História Névoa - Capítulo 9


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Categorias Yuri!!! on Ice
Personagens Georgi Popovich, Mila Babicheva, Victor Nikiforov, Yuri Katsuki, Yuri Plisetsky
Tags Terror, Yoi, Yurionice
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Palavras 5.913
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Survival, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Sexy times! ∠( ᐛ 」∠)_.

Capítulo 9 - Apagado


Yuuri acordou.

Os primeiros segundos foram como se suas últimas semanas não tivessem acontecido. Como se tivesse dormido por dias. Ao redor, o quarto na penumbra devido às janelas cobertas. E Mila ao seu lado, com a expressão sutilmente preocupada.

— Hey.

Yuuri ergueu-se, respondendo da mesma forma com a voz rouca e grave de sono. Apertou os olhos, tentando recordar-se de tudo que havia ocorrido. Certo. Mais uma morte...

— Essa pegou todos de surpresa. — Seu sorriso era cauteloso, e Yuuri estranhou por um segundo. Até perceber.

Yurio tinha isso dessa vez. Viktor devia estar em seu quarto, preenchendo as lacunas do que haviam descoberto. Não que fosse muita coisa.

— Como é que ele está? — Perguntou enfim ao sentar-se.

— Viktor?

— Não...? — Teria sua relação com Viktor chegado ao ponto em que, aos olhos de outros, nada mais era tão relevante? — Yurio. Ele estava sozinho quando aconteceu, não foi?

Os olhos de Mila aumentaram. A mão estendida na direção de Yuuri recuou alguns centímetros.

— Yuuri... Do que você se lembra?

— Achamos o diário. — Respondeu mecanicamente, confuso por Mila. — Lemos parte por parte, mas não estávamos chegando a lugar nenhum. Então o monstro apareceu na porta e... Ele não se movia. Não fazia nada. — Desviou o olhar, tentando recordar-se com maiores detalhes. Sabia que as últimas horas haviam sido prolongadas, mas jamais tivera tanta dificuldade com as memórias. — Só ficava olhando pra gente e... Nós não o encaramos de volta. Até que ele desapareceu e ficamos em dúvida se podíamos sair do quarto. E depois de horas Yurio tentou sair por conta própria. E depois...

Deixou a frase incompleta. Aguardou a expressão de pesar, mas Mila continuava a agir como se não o reconhecesse.

— Você não se lembra?

Tentou buscar algo nas lembranças. Alguma informação vital da qual havia se esquecido, um diálogo, qualquer coisa. Negou com a cabeça, derrotado.

— Isso foi... Yuuri, reiniciamos o ciclo depois disso. E você morreu. Em só dois dias.

— Não. — Era absurdo. Não fazia sentido. — Eu me lembraria. Eu... Eu sempre me lembro.

— Eu sei. — Finalmente ela segurou sua mão, apertando. Mas Yuuri não encontrou conforto nos dedos gelados de medo. — Mas é a verdade.

 

Então era assim que se sentiam ao acordar de um ciclo quando suas memórias eram apagadas. Yuuri abraçou as pernas, lembrando-se dos corpos enterrados. Até então uma parte de si, egoísta e mesquinha, havia encontrado algum conforto em ser o único que retornava com as memórias. Como se não fosse apenas um corpo, mas alguém com real acesso ao passado. De repente era mais um deles, enterrados, com os olhos arrancados.

Colocou a cabeça entre os joelhos, respirando fundo enquanto Mila passava a mão em suas costas em círculos.

— Não se lembra de nada? Nem mesmo de quando Viktor—

— Nada. — Interrompeu. — Nada, é como se ainda— Como se tivesse sido Yurio. Só ele. E nada mais tivesse acontecido.

— Mas por que agora? Yuuri, o que poderia...?

Yuuri ergueu o rosto. Mila parou de falar diante de sua expressão, passando os braços ao seu redor, as perguntas adiadas temporariamente. Estava assustado. Como talvez mais do que jamais estivera. Seu único conforto e única arma eram as memórias, e soluçou ao pensar que poderiam estar se apagando. Como se todos fossem esquecer ao longo do tempo. Como se não restasse nada até...

— O diário falou de suicídios. — Falava sem perceber, incapaz de controlar o medo. — Acha que... Que vai— Vai acontecer comigo? Que eu vou me esquecer de tudo até que— Até que—

Mila se afastou, segurando-o pelos ombros.

— Primeira vez que você entrou aqui. Como foi?

— Eu— Eu não—

— Respira e me fala, Yuuri.

E Yuuri tentou respirar. Tentou recordar-se de como tudo havia começado. Tinha dificuldades em falar, mas eram as mesmas de quando perdia o controle. Era familiar.

Não era efeito da casa.

— Janela. No terceiro andar. Yurio apareceu e eu saí correndo.

— Segundo dia aqui. Quem te apresentou os cômodos?

— Cômodos. No segundo dia... — Respirações profundas, expirar até que o ar não saísse entrecortado. Viktor? Não, no primeiro dia Mila havia... — Você. Você me apresentou os cômodos.

— Quem cuidava do jardim?

— Georgi. — Sorriu de canto. Era a única coisa que soubera de Georgi por dias.

— O que tem no jardim?

Yuuri quase pediu para que não fizesse a pergunta. Mas ao erguer o rosto, soube o que precisava dizer. Engoliu em seco, finalmente controlando a respiração.

— Corpos. Sem olhos, de cada um.

— Isso. — Mila afagou seus ombros. — Última. O que você faz todas as tardes?

A sala de leitura. As luzes cruzando as janelas, o rosto de Viktor como uma escultura, tão cheio de detalhes que sequer parecia real. O cheiro dos livros e o frio que nunca mudava.

— Viktor me ensina... — Conteve a última palavra. Seria uma mentira. Viktor não ensinava literatura, história ou filosofia. Não realmente. — Eu aprendo sobre Viktor.

— Então aí está. — Mas Mila não parecia tão segura. — Você não se esquece de tudo. Só não se lembrou dessa última vez. Alguma coisa mudou o ciclo pra você.

— Não pode ser o tempo. — Mordeu a ponta do polegar. — Quando vim aqui, foi muito mais rápido.

— Vamos descobrir isso depois. Agora precisamos falar com os outros. Eles estão contando que sua memória está... Que ela está aí.

Yuuri tentou confirmar, mas sua boca formou palavras sem som. Só conseguia pensar na decepção nos olhos dos outros. Estaca zero, depois de todo aquele tempo.

— Se quiser que eu conte a Viktor, não tem problema.

Yuuri riu, melancólico. Algumas semanas atrás, não hesitaria em aceitar a oferta.

— Eu preciso fazer isso.

Mila sorriu compreensiva, colocando-se de pé e lhe estendendo a mão. Yuuri tentou arranjar um último fôlego para o que precisaria ser feito.

 

— Yuuri. — Viktor o aguardava já no corredor. Recostado à uma parede, caminhou na direção da porta tão logo ela foi aberta. Seu rosto estava mais jovem do que Yuuri podia se lembrar, algo de esperançoso, recuperado. Era tão inspirador que demorou até Yuuri recordar porque aquilo era cruel.

— Viktor. — Parou de caminhar, segurando os próprios braços. Viktor percebeu a hesitação, também parando, mas o sorriso estava intacto. Apenas os olhos e o mover de ombros compuseram a pergunta.

Mila passou diretamente por ele, e Yuuri aguardou até que ela entrasse no quarto mais próximo. Passou a língua pelos lábios e Viktor voltou a se aproximar. Estava tão perto. Uma das mãos esticou na direção de Yuuri, quase tocando, só alguns centímetros.

— Eu não me lembro. — O tom e o olhar eram o de quem pede desculpas. Começou a morder os lábios ao perceber que a confusão de Viktor só aumentava enquanto seu sorriso sequer hesitava.

— Não... Não se lembra? Do que?

— De nada.

Agora o sorriso morria, dando lugar à uma expressão resguardada. Os dedos recolheram-se lentamente, o que doeu mais do que se tivessem sido retraídos com força.

— Nada. — Viktor repetiu, tentando processar.

— Aconteceu comigo o que acontece com todos. Eu me esqueci de tudo da... Da última vez.

Não havia meio fácil de falar. E Yuuri sabia disso, só não podia contar com o olhar de Viktor. Como se houvesse sofrido uma traição da qual Yuuri sequer tinha ciência.

— E—Eu não sei como houve. Eu só acordei e Mila me disse que havia acontecido comigo, mas eu não... — Não sabia por que falava. Apenas tentava achar alguma justificativa para a situação. Viktor olhava algum ponto distante, com suas mãos nos bolsos e a postura recolhida. Era assustador. — Eu... Desculpe.

Aquilo fez com que acordasse. Foi como se só então notasse Yuuri ali.

— Não, você não precisa— Não é sua culpa, você—

— Eu sei. — Sentiu que lágrimas de frustração começavam a surgir e fez o melhor para contê-las. Não podia sucumbir tão fácil. — Mas eu sinto muito.

Viktor o abraçou. Porém seu aperto era cauteloso, e suas palavras de conforto distraídas. E não havia nada que Yuuri pudesse fazer.

 

Reuniram-se na cozinha e Mila começou a explicar a situação. No trajeto do corredor até ali, e até que todos estivessem ajustados nas cadeiras, Yuuri começou a questionar. Seria possível que a reação de Viktor não tivesse a ver apenas com o mistério da casa? Teria acontecido algo naqueles dois dias?

A resposta atiçava curiosidade e temor. Queria saber ao mesmo tempo em que tinha medo do que havia esquecido. Algum momento, alguma confissão, qualquer coisa.

 

— Eu sei o que foi.

Saiu do transe ao ouvir a voz de Yurio. A reação foi imediata. Inícios de perguntas incompletas, seguidos pelas perguntas de fato. Georgi, Yakov, Viktor, Mila, palavras em russo ocasionalmente. E então, o silêncio carregado de expectativas. Seria uma esperança, não fosse o fato de Yurio ter as mãos cruzadas sobre a mesa e o corpo encurvado, como se fosse o culpado.

— Foi uma... Suposição. Eu comentei com Yuuri.

Yuuri pensou, em tom quase divertido, que se seu nome real estava sendo usado tão naturalmente e não um apelido qualquer, era porque a situação havia se agravado. Mas em sua própria mente a afirmação soou amarga demais para qualquer tom de humor.

— Não era pra... — Começou com um dos xingamentos em russo, cortando-o ao meio para bater o punho contra a mesa. — Não era pra ser testado. Não assim, era pra—

Passou a mão pelos cabelos, afastando-os do rosto. E continuou antes que qualquer um pudesse interrompê-lo.

— Eu só me perguntei, por que ele? Por que só ele havia se lembrado do monstro até então? — Ergueu a cabeça, apontando o indicador para Yuuri. — E então veio a resposta.

Todos olharam em sua direção. Procuravam algo sem saber o que era. Yakov foi o primeiro a se cansar.

— Para que todo esse mistério? Apenas nos diga o que—

— Os óculos. — Georgi falou de repente.

Yuuri os retirou do rosto, como se ali houvesse algum segredo. Mas eles em si eram o segredo. Até então, sempre que era atacado, lembrava-se do medo. Nunca do monstro, apenas do medo.

Principalmente o medo de seus olhos. Olhos enormes, olhos de—

— Aquela coisa nunca olhou diretamente pra ele. Então eu pensei... Pensei que fosse por isso que sua memória sempre voltava intacta. Porque talvez quando aquele monstro nos olhe, o que tem dentro dele passe pra gente. — Os gestos de Yurio eram curtos e bruscos. Frustrados. — Mas a coisa nunca podia realmente entrar em Yuuri, porque sempre havia uma barreira. Nós não íamos— Yuuri, eu disse que não era pra fazer nada!

— Por que você— Quando você fez isso? — Mila cruzou os braços. Yuuri percebeu que Viktor, ao seu lado, fincava as unhas nas palmas das mãos, sem olhar diretamente para Yurio.

— No primeiro dia, conversamos sozinhos, mas eu avisei! Eu disse que era arriscado demais, que não haveria provas—

— Você disse, mas sabia das consequências. — O tom de Viktor era ácido. Yurio ergueu as mãos, falando tão rápido que era difícil acompanhar.

— Como eu iria adivinhar que ele se jogaria na frente da coisa? Como? Eu não imaginava que alguém pudesse ser tão—

— Esse é o tipo de hipótese que discutimos em grupo antes de testar. — Mila apontava como se afirmasse o óbvio. — Não pode sair pedindo para que alguém arrisque a própria vida—

— Eu não pedi!

— Foi impulsivo da sua parte. — Georgi tinha o tom mais racional, embora não ocultasse a repreensão. Yakov veio logo em seguida.

— Se você havia pensado nisso, deveria—

— Eu não tive tempo, e quantas vezes vou ter que dizer—

— Não importa o que você diga, você sabia

— Ele não sabia. — Yuuri interrompeu o raciocínio de Viktor, usando todo esforço para não recuar quando a acidez do olhar foi direcionada a si. — Viktor, ele não sabia.

— Você não se lembra.

A acusação na voz... Havia mais do que Yuuri não se lembrava. Mas não era hora pra isso.

— Eu sei. — Evitou olhar na direção de Yurio. Sabia como ele reagiria caso se sentisse superprotegido. Passou de Mila para Georgi, Yakov e só então Viktor. — Essa teoria nos daria nossa única certeza sobre o monstro. Que ele transmite o que está dentro do seu corpo para poder matar depois. Porque essa coisa, o que quer que seja, toma conta da mente de quem possui. — Viktor continuava com as unhas nas mãos, a expressão de quem não suporta o que houve. A última parte Yuuri fez questão de falar diretamente em sua direção. — Você me fala todo dia sobre como tentamos controlar a mente, a natureza, tudo. E se houver algo que consegue fazer isso? Assumir o controle de tudo que fazemos?

Ele ainda se recusava a aceitar. Mas o fogo de quem acredita estar com a razão havia se extinguido. Era suficiente.

— O monstro quer se livrar dessa coisa. É por isso que—

Não podia acreditar no pensamento que se formou durante a fala. Virou-se para Yurio, murmurando:

— O jardim.

Yurio pareceu relutante. Não queria ajuda, mas no mínimo percebia Yuuri se esforçando para ser racional. Para não defendê-lo por puro medo do conflito.

 O esforço valeu de algo, ainda que esse algo fosse um suspiro de derrota, o cair dos ombros, do rosto, e uma resposta sem ânimo.

— Foi o que pensei também. Se arranca os olhos, é pra garantir que não vá para mais ninguém.

— Mas Yuuri acreditava que estava na casa. — Mila apontou para Yuuri, como se nele estivesse a resposta.

— O monstro pode não saber como essa coisa funciona. — Georgi não parecia seguro. — Só porque está dentro dele, não quer dizer que ele tenha informações.

— E eu posso estar errado. — Embora algo, no fundo, dissesse que não estava. Algo em como as sombras, a cada dia, pareciam mais e mais inquietas. — Mas já podemos trabalhar com fatos e não só teorias.

— Fato um, temos um monstro na casa. — Yakov se pronunciou. Yuuri percebeu que, apesar da situação, havia algum conforto em sua voz pela certeza de algo. — Fato dois, esse monstro carrega algo que quer matar. Fato três, ele transmite essa coisa quando olha pra ela.

— Fato quatro, o quarto do piano é o único lugar seguro. — Georgi comentou, deixando Yuuri confuso. Quando haviam...?

Os dois dias. Claro. Aquela seria uma experiência e tanto.

— Podemos usar isso a nosso favor. — Mila soava exausta enquanto se levantava. — Tenho certeza que todos temos ideias, mas precisamos preencher as lacunas de Yuuri. E seria bom deixarmos pra tomar decisões amanhã.

Yuuri não queria ter visto os ombros de Yurio recolhendo-se com a última frase, com o último tom. Não queria que Yurio continuasse a olhar para um canto do chão da cozinha, acuado, como um animal selvagem. Não queria ser tão impotente na situação a ponto de sequer saber confortá-lo.

— A sorte é que só foram dois dias. — Georgi também se levantou. — E creio que ele só tenha ficado sozinho com Yurio e Viktor, não?

— Da minha parte foi só isso. — Sem olhar para ninguém, Yurio ficou de pé bruscamente. — Mas se tiver dúvidas, me procure lá fora.

Praticamente escapou pela porta dos fundos. Yuuri quase se levantou e o seguiu, mas logo em seguida Yakov se retirou da cozinha, restando apenas Viktor. Era sua melhor chance para descobrir a verdade.

Não precisou falar nada. Apenas deixou que Viktor tomasse coragem, espalmasse as mãos contra a mesa e ficasse de pé.

— Vamos para a sala de leitura.

 

— A sua sorte é que não perdeu muito. — Viktor jogou o casaco sobre uma das cadeiras. Não havia olhado para trás em nenhum momento do trajeto. Mesmo ao chegar eu seu espaço usual, ao praticamente jogar-se na poltrona, ainda não conseguia olhar para Yuuri. — Foram dois dias e a maior descoberta aconteceu há cinco minutos. O que precisa saber é que depois da última vez, decidimos investigar apenas o quarto. Tínhamos quase certeza de que o monstro não apareceria, então pulamos a parte da parede. — Sua fala era mecânica e fria. Os gestos de mão controlados, com os cotovelos apoiados nos braços da poltrona.

Yuuri sentia raiva. Aquela era a mesma imagem do homem na pintura.

— No primeiro dia não nos movemos, como de costume. E no segundo, logo de manhã, subimos para o quarto do piano para tentarmos analisar o diário. Infelizmente ele não tem nenhuma informação relevante, porém pode ser que os suicídios da casa tenham sido cometidos por homens estrangeiros. O autor, homem, aliás, como constatamos, investigava crimes ao redor do mundo. Parece ter sido um detetive particular que deve ter chegado a essa casa—

— Viktor.

—por conta dos suicídios que aqui aconteceram. Isso também justificaria porque nem todos que moraram aqui foram afetados, afinal a pessoa de quem comprei a casa—

— Viktor! — Yuuri se ajoelhou no chão, segurando os braços da poltrona como apoio. Viktor ficou em silêncio por apenas alguns segundos, sem se mover. E tentou retomar.

— Era uma mulher que jamais afirmou—

— Viktor. — Tentou de forma mais suave. Como se tivesse sido ferido, Viktor fechou os olhos e soltou o ar com dificuldade. — O que houve?

— Eu estou tentando te contar. — Sorriu de forma nada convincente.

— Não, eu... Você sabe do que eu estou falando.

Aquilo lhe chamou a atenção. Viktor olhou para baixo, a revolta e teimosia dando lugar a algo indefinível. Tocou o rosto de Yuuri, passando as pontas dos dedos por sua orelha, mexendo distraidamente em seu cabelo.

— Você me contou sobre seus avós.

...não exatamente o que Yuuri esperava ouvir, mas já era um começo.

— Foi no primeiro dia. Você me pediu para ler um dos livros que havia comentado dois dias antes, enquanto Georgi quebrava a parede. — Riu. Mas Yuuri não conseguiu acompanha-lo. Queria tanto ter acesso àquelas memórias. — E eu te falei sobre moralidade, religião... A paixão entre... — Viktor recolheu a mão, sorrindo sem humor. — Os casais do livro. Como a paixão de Heathcliff era tamanha que superava qualquer moralidade. E você me contou de quando passava tardes na casa dos seus avós. Do choque que eles sentiram ao perceber o que era a moralidade aqui. E de como você descobriu os livros escondidos na casa deles. Como passava horas apenas tentando entender pelas imagens, até que...

Yuuri tentou procurar na memória do que Viktor falava. Jamais havia parado com o costume, tão pouco revelado a alguém da família. Não conseguia pensar em um único evento significativo envolvendo o fato.

Mas havia dito algo. Pois Viktor havia se reclinado. Estava próximo à Yuuri, respirando tão lentamente que todo o quarto parecia prender o fôlego.

— Você me disse que queria ter certeza sobre seus pais. E inventou um boato.

— Oh! — Yuuri esticou o corpo, tirando as mãos da poltrona para coloca-las sobre os joelhos de Viktor. O boato. Aquela primeira mentira, tão inocente, tão insignificante, que havia— As conversas com Viktor, a culpa— O cliente na hospedaria que sempre viajava com o melhor amigo. E Yuuri havia dito aos pais que ambos— Era uma mentira, não mais que uma mentira. Mas havia aberto seus olhos para algo até então invisível. Seus pais não pensavam como a maioria das pessoas.

Viktor não dizia nada. Apenas aguardava Yuuri com alguma expectativa. Como se temesse algo. Yuuri percebeu, num misto de alívio e surpresa, que Viktor não sabia se ele teria a mesma reação de antes.

Tentou dizer alguma coisa. Por que todas as palavras soavam tão vazias? Abaixou o rosto, mordendo o lábio, ansioso pelo tempo que a resposta tomava. Viktor tinha as mãos juntas, tensas, levemente trêmulas. Yuuri as segurou, erguendo novamente o rosto. Não sabia o porquê, mas sorria.

— Então você também aprendeu algo sobre mim.

Num segundo havia apenas um alívio tão grande que Yuuri não conseguiu prever a próxima reação de Viktor. No outro segundo havia mãos nas maçãs de seu rosto. E uma pressão desconhecida contra os lábios.

Não reagiu nos primeiros segundos. Estava rígido, em choque, apenas tentando registrar...

Sabia como enxergava Viktor. Mas jamais havia imaginado nada do tipo entre ambos. De repente não fazia sentido que nunca o tivesse feito. Era estranho e familiar ao mesmo tempo. Não sabia como responder, tampouco prosseguir, mas fazia sentido. Viktor tentou afastar o rosto, e havia algo de errado. Yuuri agiu sem pensar, puxando-o pelos ombros para que ficasse onde estava, arriscando-se a mover os lábios para melhor sentir os de Viktor. E deu certo. Finalmente pôde senti-lo respirar, relaxar, mesmo que apenas um pouco. As mãos mais confiantes no rosto. Uma delas descendo até seu pescoço, com carícias lentas que arrepiavam.

Conseguia apenas sentir.

Tal como conseguia sentir os soluços mal contidos de Viktor e as lágrimas que rolavam por seu rosto.

— Viktor? — Sussurrou apavorado sem mover o rosto.

— Eu prometi a mim mesmo que faria certo dessa vez.

A realização fez com que Yuuri sentisse o desamparo como se fosse seu. Aquilo era o que havia acontecido. A razão para a acidez de Viktor, a desconfiança, a quase reclusão. Aquilo, aquele momento, já havia acontecido. Yuuri já o havia confortado antes, e sequer tinha lembranças do momento. Abraçou-o, promessas na ponta da língua que já não tinha coragem de fazer.

 

Ficaram em silêncio ao longo da próxima hora. Havia o receio de palavras que poderiam ser esquecidas. Havia euforia que assustava pelo simples fato de estar ali, tão presente após dias de pânico e dúvidas incessantes. E havia a sensação de um momento delicado nas mãos, um momento de beijos trocados em segredo, ainda que ninguém os pudesse ver, que ninguém jamais fosse saber.

 

Yuuri tentou procurar Yurio naquela tarde. Queria resolver as coisas, pelo menos afirmar que estava tudo bem. Mas ao bater em seu quarto, apenas o silêncio respondeu. Yurio estava lá. Era certeza, visto que não se encontrava em nenhum outro lugar da casa. Yuuri ficou de costas para a porta, recostando-se nela e deixando-se levar pela gravidade, até estar sentado no chão.

— Só pra você saber... Pode contar comigo aqui fora.

Sabia que não haveria resposta. Queria ser capaz de mais, de pelo menos fazer a escolha certa de palavras para garantir conforto, reconhecimento, qualquer coisa. Ficou de pé, batendo nas roupas, preparando-se para a reunião da manhã seguinte.

— E eu sinto muito. De verdade. Eu sei que você não... — Veio finalmente a sensação de estar falando sozinho. Ou que Yurio poderia estar do outro lado, revirando os olhos, exausto daquele discurso. Yuuri virou para o lado, prestes a ir embora, quando o instinto falou mais alto. — Eu provavelmente estava tentando te proteger. Sei que não gosta disso, mas mesmo assim... Eu não vou parar, ouviu?

Engoliu a frustração enquanto seguia pelo corredor.

 

O viu apenas de relance depois do jantar. Todos haviam terminado de comer quando Yurio entrou na cozinha, sem dar espaço para que lhe fizessem qualquer pergunta. Yuuri ao menos sentiu certo alívio ao constatar que viera direto do quarto. Alívio e notas de fracasso.

 

O período da noite continuava sendo o pior.

A sensação das sombras não mais só inquietas, como também agressivas. Vindo de todos os lugares, sussurrando seu nome, ameaçando chegar mais perto. Fechava os olhos, querendo dormir e temendo a fragilidade trazida pelo sono.

Só não queria estar sozinho.

 

Ouviu batidas na porta.

Levantou da cama. Não pensava, apenas se movia, algo frio na boca do estômago, mas apenas isso. Lá estava Viktor, com seus olhos baixos, suas mãos nos bolsos das calças que não combinavam com o horário. Yuuri, trajando apenas uma longa camisola e calças folgadas, sentiu-se despido. Exposto.

Por algum motivo, estava confortável.

Deu espaço para que entrasse, sem conseguir encarar os olhos de Viktor quando estes o buscaram. Viu de recanto seu caminhar lento, cuidadoso. Fechou a porta e percebeu que conseguia ouvir as batidas do coração.

Foram três seguros para se virar. E nesse pequeno espaço de tempo, pensou em tudo que poderia dizer.

Mas de repente teve uma visão semelhante às das tardes na sala de leitura. Viktor o observava com uma intensidade diferente. A lua atrás fazia com que seu rosto ganhasse contorno. Ele sempre parecia tão etéreo contra alguma iluminação, mas pela primeira vez, era alcançável. Era tocável. Yuuri esticou os dedos, experimentando deslizá-los por seu rosto. Os olhos azuis fecharam e Viktor moveu o rosto na direção do toque, aproximando os dedos de Yuuri de seus lábios.

Yuuri já havia desejado antes. No começo, sem palavras, quando apenas observava homens à distância e perguntava-se o que causava as reviravoltas no estômago. Depois com palavras, ainda que não as admitisse em voz alta. Excitação. Calor.

Sexo.

Aquela única palavra que uma vez aprendida, havia mudado tudo.

Os lábios de Viktor eram sempre tão... Algo que não podia nomear. Vermelhos demais. Macios demais. Apoiou o polegar em seu lábio inferior e, sem perceber, puxou para baixo. Só queria facilitar o movimento, mas ao sentir a língua quente contra sua pele, soltou a respiração de uma vez. Viktor respirava de forma acelerada, e havia algo de culpa em seu rosto. Algo que se apagava, pouco a pouco. Apagava conforme deslizava a língua pelos dedos de Yuuri. Conforme incentivava que entrassem em sua boca. Conforme os mordia, partindo das juntas e deslizando os dentes até o final.

Yuuri não soube o que fazer com o instinto que queimava, então seguiu o único caminho conhecido. Puxou a mão de volta, colocando ambas no rosto de Viktor, sem se importar com a umidade dos dedos. Puxou-o num beijo descoordenado, suspirando alto ao sentir o contato entre línguas. Puxou o cabelo de Viktor sem perceber, e no minuto seguinte, tinham os corpos colados. Tinha mãos em seus quadris que o puxavam para mais perto, ainda que fosse impossível. E gemeu ao sentir a fricção entre os corpos. Continuava a beijar Viktor, rápido, urgente, como a mão a puxar os fios louros da nuca, como a outra mão que lhe agarrava o ombro num pedido mudo para que não parasse.

E continuava a movimentar os quadris. Queria separar as coxas, e ao mesmo tempo queria fechá-las. Era o mundo e ainda pouco. Passou um dos braços pelos ombros de Viktor, como se pudesse ataca-lo por completo. E Viktor entendeu antes que Yuuri mesmo compreendesse, tomando-lhe as pernas e fazendo com que passassem por sua cintura.

Yuuri afastou o rosto, sem fôlego, afundando-o no ombro de Viktor. Exalou alto, tentando continuar a mover os quadris, abrindo os olhos ao sentir os lábios de Viktor em seu pescoço. Não parecia que Viktor sabia o que fazia, precisamente, mas tinha bons instintos. Mordia, lambia e sugava a pele como se fosse a coisa mais natural do mundo. Yuuri olhou para o lado, dando mais acesso e mordendo o lábio com força, deparando-se com—

— Cama. — Tentou uma vez, não reconhecendo a própria voz. Limpou a garganta, fechando os olhos por um segundo. — Cama. — Agora com mais confiança. — Rápido.

Viktor riu, sem fôlego, mas fez como pedido. Carregou Yuuri até a cama, e ambos ficaram de joelhos, ajustando-se até estarem na metade do colchão.

Tiraram um minuto para apenas se olharem. Yuuri quase sentiu culpa pelo desarranjo no cabelo de Viktor, por seus lábios que— Seria impressão, ou o inferior tinha um corte?

Mas Viktor já não mostrava culpa alguma, e era mais do que Yuuri podia querer.

Seguiu para seus ombros que subiam e desciam. A camiseta meio aberta, desajeitada. As mãos sobre as coxas entreabertas e...

Bem, não fosse prova o bastante ter sentido contra si, ali estava seu membro marcado pelas calças. Sua boca estava seca. Os dedos trêmulos pela vontade de tocá-lo.

— Yuuri.

Ergueu o rosto, prestes a se desculpar. Mas Viktor estava sério.

— Eu sei que você... — Parou para tomar fôlego. Yuuri percebeu como era difícil manter o foco em qualquer coisa que Viktor dissesse. — Eu sei que você não vai se importar com isso. Mas eu preciso dizer de qualquer forma, caso... Caso dessa vez seja diferente.

— Certo. — Falou por falar, apenas para que Viktor terminasse logo. Queria tocá-lo como se estivesse viciado.

— A minha primeira vez... — Viktor ameaçou tocá-lo, afastou a mão e, por fim, num gesto de renovada confiança, tomou o rosto de Yuuri. — Foi aqui. No meu primeiro mês nessa cidade. Eu fui num daqueles... Bordéis. Próximos ao rio. Eu só... Eu nunca tinha—

Yuuri levou a mão até aquela que tocava seu rosto. Cariciou-a, incentivando. Entendia porque Viktor repetia a informação da última vez.

— Foi a primeira vez que me permiti ficar com... — Fechou os olhos, deixando o ar escapar. Seus ombros relaxaram como poucas vezes Yuuri tinha visto. — Um homem. Eu era— Eu era imaturo. Eu não consegui tocá-lo, praticamente. Ele só... Fez uma coisa. Por mim.

Yuuri viu a culpa refletida novamente em seus olhos. E voltou a beijá-lo, dessa vez com calma, paciência. Afastou-se apenas o suficiente para deixar as testas unidas.

— Foi libertador. E assustador, ao mesmo tempo. Eu temi durante... Dias, semanas, que fosse acabar doente como aqueles garotos de rua. Era algo que meu pai acreditava, pelo menos, que... — Viktor balançou a cabeça, praguejando em russo. — Me diga que não envolvi meu pai nisso.

Yuuri riu, passando a mão por seus cabelos, ajeitando-os um pouco.

— Só prossiga.

— Certo. Isso era algo que... Ele acreditava. E que eu também. Que eu já estava doente, e que no estágio final eu—

Yuuri percebeu seu tom ganhando algo de desespero.

— O que eu te disse antes?

— Antes? — Viktor perguntou confuso, suas sobrancelhas erguendo ao compreender em seguida. — Antes. Bem, você me abraçou, antes de tudo.

E Yuuri fez justamente isso. Viktor riu, acariciando suas costas.

— E foi quando você me contou a história dos seus avôs, dos livros que leu. Bom, que você viu.

Yuuri jamais conseguiria descrever o alívio em ver Viktor sorrindo divertido outra vez.

— E me disse que seus pais nunca viram nada de errado nisso. E eu achei um absurdo, claro, mas você me prometeu que... Quando saíssemos daqui, me apresentaria a eles. — No rosto de Viktor, uma pergunta tímida. — Disse que falaria de mim para eles. E que eles... Ficariam felizes. Por nós.

Yuuri sorriu. Pelo menos sua antiga versão sabia como utilizar as palavras.

— Eles vão te oferecer tanta comida que nunca vai conseguir sair da nossa cozinha.

Viktor riu, sutilmente. E através dos olhos ainda fechados, vieram as lágrimas. Era um alívio que machucava, doía, justamente por não acreditar estar ali.

— Você também viu que fiquei abalado. Pela minha última... Experiência. — Algo próximo de um sorriso veio junto das lágrimas. — Disse que pegaríamos o dinheiro das joias e tiraríamos tanto aquele homem quanto seu amigo das ruas. E pela descrição dos dois, disse que se dariam muito bem juntos.

— Essa é nova.

Viktor riu, concordando. Ficaram num silêncio quase confortável, restando apenas saber como prosseguir. Yuuri sabia o que queria. Mais do que isso, sabia o que precisava ser feito. Esticou a mão para tocar o rosto de Viktor, contornando o queixo, subindo até sua têmpora esquerda. Afastou o cabelo do rosto e, subitamente percebeu, aquele momento. Aquele simples momento era o mais importante que já vivera. Não importava o que acontecesse, havia chegado até ali.

Reclinou-se até poder beijá-lo novamente. De forma leve, como quem toma cuidado com uma criatura assustada. Passou a mão por seu pescoço, puxando-o para mais perto. Até poder abraça-lo. Até imaginar que conseguia sentir no peito o outro coração batendo.

Queria deixar assim por mais tempo. Pareceu que tarde demais – e não cedo o bastante – haviam recuperado o ritmo anterior. Viktor passando as mãos por seus braços, suas costas, Yuuri descobrindo, finalmente, quanto suas mãos ficavam pequenas espalmadas pelos ombros de Viktor, sentindo cada contração de cada músculo. Atingido pela impaciência, retirou-lhe a camiseta, surpreso ao ouvir a risada de Viktor. Jamais imaginou que pessoas pudessem rir durante o sexo. Era como um momento intocável, paralisado no tempo.

Como Viktor.

Segurou o rosto de Viktor. Tão humano. Como nunca havia percebido? Fechou os olhos e deslizou os lábios entreabertos do rosto ao pescoço, ignorando como as mãos no interior de suas coxas deixavam-no sem ar. Focou em sentir seu peito descer e subir com a respiração entrecortada. O abdômen que retraiu diante das pontas dos dedos geladas. Hesitou ao chegar no tecido das calças, precisando conferir uma última vez antes de prosseguir. Abriu os olhos, deparando-se com a tensão nos olhos de Viktor. Tensão que foi oculta pelas pálpebras e evaporada com um aceno afirmativo.

Um gemido involuntário escapou ao sentir a rigidez do membro sob as calças. As mãos de Viktor pararam. Yuuri aguardou o pedido para que parassem, até perceber, estremecendo, que Viktor estava ansioso. Aumentou a pressão, massageando-o aos poucos, ganhando confiança com os suspiros de Viktor. Confiança para abaixar suas calças parcialmente, perceber que ainda vestia roupas de dormir e arrancá-las impacientemente. Terminou pouco depois de Viktor, fazendo com que ambos se deitassem lado a lado.

Era surreal. Sentir prazer a cada toque, sentir como se seu corpo já fosse mais só seu. Descobrir cada combinação de sensações pelo corpo. Ficou constrangido com o tom atingido pela voz quando Viktor mordeu seu pescoço enquanto masturbava-o tão lentamente que chegava ser tortura. E sentiu-se vingado ao arrancar o mesmo som de Viktor, seguido de uma expiração longa, ao deixar seu aperto mais justo. Não demorou a perceber que Viktor não se importava que fosse mais... Firme. Em qualquer sentido. Sua respiração sempre parava alguns segundos quando Yuuri passava os dentes por seu pescoço, pelos ombros, perto da orelha, como se esperasse mais. Até que Yuuri se arriscou a mordê-lo. Arriscar seria muito crédito. A verdade era que Viktor havia descoberto um ponto particularmente sensível em seu membro, próximo à ponta, e ao passar o polegar repetidamente pela área, Yuuri aperto os dentes por instinto. Viktor jogou a cabeça contra o travesseiro, mordendo o lábio com força enquanto prendia a respiração, até deixar escapar um som gutural.

Yuuri sentiu que a mão em si ganhava velocidade, e teria se sentido vitorioso, não estivesse próximo do limite. Só queria que Viktor o atingisse antes. Já não coordenava os braços, as pernas, a boca. Apenas tentava tudo ao mesmo tempo – beijar Viktor, segurar seu rosto, seu pescoço. Sentiu o primeiro puxão no ventre alertando que não aguentaria mais. As costas caíram no colchão e a mão livre puxou o braço de Viktor para ficasse sobre o próprio corpo. Não pensava. Respirava com a boca colada a de Viktor para não correr o risco de gemer alto, chamando a atenção de alguém de fora. Mas era inútil. Quanto mais próximo, mais alta e urgente era sua voz. Até desistir. Relaxou as pernas, segurando a nuca de Viktor para que não se afastasse, o alívio escapando pela garganta com um último gemido prolongado.

Parte do cérebro registrou que Viktor tremia. Por um instante, Yuuri entrou em pânico, percebendo que havia arranhado do meio dos ombros até a parte inferior de suas costas. E então percebeu que o membro em sua mão pulsava, ainda em meio ao orgasmo.

Continuou até que Viktor acabasse. E depois continuou, guiado por pura intuição, sorrindo de canto ao sentir seus quadris ondularem mais alguns segundos, antes de ouvir um som exausto, não mais que um fio de voz.

Deixou que o braço caísse de lado, erguendo-o apenas quando Viktor voltou a se deitar de lado, os olhos fechados e uma expressão sublime no rosto. Yuuri havia descoberto como era ter um orgasmo arrancado do corpo por outra pessoa, e ainda assim, a maior satisfação vinha de ter sido o responsável por aquele sentimento. Apoiou-se nos cotovelos, reclinando para que pudesse depositar um beijo curto sobre o peito de Viktor.

— Te machuquei? — E então o constrangimento pela rouquidão. Até que havia demorado.

Viktor riu, incrédulo.

— Jamais poderia.

Não soube o que fazer com o sentimento ao ter Viktor olhando em sua direção, o sorriso sincero e promessas guardadas.


Notas Finais


Uma coisa que amava nas fanfics era quando o autor colocava feliz, logo no comecinho, que haveria lemon/smut no capítulo. Assim dava pra ler já na expectativa do que viria.
E AGORA, JÁ DIZIA ROBERTO CARLOS, ESSE CARA SOU EU, AAAAAAAA, realizei meu sonho de princesa oficial!!!
Tendo já surtado hasuashua eis algumas notinhas.
Minha insegurança pelo último capítulo me fez querer postar esse mais cedo. Aparentemente é assim que vou lidar com crises de fanfic. xD
O próximo ainda quero postar nesse domingo, mas caso não tenha terminado, fica pra próxima quarta.
Sobre o capítulo, espero que nada tenha ficado confuso ou corrido. Nunca escrevi +18 nesse estilo e não faço ideia de como esteja (já perceberam como é difícil achar termos bacanas em português??). Tentei fugir do clichê, mas... Argh, coisa difícil HASUAHSUAHU.
E um bixcoito pra quem adivinhar quem foi a primeira vez do Viktor. ∠( ᐛ 」∠)_.
(...acho que é isso aí, NO PRÓXIMO A FANFIC CHEGA NA METADE, SOCORRO, METADE, e o mistério dos monstros acaba! Bom, em partes... Boas partes... Não faço ideia de no que me meti. ._.)


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