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História Never Enough - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Piloto


Caminho distraída pelo aglomerado de pessoas, ainda procurando o Lucas.

- Idiota, ele me paga – Balbucio, indignada.

Tínhamos um combinado bem simples de: Não abandonar um ao outro, mas parece que ao ver o Damiani ele simplesmente esqueceu disso e foi atrás, me deixando completamente sozinha no meio de um evento.

Cerca de cinco minutos depois me dou por vencida e sento em um banco lateral, perto da saída. Suspiro, puta da cara por não ter previsto isso antes de sair de casa.

Eu e Lucas namoramos a quase três anos, e ele sempre foi assim. Sempre dando prioridades aos amigos ou simplesmente a qualquer coisa antes de mim. E eu odeio isso com todas as minhas forças.

E sim, eu já cogitei terminar com ele. E já tentei também, juro.

O problema é que Lucas consegue se desviar de algumas conversas de forma tão hábil que eu acredito firmemente que ele daria um bom golpista.

Por que não insisti? Por burrice, é claro. Mas principalmente por sempre acreditar naquela merda de “Ele vai mudar”. Mas isso nunca aconteceu e provavelmente nem vai.

Continuo num relacionamento assim até que... Não sei. Algum sinal muito claro surja em minha vida de merda ou algo muito tenso aconteça. Sei lá.

Um dia de cada vez, esse é o meu lema.

Tiro meu celular do bolso e mando uma mensagem pra Lucas:

“Estou indo pra casa, te vejo amanhã”.

Dou uma ultima olhada no evento e então enxergo enfim alguém conhecido. No meio de um aglomerado de pessoas estava um rapaz moreno com cabelo longo e enrolado, as pontas de seus cachos eram azuis e ele tentava atender a todos que tentavam tirar fotos em sua companhia.

Era Felps, meu amigo desde... Nem sei direito, mais ou menos desde que eu e Lucas nos conhecemos. Ele era muito divertido e na maior parte das saídas em que meu “querido” namorado me forçava a ir, ele era minha única companhia.

Se ele já me aconselhou a terminar com Lucas? Acho que sim, mas por meio de indiretas bem diretas como “Você sofre por que quer”.

Felps estava super certo e eu sabia disso, mas como eu disse anteriormente, um dia de cada vez.

Sorrio ao ver a empolgação nos olhos de meu amigo ao atender seus fãs, eu conhecia todo o seu esforço pra conquista-los e ver um retorno assim tão claro era gratificante até para olhos externos.

O moreno me enxerga de longe e grita:

- Livia! – Sua voz alta e acenos exagerados chamam a atenção de muitas pessoas, que me olham, curiosas.

Cubro o rosto com as mãos e me levanto, envergonhada. Odeio quando muitas pessoas prestam atenção em mim, o que normalmente Felps só faz para me provocar.

Por algum milagre (ou maldição) ele consegue se desvencilhar a tempo de me alcançar antes da saída, e só então eu vejo que não estava sozinho.

- Não foge de mim! – Felps fala antes de me envolver em um abraço sufocante. Quando ele se afasta o suficiente pra me deixar respirar, tento arrumar o máximo do meu cabelo bagunçado.

- Como se eu conseguisse! – Respondo, rindo. Recentemente cortei meu cabelo na altura do ombro, o que me arrependi imediatamente depois. Antigamente ele era longo o suficiente pra alcançar minha cintura.

Percebo que Felps repara nisso, mas ao abrir a boca pra falar alguma coisa eu chacoalho a cabeça em um sinal facilmente entendível por ele.

- Então... – Começa, hesitante. – Devo perguntar onde está Lucas? – Seu tom é o de um pai cobrando as tarefas atrasadas do filho.

- Pode perguntar, você já sabe a resposta – Tento amenizar o clima ruim com uma risadinha sem jeito, mas ele não me acompanha.

- Liv, já conversamos sobre isso...

- Cala a boca Felps, infelizmente eu sei o que preciso fazer e só depende de mim. Ficar repetindo não adianta nada então se não vai me falar sobre qualquer outro assunto, eu vou chamar um Uber e voltar pra casa me encher de comida mexicana enquanto assisto Doctor Who até tomar vergonha na minha cara.

Termino de falar e estou um pouco ofegante, respiro fundo e me amaldiçoo por estar com os olhos marejados e por ter perdido o controle.

Em silencio nos encaramos, até que ele sorri.

- OK, desculpa. Quer carona? Te pago um caldo de cana.

Suspiro, aliviada.

- Ah, esqueci de te apresentar – Ele se afasta, mostrando um rapaz loiro invisível de onde eu estava. O mesmo está finalizando uma ligação quando Felps abre espaço.

- Ta... Ta bom mãe, eu vou estar lá. Sim, sim eu te ligo depois. Preciso desligar. Outro mãe, até depois. – Ele abaixa o celular e sorri, um pouco constrangido. – Ah, oi.

- Oi – Respondo, igualmente envergonhada por pensar que talvez ele tenha escutado nossa conversa de antes.

- Livia, esse é Cellbit, acho que já te falei dele alguma vez em algum dia. – Babaca, é claro que ele já havia falado. Ele sabia que eu tinha um crush extremo nesse garoto desde muito antes de conhecer Lucas – Cellbit, essa é a Livia que eu tanto falo.

Meu rosto ruboriza quando ele estende a mão pra me cumprimentar oficialmente. A aperto e cruzo os braços, tímida.

- Então... Vamos? Antes que mais alguém apareça pra eu dar carona.

Enquanto caminhamos até o carro de Felps, o clima ameniza consideravelmente e logo estamos entre risos e muito mais confortáveis uns com os outros.

Um pouco antes de entrarmos no veículo ouço alguém me chamar.

- Livia! Livia! Espera!

- Ah não – Ouço Felps murmurar, eu mesma suspiro resignada.

Me viro, já conformada com as desculpas e o que está por vir. Vejo Lucas correndo em minha direção.

- Onde você vai? Por que não me esperou? – Seu tom grosseiro já me é rotineiro, então simplesmente respondo:

- Você por acaso olhou teu celular? To te procurando basicamente o dia todo, Lucas. Você em algum momento lembrou que eu existo? – A expressão vaga em seu rosto já responde o que eu quero saber, então solto um riso de escarnio. – Acho que nem precisa falar nada.

- Por que você ta com ele? – Como de costume sua mania de mudar de assunto quando está perdendo uma discussão entra no ringue e tenta me derrubar.

- Por que ele é meu amigo e já falamos disso tantas vezes... – Passo as mãos pelos olhos, esgotada por discutir sempre pelo mesmo motivo.

- Eu não confio nesse cara, e você sabe disso... – Ele começa a falar, mas eu o interrompo.

- Bom, eu não vejo isso como um problema meu então pra mim já chega por hoje. Eu vou pra casa.

Dou as costas a todos e saio pra calçada, ignorando os dois caras que me chamavam no estacionamento. Tiro meus AirPods da bolsa e ligo uma música qualquer, apenas pra caminhar.

Estou com muita raiva e ao mesmo tempo cansada. Não quero ter que passar por isso novamente. Limpo uma lagrima chata do canto dos olhos e jogo a cabeça pro alto, respirando fundo.

(...)

A noite já caiu quando chego em casa, enxarcada pela chuva que peguei na metade do caminho. Meu humor está no chão e, depois de trancar a porta atrás de mim, entro no chuveiro com roupa e tudo.

Deixo a água morna tirar todo o frio e cansaço do meu corpo, e enfim libero as lagrimas que estava engolindo.

Soluço de frustração, irritada e cansada de viver desse jeito apenas por falta de coragem ou insistência de terminar enfim. Tiro a roupa quando me acalmo, tomando assim um longo banho.

Me seco e jogo meu corpo na cama, esgotada pelo dia de merda. Logo estou ferrada no sono.

(...)

O domingo amanhece cinzento, chuvoso. Abro os olhos hesitante, torcendo para cair no sono de novo antes de despertar totalmente, mas sou frustrada pelos toques insistentes da minha campainha na sala. Levanto, grogue e pego um roupão atrás da porta, jogando por cima de meu corpo enquanto xingo sem escrúpulo nenhum qualquer pessoa que possa ter me acordado.

Abro a porta e dou de cara com Lucas.

É claro, pensei comigo mesmo. Quem eu esperava que fosse?

Ele está parado na porta, com flores em uma mão e a expressão impaciente no rosto.

- Por que demorou? – Diz, empurrando a flor em meu peito e tentando entrar.

Barro a entrada com o braço e ele me olha, confuso.

- O que foi?

- Pra mim já chega Lucas, essa foi a ultima vez que você me fez de idiota.

- Do que você ta falando? Eu te trouxe flores... – Ele fala, abaixando o tom de voz ao perceber meu animo.

- Pode fazer um vaso e decorar a mesa, aproveita e chama sua arrogância pra te fazer companhia, por que pra mim acabou. – Tento fechar a porta, mas ele a segura com o sapato.

- Liv, vamos conversar amor... – Fala, forçando a porta pra não a fechar.

- Vai embora Lucas, ou eu vou chamar a polícia. – Alerto uma vez, já cansada disso. Com um hábil chute, tiro o pé dele que estava segurando a porta e a fecho em um estrondo, travando logo em seguida.

Me encosto na porta fechada, respirando fundo enquanto ouço ele me chamar do outro lado dela.

“Liv, eu te ligo quando você estiver mais calma pra gente conversar...”

Me afasto da entrada, o deixando pra trás, espero que definitivamente dessa vez.

Apesar de tudo, a única coisa que consigo sentir nesse momento é alivio.



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