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História Never again (Leiftan) - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


Esse capítulo deveria ter saído a muito tempo.
Atenção: o cap. contém um HENTAI então se não gosta desse tipo de conteúdo apenas não leia a parte descrita como pós- festa em Balenvia.
Eu tenho muitas imagens para essa capitulo porém o spirit não permite então fiquem com os links no fim do capitulo.

Foto do vestido utilizado no castelo de jade ♥

Capítulo 2 - Segundo ato - Antares 2007


Fanfic / Fanfiction Never again (Leiftan) - Capítulo 2 - Segundo ato - Antares 2007

— Como assim os mercenários não encontraram a porra do alvo? Será que eu vou ter que demonstrar pessoalmente como se faz um sequestro perfeito? — A voz de Mikhail estava mais exaltada do que o comum.

— Mik relaxa, a segunda vez é sempre melhor e nunca há falhas. — Ironizou. — Agora falando sério ele estava acompanhado de um sócia, na verdade o tal de Feng Zifu só anda acompanhado, sinceramente nunca vi um braço direito/guarda costas tão bem preparado. — A desculpa do outro lado da linha despertou a fúria contida durante semanas.

— Escuta aqui Czar, eu não perdoarei erros e acho melhor você dar um chá de sumiço nesses incompetentes que contratou, do contrário eu vou afiar nossa herança de família com a sua cabeça. Por hora certifique-se de cumprir com minhas ordens. — Mikhail bateu o telefone e respirou profundamente três vezes antes de descontrolar-se totalmente e atirar o aparelho na parede espatifando-o por completo. — Será que estou cercado de idiotas? — O poderoso e ganancioso empresário sentou-se na cadeira de couro perfeitamente alinhada e suspirou antes de pegar um charuto na primeira gaveta da mesa junta a uma tesoura — Idiotas...— Sussurrou. Estava cansado de tanta incompetência, tinha prazos a cumprir e cotas a manter além de detestar ter que ouvir os sermões dos velhos que tanto odiava e que julgavam a evolução ineficiente, por eles Mikhail assim como todo o seu clã jamais assumiria tantas funções, porém os Drubov eram bem articulados e arrumaram uma forma de manter-se no poder através da guerra e ao longo dos anos tornaram-se os provedores dos armamentos que destroem nações inteiras e a cada nova ambição a fortuna aumentava.

Batidas soaram na porta despertando-o de seu ódio.

— Querido vamos nos atrasar e se me lembro bem a rainha Leona detesta atrasos. — Nadja sorriu amavelmente e Mikhail sentiu o ódio dissipar rapidamente. Aquele era o poder de sua amada esposa, trazer por terra sua verdadeira essência. — Sairemos em dez minutos querido. ­— Nadja aproximou-se e beijou-lhe o topo dos cabelos.

— Não há nada que me prenda nessa sala. — Os olhos verdes de Nadja vasculharam o ambiente dando de cara com os destroços do celular. Voltou a encará-lo intensamente. — Isso não é importante no momento.

— Se você diz querido então vamos, as malas estão no carro. Afinal a festa de verdade será atrás dos portões de Eel. — Se houvesse uma palavra para descrever o olhar de Mikhail seria impiedade, sem dizer nada, mais uma vez beijou os lábios daquela que possuía seu coração.

Citrodakënhar, um lugar tão pacato quanto o seus habitantes, a cidade estava iluminada e em suas ruas ostentavam faixas com o nome da herdeira do trono de jade, em algumas havia mensagens de felicitações e nada passava despercebido pela família Drubov.

“Que ridículo” — Mikhail sussurrou e logo os olhos verdes como esmeraldas olharam-no intensamente enquanto o adolescente apenas descansava largado no banco do rolls royce preto.

— Leiftan sente-se direito e lembre-se do que conversamos. A Rainha Leona é uma mulher de pulso firme ela criou a princesa praticamente sozinha e detesta interferências e você meu filho demonstre todo o respeito com o qual te criamos. — Nadja desamassou o vestido enquanto observava o filho sentado no banco acolchoado, ambos os pais sabiam da relação de amizade que ele e a princesa de jade construíram e tentavam a todo custo disfarçar aquilo já Leiftan tinha suas dúvidas a respeito dos progenitores e principalmente tinha certeza de que do caminho que lhe fora escolhido a cada dia fazia menos sentido e lhe dava certeza da aversão, possuía dons maiores do que aquele. O carro foi parado a 200m do castelo em um portão de metal bem detalhado no centro havia as iniciais da família Endler e uma pequena pedra de Jade e por cerca de 10minutos esperaram a liberação, o restante do caminho fora feito em apreciação aos jardins laterais assim como a cor intensa do jade das paredes do palácio.

“Eu que pensava que minha casa era exagerada.” — Leiftan sussurrou, olhou para os pais que pareciam obter o mesmo pensamento. O carro parou e o adolescente vislumbrou a fila de carros a frente em sua mente um único pensamento: ou Miiko era muito querida ou simplesmente não possuía escolhas assim como ele. Distraiu-se com a situação e depois de quinze minutos de espera o carro finalmente parou em frente às portas do palácio, onde a família saiu e o carro finalmente fora estacionado por um dos muitos manobristas.

— Lembre-se, mantenha o respeito — Nadja sussurrou mais uma vez antes de caminharem pelo hall, assim como os outros fora direcionados até o enorme salão e diferente do que esperado o local estava todo decorado com flores lilases, azuis e rosa, os ramos começavam no teto e desciam pelas colunas.

— Vocês vieram, imaginei que só nos veríamos em Eel. — A bela voz obteve atenção até mesmo do adolescente, quando vislumbrou a mulher de longo cachos castanhos e pele negra soube que um dos seus estaria ali.

— Certamente, porém Nadja insistiu para que viéssemos. E como vai senhor Drage? — Mikhail sorriu, no fundo ele estava desesperado. Eram tantas pessoas importantes a quem ele queria sequestrar que sua cabeça não parava de planejar os próximos passos de seus crimes sujos.

— Eu vou bem, mas pelos anos que nos conhecemos eu já pedi para me chamarem pelo meu primeiro nome. — A mulher sorriu e enquanto os adultos conversavam Leiftan sentia-se entediado, discretamente tirou o celular do bolso e mandou uma mensagem para a amiga: {Estou entediado.} — Não demorou nem mesmo 30 segundos e o aparelho vibrou.

{7ª porta a esquerda, não demore, não seja pego e eu estou com fome!} — Sorriu e olhou em volta, o amplo salão estava lotado e tinha certeza de que não seria pego se decidisse dar uma voltinha. Aproveitou o entrosamento dos pais para sair de fininho e percebeu que todas as escadas daquele lugar estavam bem guardadas. O celular vibrou novamente: {2ª porta a direita ao lado do banheiro, a chave está  no vaso de flores} — Realmente Miiko pensava em tudo e quando chegou no local indicado o loiro fingiu que amarrava os sapatos e discretamente enfiou a mão no jarro de flores, abriu a porta e entrou de uma vez sem olhar para trás do contrário poderia ser pego facilmente, trancou a porta e observou a pequena sala sem móveis:

— Mais que droga é essa? — Andou pelo local e percebeu que aquilo não passava de um corredor, a escada estava localizada no canto esquerdo e sem demora subiu os degraus e como uma cobra esgueirou-se pelo corredor do segundo andar o lugar apesar de claro e com uma decoração genuína possuía seguranças em todas as entradas exceto nas portas dos cômodos. A sétima porta foi aberta por ele que respirou aliviado ao fechá-la.

—Você ainda leva jeito. — A ironia o fez gargalhar.

—Eu deveria ter percebido que você estava brincando... — Encarou a adolescente vestida como uma princesa com direito a tutu rosa e coque com mechas soltas, a vontade era gargalhar, porém não o faria. Apenas continuou olhando.

— Você quer parar de me olhar! Saiba que eu fui obrigada a usar isso e não vejo a hora dessa palhaçada acabar! — Reclamou ao sentar-se na cama.

— Apesar desse chilique saiba que está linda. E eu mandei o seu Vatruchka  direto pra Eel junto com uma cozinheira especializada. — A cara emburrada da princesa foi substituída por um rubor que a mesma tentou disfarçar a todo custo.

— Obrigada e você também não esta nada mal nesse Smoking. Agora me diz que tem um plano para me livrar do aniversário mais tedioso do mundo. — Ela tentou, todos sabiam como tentou. Miiko detestava as festas exuberantes que sua família dava, sempre participou por obrigação de ser quem é, preferia um milhão de vezes uma reunião com os amigos e pessoas da família e uma boa comida e bebidas do que festas luxuosas com tanto glamour.

— Eu até tenho algo em mente, mas vai estragar a surpresa se eu abrir minha boca. — O loiro gargalhou. — Apenas por hoje e pelos próximos dois dias você terá que ser a Princesa de Jade, herdeira primogênita e exemplo de irmã e não se esqueça do titulo de princesa inigualável de beleza inestimada. — A cada palavra provocativa Leiftan ranhava a voz tudo para tirá-la do sério, no fim o que conseguiu foi fazê-la gargalhar.

— Eu espero que valha a pena porque dessa vez nem Jamon estará presente. — Respirou fundo, o espartilho do vestido apertava e apesar de tudo cumprira com aquela tradição estúpida.

O salão de baile agora se resumia a conversas, sorrisos e uma espera infinita e enquanto Leona esbanjava sua beleza como rainha e mãe da aniversariante, no andar de cima Miiko sentia-se apreensiva com tanta responsabilidade, já Leiftan continuava sentado na poltrona confortavelmente sua única preocupação era a conversa que teria após a festividade e o silêncio se abateu sobre a dupla dinâmica.

— E então como está a Érika? — Miiko jogou um dos travesseiros sobre ele.

— Bem… Provavelmente. — Deitou-se novamente.

— Como assim provavelmente? Que tipo de namorado você é? — A adolescente ironizou e teve a almofada devolvida.

— Ela mora na Califórnia agora, nos não nos falamos a meses e a propósito creio que você não tenha moral para me criticar afinal o Lance está cozinhando a anos. — O rubor nas bochechas da Endler fizeram-no sorrir. — Acho melhor irmos logo, do contrário sua mãe irá enlouquecer, se bem que é capaz da rainha surtar se me vir saindo do mesmo quarto que você. — Essa pequena observação não se aplicava apenas a ele e sim a todos as pessoas do sexo oposto e até mesmo certas garotas, não foi a toa que a princesa de Jade ganhou o apelido de solidária, pois, nunca foi vista acompanhada de outras pessoas que não fossem os membros da família.
— Primeiro, eu não sou uma criança já tenho 16 anos e segundo ninguém aqui vai surtar por causa de um engano e outra eu e o Lance não temos nada, quer dizer ele me beijou no verão passado, mas não temos nada! — Leiftan sorriu discretamente com aquela afirmação, era engraçado vê-la tão desesperada em arrumar uma desculpa, justamente ela, á empáfia em pessoa. Em silêncio Miiko levantou-se e assumiu a expressão de boa princesa ou como a mesma costumava dizer a boneca manipulada do Reino e aguardou pelo adolescente que também deveria se prevenir e após a espera ambos seguiram para a porta, ao passar, delicadamente a não feminina envolveu o braço esquerdo enquanto a direita levantava a barra do vestido por alguns centímetros.

"Você tem certeza de que quer isso?" — Sussurrou.

"Ora e, porque não? Afinal faço o meu próprio destino e se terei que assumir a coroa que seja do meu jeito." — Com a cabeça erguida a princesa desceu as escadas a acompanhada do adolescente, a anunciação de que a princesa estava pronta fez com que o salão silenciasse e por incontáveis minutos os convidados esperaram para vê-la, imagine a surpresa que obtiveram quando pelas enormes portas de madeira esverdeada ornamentadas em dourado foram abertas a primeira coisa que enxergaram foi o vestido rosa-claro seus tules esvoaçantes e caimento perfeito depois a princesa por completo e por fim as mãos esquerda amparada pelo braço do loiro, nem mesmo a rainha Leona soube explicar o que sentiu, um misto de fúria e surpresa? Talvez, de fato Miiko era surpreendente e a cada dia mostrava mais competência para assumir o reino de EEL mesmo que no momento aos olhos da rainha aquela escolha não parecesse sábia...

Os resquícios da festa ainda estavam em sua mente, pela primeira vez em sua vida sentia-se uma adolescente, naquela noite havia bebido, dançado e aproveitado a noite na companhia de poucos amigos, suspirou ao pensar que em breve todas as reponsabilidades lhe consumiriam a ponto de esquecer a diversão.

— Eu espero que não me apronte outra dessas, onde já se viu ficar desfilando pela festa com o Dubrov sem que haja um relacionamento entre vocês? —  A voz da matriarca se fez presente arranco-a do solilóquio.

— Mãe não estamos no século dezoito, além disso ele é eu amigo. —Respondeu.

— Querida, você melhor do que ninguém sabe que como uma princesa e futura rainha de Eel sua vida deve ser particular isso inclui suas amizades que devem ser mantidas distantes de seus sentimentos do contrário quando te traírem você não estará prepara da suportar e não pense que sou pessimista, pois você será traída mais cedo ou mais tarde. Sua posição é cobiçada e desperta a ambição daqueles que estão mais próximos de você e se utilizam da pele de cordeiro para esconder as verdadeiras intenções. — A rainha mandou servi-lhe um copo de suco de manga.

— Mãe eu sei cuidar de mim, não precisa disso! — reclamou.

— Hum. Eu vejo como sabe cuidar de si, tanto que não se conteve, saiba que seu pretendente ainda será escolhido de acordo com a nobreza. Foi assim comigo, minha mãe, minha avó e assim por diante e essa querida é uma tradição que eu não pretendo quebrar. — Na cabeça da adolescente, sua mãe estava sendo desagradável de propósito. — E outra teremos uma festa maior ainda no castelo afinal toda a mídia espera por uma confirmação sobre você, então novamente a advirto contenha-se ou do contrário terei que coloca-la de castigo.

— Ok! — Miiko preferiu beber o suco e aproveitar a paisagem do que debater com a mãe, aquele voo tornou-se tranquilo a medida em que seus pensamentos se perdiam nas nuvens e na liberdade do vento que pairava pelo ar, algo que nunca teria.

Pior do que passar oras sob vigilância era todo aquele cuidado demasiado excessivo, tudo o que a adolescente queria era uma boa noite de sono e uma fuga para a floresta profunda, estava cansada de acenar e sorrir e quando adentrou o carro não pode evitar de debloquear o celular e através de uma senha acessar as mensagens para seus amigos.

{Relembrar é viver, não esqueça do que me prometeu} — A mensagem fora enviado para o loiro que rapidamente respondeu

{Porra finalmente! Pense no tédio e verá que isso não é nada. Daqui a 1h na FP} — Ela sorriu ao ler a confirmação.

{Ok, não vou avisar ao dragão} — Miiko nem esperou pela resposta sabia que seria um ok e enviou a mensagem rapidamente para Lance: {FP, não esqueça das suas pendências} — O sorriso largo em seus lábios surgiu ao ler a resposta 6min depois:

{Droga, por mil demônios! Estarei lá Raposa} — Era inconfundível a sensação de paz ao finalmente estar em casa, mesmo que ainda estivesse no carro estava difícil de conter a ansiedade, havia se comprometido com os amigos e os três juraram explorar a parte exilada da floresta, Lance sabia que a culpa era dele, pois ao invés de se confessar de uma vez atraiu a atenção da Endler com suas habilidades e no fim a garota cedeu aos seus encantos.

— Miiko bloquei esse telefone de uma vez! Estamos no carro e eu espero que você não esteja tramando nada, o Cluseau já esta a sua espera para ajudar com a escolha do vestido perfeito, a cor será branca. A futura rainha deve demonstrar a pureza de uma divindade e nada realça mais isso do que um vestido branco perfeitamente rendado. — Enquanto a rainha falava sua fiel assistente anotava todas as observações caso a soberana quisesse uzá-las mais tarde.

— A senhora já escolheu tudo então não sei porque quer tanto a minha presença. — Sussurrou.

— Não seja malcriada, o vestido será a sua vontade assim como foi o da festa no castelo de jade. — Advertiu.

— Se a senhora me conhecesse melhor saberia que detesto branco e prefiro roxo, azul escuro e vinho. — Reclamou e dessa vez Leona respirou pesado, sabia que estava sendo dura demais com a filha, Miiko nunca lhe deu trabalho ou a envergonhou, sabia que devia um pouco de carinho e até mesmo alegria a filha que a cada ano sentia-se mais sozinha e talvez se não fossem pela presença de Jamon, as visitas de Leiftan, Huang e a Ewelien ela estaria em profunda depressão, às unhas curtas tingidas de branco tilintaram sob o vestido de comprimento midi, conteve o ímpeto de abraça-la e pousou a mão direita em sua coxa.

— Olha querida, você será rainha então tente deixar tudo com o sua cara, o reino já percebeu que tem uma personalidade forte e talvez transparecê-la no vestuário mostre um pouco mais de você. Tudo bem em utilizar o que quiser, apenas mantenha a base branca. — Miiko piscou diversas vezes, aquela era a forma de sua mãe desculpar-se, limitou-se a sorrir e assim a conversa sessou...

— Droga Closeau! — Reclamou a sentir o espartilho sufocar.

— Perdão princesa precisamos manter sua silhueta perfeita. — o Designer respondeu.

— Não poderíamos deixa-la sem o espartilho? — Pediu fazendo beicinho, estar em Eel era animador mais ter que submeter-se aquelas roupas estavam lhe estressando.

— Ok, mas se a rainha reclamar eu direi que a ideia foi sua! — Closeau sussurrou, conhecia a princesa desde pequena e sempre que a mesma precisava de ajuda e seus fieis amigos não estavam  por perto recorria a ele, sabia que o francês não negaria nada.

— Sobre isso eu preciso de mais um favor — sorriu

— Par Dieu mon cher, você ainda vai me colocar em apuros e serei demitido.

— Eu juro que não será, você só precisa aguentar as pontas pra mim por umas quatro horas eu trarei um cheque pra você por-favor! — Ele respirou fundo o vê-la  suplicar.

— Futuras rainhas não suplicam. Quero você de volta em quatro horas se não irei embora! — Miiko pulou no pescoço dele e deu-lhe um beijinho na bochecha.

— Obrigada, vou lhe trazer um pão de mel de Tulá! — Exclamou.

— Então é isso? Seu destino é o garoto russo? — sorriu maliciosamente.

— Somos só amigos. — apressou-se em despir-se e colocar uma calça jeans, uma camisa preta e a jaqueta de couro com um bordado Kitsune atrás havia sido um presente de Leiftan. Os cabelos foram amarrados em um coque e por fim a garota partiu em direção a floresta profunda...

Os cabelos negros balançavam ao vento enquanto os três adolescentes tomavam algo de alto teor alcoólico. Miiko recostou-se no ombro de Lance e respirou fundo ao sentir a destra dele em seus cabelos, eles não eram um casal, por ela seriam, mas o Balenviano era complicado demais.

— O casal 20 acho que nossa exploração melou, essa chuva via ferrar com tudo. — Leiftan jogou-se ao lado deles.

— Nem me fale, então o que vamos fazer?  — A Endler sussurrou.

— Que tal uma partida de verdade, verdade e consequência. Eu liguei para  o meu irmão e ele está vindo pra cá com o resto da turma, acharam mesmo que eu tinha trago tanta bebida só pra gente? — Comentou.

— Nessa chuva eu duvido que Valkyon apareça. — Miiko comentou.

— Concordo, que tal uma partida de poker? Esvaziem os bolsos! — Leiftan levantou-se e foi até a bancada, o bom de terem construído uma casa no meio do nada era que podiam deixar as coisas lá e ninguém reclamaria.

— Ah não Leif, você sempre ganha, se vamos jogar pelo menos vamos ser criativos, que tal uma partida na chuva? — Sugeriu. — Há não ser que os dois maricas estejam com medo de perder pra mim de novo. — Sussurrou.

— Parceiro eu acho que devemos mostrar para ela o que um homem é capaz de fazer quando é desafiado. — Lance ironizou.

— Duas galinhas, duvido muito que consigam me vencer. — Cambaleando a Endler levantou e foi até as armas, pegou o florete e sorriu.

— E se vencermos o que ganhamos? — Lance perguntou.

— Deixe-me ver... Que tal eu pagar a próxima rodada daqui a três dias?  — Miiko sugeriu.

— Acho válido. — Leiftan comentou pegando o florete.

— Não, sinto muito, eu prefiro um beijo ou até mesmo escolher a sua próxima tatuagem do que isso. — Sussurrou, e Miiko gargalhou.

— Que assim seja, mas se perderem terão que ficar descamisados na chuva! Agora vamos maricas. — O trio saiu da casa e ali mesmo em frente à construção de madeira se colocaram em posição de defesa. — Podem vir os dois juntos se quiserem. — A Endler sorriu com a própria confiança enquanto Leiftan e Lace trocaram um olhar furtivo a dupla atacou junto e a raposa se desviou tranquilamente e por longos dez minutos só conseguiu se defender, até que achou uma brecha e deu uma cutuvelada na barriga de Leiftan, após isso partiu para cima de Lance com tudo e o desarmou, agora era a vez do Dubrov, que ao vê-la com duas espadas não pode evitar de gargalhar, sabia que seria fácil derrubá-la pelas pernas, porém preferiu ceder e aos poucos entregou os pontos. — Bom eu venci agora tirem as camisas e fiquem na chuva! — Gargalhou enquanto observava os amigos tirarem o excesso de peças restando apenas a  calça e os sapatos.

—  Vou ficar resfriado por sua culpa Endler. — Lance reclamou.

— Isso não é problema meu. — Ela ironizou. — E não seja um mal perdedor Dragão. Olha só o Leiftan não está reclamando.

— Claro ele mora num frio dos infernos deve estar pensando que está na praia. — O prateado respondeu.

— Deixa de ser fraco Lance, realmente a Rússia é bem fria, mas a chuva incomoda um pouco, porém aposta é aposta.

— Quer saber fodam-se vocês dois eu vou buscar maças alguém quer? — O prateado deu alguns passos até a macieira mais próxima e pôs-se a subir, Miiko sentiu seus olhos brilharem com a visão, pois agora era impossível evitar as recordações sobre o inicio daquela amizade.

Miiko tinha 13 anos quando ela e Leiftan resolveram adentrar a floresta profunda pela primeira vez e como esperado se perderam, a diferença é que o Daemon fora treinado para isso desde pequeno enquanto ela não costumava sair sem uma bússola, a raposa ficou com fome conforme a noite caia e resolveu subir em uma macieira, o problema foi que na hora de descer machucou a perna e se não fosse pelo balenviano que estava acampando com o irmão naquele dia ela teria tido sérios problemas, com o tempo tornaram-se grandes amigos e o trio viveu grandes aventuras a cada verão deixavam-na mais ansiosa pois sabia que a diversão seria garantida e as lembranças também.

— Vocês lembram dessa macieira? — Perguntou movida pelas lembranças, enquanto Lance descia rapidamente, havia pegado maças o suficiente para mais de três pessoas.

— Como esquecer, foi nesse dia em que eu conheci vocês dois, os maiores desastres de Eel. — Gargalhou.

— Não exagera Lance, eu só me machuquei aquela vez. — Miiko sorriu ao pegar com as mãos uma maça que fora arremessada por ele.

— Nesses três anos que se passaram você se machucou diversas vezes querida, nem vem com essa, tem cicatrizes nesse corpo o suficiente para sua mãe pirar. — Ironizou.

— Não seja tolo ela tatuou esqueceu? — A voz rouca de Leiftan fez com que ela corasse involuntariamente.

— Tá legal já chega, saiam da chuva meninos e aproveitem para tomar um banho. — Sorriu ao levantar e deixar os dois sozinhos, ainda assim pode ouvir a conversa entre ambos enquanto caminhavam em direção a casa:

“Ela não tem jeito.” — Leiftan gargalhou.

“Deve ser por isso que gostamos tanto dela.” — Lance concordou.

“É... Deve ser...” — A resposta evasiva do Dubrov não passou despercebida pelos outros e por incontáveis horas a Endler se esqueceu do trato que havia feito com Closeau, o trio resolveu dormir na cabana devido a forte chuva aqueles momentos como sempre fortalecia a amizade e dispensava qualquer dúvida, para ela aqueles momentos eram os melhores de toda a sua existência, pois provava a liberdade de diversas formas, fosse correndo pela floresta, se sujando no processo e até mesmo preparar a própria comida e por fim tinham eles, os amigos que havia feito com tanto carinho, realmente sentir-se livre e amada era a melhor sensação do mundo.

O dia raiou naquela pequena casa de madeira e o celular de Lance não parava de tocar.

— Desliguem isso, por favor. — Miiko reclamou.

— Já vou, já vou princesa. — A ironia pela manhã era a melhor forma de despertar. — Cara a gente apagou e minha cabeça está doendo. — O balenviano reclamou.

— E que horas são? Eu vou passar um café enquanto isso. — Leiftan levantou, vestiu a camisa e foi até a pequena cozinha improvisada.

— Cara como você não está de ressaca? — O balenviano indagou.

— Eu estou acostumado com esse tipo de festa se esqueceu? — Ergueu uma das sobrancelhas fazendo com que Lance bufasse de raiva.

— Russos... — Ironizou.

Miiko continuou dormindo confortavelmente até que sua consciência pareceu recobrar e com isso a garota pulara da cama.

— Ai não! Mais que merda! Que horas são? — Prendeu os cabelos apressadamente.

— 10hs raposa. — Lance falou.

— Ah não... Que merda... Eu estou muito ferrada! — Miiko pegou a jaqueta e amarrou na cintura ia passar pela porta porém foi impedida por Leiftan.

— Espera, se você chegar lá com essa cara amassada e sem escovar os dentes vão saber que você passou a noite fora e como diria meu pai, se já esta no inferno abrace o demônio. Então senta ai toma café e eu te levo lá pode ser? — A tranquilidade no olhar dele fez com que a mesma ficasse mais calma. Lance apenas observou aquela amizade, em seu íntimo sentia inveja e desejava tê-la conhecido primeiro talvez fosse ele a estar tão próximo.

— Então vamos tomar café, estou morrendo de fome. — Lance reclamou.

— Ainda sobrou um *stolítchni inteiro e manteiga. — Leiftan tirou a mão da frente de Miiko e ela continuou parada observando-o. O trio sentou-se a mesa e devoraram o pão tipicamente russo, Miiko jamais admitiria, mas estava ficando mal acostumada com as comidas típicas que praticamente obrigava Leiftan a trazer, após aquilo eles se despediram, Lance resolveu ficar um pouco mais na cabana, ele não havia contado para ninguém que brigou com os pais por conta de suas escolhas.

— E então Daemon, como vamos chegar tão rápido? — questionou.

— Bom, para a sua sorte eu vim de moto e deixei a mesma coberta bem aqui atrás da casa, como você acha que eu conseguiria trazer todas as comidas que estava te devendo? Andando que não.

— Ok, eu já entendi. Sou uma comilona... — Dramatizou.

— Se for assim eu sou um alcoólatra. — Entro na brincadeira.

— Ok Leif você ganhou, agora vamos rápido e passe pelo portão médio, você pode deixar a moto escondida na garagem de visitas e ficar hospedado no meu quarto assim descansamos direito e ninguém suspeitará de nada. — Planejaram.

— Ok, duas horas no máximo do contrário meus pais também irão me caçar. — Após concordaram partiram em direção ao castelo, cerca de treze minutos foi o que ele levou para chegar no lugar e adentraram o quarto pela passagem secreta que ligava o lado externo da casa com o segundo andar.

— Ufa! Achei que seriamos pego dessa vez. — Miiko recostou-se na porta.

— Nem brinca com isso. Imagina o trabalho para explicar onde e com quem você estava. — Ele sorriu ao atirar-se na cadeira, os olhos azuis dela vislumbraram o porta vestido preso na porta do closet.

“ Você me deve uns cem pães de mel. Sua mãe acredita que estava cansada da viagem então se ela perguntar você passou toda a tarde em seu quarto.Com amor Closeau”

 

O sorriso denunciou a felicidade de ter pessoas tão boas ao lado, resolveu que não abriria o vestido até o aniversário para assim não estragar a surpresa, resolveu dedicar aquele tempo ao amigo e após ficarem apresentáveis puderam descansar um pouco.

— Eu tenho que ir. — Leiftan sorriu.

— Ok, eu te levo até a porta, não quer dizer, saia pelos fundos, ninguém vai reclamar e minha mãe está ocupada demais. — Ele assentiu e a mesma o abraçou, a pequena despedida terminou em sorrisos e cumplicidade.

— Te vejo em dois dias, até lá não se meta em encrenca. — Piscou descaradamente. A Endler respirou profundamente extasiada com o silêncio, ser uma princesa exigia discrição e modos que a mesma queria ter forças para ignorar e jogar tudo para o alto, mas ao invés disso estava ali sendo uma refém de seu próprio título.

Os dois dias passaram voando aos olhos da mulher que não aguentava mais tanta correria, uma hora estava com o designer de moda aprovando os últimos detalhes dos vestidos extras, outra hora estava na cozinha provando o que seria servido e aproveitando para beliscar e por fim tinha a decoração, a bendita decoração que odiou com todas as forças, não importava quantas tentativas de modificação fossem feitas no fim das contas o ambiente continuava sutil e clean, no fim Closeau uniu-se a Rivera e depois de ouvirem tudo o que a futura rainha de Eel queria conseguiram chegar a uma decoração que a agradava, desde o lustre até a mesa de vidro com iluminação que transitavam entre o roxo e o azul, as rosas tingidas nos tons favoritos decoravam a mesa em um grande vaso de prata no centro, as bandejas ao redor transitavam entre o cristal puro e a prata deixando a mesa ainda mais luxuosa. Miiko estava exausta com tantos afazeres e por um minuto se arrependeu de ter tomado a frente da própria festa, passaram tanto tempo se dedicando a deixar tudo do seu jeitinho que se esquecera das próprias amigas, por sorte as mesmas estavam hospedadas na casa de visita.

— Finalmente Miiko agora podemos curtir um pouquinho. — A voz da Huang se fez presente, a Endler continuou jogada no sofá.

— Se eu pudesse pulava fora dessa festa seria uma ótima forma de curtir. — Sussurrou.

— Credo não seja antissocial, eu estou louca para participar dessa festa. —Ewelien sorriu.

— Não seja assim Miiko faltam 6hs para a festa e você deveria estar se arrumando. — Huang sorriu. — Anda levanta sua estressada.

— E eu tenho escolha? — Reclamou ouvindo um sonoro Não em uníssono. Então sem escolhas a princesa juntou-se as amigas, ou seja, algumas dos membros da guarda reluzente e seguiram para o spa planejado pela rainha, as conversas sobre o cotidiano e algumas revelações sobre romances eram o prato principal daquela tarde, em poucos minutos ela soube que Ewe e Ezarel o homem apelidado de elfo  tinha terminado, ele também fazia parte da guarda reluzente mais não era comum ser visto com frequência nas dependências do castelo, assim como os demais homens do seu grupo social limitado, o único que morava no castelo era Jamon.

As mulheres passaram bastante tempo se divertindo no spa e dali seguiram para o closet onde se vestiram exceto a princesa que foi obrigada a ficar sozinha no quarto, Closeau ficou a frente e enquanto apertava o vestido a rainha averiguava se havia alguma falha, até mesmo na cor das unhas ela havia opinado.

— Ok, Closeau acho que já chega daqui a pouco ela vai reclamar que não consegue respirar. — Leona reclamou.

— Como desejar senhora. — Terminou de arrumar os cabelos da princesa e colocou algumas flores da cor do vestido presa na fina trança que se iniciava dos lados dos cabelos e desaguava na parte detrás formando uma pequena rosa.

— E então minha querida filha você gostou do seu vestido, fico exatamente como desejou? — Sorriu.

— Sim, cada bordado está perfeito, será que podemos ir? — Sussurrou.

— Claro querida, espero que goste da preparação. — A realeza deixou o ambiente sob segurança, algo que mais uma vez Miiko achou absurdo porém entendeu perfeitamente afinal o salão de festa estava lotado de convidados importantes, ao chegar na festa deparou-se com todos aqueles que olhavam-na  extasiado pela beleza ou até mesmo por ter quebrado mais uma regra da realeza, caminhar naquele tapete de vidro iluminado fez com que a ansiedade em seu coração aumentasse principalmente porque o discurso de sua mãe não sessaria tão cedo, foram tantos elogios e eloquência que ela precisou conter as lágrimas, Miiko também preciso recitar algumas menções de agradecimento além de cumprimentar e conversar com todos os membros importantes da na nobreza que estavam presente na festa, fora briga a jantar no horário correto e aceitar os brindes a sua longevidade e futuro governo e só depois ficou livre para curtir a festa.

Por volta de 22hs a princesa fora a pista de dança encontrando com seus amigos que gargalhavam  de algum assunto exclusivo.

— Finalmente heim. — Huang sorriu, estava claramente alterada pela bebida.

— Pelo amor dos deuses Leiftan compartilhe comigo. — Discretamente a princesa se aproximou do Dubrov e enfiou a mão esquerda no smoking sabia que ele traria um cantil consigo. — Por-favor me diz que isso aqui é vinho eu não aguento mais suco ou refrigerante.

— Para a sua sorte eu trouxe vinho, e espero que consiga se livrar dessa chatice até ás uma da manhã, onde a festa vai acontecer de verdade. — Ele sorriu ladinamente, e os olhos azuis brilharam de curiosidade. — Não me pergunte o que é, apenas troque essas roupas quando puder.

— Droga Daemon, porque você vive atazanando a minha vida — Ironizou.

— Seja sincera raposa, sou a melhor coisa que já te aconteceu. — Ela sorriu com tanta prepotência, casa encenação naquela festa era muito divertido e impossível de ser desperdiçada.

— Estamos atrapalhando alguma coisa? — Valkyon, Ewelein e Huang se aproximaram.

— Não. Cadê o Lance? — Miiko perguntou sorridente.

— Meu irmão não pode vir, teve um problema para se resolver, mas me pediu para te entregar isso. — Valkyon tirou do bolso interno do smoking uma pequena caixa de veludo e entrou nas mãos dela, na hora a raposa agradeceu mentalmente por ter exigido um bolso interno no vestido onde colocou a caixinha.

— Obrigada. — Sentiu as bochechas aquecerem e não percebeu quando o loiro desviou o olhar e fechou o semblante, nem ele mesmo sabia o que estava acontecendo ou porque reagiu dessa forma. — Bom vamos continuar com essa festa! — O constrangimento fora deixado de lado para dar ar a nova versão festeira da princesa realmente estava se divertindo tanto que nunca imaginou que tudo poderia ficar ainda melhor.  O relógio no pulso do Daemon marcava meia noite, já não aguentava mais tantas fotos, em seus cabelos estava uma cartola de balão e no pescoço um colar havaiano tirou tantas fotos com ela que por um minuto pensou que o presente seria uma perda de tempo. Os olhos verde por um minuto vislumbraram o olhar severo do pai, por mais um dia resolveu ignorá-lo.

— E ai meu Daemon favorito desistiu de me presentear? — Os braços entorno do pescoço masculino exalavam um perfume de jasmyn.

— O que aconteceu com a prudência da realeza? — Debochou.

— A essa altura espero que esteja no quinto dos infernos junto com todas aquelas leis que tanto detesto.  — Sussurrou.

— Bom então para a sua sorte quebraremos mais uma regra, daqui a uma hora me encontre na garagem, deu um puta trabalho voltar para a casa a pé. — Ironizou.

— Até parece, eu sei que você pegou um táxi.

— Sempre perspicaz. — Ambos compartilharam da cumplicidade com apenas uma troca de olhares e pelo resto do tempo que tinham aproveitaram a festa, quando faltavam dez minutos para uma o adolescente discretamente sumiu e a princesa entendeu que estava na hora, atravessou o salão sorrindo e cumprimentando a todos que viam em sua direção, depois simplesmente se aproximou de sua mãe e pediu um pouco de privacidade.

— Mãe eu estou cansada e com um pouco de dor de cabeça, seria rude se eu me retirasse para os meus aposentos? — Forçou o semblante.

— Não é correto, mas eu darei um jeito se precisa mesmo descansar vá. — Afagou a bochecha da garota antes de distanciar-se por dentro Miiko sentia-se culpada e ao mesmo tempo aliviada.

“O que será que ele tem pra mim?” — o pensamento ocorreu enquanto desculpava-se pela falta, o pesado vestido fora arrastado até o andar superior do castelo, encarou as portas de tom marfim e quando entrou finalmente soltou o ar. 

— Como eu vou tirar esse espartilho? — A adolescente esgueirou-se até o closet e com certa dificuldade arrancou o vestido do corpo e lembrou do presente de Lance, abaixou e pegou o pequeno porta veludo abriu e deparou-se com um colar de jade e uma pequena carta:

 

Eu sinto muito por faltar o seu aniversário espero que me perdoe, e há propósito eu espero que goste do colar fui eu mesmo que escolhi as pedras.

O resto do seu presente te darei pessoalmente, te vejo quanto voltar raposa.

Att, Lance.

 

Depois de ler o pequeno bilhete e sorri feito uma boba foi até o banheiro onde tomou um banho desfez toda as tranças do cabelo deixando-o solto, colocou uma calça jeans preta e uma regata branca além da tradicional jaqueta de couro, colocou o colar, pegou as botas e desceu pela sacada dando graças aos céus pela vista do quarto ser limpa e sem qualquer contato com o local onde os outros convidados estavam.

— Pensei que eu fosse ficar aqui até amanhã. — Reclamou ao arremessar um capacete para ela.

— Ok drama boy, vamos logo. Estou curiosa para saber o que você planejou.

— Seu desejo é uma ordem princesa. — O barulho alto da moto causava tranquilidade na garota que apertava a cintura masculina de leve.

— Eu estou com pressa e talvez 100km não sejam o suficiente. — Baixou a viseira impossibilitando-a de ver o sorriso sarcástico.

A praça central de Balenvia estava cheia e o som da música era eloquente, os olhos azuis através da viseira encararam o palco descrente.

— Leif me diz que isso é um sonho? — A moto parou e a garoto tirou o capacete, os longos fios lisos estavam ondulados devido o efeito do capacete.

—Clara que não, vamos? — Ele prendeu os capacetes na moto e espero que ela o seguisse. — Eu sabia que você enlouqueceria, afinal foi a todos os shows deles na Europa.

— Mas eu não sabia que iriam fazer um show aqui em Eldarya. — Sussurrou.

— É ai que está, eles deviam um favor pro meu pai e eu cobrei então feliz aniversário. — Sussurrou, os olhos dela lacrimejaram, assistiu a todos os shows da banda Obscurial pela Europa, o ultimo em especial conseguiu um foto no camarim com a banda além de um autógrafo. Leiftan olhou novamente para o relógio e pousou a destra no ombro direito feminino. — Lembra quando eu pedi para chegarmos aqui até as 01hs. — Ela assentiu. — Acho melhor irmos para frente do palco. — O loiro puxou-a pela mão até o local indicado e reservado, o público gritava e pulava devido a exaltação, der repente o palco ficou escuro e a melodia da guitarra ficou baixa.

“E ai pessoal, essa música é especial e dedicada à raposinha então seja onde estiver espero que goste, pois sei que é a sua favorita” — A voz rouca do vocalista fez com que o coração de Miiko batesse mais forte, Leiftan havia lhe dado o presente perfeito.

“I got the clues

Girl, don't be rude

You know I bruise easily (I do)

Take off your shoes

When you come in my stew

You know I do it so clean

 

Yeah, I switch up the flow

They don't like when you grow

They don't like when you know (please)

Visualize what you want

Take your time, don't you frown

You know I like it blunt (please)

 

Burnin' out, burnin' out (burnin')

N-n-n-nah I won't let you go

Burnin' out, burnin' out (burnin' out, burnin' out)

N-n-n-nah I won't let you go

Burnin' out, burnin' out

N-n-n-nah I won't let you go

 

You're spending time

Don't rest the night

You lived the life

 

I had to stop singin' for a minute

I need to get some shit off my chest 'cause I've been sinnin'

I opened up my time to her

Found a new vibe, no denying it

Why would you come in my life if you don't wanna try to ride up inside of it?

I don't wanna go and offend you

Swore I gotta wear it in time

Did a lot of things, I don't blame you

But I'm gonna make it right

Will you roll up with me later?

Don't you leave me tonight

Hop off this booth if you'll ride it like it

 

Burnin' out, burnin' out (burnin')

N-n-n-nah I won't let you go

Burnin' out, burnin' out (burnin' out, burnin' out)

N-n-n-nah I won't let you go

Burnin' out, burnin' out

N-n-n-nah I won't let you go

 

Oh, whoa, I won't let you go

 

I'm over being paranoid

I was smokin' up the noise

No more messin' with them toys

Grow that manner from a boy”

 

Aquela letra fora o estopim para a Endler, nunca se preocuparam em lhe dar o que queria, algo que fizesse seu coração palpitar e ele havia conseguido.

— Muito obrigada Leif. — Miiko aproximou-se do pescoço masculino e o abraçou. — Pena que eu não poderei passar a noite toda aqui, adoro Balenvia. — Suspirou.

— Você é mesmo muito tapada. — Gargalhou. — Eu pensei em tudo querida, esqueceu? Meus pais tem uma casa aqui em Balenvia então sem hotéis e você não precisa se preocupar, é claro que eu mandei aprontarem três quartos já que Lance tinha confirmado que iria nos encontrar aqui, mas aquele idiota furou. — Reclamou, ainda sentido o abraço forte e quente em torno do pescoço, as sensações que aquela demonstração de carinho lhe provocavam colocavam suas tarefas em risco.

— Hei não me chama de tapada, vai estragar o momento. — Miiko sentiu os braços fortes lhe apertarem calmamente a música já havia acabado e outra tocava, dessa vez o som era menos agressivo.

“Promise that you won't kiss and tell

I'm for real, I wanna give you a supply

Of how it feels when your heart is beating fast

And sweat drips off your body

I'm roaring loud (say it with me)

We're roaring loud”

 

Miiko sentiu-se constrangida devido ao arremedo de sentimentos impulsivos que ecoavam até mesmo em sua mente, resolveu se separar daquele abraço e lentamente deixou o corpo do amigo sentiu a face ir de encontro com a dele e dessa vez a conexão entre olhares provinha do desejo e calor do momento, ela nem se deu conta que havia fechado os olhos e respirava pausadamente os lábios entreabertos, aquilo para Leiftan fora o estopim, lentamente tomou aqueles lábios e tudo ao seu redor tornou-se obsoleto sua única preocupação no momento se resumia nos lábios que exigiam casa vez mais toques, a doçura contida naquele momento despertava ambos os corações, quando se separaram sem fôlego tentaram aproveitar o resto do show, mas a conexão que havia se formado entre eles era mais forte apenas o ósculo permaneceu no ar.

O show durou cerca de uma hora e meia e depois outras bandas se apresentaram, porém com a partida da Obscurial o não casal sentiu-se deslocado.

— Acho melhor irmos. — Miiko desviou o olhar constrangido.

— Para onde? Minha casa ou você prefere voltar para o castelo? — A pergunta de Leiftan ressoou em seu peito.

— Vamos manter o plano, eu só irei para casa amanhã. — Depois de concordarem voltaram para a moto, por mais que desse para ir andando até a casa não valia a pena deixar a moto largada na praça.

O relógio marcava 3 da manhã a lua ainda brilhava no céu banhado pelas estrelas, a casa estava silenciosa e escura, pela primeira vez ficar sozinha com ele tornou-se um problema, a luz da sala fora acesa e a mão direita tocou-lhe o ombro esquerdo tirando-a do devaneio.

— Algo errado? — A voz rouca fora de encontro ao ouvido e um arrepio passou pela nuca.

— Talvez... — Ela sussurrou.

— E você quer conversar... — O espaço entre eles diminuía a cada passo dado por ele.

— Eu... — Desviou o olhar corado. —  Nós não deveríamos ter feito aquilo. — As bochechas ferviam.

— Você diz o beijo? Foi tão ruim assim? — Ele sabia a resposta, mas para seu ego precisava ouvir dos lábios femininos.

— N-não, na verdade eu poderia te beijar de novo e... — Miiko tapou os lábios ao perceber que as palavras saltaram de seus lábios, Leiftan sorriu enquanto afastava os fios azulados. — Isso pode estragar o que temos...

— Sinceramente, depois de tantos anos creio que nada possa estragar a nossa amizade e você deveria se preocupar com o que sente agora, viver o momento e deixar os problemas para depois. — Era possível sentir a respiração dele ir de encontro a face corada, a quem ela queria enganar não conseguiria sair dali, sua mente e seu corpo entraram em conflito, se aquilo era mais do que um impulso ou até mesmo um simples capricho estava a ponto de descobri, os lábios de Leiftan roçaram nos dela e mais uma vez beijou o melhor amigo e dessa vez de maneira intensa, ela não soube explicar como começou, apenas conseguia sentir, aquele ósculo inquebrável que aos poucos lhe roubava o ar despertava o seu corpo de maneira única ele puxou-a pela mão até o segundo andar da casa e a mesma se deixou ser guiada pela vontade, o loiro abriu a porta de um dos quartos e ela logo percebera que era o dele, afinal o gosto pela musica era inconfundível, Miiko deu passos curtos até o meio do quarto e ouviu a porta quarto ser fechada com cuidado, Leiftan se aproximou e colocou uma mão em cada lado do ombro feminino, cabelo fora posto de lado e beijos distribuídos ao lado direito do pescoço enquanto a jaqueta de couro escorregava de seu corpo, Miiko virou-se de frente para ele e exigiu os lábios que por agora lhe pertenciam, as mãos de Leiftan foram de encontro à alça da camisa escorregando-a de leve pelo ombro e só então o beijo sessou para que enfim o casal pudesse confirmar a vontade, palavras não eram necessárias para descrever o que viria a seguir e apesar de Miiko julgar-se inexperiente possuía certeza de que não era a única, porém o loiro surpreendeu-a com um beijo avassalador as mãos firmes escorregaram pelas ancas e o coração  acelerou nunca pensou que sua primeira vez fosse acontecer aos dezesseis anos e muito menos que seu amigo fosse o responsável por ela. As peças de roupa foram retiradas lentamente agora a Endler encontrava-se em trajes íntimos enquanto o loiro tirava a camisa, deixou que o olhar imponente se abatesse sobre seu corpo com deleite antes de novamente tomar-lhe os lábios e direcioná-la para cama e mais uma vez ouve o aguardo de alguma negativa, porém a única coisa que sentiu foi a mão delicada alisando seu peitoral, com gentileza deitou-se sobre ela o ósculo recomeçou e dessa vez Leiftan fora incapaz de conter a própria lasciva restando para Miiko apenas os gemidos abafados enquanto tinha a pele do pescoço repuxada levemente por conta de um chupão, a lingerie aos poucos fora tirada e a garota conheceu na pele o prazer tendo todo seu corpo provado, suas respiração tornou-me ofegante enquanto os gemidos estavam cada vez mais alto, as unhas curtas fincaram na cama ao sentir leves espasmos.

— Ainda bem que eu trouxe isto. Não imaginei que fosse precisar. — Referiu-se a camisinha, era um homem prevenido, rapidamente terminou de tirar as peças e vestir a proteção, aumentando a tensão  que agora a garota era incapaz de conter.

— Espere. — Sussurrou enquanto os olhos verdes se demoraram em seus lábios.

— Algo errado? — Ele preocupou-se, será que havia ido rápido e longe demais? Os pensamentos afoitos deixaram-na constrangida, se conheciam tão bem que poderia ler tal dúvida estampada na face perfeita.

— Apenas me beije. — O pedido de Miiko veio acompanhado de uma calma intensa, para ele jamais poderia dizer que aquilo era só sexo e quando finalmente rompeu com a última barreira de temores da Endler levará consigo também a castidade. O corpo feminino ainda ressoara com a dor e ele apenas esperou em meio a beijos indubitavelmente apaixonados,  ela relaxou e como se conseguisse ler nas curvas e arrepios do corpo movimentou-se lentamente aos poucos a dor fora substituída por prazer enquanto as estocadas mantinham o ritmo. Leiftan segurou o braço esquerdo dela acima da cabeça enquanto voltou a atarcar-lhe o pescoço, a respiração dele intensificou enquanto Miiko segurava os gemidos.

— Eu gostaria de ouví-la. —  Os olhos se conectaram e por um instante as mãos dela envolveram os fios loiros e com um sorriso de canto Leiftan voltou a movimentar-se arrancando dela mais um gemido, com o tempo as investidas tornaram-se mais intensas e até mesmo a cama respondia tais movimentos, o suor escorria pelo rosto dele a medida em que se concentrava em não utilizar força demais na intensidade de seus movimentos, tomou os lábios dela novamente e dessa vez fora impossível dominar os próprios sentimentos estava totalmente rendido por ela e por incontáveis horas naquela noite ele a amou intensamente...

O dia raiou lindamente e em uma das casas do alto escalão de Balenvia dentro de um quarto, o casal dormia entre os lençóis revirados, Leiftan fora o primeiro a despertar levantou e esfregou os olhos apenas para reparar nas marcas das costas dela e observar mais uma vez a tatuagem de flores na perna direita, os fios negros esparramados pelo travesseiro emanavam um perfume de jasmyn do dia anterior, sem pressa utilizou de sua mão direita para acariciar as costas nuas.

"Isso tornou tudo mais difícil..." — Pensou ao tocar as costas macias com a boca, decidiu que por mais um dia ignoraria as ordens do pai e toda confusão que em breve destruiria a bela lembrança. 

E enquanto isso do lado de fora da casa o prateado de fios curtos sentia-se traído, infelizmente o casal cometera o erro de deixar as cortinas abertas e com isso seu pequeno momento de descanso fora revelado aos olhos azuis do Drage que ferviam diante da confirmação: não só seu melhor amigo havia lhe traído como perfurado seu coração.

— Isso não vai ficar assim Leiftan, se você pensa que pode fazer o que quer e sair impune está muito enganado. — Lance continuou a observar o casal dormindo e antes de sair propositalmente arremessou uma pequena pedra ao lado da janela seria ele a acabar com aquela aliança, pois agora sua ambição falava mais alto do que qualquer outro sentimento.

O Balenviano agiu sem pensar e quando se deu conta já estava na porta da casa de seu amigo, tocou a campainha sem pensar e por algum milagre a porta fora atendida por Mikhail que encarou tal presença como incomoda.

— Você ainda precisa da localização das minas de urânio? — Foi direto e o adulto sorriu, ele não esperava por isso e viu no olhar potencial para um aliado plenamente manipulado.

— Na verdade a localização é o menor dos meus problemas, mas diga criança o que quer aqui? —  Deu espaço para que ele adentrasse o local.

— Vingança. Digamos que ser traído despertou meus sentidos pra o que deveria ser o futuro desse lugar. — Mikhail sabia que aquilo era errado, mas se Leiftan não estava disposto a cooperar seu amigo viria bem a calhar e quem sabe no futuro o filho e herdeiro do trono que logo seria usurpado desse valor há sua ambição.

— Se é assim, creio que você será bem útil. — Sorriu.

— Digo-lhe o mesmo, espero que essa conversa fique entre nós afinal estamos apenas no começo. — Com tais palavras o Balenviano seguiu o mais velho até o escritório, tratariam de negócios como um verdadeiro adulto e sem saber decretaria um fim para a honra de sua própria família.

"Em breve eu me vingarei de vocês dois" — Pensou enquanto a porta era fechada, pena que seus planos futuramente lhe mostrariam a rudeza de suas escolhas.


Notas Finais




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