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História Nevermind - Capítulo 6


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Capítulo 6 - Apenas aguente firme


Queria que você pudesse construir uma máquina do tempo

Para você poder ver as coisas que ninguém pode.

Just Hold On – Louis Tomlinson.

Hwang Hyunjin.

O tempo se passou, e eu fiquei velho. Antes, eu era cheio de vida, não tinha problemas e o meu viver era mais fácil. Mas com o passar dos dias, eu fiquei velho.

Hoje em dia, preciso me preocupar com tarefas, trabalhos, jogos da escola, e a vida social. Quando foi que eu cheguei a esse nível? Não me lembro bem. Só percebi que eu comecei a ter responsabilidades quando eu não sabia por onde começar a fazer minhas coisas.

E eu travo quando lembro que estou morrendo, pois todos estamos, uns mais cedo e outros mais tarde. O fato é que todos estamos morrendo.

O cu chega trava.

E eu já me perguntei várias vezes qual o sentido de continuar existindo em um lugar como a Terra, ao invés de matar logo a curiosidade sobre para onde irei ao morrer. Não, não estou triste, mas sou desde o nascimento e minhas meras lembranças dos cinco anos, por natureza, reflexivo.

Por falar em pensamentos, sempre quis saber o que se passa na mente dos outros. Como na mente da minha irmã. O que será que ela pensa sobre mim? Eu sou um bom irmão?

Minha irmã gêmea.

Talvez, ela seja a pessoa mais importante – depois de mim, porque amor próprio é tudo – na minha vida. Não, não são meus pais as pessoas mais importantes. Eles, apesar de me sustentarem um futuro que eu poderia trancar várias faculdades sem preocupações financeiras, não são do tipo que passam a mão na cabeça. Não entenda mal, eu curto isso, porque eu sou do tipo que só aprende levando tapa na cara. Mas eles são do tipo que estão sempre trabalhando, e por isso eu passo a maior parte dos dias da minha vida sem eles. E eu os entendo. Não é como se eu ficasse chorando no cantinho porque eles não são presentes na minha vida. Eu gosto de nosso relacionamento.

Mas eu realmente acho Mahana a minha pessoa favorita nesse meu mundinho. Somos tão grudados, que é quase como se eu sentisse o que ela sente. Por exemplo, eu costumo chorar quando Mahana fica triste. E não, não tenho dó dela. Ela não merece isso, merece compreensão e reconhecimento. Mas, sei lá... Ela é a única pessoa que sempre está comigo, desde que eu nasci. Deve ser por isso que eu tenho tanto cuidado e empatia por ela. Talvez, eu não goste de que meus amigos cheguem perto dela por causa disso. Talvez, eu só queira que ela não me largue para ficar com qualquer um.

Nessa, eu percebi que sou um hipócrita. Sou um imbecil. Simplesmente porque eu não quero que ela arrume um cara e me deixe de lado, mas eu estou arrumando Hyeri pra mim.

Meu defeito deve ser o ciúme. Tanto que já tiveram várias vezes que eu pensei que poderia ser um irmão melhor. Um irmão mais maleável.

Como eu poderia ser maleável com a irmã que ama festas?

Naquela festa que ela caiu na piscina, foi a pior que eu me lembro.

- Hyunjin-ah! Droga!

- Que foi, hyung? – perguntei ao Jeongguk. Ele colocou as mãos nos joelhos, recuperando o folego.

- A sua irmã... A Mahana... Ela, ela... – ele se pronunciou, e eu entendi que rolou alguma coisa.

Empurrei-o da minha frente. Atrás da minha irmã, só pensei em sair da casa. Eu corri e corri, como faço nos treinos de jogos. A casa era grande, ainda por cima eu tive que atravessar aquele bocado de gente.

No meio daquela bagunça de música, copos jogados e corpos aleatórios, entreabri minha boca, buscando algum ar para conseguir pensar melhor. Coloquei as mãos nos joelhos e olhei pra frente. Eu vi a piscina, poucas pessoas estavam nela, poucas por causa do frio. Do lado de fora da piscina, mais longe da borda, minhas orbes foram capazes de focar num garoto sentado, uma menina com a cabeça em seu colo.

Ele deixou o dorso dela na grama, então começou a fazer massagem cardíaca, que não houve resultado nenhum. Então, ele repentinamente tocou seus lábios, eu pude ver. Mas não era um beijo. Ele estava tentando revivê-la. Ressuscitá-la.

Só aí que eu percebi que a menina estava com um pedaço do que supostamente seria a camiseta dele, em sua cabeça. Havia sangue pela grama ao seu redor. A garota pareceu suspirar profundo, e cuspiu água pela grama. Não foi uma visão feia, mas uma visão de milagre. Ela estava bem, foi o que pensei. Eles trocaram algumas palavras e a garota começou a abraçá-lo. Depois de falarem mais algumas coisas, que eu não pude ouvir pela distância - pela confusão e música - ela desmaiou.

O garoto, desesperado, começou a gritar por ajuda. Foi como se as pessoas não ligassem para isso, nenhuma delas foi capaz de acudi-lo. Ele, desesperado, começou a gritar mais alto. Eu vi a sua agonia, e não precisaria ler as pessoa muito bem pra ver a aflição que ele sentia.

Eu pisquei, tentando raciocinar, mas quando abri os olhos, já estava ao lado dele. E eu pude perceber que era minha irmã. Comecei a ficar desassossegado.

Minha mãe me ensinou que em horas assim, o que um médico ou qualquer outra pessoa deve fazer, é manter a calma. Apesar de não suportar o medo de perder minha irmã, tive que parecer firme. Por mim, pelo menino que estava com medo de não ter conseguido fazer nada, por ela.

- Ligue para o 119¹, por favor! – gritei para que ele ouvisse.

Em uma questão rápida de tempo, a ambulância chegou. Rapidamente, eles pegaram a garota e colocaram numa maca, fizeram alguns procedimentos que eu não seria capaz de descrever, e por fim, chamaram-me para eu ir junto ao hospital. Antes de entrar na ambulância, eu me virei para o garoto.

- Valeu, cara. Obrigado mesmo, você salvou a vida dela. Você é algum técnico em medicina? – eu me pronunciei.

- Não, na verdade. Mas eu senti que precisava. – deu de ombros. – ela é muito sortuda por ter você na vida dela. Só... Desculpe por ter beijado a sua namorada. – abaixou a cabeça, envergonhado.

- Ela não é a minha namorada. Pode ficar tranquilo. Mahana-yah é minha irmã. – ele me fitou e eu sorri, tocando em seu ombro para tranquilizar o garoto. – Valeu, mesmo.

- De nada. A gente se vê por aí, então. - curvou-se. Então, eu entrei na ambulância, podendo ver suas costas. As costas do garoto que salvou minha irmã.

APOSTO QUE O TAL DO MINHO NÃO FARIA ISSO!


Sacudi a cabeça, voltando à realidade. Depois daquele dia, eu fiquei com mais medo ainda de perder Mahana. Seja para alguém, ou para sempre. A aula estava tão tediosa que ou eu dormia, ou eu brizava. Mas de repente, um papel repousou na minha mesa, e sem hesitar, eu abri.

Se eu fosse você, corria agora para o corredor do primeiro andar, aquele apagado.

- A gente se vê lá.”

Eu reconheci a letra, mas para me certificar que era o que eu pensava, olhei para os lados, e percebi que Hyeri não estava na sua carteira. Quando foi que ela saiu?

Eu não queria continuar naquela aula chata mesmo, e resolvi juntar o útil ao agradável. Sem dificuldades, saí daquele lugar e desci para o primeiro andar. O corredor não foi difícil de encontrar, e quando achei, fui cutucado nas costas. Eu me virei para a pessoa que realizou tal ato.

- Hyunjin-ah. - abraçou-me. Suas tranças de cores escuras e algumas rosas faziam ela ter a aparência fofa. Hyeri é fofa. – vamos pra fora? Daqui a pouco será do intervalo, e não vale a pena continuar naquela aula chata. – fez bico.

- Fechado. Você vai primeiro. – ela assentiu, depois soltou minha mão que estava entrelaçada nos dedos dela. Sua silhueta sutil sempre foi chamativa para mim, mesmo que a minha parte física preferida dela fossem os olhos. Por algum motivo, o olho dela é âmbar, que contrasta na pele negra dela, e que me chamam tanta atenção.

- Tá sorrindo bobo por que, maninho? – senti o cotovelo da cotoco em meu ombro. Eu sacudi a cabeça, tentando entender alguma coisa.

- Eu não estava sorrindo. – tirei seu braço de cima do meu ombro. – O que você faz aqui?

- Hora do lanche, mano. – revirei os olhos. Ela consegue ser infantil até quando não quer.

- Recreio. - corrigi-a. – Mas beleza, eu vou lá. – comecei a andar.

- Hyunjinnie! Espere. – ela me alcançou rapidamente. – Eu vou falar pra ele, tá?

- Tá bom, mas toma cuidado. Safada. – ela me repreendeu e depois sumiu. Só faltava eu.

Quando cheguei ao lado de fora, rapidamente avistei Hyeri. Como não reconhecer uma pessoa tão única no meio de tantas iguais?


Nós ficamos nos curtindo pelos trinta minutos que nos são concedidos na hora do almoço. Nós ficamos conversando sobre tudo. E depois, mais aula.

- Hyunjin, hey, Hyunjin! – Chan me parou puxando meu ombro. Só porque eu vou pra casa mais cedo hoje, aff. No meio daquele gramado verde, eu percebi que o jardim estava cheio de gente.

- Que foi, hyung? - virei-me para ele.

- Presta atenção. O Changbin chamou a galera pra ir à casa dele e pediu pra eu te avisar.

- Huh, quando?

- Hoje de noite. Parece que vai ser tipo uma noite de jogos. Mas ele disse pra não chamar a sua irmã. – eu assenti.

Conhecendo Changbin, ele provavelmente chamou Minho também pra ficar lá. Eu tenho uma chance de voltar a falar com ele. É melhor ela ficando com um amigo do que com uma pessoa que eu desconheço. E também, eu sinto falta dele.

Antigamente, éramos em nove. Nove garotos, perdidos, não sabiam o que fazer da vida, mas a certeza que nos tínhamos, era um juramento. Nós éramos garotos perdidos, porque sempre estivemos assim.

Woojin, Chan, Minho, Changbin, eu bem no meio, Jisung, Felix, Seungmin e Jeongin. Sempre fomos muito grudados e apegados, tanto que nesse meio saíram casais. Felix e Changbin estão namorando, por exemplo.

- Pô, mas a gente vai jogar o que lá? – perguntei ao Chan.

- Você tá ligado que essas noites são mais pra a gente beber e jogar papo fora do que jogar. Mesmo assim, sei lá. Acho que aqueles jogos modinhas caem bem.

- Quais? Fortnite e Call Of Duty? Overwatch? – questionei. Ele assentiu com a cabeça, acenando para um grupo de alunos que passava. Eu ri nasal. – Sério isso? Eles eram moda quando a gente ainda estava no nono ano.

- Essa é a graça, Hyunjin-ah. A gente jogava essas drogas quando fazia sucesso. Enfim, o que você vai fazer hoje? Eu tô afim de terminar o trabalho de História quando eu chegar em casa.

Eu sempre admirei o fato dele ser presidente estudantil e conseguir unir esse cargo com seu lado festeiro. E ainda mais, Chan é um cara alcançável, ou seja, todo mundo consegue a atenção dele. Apesar disso, sempre notei que Chan é meio aéreo. Ele está falando uma coisa, e depois muda pra outra que muitas vezes não tem nada a ver. Tipo naquele momento. Mas deve ser a mente ocupada de problemas.

- Você não vai pra sua natação hoje?

- Credo, Hyunjin. Tá fazendo mais perguntas que o normal. O que aconteceu?

- Sei lá. Eu tô normal, ué. – dei de ombros. – Hoje eu não treino, então vou direto pra casa. Vou convencer a Mahana de ficar em casa quando eu sair. Cara, ela odeia ficar sozinha.

- Por quê? – ele indagou quando passamos pelo portão da escola.

- Nem eu sei, na verdade. Falando nela, hoje eu preciso encontrar a coisinha pra a gente ir pra casa. Vou lá. Valeu, hyung. – Chan acenou um tchau pra mim.

Quando eu já pensava em entrar no colégio de novo, Mahana apareceu. Ela veio sorridente, diferente dos dias normais que ela parece um zumbi por causa do sono e a cara de tédio. Então, logo estranhei. Aí, como se não bastasse, ela pulou pra me abraçar.

- Oi, Jinnie! – falou em inglês, soltando os braços de mim.

- Que foi, Mahana?

- Aish, Hyunjin. Não posso mais te abraçar, que você já vem atacando pedra em mim, grosso.

- Claro, porque normalmente você que vem já com três pedras pra me apedrejar. – minha irmã rolou os olhos e eu comecei a andar com ela.


Nós continuamos a conversar sobre coisas aleatórias até chegar em casa, e meu pai estava lá, preparando a comida do almoço. – Paiê, estamos de volta. – anunciei.

Logo eu fui ao meu quarto, e tomei meu banho gelado. Calor da desgraça. Acho que uma das poucas coisas que eu e Mahana concordamos, e mais o mundo todo, é que o calor é ruim.

Quem descorda vai morrer.

- Peste! Vem comer! – batuquei a porta do quarto da minha irmã, que gritou de lá que já vai. Logo eu tratei de descer assobiando. – E aí, pai, como foi o trampo ontem? Ah, hoje eu vou sair, okay?

- Vai pra onde? – Mahana se pronunciou atrás de mim. – Pra onde você vai Hyunjin?

- Eu vou pra casa do Changbin, e ele disse que você não vai.

- Ah, mas eu quero!

- Você não tem que querer nada. – eu respondi e ela fechou a cara, pegou o prato logo me fitando com os olhos cerrados.

- Mahana, por que você não fica aqui em casa fazendo as suas lições? Deixe o seu irmão ter os amigos dele. – meu pai interviu. Adoro isso!

- Aigoo, pai! O senhor também? Ah, quer saber? Eu nem vou tentar convencer vocês a me deixarem ir junto, já vi que é perda de tempo! – cruzou os braços e se sentou na mesa, o cabelo cobrindo parte de seu rosto emburrado. Eu sorri vitorioso. Dessa vez, eu tenho a certeza de que Mahana ficará em casa, e bem.


Depois de eu me trocar, cheirosinho e bonitinho, fui para a sala, onde encontrei Mahana tirando suas frustações no vídeo game. Ela ama fazer esse tipo de coisa, não sei o porquê.

- Mah, eu vou indo, tá? Você cuida da casa e do pai? – sorri debochado quando ela me deu atenção e rolou os olhos.

- Vai embora, Hyunjin. Ninguém te quer aqui, desgraça. – pus uma mão no peito e a outra na testa, a cara de indignação.

- Poxa, Mahana. Você me decepcionou. Você sabe o quanto que eu queria continuar aqui, mesmo. – ironizei. – Vou lembrar de você lá, irmã. - beijei-lhe a bochecha e ela me xingou, logo eu fui embora de casa.

O caminho dentre as folhas secas e a pavimentação das ruas de Seul foi relativamente longe, digamos que Changbin mora longe pra caralho. Mas até que gostei de ir só, porque pude pensar em mais coisas. Além disso, consegui ficar nervoso para ver no que daria eu e Minho na mesma casa, sabendo que agora ele sabe dos sentimentos de Mahana. Será que agora as coisas entre eles vai mudar agora que ele sabe? Eu não saberia responder a essa pergunta.

Acordei do transe quando cheguei à casa do meu amigo, logo eu toquei a campainha da casa. Meus dedos estavam segurando sacolas do mercado que eu passei antes de chegar aqui e dentro tinham besteiras. De repente, a porta abriu, revelou Felix e Changbin atrás. Sorridentes demais.

- Digam que vocês não estavam se comendo aí no sofá, por favor. – suspirei.

- Claro que não, a gente não é tão nojento assim, Hyunjin. O que você trouxe? – Felix perguntou.

- Eu trouxe drogas, pô. – ironizei entrando na casa de Changbin.

- Deixa disso, hyung. Eu já te disse pra largar as drogas, mas você não me ouve! Está se acabando aí nesse mundo e eu fico tão triste com isso, tenho tanto medo de você se ir! – colocou a mão na resta, fingindo drama, e Changbin apenas sabia rir. Tratei de entrar na casa dele e colocar as sacolas em cima da mesa, e logo apoiei meu quadril nessa parte, observando Felix.

- Eu sofreria de abstinência, Felix! Aigoo! É tão difícil! – eu ri e mudei o assunto: - cadê o pessoal?

- Estão lá em cima, Jinnie. – Changbin se pronunciou.

- Você cala essa sua boca, huh, Changbin? Só a Mahana me chama assim, nem vem roubar esse cargo, otário. Em fim, vamos subir logo, só quero deitar na sua cama gostosa e dormir até ficar cego.

- Porra... – resmungou Felix subindo as escadas da sala que nos levaria até o banheiro, quarto dos pais e do próprio Changbin. Eu espero de verdade que a cama de Changbin não esteja na lista de lugares onde eles transam.

Felix abriu a porta, e eu pude observar o quarto com a parede azul escura, a madeira da cama e do guarda roupa marrom avelã. A televisão grudada na parede de frente para a cama, perto da porta que leva ao banheiro do quarto. Woojin, Seungmin, Minho, Jeongin estavam espalhados pelo quarto. Eu nem fiz questão de olhar a cara de cada um.

- E aí, rapaziada. Pra deixar claro, vim aqui só por causa do vídeo game, então, não me incomodem porque hoje eu estou poucas ideias.

- Ih, olha as brizas do outro. – Felix debochou de mim.

- E você não comece, Lix. – fuzilei meu amigo com os olhos ao me virar para encará-lo. Voltei a olhar para o quarto e meus olhos param no garoto cujo os cabelos estavam espalhados pelos olhos castanhos. Ele estava no puff perto da cama. – Minho... Posso falar com você? – seus olhos rolaram nas orbes do rosto insatisfeito de quem recebeu uma proposta ruim. Com muito custo, o garoto descruzou os braços e se levantou. Ele caminhou até a porta e quando eu saí do quarto, fechou a porta.

- O que foi? – cruzou os braços na frente do corpo.

- Eu vou jogar a real porque não aguento mais esse baque. – respirei fundo e soltei o ar, ficando ciente de meus próximos atos. – Olha, foi mal. Foi mal mesmo, Minho. Eu não sei o que deu em mim pra eu romper a nossa amizade por um motivo tão besta.

- E quem disse que eu quero voltar nossa amizade? – arqueou as sobrancelhas, desafiando-me. Maldito filho de uma boa mãe que a minha irmã foi gostar, hein...

- Eu não estou pedindo pra a gente voltar a ser best friends forever together and I love so much. Estou só pedindo desculpas, porque eu vacilei contigo, Minho. A gente não precisa voltar a trocar um papo e tal, eu não pedi isso. – ele balançou a cabeça de forma positiva, ponderando e ao mesmo tempo consentindo. Ele estava quieto, e eu pensei que não me responderia mais.

- Olha só... Eu vou fazer isso. Mas... Só porque sinto sua falta e a Mahana odeia a gente brigado. E isso não quer dizer que eu esqueci a porrada que você me deu de surpresa.

Ele me encarou. Algo dentro de mim, fez minha boca sorrir contagiante, animada. Foi como se eu esquecesse que ele ainda me odeia. Eu baguncei seus fios e a empolgação me apossou. Só faltou eu abraçá-lo. Puta saudade do hyung. Foi como se eu tivesse parado no tempo e recomeçado de onde paramos. Bons tempos antes daquela briga... Eu me lembro bem que Mahana, envergonhada por eu tê-la pego sorrindo para o nada, ficou mais vermelha que um tomate. Eu lembro bem daquele dia.

- Você vive olhando pro nada e sorrindo. O que aconteceu? Mahana, você está escondendo alguma coisa! – eu afirmei tocando o seu pulso.

- Porra, Hyunjin. Será que você pode pelo menos falar na língua certa? Todo mundo entende você falando assim. – ela desconversou, em inglês.

- Tá, agora desembucha logo. O que que tá pegando? – mudei minha linguagem, como ela pediu.

- Okay. Ah, é que rolou umas coisas aí e...

- Mahana! Fala logo! – eu a cortei, porque sabia que ela iria enrolar e não diria. Minha irmã suspirou.

- EugostodoMinho.

- O quê? – ela disse rápido demais pra eu entender. A garota saiu da minha frente começando a andar rápido, então eu tive que acompanhá-la.

- Ah, Hyunjin, você me ouviu bem! Eu não vou repetir. – e o sinal tocou.

Depois, muito depois, eu entendi o que ela disse. Eu realmente não sei o que ela via nele, até eu mesmo perceber que a falta de Minho era ruim e desagradável. Ele é tipo o conselheiro e psicólogo da nossa roda de amizades. A companhia dele é agradável demais pra eu dispensá-la, e eu fui um imbecil por ter quebrado nossa amizade.

Portanto, quando ele disse que aceita minhas desculpas, eu fiquei mega feliz. A sensação de reconciliação nunca me ardeu tão bem quanto aquele momento; Minho, despreocupado, entrou no quarto do Changbin, e os meninos me flagraram feliz. Óbvio que eles desconfiaram.

- Ele voltou a falar comigo, hyung! Você acredita? – eu exclamei para Changbin.

Eles vibraram junto com o meu celular, uma mensagem nova. Eu sorri ao ver que era justamente Minho.

Coelho satânico

Ei, Hyunjin-ah

Preciso te falar um negócio que eu acabei esquecendo

Não esquece de me lembrar viu

Você

Ok. Mas sobre o que que é?

Coelho satânico

Não vou contar

Você

Amas eu quero!

Coelho satânico

Você não tem que querer nada

Shiu.


Eu sorri. A sensação de êxtase me preencheu e me deixou embrazado. É bom demais voltar a falar com o hyung. Isso porque, apesar de me orgulho sempre ter negado, eu senti a falta dele.

Os garotos encheram o saco por causa disso. “olha só, o sr. Orgulho pediu desculpas!”, “quem diria, hein!” e coisas do tipo. Mas, por sorte, tudo ocorreu bem naquela noite. Antes de bater meia-noite, eu chamei Minho na cozinha. Nós fomos e eu fiquei o encarando, com os braços me apoiando na mármore da pia.

- O que você ia dizer, hyung?

- Então... – coçou a nuca. – É que assim... Sei lá! O que você faria se eu dissesse que a sua irmã gosta de mim?

- Bom... – cocei a nuca. – Acho que eu chegaria em casa e zoaria ela até o fim dos tempos porque ela, a garota mais rodada – fiz uma careta de sarcasmo. – finalmente se assumiu pra o menino que ela gos... ESPERA, O QUE??? – gritei. Puta merda.

Ele assentiu e prosseguiu:

- Então, ela falou que gosta de mim.

- Meu Deus, ela disse que gosta de você.

Eu abri a boca, atônito, com os olhos maiores que a bola do treino de futebol. Eu tive que suspirar três ou quatro vezes com as pálpebras escondendo minhas orbes para não surtar. Ela realmente disse que ia fazer isso, porém eu não imaginava que ela teria mesmo essa coragem.

- E o que você respondeu, hyung? – eu perguntei. Juro que tentei soar simpático, juro.

- Eu fiquei com a mesma cara que você. Como eu ia saber que uma amiga tão próxima gosta de mim? Eu não sabia. Por isso eu fiquei muito assustado.

- Eu espero pelo fundo do meu rancor que você tenha pelo menos tido a decência de não ter dito “puta merda você gosta de mim, eu nunca esperaria por isso, oh céus! Aigoo!” – dramatizei. Seria muito ridículo se ele dissesse que não fazia pelo menos a mínima ideia de que ela gosta do hyung.

- Não foi isso que eu disse!

- Então o que você falou?

- Err... Acho melhor perguntar pra ela, aí você aproveita e me diz como ela tá. – Minho respondeu.

- Olha aqui, não comece pensando que vai só ficar com ela que nem ela faz com geral, porque você é o especial na listinha dela. E rimou. Eu odeio quando rima. – tédio dominou a minha expressão. Ele ergueu os braços em sinal de rendição.

- Okay, okay! Eu nem queria isso mesmo.

- Tá, entendi. Vamos subir logo porque eu tô com uma fome lascada.

Ele assentiu, meio nervoso.

O que será que ele disse depois?


Notas Finais


¹119 é o número da ambulância coreana.


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