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História New tomorrow - Capítulo 23


Escrita por: e ArmyTiaDosGatos


Capítulo 23 - Vou cuidar de você


Fanfic / Fanfiction New tomorrow - Capítulo 23 - Vou cuidar de você

Eu não deixarei ninguém machucar seu coração
Este é o meu único compromisso
Promise - EXO


Hoseok


Acordamos ao amanhecer. Jimin estava ansioso para entrar no armazém do outro lado da rua. Desconfio que seja mais por saber que Tae precisa de antibióticos do que ajudar os demais. Curiosamente, a porta dos fundos possui display com senha mas a senha está anotada logo acima. "134340" lê-se em marcador permanente. Também há um bilhete do lado de dentro.

"Pegue o que precisar, nada além disso.

-JJ"

Percorremos o lugar, é um labirinto de salas. Cada uma possui um nome baseado no tipo de medicamento que armazena. Passamos pela sala de curativos, há caixas com gaze e bandagens, além de esparadrapos e pomadas antissépticas. Jimin vai até a sala ao lado, remédios para dor, febre, ressaca, gripe.

— Pegue uma dessas caixas e leve com um pouco de cada e material para curativos. Vou ver se acho antibióticos. — Jimin me orienta, já puxando o rádio para falar com Jin.

— Posso perguntar algo? — Jimin para e afirma. — O que é esse pingente? — Aponto para seu pescoço.

— É uma andorinha. Tae fez para mim de presente. — Ele diz sorridente.

— Cheia de significados. Tae realmente te ama.

— Eu também o amo. Agora vamos, quanto mais cedo terminarmos, mais rápido eu volto para o meu Tae.

Encho as caixas com o que Jimin mandou, então vejo uma caixinha com antibióticos jogada em um canto. Guardo no bolso na intenção de entregar para Jimin quando voltarmos. Levo a caixa para o carro e volto para o armazém. Há uma seção com fraldas, absorventes, itens de higiene, até tintas capilares. Me lembro de Merida, com as pontas do cabelo em um tom de azul já bem desbotado, pego um presente para ela. Procuro por Jimin, ele está parado em frente a uma porta de aço.

— Os antibióticos e antidepressivos ficam nessa sala. Precisamos da senha para entrar. Não é a mesma da entrada. Droga! — Jimin chuta a porta.

— Vou levar essa caixa e volto para ajudar a pensar em um jeito de entrar.

Corro até onde está o carro, Jin não está lá. Penso em procurar por ele, mas ouço seu barulho dentro do armazém militar em seguida Jimin me chama pelo rádio.

— Vê aquelas janelas? — Ele aponta para janelas minúsculas no alto. — Vamos arrastar essas caixas de madeira e empilhar. Quebramos o vidro e eu passo por uma delas. Depois saio pela porta.

— Tem certeza que passa nessa janela? — Pergunto duvidoso.

— Ser pequeno tem suas vantagens. — Ele pisca para mim.

— E se tiver algum alarme? E se disparar quando você passar? Merda! É muito alto, você pode se machucar na queda.

— Hoseok, tenha um pouco de fé! Tem prateleiras, vou descer usando elas como apoio. Vai dar tudo certo, não se preocupe!

Ajudo a empilhar as caixas, então Jimin sobe e quebra o vidro. Ele passa com um pouco de dificuldade pela pequena janela. Então ouço um estrondo. Merda!

— Jimin? — Chamo por ele passando a cabeça pela janela.

Vejo parte de seu corpo caído no chão. Me desespero com a ideia de que ele tenha se ferido ou pior. Continuo chamando por ele.

— Estou bem Hoseok! Só me dê alguns minutos. — Vejo ele tentar levantar e falhar soltando um palavrão.

— Eu vou buscar o Jin! Fique calmo aí. — Digo já descendo da caixa de madeira.

— JUNG HOSEOK NÃO SE ATREVA! — Jimin esbraveja. — Consegui me levantar. Já vou abrir a porta.

Ouço Jimin se arrastar e então o som ensurdecedor do alarme ecoa por todo o armazém. Droga!

— Jimin! — Tento olhar pela janela, mas vejo apenas suas pernas. Ouço ele gritar algo, mas não consigo entender com clareza.

Infectados começam a aparecer. Esqueci a porta de entrada aberta. Isso está virando uma bagunça.

— Malditos zumbis! — Chuto alguns que tentam subir na caixa. Atiro no máximo que posso. — Jimin! Temos companhia!

Ouço tiros do lado externo. Como esses malditos infectados chegaram aqui tão rápido? Me pergunto se esse lugar não é uma armadilha de alguém sádico e maldoso. Atiro em alguns infectados tentando acertar os maiores e os que aparentam estar mais fortes.

Vejo Jin correndo em minha direção, ele sobe nas caixas facilmente. Atualizo o mesmo sobre o que está acontecendo. Ele faz de tudo para tranquilizar Jimin pelo rádio. Nessa confusão até esqueci que eu tenho um. Jimin insiste que temos que fugir e abandona-lo aqui, ainda bem que Jin e eu temos a mesma opinião. Não se deixa um amigo para trás. Estranhamente ele pede que Jin passe o rádio para mim.

— Hoseok, eu sei o que você sente pelo Tae. Percebi como você olha para ele, eu entendo. Ele é a luz do meu mundo é por ele que eu vivo e é por ele que eu vou morrer. Cuide dele, proteja ele com a sua vida. Me prometa!

— Eu prometo. — Digo com convicção. Não vou negar o que sinto. — Mas tenha calma, nós vamos te tirar daí. Jin e eu pensaremos em uma solução.

— Eu tenho a solução. Diga ao Tae que eu o amo para sempre. — Então ouvimos o barulho de tiro.

Fico em choque por alguns segundos. Não! Ele não fez isso! Não é possível! Jin parece tão chocado e perdido quanto eu. Gritamos pelo nome do menor, mas ele não responde. Vejo suas pernas caídas, levemente inclinadas. Acabo cortando meu antebraço profundamente, ignoro a dor quando uma nova onda de zumbis aparece. Matamos o quanto conseguimos. Digo ao Jin que temos que esperar até que Jimin se transforme, mas ele age com frieza dizendo que temos que ir. O alarme finalmente passa para o modo silencioso, foram os quinze minutos mais longos de toda a minha vida. Minha munição está quase acabando quando finalmente alcançamos o carro. A dor no antebraço aparece aos poucos conforme a adrenalina diminui.

— Devíamos ter esperado, Jin. Ele vai se transformar em zumbi para sempre.

— Não, ele não vai. — Eu o encaro confuso. — Jimin é um dos poucos que sabem disso. Quando alguém morre com um tiro ou algo atravessando a cabeça, não se transforma em zumbi. Você estava lá quando descobrimos, Hoseok! Não se faça de desentendido.

Só então me dou conta de como fui estúpido. Eu não me lembrei disso! Droga. Fiz um mau julgamento de Jin, mas agora vejo suas lágrimas e aflição com a perda de um amigo. Passamos pelo mesmo caminho que viemos, mas dessa vez em silêncio. Observo a paisagem nada agradável à nossa volta.

— Jin, pare o carro. — Peço e ele me olha confuso. — É sério! Acabei de ver um arco dentro daquele carro azul! — Aponto para um utilitário parado meio fora da pista.

Jin para o carro mas desce antes que eu faça, corre até o carro e pega o arco. Ele revira tudo e acha flechas em uma aljava, retorna ao carro correndo e seguimos viagem.

— Pegue uma camiseta na minha mochila e enrole nesse braço, Hoseok. Não posso perder vocês dois. — Jin me olha preocupado.

Levamos o dia todo para chegar. Imaginar a tristeza e a decepção de Tae e os demais me parte o coração. Quando chegamos já é quase madrugada, os portões se abrem. Vejo Merida e Yoongi parados logo na entrada. Ela olha para Jin, uma pergunta silenciosa, ele apenas balança a cabeça.

— Merda! — Yoongi chuta uma parede. Ele parece furioso. — Você! — Ele aponta para um rapaz no corredor. — Vá ao quarto de Nari e peça para que ela vá para a enfermaria, diga que Hoseok está ferido esperando por ela. Já sabe para onde ir. — Ele me encara sério. Vejo Merida abraçando Jin no final do corredor.

— Temos que avisar o Tae. — Digo já temendo esse momento.

— Me avisar o que? — Ouço a voz de Tae. Meu coração se parte nesse momento. — Onde está o Jimin? — Yoongi balbucia algo, mas nada concreto. — Min Yoongi onde está meu namorado?!

— Ele não... — Yoongi não consegue dizer, então tomo coragem.

— Taehyung, o Jimin não está aqui. Infelizmente ele não veio conosco porque ele não sobreviveu.

Tae cai no chão em um choro desesperado e doloroso de se ver. Apesar de estar com o braço ferido, eu o abraço. Seu choro ecoa pelos corredores, tão sincero e sofrido que eu posso sentir sua dor. Para a minha surpresa Nari aparece e se une a mim para confortar nosso amigo. Merida aparece meia hora depois, olhos um pouco inchados e nariz vermelho. Pergunto inaudível por Jin, ela responde apenas Namjoon. Então eu entendo o que houve.

— Vamos levar vocês dois para a enfermaria. — Merida diz em um sussurro.

Tae não tem forças para levantar, então  o carrego até lá. Eu o coloco em uma das macas e vejo ele se encolher. Merida cobre o garoto e murmura palavras de conforto para ele.

— Temos que cuidar desse braço. — Nari me senta em uma das macas e desenrola a camiseta.

Há tanto sangue, sujeira e alguns cacos de vidro bem pequenos. Ela aplica anestesia apesar de eu dizer que não é necessário. Enquanto Nari está retirando os cacos, Shiro aparece com um sorriso triste ela me cumprimenta e me entrega uma xícara de chá. Entrega outra para Merida, ela leva a xícara até o armário de remédios então faz Tae beber o chá. Não acredito que ela quer dopar ele! Já estava pronto para brigar com ela, quando Nari segura meu pulso.

— Não vai fazer ele dormir, é um calmante à base de ervas que ela fez. É só para que ele se acalme um pouco. Tae está à beira de um colapso nervoso, isso vai evitar que ele surte e faça algo ruim contra ele ou contra os outros. Merida pode ser muitas coisas ruins, mas ela entende de luto como ninguém. Não se preocupe.

O restante da noite consiste em visitas ao Tae e a mim. Não vi Jin nem Namjoon até agora. Tenho medo de que ele possa estar encrencado. Shiro assumiu o posto ao lado de Tae, Merida está sumida desde então. Nari terminou de dar os pontos já faz algum tempo, então eu finalmente bebi o chá. O sabor não é dos melhores, mas ajuda a acalmar meus pensamentos. Não tomo muito pois tenho medo de Tae precisar de mim e eu falhar em estar lá por ele.

— Pode dormir um pouco Hobi. Se ele precisar, eu juro que te chamo. — Nari pega minha mão e afirma olhando para Tae em seguida.

Adormeço confiando na palavra de Nari. Acordo assustado, olho para a maca onde Tae estava quando dormi. Ele ainda está lá, agora dormindo enquanto Shiro faz carinho em seus cabelos escuros. Nari vem até mim e checa minha temperatura.

— Falta pouco para o amanhecer. Sei que você quer cuidar do Tae, mas Namjoon pediu para você ir até sua sala. Ele quer conversar. — Ela fala em um tom baixo.

— Estou encrencado? — Pergunto preocupado, Nari acena negativamente. — Notícias do Jin?

— Ele conversou com Namjoon e depois se trancou na sala dele, Merida está com ele. Vai ficar tudo bem.

— Mais cedo, você disse que ela entende de luto. O que houve? — Vejo Nari franzir a testa. — Não precisa contar se não quiser.

— Nunca comente com ela que eu te contei. Os pais dela morreram em um incêndio. As duas famílias brigaram pela guarda, estavam tão preocupados com o dinheiro que ignoraram totalmente o que ela estava passando. A família da mãe dela acabou ficando com a guarda e ela se mudou para a Coréia, não sei detalhes mas sei que eles eram maus. As tatuagens que ela tem são para esconder cicatrizes. Ela é toda ferrada por dentro, mas sabe o que dizer quando alguém passa por isso.

— Uau. Nossa, eu... — Nari me encara significativamente. — Vou procurar Namjoon. Por favor, se Tae precisar de algo me chame, eu largo tudo e venho.

— Não se preocupe. Pode ir, cuidamos de tudo por aqui.

Sigo pelos corredores, presencio de longe uma cena estranha. Jennie e Shownu muito próximos, conversam e riem de algo. Continuo andando, faço de conta que não vi ninguém. Como eu imaginava, Namjoon pede que eu conte toda a história. Quando termino, tenho lágrimas nos olhos.

— Como está o Jin? — Pergunto finalmente.

— Nada bem. — Namjoon responde sinceramente. — Merida está cuidando dele, não abre a porta para mais ninguém. Ele se culpa pelo que houve, nem conseguiu ver Taehyung ainda. Por falar nele, como estão as coisas na enfermaria?

— Ele estava dormindo quando saí de lá. Pretendo voltar assim que sair daqui.

— Como vai o ferimento? — Namjoon aponta para meu braço.

— Vai bem. Nari tem mãos de anjo.

— Ok. Isso é tudo, pode ir Hoseok. — Já me levantava quando ele fala. — Obviamente vocês já sabem, mas vou reforçar que Taehyung está dispensado de todas as atividades e você também já que resolveu cuidar dele.

Aceno e saio da sala dando de cara com Merida. Ela afaga meu ombro e então bate na porta de Namjoon entrando em seguida. Não resisto e fico ali mais um pouco. Ouvindo a conversa dos dois.

— Ele dormiu? — Namjoon pergunta. Sei que falam de Jin.

— Consegui convencer ele a tomar o chá, não faz muito tempo que ele dormiu. Passei na enfermaria, está tudo bem por lá. Yoongi começou a descarregar e contabilizar os suprimentos. Eles conseguiram muitos suprimentos médicos. — Ouço Merida fungar. — Até as vitaminas, não apenas pré natais mas as infantis também. O arco para Shiro também veio, pedi para Yoongi deixar guardado. Em breve faço um embrulho e você pode dar de presente para ela. Falta algum tempo para o aniversário dela.

— A ideia foi sua.

— Mas é você quem gosta dela. Não perca tempo Namjoon, nessa madrugada tivemos a prova de como é o amor. Apesar de doer às vezes, vale a pena sentir. Até mais tarde.

Me desespero. Preciso sair daqui antes que ela me veja. Viro o corredor e volto para a enfermaria. Quando entro me deparo com Taehyung deitado, ele chora baixinho enquanto Nari passa a mão em seus cabelos. Puxo uma cadeira e sento perto dele, seguro sua mão.

— Vou cuidar de você. — Digo baixinho, Tae me olha com raiva.

— Como você cuidou do Jimin?! — Ele vocifera.

— Foi um acidente Taehyung. Eu juro! Jin e eu tentamos, mas ele tomou a decisão por nós.

— Como assim? — Tae me olha confuso.

— Ele entrou em uma sala trancada por uma janela, mas acabou caindo, não sei se ele torceu ou quebrou o pé. Jin não cabia na janela, muito menos eu. Quando ele tentou abrir a porta por dentro, ativou o alarme. Fomos cercados por infectados, Jin veio nos ajudar. Quando tentávamos pensar em algo para tirar Jimin de lá, ele... Ele... — Hesito em contar a verdade.

— Ele o que, Hoseok? — Tae exige.

— Ele nos mandou ir, ficamos. Então ele... — Respiro fundo tomando coragem. — Ele atirou em si mesmo. Provavelmente na própria cabeça. Nós não conseguimos ver por conta da posição onde ele estava sentado.

— Porque ele entrou lá para início de conversa? — Tae agora parece nervoso.

— Era a sala onde estavam antibióticos. Eu até achei uma caixa para ele trazer para você, mas ele se lembrou das crianças doentes e quis entrar mesmo assim. Foi uma tragédia, me sinto tão culpado. Pelo que sei Jin está ainda pior. Eu sinto muito Taehyung, me perdoe por favor! Eu imploro. Só assim vou poder cumprir o que ele me fez prometer. Me permita cumprir minha promessa.

— Que promessa? — Tae me pergunta.

— Jimin me pediu para cuidar de você. Proteger você não importa o que for. Pretendo cumprir essa promessa até o fim dos meus dias se assim você permitir.

— Jimin sempre teve um complexo de herói. Me desculpe por culpar você pelo que houve. Mas não precisa cumprir nada disso, eu libero você dessa promessa. Nari, eu gostaria de voltar para o meu quarto. Logo a enfermaria terá que ser aberta e eu não quero ficar aqui.

— Tudo bem Tae, mas leve Hoseok com você. — Nari me dá um sorriso leve de incentivo.

— Não será necessário. — Tae responde.

— Eu meio que durmo lá também, mas se você quiser, eu posso procurar outro lugar e... — Tae me interrompe.

— Me esqueci completamente disso Hoseok. Me desculpe. Vamos?

Aceno positivamente e o ajudo a descer da maca. Caminhamos lado a lado em silêncio pelos corredores até chegar à sala. Assim que entramos e eu fecho a porta me preparo, pois sei que as lembranças vão derrubar Taehyung mais uma vez. Ele senta no colchonete de Jimin e abraça o travesseiro, ouço seu choro descontrolado outra vez. Me sento ao seu lado e o abraço, sentindo seu corpo balançar com os soluços. Não sei por quanto tempo ficamos assim antes dele cair no sono outra vez. Continuo velando seu sono.

— Eu vou cumprir minha promessa Jimin, até o fim. — Sussurro.


Notas Finais


Pronto, agora sim. Só domingo! Já fomos muito boazinhas com vocês. Obrigada por ler! ^^
Deixe aí nos comentários o que você achou desse capítulo.
*Andorinhas são monogâmicas, frequentemente são chamadas de aves do amor.
Muito fofo o gesto do Tae, dar um colar de andorinha para o seu amor. Quem mais pegou a referência da senha? Prestem atenção aos detalhes dos capítulos, serão importantes em um ponto crítico da história.


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