História New Old West - Capítulo 3


Escrita por:

Postado
Categorias Dir En Grey
Visualizações 18
Palavras 1.341
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Ecchi, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 3 - A mansão Morgan


Fanfic / Fanfiction New Old West - Capítulo 3 - A mansão Morgan

No dia seguinte logo pela manhã a garota tomou um banho e vestiu suas roupas usuais. A bota de couro que ia até pouco abaixo de seu joelho, a calça, também de couro, que aguentou muito tempo de caminhadas à beira da estrada. Uma blusa qualquer por baixo do grande casaco, um lenço no pescoço que servia como máscara para bloquear um pouco da poeira e seu chapéu que a protegia do sol. Assim que desceu as escadas do pequeno prédio que abrigava a hospedaria, pode ver a simpática e gorducha senhora de bochechas rosadas que a acolheu no dia anterior a troco de Harriet lavar a cozinha toda após o jantar dos hóspedes. Afinal, a pequena garota de cabelos cor de caramelo não tinha nenhum centavo em seus bolsos.

- Senhora Marshall?

- Diga, anormalidade.

Apesar das palavras usadas, a mulher a tratava com carinho, lhe dando um sorriso sincero e com poucos dentes.

- Poderia me arrumar os materiais para que eu limpe o quarto onde passei a noite? Para pagar a estadia.

- Não é necessário querida. Você terá trabalho o suficiente para dar um jeito na casa dos Morgan, se ela ainda estiver em condições de ser salva. E arrume roupas de mulher para andar por aqui, ou vão começar a achar que você e a filha dos Carlson tem um caso.

- Filha de quem?

- Carrie Carlson. É uma anormalidade também. Onde já se viu uma garota se vestir daquela forma?

- Obrigada pela dica senhora Marshall. Eu vou... providenciar.

A garota pegou sua mochila e jogou sobre as costas, saindo da hospedaria da velha senhora. Assim que colocou seus pés para fora o sol a cegou. Ainda não havia se acostumado à tanta claridade. Mesmo caminhando dias e dias a fio sob o sol, ele ainda a incomodava. Ainda mais agora que ela vira todas as manchas e sardas em seu rosto que o sol havia proporcionado. Assim que seus olhos se adaptaram à luz, viu o bonito cavalo negro do homem que menos desejaria ver logo pela manhã. Daisuke estava sentado em um banco de madeira à porta da tabacaria que ficava ao lado da hospedaria.

- Bom dia moça.

Ela o olhou como se quisesse matá-lo ali mesmo se pudesse.

- Espero que seja. Com licença.

Harriet jogou a mochila nas costas e rumou para o armazém de Paige, sentindo-se seguida pelo olhar do moreno que estava sentado fumando seu cigarro. Dali da porta da tabacaria se tinha uma visão de quase todo o movimento do que um dia fora Glenrio. O moreno então baixou a cabeça e riu para si mesmo. Havia feito tanto para sair do Japão e vir para a América. Agora queria fazer o caminho de volta, e não podia. Como estaria sua terra natal depois de quase vinte anos de guerra nuclear? O Memorial de Hiroshima que seu pai o havia mostrado quando era garoto, ainda estaria de pé?

Ao ver a garota se aproximar do armazém e chamar por Carrie, ele sorriu mais uma vez. Ela iria mesmo procurar a mansão Morgan. Precisaria de ajuda. Muita ajuda. Se é que aquilo ainda estaria em condições de ser recuperado. Ao ver Carrie sair e a cumprimentar, e depois se voltar para a parte de trás, o rapaz pegou seu cavalo pela rédea e foi caminhando até o armazém. Chegou no momento em que Carrie trazia dois cavalos encilhados e entregava uma das rédeas à Harriet.

- Tome.

- Mas eu não... sei montar.

- Nunca é tarde pra aprender. E... é fácil. Sabe por onde começar?

- Sei. Eu... acho.

- Encaixe seu pé aqui. No estribo. E jogue sua perna por cima dele.

Então Daisuke riu. Harriet olhou para ele como quem queria atirar em sua cabeça.

- Posso saber qual a graça?

- É o menor cavalo da cidade. Impossível que você não consiga montar.

A garota revirou os olhos, olhando para Carrie e depois para Daisuke mais uma vez.

- Eu posso saber o que é que você está fazendo aqui? Ninguém te chamou na conversa.

- Eu vou acompanhar vocês até a casa dos Morgan.

- Eu não quero sua companhia.

- Problema seu. Não vou deixar a Carrie entrar sozinha naquela casa. Se ela ainda não desabou pode ter se transformado em um abrigo de bandidos.

- Nós sabemos nos defender. Ela é caçadora, eu tive treinamento militar dentro do abrigo. Não precisamos de você.

Daisuke ficou sério, olhando para Harriet de cima. Mesmo com a garota montada no cavalo, ele ficava mais alto que ela, pelo fato de seu cavalo ser o maior que já se havia visto naquela cidade.

- A vida fora do abrigo é bem pior do que você pensa, garota. Você não sabe o que tem lá. E vocês não vão sozinhas.

Harriet quis argumentar, olhando para Carrie.

- Carrie a gente não precisa dele...

- Harriet, se ele quer ir com a gente é melhor. Daisuke conhece melhor as coisas do que nós.

 

...

 

Ao chegar na casa um pouco afastada da cidade a garota não conseguiu conter seu espanto. A casa realmente era uma mansão. Uma casa de três andares construída no meio do nada. Imponente, bonita e completamente abandonada.

- É linda.

- Quando Tiberius descobriu que Anne estava grávida do seu... noivo... Aaron... ele disse que não ficaria aqui. Que queria colocar sua mulher e seu filho em segurança. E isso foi a morte dele. Dele e do garoto.

- Não haviam abrigos por aqui?

- Los Angeles. Seria mais perto pra ele do que ir até Nova York. Mas Tiberius ficou sabendo que o abrigo de Nova York era melhor e mais bem equipado. Quis dar o melhor que podia à Anne. Partiu às pressas para que ela concluísse sua gravidez em segurança. A guerra era iminente, mas ainda não havia começado. Ainda existia combustível para o carro. Então ele foi. Deixou tudo isso pra trás. Eu comecei a vir aqui e tentar cuidar, eu as vezes dormia aqui pro lado de fora pra espantar qualquer vagabundo que quisesse invadir a casa. Mas o tempo passou. Notícias vem e vão. Soube da morte de Tiberius logo no início da guerra. Não sabia se o filho dele havia nascido ou não. Não sabia de Anne. Eu o tinha como um tio. Um irmão mais velho. Ele me deu muitos bons conselhos. Um dos quais eu sigo até hoje, de não me meter em problemas desnecessários. Continuei vindo e cuidando da casa pela memória dele. Tentando impedir alguma invasão. Na esperança que talvez Anne e a criança se salvassem. Mas depois... senti que era inútil.

- Anne morreu logo depois de Aaron.

- Sinto muito.

- Ela não resistiu à tristeza. Entrou em depressão. Parou de comer, ficou doente e não houve ninguém que conseguiu salvá-la.

- Era uma mulher muito apaixonada por Tiberius e provavelmente pelo filho. Conhecendo-a como conheci, acredito que ela suportou a guerra apenas pelo filho.

- Talvez. Aqui, a chave.

A garota esticou a mão e entregou a chave ao bonito moreno de cabelos longos.

- Eu?

- Você cuidou. Fez o que podia. Acredito que abrir essa porta deva ser uma honra sua.

Ao girar a chave na bonita porta dupla de madeira, o rapaz sorriu. Havia conseguido cumprir seu objetivo. Nenhum desocupado havia invadido a casa em vinte anos. Em compensação, aquela era a única boa notícia do dia para Harriet. Pequenos cadáveres de roedores, pássaros e morcegos no chão, teias de aranha, os galhos de uma árvore seca invadindo a janela quebrada do hall de entrada. Poeira. Terra. Infiltração. As poucas chuvas que caíam nas terras de Tiberius Morgan haviam se infiltrado pelo telhado sem conservação por muito tempo. O cheiro do ambiente se resumia a terra, madeira podre e mofo.

- Ótimo. Andei de Nova York até aqui pra isso?

Por um instante Harriet sentiu toda a esperança deixar seu corpo. Ela não tinha onde morar, e não tinha condições de voltar pra Nova York.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...