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História Never Give Up - Capítulo 3


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Capítulo 3 - O que aconteceu?


— Essa sempre foi minha casa, antes da epidemia surgir— explicou Pietro, enquanto eles desciam uma escada caracol no fim do corredor que levava direto para um jardim mal cuidado com plantas mortas. Aliás, Carl não chamaria aquele lugar de casa, mas sim uma mansão com três andares e com várias janelas. Era o tipo de lugar que você tinha certeza que foi muito bonito algum dia. 

O jardim estava tomado por plantas mortas, mas ao longe, depois do muro alto, percebia que ainda existiam várias árvores grandes e de troncos largos. Eles começaram a caminhar por um caminho de pedra que parecia levar para o terreno que ficava por detrás da grande casa. 

— Na verdade, essa era nossa casa de campo que fica em cima de uma montanha. Então quando tudo começou e meu pai soube que o governo tinha caído,  resolveu que era melhor a gente ficar aqui, com os suprimentos. Afinal tínhamos seguranças profissionais com armas, criados, uma família muito grande e amigos muito próximos que meus pais confiavam. 

— E o que aconteceu? — perguntou Carl, verdadeiramente curioso, afinal não tinha visto essas pessoas todas que Pietro mencionava.

O loiro parou no meio do caminho e seu olhar ficou vago, distante, encarando o chão como se esse mostrasse uma cena antiga e perturbadora. 

— Nem todos eram de confiança. — começou, sussurrando — os dias, meses e anos foram passando e alguns começaram a demonstrar insatisfação na forma que meu pai lidava com as coisas. Aí certo dia, a minha tia disse que queria da uma grande festa para comemorar o fato de estarmos todos sobrevivendo, sabe, ela sempre foi uma mulher espalhafatosa e meu pai a amava, então aceitou. 

Ele fez uma pausa e olhou para Carl, com um sorriso triste e perguntou: 

— Consegue imaginar o tipo de pessoa que faz uma grande festa em um mundo destruído com várias bebidas e comidas? — riu e balançou a cabeça — Carl, aquela comida era para durar meses. Mesmo assim  fizeram um banquete, e minha tia emprestou os seus vestidos para as criadas, meu pai liberou a adega dele com vinhos caros e eles comemoraram a noite toda como se não houvesse o amanhã e na verdade, para eles, não houve. 

— O que aconteceu? — os olhos de Carl estavam vidrados no rosto de Pietro, querendo saber o resto da história. 

— Quando eu e Matteo acordamos, antes do sol nascer, escutamos gemidos e gritos vindos do salão. A gente tinha 13 anos e saímos de nosso quartos e paramos no topo da escada. Lá embaixo vimos o cozinheiro e minha mãe vomitando sangue e reclamando de dor. Eles colocavam a mão sobre a barriga gritavam e vomitavam. Acho que isso durou uns cinco minutos. Quando eles caíram desacordados no chão, eu e Matteo fomos até o salão principal e a cena não estava diferente; todos os adultos estavam no chão coberto de vômito e sangue. Alguém havia envenenado todos os vinhos. 

O estômago de Carl doeu pela imagem que passou por sua cabeça. Foi a mesma coisa que aconteceu com ele; aos 13 anos perdeu todos os adultos que cuidava dele quando a prisão foi destruída pelo o Governador. 

— A pior parte ainda estava por vir.  — Pietro respirou por um momento antes de continuar — Quando percebemos o que havia acontecido, tivemos que tomar uma decisão. Não podíamos os deixar acordar famintos. Então Matteo e eu fomos até a cozinha e perfuramos o crânio de todos. 

— Pietro, você acha quem... quem fez isso? 

Pietro balançou a cabeça e voltou a caminhar, mais devagar. 

— Tenho minha teoria que minha tia enlouqueceu e resolveu dar um fim naquilo tudo e poupou nós crianças. Mas depois de tanto tempo, acho que isso não importa mais. 

— Vocês são quantos?

— Agora, oito — afirmou rapidamente. — Mas no começo era eu, meu primo Matteo, e minhas primas Nina e Dana, elas são gêmeas.  Kurt e Freddie eram filhos de dois criados e estão aqui desde o começo também. Porém, Jules apareceu aqui depois, Isaiah foi salvo por Matteo. Ele encontrou o pequenino abandonado em um carro no meio da estrada, sozinho e trancado. Isaiah estava somente pele e osso, em estado de inanição*. A gente achou que ele não iria sobreviver, porém Matteo o trouxe para cá e começou a alimentá-lo todos os dias com sopa fria na seringa, pois o pequenino não tinha força nem para mastigar.

— Nossa — disse Carl, boquiaberto. 

— É… nossa — concordou Pietro. 

Depois disso ficaram em silêncio.

Carl avistou uma estufa de vidro e quando eles entraram lá dentro, viu Judith ao lado de uma jovem de cabelos castanhos. No local havia várias fileiras de plantação de legumes e verduras, e, a mais velha estava ajoelhada no chão mostrando a garotinha um jarro de terra. 

Assim que Judith viu Carl na entrada, saiu em disparada e pulou em seu colo, o envolvendo com seus braços pequenos e finos. 

— Finalmente você acordou — ela exclamou, sorrindo de orelha a orelha. — Eu disse para eles que você iria acordar, pois você é forte. 

— Sim eu sou forte, e você muito mais — ele brincou e sorriu, a colocando no chão. — Mas você está bem? Não aconteceu nada com você? — perguntou, preocupado.

— Não. Eu cortei meu lábio e quase perdi um dente, mas Dana já passou remédio em mim. Ela disse que minha sorte foi porque eu estava com o cinto de segurança e eu falei que você sempre me faz usar um quando entramos no carro. 

— Menos mal, então. — Carl  sorriu e deu um beijo na testa dela.

— Falando nela, essa é a Dana. —  Carl olhou para a garota que Judith apontava o dedo, vendo-a andando em sua direção com um sorriso discreto no rosto.

— Então você é o incrível, forte e esperto Carl — cumprimentou Dana. — Como você está?

— Bem — ele respondeu um pouco envergonhado, porém já imaginando que foi Judith quem saiu por aí distribuindo elogios a ele. 

Pietro sorriu e disse:

— Já é quase meio dia, acho melhor irmos almoçar. Dana, por favor, leve Judith para lavar as mãos, pois, antes de apresentar Carl ao restante do grupo, precisamos conversar.

Carl estreitou os olhos, mas não disse nada.

—  Tudo bem —  respondeu Dana e depois se virou para Judith —  Que tal a gente apostar uma corrida até a casa? 

— Sim — Judith exclamou, animada

 


Notas Finais


*Inanição, segundo a medicina, é um estado em que a pessoa se encontra extremamente enfraquecida, por falta de alimentos ou por deficiência na sua assimilação. Foi usada como método de pena de morte em que o condenado era deixado, de alguma forma, ao abandono e sem alimentos.

Nesse capítulo não teve nosso outro protagonista, Matteo, mas é porque só é o começo. kkkkk


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