está certa.

Interrompeu Draco virando-se para vê-la fechar a porta e suspirar cansada. Então... No fim das contas, aquela cena com Potter era simplesmente para mostrar que estava bem. Malfoy não soube exatamente o motivo, mas isso o irritara profundamente. Expirou, buscando a paciência que havia perdido logo no café da manhã, e pegou a cópia da queixa de Brown.

Porém, assim que a encarou novamente, precisou conter-se para não murmurar todos os palavrões que conhecia naquela sala. Com um aceno de sua varinha, a garrafa de uísque e o copo que se encontravam na mão de Granger voaram em direção à parede estilhaçando-os em pedaços, sujando o impecável tapete persa da Sra. Potter e impregnando o ambiente com cheiro de bebida, porém, ele não tinha tempo para preocupar-se com meros detalhes.

– O que acha que está fazendo? – Embora Granger tivesse ousado abrir a boca para lhe responder, Draco não deixou que o fizesse encurralando-a até tê-la sentada e completamente vulnerável na cadeira de Harry Potter. – Isso aqui não é uma brincadeira, você não é uma criança que, quando comete um erro, todos passam a mão em sua cabeça dizendo que ficará tudo bem. Eu, realmente, espero que Potter tenha lhe dito que os Aurores resolveram te usar como forma de obter recursos, então sim, Granger, você pode ser presa e o fato de ser influente no Ministério não lhe ajudará em nada. Tudo que eu menos preciso nesse momento é ter de lidar com uma cliente bêbada e irresponsável, o que tenho certeza que você não é. Por isso quero que volte a ser a Hermione Granger chata e certinha de sempre por que é com essa que eu quero trabalhar. Está suficientemente claro para você?

Deu às costas a ela e respirou fundo, tentando voltar a pensar claramente, friamente. Detestava ter de estruturar sermões desnecessários, mas estava detestando ainda mais ter de dedicá-los a Hermione Granger. Merlim, este era para ser seu caso fácil do mês! Nesse instante, uma coruja marrom de olhos amarelos adentrou o escritório pela janela e – como que para quebrar o clima – pousou sobre a mesa de Harry Potter derrubando desastrosamente alguns itens decorativos.

Com um olhar gélido na direção de Granger, que encarava o chão respirando pesadamente, o próprio Draco pegou a carta que esta carregava e a abriu, lendo rapidamente e assinando o comprovante de que alguém adulto e responsável a recebera. Amarrou o mesmo a perna da coruja novamente e abriu o envelope, não era nada menos do que esperava. O depoimento de Granger estava marcado para as 15h00min PM e isso acontecia apenas quando o QG estava em polvorosa devido algum caso.

– A bebida ajuda. – Começou ela em tom baixo. Agradeceu mentalmente que ela tivesse amanhecido um pouco menos melancólica do que se encontrava na noite anterior. – Se engana você se acha que comecei ontem ou anteontem. Sei que é um péssimo hábito, eu sei, Malfoy. Quando eu bebo, tenho impressão de que os problemas se amenizam. Parece que, aos poucos, enquanto o álcool faz efeito, o problema vai se tornando cada vez menor até que, finalmente, consigo escondê-lo em alguma parte obscura da mente. Perguntou por que meu casamento ainda durou tanto tempo depois de descobrir sobre Ronald e Lilá... Eu estava anestesiada.

Draco sentou-se em frente a ela ouvindo as engrenagens de seu cérebro trabalhando furiosamente. Sim, já começava a montar um processo perfeito em sua mente. Podia ver a si mesmo colocando Granger como a vítima de toda a situação, de um Ronald Weasley que não estava preparado para o ofício do casamento, fazendo sua cliente apenas sofrer ininterruptamente.

– A questão é que você precisa encarar seus problemas, não se anestesiar deles. – Começou amenamente, tinha consciência de que não adiantaria brigar e espernear com uma mulher racional (apesar dos pesares) como Granger. – Você tem noção de que fez isso por mais de dois anos? Tem noção de que não tem controle sobre sua vida, nem mesmo sobre suas vontades? Você prolongou um casamento fracassado por dois anos e queria beber uísque escocês às oito da manhã.

– Eu posso parar quando quiser! – Ela quase gritou e levantou-se, respirando fundo e andando de um lado para o outro no escritório sob o olhar atento de Draco.

– Tem certeza? – Granger voltou-se para ele, ofegante, cobrindo o rosto com as mãos por alguns segundos. Pacientemente, esperou que ela colocasse os pensamentos em ordem e se sentasse novamente. – Granger, você sabe que não pode parar.

Porém, nesse instante uma batida à porta foi ouvida e Potter adentrou o escritório parecendo preocupada enquanto corria os olhos de Draco para Granger como que para se certificar de quem ambos ainda estavam inteiros. Digamos que o histórico de discussões públicas entre eles era realmente grande e muito, muito, comentado em todas as esferas jurídicas e rodas de amigos no Ministério da Magia.

– Há uma visita para Hermione.

– Quem? – Draco adiantou-se franzindo o cenho, não estava em seus planos serem interrompidos.

– Um represente do Ministério.

– Pode mandá-lo entrar. – Disse Draco voltando-se para Granger enquanto a ruiva saía pela porta, deixando-a propositalmente aberta. Aproximou-se até que ela pudesse ouvi-lo em tom baixo. – O mais importante agora é não demonstrar nervosismo em momento algum, certo? Ele lhe dará os pêsames, como o esperado, mas não pareça frívola quanto à morte de seu marido, isso causará desconfiança e não precisamos de um dos seus colegas espalhando o quanto não parece uma viúva triste, não é?

Antes que pudesse continuar aconselhando-a, um homem de estatura alta e formalmente vestido para trabalhar ultrapassou o batente da porta, interrompendo-o. O semblante do negro era sério e expressava condolências em todas as expressões e Draco suspirou mentalmente ao lembrar-se de que Granger não aguentava mais receber condolências.

– Hermione, sinto muito por sua perda.

Entretanto, descobriu que Granger era realmente uma boa atriz quando se tratava de fingir, provavelmente havia aperfeiçoado o talento ao longo dos anos em que se mostrava feliz e satisfeita com sua vida. Viu quando ela mudou totalmente suas feições para algo que lembrava conformidade “por sua perda” e aceitou a mão que Terence Boot oferecia.

Por estar familiarizado com a maioria dos membros da Suprema Corte Bruxa, Draco o conhecia, mas não tão a fundo quanto Granger, pelo visto. Surpreendeu-se quando o homem a puxou para um abraço mais íntimo do que poderia esperar. Ela também traíra o marido? Suspirou audível, irritado pela cena que se desenrolava à sua frente. Bem, era uma pergunta válida. Hermione Granger era sua cliente e sua cliente não deveria abraçar outros homens (exceto, talvez, Harry Potter) quando deveria demonstrar luto completo pelo marido.

– Obrigada, Terence.

– Malfoy. Fiquei sabendo que defenderia Hermione. – Cumprimentou-o com um aperto de mão firme e as guardou no bolso, sempre aparentando tranquilidade, afinal esse era o segredo. Sorriu, dando de ombros.

– Ela recorreria a mim em algum momento. – Viu Granger revirar os olhos e cruzar os braços encarando Terence, esperando que ele cumprisse a tarefa a qual fora designado pelo Departamento de Execução das Leis da Magia.

– Mandaram trazer pessoalmente sua ordem de afastamento. – Ele lhe estendeu o envelope pardo, onde o brasão do Ministério reluzia imperioso contra a claridade do sol da manhã que adentrava pela janela. – Todos estão do seu lado.

– Eu duvido muito disso. – Disse ela abrindo-o automaticamente e passando os olhos rapidamente pelas poucas palavras. - Eles estão me afastando por um ano!

– O quê? – Até o próprio Draco se surpreendeu, tomando a carta bruscamente da mão da morena para lê-la com seus próprios olhos. Basicamente, o Departamento de Execução das Leis da Magia a agradecia pelos serviços prestados, mas devido aos últimos acontecimentos o afastamento dela era de praxe e necessário. Tratava-se de uma demissão informal. – Isso é abuso por parte do Ministério, ela sequer foi acusada formalmente, e você sabe disso, Boot.

– Não sou eu quem dá as ordens. – Granger suspirou irritada e deu às costas a ambos, aproximando-se da janela e ignorando-os.

– Obrigada por vir. – Disse Malfoy apontando a saída ao homem quando percebeu que ele analisava sua cliente mais do que o necessário. Apontou a saída e o acompanhou até a porta, aproximando-se para que ela não os ouvisse. – Ela está irritada, essas acusações de Brown... De onde desenterram essa mulher? O Departamento dos Aurores deveria ser menos óbvio.

– O que quer dizer com isso? – Draco mentalmente comemorou e expressou feições indignadas ao continuar sua explicação sobre os supostos motivos do nervosismo de sua cliente.

– Ainda não sabe? Querem usar Granger para que as verbas não sejam cortadas! – Revirou os olhos e passou o braço pelos ombros do outro, incentivando-o a sair do escritório o mais rápido possível. – Venhamos e convenhamos, o Quartel General não pega um caso grande há muito tempo, não passam de oportunistas.

– Ainda assim, não vejo razão para escolherem logo Hermione Granger, ela é influente...

– Pense no que eu lhe disse, Boot, e algumas coisas passarão a fazer sentido nessa história. – Nesse instante, a Potter ruiva apareceu no fim do corredor, carregando com muito cuidado uma bandeja de chá e biscoitos. – Potter, pode acompanhar Boot até a porta?

Assim, deixou os dois no corredor e voltou para o escritório, praticamente fechando a porta na cara do homem. Antes que pudesse se manifestar, Granger virou-se para ele, parecendo determinada.

– Iremos entrar recorrer dessa decisão, é... Ultrajante o que estão fazendo! Querem me usar como exemplo para a comunidade bruxa? Logo eu?! – Ela respirou profundamente e o encarou com seriedade. – Estão enganados se acham que deixarei isso acontecer.

Draco a encarou mais atentamente, percebendo que, pela primeira vez desde a noite anterior, algo fora capaz de levar alguma vida àquele rosto. Granger se tornara uma mulher extremamente bonita na idade adulta, mas os últimos dias haviam acabado com a serenidade do rosto delicado. Bolsas arroxeadas embaixo dos olhos evidenciavam o cansaço, mas a ordem de afastamento do Ministério e a chance – completamente infundada – de a demitirem parecia ter surtido algum efeito e a motivado a voltar, finalmente, a ser aquela Hermione Granger que conhecia.

– Muito bem, Granger! – Disse um tanto impressionado. – É assim que se fala...

– Escuta aqui, Malfoy... – Ginny Potter adentrou o escritório carregando uma bandeja em mãos e com o rosto extremamente corado de raiva, as feições fechadas e os olhos frios. Poucas vezes (ou talvez nunca) vira a ruiva tão brava. – Eu não sou sua secretária particular e, fique bem avisado, não irá me tratar como uma enquanto estiver aqui. Eu sou a anfitriã dessa casa, não sua empregada, e você não tem o direito de me tratar como uma, entendeu?

Ambos – Draco e Granger – encararam Potter como se ela tivesse realmente se deixado levar pela loucura, ma ela levantou as mãos em sinal de paz e as escondeu no cabelo, quase os puxando. Julgou que a ruiva estava se segurando para não soltar um grito frustrado bem ali, na frente dele, o que seria completamente mal educado e inapropriado, se julgasse que ela ainda o enxergava como o inimigo.

A verdade é que havia percebido o modo como a tratava, mesmo estando trabalhando em sua casa, e continuou a fazê-lo, pois, além de ser de sua natureza mandar e desmandar em toda e qualquer pessoa, queria saber até onde a ruiva aguentaria sua atitude.

– Tudo bem, Potter, agora já pode nos deixar a sós.

Segurou-a pelo ombro com a intenção de levá-la até a porta enquanto constatava que levara mais tempo do que apostara consigo mesmo para que a Potter deixasse a raiva por ele e por toda a situação transparecer. Porém, a ruiva se desvencilhou de suas mãos e disse em tom frio antes de bater a porta do escritório:

– Tire suas mãos de mim, Doninha. - Levantou uma sobrancelha pelo apelido infantil que já não irritava mais e voltou-se para Granger, que já estava acomodada em uma das poltronas do espaço escritório, esperando-o para que, finalmente, pudesse trabalhar.

Buscou o relatório de Brown novamente, assim como um bloco de notas, e sentou-se em frente a ela. Trancou a porta com um aceno de varinha, pois xingaria sem arrependimentos o próximo que os interrompesse, e voltou-se para o maço de documentos que tinha em mãos.

– Vamos fazer um jogo de possíveis perguntas e respostas que o Conselho lhe fará. Potter não pode ser envolver por estar intimamente ligado a uma das partes, então alguém escolhido pelo Conselho dos Aurores a interrogará. Tudo bem? – Granger balançou a cabeça em afirmativo. - Brown diz “Ronald me contou que Granger sempre foi extremamente autoritária. Ela gosta de manter tudo e todos sob seu controle, não me surpreenderia que, quando finalmente estivesse se livrando de suas garras, a mulher ficasse perturbada. Hermione Granger perdeu o controle da situação quando meu Ron pediu o divórcio e isso a fez surtar, assassinando-o sem piedade.” O que responderá?

– Sou tão autoritária quanto qualquer mulher.

Draco sorriu de lado, satisfeito com o rumo pelo qual seguiriam. Granger era esperta e progrediriam com muita facilidade se ela mantivesse a vontade de colaborar. Porém, aquele ainda seria um longo dia.


Notas Finais


Ei, mais um capítulo de Neurótica pra vcs!
Espero que tenham gostado de Draco e Hermione aproximando-se cada vez. Nada vai acontecer da noite para o dia, pois não é meu estilo de escrita, mas vamos progredindo!
Então, adiante ------>


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