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História Nevoeiro âmbar - Capítulo 23


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Capítulo 23 - Largo Grimmald, n 2


Casa acima da colina - George

Hermione não me deu sequer o tempo necessário para pensar no que falava, menos ainda para montar em uma estratégia eficiente para salvar a feiticeira, ela simplesmente voou desvairada colina acima, então mergulhou direto na névoa deixando um rastro de cinzas das Banshee que se aproximavam. Confesso que a mudança me deixou estarrecido, quase encantado, a força e a brutalidade, a leveza e a fúria, desviando, atacando, como um furação racional e inteligente que perdeu o controle; era fascinante e ao mesmo tempo assustador ver Hermione Granger, sempre centrada, enraivecida. Sua ira me causava arrepios.

Deixei a admiração de lado quando Morrigan enfim previu o perigo que a bruxa representava e preparou sua foice para fatiá-la, chamei minha vassoura e flexionei as pernas, alcei voo e acelerei, precisava ser a retaguarda de Hermione, precisava proteger suas costas enquanto ela atacava.

Hermione lançou um Avada Kedrava tão poderoso na deusa que o som do feitiço foi como um zunido agudo e sua onda de choque afastou a maior parte da névoa. Morrigan se curvou e suas veias pretejaram, a deusa então gritou e projetou um enorme turbilhão em todas as direções, Shamira foi arremessada para longe e Hermione para trás, incapaz de parar por ter sido pega no epicentro, dou uma guinada e avanço o mais rápido que posso contra o vento.

O resgate não foi bonito, o choque quase nos derruba da vassoura, porém consegui estabilizar o suficiente para seguir em voo baixo até a ravina, ponho Mione delicadamente no chão e faço todos os feitiços de primeiros socorros que consigo me lembrar, paro apenas quando ouço ela murmurar alguma coisa sobre laranjeiras. Só então olho ao redor.

A colina estava morta, sem o verde antes tão característico, o ar cheirava a morte, porém o nevoeiro havia ido embora, assim como a deusa. Antes, onde havia o casebre, agora era apenas uma cratera com destroços das nossas coisas e fuligem, muita fuligem. O ribeiro também foi afetado, do lugar onde Morrigan estava a alguns minutos, escorria xurumi negro que contaminava as águas cristalinas.

Engulo a lástima e subo na vassoura novamente, vejo Shamira caída a vários metros da cratera, ela havia derrubado uma arvore ao ser lançada para longe e mesmo assim ainda tentava se levantar e fazer sinal para mim. Pouso ao seu lado sentindo meu corpo inteiro se retorcer de ódio, foi ela quem trouxe Morrigan até nossa porta, e foi Morrigan, por sua vez, quem destruiu minha casa e quase matou Hermione. Ainda assim, tiro meu casaco e a camiseta xadrez e entrego a ela, não deixaria nem meu pior inimigo voltar para casa despido.

- Obrigada George. Como está a Hermione?

Franzo o cenho para ela.

- A culpa disso tudo é sua. É melhor você se mandar daqui antes que eu crucie você.

Vejo que os olhos dela se arregalam com o tom hostil da minha voz, sinto uma pontinha de remorso, sabia que na verdade Shamira não tinha ideia que Hermione e eu havíamos invocado Morrigan, ainda assim, isso não descartava o fato de que aquela luta não era nossa e que sermos próximos da feiticeira havia nos metido naquilo.

Ela concorda com um aceno mínimo e resgata sua pistola.

- Espera. - digo quando a vejo seguir rumo a floresta – O que aconteceu com Morrigan? Ela morreu?

- Como se vazo ruim quebrasse tão fácil! Não, mas ela vai ter sequelas e acredito que seu espírito demore a retomar forma completa. Dublin está salva, viva! - diz ela com um tom sarcástico – Olha, desculpa ter trazido a luta até sua porta, não era minha intenção, mas aconteceu. Vou pedir para alguém trazer ouro para vocês, por causa do estrago… e também, volto em duas semanas para iniciarmos o ritual.

Inclino a cabeça em sinal de afirmação, ela sorri e se vira novamente.

- Eu sei que a culpa não foi sua. - digo.

- É claro que foi, George. - diz ela andando mais rápido – Sempre é.

Antes que eu pudesse retrucar Shamira sumiu entre as arvores, soltei um suspiro cansado e invoquei meu patrono, o macaquinho deu uma pirueta e fez uma dança esquisita, pensei em como meu patrono me lembrava Fred e senti meu coração apertar. Desde sua morte havia ficado mais e mais dificil invocar o feitiço, nos primeiros meses a tristeza era tanta que as vezes era perseguido por dementadores quando voltava do Caldeirão Furado para a Toca. E mesmo que tentasse com todas as forças recuperar memórias felizes, lembrar de momentos engraçados e idiotas, simplesmente não conseguia e acabava tendo que aparatar para a proteção de casa.

Chamo o patrono com um gesto de mão, ele faz de conta que não vê e continua piruetando. Solto um riso animado e digo dali mesmo.

- Vai até Harry e Gina, diga que estou levando Hermione para Casa Black. Sem gracinhas.

Ele faz uma careta como se dissesse “até parece” e some deixando um vácuo no ar. Monto na vassoura e volto para onde deixei Mione, ela ainda está deitada na ravina baixa, fico estranhamente feliz por aquele lado estar menos selvagem do que o de perto do rio, a bruxa parece estar deitada sobre uma cama de plumas.

Pego ela e beijo seus lábios bem de leve, depois me concentro no Largo Grimmald, nº2 , eles haviam praticamente casado e agora viviam na antiga casa de Sirius, mesmo sendo um lar escuro e frio, Harry não suportou a ideia de deixar a casa do padrinho cair aos pedaços, então havia se mudado para lá logo após conseguir seu trabalho como auror no ministério, Gina foi logo depois.

Sequer preciso bater na porta, o Eleito está diante de mim quando aparato, seus olhos correm para Hermione e vejo o pânico instalado ali quando percebe que ela está desacordada e machucada.

- Ela está… - sua voz falha uma oitava.

- Não, ela desmaiou de exaustão e os ferimentos são uma longa história. Minha casa está destruida e preciso muito de um banho, posso entrar?

Ele dá passagem e entra atrás de mim, fechando a porta. A casa Black agora não parece tão sombria, Gina e Harry (com a ajuda de Mione) enfim conseguiram tirar o quadro da mãe de Sirius e o substituiram por pinturas bucólicas de Luna, fotos da época de Hogwarts, pôsteres de times de quadribol e bandas bruxas e trouxas. Até o papel de parede está diferente, antes de um cinza vazio, agora exibia tons de carmim detalhado com flores, passaros e heras douradas.

- Leve Hermione para o quarto de hóspedes. - diz Harry tomando a frente – Acomode ela lá, vou ligar para Gina e Rony.

Estou tão cansado que simplesmente concordo sem discutir que horas antes Ronald havia surtado e eu quase tinha pulado em seu pescoço, sigo pelo corredor até o quarto de hóspedes, Gina havia decorado o local com quadros mais neutros (um deles era a representação de Hogwarts, claramente feita a mão – Luna era realmente talentosa), a parede exibia uma pintura azul claro e havia um cata sonhos na janela com algumas plantinhas.

Deitei Mione na cama e sentei ao seu lado, nós estamos acabados e sujos e mesmo assim ela parece linda com os cabelos espalhados pelo travesseiro cor de rosa, não resisto e deito ao seu lado a abraçando como se fosse um travesseiro, ela resmunga e me abraça, porém não acorda. Sei que Gina vai me matar por deitar tão imundo nos lençóis claramente lavados, mas o cansasso misturado com o aconchego da mulher ao meu lado fazem eu fechar os olhos e relaxar. Caio no sono imediatamente e quando acordo tudo está escuro, sinto lábios na minha testa e sorrio.

- Bom dia. - digo me espreguiçando.

Hermione dá uma risadinha sofrida.

- Está mais pra boa madrugada. Parece que fui atropelada pelo Nôitibus Andante e estamos fedendo.

Aperto ela um pouco mais.

- Sei que a gente tem que levantar, mas porra, aqui tá tão gostoso! Por que diabos a gente nunca dormiu junto antes?

- Foi você quem basicamente se mudou pro sofá.

- Me arrependo amargamente.

Ela me cede uma risada sonora e não resisto, beijo todo o rosto fedorento dela.

- Ai! Para, para! Vou te matar com a inhaca! - ela senta e tateia a banquinha ao lado da cama até achar o abajur, ao acender a luz dá uma boa olhada ao redor – Então estamos no Largo Grimmald. O que aconteceu com a Shamira? Ela está bem?

- Sim, ela disse que vai nos procurar em duas semanas, disse também que vai mandar alguém trazer algumas moedas para consertar o casebre.

- Justo. E onde foi parar sua camisa?

- Dei pra ela, não queria que fosse nua para casa.

Ela franze o cenho, mas nada diz, suponho que está sentido dor.

- Os ferimentos estão doendo?

- Não. - diz categórica e sai em direção ao banheiro.

Deito novamente pensando no porquê da frieza repentina. Provavelmente falei algo errado, mas o que foi? Penso na conversa duas vezes, lembrando de cada palavra, ela estava tranquila até eu falar da camisa… que eu emprestei para Shamira… que estava… pelada! Levanto rápido quando ela entra no quarto novamente, ainda com a mesma roupa, porém cheirando a sabonete e com os cabelos molhados. Ela joga a toalha para mim e diz “sua vez”. Não contenho o risinho.

- Você está com ciumes. - digo zombateiro, Hermione só confirma minha teoria ao bufar e começar a ficar vermelha.

- Como se eu fosse sentir ciumes de um cara tão imbecil!

- E é exatamente o que você está sentindo. Não se preocupe gata, eu só tenho olhos para uma pessoa.

- Não é ciumes!

- Claro que não. - digo rindo ainda mais – Mas se caso fosse, quero que saiba que eu sequer olho para ela com qualquer intenção, só quero salvar Fred e não emprestei a camisa por querer agrada-la, só porque não deixaria nem Voldemort voltar pra casa pelado, bom, ele talvez eu deixasse… mas, o ponto é que eu só quero você. Só sonho com você. Só imagino você na minha cama, então…

Não consigo terminar de falar, pois Mione vem até mim e me beija, ela puxa a toalha ao redor do meu pescoço e cola seu corpo macio em mim, sinto seus seios encostarem no meu peito e é impossivel evitar a ereção, ela percebe e dá uma risadinha, mordo seu lábio inferior e deslizo minhas mãos até certa parte do seu corpo, uma parte bem volumosa, Mione por sua vez, enlaça meu pescoço.Terminamos o beijo esbaforidos com a falta de ar.

- Anda logo Weasley – diz ela provocante – o banheiro te espera.

- Não tô mais com tanta vontade de ir não.

Ela gargalha e se afasta, dou um beijinho em sua testa e sigo para o banheiro, tomo um banho demorado, aproveitando cada gota de água, sentindo-me mais limpo a cada segundo. Saio alguns minutos depois e ouço vozes familiares na cozinha, sigo para lá e encontro Gina, Harry, Rony e Lilá Brown sentados ao redor de Hermione.

- Diz logo o que aconteceu Hermione, caramba! - diz Rony parecendo enraivecido e preocupado ao mesmo tempo.

- Já disse, foi um acidente.

- Mentira! Isso claramente é mentira! Ninguém fica tão machucado apenas com um acidente!

- Desculpa, Mione, mas Rony tem razão – diz Harry – você claramente não está sendo sincera.

Mione olha para os dois claramente frustrada, é evidente que ela quer contar para eles, mas está com medo que a impeçam de prosseguir com o plano original: salvar Fred. Entro na cozinha e todos se voltam para mim, o rosto da Granger se ilumina como se eu fosse uma espécie de cavaleiro branco que estava ali para salva-la, sorrio para ela e sento ao seu lado, Ronald só falta rugir para mim.

- Quer nos contar por que diabos Hermione chegou aqui à beira da morte? - começa meu irmãozinho sem rodeios.

- Houve um ataque de Banshee na nossa casa.- O que nos sete infernos é Banshee? - pergunta Gina.

- Fadas das trevas. - responde Hermione ativando seu modo nerd. Adoro quando ela faz isso. - Elas são originais da Irlanda. Fomos ver uma série de mortes trouxas envolvendo essas coisas. - olho para ela admirado, com apenas uma sentença minha ela já montava toda a história. Aperto sua mão, orgulhoso. - Falei para você sobre elas, Harry.

- Então foram essas coisas que te deixaram daquela forma?

- E destruiram nossa casa.

Hermione retribui o aperto e afaga minha mão, a sensação é tão boa que quase perco o fio da meada.

- Acho que elas nos seguiram até aqui.

- Temos que relatar ao Minisério! - diz Lilá, pela primeira vez, pergunto-me o que ela está fazendo aqui, provavelmente estava com Rony quando Harry ligou. Ela olha ao redor claramente assustada. - Elas podem ter seguido vocês até aqui!

- Quanto a isso não precisa se preocupar, loirinha, a sabe tudo aqui é a maior exterminadora de Banshee que o mundo bruxo já conheceu!

- Não precisa exagerar… - diz Mione envergonhada.

- Não é exagero, vocês deviam ter visto! Ela parecia um furacão, eu que não queria estar na pele daquelas coisas.

- George!

Sorrio para ela e passo meu braço ao redor do seu ombro, trazendo-a para mais perto.

- Nisso eu acredito, Mione sempre lutou como uma leoa, nunca pegou leve nem nos treinamentos. - diz Harry sorrindo para a amiga – Mas vocês são uma dupla de bocós, por que não nos chamaram?

- Não houve tempo, Harry, se estivéssimos dentro da casa teríamos morrido, aquelas coisas explodiram tudo.

Gina me afasta e abraça a amiga, ótimo saber que minha irmãzinha, sangue do meu sangue, se preocupa mais com Hermione do que comigo, que sou seu irmão mais velho, mais lindo e engraçado. Cadê os valores familiares quando precisamos deles?

- Podem ficar aqui o tempo que precisarem! - diz ela olhando de mim para Mione.

- Obrigada, Gina, mas dessa vez não. Dessa vez quem vai ficar na minha casa é esse idiota aqui.

Nem me incomodo com o “idiota”, fico mais estimulado em saber que finalmente vou poder passar um tempo descente com ela, não tivemos paz desde que voltamos de Dublin.

- Fiquem ao menos para o café!

Concordamos e uns bons trinta minutos depois estávamos todos servidos. Rony saiu primeiro com Lilá, pediu desculpas para Hermione pela grosseria de mais cedo e disse que não se repetiria, ela disse “bom mesmo” e abraçou aquela besta quadrada. Depois disso, ajudamos os Potter a arrumar tudo e saimos antes das sete da manhã.



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