História Newport - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Lobisomens, Mistério, Originais, Romance, Sobrenatural, Suspense
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Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - O Começo


Emma

O vento soprava na medida em que eu abria as pesadas janelas de meu quarto, o ranger da madeira velha fazia com que minha espinha gelasse, talvez por gastura ou algum outro motivo qualquer, eu não sabia ao certo. Apoiei-me na beirada observando a rua deserta. Sorri enquanto observava o celular, a tela brilhando, trazendo uma ofuscação em meus olhos devido à claridade.

- Você é meu melhor amigo deveria me apoiar – exclamei após retornar a chamada de Noah.

- Eu não posso apoiar você Emma, isso é loucura – posso senti-lo sorrir do outro lado da linha.

- Você sabe que vai ser divertido e que não é perigoso - Insisti.

- Isso é perigoso. – Ele afirmou. Sério.

- Sim, talvez seja um pouco perigoso – dei uma pausa, enquanto passava a mão direita na bochecha - mas eu preciso que você vá comigo. – completei.

- Acompanhar minha melhor amiga, a uma festa totalmente desconhecida, que ela ficou sabendo por uma mensagem anônima? - perguntou.

- Você falando assim faz parecer perigoso.

- Acha que consegue sair escondida da sua mãe? – Deu-se por vencido.

- Depois de todas as festas que fomos escondidos, você ainda tem duvidas?

- Não – ele ri – te dou um toque quando estiver na esquina.

- Eu já disse que amo você? – falo com a voz manhosa em agradecimento.

- Inúmeras vezes – ele fala, segundos antes de encerrar a ligação.

Deixei o celular em cima da pequena mesa talhada em cerejeira e caminhei ate a porta para ver se minha mãe havia dormido, abri com cuidado e segui o corredor nas pontas dos pés, fechei os olhos me concentrando e pude ouvir a respiração calma e sincronizada de Elena dormindo.

- Vai ser muito mais fácil do que pensei – sussurro enquanto volto para o quarto, abro as portas do guarda roupa para procurar uma roupa apropriada. O cabelo não seria difícil de arrumar e muito menos a maquiagem, pois já estava acostumada a me preparar em cima da hora para dar uma escapadinha de madrugada.

Vejo a luz do celular acender, e pego o mesmo lendo a mensagem de Noah, ele já havia chegado, pego a bolsa e com o sapato nas mãos, desço até o primeiro andar e destranco a porta, fazendo com que o trinco destrave e saio. Apesar da rua estar mal iluminada localizo seu carro rapidamente e ando até lá a passos largos, entro e sorrio sentindo o ambiente quente graças ao aquecedor.

- Não tinha uma roupa mais curta – Exclama do jeito brincalhão de sempre.

- Até que tinha, mas eu não queria deixar as pessoas com inveja – brinco após o carro estar em movimento – Sua irmã encobriu você?

- Meus pais não estão em casa, você sabe, trabalho de fim de semana, em
St. Johnsbury.

- O que tem de tão interessante lá?

- Dog Mountain – ele sorri despreocupadamente sem tirar a atenção das ruas.

- Certo isso fez com que seus pais pareçam muito mais estranhos do que já são, sem querer ofender, é claro. 

- Esta tudo bem, mas lá tem uma vista de tirar o fôlego, é como se fosse o topo do mundo.

- Parece ser uma grande aventura – sussurro não muito interessada no assunto sobre; a montanha dos cachorros com uma vista excepcional.

Observo as casas, luzes apagadas, quintais limpos, poucos carros ainda estacionados nas garagens a céu aberto. Tudo muito tranquilo.

 

- Chegamos – Ele anuncia depois de alguns minutos.

- Não brinca, esse é o carro do Zed, não é nenhuma festa misteriosa – falo desanimada enquanto descemos do carro.

A ideia que eu havia criado de uma festa desconhecida, era muito emocionante. Agora, estava frustrada.

- A festa não é, mas as pessoas são – Ele aponta com a cabeça para Peter – quer mais mistério do que ele?

- Você é engraçado – sorrio e entramos na festa sendo recepcionados com falsos sorrisos e bebidas misturadas.

A batida da música não poderia ser mais envolvente, o calor que emanava das pessoas que dançavam na pista improvisada era asfixiante, o álcool já mostrava sinais no meu cérebro e eu já me sentia mais solta do que nunca. Sorria para Noah que estava mais animado do que eu, os cabelos castanhos já pregaram em sua testa e seu sorriso era esplendorosamente grande.

Com os olhos fechados sentia a música preencher meus sentidos, me envolvendo como um cobertor em um dia de inverno, porém sinto algo se contrair dentro de mim, uma sensação estranha, mas tão conhecida por mim, minha velha amiga, abro os olhos e tento sair do meio das pessoas, mas a cada passo dado, mais pessoas aparecem bloqueando minha passagem, ao sair da pista improvisada de madeira e tijolos, sinto o vento gélido na minha pele quente e suada devido a dança e o consumo de álcool, observo as grandes árvores que se erguem em minha frente e sem pensar duas vezes entro na floresta.

Afasto-me ao máximo do barulho e do fluxo de pessoas que se encontravam no inicio da floresta, a cada passo que dava sentia cada célula do meu corpo se contrair, cada músculo implorar pela transformação, corro sem me importar muito para onde estou indo, e caio após tropeçar em uma raiz solta no chão. O barulho do vento é quase tão irritante como o canto das cigarras, minha transformação está ao ápice e quase tudo parece me irritar, sinto o sangue correndo em minhas veias, minha pulsação cada vez mais acelerada, meu corpo começa a se contrair e a dor é quase tão insuportável como das outras vezes, caio no chão sentindo cada músculo do meu corpo se retraindo e cada osso quebrar fazendo com que minha postura mude, espasmos involuntários me preenchem por inteiro, tornando impossível que eu me levante novamente, sinto pelos preenchendo meu corpo, e ao apertar os olhos, tudo esta diferente, meus sentidos estão mais apurados, sinto a terra molhada sobre minhas patas e o cheiro inebriante de grama molhada, toda a dor se dissipou como se nunca estivesse presente e a irritação que antes me preenchia se foi.

Corro o mais rápido que posso aproveitando o último pingo de liberdade que me resta antes que tudo mude definitivamente, o vento gélido toca meu nariz fazendo com que o mesmo esfrie e sinto uma paz inexplicável estando naquele lugar, porém a calmaria dura por pouco tempo, logo a frente capto um cheiro tão conhecido por mim e inconfundível, diminuo o passo e me aproximo de vagar, não entendo o motivo por estar fazendo aquilo pois o cheiro de sangue é a coisa mais comum dentro de uma floresta, mas algo ali não me cheirava bem, definitivamente, algo estava errado.

Cesso meus passos no momento em que tudo fica em silencio, o tempo parece parar, olho para cima vendo apenas pequenos pontos brilhantes que ofuscam minha visão confundindo meus sentidos, olho para os lados e é como se cada ser presente ali tivesse desaparecido, continuo a caminhar, e ao chegar ao local onde o cheiro me levou, não a nada lá, nem sangue, nem corpo, algo estava errado. Farejo o chão tentando encontrar o rastro novamente, mas é impossível, pois o cheiro se foi como mágica. 

Sentada em um galho quebrado fito a escuridão da floresta, observo minhas mãos que antes possuíam patas agora estavam sujas devido a terra e ao barro, algo estava errado, não pelo fato de eu ter me transformado em uma lua errada, mas sim pelo cheiro que desapareceu, viro a cabeça após ouvir um galho sendo esmagado e fito o Noah, sorrio.

- O que aconteceu? Vi você correndo da pista, mas você não me ouviu gritar - Ele senta do meu lado e fita minhas mãos – Você se transformou? – Sua testa se enruga, algo que o deixa charmoso.

Afirmo sem ter muito o que dizer.

- Isso acontece às vezes, não quer dizer que você vai virar um lobo sanguinário. – Comentou, a voz calma e baixa, em meio ao burburinho da festa.

- Reconfortante – sorrio de lado – você sabe como levantar o meu humor.

- Ei – ele levanta as mãos em forma de rendição – você que é a futura loba sanguinária aqui não eu.

Sorrio.

- Sério Em, eu já posso ouvir o noticiário, Lobo descontrolado ataca supermercado em Vermont.

- Salgadinhos de queijos foram as principais vitimas – brinco entrando em seu jogo.

- Você vai me contar o motivo de estar sendo tão evasiva assim?

Nego fazendo biquinho.

- Podemos ir pra casa? – Falo já de pé, limpando manchas úmidas do galho do meu short.

Ele afirma levantando, limpando a sujeira das calças.

Já dentro do carro solto um suspiro longo e pesado – Não acredito que viemos em uma festa em Prouty Beach Camp Ground. – Comento lentamente, apertando os olhos.

- Não acredito que você me fez vir em uma festa na Prouty Beach Camp Ground – Ele estala a língua no céu da boca.

Sorrio despreocupada – Melhor do que passar a madrugada de sábado em casa não acha? Além do mais, foi divertido.

- Devemos chegar em na sua casa no inicio da manhã – Ele diz na medida em que meus olhos vão se fechando.

Acordo com o sol refletindo no para brisa e sento ereta no momento em que Noah faz a curva na Pleasant St.

- Você poderia ter me acordado, poderíamos ter divido a viagem – Apanho minha bolsa que estava no banco de trás e a seguro contra meu tórax.

- Não quis te acordar – fala estacionando o carro em frente a minha casa – e além do mais você é uma péssima motorista – ele sorri – Não entendo como tiveram a coragem de entregar uma habilitação a você.

- Você é a melhor pessoa do mundo – dou um beijo em sua bochecha e saio do carro – te vejo na escola gracinha – ando até em casa e ouço o barulho dos pneus se afastando.



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