História New love - Capítulo 56


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Categorias Once Upon a Time
Personagens Capitão Killian "Gancho" Jones, David Nolan (Príncipe Encantado), Dr. Whale (Dr. Victor Frankenstein), Emma Swan, Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags Descoberta, Emma Swan, Lésbica, New Love, Ouat, Regina Mills, Swan Queen
Visualizações 84
Palavras 4.916
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Universo Alternativo, Yuri (Lésbica)
Avisos: Homossexualidade, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 56 - Sem aceitação


Fanfic / Fanfiction New love - Capítulo 56 - Sem aceitação

Já era início de tarde, quando Regina deixou Emma em frente ao portão de sua antiga casa, onde seu pai ainda morava com Beatrice. A loira sentia um misto de emoção, pois ao mesmo tempo em que estava feliz por rever seu pai, também temia o encontro que Regina teria com sua mãe. Percebia que a morena tentava a todo custo disfarçar, mas estava na verdade com o coração inseguro e temeroso com aquele reencontro.

 

Inconscientemente, aquela situação deixava Emma inquieta. Não tinha mais dúvidas em relação ao amor de Regina por ela, porém já havia sofrido tanto pelo medo da morena em se assumir para a família, que agora não conseguia controlar o sentimento de insegurança quanto àquele encontro.

 

-"E se a Dona Cora exigir que a Regina escolha entre mim e ela?? E se a Regina vacilar, se arrepender??? Ai não, não tem porque eu pensar isso, nosso amor é mais forte que tudo, ela já me mostrou isso. Pare de ter pensamentos idiotas, Emma, não é hora para pensar em mim, mas sim na Regina, não será fácil para ela!" - Pensava a loira, ainda em frente ao portão da casa de seu pai. - "Vai dar tudo certo, a Dona Cora ama a filha, vai ser da mesma forma quando eu me assumi para o meu pai, ele me rejeitou, não aceitou, mas depois pediu perdão e hoje torce por mim como ninguém!"

 

Ao chegar àquele último pensamento, a loira se sentiu um pouco melhor. Assim, abafando qualquer outro pensamento, ela tocou a campainha e se concentrou em apenas rever seu pai e Beatrice. Alguns segundos depois, avistou a porta se abrir e dela sair um Sr. James totalmente surpreso.

 

- Mas... o que... Em??? Emma???
- Oi paizinho. - Disse a loira, rindo da reação do pai. - Não vai abrir o portão para sua filha mais linda??
- Meu Deus, é você mesmo??
- Claro que sou eu pai, não reconhece mais sua filha?

 

Sr. James seguiu para o portão de maneira atrapalhada e logo que o abriu, puxou sua filha para si, dando-lhe um forte abraço paterno.

 

- Filha!! Isso... isso é uma surpresa maravilhosa, não acredito que está acontecendo. - Disse emocionado.
- Ai paizinho, que saudades senti do senhor, parece que fiquei um ano na Itália. - Falou a loira, ainda nos braços do pai.

 

O senhor de olhos verdes saiu do abraço e segurando ainda nos dois braços da filha, encarou a profundidade daqueles olhos já tão conhecidos.

 

- Filha, você voltou. - Falou, num sorriso imenso. - Mas, o que aconteceu? Não deu certo o emprego?
- Vamos entrar pai, lá te contarei tudo.
- Claro, venha minha filha, entre.

 

Sr. James conduziu a filha até a parte interna de sua casa e logo a loira avistou Beatrice sentada no sofá.

 

- Emma???? - Disse espantada.
- Sou eu. - Respondeu a loira, adorando aquela reação.
- Meu Deus, Ems, que surpresa boa.

 

Ela se levantou rapidamente do sofá e seguiu em direção à loira, para abraçá-la.

 

- Nossa, você está ainda mais linda.
- Obrigada, Bea! Digo o mesmo de você, está linda!
- A Ems voltou para o Brasil, pode isso Beatrice?? -Falou Sr. James, ainda surpreso.
- Voltei para ficar pai.
- Ai filha, sei que você ama a Itália, mas não posso disfarçar minha alegria por saber disso. Estava muito difícil ficar longe de você. - Disse Sr. James, conduzindo a filha até a sala. - Venha, sente-se no sofá e nos conte o que aconteceu.

 

Os três se acomodaram no sofá e logo Emma começou a contar os últimos acontecimentos decisivos em sua vida. Beatrice e Sr. James escutavam abobalhados os relatos da loira e sentiam uma alegria imensa por saber que Regina na verdade sempre amara Emma e se desculpara com ela. Depois que a loira terminou de contar, Sr. James falou satisfeito:

 

- Isso é maravilhoso, Ems! Não te disse?? O que é nosso sempre volta para a gente!
- É verdade pai, o senhor sempre me disse isso. A Regina veio para mim. Nós nascemos uma para a outra.
- Não tenho dúvida disso, Ems. - Disse Beatrice. - Sempre estranhei a briga de vocês, parecia ter algo pendente.
- Sim, mas, agora solucionamos tudo, Bea. Estamos bem e vamos construir nossa vida aqui, no Brasil.

 

Sr. James não se conteve e foi até a filha para abraçá-la mais uma vez. Estava transbordando em felicidade.

 

- Filha, só faltava isso mesmo para as coisas ficarem ainda mais perfeitas!
- Hum, mais perfeitas?? O que vocês têm para me contar, hein??

 

Beatrice e Sr. James se entreolharam, cúmplices e com um sorriso no rosto, Beatrice começou a falar:

 

- Ems, você vai ganhar um irmãozinho!
- O que?? Jura???
- Sim, estou esperando um bebê!
- Aiii meu Deus!!! Que alegria!!!

 

A loira levantou-se alegre e abraçou Beatrice e o pai ao mesmo tempo. Sempre quisera um irmão e agora se via ainda mais realizada, frente à alegria que seu pai estava vivendo.

 

- Vocês merecem, merecem muito tudo isso!

 

A loira ficou grande parte da tarde na casa de seu pai conversando com ele e Beatrice.  Porém, quando já estava beirando às 16 horas o olhar da loira não se desligava do relógio.

 

- Filha, por que você está assim tão ansiosa?
- Ai pai, o senhor me conhece, né?
- Conheço bem, vamos, nos diga, o que te aflige?
- Na verdade, não estou aflita pai, mas estou ansiosa. A Regina foi se encontrar com os pais, ah, sei lá, eu acho que ainda tenho um pouco de medo em relação a isso. A família da Regina é muito importante pra ela.
- Eu sei filha, entendo seu medo. Mas, isso não irá afetar a relação de vocês, a Regina sabe bem o que quer agora.
- É estranho pai, eu sei disso, nós estamos muito bem. Mas acho que sinto isso por causa das coisas que já vivi, deve ser inconsciente, né?
- Sim filha, esse medo é normal. Mas fique tranquila, confie na Regina.
- Verdade pai, é bobeira minha. E ela vai precisar do meu apoio, não posso ficar com essas coisas na cabeça.
- Isso mesmo!

 

A loira respirou fundo, sorriu para o pai e se sentiu mais tranquila. Regina lhe amava muito e já havia se assumido para seus pais, ela realmente precisava deixar a ansiedade de lado.

 

- Tudo bem, você realmente está certo pai.

 

Ao falar aquilo a loira escutou uma buzina vinda da rua.

 

- Deve ser o Fred.

 

Emma olhou pela porta e constatou que realmente era seu melhor amigo.

 

- Bom, agora preciso ir embora. Ainda não fui ao meu apartamento e combinei com o Fred de me levar lá.
- Mas, já Emma?
- Já sim, Bea, mas logo voltarei para conversarmos melhor.
- Filha, nem sei explicar o quanto estou feliz com seu retorno.
- Eu também, pai. E agora estarei presente, mais do que nunca, quero mimar meu irmãozinho.
- Ai Deus, estamos perdidos, James. - Brincou Beatrice.
- Estão mesmo! - Riu Emma.

 

Despediu-se de seu pai e de Beatrice e seguiu para o carro, em direção ao amigo com a convicção de que ficar com Fred lhe deixaria ainda mais tranquila e também aproveitaria para matar a saudade do amigo.

 

----------XX----------

 

Após deixar Emma na casa de Sr. James, Regina passou rapidamente no escritório de advocacia em que trabalhava para justificar que não iria retornar ainda naquele dia, pois precisaria resolver alguns problemas. Em seguida a morena dirigiu até a casa de seus pais, onde ficou um bom tempo, parada em frente ao portão, pensando exatamente no que iria falar.

 

Acabou ligando para Zelena, antes de sair do carro, afinal, precisava ouvir um conselho de alguém que conhecia seus pais tão bem quanto ela. Contou rapidamente todo o acontecido para a irmã, que ficou visivelmente feliz com o desfecho da história. Em seguida perguntou para Zelena sobre os pais e para sua tristeza, a ruiva não tinha boas notícias, sua mãe ainda estava inconformada com a história e acreditava que tudo não passava de uma aventura insana por parte dela. Zelena disse que Dona Cora passou a frequentar ainda mais a igreja, como que a pedir à Deus pela "conversão" da filha.

 

Regina sentiu-se frustrada ao final da ligação. Não era possível que em pleno o século XXI, sua mãe ainda continuava com aquela visão retrógrada. Encostou a cabeça ao volante do carro, como que a tomar ar e coragem para o que estava prestes a enfrentar. Voltou a olhar para o portão e antes que decidisse ir embora dali, saiu do carro e levou a mão para tocar a campainha. Entretanto, para seu alívio, antes mesmo de chegar a tocar a campainha, seu pai, Sr. Henry, aparece na porta.

 

- Pai. - Disse ao avistá-lo. - Como é bom ver o senhor.
- Filha!!! Eu.. nossa... eu não esperava te ver aqui. - Disse encaminhando para abrir o portão. - É maravilhoso te ver também, meu amor, você me parece melhor, está com um semblante mais alegre.

 

Sr. Henry abraçou forte a filha, demonstrando realmente estar feliz por vê-la.

 

- Pai, eu consegui o que queria lá na Itália, a Ems voltou pra mim. - Disse Regina rapidamente, mas ainda temendo a reação do pai. No entanto, para sua alegria, Sr. Henry abriu um sorriso para ela, mostrando estar contente com o que acabara de ficar sabendo.
- Filha, que ótima notícia, não aguentava mais te ver sofrendo daquele jeito, eu... er... eu me senti muito culpado por tudo. - Disse de cabeça baixa. - Eu, eu rezei toda noite por você, para que você tivesse êxito na Itália.

 

Regina se emocionou com a declaração do pai. Inevitavelmente pensou como podia ele e sua mãe serem tão diferentes, enquanto sua mãe rezava para que ela se "convertesse" e esquecesse essa história de namorar uma mulher, seu pai humildemente rezava para que as coisas acontecessem do jeito que ela sonhava, mesmo sabendo o quanto era difícil para ele aceitar isso.

 

- Pai, obrigada! - Foi tudo o que Regina conseguiu dizer, sua voz já estava embargada.
- Não precisa agradecer filha, sou seu pai e quero sua felicidade.
- Pena que a mamãe não pensa assim, né pai?

 

Sr. Henry ficou quieto com o comentário da filha. Realmente não estava nada fácil fazer a esposa aceitar a sexualidade de Regina.

 

- Bom filha, vamos dar tempo ao tempo, ok?
- Ok pai, mas, eu vim aqui ver vocês e contar sobre a Ems, mas agora não sei se devo ver a mamãe, acho que ela irá me tratar mal.
- Não minha filha, vai lá sim, entre, dê um abraço nela e deixe que ela sinta falta do relacionamento bom que tinha com você. Você já está aqui mesmo, vamos entrar.

 

Regina concordou com o pai, sentindo o coração se estreitar e deixou-se ser guiada para dentro da casa.

 

- Para variar sua mãe está na cozinha, vai lá.
- Pai, estou com medo. - Assumiu Regina, tal qual uma criança.
- Filha, você sabe muito bem o que quer, não mostre esse medo para sua mãe, pelo contrário, mostre que você está feliz.

 

A morena respirou fundo e concordou:

 

- Verdade pai, sem expressões de medo e derrota!
- Isso mesmo. Agora vá.

 

Regina deixou o pai na sala e caminhou lentamente em direção à cozinha. Ao avistar o cômodo, encontrou sua mãe sentada à mesa, lendo um livro de receitas.

 

- Mãe...

 

Dona Cora assustou-se ao reconhecer a voz de sua filha mais nova e, de maneira atrapalhada, deixou o copo cheio de água se entornar sobre a mesa.

 

- Re- Regina, ai meu Deus, que bagunça, er... Regina??

 

A mãe da morena estava visivelmente nervosa, pois ao invés de ir até a filha para cumprimentá-la, apenas focou-se em passar o pano na mesa, onde a água havia sido derramada.

 

- Oi mãe , er... tudo bem?
- Tudo, já estou limpando isso aqui.
- Mãe, me refiro à senhora, está tudo bem?
- Claro, ca-claro que está tudo bem. - A senhora respondia no piloto automático e continuava a secar a água sobre a mesa.
- Mãe, será que dá para esquecer um pouquinho essa mesa e olhar pra mim?

 

Dona Cora imobilizou-se, era possível avistar seu nervosismo até mesmo da sala, onde estava Sr. Henry.

 

- Mãe, nós precisamos conversar.

 

Dona Cora, contrariada, largou o pano de prato de lado e voltou a se sentar na cadeira.

 

- O que você tem para me falar, Regina?? Sinceramente eu espero que seja uma notícia ajuizada, espero que você tenha refletido melhor e...
- Mãe, não vou mudar quem eu sou. - Disse antes de Dona Cora terminar a frase. - Como pode a senhora desejar isso?
- Eu não desejo que você mude quem é, Regina! Mas, sim que você abra os olhos e perceba que está cometendo um pecado grave! Isso não é de Deus, isso... isso é uma abominação!!!

 

Regina segurou a vontade que tinha de gritar com a mãe e racionalmente voltou a falar:

 

- Se Deus é amor, como pode ele condenar o próprio amor?? Me diz mãe?? Por que o que eu sinto pela Ems é o amor mais puro e belo que já senti na vida!!!
- Não ouse comparar isso, Regina, isso que você pensa sentir não é amor!!
- Não é amor??? O que a senhora entende por amor então?? Se casar com alguém só por que a igreja acha certo e viver para sempre presa a um casamento sem sentimentos?? Não posso acreditar que a senhora ainda acredita nisso!
- Não estou falando que você deve se casar com qualquer pessoa, Regina, mas, sim com um homem bom, que será um companheiro de verdade, você apenas não o encontrou ainda, mas sei que...
- Pare com isso, por favor! - Interrompeu Regina. - Mãe, eu não duvido que exista homens bons no mundo, mas eu gosto de mulher, não tem jeito, essa sou eu, isso me faz feliz de verdade!! Homem nenhum no mundo seria capaz de despertar um amor igual ao que eu sinto pela Ems.
- Não quero ouvir isso, não quero!!! - Disse Dona Cora, se levantando bruscamente da cadeira. - Chega de falar coisas das quais você irá se arrepender depois!! Eu sei que você voltará a ser minha filha, aquela moça obediente, ajuizada.

 

Regina sentiu um aperto forte no coração com a sugestão da mãe: "eu sei que você voltará a ser minha filha". Levou alguns minutos para conseguir assimilar aquelas palavras, pois a vontade que tinha era de chorar por ser tratada daquele jeito por Dona Cora. No entanto, se lembrou de Emma, de seu companheirismo e de seus olhos verdes que tanto iluminavam sua vida. Realmente viu se concretizar naquela conversa que nenhuma situação de revés seria capaz de abalar o amor que sentia pela loira, assim, mesmo sabendo que despertaria a fúria de Dona Cora, Regina voltou a falar:

 

- Não vou me arrepender de nada mãe, eu e a Emma estamos namorando novamente e vamos construir nossa vida juntas. Não me separo daquela mulher nunca mais, pois ela faz aflorar os melhores sentimentos em mim. Preste atenção em como estou agora, em nenhum momento gritei com a senhora ou a insultei. Sei perfeitamente que não estou fazendo nada errado e tenho agora o amparo da minha namorada.
- Cala a boca, Regina, não ouse falar essas palavras aqui na minha casa!!!
- Que palavras, mãe? Por acaso falei alguma ofensa aqui??
- Não seja irônica, menina, onde está a educação que eu te dei??
- Está comigo, mãe, sempre esteve, sei que fui muito bem-educada. E o fato de lutar pela minha sexualidade reflete bem essa educação, você e o papai sempre me ensinaram a não abaixar a cabeça diante das dificuldades da vida, por isso, não irei desistir do que eu quero, só por que você e grande parte da sociedade não aceitam.

 

Dona Cora andava de um lado para o outro da cozinha, desesperada diante da tranquilidade de Regina frente a sua condenação daquele relacionamento.

 

- Isso é loucura, você não pode estar falando sério, não pode estar tão tranquila assim.
- Pode ter certeza, mãe, estou em pedaços por dentro, por ser tratada dessa forma por você, que me deu a vida. Eu te amo muito, mãe, o amor que sinto pela senhora e pelo papai é único!
- Único?? Você acaba de falar que não ama ninguém como ama essa tal de Emma e agora vem falar de amor para com seus pais???
- Mãe, amor nenhum irá se comparar ao que eu tenho por vocês. Amor materno e paterno não se compara é muito diferente do amor que tenho pela Ems. Ela é minha namorada e quero fazê-la feliz tal qual a senhora desejou fazer o papai feliz.
- CHEGAAA!!! Isso é uma blasfêmia!!! Como ousa comparar isso??? O amor entre mim e seu pai é de um HOMEM e de uma MULHER!!!
- Não mãe, é um amor entre duas pessoas que se conheceram no decorrer da vida e descobriram que nasceram para ficarem juntos, para fazerem um ao outro felizes. É desse amor que estou falando.
- NÃO... NÃOOO... VOCÊ NÃO PODE SER MINHA FILHA... ISSO SÓ PODE SER COISA DO...
- NÃO OUSE FALAR ISSO DE MIM!!! - Falou Regina, dessa vez perdendo a tranquilidade de até então. - Até agora não ofendi nem gritei com a senhora, mas isso já é o limite da minha paciência, não ouse falar algo tão ruim assim sobre a minha pessoa!! Agora é a minha vez de te pedir para não dizer coisas das quais se arrependerá depois!
Dona Cora ficou quieta, pois percebeu que estava mesmo passando dos limites. Assim, Regina aproveitou-se para continuar a falar.

 

- Olha mãe, eu vim aqui apenas para dizer que voltei da Itália e também para dizer que estou oficialmente namorando a Emma. Isso não vai mudar, mesmo diante da sua reação, eu tenho planos com ela e pretendo começar colocando-os em prática hoje mesmo!

 

A mãe de Regina levantou o olhar para a filha e foi possível ver o quanto ela estava enfurecida.

 

- Se você deseja mesmo isso, se quer insistir em envergonhar seus pais e tudo o que construímos, espero que você esqueça o caminho dessa casa! Aqui você não entra com aquela... aquela...
                                                                  - Com a minha mulher?? É isso!!! Com a MINHA MULHER!! Pois é isso que ela oficialmente será em breve!! - Disse Regina, com o coração dolorido por conta das últimas palavras de sua mãe. - Acho que terminamos a conversa aqui então.

 

A morena caminhou em direção à sala, mas antes de deixar a cozinha, finalizou:

 

- Eu te amo mãe, mesmo diante de todos esses insultos. A senhora não deixará de ser minha mãe e se um dia perceber o quanto está agindo errado comigo, estarei de braços abertos para te acolher. Adeus!

 

Regina finalmente saiu da cozinha e a vontade de chorar lhe veio à tona. Encontrou-se de cara com seu pai, que escutara tudo, também com o coração partido.

 

- Filha. Por favor não fica assim.
- Pai, me acompanha até o carro? - Pediu a morena, chorando bastante.

 

Sr. Henry acompanhou a filha até o carro, se sentindo mal por não ter interferido na conversa.

 

- Regina, me desculpe por não a ter ajudado, eu... eu achei melhor vocês duas conversarem sozinhas, você conhece sua mãe, iria achar que estamos formando um complô contra ela.
- Eu sei pai, não se preocupe, eu falei o que tinha que ser dito, agora é deixar o tempo agir.
- Fez muito bem, filha, agiu muito bem! Sua mãe irá refletir melhor depois, quando estiver de cabeça fria. Vai perceber que ela está sem razão. - Disse Sr. Henry, abraçando forte a filha. - Não dê ouvidos ao que ela disse e não quero que você deixe de vir aqui, essa casa é minha e jamais privarei minha filha de entrar aqui.
- Eu sei pai, mas, acho melhor eu dar um tempo, não quero que vocês briguem por minha causa.

 

Sr. Henry abraçava a filha ainda mais forte, como se quisesse tirar a dor dela através daquele gesto.

 

- De qualquer forma você sabe que eu estou aqui, posso te visitar ou te encontrar em algum lugar.
- Eu sei pai, eu sei.
- Por favor, não fica assim, minha filha.
- Vai passar, pai. As emoções estão recentes, mas ficarei bem. Eu tenho a Ems agora.
- Isso me deixa mais tranquilo. Um dia quero conhecê-la melhor.
- O senhor terá essa oportunidade, pai. - Disse a morena, secando as lágrimas dos olhos e sorrindo levemente para o pai. - Eu estou pensando em fazer uma coisa.
- O que?
- Quero pedi-la em casamento.
- O-o que?? Mas, er... isso existe entre er... entre duas mulheres? - Perguntou Sr. Henry, inocentemente.
- Hoje isso já é possível pai, os cartórios já podem realizar o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.
- Nossa, não sabia disso.
- Pois é, pai.
- Mas, então você vai se casar no cartório?
- Na verdade, eu estava pensando em fazer, a princípio, uma cerimônia simbólica, uma espécie de noivado, troca de alianças. Mas preciso pedir a mão da Ems primeiro.
- Ela irá aceitar, certamente!!

 

Sr. Henry riu para a filha, deixando ainda mais tranquila.

 

- Fico feliz por ver que você está firme, Regina, achei que a conversa com sua mãe fosse te deixar angustiada.
- A conversa com a mamãe só me fez ter mais certeza de que quero passar todos os meus dias ao lado da Ems, por isso me veio esse impulso para pedi-la logo em casamento.
- Bom, se isso está te fazendo tão feliz assim, eu só posso dar minha bênção a vocês!

 

Regina sorriu lindamente para o pai, ainda com os olhos vermelhos pelas lágrimas a pouco derramadas.

 

- Obrigada por estar me apoiando nisso, pai! Seu apoio é muito importante para mim.
- Você sempre terá meu apoio, meu amor! Talvez eu demore um pouco para perceber as coisas. afinal, não sou tão moderno assim, mas quero te ver feliz, por isso te apoiarei em tudo o que for te fazer bem.
- Te amo muito, pai!
- Eu também te amo, filha!

 

Regina abraçou forte o pai e em seguida se despediu dele. Agora que estava com a intenção de pedir Emma em casamento, não conseguia pensar em outra coisa a não ser concretizar logo sua vontade. Começou a dirigir em direção ao shopping e quando lá chegou, não pensou duas vezes e se encaminhou para uma joalheria.

 

Ficou observando atentamente os mostruários de anéis até que parou em frente a um que lhe chamou a atenção. O anel era bem simples e se assemelhava a uma aliança, porém era todo cravejado em pequenas pedrinhas brilhantes, que dava uma aparência extremamente delicada para a joia.

 

- "Esse é a cara da Ems, acho que ela vai amar."

 

A morena perguntou o preço, pois não estava em condições de esbanjar dinheiro, após os tantos gastos que tivera em sua peregrinação à Itália, porém, para a sua alegria, o anel estava dentro de seu orçamento.

 

- É este! Quero comprá-lo.
- É para a senhorita mesmo? - Perguntou a atendente.
- Não, ele será para minha futura esposa. - Respondeu Regina, sem se dar conta de como aquilo ainda assustava as pessoas. Porém a morena não se incomodou com o olhar espantado da atendente e continuou a falar. - Deixa eu colocá-lo, minha namorada tem o dedo da mesma largura que o meu.
- Pois não senhorita.

 

A morena colocou o anel e se alegrou por ver que ele servira perfeitamente.

 

- Perfeito! - Disse a atendente.

 

Regina elevou a mão à sua frente e contemplou mais uma vez o anel.

 

- Realmente é perfeito!

 

A morena pagou pela joia e saiu animada da loja, ansiosa com o momento de reencontrar Emma. Quando chegou ao carro, inevitavelmente começou a pensar nos últimos acontecimentos na casa de seus pais.

 

"- Ainda não posso acreditar que minha mãe me tratou daquele jeito. Ela nem parou para ver como eu estou melhor. Como a intolerância cega as pessoas! Ai Deus, que ela perceba um dia como está errada. "- Pensou a morena, ainda com o coração apertado. Porém logo pegou a caixinha com o anel e voltou a sorrir. "- Estou fazendo o certo! Nada mudará o que sinto e o que quero viver ao lado da Ems."

 

Com aquele último pensamento em mente Regina esqueceu-se da tristeza em relação à mãe e começou a pensar em uma forma de fazer com que seu pedido de casamento fosse marcante para Emma:

 

- "Preciso pensar em algo, não quero simplesmente pedi-la em casamento, quero que seja especial."

 

Regina ficou parada no estacionamento do shopping, pensando no que poderia fazer e após longos minutos, teve uma grande ideia.

 

- "Acho que isso vai ser original!"

 

Num impulso, a morena voltou a sair do carro e caminhou mais uma vez em direção ao shopping. Adentrou uma loja específica e depois de conversar alguns minutos, mostrando algo no computador para um jovem rapaz, concluiu o seu plano.

 

- Combinado então!! Mas, que horas ficará pronto?

 

O jovem olhou para o relógio e respondeu.

 

- Bom, o shopping fecha às 22 horas, agora já são 16 horas.
- Moço, por favor, eu preciso disso o mais rápido possível.
- Bom, acho que consigo deixá-lo pronto daqui a 4 horas.
- Ótimo! Perfeito!! Você entendeu bem o que quero, não é?
- Sim, perfeitamente. Fique tranquila, ficará do jeito que você pediu.

 

Regina agradeceu ao rapaz e voltou a sair do shopping. Agora com um sentimento de ansiedade intenso, mas ao mesmo tempo feliz com a ideia que tivera.

 

- "Preciso ligar para a Ems, tenho que enrolá-la até a noite. Mas, o pior é que ela me conhece bem, vai desconfiar de algo." - Pensou a morena, já dentro do carro. - "Vou ter que inventar algo."

 

Regina pensou por mais um tempo, até que chegou a uma solução.

 

- "Vou dizer para Ems que irei para a casa da Zel, basta eu explicar que a conversa com minha mãe não foi boa, ela acreditará nisso, na verdade nem estarei mentindo, a conversa foi péssima".

 

Regina acabou sentindo nova tristeza ao se lembrar da conversa com a mãe, mas sem mais enrolar, pegou o telefone e ligou para Fred, pois sabia que Emma estaria com ele e que a loira ainda estava sem celular.

 

- Oi gata!!! Já está com saudade da sua namorada?
- Oi Fred, claro que estou! Posso falar com ela?
- Claro, meu bem, vou passar o celular para ela. Beijos
- Obrigada Fred. Beijos.
- Oi, meu amor. - Atendeu Emma, ansiosa. - Como você está? Me diz, como foi a conversa com sua mãe?
- Oi amor, eu não estou muito bem, Ems, a conversa foi muito difícil.
- Ai, minha linda, mas o que aconteceu? Sua mãe te tratou mal?
- Sim, muito mal, Ems, parecia até que estava falando com uma estranha. Eu, eu não esperava uma atitude assim dela, quer dizer, acho que até esperava, mas no fundo eu tinha esperanças de que ela mudaria. Enfim, nem sei mais o que falar.
- Amor, onde você está? Me espera que vou até você.
- Não, Ems, er... eu.. eu quero ir até a casa da Zel, quero conversar com ela.
- Mas, não acha melhor esperar um pouco? Eu, eu fico com você.
- Eu sei, Ems, é que a Zel conhece bem minha mãe, quero conversar com ela, er... você me entende?

 

A loira demorou alguns segundos para responder, mas acabou concordando.

 

- Tudo bem, er... eu entendo sim. Vou ficar no meu apartamento então com o Fred, ficarei te esperando lá.
- Ahan, er... tudo bem. Eu te encontro lá sim.
- Er... amor, está tudo bem mesmo? Er.. digo, além da conversa que você teve com sua mãe, algo mais te incomoda?
- Ah Ems, você sabe como essas coisas mexem comigo, estou chateada sim, mas, er... vai passar.
- Fica bem, amor, estou com você, não se esqueça.
- Eu sei, amor. - Respondeu Regina, ainda atrapalhada, mas sentindo um calor no coração. - Er mas, agora vou indo, mais tarde a gente se vê.
- Tudo bem, te amo.
- Te amo!

 

Regina desligou rapidamente o celular e se deu conta do quanto estava nervosa.

 

"- Meu Deus, se estou nervosa agora, imagina na hora de pedir a Ems em casamento. Calma, é a minha linda, ela me ama tanto quanto eu a amo."

 

A morena esperou mais alguns minutos até se recuperar do nervosismo e finalmente ligou o carro. Precisaria resolver alguns detalhes antes que a noite chegasse e sabia que teria pouco tempo. No entanto, em seu coração predominava o sentimento de inquietação, afinal, aquele era um importante passo e ansiava que tudo saísse mais do que perfeito. Assim, depois de dar mais um longo suspiro e deixar-se contagiar com a alegria de ter oficialmente Emma para sempre em sua vida, a morena saiu em busca dos detalhes de seus planos.

 

- "Hoje promete loirinha, me aguarde."

 



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