História New York - Capítulo 13


Escrita por:

Postado
Categorias Descendentes
Personagens Carlos de Vil, Chad, Doug, Evie, Jane, Jay, Lonnie, Mal, Personagens Originais, Princesa Audrey, Príncipe Ben, Uma
Visualizações 48
Palavras 2.535
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Magia, Mistério, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Mesmo com o risco envolvendo sua proximidade com Ben, Mal aceita sair em um encontro com ele. A noite, no entanto, tem um final desagradável.

Capítulo 13 - Capítulo treze - Pizza em um beco escuro


Mal sabia que nem de longe era a pessoa mais romântica do mundo. Na verdade, o romantismo lhe causava enjôos até pouco tempo antes.

Curiosamente, ela namorava com a pessoa mais romântica do mundo. Mais uma ironia do universo.

Nos últimos meses de seu namoro - antes de toda a catástrofe de Nova York - ela até tinha tentado se importar mais um pouco com o romantismo, planejando alguns encontros e comprando alguns presentes, mas ficara claro que não era um talento natural. De qualquer maneira, ela estivera tentando mostrar a Ben que se importava com aquele relacionamento tanto quanto ele, já que o lance da reciprocidade sempre fora uma pedra no caminho dos dois.

E agora ela sabia exatamente como amar alguém que não te amava de volta poderia ser irritante.

No final das contas, não importava, já que seu plano de conquistar Ben havia sofrido uma inconveniente reviravolta e agora ela precisava afastá-lo.

Malévola tinha conseguido atrasar as coisas e ainda deixar Mal paranóica a respeito de segurança.

Se eu não aparcer até a meia noite, fui sequestrada, ela dissera aos amigos, pouco antes de descer do carro de Jay para seu encontro.

Aquela cafeteria não era exatamente romântica, o que era ótimo. A melhor coisa dela, entretanto, não eram os donuts como Jay havia sugerido - embora fossem donuts realmente muito bons - mas sim o terraço com zero movimentação e muita privacidade, distante dos olhares curiosos de Clint e Malcom, os macacos alados de Malévola, ou de qualquer espertinho com uma câmera.

Mal fora enfática a respeito de seus termos para aquele encontro, deixando claro que não queria que ele a buscasse ou que levasse qualquer presente, apenas que a encontrasse atrás daquela cafeteria, as sete da noite.

Bastante suspeito.

Lá no fundo, ela esperava que todos aqueles termos e que fazê-lo esperar dez minutos por ela em um beco escuro o fizesse se assustar e desistir. Tornaria tudo muito mais fácil.

Não foi o que aconteceu, é claro.

Quando ela chegou aos fundos do estabelecimento, lá estava Ben, encostado na parede e olhando o relógio, impaciente, sem parecer se importar muito em estar naquele beco suspeito, a um passo de ter seu rolex roubado por qualquer delinquente que resolvesse passar por ali.

Ele sorriu ao vê-la, consertando a postura.

- Você está linda.

Mal meio que riu, balançando a cabeça negativamente. Ben era mesmo imutável.

Ela não achava estar especialmente linda. Até porque fizera o mínimo possível para parecer apresentável. Fazê-lo querer se afastar ainda era o ponto.

De qualquer maneira, sabia que se estivesse de pijama ele diria a mesma coisa. Afinal, a fraca luz do único poste funcionando no beco não deixava sequer que ele a visse direito.

Benjamin lhe estendeu uma rosa vermelha, que até então mantinha encondido dentro de sua tipoia.

Mal precisou esconder um sorriso. Era tão difícil lembrar que teoricamente ele não era seu namorado.

- Eu disse que não era pra trazer nada pra mim.

O garoto deu de ombros e segurou a rosa perto do peito.

- E quem disse que é pra você? Essa flor é minha, Mal, o mundo não gira ao seu redor.

Ela riu, rolando os olhos. Só então Ben pareceu notar a caixa de pizza que ela carregava.

- Essa é sua ideia de encontro? Comer pizza em um beco escuro? - Ele perguntou, sorrindo torto. - Se tivesse me deixado planejar não teria sido muito diferente.

- Tenho certeza disso. - Mal murmurou com ironia, entregando-lhe a caixa de pizza e se aproximando para abrir a grade de ferro da porta dos fundos da cafeteria.

O cadeado estava quebrado a muito tempo, ela e seus amigos haviam percebido isso ao subir até o terraço pela primeira vez.

- Estamos invadindo? - Ben quis saber, receoso, ao seguí-la escada acima.

- Sim. - Ela respondeu simplesmente, esperando que ele desse meia volta, tagarelando um de seus discursos sobre fazer a coisa certa, mas ele não o fez, embora parecesse meio contrariado.

Mal também não parecia muito certa sobre o que fazia pois, ao mesmo tempo em que queria afastá-lo momentaneamente até resolver o pequeno impasse com sua mãe, não podia assustá-lo pra valer e fazer com que ele nunca mais quisesse vê-la novamente, já que ele era sua passagem de volta para casa.

Além disso, ela não se julgava emociolmente capaz de manter-se longe dele. De alguma maneira, em pouco tempo Ben havia se tornado o alicerce que a mantinha no lugar. Chegava a ser estúpido o quão interligados eles estavam a ponto de precisarem um do outro continuamente para superar suas adversidades.

Era toda essa coisa do amor verdadeiro, Mal sabia.

Em outros tempos aquilo a teria feito se sentir muito fraca. Estupidamente patética. Mas não era assim que ela costumava se sentir. Surpreendentemente, ela se sentia forte, sentia-se revigorada sempre que lembrava que ele estava ali por ela.

E mesmo com aquele Ben defeituoso, tê-lo por perto era uma constante lembrança de que ainda havia esperança.

Lá em cima, Mal colocou a caixa de pizza em cima de um dos muitos caixotes de madeira que estavam espalhados por ali, sentando em outro e sorrindo torto para Ben, como se o desafiasse a achar aquilo agradável.

Ele apenas sorriu de volta, puxando um dos caixotes para se sentar de frente pra ela.

- Sabe, se eu não te conhecesse, diria que não quer ser vista comigo - O garoto comentou, brincalhão.

Ela deu de ombros, achando graça na ironia da afirmação, mas seu tom saiu sério quando ela respondeu:

- Você não me conhece.

- Mas parece que você conhece a mim - Disse Ben ao abrir a caixa, pegando uma fatia da pizza marguerita. - Essa é a minha preferida. Devo imaginar que você deduziu isso com seus poderes mágicos.

Mal deu de ombros, concordando, antes de pegar uma fatia também, olhando para a rosa que ele havia deixado sobre um dos caixotes.

- Em minha defesa, você não tem sido a pessoa mais aberta do mundo - Benjamin falou, dando a deixa para que ela falasse sobre algo sobre si.

A garota deu de ombros. Não gostava muito de falar de si mesma, toda a convivência que tivera com sua mãe a transformara no total oposto de alguém narcisista.

Não que ela pudesse realmente falar sobre si, já que não sabia nada sobre aquela sua vida falsa e a sua vida verdadeira soaria ridiculamente irreal aos ouvidos dele.

Curiosamente, ela se convenceu de que aquilo não importava. Que diferença ia fazer se ele a achasse maluca?

Largando sua pizza de volta na caixa, Mal o encarou, como se julgasse se ele era bom o bastante para ouvir sobre sua vida particular.

- Eu nasci em um ilha.

Ben se empertigou em seu lugar, animado.

- Havaí?

- Não. Uma ilha perto de um lugar chamado Auradon...

Ela parou de falar quando o barulho alto de um helicóptero em vôo rasante distraiu a atenção dos dois, fazendo-os olhar pro céu.

Ambos viram a luz do farol do helicóptero passar, mas Mal continuou olhando para cima mesmo depois que ele já tinha se afastado, encarando a lua e parecendo meio perdida em pensamentos.

Ben pigarreou levemente para chamar sua atenção, mas ela não pareceu ouvir.

- Mal? - Ele chamou, só então fazendo-a olhar pra ele de novo.

- O que?

- Você estava dizendo..? Algo sobre um lugar chamado Auradon.

A garota franziu o cenho, meio desorientada.

- O que é um Auradon?

Ben meio que riu.

- Eu não sei, você estava falando sobre. Disse que nasceu em uma ilha...

- Ah, sim. Ilha de Manhattan. Onde você nasceu?

O garoto sorriu, parecendo empolgado em contar a respeito de seu conturbado nascimento em uma cidadezinha na França, mas Mal não prestou atenção como deveria.

Sua cabeça doía um pouco e ela tinha uma estranha sensação, como se tivesse saído de casa e deixado o fogão ligado, como se precisasse lembrar de alguma coisa importante.

Mas não conseguia lembrar. Talvez fosse apenas uma sensação.

[...]

Nenhum dois esperava que eles fossem comer a pizza inteira e ainda brigar pelas migalhas.

Havia uma última fatia na caixa e dividir não era uma opção. Por isso tiveram que decidir quem ficaria com ela, na mão. Literalmente.

Mal e Ben tinham os cotovelos apoiados em um caixote e se encaravam com divertimento.

A troca de olhares não durou muito mais, quando ela virou o braço dele, soltando uma risada vitoriosa ao pegar a caixa de pizza.

- Há!

- Não vale, você me distraiu! - Disse Ben, contrariado, pegando a caixa de volta antes que ela pudesse pegar a fatia. - Eu quero uma melhor de três.

Mal riu.

- Mas essa foi a melhor de três, garoto!

- E você me distraiu todas as vezes! Vamos de novo.

- Não. Aceite sua derrota como um bom perdedor e me dê essa pizza.

- Certo, olha... - Ben manteve a caixa a uma distância considerável dela, enquanto parecia pensar. - Vamos de novo e se eu ganhar, você pode ficar com ela, e se você ganhar, também.

Mal o olhou, sem entender, antes que ele continuasse:

- Mas se eu ganhar, você vai ter que me deixar te levar em outro lugar antes de te deixar em casa.

A garota fingiu pensar, tamborilando os dedos sobre o queixo.

Por que mesmo eles estavam se encontrando naquele telhado? Ah é, os lacaios de sua mãe estavam por ai.

E por que mesmo Mal estava protegendo aquele garoto deles?

Ela não conseguiu pensar em uma resposta para aquela pergunta. Agora não entendia mais por qual motivo tinha se recusado a ajudar sua mãe naquilo. Lhe pareceu tremendamente idiota não ter se aproveitado da situação para se redimir com ela pelo desagradável evento que lhe fizera parar naquele reformatório.

E por que mesmo que ela havia fugido de lá, para início de conversa?

Um monte de coisas pareciam não fazer sentido. Talvez ela precisasse de uma noite de sono.

Afastando aqueles pensamentos, Mal assentiu, apoiando novamente o cotovelo sobre o caixote. Ela o venceria, de qualquer jeito.

Havia aprendido em algum lugar que queda de braço não se tratava apenas de força. E ganhar de Ben era muito fácil, ela só precisava manter os olhos nele, piscar de um jeito, morder o lábio de outro... ele perdia o foco muito rápido e perdera pra ela outras três vezes antes.

Para sua infelicidade, dessa vez ele não olhou pra ela. E quando disse já, derrubou seu braço em dois segundos.

- Ganhei. - Com um sorriso vitorioso, Ben lhe entregou a caixa de pizza.

Mal deu de ombros.

- Mas quem está com o último pedaço sou eu.

Poucos minutos depois, de volta a frente da cafeteria, ele a guiou até sua moto, uma naked preta, entregando-lhe um capacete.

Mal achou graça, talvez por achar que seria mais a cara dele ter uma scooter ou algo do tipo, mas aceitou o capacete, montando na garupa.

- Aonde vai me levar? - Ela perguntou ao abraçar o tórax dele, mas não recebeu uma resposta, quando Ben apenas deu a partida.

Havia algo extremamente familiar na sensação que ela teve ao percorrer as ruas de Nova York abraçada a ele. Imaginou que já tivesse sentido o cheiro dele em algum outro lugar.

O caminho foi meio longo. Eles se afastaram dos prédios, até algum lugar de Manhattan que Mal não se lembrava de já ter ido alguma vez. E logo ela que conhecia Nova York tão bem.

Ben parou a moto em cima da calçada, na frente de grades altas que cercavam o enorme jardim de uma propriedade particular.

Ele tirou uma chave do bolso, abrindo o portão e fazendo uma pequena reverência para que ela entrasse.

- Estamos invadindo? - Mal perguntou irônica, ao passar por ele.

- Eu também sei viver perigosamente - Respondeu Ben, fazendo-a rir. Ele entrou, fechando o portão atrás de si. - Eu trabalho aqui por meio período, cuidando das plantas. Bem, agora estou de licença médica, mas ainda trabalho.

Mal sorriu apologética, com a menção do atropelamento de antes, seguindo-o pela pequena estrada de concreto que cortava o gramado de um ponto a outro.

O jardim era enorme e estava completamente iluminado pelas luzes noturnas. Ben mostrou a ela cada arbusto que tinha podado e cada flor que havia plantado, com visível orgulho. Era fofo.

Aos fundos do jardim, cercado por árvores, havia um lago que refletia a luz da lua. Ben se sentou na grama ali perto, puxando Mal para sentar ao seu lado.

- Teríamos vindo aqui durante o dia, se você tivesse deixado. Não é muito movimentado, só pelos patos e as garças que ficam aqui.

A garota não disse nada. Passou longos minutos sem dizer nada, com um vinco entre as sobrancelhas, sem entender porque tudo aquilo lhe parecia tão familiar. Um encontro com Ben, no lago... Parecia que ela estava tendo um déjà vu interminável durante toda a noite.

- Sabe, pode parecer loucura o que vou dizer - Ele a olhou depois de um tempo, quebrando o silêncio. - e não quero que você pense que é uma cantada barata, porque é verdade...

Mal voltou sua atenção pra ele, curiosa, esperando que ele continuasse.

- Eu tenho essa constante sensação de que te conheço a muito tempo. Tudo sempre parece muito familiar quando estou com você... quase como... - Um leve pigarraeio. - Não sei, quase como se eu te...

- É você tem razão - Ela o interrompeu no meio da frase. - Isso é mesmo uma cantada barata.

Ben riu junto com ela, mas seu rosto enrubesceu levemente.

Ele passou o polegar pela bochecha dela, esquadrinhando sua expressão com cuidado.

- Eu não posso cumprir minha promessa.

- O que?

- Eu disse que te deixaria em paz se você saísse comigo, mas não posso fazer isso.

Mal não respondeu, ocupada em gerenciar sua expectativa enquanto sentia a proximidade entre seus rostos descompassar sua respiração. Ela sorriu torto antes de deixar que ele a beijasse, porém seus lábios se tocaram por meio segundo antes que Ben fosse brutalmente afastado dela.

Reprimindo um grito de susto, Mal se levantou de vez ao ver um homem puxar o garoto pelo braço, colocando-o de pé, mas seu surto de pavor acabou antes de começar, quando ela reconheceu o homem, assim como seu parceiro, alguns passos atrás.

Eram apenas os funcionários de sua mãe.

- Ei, isso não é uma invasão! - Ben tentou se explicar, alarmado. - O dono do parque me deu a chave, eu trabalho aqui!

Os sujeitos não disseram nada, olhando para Mal como se esperassem alguma reação dela, mas a garota continuou parada.

Ben puxou o braço do aperto dele, com brutalidade.

- Estou falando sério! Liguem pra ele, ele vai confirmar.

- Nós vamos fazer um passeio, garoto. - Disse Clint, com sua voz grave e assustadora.

- Eu não vou a lugar nenhum com vocês. - Ele respondeu e olhou para Mal tristemente, como se tentasse se desculpar por todo aquele inconveniente, mas não soube ler a expressão dela.

Os dois homens também a olharam e ela cruzou os braços sobre o peito, soltando um longo suspiro.

- Clint, Malcom - Mal disse devagar, ignorando o olhar surpreso que Ben lhe lançou ao perceber que ela os conhecia. A frase que ela disse em seguida, entretanto, conseguiu surpreendê-lo ainda mais. - Levem ele.

- Mal? - O garoto a questionou, incrédulo, antes de prender um grunhido de dor quando o homem tirou o braço dele da tipoia, unindo seus pulsos em suas costas, para amarrá-los com uma corda que tirou do bolso. - Ei! Me solta!

O outro homem tirou um saco preto de dentro de seu paletó.

E a última coisa que Ben viu antes de ter seu rosto coberto por ele, foi a expressão impassível de Mal.


Notas Finais


Eu realmente lamento pela demora em postar.
Agradeço imensamente a todos os comentários no último capítulo (vou respondê-los já, já) e aos favoritos.

Espero que não tenham desistido da história ainda! 😅

Comentem nessa merda e até o próximo capítulo!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...