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História New Heroes School - Capítulo 1


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Notas do Autor


Hey pessoal! Eu vou ser bem breve por aqui, okay?

Então, essa é uma nova versão da antiga New Hores School, vai ser bastante alterações e etc, e eu também vou posta no Wattpad, então quem prefere ler por lá mais tarde eu coloco o link lá nas notas finais, okay?

Caso alguém queira uma foto/ imagem dos próximos personagens eu posso deixar também nas notas finais dos outros capítulos, é só pedir.

Essa história já tem 5 capítulos prontos, eu não vou a mover por comentários, mas esses são sempre bem vindos okay?

Não vou mais atrapalhar vocês aqui, então boa leitura!

Capítulo 1 - Capítulo 1 Lembranças Desagradáveis


 

Katherine Styles

 

Era o quinto aniversário de Noan, e mamãe tinha decidido que iríamos fazer um passeio de barco e passaríamos a tarde em uma ilha pouco movimentada e longe de casa, acabamos divididos em dois barcos. Harry e Noan, estavam no barco atrás de nós, enquanto eu e mamãe estávamos no barco a frente, e era de se confessar que o tempo não era um dos melhores. Estava nublado, mas o mar permanecia estranhamente calmo, infelizmente, ele não ficou assim por muito tempo. O tempo fechou, repentinamente e as ondas se revoltaram, bem no momento que passávamos por um rochedo. O vento, junto a chuva e as ondas vorazes, empurravam nosso barco em direção às grandes rochas, algum problema no motor somado aos fatores climáticos resultou nisso, e eu chorava desesperadamente e de forma compulsiva, além de escutar os gritos de pavor, daqueles que também estavam no nosso barco e isso me deixou apavorada, ao contrário de minha mãe que permaneceu calma e tentava miseravelmente me tranquilizar. Eu juro que não sei de onde aquela onda veio, mas ela chegou e fez com que o barco virasse. Afundei, e quando tentei voltar não conseguia, bati minha cabeça em um dos bancos do barco e isso me empurrou ainda mais para baixo, a última coisa que me lembro foi de um homem, ele parecia vir das profundezas do oceano, me pegou e tirou das águas, nadando comigo até onde estavam meus dois irmãos.

Algumas mais das pessoas no barco, ajudaram a me puxar para dentro, fui de encontro ao chão duro da embarcação, com meu corpo molhado, encharcando o chão do lugar. E da mesma forma que, apareceu, aquele homem se foi, com a repentina tempestade e a agitação das ondas.

Ergui meu corpo e olhei para Harry, que tinha um olhar desesperado em direção as rochas. Noan gritava e chorava em seu colo. Ergui meu corpo e meu coração apertou.

 

— Mamãe...

 

MÃE! — Me sento na cama de modo brusco, da mesma forma que acordei. Meu coração esmagava-se contra minhas costelas e sentia meus olhos arderem, culpa das lágrimas que insistiam em sair, além de um nó na garganta e um embrulho no estômago. A porta do meu quarto abre rapidamente e posso ver Anne, me olhando preocupada. A mesma caminhou em minha direção, encostando a porta atrás de si. Ela se sentou em minha cama, eu ergui meu corpo e acendi o abajur que se encontrava na minha cabeceira. Senti sua mão delicada acariciar meu rosto e permiti que as lágrimas deslizassem pelas minhas bochechas, talvez aquilo amenizasse minha dor, talvez...

 

Lembranças? — Ela questiona em um murmuro, balanço a cabeça em concordância.

 

Anne e Derick são meus pais adotivos, eles obviamente adotaram a mim e meus irmãos alguns meses depois do acidente, e são os melhores pais que poderíamos ter. Eles eram extremamente compreensivos, amorosos e pacientes, mesmo tendo que trocar eu e meus irmãos de colégio praticamente de dois em dois anos. Acontece que, eu e meus dois irmãos fomos agraciados com TDAH e dislexia, além de um ímã natural para atrairmos problemas, mas definitivamente as coisas pioraram no mês que Harry completou seus 16 anos. Logo depois ele foi para um internato e nunca mais mandou notícias, — as coisas se acalmaram um pouco, até mês retrasado, quando eu completei meus 16 anos. — Nosso irmão não vinha nos visitar nem em suas supostas férias, e sinceramente? Eu perdi o total interesse em mencionar aos outros que tenho um irmão mais velho. Ele abandonou Noan e a mim, não merecia ser mencionado como nosso irmão.

 

Talvez eu seja um pouco radical com isso... Ah, qual foi? Eu me senti apunhalada pelas costas!

 

As carícias de Anne em minha bochecha direita estavam me deixando sonolenta, eu escorreguei meu corpo para dentro das cobertas e fechei os olhos, não antes de a escutar cantarolando uma canção, não consegui nem reconhecer qual era, pois fui embalada pelo sono novamente, e dessa vez, não tive lembranças desagradáveis.

 

Abro meus olhos lentamente, após escutar meu despertador se esgoelando na cabeceira de minha cama, o relógio digital marcava às 06:10, suspirei e o desliguei, sentando-me na cama, e me vendo sozinha no quarto. Dei uma olhada pelo mesmo antes de me levantar e ir disputar pelo banheiro. Anne e Derick acordavam mais cedo, porém Noan e eu no mesmo horário, e sempre disputamos para quem vai ir para o chuveiro primeiro. Pego meu uniforme que estava em cima da minha poltrona e vou em direção ao meu destino, e suspiro aliviada quando não vejo nenhum sinal de Noan. Fecho a porta atrás de mim e a tranco.

 

Nós não somos uma família de muitos luxos, vivemos em uma casa simples. São 3 quartos, um para meus pais, um só meu e o do Noan, que antes dividia o mesmo com Harry. Não era injusto, afinal o quarto deles era o maior da casa, e eles se entendiam. E convenhamos que uma garota pré-adolescente/adolescente precisa de sua privacidade. Havia um banheiro no andar de cima e um lavabo no andar de baixo, uma cozinha parcialmente grande, uma sala e nosso quintal. Também temos um sótão, mas Harry era medroso demais para transformar o mesmo em um quarto e dormir sozinho lá em cima. Na verdade... todos éramos, então virou só mais uma dispensa para coisas velhas.

 

Sabe? Ultimamente tenho pensado muito em Harry...

 

Após me despir, tomei um banho frio e fiz minhas higienes. Escutei batidas na porta e em seguida resmungos de Noan, dou um sorriso maroto para mim mesma e vou escovar meus dentes e pentear o cabelo. Logo depois coloquei a saia azul, rodada do uniforme e a blusa social branca. Ajeitei a mesma e me olhei no espelho.

 

Meu cabelo castanho estava preso em um rabo de cavalo alto, somente os dois primeiros botões da camisa estavam abertos, para não me sufocar, suas mangas iam até meus cotovelos e a saia ficava três dedos acima de meus joelhos. Eu não tenho paciência para me maquiar de manhã, afinal só vou para o colégio, Anne sempre dizia que se eu fizesse um “delineado” preto destacaria muito bem meus olhos azuis, só que a preguiça acaba ganhando todas as vezes que penso em seguir esse conselho. Coloquei o colete com o símbolo do colégio, dei uma última olhada no espelho e sai do banheiro.

 

— Bom dia flor do dia. — Zombo assim que vejo Noan do lado de fora e ele me olha mal-humorado. Entrando no banheiro e batendo a porta. — Seu humor é contagiante! — Meu tom é irônico e logo volto para o meu quarto, para calçar as minhas meias e sapatilhas. Assim que estou pronta pego minha bolsa, que já estava arrumada e desço para tomar café da manhã.

 

— Bom dia filha! — Derick me cumprimenta sorridente e eu retribuo o sorriso, dou um beijo em sua bochecha.

 

— Bom dia pai. — Ando até Anne e a abraço por trás, colocando minha cabeça encostada em seu ombro. Ela estava na pia lavando alguma coisa. — Bom dia mãe! — Ela sorri e me dá um beijo na testa, pego uma caneca e coloco café na mesma, em seguida coloco o leite e Derick faz uma cara de nojo. Ele odiava café com leite. Rio da expressão do mesmo e pego um pedaço de bolo.

 

Derick é um homem calvo, com barba grisalha, baixinho e barrigudo, ele diz que é culpa das nossas sextas da pizza, mas sabemos bem que ele adora comer em fast-food no horário de almoço no trabalho. Seus olhos são castanhos e ele usa um par de óculos quadrado e isso o deixa com “cara de pai”, já Anne tem os cabelos castanhos que vão um pouco abaixo de seu ombro, é magra, porém não é alta. Seus olhos são verdes, e ela tem um sorriso que contagia qualquer um. Já meu irmão Noan tem o cabelo loiro escuro, olhos verdes e é um pouco mais baixo que eu, ele lembra um pouco o Harry, a diferença, mais evidente é a cor de cabelo. Meu irmão mais velho tem o cabelo no mesmo tom que o meu, castanho escuro, e tem covinhas, uma característica que infelizmente não herdei. Ele é bem mais alto que nós dois — e isso virou sua tarefa favorita, adorava nos zoar com esse fator.

 

Bom dia. — Noan aparece e se senta na mesa, nós o cumprimentamos e nosso café seguiu normalmente, falando do escritório que nosso pai trabalha, alguns doces que nossa mãe viu na internet e queria tentar fazer e, em quais seriam nossas aulas do dia. Derick nos deixou no colégio e eu fui em direção a minha sala, e Noan para a dele. O colégio não era grande, mas bem movimentado. A minha primeira aula foi de biologia, o que foi um alívio, afinal era a única matéria que conseguir atrair um pouco mais da minha atenção, ao contrário de meu amigo Christian.

 

Christian é um rapaz de uns 1,70 de altura, magro, que sempre está com boné vermelho e suas inseparáveis muletas. Ele é deficiente físico, uma deformação nas pernas, se não me engano, isso o liberava das aulas de educação física com o professor Calvin, e eu o invejava só por isso. Chris, como carinhosamente o chamo, tem cabelos castanhos encaracolados e olhos do mesmo tom, e pareceria que ainda não havia chego na puberdade, pois não tinha marcas de espinha ou aquela "barbicha" esquisita que os garotos da nossa idade costumam ter. Ele é meio desajeitado, porém uma das pessoas mais carismáticas e engraçadas que já conheci. Ele era o único amigo que eu tinha ali na sala, fora dela eu tinha... Eu tinha o Noan! Olha, eu não sou uma pessoa reservada, mas pela minha fama de ser um ímã de desastres, as pessoas acabam se afastando de mim, talvez por medo, não sei.

 

A aula de biologia passou rápido, assim como a de inglês. Logo já estava sentada na mesa do refeitório junto a Christian e Noan, eles conversavam sobre algum assunto que não entendia bem, era sobre quadrinhos, alguma coisa assim, o que não era muito interessante para mim. Não sou muito ligada ao “mundo nerd”.

 

— Katherine? — Escuto uma voz feminina me chamar e olho para a dona da voz, era uma menina da minha turma, nunca troquei mais de cinco palavras com ela. Acho que seu nome era Lena. — A professora de geometria está te chamando na sala dela.

 

— A professora de geometria? — Perguntei um pouco surpresa e ela assentiu, completando com um "Ela está na sala B13" e logo saiu dali. Respirei fundo e pedi para que Chris e Noan me esperassem ali e deixei que comessem meu lanche, não estava com fome de qualquer jeito e, ela foi totalmente embora quando soube que a professora de geometria estava procurando por mim. Essa nossa professora era um pouquinho esquisita. Eu fui até a sala indicada e bati na porta antes de entrar, ela estava lá. Seu cabelo negro como a noite, preso em uma trança e suas vestes sociais de cores neutras.

 

— A senhora queria me ver? — Questiono e ela sorri, um sorriso macabro. Senti um arrepio percorrer minha espinha.

 

— Sim, feche a porta. — Ela puxava o "s" de forma engraçada algumas vezes. Fechei a porta atrás de mim e fui até ela mesmo me sentindo um pouco receosa e com o meu subconsciente berrando para que eu corresse o mais rápido dali e para variar, eu não fiz.

 

— A sssenhorita ssabe como é ssatisssfatório enganar ssemiseusssesss tão facilmente? — Eu a olhei confusa e assustada, ela falava como uma cobra. E semideuses? Isso não é coisa de filmes? Sabe, como aquele de Hércules. Aos poucos me assustei ainda mais conforme sua aparência foi mudando. Sua língua se tornou bifurcada e seus olhos mudaram, se tornando amarelos, iguais aos de uma serpente. Seu dorso era normal, mas ao chegar no lugar que deveriam ser suas pernas, eram dois corpos de cobras.

 

Eu estou enlouquecendo.

 

Dou alguns passos para trás, apavorada pela cena e o monstro, que antes era minha professora de geometria, avança em minha direção, dando tempo apenas para que eu escapasse rodando para o lado.

 

— Mais que diabos é você?! — Pergunto incrédula com a situação e o som reptiliano que ela fez me deixou tensa. Sabia que ela não havia gostado.

 

— Como a assssim? Ssemideussesss esstão muito pouco inteligentesss ultimamente. — Ela tentou avançar sobre mim de novo, mas consegui me esquivar mais uma vez. Eu não entendia nada e esse papo de semideus definitivamente não ajudava. Ela veio novamente em minha direção e dessa vez não tive para onde ir e senti a mesma me erguendo pelo pescoço e me pressionando contra a parede enquanto eu me debatia, ela falou algumas coisas que não entendi, mas, para o meu alívio a porta se abriu, fazendo com que a mesma me soltasse, e eu acabo caindo de joelhos no chão e, instantaneamente colocando as mãos em meu pescoço, tentando ao máximo respirar fundo, na intenção de recuperar meu ar que havia ido todo embora. Eu odiava qualquer coisa, ou situação, que me deixasse sem fôlego.

 

— Katherine?! — Christian entra e ao ver a cena grita, tão apavorado quanto eu: — DRACAENA!

 

O bicho, que antes era minha professora, avançou na direção de Christian que jogou a mesma para o lado com suas muletas. A tal caiu no chão levando cadeiras e mesas consigo. Eu reuni coragem e força de não sei onde e me levantei, correndo até Christian, o puxando para fora da sala e batendo a porta atrás de nós, enquanto a nossa professora tentava se reerguer. Me sentia meio tonta, acho que foi a falta de oxigênio, mas esse fato não me impediria de correr arrastando meu melhor amigo, afinal, eu também teria que ver se meu irmão estava bem.

 

O corredor estava vazio, ali estavam os armários, um bebedouro e as duas portas para o banheiro feminino e masculino. Olhei para trás e ela vinha rápido atrás de nós, eu estava na frente quando o mostro agarrou uma perna de Chris. Como ela foi tão rápida?!

 

Christian! — Gritei enquanto ele se debatia sob nossa professora. Me senti impotente e sem saída, estava desesperada. Não iria deixar meu amigo ali. Nunca. Mas não tinha nada que eu pudesse fazer. Fecho minha mão forte, sentindo uma força estranha ao meu redor, um formigamento nas mãos e uma pressão no tronco, e antes que eu pudesse continuar a raciocinar para achar uma solução, meu pensamento é interrompido pelo barulho do bebedouro sendo arrancado do chão e a água esguichando vai em jatos para cima dos dois, derrubando novamente aquele bicho, o retirando de cima de Christian, que não perdeu tempo e correu até mim de forma engraçada. Ele estava sem suas muletas e andava estranho.

 

Relaxei minha mão e a água parou, sentia meu coração pulsar rapidamente contra meu peito e uma onda forte de adrenalina dentro de mim. A tal dracaena se ergueu e rastejou novamente em nossa direção, pensei rápido e fiz a mesma ação de antes, porém meu braço estava erguido em sua direção. Foi bizarro. A água parecia uma ponta de iceberg, ou uma ponta de lança, não sei bem, o que seu sei é que atravessou pelo tronco do monstro, que parou e explodiu em pó dourado. Me senti meio fraca e vi as coisas ao meu redor girarem.

 

— Precisamos pegar Noan e sair daqui, agora! — Christian diz e, agora quem está sendo puxada sou eu, fomos até o refeitório onde vimos Noan pela última vez. Ele estava lá, sentado e cabisbaixo brincando com a comida. — Noan, precisamos ir! — Chris disse o puxando bruscamente. Senti meu sangue ferver, eu sei que não foi de propósito, mas podia machuca-lo.

 

— Cara, cadê suas muletas? E por que você está molhado? — Eu olho para Christian e ele estava encharcado, ao contrário de mim que estou totalmente seca, mesmo que não devesse, o bebedouro explodiu, eu deveria estar molhada. Nada disso faz sentindo.

 

Não que matar a sua professora meio cobra com um jato de água seja normal, mas...

 

 Nosso amigo negou e nos arrastou para fora do colégio, e é claro que os seguranças não iam nos deixar sair. Mas vocês acham que isso impediu Christian? Não! Ele bateu a cabeça dos dois seguranças uma na outra, eles caíram e o mesmo voltou a nós arrastar até nossa casa. Eu não sabia como ele conseguia andar sem suas muletas e muito menos como ele corria tão bem e rápido enquanto nos carregava.

 

— Precisamos chegar na casa de vocês o mais rápido possível!

 

— Da para você explicar que droga está acontecendo?! — Tentei parar, mas ele me deu um puxão me fazendo andar de novo.

 

— Quando chegarmos na sua casa! — Bufei e olhei para Noan que tinha um ponto de interrogação no meio da testa. Tão confuso quanto eu. Chris olhava para os lados assustado e corria como se nossas vidas dependessem disso. Em poucos minutos chegamos em casa e fomos jogados para dentro da mesma por Chris.

 

— Crianças? — Escuto a voz de Anne, e a mesma surge pelo portal da cozinha e arregala os olhos assim que nos vê.

 

— É agora Anne! Chegou o momento, fomos atacados por uma dracaena! — Christian dizia desesperado e vi os olhos da minha mãe se encherem de lágrimas.

 

— Hora de que?! Que diabos acabou de acontecer? Como você está andando sem suas muletas e o que foi aquilo que a nossa professora virou?! — Joguei um questionário em cima de Christian e quase soquei seu rosto. Ele andava de um lado para o outro, mexendo em seus cabelos por baixo do boné. Estava tenso e preocupado, o que o fez ignorar minhas perguntas. Minha mãe ligou para o meu pai e o mandou vir para casa, "chegou a hora" foi o que ela disse ao telefone, e isso foi o suficiente para ele aparecer em menos de 10 minutos em nossa casa.

 

— Christian, se acalma, vamos para sala e explicar a história para os dois. — Minha mãe diz e o nosso amigo assente de maneira frenética. Anne vai para sala e vamos atrás. Eu precisava de uma explicação.

 

— Da para você explicar que bicho era aquele?! — Tento falar calmamente para Christian, mas a voz minha voz sai entredentes e ameaçadora, ele me olha com um misto de surpresa e pânico.

 

— Katherine, fica calma! — Noan pede e eu o olho indignada.

 

Ficar calma?! — Questiono aos berros, me levantando do sofá que tinha acabado de me sentar. — Minha professora de geometria se transformou em um bicho esquisito e tentou me matar, e você me pede para ficar CALMA?!  — Ele me lança um olhar confuso e eu me jogo no sofá, bufando irritada.

 

— Olha, vocês dois... Precisam manter a mente bem aberta para o que vamos lhe contar, okay? E não me interrompa. — Anne diz e concordo com a cabeça, sabia que aquele “não me interrompa” tinha sido para mim e agora só preciso de uma explicação para isso que está acontecendo antes que minha cabeça exploda. A vejo respirar fundo.

 

— Sabe, a milhares e milhares de anos atrás o nosso mundo era comandado pelos mais diversos deuses que se possa imaginar, porém com o passar dos séculos e o desenvolvimento da sociedade e das civilizações o cristianismo ganhou força, enfraquecendo os deuses, pois eles não recebiam mais suas oferendas e nem eram aclamados. Com isso, eles puseram a se adaptar a algumas religiões e a descer para nosso mundo... onde se divertem com os humanos... Dessas relações, romances surgiram uma nova “fórmula” de criação, os semideuses, onde esses são metade deuses e metade humanos. Alguns semideuses podem viver a vida normalmente, sem nenhum tipo de poder se desenvolvendo em si. Mas alguns adquirem uma parte extraordinária, uma parcela de poder dos deuses e, eles começam a se desenvolver. Claro, que nem tudo são flores, não existem somente os deuses, existem os monstros. Esses que adoram caçar semideuses desavisados e desprotegidos... A mãe biológica de vocês. — Anne foi interrompida pela porta da casa sendo aperta, logo um Derick desesperado apareceu, quando nos viu deu um suspiro aliviado. Minha cabeça latejava com tanta informação.

 

Isso só pode ser uma piada.

 

 Derick sentou-se ao lado de Noan. Christian andava de um lado para o outro preocupado. Seus olhos não ficavam fixo em um ponto. Parecia em alerta.

 

— A mãe de vocês teve contato com alguns deuses e então... Vocês nasceram. A partir dos 16 anos, se um semideus não for reclamado ele corre um perigo ainda maior. Existe um lugar para pessoas como vocês, o lugar para onde Harry foi. O lugar onde ele está e... — Ela começa a chorar e eu me desespero, corro até a mesma a abraçando. Mesmo que isso fosse uma tremenda maluquice, explicava em partes algumas coisas que aconteciam. Agora não parecia tanto uma brincadeira de mau gosto.

 

E-eu estou pronta para soltar a linha que nos une, Katherine e Noan. — Ela diz e um trovão soa, me assustando, logo dois pergaminhos entram voando pela janela, os mesmos se desenrolam e pairam. Um na minha frente e o outro na frente de Noan. Solto minha mãe e pego o pedaço de papel para o ler.

 

"Senhorita Katherine Marie Styles, nós do Instituto New Heroes School a convidamos para fazer parte da nossa instituição educacional, onde será aceita pelo que é, não haverá expulsões e aprenderá a controlar seus dons, além das aulas normais conforme o seguimento de sua série escolar humana. Nós ficaríamos orgulhosos de ter a sua presença na nossa escola. Lembre-se, você é capaz de fazer coisas extraordinárias.

 

Atenciosamente Equipe Pedagógica NHS."

 

Eu estava trêmula e assustada. Muitas perguntas, dúvidas e incertezas estavam rondando minha cabeça, quando ia começar a falar Christian me interrompeu. Noan estava calado, quando ele ficava assustado ou confuso ele tinha essas reações. Simplesmente travava.

 

— Olha, eu imagino que tenham muitas perguntas, mas precisamos ir agora! Preciso que se arrumem, enquanto eu busco um carro parar irmos ao colégio! — Ele diz olhando para nós. Derick assente e Chris sai correndo para fora da nossa casa.

 

— Eu não sei que maluquice é essa, mas eu não vou participar! Não vou deixar vocês. — Digo me levantando.

 

— Será mais seguro para nós e vocês se forem para o instituto Katherine... — Derick diz, se levantando. Eu tentei contestar e não consegui, fui puxada para o andar de cima por Anne. Logo estava vendo a mesma arrumar uma mochila com minhas roupas. Eu não sabia o que fazer.

 

— Tire essas roupas do colégio... — Antes que ela pudesse terminar de falar, eu neguei, andava de um lado para o outro, tentando achar sentindo para alguma coisa que ela tinha contado. Ela me olhou compreensiva e deu um sorrisinho. Olhei para minhas roupas e suspirei, não vou trocar de roupa. Eu não vou sair daqui. — Você fará coisas incríveis, sweetie. — Meu coração apertou, e eu não aguentei e comecei a chorar. Não queria deixar minha mãe por essa história doida, nada disso fazia sentindo. Logo ela me entregou uma mochila cheia e me abraçou fortemente, choramos uma no colo da outra e ouvi batidas na porta.

 

Derick estava com Noan e o dois tinham os rostos inchados pelo choro, abracei meu pai e ele retribuiu, fazendo carinho no meu cabelo. As suas lágrimas molhavam meus ombros e as minhas sua camisa. Noan correu para o colo de nossa mãe e eu podia ouvir ele soluçar, o que fez meu coração apertar ainda mais.

 

Cuide dos seus irmãos, por favor. — Derick pede em um murmuro e eu concordo com a cabeça. A campainha tocou e soubemos que a hora havia chegado. Eu estava determinada a ficar, mas saber que podia os deixar em perigo, foi angustiante. Talvez fosse melhor que eu fosse. Agora eu não tenho certeza de nada. Descemos as escadas em um silêncio mortal. Abrimos a porta e quase dei um grito ao ver Christian.

 

— O que aconteceu com você?! — Noan perguntou assustado.

 

— Você é metade burro! — Exclamo e pela primeira vez escuto uma risadinha de meus pais e um "Bééééh" de Christian que me olhava ofendido. Do seu quadril para baixo ele tinha pernas peludas, parecia mesmo um bicho. Além de um par de chifres pequeno na cabeça, que por sinal estava descoberta. Ele largou aquele boné cafona.

 

— Metade bode, eu sou um sátiro! Agora vamos, não temos tempo. — Ele diz pegando nossas mochilas de nossas mãos e as jogando na caçamba da picape que arrumara. Dê onde ele tirou isso? Dou um último abraço em meus pais e Anne sussurra em meu ouvido que colocou um biquíni em minha bolsa, me fazendo dar uma risada nasalada. Entro no carro, ao lado do banco do motorista, já Noan vai atrás. Christian da partida e eu vejo meus pais somente pelo retrovisor, as lágrimas começam a descer pelo meu rosto e eu escuto soluços de Noan. Meu coração aperta.

 

Encostei minha cabeça no vidro e acabei adormecendo, estava exausta emocionalmente, e infelizmente — ou não — o sono me embalou assim que Christian começou a falar. Digamos que em momentos tensos ele não é bom em manter conversas. E eu ainda queria socar a cara dele por estar me tirando de perto dos meus pais.

 

Burro desgraçado.

 

● ● ●

 

 

Abro meus olhos e não preciso me acostumar com a claridade, o céu estava escuro e estrelado. A noite chegou, silenciosa e deslumbrante. Era época de lua cheia e ela estava lá, tão bela no centro do céu que até esqueci dos meus problemas por um momento, um bem breve. Olho para o lado e Christian ainda dirigia, cansado. Seria difícil me acostumar com... Suas pernas, eu as observava meio incomodada, seria realmente difícil. Dou um salto e olha para trás, suspirando aliviada ao ver Noan, encolhido e deitado nos bancos. Ele dormia calmo, mas seu rosto estava inchado e avermelhado. E novamente senti meu coração doer. O que será que estava passando em sua cabeça? Ele mal falou desde que saímos do colégio.

 

— Como está se sentindo? — Meu amigo burro, que insistia em ser um bode pergunta e redireciono meu olhar para o mesmo. Respiro fundo, engolindo as lágrimas. Não podia chorar, não mais.

 

— Confusa, assustada, mas torcendo para que o que vocês tenham me dito seja uma grande mentira e que você esteja me levando para uma festa de aniversário surpresa, atrasada. — Desabafo e ele suspira.

 

— Queria que fosse Kath, seria mais fácil. — Ele diminui a velocidade do carro e o parou, estacionando o mesmo perto de um cercado, a cerca contornava um relevo, não era muito alto, mas tinha uma floresta.

 

— Cadê o lugar? — Pergunto confusa e ele ri.

 

— Vamos ter que ir andando a partir daqui. — Concordo com a cabeça. — Tome muito cuidado, o colégio é protegido por uma barreira mágica, mas nada impede que os monstros ataquem e nos comam no caminho. Fique alerta. — Meu corpo tencionou.

 

Definitivamente ser devorada por um monstro não estava nos meus planos hoje. Na verdade, nada disso estava.

 

Saímos do carro e acordamos Noan, que ficou compreensivelmente triste ao ver que não se tratava de um pesadelo. Christian levava nossas mochilas e saímos andando em direção a floresta, depois de pularmos a cerca — e eu quase cai de cara no chão, detalhe não relevante —.

 

Meu amigo bode ia na frente e eu e Noan atrás dele, a floresta não estava silenciosa, o que era um bom sinal — coisa que aprendi com Derick, assistindo Animal Planet — Mas, como nada pode dar certo por muito tempo, a floresta ficou em um silêncio assustador. Christian pegou um pedaço de madeira e eu coloquei Noan mais perto do meu corpo. Continuamos andando e logo o chão começou a tremer, como se algo muito grande andasse por ali. O sátiro olhou para nós e levou seu dedo até a boca, em sinal de silêncio.

 

Sinto cheiro de semideus — Uma voz grave soou dentre as árvores e novamente meu corpo ficou tenso e coloquei Noan atrás de mim. Olhei para os lados e vi um arbusto. Cutuquei meu irmão que me olhou assustado e apontei para o arbusto, ele assentiu e foi até o mesmo, correndo silenciosamente. O tremor ficou mais forte e a nossa frente surgiu um humanoide, de uns 3 metros de altura, com uma tanga cobrindo suas partes, fiapos de cabelo desgrenhada sobre a cabeça, dentes tortos e um grande olho castanho no meio de sua testa, ele segurava um porrete de madeira nas suas mãos. — Achei semideus! — Comemorou bobalhão e desceu o porrete em minha direção. Dei um grito e corri para o lado esquerdo, enquanto Christian ia para o direito. O porrete bateu no chão, que tremeu mais uma vez, porém muito mais intensamente, me fazendo perder o equilibro, mas não cai. Aonde a arma acertou ficou um buraco. Christian veio na minha direção e me entregou uma adaga, de onde ele tirou isso?! Não tive tempo de pensar em nada pois aquele bicho já estava vindo em nossa direção novamente, só nos dando tempo de correr. Coloquei a adaga presa na barra de minha saia e continuei correndo para um lado, enquanto Chris ia para o outro.

 

Pensa Katherine, pensa!

 

Olhei para uma árvore alta, com muitos galhos, dava para subir. O problema seria subir sem que ele me visse. Eu tinha que arriscar, não podia deixar ele ver Noan, senão eu surtaria, imagina meu irmão correndo perigo?! Respirei fundo e vi que o humanoide estava atrás de Chris. Corri até a árvore e comecei a subir, com um pouco de dificuldade, e quase que o monstro me viu, mas Christian ao perceber meu plano, jogou uma pedra no olhão do gigante que urrou furioso e foi atrás do mesmo mais uma vez. Em cima da árvore, conseguia ver Noan escondido no arbusto e uma estrutura de madeira, não muito longe dali. Ignorei esse fato e fui até a ponta do galho, torcendo para que o mesmo não quebrasse com meu peso.

 

Ei, coisa feia! — Grito de cima da árvore e o humanoide me olha. — Vem me pegar, seu grande bobalhão! — Continuo as ofensas e ele vem correndo e erguendo o braço para me pegar. Era agora ou nunca.

 

Eu realmente espero que eu não morra.

 

Pulei, caindo sobre seu braço e corri, corri em direção ao seu ombro, o bicho se debatia e tentava me pegar, o que era em vão, seus braços não conseguiam, mas eu tive que ter muito equilíbrio para não cair dali e me espatifar no chão. Consegui subir em sua cabeça e me agarrei nos poucos fios de cabelo que tinham ali. O gigante grunhiu e olhou para baixo. Chris tinha enfiado alguma coisa em seu pé, e se eu não estivesse grudada nos poucos cabelos que estavam ali, teria tido uma bela queda. Respirei fundo e subi até o topo da cabeça do monstro que lembrou que eu estava ali, e antes que ele tentasse me pegar de novo, retirei a adaga da barra de minha saia e a enfiei em seu grande e único olhão. Ele berrou, mas nada comparado a antes, foi um urro horrível, estridente e eu juro que meu cérebro derreteu por um momento. Mas não tive tempo de me preocupar com isso, pois o gigante o qual eu estava montada, sumiu em pó dourado e eu senti meu corpo em queda livre.

 

KATHERINE! — E essa foi a última coisa que escutei antes de chocar-me contra o chão e perder a consciência. 


Notas Finais


Espero que tenham gostado! Não esqueçam de favoritar e deixar um comentário, okay? E quem quiser divulgar, tamo aí né?
Beijos!

O link da história no Wattpad —
https://my.w.tt/2YbJN9MwT3


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