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História Neve em Setembro - Capítulo 12


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Notas do Autor


Boa leitura...

Capítulo 12 - Suspeitas (Parte II)


Fanfic / Fanfiction Neve em Setembro - Capítulo 12 - Suspeitas (Parte II)

Meliodas tinha um radar. Podia ser chamado de intuição, sexto sentido, qualquer coisa assim, mas ele sempre pensava nisso como um radar. E havia algo em Matt Dawson que fez com que seus alarmes disparassem enloquecidos. Quando chegaram, ele não acompanhou Elizabeth para dentro de casa e foi para o posto de comando falar com George, que informou - o que Midget saiu para almoçar.

- Nenhuma novidade. - disse George. - Mas parece que os aviões terão condições de decolar a qualquer momento.

Meliodas olhou pela porta do posto de comando e decidiu que isso era mais uma vã esperança. As nuvens estavam ainda mais baixas do que de manhã, e mais escuras.

- Escute. - falou para George. - Peça pelo rádio para alguém seguir Matt Dawson. Ele está a caminho da cidade. É para segui - lo, descobrir o que ele faz e me informar. E não parem de segui - lo antes de receber minhas ordens.

George assentiu.

- Ok. Mais alguma coisa?

- Sim. Ele não pode nem desconfiar que está sendo vigiado.

Os pensamentos mais loucos passavam pela cabeça de Meliodas, desde a idéia de um romance Romeu e Julieta até estupro e assassinato. Se alguém lhe perguntasse, ele diria que Matt Dawson não era capaz de estupro nem de assassinato, mas com a menina desaparecida e o rapaz agindo de maneira tão estranha, naquele momento ele já não apostava em mais nada.

Sentiu o estômago contorcer - se, mas sabia que não era de fome. As coisas que pensava era sombrias e feias demais, e isso o deixava enojado.

Foi para a casa verificar como estava Elizabeth, mas ela se trancou no quarto. Margaret estava na sala, novamente lendo a Bíblia em voz alta, num murmúrio monótono.

Alguma coisa estava tão errada naquela casa que chegava irritá - lo. Que tipo de irmã seria capaz de nao oferecer conforto para a irmã mais nova, numa circunstância como aquela? Por que Margaret era tão fria, e por que Elizabeth agia como se merecesse isso? Meliodas não sabia qual das duas ele tinha mais vontade de sacudir, mas se contetou com aquela que lhe falasse primeiro.

E o que Margaret quis dizer, quando falou que ele não conhecia Elizabeth? Tudo aquilo não enervante.

Voltando ao posto de comando, escutou os relatórios que chegavam. Os voluntários não estavam encontrando nenhuma pista; os aviões não tinham decolado. Não demoraria muito até que as equipes de buscas começassem a retornar, por causa do frio. Mesmo sabendo que isso era inevitável, Meliodas não gostava nem um pouco da idéia.

Matt Dawson foi para o supermercado assim que chegou na cidade, de acordo com o relato que o oficial encarregado de segui - lo lhe passou pelo rádio. Comprou mantimentos leves. Sopa desidratada, carne - seca, algumas barras de chocolate e de granola. E duas latas de querosene.

Ouvindo isso, Meliodas sentiu um arrepio na nuca.

Depois, o rapaz foi para uma loja de roupas usadas e comprou um casaco. Isso parecia normal. Afinal, a jaqueta velha que Matt estava usando certamente não o mantinha muito aquecido. Comprou também um par de luvas de lã e uma máscara de esquiar.

Em seguida, passou na loja de ferragens e comprou um mochila e um machadinho.

Foi então que os alarmes de Meliodas tornaram - se ensurdecedores.

- Ele está saído da cidade. - o oficial informou pelo rádio. - Ela está voltando para a casa dos Liones.

- Onde diabos ele conseguiu dinheiro para tudo isso? - George perguntou.

Meliodas não respondeu, mas pensava nos duzentos dólares que Allie levou consigo. Para Matt, esta deveria ser uma quantia enorme de dinheiro. Talvez demais, até.

- Ele está saindo da estrada. - o policial informou. - Estamos mais ou menos a uns dois quilômetros da casa da sra. Liones.

Um bom lugar para iniciar a subida a montanha, Meliodas pensou. Quase tão bom quanto a própria casa de Elizabeth, se ele estivesse se dirigindo para a cabana abandonada.

Meliodas pensou rapidamente, decidindo qual seria melhor maneira de lidar com a situação. Caso limitassem a seguir o rapaz, ele poderia perceber e despistá - los. Se o confrontassem, Matt poderia negar tudo e recusa - se a levá - los até Allie. Decidiu que seria melhor segui - lo.

- Passe por ele e volte para a casa. - disse ao policial. - Encontre - se comigo aqui. Nós vamos atrás do garoto.

Vinte minutos depois, ele e Sam Canfield seguiam a trilha de Matt Dawson através da floresta coberta de neve.

*

*

*

*

Elizabeth já havia chorado até a exaustão quando finalmente saiu do quarto. A esperança desvanecia - se a cada minuto que passava, mas nem mesmo a morte da esperança, ou as lágrimas que chorou, foram capazes de alivar a pressão em seu peito e o ardor em sua garganta. De olhos secos, foi para o quarto de Allie e sentou na cama, abraçando seu travesseiro.

Podia sentir o cheiro da sua filha, e isso foi como uma garra esmagando - lhe o coração. Allie, sua filhinha. Olhando em volta do quarto, viu os cartazes na paredes, as bonecas e a pilha de revistas para adolecentes. Havia um bonequinho verde de um alienígena, com os olhos saltados, encostado no computador. Allie o chamava de Herm e, durante algum tempo, dormiu abraçada a ele todas as noites. Numa das paredes, estava o diploma emoldurado que ele recebeu como prêmio na feira de ciências, por um trabalho de geologia. Elizabeth lembrou - se do orgulho que sentiu quando Allie ganhou o segundo lugar. 

A coleção de pedras, todas cuidadosamente rotuladas e presas num mostruário, estava desaparecida. Bem como os CDs das "Spices Girls" que Allie ouvia o tempo todo. Tais lacunas refletiam o enorme buraco que abriu - se no peito Elizabeth.

Ela achava que não conseguiria suportar esta perda. Na verdade, acreditava que não sobreviveria. Poderia lidar com qualquer coisa, mas isso não sobreviveria. Se alguma coisa acontecesse com a sua filha, não lhe restaria mais nenhum motivo pra viver. O medo e a dor invadiram - na por inteiro, paralisando - a.

Não deveria ter permitido que Meliodas a trouxesse para casa tão cedo, pensou agora. Não importava que Matt havia vasculhado a área para onde estavam se dirigindo, não importava o frio e o cansaço que ela sentiu. Deveria haver outros lugares onde poderiam procurar. Se não estivesse com tanto frio e cansada a ponto de não conseguir pensar direito, ela teria pensado nisso. 

E, afinal, aonde estava Meliodas? Por que não veio lhe dizer se os aviões tinham decolado? Um rápido olhar pela janela lhe deu a resposta. Como não percebeu o que o dia havia escurecido novamente e que as nuvens estavam escuras e baixas, ocultando o alto das montanhas?

Mesmo se Allie tivesse conseguido sobreviver à noite anterior, como seria possível sobreviver a mais uma como aquela?

Levantando - se num pulo, desceu as escadas. Ignorou os murmúrios da irmã na sala e procurou por Meliodas em toda parte. Quando não o encontrou, vestiu o casaco e foi para o posto de comando.

George virou - se rapidamente quando ela subiu a porta do trailer.

- Ah... Olá, sra. Liones. Nenhuma novidade, eu receio. Os voluntários estão estão voltando.

- E quanto os aviões?

- Nem chegaram a decolar.

Como se ela não tivesse percebido.

- Onde está Meliodas?

- Ele voltou para a montanha.

Por um instante Elizabeth achou que iria desmaiar. Agora, tinha de se preocupar com duas pessoas que amava que estavam lá em cima, no frio.

*

*

*

*

Quanto mais subiam, pior o tempo ficava. Meliodas e Sam trocavam olhares, mas continuavam seguindo em frente. As nuvens os cercavam, agora, mas pelo menos não começou a nevar. A trilha que Matt deixou era fácil de seguir e, naquele ponto, Meliodas já tinha quase certeza de que estavam indo direto para a velha cabana dos mineiros.

O dia estava escurecendo e, embora ainda faltassem algumas horas para o pôr - do - sol, Meliodas começou a imaginar se conseguiriam enxergar o caminho de volta.

O frio estava tão intenso que tinham de parar com frequência para recobrar o fôlego, mas não podiam demorar - se demais senão corriam o risco de congelar. No entanto, a julgar pelas pegadas de Matt, parecia que o rapaz também fazia pausas frequentes.

- O que acha que ele está pretendendo fazer? - Sam finalmente perguntou.

- Nem quero pensar nisso. - Meliodas respondeu. - Mas acho que ele sabe aonde está Allie.

- Bem, isso faz sentido. Não posso imaginar qualquer outro motivo que levasse o garoto a subir a montanha com um tempo destes.

- Eu também não.

Meliodas e Sam trabalhavam juntos há muito tempo, e pensavam mais ou menos da mesma maneira.

- É claro... - Sam prosseguiu, num tom de ironia. - Olhe só pra nós, como dois idiotas. Que outro motivo teríamos para estar aqui?

- Nenhum.

- Por outro lado, talvez o garoto tenha apenas brigado com o pai e decidido fugir também 

Meliodas ergueu a cabeça.

- Havia algo muito estranho no jeito dele, quando falou comigo e Elizabeth.

- Bem, espero que você esteja certo. Sei que Elizabeth não está mais aguentando, e estou começando a achar que nem eu aguento mais. Por que diabos a menina foi fazer uma tolice destas?

- Eu também gostaria de saber. Mas pretendo descobrir.

E acabaria descobrindo, Meliodas prometeu a si mesmo. Não queria saber mais saber das evasivas de Elizabeth. Iria exigir que ela lhe explicasse um bocado de coisas, porque, fosse lá o que estivesse tão errado naquela casa, provocou a fuga da sua sobrinha.

E, quer ela gostasse ou não, isso acabaria se tornando um problema dele, também.

Estavam perto da cabana, agora. Meliodas fez um sinal para Sam, diminuir o passo, para que não assustassem o rapaz, e ele assentiu, entendendo. Movendo - se com toda cautela, seguiram os passos de Matt através das árvores até conseguirem avistar a cabana mais adiante. Meliodas estava pensando em qual seria a melhor maneira de abordá - lo quando ouviu um som que fez seu sangue gelar.

- NÃO!

O grito de Matt cortou o ar, depois foi sufocado pela neve que começou a cair.


Notas Finais


Até mais...


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