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História New tomorrow - Capítulo 24


Escrita por: e ArmyTiaDosGatos


Notas do Autor


Olá! Peguem os lencinhos.

Capítulo 24 - Memorial


Fanfic / Fanfiction New tomorrow - Capítulo 24 - Memorial

Desde que você partiu
Não houve um dia
Em que eu tenha te esquecido
Spring Day - BTS


Taehyung

— Hoseok? Quero fazer um memorial para o Jimin. — Nem sei se ele está acordado.

Sempre que choro, estou triste ou cabisbaixo, ele está aqui para me apoiar. Droga, Jimin! Você sabia que ele manteria a promessa a qualquer custo. Mesmo que custe a saúde dele, ele não dorme direito há dias. Observo com cuidado sua silhueta no escuro, ele parece estar dormindo. Me levanto para ir ao banheiro sozinho, Jimin sempre ia comigo à noite desde que fui atacado. Preciso aprender a viver sem ele, e Hobi parece tão exausto. Resolvo ir ao banheiro do terceiro andar, é seguro por enquanto. Caminho pelos corredores mal iluminados até o banheiro. Ouço barulho de água, alguém está tomando banho tão tarde assim? Empurro a porta e ela se abre, nem travaram o banheiro com a mesa. Que perigo. Ouço duas vozes que conversam baixo, uma em cada box.

— É tudo culpa minha, Meri. Se eu tivesse ido com eles. — A voz de Jin é chorosa.

— Eu já disse, Ursinho. Você não teve culpa, ninguém teve. Nem Hobi, nem você, ninguém. Foi uma fatalidade, uma tragédia. Estou tão preocupada com vocês três, Hoseok não dorme há dias, ele vigia o sono do TaeTae a noite toda e passa o dia todo acordado com ele. Tae não está nada bem também, tenho medo de como ele vai enfrentar o luto. Ele passou pela negação e raiva nessas duas semanas, o próximo estágio me preocupa. E você nem se fala, não come, não dorme, não fala com ninguém além de mim. — Merida conversa com ele em um tom doce que eu nunca vi sendo usado por ela com mais ninguém. — Você deveria falar com ele, Jin. É sério.

— Eu não consigo olhar para Tae sem sentir culpa. Sou culpado por sua dor, se eu tivesse sido um líder melhor, talvez isso não tivesse acontecido. Ele nunca vai me perdoar.

— Eu não vou mentir e dizer que tenho certeza que ele vai perdoar você. Pensar positivo é com a Nari, eu sou a pessimista. Mas mesmo assim você deve tentar conversar com ele, Ursinho. Agora vamos, nosso tempo acabou.

Quando ouço isso, saio às pressas do banheiro. Acabo indo ao banheiro do meu andar, no caminho relembro um fragmento do meu ataque. Minha cabeça dói um pouco, mas consigo me controlar e continuar andando. Uma estampa psicodélica é a lembrança mais forte. Volto ao meu quarto, Hoseok ainda dorme profundamente. Tenho muito no que pensar, estiver tão concentrado em minha dor que esqueci completamente como os outros podiam estar se sentindo. Por enquanto me contento com deixar Hoseok dormir o máximo que puder sem que ele se sinta culpado. Vou esconder que andei sozinho pela escola, que ouvi Jin e Merida conversando. Será que ela está certa? Eu já passei por dois dos cinco estágios do luto? Eu fui um babaca completo com todos eles nas últimas semanas. Fui grosso com Nari e Shiro, joguei na cara de Hoseok que a culpa era dele quando na verdade não era, até Namjoon eu ofendi. Fora outras coisas que prefiro não lembrar. O que vem agora?

Hoseok acorda assustado, finjo que estou dormindo profundamente para que ele não se sinta culpado. Ele para próximo a mim e passa a mão em meus cabelos.

— Me perdoe Tae, acho que mal estou conseguindo velar seu sono devidamente. Sinto muito Jimin, eu juro que estou tentando. — Ouço ele fungar baixinho. — Eu juro que estou. Vou dormir por cinco minutos, aproveitando que ele ainda dorme.

Ouço ele voltar para a cama, logo sua respiração se suaviza. Ele finalmente dormiu outra vez. Penso em como organizar um pequeno memorial para Jimin, penso em um lugar e também o que fazer. Deve ser algo reservado, sinto que alguns apenas fingem se importar com os outros por aqui. Tenho evitado o refeitório desde que tudo isso aconteceu, os cumprimentos forçados e os falsos pêsames me irritariam muito mais. À noite é quando eu mais sinto falta de Jimin, sempre fui do tipo que sente muito frio então dormia agarrado à ele. Olho para Hoseok deitado, seria estranho? Talvez ele não perceba. É puramente para me manter aquecido. Eu vou estar traindo a memória do Jimin? Ah! Estou tão confuso e com tanto frio. Porcaria de inverno. Me cubro com o cobertor de Jimin e o meu, ainda assim sinto frio.

Acordo com Merida tocando minha bochecha. Antes que eu diga algo ela aponta para Hoseok e sinaliza para que eu faça silêncio porque ele está dormindo. Observando de perto, parece que ela também não está dormindo muito. Entre cuidar do Jin, checar como Hoseok e eu estamos, brigar com Nari e as consultas, não deve sobrar muito tempo para ela. Sinalizo para sairmos da sala e deixar ele dormir mais um pouco.

— Como você está hoje? — Ela pergunta baixinho arrumando meu cabelo.

— Um dia de cada vez, como você disse. Quero fazer um memorial para Jimin. Queria saber se você pode me ajudar.

— Claro. Você já tem alguma ideia?

— Não exatamente. Tudo que sei é que não quero muita gente lá, pelo menos não no mesmo momento em que eu estiver lá. Eu sinto tanta raiva da hipocrisia deles, Merida.

— Eu sei querido. — Eu a abraço. — Vamos organizar um belo memorial para Jimin. Eu fiz um memorial solitário para os meus pais quando completei 21 anos. — Me separo dela e nos sentamos no chão do corredor. — Era meu aniversário e eu só queria estar com eles, legalmente eu já podia beber, então comprei uma garrafa de vinho e me sentei no cemitério ao lado deles, contei tudo o que havia acontecido desde que morreram e também relembrei histórias de quando eles estavam comigo. Eu não sei se eles tiveram um memorial, minha família me deu remédios para dormir por muitos dias depois que meus pais se foram.

— Sinto muito. — Seguro sua mão e ela me dá um sorriso triste.

— O que eu quero dizer com isso é que vamos fazer algo para Jimin sim. E eu vou arranjar algo com álcool, nem que seja a última coisa que eu faça e então nós vamos sentar, beber e contar histórias sobre ele. Só os mais íntimos e o Pervertido, senão ele vai chorar por ser deixado de lado. — Sorrio com a pequena piada. — O que acha?

— Tudo bem. Acho que é uma boa ideia.

— Me dê até o fim do dia e eu trago ideias de local e todo o resto para você. Agora eu vou buscar o café de vocês. — Ela se levanta e começa a caminhar, mas então se vira. — Você está bravo com o Jin ou ele pode ir também?

— Sim, ele pode. Será bem vindo também.

— Tudo bem.

Quando Merida volta com o café acabo acordando Hoseok para comer. Ele parece melhor agora que dormiu um pouco mais. Converso conto sobre a ideia de fazer um memorial, ele apoia totalmente. O restante do dia passa lentamente, tiro vários cochilos e tento pensar em ideias. Nari veio nos trazer o almoço, conversamos um pouco, mas logo ela voltou para a enfermaria. Shiro apareceu com o jantar, já estava preocupado com o sumiço de Merida. Pelo silêncio dos corredores já é bem tarde. Resolvo procurar por Merida, estou preocupado com seu sumiço e também com Jin. Penso que ela pode estar sumida por cuidar dele. Enfermaria vazia, no quarto dela apenas Nari e Shiro estão deitadas, o quarto de Jin também está vazio. Procuro no banheiro do terceiro andar, nada. Vejo uma luz no terraço, resolvo verificar já que pode ser alguém precisando de ajuda.

Subo as escadas sem fazer barulho, quando abro a porta do terraço ouço música, ando lentamente e vejo Merida e Jin dançando no telhado. Vejo o rosto de Jin, ele parece ter chorado. Eu realmente preciso falar com ele mas tenho medo de acabar dizendo algo ruim. Ver os dois assim me lembra de quando Jimin preparava surpresas românticas para mim. Resolvo voltar para o quarto, amanhã converso com ela.

Acordo com Hoseok me chamando suavemente. Vejo que nosso café da manhã já foi trazido. Sinto que logo chegará o momento de encarar o refeitório outra vez. Me sinto mal por ela ter mais essa atividade. Hobi diz que tentou ir buscar, mas Merida o repreendeu dizendo que ele devia cuidar de mim. Continuo com frio e a primeira neve nem caiu ainda.

Cada um dos meus amigos e até outros abrigados aparecem em algum momento para verificar como eu estou. Surpreendentemente, senhora Choi apareceu com um chá e me perguntou se havia algo que ela pudesse fazer por mim. Ela é o mais próximo de figura materna que todos temos por aqui, e acho que ela se sente responsável por todos nós por ser a mais velha no abrigo. A única que não apareceu foi Merida. À noite finalmente ela apareceu trazendo o jantar e um sorriso satisfeito.

— Já estava ficando preocupado com você. — Comento quando ela se senta em uma das mesas.

— Estava trabalhando em algumas coisas. Digamos que Jin e eu passamos por uma aventura hoje, mas conseguimos isso — ela tira uma garrafa de vodka barata de dentro do moletom.

— Onde vocês conseguiram? — Hobi pergunta com olhos arregalados.

— Lembra aqueles homens que Namjoon e eu matamos? Que tinham uma escrava? — Aceno positivamente. — Me lembrei de ter visto uma garrafa no meio das coisas deles. No meio da confusão não consegui pegar, mas eu convenci o Ursinho a ir comigo até lá hoje. Fase um concluída. — Ela dá um sorrisinho.

— Vocês se arriscaram por isso. Podiam ter sido mortos. — Digo preocupado.

— Estamos inteiros, não se preocupe. Fase dois, pensei em dois lugares. A biblioteca ou o terraço. Particularmente eu gosto da ideia do terraço porque dá para usar uma lata de lixo de metal para uma fogueira e eu posso ter convencido a senhora Choi a me dar um saco de marshmallows que tinha na cozinha. Então seríamos nós, uma fogueira, marshmallows, vodka vagabunda e o pervertido de brinde. Quanto a algo para Jimin ser sempre lembrado, Nari está trabalhando em algo faz alguns dias. Obviamente você é quem escolhe.

— Por mim está ótimo. Quando podemos fazer? — Pergunto emocionado com a ideia.

— Amanhã à noite. Preciso ir, meu Ursinho está sozinho e sem jantar. — Merida sai antes que eu diga algo. — Comam antes que esfrie.

— O que acha? — Pergunto à Hoseok.

— Dadas as circunstâncias, é o melhor que ela pôde fazer. Entretanto, se você quiser algo mais elaborado demoraria mais. Álcool na biblioteca não seria uma boa ideia porque alguém pode se empolgar e falar alto e atrapalharia os demais. O terraço tem a desvantagem do frio, mas se todos nos agasalharmos, pode ser bem legal. — Ele volta a comer, me concentro em fazer o mesmo.

A noite do memorial chegou. Caminhamos em silêncio até o terraço para não acordar aqueles que já dormem. Marcamos para depois do jantar para evitar curiosos. Aparentemente Nari também ajudou em muitas coisas nos "bastidores", ela caminha a passos lentos ao lado de Yoongi. Andamos em pares, se Jimin estivesse aqui faria uma piada sobre isso. Ele sempre tinha uma piada em mente. Assim que Merida abre a porta, passa uma lista de instruções.

— Por mais que estejamos do lado de fora, não falem muito alto. O som dispersa com facilidade. Cada um pegue um palito desses, se quebrar, não tem mais marshmallows assados para você. Cada um trouxe seu copo? — Todos confirmam. — Ótimo. Vamos.

Andamos pelo terraço até uma parte mais escondida. Fico chocado com o que vejo. As garotas trouxeram cadeiras, há uma fogueira improvisada, cobertores e até algumas luzinhas que estavam no quarto delas. Abraço Merida e Nari ao mesmo tempo, mesmo sabendo que a amizade das duas não vai muito bem.

— Obrigado. Obrigado mesmo. — Digo para ambas.

— Todos ajudaram de alguma forma, Tae. Jimin era importante para todos nós. — Nari diz apertando minha mão.

— Vamos começar então? — Merida aponta as cadeiras.

Nos sentamos e as garotas distribuem os marshmallows e a vodka. Observo todos, apesar da circunstância é bom ver que tenho amigos com quem posso contar quando as coisas vão mal.

— Obrigado por virem. — Digo a todos. — Significa muito para mim e sei que significaria para Jimin também.

— Quem é o primeiro? — Yoongi pergunta.

— Geralmente quem pergunta quem é o primeiro. — Merida responde.

— Tudo bem. — Yoongi dá de ombros e então volta a falar. — Jimin provavelmente foi uma das pessoas mais incríveis que eu conheci desde que tudo isso começou. Apesar de tudo, ele sempre manteve um sorriso no rosto. Me lembro de quando vocês dois chegaram aqui, — ele olha para mim — dois magricelos correndo de uma horda. Nem tínhamos reforçado os muros ainda. Uma noite, Jimin apareceu no depósito perguntando se eu tinha chocolate. Achei aquilo tão estranho, quem se preocupa com chocolate durante um apocalipse? Então ele com aquele sorriso fofo disse: "Yaaa, não é para mim. Uma das crianças está com medo da tempestade e nada faz com que ela se acalme." Não há como pensar em Jimin sem pensar em altruísmo. Ele sempre colocava o bem estar dos demais antes do próprio. Para mim isso faz dele uma das pessoas mais gentis que já conheci. Ao Jimin. — Ele ergue o copo em um brinde.

— Ao Jimin. — Os outros respondem. Logo Namjoon se pronuncia.

— Lembro de quando ele se candidatou para a patrulha externa. Eu olhei para aquele garoto pequeno em estatura e pensei comigo "esse garoto não vai durar um dia no treinamento, vou deixar que ele participe hoje". Quando o treinamento acabou, eu estava chocado com o desempenho dele. Quando saíamos do ginásio vejo ele tirar a camisa, o baixinho adorava sair exibindo aquele abdômen para todo mundo. Não havia exercício difícil para ele, sempre conseguia se sair bem em tudo. Até a tarde de aula de tiro. — Nós começamos a rir, exceto Nari, Shiro e Merida que não conhecem a história. — Levei os melhores para uma aula de tiro no fundo da escola. Todos acertavam o alvo, mas Jimin tinha uma mira péssima com qualquer arma que eu colocava em sua mão. Dispensei os demais e tentei ajudar Jimin. Treinamos até escurecer, todos os dias por quase uma semana. Então teve esse dia em que ele finalmente acertou o alvo, sua felicidade era tão grande que começou a dançar com a arma na mão. Então disparou um tiro acidental. — Namjoon puxa a moletom e mostra a marca de tiro abaixo da clavícula. — Eu virei alvo. — Ele diz rindo. — Jimin saiu correndo desesperado, voltou trazendo Tae e Jin. Ainda não tínhamos um médico nem material apropriado além do que já tinha na enfermaria. Mesmo depois de terem conseguido tirar a bala e darem pontos usando fio dental, Jimin continuava preocupado comigo. Acordei um dia de manhã e ele estava dormindo na porta da minha sala porque tinha medo que eu precisasse de algo e ninguém estivesse lá para me ajudar. Sempre que ele me via se desculpava pelo ocorrido, mesmo após quase dois anos. Ele era a pessoa mais doce mas ao mesmo tempo determinado e resiliente que eu conheci. Ao Jimin.

— Ao Jimin.

A cada brinde me sinto mais emocionado por lembrar cada parte da personalidade do meu namorado. Doce, gentil, persistente, perfeito para mim. Shiro se prontifica a ser a próxima.

— Meu convívio com ele não era tão regular como o de vocês, mas me lembro de um dia enquanto eu estava ajudando na cozinha e na horta ao mesmo tempo. Jimin apareceu naquela tarde na estufa, era primavera. Ele olhava para o campo de flores totalmente confuso, parecia tão perdido era quase engraçado de ver. Então eu o abordei perguntando se ele precisava de algo. Ele disse "ah, uma garota! Garotas sabem dessas coisas. Quero fazer uma surpresa para o meu namorado. Que flor significa que eu sou louco por ele e o amo para sempre?". Achei aquele gesto tão lindo e romântico. Expliquei o significado de cada flor, pensei que ele fosse fazer um grande buquê. Mas ele pegou apenas uma dizendo que seria muito triste matar tantas flores de uma vez, que outras pessoas também deveriam olhar para elas e sentir o perfume de cada uma. Às vezes ele voltava e levava outra flor. Eu sempre observava vocês dois no refeitório, apesar do comentário maldoso de alguns, vocês eram sempre espontâneos e amorosos um com o outro. Vocês dois restauraram minha fé no amor, mostrando que até no caos ainda há esperança. Então um brinde ao Jimin, mas também ao Tae.

Brindamos e eu me recordo das vezes em que eu acordava e encontrava uma flor ao meu lado ou sobre a minha mesa na enfermaria. Os bolinhos divididos e os banhos juntos. Nari é a próxima.

— Quando conheci Jimin e Tae eu não sabia quem era quem. Para identificar os dois, pensava em sorriso quadrado para Tae e bochechas fofas para Jimin. Quando descobri que eram um casal, tive certeza de que ninguém combinava mais que eles. Desde completar a fala um do outro até saber o que o outro precisava sem dizer nada. Sempre achei essa sintonia de vocês incrível. Quando você estava ferido ele passou todo o tempo ao seu lado, conversava com você mesmo que não tivesse certeza de que estava ouvindo. Ouvi ele dizer "acorde Tae Tae, você não pode me deixar. Vamos sobreviver a esse inferno, nos casar e viajar pelo mundo em uma grande Lua de mel. Adotar duas crianças e um cachorro, comprar uma casa em Busan e viver felizes até ficarmos velhinhos". Eu nunca vi amor mais bonito e puro. Jimin sempre foi altruísta e gentil com todos, mas o lado mais incrível, bondoso, amoroso e alegre dele ficava nítido como a luz do sol ao lado do Tae. Eu vejo o mesmo brilho de Jimin em Tae. Não perca isso apesar de tudo meu amigo. Ao Jimin.

Eu não tinha ouvido Jimin dizer nada daquilo, ouvir agora faz meu coração se aquecer pelo amor e doer pela perda. Acabo chorando um pouco e Hobi me conforta. Ele sempre parece atento a tudo.

— Jimin foi o primeiro a demonstrar gentileza comigo aqui dentro. Ele me deu roupas limpas e me acompanhou para que eu tomasse banho. Me lembro que eu estava com medo de ir até o refeitório comer com os demais, então ele disse "não se preocupe, se alguém mexer com você vai ter que se ver comigo". Me deu aquele sorriso que os olhos fechavam e continuou ao meu lado o tempo todo. Sinto que se tivéssemos oportunidade, teríamos nos tornado bons amigos. Ele foi uma pessoa incrível, sempre lembrarei da sua gentileza e companheirismo. Ao Jimin.

— Ao Jimin. — Brindamos mais uma vez, meu copo está quase vazio. Vejo Merida segurar a mão de Jin dando apoio à ele, incentivo que ele seja o próximo com um sorriso.

— Minha história com Jimin é um pouco constrangedora e engraçada. Enquanto fazemos buscas, nem sempre achamos itens básicos. Então teve essa vez que estávamos procurando em algumas casas por papéis higiênicos, shampoo e outros itens de higiene. Jimin sai de dentro de um dos banheiros com uma revista e diz "ei hyung, acho que vou ter que usar a sua cara na próxima vez". Era um anúncio que fiz, ele adorava jogar na minha cara que eu era modelo. Ele dizia "você com esses ombros largos e toda essa altura só serve para tirar fotos com roupas bonitas". Ele era o melhor companheiro de viagem que já tive. Sempre criando jogos para passar o tempo, rindo de todas as minhas piadas, vendo o que ninguém reparava. Meu grande amigo para todas as horas, salvamos a vida um do outro várias vezes durante as buscas, eu... — Jin para de falar e começa a chorar, Merida o abraça e murmura algo para ele fazendo com que ele se acalme aos poucos.

— Acho que sou eu agora. — Merida comenta e toma um grande gole do líquido em seu copo. — Essa deve ser a pior vodka que eu já tomei na vida. Vamos todos vomitar amanhã. Digamos que Jimin me conheceu em uma situação atribulada. Eu estava fugindo de uma horda e acabei encontrando com ele em um bairro residencial nos arredores de Seul. Me lembro de gritar "corra" e ele me olhar confuso. Saí arrastando ele pela mochila até que trombamos com Jin que achou que eu estava sequestrando o outro. Os infectados nos cercaram e o reforço ia demorar, Jimin foi genial e salvou nós três nos fazendo caminhar sobre os muros das casas. Ele tinha o equilíbrio perfeito, me lembro de pensar "que filho da puta sortudo com tanto equilíbrio". Mais tarde ele quis me matar por abrir um buraco na cabeça do namorado dele, mas logo fui perdoada. Jimin era provavelmente uma das pessoas que eu mais conversava aqui, ele me explicava as coisas que eu não queria perguntar aos outros. Eu era a fada da foda e ele o escravopinto. Não existiu pessoa mais incrível no mundo do que Park Jimin. Ele era um bom amigo, uma pessoa gentil e um namorado incrível. Todos tivemos bons momentos com ele e é isso o que devemos carregar em nossos corações. Esse é o motivo de se fazer um memorial, recordar os bons momentos com aqueles que amamos, com quem marcou nossas vidas e corações. Um brinde à Park Jimin.

— Park Jimin. — Brindamos pela penúltima vez essa noite.

— Agradeço à todos vocês pelo que fizeram. Acho que minha história com Jimin merece ser contada uma última vez. — Tomo um gole da minha bebida e volto a falar. — Conheci o Jimin há quase quatro anos, quando ele torceu o pé durante um ensaio. Chegou ao hospital onde eu trabalhava sendo carregado por outros colegas. Mesmo com dor, ele conversava com a equipe médica com tanta calma. Fui designado para acompanhá-lo de perto durante toda a estadia no hospital. Acabamos conversando todo o tempo, ele era tão legal e gentil. Mesmo quando recebeu alta, ele aparecia no hospital me convidando para um café ou uma volta no parque. Passamos um ano entre construir uma amizade que evoluiu para uma amizade com benefícios e então virou amor. Foram três anos desde então, fazendo planos, construindo um futuro juntos, compartilhando sonhos. Jimin é o amor da minha vida para todo o sempre. Ele era a luz nos dias escuros, estou perdido sem ele. Sinto falta dele, dos nossos banhos, das manhãs preguiçosas e dos dias agitados, de dormir abraçado ao seu corpo. Nunca pensei que dormir sozinho fosse tão frio e solitário. Eu vou amá-lo até a minha morte. Obrigado por tudo Jimin.

Como uma resposta dos céus, sinto um pingo de chuva no meu nariz. Seria um sinal? Jimin sempre beijava a ponta do meu nariz por achar minha pinta fofa. Espero outros pingos, mas nada acontece. Brindamos e então Nari nos guia até a outra ponta do terraço. Há uma coluna sobre ela uma escultura, um par de pequenas mãos entrelaçadas à um par maior. Em volta da coluna e no chão à sua volta há arabescos florais em um padrão alegre com tons alegres como Jimin. Em uma placa de metal há gravado, seu nome, a data de seu nascimento e morte e a frase: Um herói sempre a ser lembrado por sua bravura, coragem e altruísmo. Acabo chorando outra vez agradecendo a Merida.

— Eu não tenho veia artística para desenhar nem um homem de palitinhos, muito menos esculpir. Isso é obra da Nari e o Pervertido.

— Eu tenho nome! — Yoongi afirma chateado.

— Claro que tem Min Pervertido Yoongi, todos sabemos. Não estraga o momento, fica quietinho aí. — Merida conversa com ele.

Observo que Merida segura a mão de Jin o tempo todo. Não sei se é um romance entre os dois ou apenas dois amigos se apoiando. Eu devia conversar com Jin sobre o que houve, mas sinto que ainda não é o momento. Agradeço mais uma vez pelo apoio, mas eles entendem que preciso de um tempo sozinho. Até mesmo Hoseok me deixa nesse momento. Observo com cuidado o que Nari fez. Ela definitivamente é um gênio, deveria ter continuado nessa área e não em medicina. Claro que ela é uma médica incrível, mas seria uma artista plástica brilhante também. A sala de artes dessa escola será meu segundo refúgio nesse lugar. Sinto um cobertor ser depositado sobre meus ombros, não preciso olhar para trás, sei que é Hoseok.

— Trouxe uma cadeira para você. — Ele aponta para ela no cantinho. — Os outros já vão dormir, está tarde para eles.

— Você também pode ir se quiser. — Digo tentando aliviar seu fardo.

— Não, eu gosto do ar noturno. — Recebo um sorriso de covinhas como resposta.

Ficamos em um silêncio confortável por algum tempo, mas começo a me sentir sonolento e cansado. Chamo Hobi para entrar. Na hora de dormir, retiro os sapatos mas calço duas meias extras e coloco um par nas mãos. Meu colega de quarto me observa com cuidado.

— Não por uma questão sentimental, mas nós podemos dormir próximos para nos mantermos aquecidos. — Hobi começa timidamente. — Desculpe, estou sendo um idiota. — Ele permanece de cabeça baixa envergonhado.

— É uma boa ideia. Puxe seu colchonete para cá.

Hoseok trabalha rapidamente para mover tudo de lugar. Acho que ele também sente o frio do inverno. Nos deitamos de costas um para o outro, mas o calor não é o suficiente, então eu o abraço e espero que ele não se sinta mal por isso. Logo estou adormecendo muito mais confortável do que quando dormia sozinho.


Notas Finais


A bad bateu na minha porta depois que escrevi esse capítulo. Minha playlist não ajudou também. Deixe aí nos comentários o que achou das histórias do memorial do Jimin.
Obrigada por ler. Até quarta-feira.
Uma pergunta: que música é a sua favorita quando você está na bad?


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