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História Never say Never - Clace - Shadowhunters ( Parte 1 ) - Capítulo 17


Escrita por: MaduhSilva2

Notas do Autor


Olá bebês ❤️
Sorry pela demora... Passei por uns problemas de saúde mas voltei!

Antes de tudo, feliz mês do orgulho LGBTQI+🏳️‍🌈!

Não tenha vergonha de quem você é.
Não se deixe levar pelo mal e a inveja deste mundo! Você é especial!
Todos nós somos iguais, independente de cor, raça, sexualidade ou gênero.
A vida é uma só, e desperdiçá-la com ódio não é evolutivo.
A humanidade pode ser horrível, mas cada um de nós pode e deve fazer a diferença.
Tenha orgulho, porque devo garantir, que senão agora, mas no futuro, você fará a diferença para alguém por meio de sua vida...

Não dê pilha aos comentários maldosos, tenha orgulho de quem você é. Não se trata sobre o que o mundo trás para você. Mas o que você trará para o mundo! Grite e esfregue na cara da sociedade com glória e orgulhoso que você é quem é! Erga a cabeça e enfrente aquilo que mais te apavora. Seja livre, seja leve, seja feliz!

Sem mais delongas... Boa leitura🧡

Capítulo 17 - Confissão de Pecados


"Ohhh, o motivo pelo qual eu insisto

Ohhh, porque preciso que este buraco desapareça

É engraçado, você é quem está destruído

Mas eu sou a única que precisava ser salva

Porque quando você nunca vê a luz

É difícil saber qual de nós está desabando"


⟨⟨🔥Stay - Rihanna❤️


⟨🧡⟩


Clary não se lembrava de muita coisa. Chegou a ouvir alguém a chamando assim que as luzes se acendiam e ela corria para fora. O gosto amargo e horrível veio a sua boca ao vomitar no gramado. As emoções misturadas se contentaram em serem colocadas a mesa diante aquela chuva. Ela perdeu a noção do tempo ao puxar ar para os pulmões naquele sereno fraco das gotas d'água. Desejou poder ir de volta a infância, onde a mãe se desdobrava para conseguir manter a conta de luz em dia para que o aquecedor funcionassem em dias como aquele, mas independente de quaisquer que fosse a necessidade, Jocelyn sempre conseguia lhe trazer um delicioso chocolate quente quando ela estava triste e se perguntando quem era seu pai.

- Alguém precisa falar com ela - era a voz de Maryse, Clary não imaginava como encararia a dona a partir daquele dia, não imaginava como encararia qualquer um deles depois de tudo aquilo.

Talvez fingissem que nada aconteceu, como ocorrera nas últimas semanas quando viam e ouviam coisas estranhas, mas aquele não era o caso. Não depois de tudo aquilo. Em certos momentos, Clary desejou fugir, poder recomeçar em outra vida, outro país, talvez o Brasil ou Argentina, ou talvez até a seu lugar de origem; Espanha. Porém ela não poderia nunca fazer isso, o Ciclo dependia dela, e se ela não pôde fazer isso enquanto não tinham nenhuma ameaça precavida... Agora não poderia mesmo. Além disso, havia gente que a amava, aqui, esperando-a.

Com um suspiro, Clary se ergueu se sentindo um pouco menos enjoada, sabia que os remédios que tivera tomado estavam fazendo o efeito junto a taça de vinho, a Jace, a Luke e a todas as emoções que bagunçavam seu interior. Ela nunca imaginou que ouviria novamente sua própria voz dizendo algo sobre a bebê, sobre o hospital. Há anos atrás acreditava que nunca nem mesmo falaria sobre Raphael. E agora, até mesmo na morte, ele era o centro de tudo. Algo além de Clarissa, algo além do Ciclo.

- Clary...- como suspeitava, era Isabelle. Atrás dela, com a voz preocupada e o olhar culpado, ela se inclinou para tentar amparar Clary e seu choque. A morena iria se culpar profundamente, não só por ter causado toda aquela revolta, mas por ter incendiado a palha seca que era o passado da amiga. Quem era ela para dizer algo? Não devia ter pego nenhuma daquelas investigações federais de anos atrás apenas para que tudo apontasse a criminalidade de Clarissa, afinal, todos erravam, todos tinham sua más escolhas. O problema era que Isabelle não acreditava que O Ciclo Negro e o reinado da Rainha Vermelha fosse apenas uma decisão ruim. Acreditava que aquilo tivera sido uma escolha. Digna de honra, poder e glória.

Clary por sua vez, limpou sua boca com o dorso da mão e se levantou, recuando do toque da morena, que parecia mais gelado do que a noite em que estavam. Murmurou algo em espanhol que Isabelle não conseguiu entender. Mas podia jurar que era algo que rimava com "Traidora". A ruiva a encarou, seu olhar era mais sombrio que a escuridão da noite e o sorriso amargo em seus lábios se tornou repleto em mágoa.

- Deve estar com medo de mim agora, não é? - havia ironia em sua voz, mas também temor, ela riu sombriamente ao se aproximar da amiga, de forma com que até mesmo no escuro, ela pudesse enxergar as lágrimas nos olhos de Isabelle, sua pulsação acelerada e o olhar arrependido - Você tem muita sorte, querida - garantiu com toda o cinismo e a convicção que tinha - Namora um dos meus - a ameaça era clara em sua voz, não mais que a dor da traição de quem menos esperava - Então devo garantir que nada lhe aconteça... - sussurrou Clary, e pôde senti-la engolir em seco - Você não gostaria de saber o que faço com traidores.

- O-o Simon, ele...- a Lightwood gaguejou, um tremor percorreu seu corpo, não era ela, nem o frio. Era exatamente o que Clarissa queria atingir, sua culpa, seu arrependimento. Querendo ou não, Isabelle tivera ativado milhares de gatilhos aquela noite. Todos em um tabuleiro preparando-se para o próximo xeque-mate; sua mãe, Luke, Jace, o Ciclo... E Simon.

- Simon conhece as regras - ela disse, crendo na malevolência de suas palavras - Você traiu a mim, amiga.

Clarissa a avaliou, com as pontas dos dedos, secou suas lágrimas e as dela, colocou as mechas de cabelos negros de Izzy para trás dos ombros e limpou uma mísera falha de seu batom vermelho sangue. Ela sorriu feito um anjo. Porém não havia nada puro em seu olhar.

- Mas, seu amante...- ela cochichou - Ah querida - suspirou, e sentiu as mãos da morena percorrendo o próprio quadril, ela procurava algo para usar como arma, em si mesma, vendo e sentindo o perigo beirando a inocência correndo por seu corpo. Tal perigo que fez Clary sorrir - Ele traiu a Rainha.

***

- Não, não, não, isso...- Meliorn murmurava para si mesmo, a mentira, o segredo e o sigilo... Ele sempre soube que isso cairia por terra. Mas não imaginava que seria contra ele, contra o Ciclo e sua família. Pensava que tudo seria exposto na cara do Herondale, de forma com o que a máscara de felicidade que cobria o rosto de sua Rainha caísse. Então, ela finalmente entenderia que não pode se esconder de seu passado, não pode fugir e fingir que tudo que tivera ocorrido era nada mais nada menos que um sonho ruim. Meliorn não desejava mal a sua Rainha, de forma alguma, ele zelava para com o seu psicológico, seu emocional que seria destroçado se seu coração fosse novamente partido. Por um homem. Por alguém que ama.

- Ela não pode ter escondido isso de nós...

- Ela pode fazer o que bem entende - Peter protestou, decepcionado. Como alguém amargurado e chapado, fazia parte de sua personalidade entender todos os lados da situação. Tivera aprendido com Raphael que tudo o quanto se referia a Ranha e suas emoções eram como uma bomba-relógio, então ela se tornava o efeito colateral... Pete Pete, após o efeito pós bebedeira, tivera começado a raciocinar melhor, ele passava a concluir todas às suspeitas que tivera anos atrás, até mesmo nos últimos dias de Raphael vivo. Após o Jantar no dia de Ação de Graças antes da Ascensão, Peter pegou uma conversa suspeita entre Simon e seu Rei, e depois do relatório esclarecedor de um Simon culpado, concluiu o que tivera ouvido.


- Ela vai precisar de todo o seu apoio - Peter podia sentir a dor de Raphael, até mesmo por detrás da porta - Não sei se ela vai conseguir... O legado será à esperança.


Agora Peter entendia o que ele queria dizer. Remoeu por dias até a Ascensão. Agora entendia todas as trocadas de olhares entre os dois e o olhar de preocupação de seu Rei a cada vez que Clarissa dava uma desculpa qualquer para ir ao banheiro vomitar, o sorriso que sempre escapava pelo canto de seus lábios a cada vez que a ouvia acusar os remédios que tomava e o álcool. Agora, Peter entendia o porquê de seu Rei ter implorado a todos eles que a tirassem do prédio antes que o FBI chegasse, porque ele sabia. Sabia que iria morrer. Peter era o cara que passava despercebido, porém o que mais estava presente. Dentre tudo e todos, ele era o que mais sentia em corpo e alma a dor da traição. Pois dentre todos... Pete Pete era o que mais precisava ser salvo. E assim como o que sobrara do Ciclo, precisavam do amor e da salvação de sua Rainha.


Clarissa sobreviveu a Ascensão. A separação do irmão. A morte do noivo e de seu legado. Depois a morte do pai, que ela amava a versão que gostaria que Valentim fosse. Mas mesmo em meio a todas aquelas guerras, dadas por vencidas. Peter duvidava que ela estava mesmo viva. Pois sabia, que independente de quaisquer responsabilidade que sua Rainha tinha para com eles, Clarissa não queria viver daquele jeito, mas também não queria morrer. O que o preocupava, além de todas as drogas que habitavam seu organismo, era que a doce Clary que batalhava contra o mundo julgativo e injusto, não fosse sobreviver a algo além da queda do império. Ele temia que seus pecados a consumissem, e ela voltasse a ser quem era. 


E por mais que tudo que Peter mais quisesse naquele momento, fosse o ressurgimento da Rainha Vermelha e o renascimento do Ciclo que trariam a segurança que ele precisava, sabia que se retornassem, poderiam até caírem ou ruírem novamente. Mas os pecados não confessados decaíriam sobre si, em um futuro próximo. Em um próximo legado e a destruição que ele traria consigo. E quando a Rainha Vermelha, por fim terminasse, oficialmente, seu reinado. Peter temia o que a revolta faria com a destruição e as sobras. Sobras de um império pecador.


- A culpa é toda sua - disse Jonathan, furioso. Queria fazer Luke sofrer, afinal, Herondale não era o único investigado por ele. E apenas o fato de ser a causa de tanta dor a sua irmã condizia o quanto podia e queria, matá-lo. Nunca teve uma ligação muito forte com Luke, não tanto quanto Clary. Lembrava de todas as vezes, em alguma cidadezinha que não constava no mapa, em que ele, a irmã e a mãe estavam escondidos e fugindo do pai mafioso, que Garroway os visitava. Jonathan sempre se perguntou quando pequeno o porquê de Luke sempre deixar uma arma e o telefone com a mãe, o via como um super-herói, afinal, sempre que tinham necessidades em casa, ele aparecia com sacolas cheias de alimentos nas mãos. No Natal, sempre trazia um presente, que John sempre cedia à irmã para que pudesse ficar mais feliz com mais um presente, a ruiva brincava com Luke e perguntava se podia o chamar de pai.


Enquanto Jonathan, sempre desconfiado e sorrateiro, negava todas às vezes em que Garroway o oferecia a mais singela honestidade. Ele era desconfiado, como o pai. Talvez por isso Valentim tivera o levado e não a Clary. Porque talvez, o mafioso soubesse que a desconfiança de Jonathan, poderia ser usada contra Lucian no futuro, contra o FBI. Aos poucos, Morgenstern foi notando o quanto o pai tinha planejado tudo; Tomou Jonathan da mãe, pois sabia que a ligação que Clarissa tinha com o Luke e consequentemente o FBI, iria o atrapalhar. E no fim, na Ascensão há sete anos, quando Clarissa teve que escolher entre pegar o pai que caçava há anos ou o irmão que amava e não via há quase uma década, Valentim sabia que Clary iria usar o coração. Pois ainda acreditaria que o irmão merecia ser salvo.


A onda de gratidão assolou peito de Jonathan, ele enfim entendeu. A irmã o perdoara lá trás, onde nem mesmo ele sabia quem era ou quem devia seguir. A irmã adiou a caçada e a morte de quem mais odiava, apenas por ele. A irmã o colocou à frente da família que ele nunca foi. O colocou à frente do Ciclo e de quem mais amava. O Morgenstern sempre teve a noção que devia a Clary, afinal, era por ela que ele estava vivo e consideravelmente livre, e não ao lado da lápide do desprezível do pai. Mas nunca parou para pensar que Clarissa, tivera perdido coisas demais por ele.


A culpa não era somente de Luke e o FBI, era dele também. Pois lembrava de estar cara a cara com a irmã, e dizer que o FBI chegara no lugar e que Raphael estaria em perigo. Lembrava de cada palavra de amor e carinho que a irmã lhe deu para o trazer ao lado certo. Se Jonathan não estivesse tão ocupado cuidando em ser amado pelo pai, se tivesse mantido a irmã com ele, se tivesse a protegido como um irmão devia ter feito todo o tempo... Raphael estaria vivo.


- Vamos formar a nossa família, John - Clarissa implorara a ele, para que abrisse mão daquela vida, e embora o irmão sempre tivera amado ela com cada fibra de seu ser, e ainda amasse, o orgulho era maior do que isso. Agora ele entendia o que ela queria dizer com família.


A irmã perdeu mais do que ganhou, e agora Jonathan tinha consciência disso. Se tivesse contado a ela que o plano de Valentim na época era apenas matar e destruir o Ciclo Negro, para que ela se sentisse livre para ir com o pai, se tivesse contado e a mantivesse abraçada a ele e impedisse que ela fosse de encontro a Raphael, talvez... Talvez pelo menos o bebê estivesse vivo. Talvez isso fosse dar a desculpa e a liberdade para Clary ser feliz de novo. 


Mas há poucos dias, ela estava feliz, com Jace, mesmo que pudesse negar. Porém nem tudo girava em torno dele, giravam em torno dos pecados de todos, incluindo os atos do Morgenstern. Por culpa dele, a irmã não tivera tido sua família e seu final feliz.


Embora ele tivesse pensado, por breves instantes, que ela estava caminhando para a felicidade... O passado continuava o mantendo presos. Algemados ao futuro que nunca terão.


- Eu... Eu sinto muito, juro que sinto muito - Luke engasgou, a cabeça enterrada nas mãos, ele estava solto, e em meio àquelas pessoas em choque, ele podia muito bem fugir, mas a culpa, era algo pesado, não tanto quanto seus pecados ao longo da vida, porém queimava, ardendo em seu peito. Perfurando toda a esperança que esteve em seu olhar.


- Você só fez o seu trabalho - disse Magnus, prendendo todas as lágrimas de compaixão e raiva que queriam cair. Querendo ou não, eles estavam mais do que envolvidos, e saber que Clary, sua Docinho, tivera passado por tudo aquilo sem ninguém... Era arrebatador. Além disso, Magnus parecia ser o mais compreensivo ali, dentre todos eles, ele era o que mais sentia compaixão não só por Clary, mas por Luke e Simon também.


- Suma daqui - Jace cuspiu as palavras. Elevaram o olhar a ele, e ao contrário do que pensaram, seu ódio não estava direcionado a Luke – que também surpreso notou –, mas sim a Simon, que aparentava precisar de um choque de realidade para acordar. Alexander se colocou na frente do irmão, desta vez, não foi para o repreender, e sim para o aconselhar, talvez o oferecer um bom gancho de direita para o acompanhar. Verdade seja dita, Alec queria machucar Simon tanto quanto Jace, sua paciência havia se esgotado, e aquela fagulha de desconfiança que havia sentido à sua Moranguinho se esvaiu imediatamente. No segundo em que ouviu a cota de pecados que Simon carregava.


- Vocês não entendem! - ele gritou, havia uma necessidade na voz dele, como se quisesse obstinadamente que eles acreditassem, cressem na verdade dele. Não tinha mais lágrimas à cair de seus olhos. Apenas escuridão. Mas ao encará-los, havia dor, cada passo que dava, cada verdade que contava. Era uma estaca sendo enfiada em seu coração. Temeram que Simon tivesse enlouquecido - Ele era meu irmão! Meu Rei!


- Isso é homerótico demais para mim - murmurou Jonathan, esfregando as têmporas. Sabia de toda aquela lealdade incondicional do Ciclo ao seu Rei, era talvez até mais do que sua Rainha. Na verdade entendia o conceito de lealdade do Ciclo como: O seguidores eram leais ao Raphael, e por serem devotados a ele, amavam mais do que a própria vida à sua Rainha. Enquanto Clarissa era a esperança. Raphael era a escuridão que somente suas sombras a fariam brilhar. Mas Jace, pensou Jonathan, era mais do que a escuridão, ele era um anjo caído. Este que apenas Clary poderia o fazer ressurgir. Se erguer e se redimir.


- Jace, Jace - chamou Simon ansioso, iria se defender até seu último suspiro. Sabia que seus dias assim como seus pecados poderiam estar sendo contados. E parte dele estava em paz com isso. Apenas não queria que isso decaisse a pessoas que não tinham nada a ver com isso. Pessoas como Isabelle. Mesmo sabendo que Clary, jamais faria nada com Izzy, pois independente do que a morena pudesse fazer, ela sempre a receberia de braços abertos. Porém, Clarissa exigiria que ela admitisse que de fato errou. O que não era exatamente o que iria acontecer - Se fosse você - ele iria apelar. Jace estava ciente disso ao o encarar - Se nós, o Lado Sul - uma risada amarga escapou pela garganta de Meliorn - Estivéssemos indo para uma guerra seja para lutar contra esse novo cara ou...- abanou a cabeça se atrapalhando com as palavras, não poderia perder o foco - Se Clary estivesse grávida. Você não gostaria de saber? - o silêncio resplandeceu a sala. Simon tomou fôlego - Não gostaria de saber para a manter os salvo?


- Você não fez exatamente isso - Jace, por fim, respondeu - Não é, Simon? - sabia que estava sendo cruel, cruel demais dizendo aquilo. Ele não era o Jace, e sim o Chefe agora, a amargura e o sarcasmo em sua voz, era como ácido corroendo as veias de Simon, que acreditava que teria ao menos o apoio dele em tal quesito, afinal envolvia Clary. Talvez este tivesse sido seu erro, acreditar que Clary era seu passe livre para o trazer a realidade da verdade. Parte de Jace só tivera sido tão amargo pelo fato dele usar sua Foguinho, como se ela fosse justificar todos os seus atos ruins. 


Uma coisa Jace havia entendido, muito antes de todas aquelas revelações, no passado, Clary não era alguém na qual ele poderia prender ou salvar, ela sempre o salvava. Mesmo que o objetivo dele fosse outro, querendo ou não, sua Foguinho era mais do que seu efeito colateral. Por um momento, Jace chegou a pensar no que Simon lhe dissera. Era óbvio que gostaria de saber. Para a mandar para a fronteira com o Canadá, ou a uma Ilha nas Filipinas, sem deportação, onde poderiam viver tranquilos. Mas, por mais que Simon fosse um dos seus, sabia que ele tinha mais do que errado. Havia traído e matado alguém que amava.


- Desgraçado - a fala de Jace parecia ter desencadeado algo em Alaric. Nas luzes que agora haviam voltado, puderam ver Rodrigues partir para cima de Simon, liberando socos em seu rosto. Mas Simon se defendeu.


Lutando. Ambos rolaram pelo tapete, xingando um ao outro. Alaric socou seu olho e Simon bateu a cabeça com força no chão. Seus braços se esticaram e apertaram os olhos dele, com os polegares enquanto sentia a própria visão embassar - Como pôde fazer isso? - se recuperando da visão turva, Alaric o socou mais uma vez. Diferente de todos presentes. Não estava com ódio. Mas sim com dor e amargura - Sabia da condição da Rainha e permitiu que Raphael agisse com seu complexo de Messias...- ele arfou, Simon passou o braço por seu ombro, lhe dando uma chave de braço. Alaric socou seu estômago para se libertar. Simon gemeu de dor. Ninguém interferiu. Nem mesmo Maryse que parecia prestar atenção apenas no que Luke faria diante aquilo. Ao contrário do que pensou, seu Lucian era segurado por Meliorn e Peter.


- Ele precisa disso - ouviu um deles dizer, ainda não os conhecia o bastante para diferenciar suas vozes. Mas como Simon precisava de uma surra? Maryse não duvidava nada, que Alaric seria capaz de matá-lo. Ele era consideravelmente mais musculoso que Simon, seus golpes eram precisos. Porém, seu oponente era ardiloso, sabia desviar e defender. E ainda tentava dizer algo que o convencesse de que, na época, acreditou estar fazendo o certo. Luke abanou a cabeça transtornado.


- Pequena Clair não será capaz de matá-lo - sussurrou ele, a Lightwood arregalou os olhos. Os olhos de Garroway se encontraram com os dela, e ele negou em um aceno. Não podia fazer nada, ela concluiu por ele. Não ali. Onde Magnus parecia refletir sobre o certo ou o errado. Alexander ainda se apoiava no irmão dizendo algo em seu ouvido. Envolvia Clary, isso Maryse sabia. Jonathan fazia caras e bocas diante a Simon que desferiu-lhe um soco cruzado enquanto ainda batalhavam entre pernas e braços, uma coisa não podiam negar, por mais louco que tivesse sido aqueles minutos atrás, acertar aqueles socos e golpes no Lewis era tudo que sempre quis por muito tempo. Era bom saber que alguém estava fazendo isso por ele, sendo que, por ironia, quem o ameaçara caso fizesse algo à ele, era Alaric. Olha onde estavam agora.


- Deixou que minha Rainha se culpasse por todos esses...- ele ofegou, algo salgado atingiu seus lábios, e não era apenas o sangue do corte recente, mas as lágrimas que escorriam por sua bochecha - Anos - Alaric não tinha controle sob seus atos, não saberia dizer em qual o momento o soco, que já havia perdido a conta, colidiu contra o rosto de Simon, e ele batia a cabeça no chão - Podíamos ter tido tudo o que sempre quisemos...


- Alaric - Peter alertou. Sem medo ou receio. Apenas um aviso. Meliorn estava certo, Simon precisava daquilo. Sua culpa devia ser esvaziada de algum jeito. Desde socos á sangue. Ele precisava sentir algo. E por mais que ele se defendesse da maior parte dos golpes, Pete Pete sabia que ele queria aquilo, a dor - O Código.


- Dane-se o Código - Alaric gritou, o juramento era ao mesmo tempo, a primeira e a última coisa que passava por sua cabeça - Ele o quebrou! - ele sacudiu o corpo de Simon - Matou nosso Rei...- tinha dor e rancor em sua voz. Seus atos eram desleixados, como se ele não tivesse fôlego para fazer o tal. O desnorteado, se arrastou com as forças que tinha até o sofá, ao menos tentou. Alaric estava na vantagem física ali. Quando Simon engasgou, com as mãos dele o enforcando, Maryse deu passos decidida em o atingir com algo na cabeça, mas foi impedida por Luke, cauteloso. Ele precisava disso. Ela o olhou incrédula.


Ninguém se moveu para impedir. Nem mesmo Magnus, que por mais que tivesse poder de voz naquele círculo, apenas enterrou o rosto no peitoral do noivo querendo não enxergar todo aquele sangue. Jace esfregou as têmporas, agora era ele que precisava de seu apoio. Meliorn, que agora Maryse sabia dizer quem era quem apenas pelo olhar doloroso ao ouvir os ruídos da briga, que não era os vermelhos pelas drogas de Peter. Luke estremeceu quando viu as pernas de Simon se debaterem contra o carpete, foi quando a Lightwood notou que ele ainda a segurava pelos cotovelos. Independente de quão chocados, liberais, ou amargurados estivesse... Todos precisavam daquilo. 


Da dor que seria confessar seus pecados. Como um beijo de amor verdadeiro em uma dama da meia-noite, como aquele que a sereia dispõe ao caçador para atraí-lo ao fundo do mar. Como uma cápsula de veneno. Corroendo suas veias. Ao invés de conversar e sentir. Eles lutam entre si, batalhando contra as próprias emoções. Como leões fora de jaula.


- Todos nós sabemos - Alaric prosseguiu, causando a discórdia. Simon usou de suas poucas forças para o arranhar, mas isso nem mesmo o afetou. Ele respirou fundo. E foi quando encarou aqueles olhos castanhos culpados e apavorados, que notou não ser mais ele. Foi quando a hesitação, e a queda de realidade vinheram à tona - Ele matou Raphael e seu legado. Sabemos que a Rainha não fará nada a ele que...


- Eu, não farei o quê, Querido? - a voz cortante de Clarissa entrou pelas portas.


Alaric saltou de cima de Simon, que novamente engasgou sugando ar para os pulmões, e se arrependeu do que disse. Agora, não era apenas Simon com culpa no cartório. Agora, assim como Simon, ele estava sendo julgado, não por desrespeitar Clary, mas a Rainha. Era algo maior do que ele. Maior que o Lado Sul. Maior do que Jace. Era estranho e soava como devoção e blasfêmia ao dizerem tal coisa para Clarissa, mas todos ali, dos que pertencem ao Ciclo Negro, tinham mais do que uma simples dívida com ela. Tinham um laço que jamais poderia ser quebrado.


Alaric se encolheu, baixou a cabeça e pediu perdão.


Jace fingiu uma tosse para encobrir a risada rouca arranhando sua garganta enquanto via a expressão desesperada de Alaric, sentiu os olhares fumegantes em sua direção e os ignorou devidamente. Em uma distração perversa, Jace se perdeu no sorriso do canto dos lábios de Clary ao ouvi-lo murmurar "Foi mal", algo que o fez sorrir satisfeito consigo mesmo. Ao menos, em meio a toda aquela confusão, ele a fez sorrir. Aquele maldito sorriso que o fazia sentir-se extasiado, dependente, ele tinha ciência que estava sendo atraído para o inferno. E uma coisa ele sabia; seus pecados não foram confessados. Jace estaria totalmente só naquele intinerário perverso e traiçoeiro. E ele duvidava que, Clary, não seria a chama flamejante que o atrairia passo por passo, até seu destino terminal. Mas de quê importava ter que se sentar ao lado diabo todos os dias de sua eternidade se teria aquela mulher em sua vida? Sorrindo, até mesmo nos piores momentos. 


A questão era que naquele instante, após a ameaça sensual que lhe dera a horas atrás, e a forma estúpida cuja tivera a tratado, a julgando, ele duvidava que ela falaria com ele sem uma arma mirando em sua cabeça. E não poderia culpá-la. Ele se daria um tiro no momento, se não temesse tanto que Clary o caçasse até o inferno e o matasse de novo apenas por abandoná-la. Ao observar sua Foguinho, Jace percebeu o quanto não se importava com nada daquilo. Nada do que ela era, do que foi e representou um dia. Mas ligava para a mentira, para a omissão de todos aqueles crimes. Para todo aquele tempo em que passaram juntos. Todos aqueles momentos na qual ele se permitiu ser frágil perto dela. Onde foi algo além da destruição que sempre pensou ser na vida dos outros. Onde ele pensou, apavorado, que poderia haver uma chance de ser feliz. Sem que a perversidade o tocasse. Algo que ele esperava de si mesmo. Então talvez o plano de deixá-la ir até o inferno atrás dele não soasse tão ruim afinal. 


- Não quis insinuar nada, Rainha - afirmou Alaric, estava ofegante, sua veia saltitava para fora do pescoço mas sua voz era calma e controlada, como sempre foi. Seus punhos calejavam, seus braços estavam arranhados, suas roupas com sangue, um olho roxo, hematomas, e os olhos ardiam onde Simon tivera apertado. Ele se posicionou a sua frente e se preparou para o que estava por vir. Tivera ferido um irmão, era errado. Mas não havia nenhum código ou lei entre eles que dissesse o que fazer caso o acusado fosse o causador da morte de seu Rei. - Só estava...


- Cumprindo seu juramento - ela concluiu, não parecia afetada, mas Jace, Jace encontrou no fundo de seus olhos o receio, o fato dela não olhar nem mesmo por um segundo para Simon no chão. Era o que ele via. Clary deu seus últimos passos até Alaric, o som de seus saltos era o único presente na sala se não contassem com a respiração pesada de Simon. Clarissa engoliu todo o sentimento que queria gritar dentro de si. Respirou fundo e ergueu com as pontas dos dedos o queixo de Alaric - Eu compreendo. 


- Rainha - havia tensão na voz de Meliorn, ele deu passos em sua direção mas ela estendeu a mão em sinal para que parasse, e ele assim o fez. Engoliu em seco sentindo o nervosismo de todos daquela sala, exceto por Jace, claro. Ele acreditava que tudo poderia ser resolvido, se a verdade fosse logo confessada. Podia lembrar de semanas atrás onde tinha Herondale em seu apartamento, ao lado do cadáver, onde dissera a Rainha que ele só poderia ajudar caso soubesse da verdade. Acontece que a vida deles, e o destino que teria, dependia daquele ódio, da direção incandescente para onde eles iriam. As alianças que faria a partir de toda A verdade. 


Meliorn hesitava por toda aquela situação, reconheceria, assim com Jace e Peter, o receio em seu olhar. Mas mesmo assim, ela se manteve de pé. Era uma das coisas que mais admiravam nela. Em tempos difíceis, ela era segura, não de si, mas da força que poderia extrair de todos eles. Sua esperança. Presente em todos os momentos. Embora todas as coisas do mundo apontassem para a desistência, Clarissa estava de pé, dizendo seu nome com orgulho.


Para Jace, era talvez o que mais admirava nela. Sua esperança, e acima de tudo, seu dom em sempre ver o melhor nas pessoas. Ver o melhor nele. Sabia que Clary estava em uma situação acirrada, se não contornasse sairia do controle. Então Herondale soube, ao vê-la desviar o olhar a todos eles, que ela agiria sem dó. Mas com piedade. As pobres almas acalentadas precisavam de algo para as fazerem sentir mais do que ódio, precisavam da punição. Pois a partir dali, encontrariam seus erros, e então, poderiam por fim, arrepender-vos deles.


- Posso imaginar o que estão pensando agora - Clary disse, não só ao Ciclo - Raphael está morto, o bebê... Isso não importa mais - garantiu, com toda sua honestidade. Não era apenas um discurso na qual esperava os convencer, era a mais pura verdade. Seu coração já entendia que Raphael era um criminoso aos olhos de todos, não só dos federais, e por a partir disso, ela poderia enfim dizer com toda a firmeza que tinha todo seu rancor com o causador de sua morte havia se esvaido, isso, até Simon confessar. Clarissa não mexera com Luke, em todos esse anos, ansiou ter um encontro com ele para fazê-lo sofrer, mas ao ver seu estado imerso a culpa, a vingança que gritava para sair, desapareceu - Não estou dizendo que essas vidas... Que essas vidas vão ser esquecidas. Eu nunca vou esquecer isso - afirmou, seu coração martelava contra o peito, temia dizer algo errado, algo que poderia ser interpretado de mil e uma formas diferentes - Vingamos a morte deles com aquele que puxou o gatilho. 


- Ele está bem vivo nesse momento - murmurou Peter, sua insatisfação era coberta por toda aquela chamada de indiferença. Para ele, desde que alguém pagasse o preço, nada importava. Sua Rainha era o que importava, sendo assim, se ela pensava – por mais que ele duvidasse – que estava tudo bem. Que seja.


- A culpa, às vezes é a pior punição que um monstro pode ter - Magnus sussurrou, eles o olharam como se apenas naquele instante o tivessem notado. Ele não era como Jace ou o Ciclo, não acreditava que as coisas poderiam ser devolvidas a partir do olho por olho, dente por dente. Como alguém que já passou pela perda de alguém que amava, que mais amava, dizia com toda a honestidade que a morte por morte, não melhorava. Não diminuía a dor. Embora ele também pudesse dizer que a justiça, ou vingança aos olhos de alguém, era algo reconfortante. Afinal, querendo ou não, ninguém gostaria do assassino de alguém amado respirando, vivendo sua vida, cuidando de sua felicidade. Esta que fora roubado deles.


Magnus olhou piedosamente para Luke. Se toda sua vida também fosse inclinada à servir a uma sociedade justa, a acolher uma garota, a cuidar e zelar por sua segurança e depois falhar nisso da pior forma que podia... Também se sentiria assim. Como já tinha dito, acreditava que ele não teve escolha, que estava fazendo o seu trabalho. Bane via o arrependimento no olhar de Garroway, o que o fez refletir, ele fez o que todos deviam fazer mais vezes. Magnus se colocou no lugar dele. Se Isabelle – era a única pessoa que podia imaginar ter um amor grandioso o bastante para o compará-lo com o dele por Alec, ou o de Clarissa por Raphael – lhe implorasse, suplicasse para que ele atirasse nela, a matasse no lugar de Alexander, ele faria isso?


Não. Diria que ela estava louca, que nunca faria isso. Mas e se fosse obrigado? E se o amor e o ódio chegassem a um ponto tão alto que se equilibrassem em uma balança? O dedo no gatilho seria o que a gangorra precisaria para desequilibrar. Magnus se culparia eternamente se fizesse o que Isabelle tinha a propor, até por que, ele a amava também.


Contudo, havia uma situação cuja não poderia comparar, era mais do que apena amor... Era devoção. O assassinato de Raphael foi por algo maior. Pelo império. E agora ele entendia isso. Olhando para Luke, via mais do que arrependimento... Via o alívio por, algo além da morte e do ódio. Além da dor da perda. Algo mais do que o inferno poderia perdoar ou torturar. Naquela sala, todos tinha relacionamentos entre si. O inferno dormia satisfeito por ter em mãos materiais nos quais poderia usar contra eles. Chantagem da aceitação onde até mesmo o Céu se uniria ao Inferno para tê-lo... 


O amor.


- Vamos relaxar - aconselhou Jordan, se pronunciando com otimismo. Cruzou a sala até Simon caído, quase inconsciente no chão, sendo seguido com olhares atentos. Talvez entre eles, naquele momento, Kyle fosse, de fato, o que menos estava se preocupando com o que estava ocorrendo no momento. Jordan era guiado por instintos, um de seus pontos fracos era deixar que a emoção e a fúria tomassem conta de seus impulsos. Mas ao contrário da maioria de todos ali, ele era o que mais estava levando na brincadeira, talvez mais até que de Peter. Afinal, querendo ou não, ele sabia como tudo aquilo iria terminar - Ele está ótimo!


- Claro - Alexander murmurou, esfregou as têmporas em preocupação. Observou Jordan puxar Simon com certa dificuldade do chão, o mantendo de pé pelos braços musculosos dele o segurando. O sorriso do Praetor se desmanchou ao não ter uma reação consciente de Simon, ele arregalou os olhos, bufando como tivesse tido um infeliz imprevisto que o atrasaria. Alec captou o olhar do irmão dizendo que deveria passar a se preocupar. Não com o estado de saúde de Lewis, no momento era o que menos aflorava seus nervos, mas sim com o destino que aquilo poderia ter. Talvez uma rebilião do Ciclo, pois, afinal, o Lado Sul já havia se virado contra sua amada e protegida Clary há horas. No momento em que a traiu. Mesmo que involuntariamente, a julgaram sem antes saber de todos os pecados, de todas as justificativas para estes.


- Oh, meu Deus - Isabelle suspirou apavorada, correndo até o namorado que desmaiava, espancado, em cima do sofá, passando como um vulto entre eles. Parecia ter se recuperado do episódio de minutos atrás, embora, a culpa ainda estalasse em seu peito pela integra de tudo que fizera antes, àquela que a amava e chamava de melhor amiga. Izzy encarou em desespero para Clary, que desviou seu olhar a ela. Entendendo que a amiga não poderia demonstrar nada na frente de todos eles juntos, assentiu – prendendo a respiração para que seu nervosismo não soasse tão óbvio –, faria qualquer coisa para ganhar a confiança dela novamente. Mesmo sabendo que seria um longo percurso - Pode chamar Maia?


- Eu chamo - anunciou Maryse, recolhendo o braço do aperto de Lucian, faria qualquer coisa para sair daquela sala agora. Talvez, por mais que soubesse que fazia parte do negócio dos filhos; a traição, a fúria, a revolta, a verdade – ou a falta dela. Ela sentia que não aguentaria mais nada daquilo por muito tempo. 


- Não quero que se preocupem com o destino de Simon - garantiu Clary, parecia segura do que dizia, por mais que estivesse aos nervos tanto quanto Izzy. Ela precisava ser forte para a maioria deles, principalmente na frente de Jordan. Não conseguia deixar de pensar que ele queria estar vendo tudo aquilo acontecer... Pessoas como Jace e Meliorn, Clarissa sabia que eles entendiam o que ela estava fazendo, então não temia com o que dizia, pensava daquele jeito por saber que ambos eram os mais racionais ali, não deixavam que suas emoções os guiassem. E era isso que fazia deles bons líderes, bons negociantes, bons assassinos. Ao apoiar as mãos nos ombros de Alaric, o sentiu relaxar. Então, concluiu Clary, ele sabia que não haveria punição alguma - Camille está em Nova York - ela anunciou, sentindo a tensão resplandecer sob a sala, mas ao contrário do que pensavam, ela não demonstrou emoções - E como nós bem sabemos...- Clary sorriu maliciosa - Satã sempre foi gentil ao lado de Simon.


- Vai usá-lo como isca? - Isabelle perguntou, desta vez, não tinha nenhuma acusação em seu tom, ou desconfiança. Ela parecia apenas alguém querendo informações para uma missão longe de emoções. A ruiva pela primeira vez desde o momento fora da mansão, a olhou nos olhos.


- Camille não se importa com a armadilha - ela disse, calculista - Desde que pegue a presa - Clary nunca permitiria que ela tocasse em Simon, independente depois de tudo que descobriu, ele ainda era um dos seus, ainda era seu melhor amigo, seu braço direito. Contudo, ela conhecia Belcourt mais do que ninguém jamais poderia ousar enxergar - Ela é uma ameaça - afirmou em direção a Alec, que assentiu, era isso que ele queria saber - A todos nós - então agradeceu por Maryse não estar mais entre eles para presenciar aquilo. Luke a encarou com receio, algo que a altura do campeonato ele não devia ter. Clary se virou a Isabelle com um olhar dócil - Mas Simon não é a presa.


- Você é - disse Jace, como se apenas agora tivesse notado. Ele arregalou os olhos e algo invadiu seu peito, aquela sensação que tanto conhecia - O que pensa que vai conseguir com ela?


- Ei, Cavaleiro, manera - Meliorn aconselhou. Conhecia mais do que ninguém os atos de Herondale tomado pela superproteção, era engraçado o fato de que ele nem mesmo sabia quem era Belcourt, mas mesmo assim, apenas por ouvir, conseguia ter um simples instinto, este, que todos reconheciam de longe. Até nas piores situações. Meliorn sempre se sentiu melhor em deixar sua Rainha no Lado Sul, por saber que em parte de sua segurança, seria Jace a zelar e sofrer por ela, afinal, ambos já haviam descoberto que Clary era teimosa demais para admitir que precisava de ajuda ou proteção. Era hilário todas as vezes em que ela tentava os convencer de que podia se virar sozinha, e era verdade, eles sabiam que ela podia sim se virar muito bem só, o problema era que se importavam demais com ela para arriscar.


E talvez nem fosse esse o problema em questão, mas sim a culpa que os tomaria, pois, afinal de contas, gostando ou não, uma hora teriam que cortar os laços com ela. Irremediavelmente intolerável. Meliorn sempre imaginou o que aconteceria a Jace se eles – o Ciclo – tivessem que partir novamente.


Ele choraria ou os mandaria ir para o inferno e nunca mais voltar?


Conhecia o sentimento de repulsa pós traição, sabia o que ele poderia fazer a um coração sentido. Entretanto, Meliorn deixava escapar um sorriso de canto ao lembrar, talvez com orgulho, que sua Rainha não foi a única a omitir coisas. Se Herondale pensava que poderia esconder algo dele, estava muito enganado.


- Luke - chamou, sentando-se na proltona ao lado do melhor amigo espancado e desmaiado - Por favor... - era óbvia a ironia em sua voz, Clary acenou para ele. Sentindo pena ou não, ela não conseguia ainda compreender o que ele fizera, precisava de tempo, tempo para respirar, mais tempo do que teve nos últimos sete anos. Clary conseguia ver o arrependimento em seu olhar, sua redenção implorava para ser notada, e tudo que podia fazer era dizer o quanto sentia muito. Mesmo que isso não valesse nada. Precisava dele, não no sentido emocional, mas no instinto de proteger quem amava. Proteger o que devia ser seu por direito – segurança. Por mais que Clary ainda tivesse um sufocante afeto por Luke, e isso a corroía como veneno, sempre que cogitava a ideia de abrir mão do perdão, a cena da morte de Raphael passava por sua cabeça. E todas as consequências após isso. Uma coisa era certa. Clary precisava de Luke, quase, tanto quanto ele necessitava dela.


- Eu...- Garroway começou, recebeu olhares mortais, estes diziam que não devia tornar o assunto pessoal, não devia começar a chorar, a contar coisas demais, muito menos a implorar por perdão. Luke coçou a garganta e tomou uma postura profissional - Nós captamos o rastro de Camille em Florença, Itália - Clary precisou de alguns segundos para assimilar que "Nós", significava o FBI, o que a fez suspirar. Pensando que no passado, ele quase se tornou um deles, se não fosse a enorme insistência dele em alegar que caso se juntasse ao Ciclo, teria que abandonar o FBI, e eles precisavam da ajuda de alguém de dentro... Clary podia lembrar como elogiou o noivo alegando que ele era um ótimo hacker e poderia fazer tudo que Luke fazia, do lado de fora. Eram lembranças boas, após a Ação de Graças, no churrasco em família, antes da Ascensão... Era como se fosse outra vida.


- Finalmente me ouviram - Clary revirou os olhos, em seu estágio – obrigatório pelo o acordo que fez – no FBI, lembrava de ser acusada por proteger Belcourt, e com a mesma revirada de olhos, ela deixou bem claro seu sentimento pela mulher. Então, com um ato de boa fé em meio a toda aquela confusão, aconselhou-os  com um belo palpite de onde sugeria estar a moça. Eles no momento a ignoraram, exigiam apenas seus serviços pelo nome e status que carregava, para depois a desprezar como fizera anos antes. Luke não era o único agente do FBI que tinha problemas maus resolvidos com Clary - Camille sempre adorou Florença - ela lembrava sobre como Belcourt contava saudosa de seus dias na bela cidade, da promessa que um dia fizeram que, caso estivessem separadas, por circunstâncias duvidosas, deviam se encontrar e tomar um belo café italiano. Na apaixonante cidade de Florença - Foi lá que Raphael lhe entregou o cordão - murmurou, nostálgica - E onde ela o enterrou.


- Exato - prosseguiu Luke, evitando que a divagação se estendesse em mais uma história mal contada - Camille voltou à Itália para esconder o colar, esconder seus rastros... Acontece que a interceptamos - um tremor passou por sua voz, o que alarmou a todos - E ela conseguiu subornar alguns agentes. E sumiu durante meses... Graças a tatuagem acesa, e as informações de um informante. A rastreamos até aqui, Nova York.


- Deve ter vindo pelo dinheiro - murmurou Jordan, como parte do plano deles, de anos atrás, parcelas de dinheiro seriam entregues, aos poucos, ao longo dos anos. E ele, como advogado, atrairia menos atenção se o depararem com tanto dinheiro. Jordan lembrava do olhar interesseiro de Camille sempre que se tratava disto, e mesmo que ela alegasse não querer nada além do acolhimento deles e se tornar parte de um todo, ele sempre teve suas dúvidas. Ainda mais após o acordo – com boa grana envolvida – feita entre eles. Para promover algo que na época chamaram de paz. Kyle tivera feito sua parte neste ano, entregava o depósito, um envelope com a assinatura dele endereçados a cada um deles vindo de uma conta bancária que fizeram no exterior. Sempre sobrava para ele entregar a parte de Camille, que na maioria das vezes chegava em suas mãos por meio de Tessa, uma aliada da Espanha. A partir disso, não se tornava mais problema deles. 


- Foi o que presumimos - Luke afirmou, cético - Conhecem Camille bem o suficiente para saber que ela está aqui por uma razão.


- Ela pode estar atrás de vocês, não podem? - sugeriu Isabelle, ansiosa - Digo, Meliorn disse que ela era uma de vocês.


- Isso antes de levar um tapa na cara - acrescentou Jace, com o sarcasmo encoberto por um tom sério. Sabiam pouco demais do assunto para estarem ali, porém havia uma hesitação no olhar de Clary que o impedia de mandar todos embora e deixá-los a sós. Talvez também, porque temesse que se saíssem daquela sala, Alaric terminaria seu trabalho enquanto sua Foguinho seria segurada por seus próprios seguidores. Aos olhos de Jace, Jonathan, que além de fazer piadas sobre Simon e Raphael, cantarolava alguma música com letra sangrenta, parecia ser o mais lúcido e inerte no lugar. O que, considerando o longo histórico de intriga e orgulho, admitir aquilo na frente dele – sóbrio –, seria um passo na qual eles talvez nunca dariam. A não ser por Clary.


- Estou dizendo que, talvez ela tenha ouvido sobre vocês, o que fizeram na Iniciação - sugeriu a morena, ignorando o comentário do irmão e todos os olhares presos nela. Magnus ainda a encarava ressentido, parecia estar mais ofendido e traído que a própria Clary! Isabelle suspirou, tirando um pouco do cabelo castanho grudado com sangue e suor da testa de Simon, preocupada. Mas mesmo assim o instinto investigativo persistiu - Deve ter se sentido traída, e agora está agindo por impulso - deu de ombros, não percebendo exatamente o que dizia - Fazendo mal a quem ama... Mesmo que não diretamente.


- E você sabe muito como isso, não é? - disse Magnus, e foi a vez de Meliorn esconder sua risada, o tom do moreno era sério e sarcástico. Isabelle se encolheu e Magnus revirou os olhos não crendo também no que dissera. Talvez só estivesse magoado com a morena pelo simples fato de ter, acusado sua Docinho de algo tão amargo quanto traição. Acreditava que tudo acontecia por uma razão, contudo, era difícil crer nisso ao mesmo tempo em que presenciava a própria cunhada bancar a desolada, Magnus conhecia Clary mais do que ela, sabia de coisas além dela. E por mais que Isabelle tenha mostrado sua opinião e seu lado da história – que Magnus compreendia até –, ainda não conseguia entender o porquê de toda aquela cena. Que por mais que, Lucian tenha desencadeado toda a confusão, ela foi o centro, isto é, se não, todo o efeito colateral.


Luke mais uma vez se sentiu desconfortável, encarou o chão pensando em todas as coisas que tiveram o levado até aquela casa. Havia recebido um telefonema de Maryse, cuja poderia alegar que a amava, o convidando de forma direta para aquela fatídica ação de graças. Garroway confessava, culpado, que sabia desde o início quem ela era, a matriarca dos Lightwood's, mãe adotiva do famoso, perigoso e procurado, Herondale. Era conhecida apenas por trabalhos voluntários a instituições de caridade – tais como o baile beneficente –, os poucos do submundo que a conheciam, evitavam cruzar com seu caminho, pois como consequência, teria todo o Lado Sul atrás de si. E ninguém desejaria isso.


Querendo ou não, Garroway era culpado. Não era como se nada tivesse mudado, ou que seus atos não tivessem tido tantas consequências. Se não tivesse matado Raphael, nada disso teria acontecido. Eles não estariam tendo essa discussão desesperada para apontar culpa. Pois não teriam se conhecido. E talvez, para ambos os lados de histórias longas e criminosas, fosse melhor assim.


Luke suspirou pesadamente, apertou os olhos desejando nunca ter aceitado tal convite. Sua ambição foi maior,  havia comunicado ao FBI que estaria na mansão Herondale, debaixo do mesmo teto daquele que perseguiam há anos. Seu objetivo inicial era entrar, explorar e investigar, encontrar qualquer coisa, desde uma câmera a uma arma, desde um sabonete a um pacote de drogas. Ou talvez até coisas medonhas como uma infração sanitária. Luke queria apenas algo na qual pudessem enfim formar uma investigação pública e legal. Entretanto, acima de tudo, ele torcia para não ser reconhecido, e de fato, não seria. Afinal, sempre tiveram tomado cuidado, com aparelhos descartáveis, moduladores de voz e identidade falsa. Ninguém o reconheceria. Ninguém além de Clary.


- Camille pode ter se aliado ao Círculo - anunciou Alaric, se pronunciando pela primeira vez desde sua explosão nenhum pouco rotineira. Talvez o constrangimento que tivera sentido em relação a sua Rainha, ao o pegar socando um irmão, tivesse sido a gota d'água para eles. Para a guerra que estava por se aproximar. Alaric, ao avaliá-lo, concluiu que Meliorn era o menos envolvido com Camille, já ele, confiou um dia, cegamente na mulher traiçoeira. Ele gostaria de ter a capacidade excepcional de Meliorn de conseguir separar tudo, nunca confiar em ninguém, nunca se devotar a alguém a ponto de aflingir sua lealdade à Rainha. Meliorn era um soldado no qual todos quereriam ser; leal, habilidoso, charmoso, mortal e desconfiado.


Sempre os alertou que não deviam dormir com os dois olhos fechados perto de Belcourt, pois, embora ela tivesse provado sua "lealdade", havia algo nela que fazia todos temerem ou se viciarem. Ele queria ser Meliorn, o conselheiro. Meliorn o sociopata. Meliorn o que a Rainha mais confiava – antes mesmo de Simon. Porém como todas as vezes nos quais Meliorn retrucava, Alaric o ignorou. Simon era considerado, por ser o mais carinhoso entre eles, o alvo mais fácil. Alaric o alertava sobre a confiança depositava nela, mas esquecia de contar que era o mais de coração e alma. Rodrigues, após confiar e lutar por alguém, não cortava o laço por nada no mundo. Talvez parte de seu ataque em direção a Simon fosse fruto de uma confiança quebrada, não só a dele com o irmão, mas sim a dele com sua Rainha, com seu Rei, com o legado. Alaric estava aos pedaços. Precisava de ajuda, precisava ser salvo. Eles precisavam de uma salvação.


A salvação que apenas Clary concederia a eles. Contudo, Clarissa também precisava ser salva, mesmo que não admitisse, mesmo que não deixasse transparecer. Todos precisavam de mais um foco. Os viciados, queriam o perigo. Precisavam de mais um mistério, para os envolver. Algo a mais para voltarem a amar, eram felizes na época que andavam pelos mundo como e com a fama de criminosos. Precisavam de todo o perigo que aquele mundo tinha para dar. E isto incluía Jace, incluía o Lado Sul e Norte. Maryse e, talvez Luke. Todos precisavam do amor e da felicidade. De algo para lhes motivar a viver.


Porém, cada um deles, teve sua consequência no amor. Por amar, tiveram que morrer a cada dia. Mas era como estar vivo também. Aquilo os desfez, os destruiu, os forjou. Aquilo era amar. A alegria tão boa que doía. Foi a coisa mais poderosa que já sentiram. Maior do que ódio, que desejo, maior do que a morte.


Jace olhou para Clary. Quase como se fosse a primeira vez. Jace queria a amar. Queria a amar e queria que isso o consumisse. Queria gritar aos quatro ventos que estava feliz. Jace queria a abraçar, a beijar, a fazer mais feliz do que nunca foi em séculos. Jace queria ser o que nunca foi. Queria ser a mudança. Não só por Clary, mas pelo mundo que ele queria dar ela. Pelo mundo que ela era para Jace.


Jace já tinha aceitado que Clary era sua droga. Aquela coisa que havia concluído no dia em que ela retornou aquela casa. Foguinho iria o matar ou overdose ou de abstinência... Jace passou apenas algumas horas sem ela. Sem seu sorriso sincero, sem seu cheiro e a capacidade dela de ver o bem nele. Estavam indo a ruínas... Herondale soube no momento em que a conheceu, que a deixou se aproximar, permitiu que ela quebrasse sua barreira. Quando ela sorriu para ele e escapou de seu encanto perverso, Jace soube que ela não só o faria se sentir dependente, não o faria apenas ter a abstinência por tê-la em seus braços de novo. O faria morrer por isso. Não seria de overdose. Mas por amor.


- Disse que tem informantes? - Jordan franziu o cenho, não entendendo como era possível. Ninguém denunciaria Camille, não por ela em si, afinal, Belcourt não era ninguém mais do que alguém que se aproveitava dos outros, mas porque todos sabiam que Camille Belcourt já esteve debaixo da tutela da Rainha Vermelha, de Raphael Santiago. Embora soubesse apenas alguns detalhes sobre a separação entre eles, e apenas por isso Camille não era mais responsabilidade ou à mercer de ninguém, significava que ela estava só. Mas mesmo assim, como o legado deixado por Santiago, ela dava jus ao nome. Jordan estava realmente surpreso, acontecia poucas coisas que envolviam traição e ele não ficava sabendo.


- Obviamente, não posso revelar suas identidades - ressaltou Luke, não querendo deixar suas emoções aparentes, não mais do que já tinha deixado - Mas há alguns meses...


- Quantos meses? - Alexander perguntou, mal tiveram notado sua saída junto ao noivo para pegar suprimentos para cuidar dos ferimentos de Simon. Alec não era muito daqueles caras que acreditava em coincidências, era um cara da ciência e de fatos. E sabia que se a tal Camille estava contra eles, era se aliando a alguém. Aproveitando-se como uma verdadeira cobra para dar o bote.


- Há mais ou menos dois anos, quando o novo cara apareceu, o FBI estava atrás dele e de Camille - continuou, firme - Então, há uns sete meses, Clary prendeu dois criminosos para o condado federal na Flórida - ele não tinha entrado em contato com ela, um de seus piores erros. Havia apenas sido comunicado que a perigosa e suspeita filha de Valentim estava exercendo trabalhos para a agência. Então, usando de seu distintivo, Garroway descobriu sobre o acordo entre ela e o Lado Sul. Sobre a separação do Ciclo, e os detalhes da Proteção a Testemunha de cada um deles, nos quais não soube na época.


- Eles disseram que tinham informações sobre Camille e...- Luke hesitou. Tinha chances verdadeiras de tudo aquilo que estava prestes a dizer ser verdade, afinal, eles estavam quase todos reunidos, faltava inúmeras pessoas serventes ao Ciclo, mas a família original inteira estava presente, aliada e protegida por outra família de criminosos. Contudo, ao mesmo tempo em que era possível também era impossível, eles tinham seu seguro de vida, o que fizeram anos antes foi para que nunca precisassem trabalhar ou se preocupar pelo resto da vida, pelo resto da vida de seus filhos e filhas... Além disso, eles estavam em momentos difíceis, lidando com todas as organizações criminosas que pudessem imaginar.


- Vai querer ganhar tiro agora, Tira? - Peter revirou os olhos entediado. Se ele pensava que poderia parar de falar, estava enganado. Pete Pete queria toda a informação que pudesse, pois, os outros imaginando ou não, condenando ou não, Miller e suas drogas seriam os únicos que sairiam ilesos dentre toda aquela confusão. Ele não era o único que acreditava que a ligação de Clary com o Lado Sul, principalmente com Jace, seria sua ruína. Seria o que faria deles, uma farsa. Peter não tinha a intenção de magoar ou machucar ninguém – exceto Luke. Mas era óbvio que tudo aquilo, a conexão emocional presente naquela sala, que impedia sua Rainha de fazer grandes coisas, seria motivo de choro, de lágrimas, de traição. De revolta.


- Informações sobre um próximo roubo - disse ele, Clary saltou da proltona, puxou os fios ruivos dizendo coisas em espanhol, parecia furiosa. Mas mesmo assim Luke prosseguiu - Os detalhes eram críveis, e explicava o porquê dela ter acendido a tatuagem e ter gastado todo o dinheiro.


- Oh, vocês não...- Isabelle franziu o cenho, incerta. Sabia dos feitos daqueles que se intitulavam Ciclo Negro, não podia negar que tinha suas dúvidas quando se tratava do que eram capazes novamente.


- Ela está manipulando vocês - concluiu Jace, podia não entender, mas conseguia ler as expressões de cada um deles. Peter parecia mais pálido e seus olhos aparentavam estar mais arregalados e dilatados do que o normal. Jonathan havia se engasgado com o gole de vinho. Alaric faltava explodir para cima de Luke... Já Meliorn, ria como nunca. Jace pensava que dentre eles, Meliorn era aquele que mais se identificava com ele, não que fosse admitir. Jace reconhecia toda a ironia e a surpresa nos olhares deles, porém em meio a tudo, havia o prazer por saber que o FBI estava sendo persuadido tao ameaçadoramente por Camille e seus ainda mais controlados seguidores.


- Como podem cair na conversa deles? - Clary indagou incrédula, Jace franziu o cenho, ela não estava furiosa ou satisfeita como pensava, estava preocupada e cautelosa - Avisei-os, "Camille irá distrai-los, os manipular". Agora ela deve estar curtindo em algum lugar caro de NY com o dinheiro que deram aos informantes - até nos momentos em que devia estar brava, devia estar bem com a desgraça de quem a feriu, mesmo assim ela ainda conseguia se preocupar e zelar pela segurando deles... Jace admirava isso nela, mesmo que achasse incabível a tais momentos. Jace também se preocupava com isso, afinal, se Clary queria proteger a todos, quem a protegeria, se não ele?


- Não a ouvimos - murmurou Garroway, concluindo que era pura mentira da víbora, ele esfregou as têmporas e encarou Herondale. Precisava de todo auto controle para se rebaixar a tal ponto - Me permite sair e fazer uma ligação?


- Sou só o cara que quer te matar - disse ele - Não é para mim que tem que pedir permissão...- Jace pensou por muito tempo que nunca se deixaria ser ordenado por ninguém. Que nunca teria que pedir a ordem a ninguém. Porém ao conhecer Clary, ao ser e estar com ela, notou que ela não queria controlá-lo. Não queria mudá-lo por não ser quem ela queria. Jace entendeu que Clary queria transformá-lo em alguém melhor.

Embora, tivesse surtado com o que descobrira, ele sabia que era pior do que ela um dia foi. Isso ele nunca teve dúvidas. Pois independente da frieza de Clarissa ao contar de seu passado, ela ao menos sentia culpa. Culpa por todas as mortes que causou. Jace não.


- É para ela...- inclinou o queixo para a ruiva, que estava o encarando, com atenção e orgulho. Sabia e entendia que ele estava com raiva dela, sentindo-se traído, e tinha o direito. Clary sabia que parte do receio dele era por sua proteção por ela. E agora, por descobrir quem ela verdadeiramente foi, significava o dobro do perigo. Ela era importante para Jace, o que a tornava um alvo, talvez o maior de todos.


- Antes que vá embora...- Clary murmurou, o olhou atentamente. Ela estava ciente de que o que estava prestes a dizer, levaria outro rumo a qualquer investigação que pudessem ter. Ou qualquer surpresa que fosse estabelecer entre eles. Todos estavam muito chocados, afinal, tiveram deixado que Clarissa passasse por toda a culpa carregada por anos, sozinha. E agora, ainda tinha que lidar com mais alguém além de seu passado. Isso sem contar os segredos e o que Jace tanto estava mantendo em sigilo, Clary havia notado, as ligações estranhas e a tensão dele ao tocar minimamente em tal assunto. 


Luke sentiu o gelo percorrer seu corpo enquanto se dirigia a porta, não planejando se despedir de Maryse, muito menos pedir o distintivo e arma que lhe foi tirado ao ser desmascarado. Queria sumir dali. Fugir como um covarde, mais uma vez.


- Me responda uma coisa - ela parecia hesitante, não foi o próximo anúncio que os alarmou, muito menos a expressão assustada de Luke, ou Simon engasgando e cuspindo sangue. Foi o medo em sua voz. Mas havia algo que eles não sabiam, Clarissa não estava com medo de Belcourt, mas sim dela mesma. Ela temia por quem se tornaria. Não pelo Ciclo, ou pelo irmão. Mas por Jace. Ele não olharia para ela da mesma maneira, não deixaria isso passar, aos olhos de Clary, ela se tornaria uma estranha a ele. O problema era que Jace pensava a mesma coisa ao seu respeito - Você sabia que Camille está atrás de mim? É por isso que está aqui?


Luke empalideceu.


- Estava certa - Maia desceu as escadas, podia ter mãos médicas, mas seu objetivo era outro. Algo cintilou em suas mãos, o pen drive que conseguira mais cedo. Seu valor material não era nada comparado com as informações que poderiam gerar - Camille está roubando...- seu olhar se tornou feroz, os olhos ela percorreram por toda a sala. Os investigando.


Lealdade era como uma coroa de flores sendo depositada na mais bela e honesta princesa. Traição era como um trono de espinhos ganhando um legado...


- E tem alguém de dentro - ela disse - Um de nós está ao seu lado - Roberts olhou mortalmente para o Lado Sul, Jace era seu alvo - Alguém está traindo o Ciclo.


- Isso era só o que faltava - Jonathan bufou revirando os olhos, eles se encaravam com desconfiança. Aparentemente, Camille estava certa em uma coisa afinal. O ódio e a revolta estavam surgindo. O que ela não contou é que seria entre si. 


Clarissa abanou a cabeça, sentindo-se desnorteada novamente, tudo que queria era ar puro. Ser livre. Aquele era um momento que ficaria para a história. Uma sociedade de pecadores reunidos em prol de um único propósito; Parar o inevitável. A questão era que esse momento não era um bom, mas não podia ser considerado um ruim... Ela já havia entendido a muito tempo que não poderia ceder aquilo, pois, nos momentos importantes... São os que sabemos o que não tem retorno. Não tem volta. Não tem perdão.


CONTINUA...🔥







Notas Finais


Eaí? Gostaram?

Acho que as emoções de todos foram bem expostas hoje kkkkkkkk

Reforçando que eu necessito da opinião de vocês rsrsrs

Um xero no congote!🏳️‍🌈🧡


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