História Newport - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Lobisomens, Mistério, Originais, Romance, Sobrenatural, Suspense
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Palavras 2.203
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - O Passado


2

- Onde você estava? – Ouço a voz ranzinza de Elena esbravejar atrás de mim.

Sou pega de surpresa ao fechar a porta da sala, droga.

- Eu sai, Noah pediu para que eu o encontrasse na Newport Natural – Minto.

Seus olhos me examinam minuciosamente e param em minhas mãos e no mesmo instante observo suas sobrancelhas serem erguidas, agora não tem escapatória, não existe mentira para isso.

- Podemos falar sobre isso depois? Prometo explicar o motivo – falo me referindo as mãos sujas e ela afirma sutilmente, agora, mais calma.

Agora eu teria tempo para inventar alguma desculpa que não parecesse tão estúpida como a primeira.

Subo os degraus de dois em dois e entro no banheiro para tomar um banho. Um banho era tudo o que eu precisava nesse momento, aliviar a tensão, relaxar os músculos doloridos e descansar, a descarga de adrenalina que recebo após a transformação é grande, e no meio dela é pior ainda, acho que a dor é uma barreira entre a consciência e a inconsciência dos atos, o que permite que eu não perca o controle fora da temporada de transformação. Porém algo fez com que eu me transformasse fora da temporada.

Após descer e ver Elena sentada na pequena bancada da cozinha, tomando seu café e lendo o jornal, eu sabia que não conseguiria mentir para ela, teria que contar a verdade, e foi isso que eu fiz.

- Aconteceu alguma coisa? – Ela pergunta após eu ter sentado do seu lado.

- Aconteceu – para um pouco e penso sobre o ocorrido na floresta – eu não sei.

- Como assim não sabe Emma? O que você viu? – Ela dobra o jornal o deixando em cima da mesa, e me encara, os olhos pensativos e levemente preocupados.

- Não foi o que eu vi mais sim o que eu senti – suspiro tentando manter o foco – era sangue eu tenho certeza, mas depois sumiu.

- Não se preocupe com isso querida – Á vejo se aproximando e me abraçando forte – você sabe que não se pode confiar em florestas.

Afirmo e a abraço carinhosamente.

Porém fico pensando, que ela não mostrou muito interesse sobre isso.

 

O cansaço se tornou um peso após conversar com minha mãe, a noite foi mais agitada do que havia imaginado, ainda era cedo, o sol mal havia nascido.

Após cochilar por algumas horas, acordo e faço minha higiene, desço e fecho os olhos sentindo o cheiro de bacon.

- Bom dia – volto a abrir os olhos após a voz melodiosa de Elena preencher meus ouvidos.

- Bom dia mãe – sorrio indo até ela, e roubando um pedaço de bacon recém fritado – Adoro bacon.

- Eu sei e por isso que vamos dividir esses – ela pega o pequeno prato e o coloca na mesa.

- Estou atrasada não tenho tempo – falo apresada e colocando alguns pedaços de bacon em uma fatia de pão – O ônibus já vai passar.

- Pensei que Noah fosse buscar você – ela fala entregando-me um copo de leite.

- Os pais dele chegaram hoje de St. Johnsbury e provavelmente ele não vai à aula.

- Dog Mountain?

Afirmo e ouço o barulho do ônibus que se aproxima e me levanto rapidamente, me despeço de Elena que esta ocupada com o restante do café, e ao entrar no ônibus aperto a alça da mochila nos ombros e sento o mais afastada que o normal do restante das pessoas.

As conversas altas e risadas despreocupadas era o único motivo que me fazia ir de transporte público para a escola, essas pessoas tão alheias à realidade, felizes sem saber de segredos e sem o peso na consciência sobre o passado.

- Emma... Emma... Emma... – Levanto os olhos e sorrio ao ver Teresa encostada no banco – o que esta distraindo você?

- Nada – Falo me levantando já que o ônibus acaba de estacionar em frente à escola.

- Seu olhar estava completamente perdido – ela sorri – problemas com um cara?

- Não tenho problemas com nenhum cara – rio em meio a afirmação – por que a pergunta?

- Ouvi boatos – ela fala enquanto entramos na escola – antes que você me pergunte recebi uma mensagem sobre você e o Zed.

- São apenas boatos, fui à festa dele sábado de madruga com o Noah – dou ênfase após ver seu rosto de espanto.

- Eu não insinuei nada, e todos sabem sobre a queda do Zed por você... É muito obviu.

Rio com isso e entramos na sala.

As aulas se passam arrastadas, nunca tive tanta vontade de ir embora da escola como estou hoje, não sei se é o fato de estar curiosa sobre o provável sangue ou se algo está errado comigo. Não tenho dormido o tanto que gostaria ultimamente, e os fantasmas do passado tendem a permanecer quando estou inconsciente, fazendo com que eu perca horas de sono.

- Você esta quieta Em – murmurou Zed com seu sotaque carregado e o sorriso encantador ao pronunciar meu apelido.

Devo admitir, ele era realmente encantador.  

- Só estava pensando – falo sorrindo ao olha-lo, observo as pessoas no pátio durante o intervalo – você viu se Peter veio hoje? – Sua expressão muda de repente, seu sorriso some.

- Aquele esquisitão? – fala tirando sarro e bato em seu ombro – por que você está perguntando isso?

Dou de ombros querendo não render o assunto, e levanto da pequena mesa no pátio da escola e sigo sem rumo à procura de Peter.

As pessoas costumam se intimidar com ele, não pelo fato dele ser esquisito, mas sim por sua família, já ouvi boatos em que seita satânica e canibalismo estavam envolvidos. Peter é definitivamente o exemplo de pessoa antissocial existente, não fala com ninguém, não anda com ninguém, e nem olha pra ninguém, o fato de ser fechado é o que geralmente assusta as pessoas que convivem diariamente com ele.

O observo sentado em uma pequena escada afastada do pátio o cabelo escuro caia sobre seu rosto o tampando quase completamente, me aproximo vendo que sua postura não muda, mas que seu olhar pesa sobre mim.

- Emma Meijoy – o fito brevemente assustada por ele ter conhecimento do meu sobrenome.

- Naquela noite, você também estava lá, não é? Na floresta... Eu senti seu cheiro. – Comento sentando na escada, um degrau abaixo dele.

- Estava, e sei que você também sentiu o cheiro de sangue, e que esta aqui para procurar respostas. – Ele comenta, indo direto ao ponto.

Afirmo brevemente com a cabeça sem desviar meus olhos dele.

- Não sei o que aconteceu e não tenho muito interesses em saber já que o cheiro sumiu.

- Vou voltar hoje lá de noite, para ver se encontro algo ou alguém. – Meus olhos observam os dele.

Seus olhos verdes me encaram, olhos tão indecifráveis como o uivo de um lobo, olhos tão gélidos, misteriosos e que causam arrepios de cima a baixo em minha espinha.

- Vai se transformar na lua errada por vontade própria? – fala com tom de sarcasmo, arqueando uma de suas sobrancelhas.

Nego e rio.

- Você sabe o que acontece quando se faz isso e eu definitivamente não quero que isso aconteça.

Seu olhar desvia do meu, e em seguida ele sai de perto de mim, deixando-me sem reação.

O restante das aulas segue vagarosamente e o meu sentido de curiosidade apita ferozmente dentro de mim, aquele cheiro, é impossível que tenha sumido do nada, isso claramente não faz sentido, há uma antiga lenda sobre florestas, lembro-me claramente de ouvi-la diversas vezes quando meu pai aparecia em casa, o mesmo dizia que lobisomens não são criaturas bem vindas, pois um erro genético foi detectado fazendo com que pessoas possam mudar de formas trazendo assim, tormento a natureza e ao seu ciclo, a floresta em si, como são protegidas por gerações e gerações de bruxas, tentam manter o ciclo estável da natureza atraindo animais ou metamorfos, cada vez mais para dentro dela fazendo com que eles se percam e sejam mortos, ou pela fome, ou por animais das sombras.

Se eu acredito nessa lenda? Não.

- Encontrou seu amigo misterioso? – Sorrio ao ver Noah ao meu lado.

- Pelo visto as fofocas voam hoje em dia – reviro os olhos, fechando meu livro de Matemática.

- Você não tem ideia do que dizem sobre você – Exclama em tom brincalhão – quer carona?

Observo o ônibus e os últimos alunos entrarem. Nego brevemente, você sabe que eu gosto de ir de ônibus é melhor pra pensar e colocar as ideias em ordem.

E com um breve aceno de cabeça, e um sorriso torto ele se despede.

Ao entrar em casa vejo que Elena já havia ido trabalhar e o cheiro fraco de comida denunciava que meu almoço já havia sido feito, Elena poderia saber muitas coisas, mas cozinhar não era bem a sua especialidade, mas não deixava de ser uma refeição agradável. Subo até meu quarto e deixo a mochila em cima da pequena mesa e desço para almoçar.

Lavo os talheres e arrumo a cozinha, quando estou quase subindo ouço a campainha tocar, e sigo até a porta sentindo o cheiro tão conhecido de Noah.

- Saudades? – Falo abrindo a porta, e dando espaço para que ele entre.

- Sempre – ele sorri fechando a porta atrás de si e me seguindo até a sala – Você não vai ficar muito feliz com a notícia que tenho. – Ele se acomoda em uma de suas poltronas preferidas.

- Espero que não seja sobre seu romance com a Rose – franzo a testa – ela é uma garota estranha.

- Eu não tenho romance nenhum com ninguém – exclama – precisamos ir para Derby. – Ele comenta, rápido.

- Derby? E temos que ir pra por quê? – Cruzo os braços, apertando-os levemente contra meu corpo.

- Parece que Matthew vai apresentar o filho dele para o bando já que agora ele possui idade suficiente – ele fala resumindo a mensagem que havia recebido.

Suspiro.

- Porque eu não recebi essa mensagem? – Penso, alto de mais e sento no braço do sofá.

- Todos nos sabemos que você simplesmente iria ignora-la e voltar a fazer seus afazeres.

- Vocês me conhecem perfeitamente – falo com desdém – Não estou muito com vontade de comparecer a essa reunião, Matt foi o culpado pela morte do meu pai e você sabe disse, sem falar que, todos que estarão lá tiveram uma participação no plano.

- Vai ser rápido, eu prometo e fico te devendo essa – ele aponta para mim sorrindo após se sentar – lembra do que seu pai dizia? Sobre o bando?

- É extremamente raro encontrar um lobo que viva sozinho ou isolado, pois as chances de sobrevivência são negativas, o que mantém um lobo vivo é a união com a matilha. – suspiro após falarmos juntos e sorrio.

- Eu odeio quando ele esta certo.

Aceito a proposta de Noah de irmos até Derby, para encontrar o restante do que era pra ser uma matilha unida e feliz, o caminho é longo e cansativo o que faz com que a viagem seja ainda mais dispensável do que deveria ser.

Scott meu pai, era um dos alfas mais renomados existentes da America do Norte, destemido como era, nunca deixava algo passar, sempre aniquilava os que tentavam de algum modo interferir e destruir o seu bando impecável, era o orgulho dele, a ordem, à dominância sobre os outros, a vontade de ser conhecido por aquilo que tem e não por aquilo que é, e essa foi a causa de sua morte, um dos integrantes de sua própria matilha Matthew Lively, que o matou, um plano bem elaborado e extremamente calculado até mesmo para ele, tudo o que sempre quiseram foi vingança, e às vezes esse é um caminho  sem volta.

A antiga casa permanecia a mesma, bem cuidada, com um aspecto impecável. Após Noah estacionar seu carro em frente a casa, observo os carros e as motos, todos estão ali, todos que um dia eram devotos ao meu pai e que viraram as costas quando ele mais precisou dos amigos. 

O Interior da casa permanecia o mesmo assim como seu exterior, as paredes brancas, as fotografias do bando, troféus antigos, medalhas e pequenas esculturas de lobos, chegava a ser irônico o senso de humor de Matt. Ao atravessar as portas duplas todos os rostos da sala se voltam para mim, cada rosto conhecido trazia consigo um olhar pesado de arrependimento, pessoas que um dia tive prazer de chama-los pelo nome, e chama-los de família. Viro para trás tentando sair apressadamente do cômodo e esbarro em alguém alto, levanto os olhos e os reviro no mesmo instante que vejo e semblante de Matt, os cabelos ainda permanecem pretos como a noite e os olhos tão profundos como a perdição, o mesmo sorriso devastador não mudou nem um pouco.

A imortalidade é a benção mais aceita pela licantropia.

- Vejo que não mudou nada Emma - ele sorri.

- Vejo que a idade ainda não chegou para você Matthew.

- Senti falta do seu senso de humor inconfundível – ele aperta meu ombro sutilmente – Fico feliz que tenha vindo, estávamos começando a achar que não teríamos sua presença aqui hoje.

- Tenho certeza que acharam – Observo Noah se aproximando.

- Seja mais gentil – ele sussurra – já se passaram anos.

Reviro os olhos.

 



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