História Nicest Thing - Capítulo 38


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Palavras 5.566
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá amigas e fãs do canal, eu seeei que falei que ia tentar não demorar e demorei, eu seeei, mas essas férias foram mais trabalhosas que o período letivo kkkk o fracasso.

Enfim, consegui terminar o capítulo e aí está ele, espero que vcs gostem!

PS.: nosso vauseman real está mais vivo do que nunca <3

Capítulo 38 - A Hora da Estrela


Larry, em um raro momento de sobriedade, em casa, pensa na situação insustentável criada em sua família. Conhecendo Piper da forma como conhecia, sabia que ela não tinha pressa em resolver tudo aquilo, não enquanto as coisas estivessem confortáveis para ela. Sabia que, mais cedo ou mais tarde, alguém iria ter de coloca-la contra a parede, e pressentia que teria de ser essa pessoa. Depois de vários dias ignorando-a, tentando esquecer e apagar tudo o que só o fato de pensar nela lhe trazia, resolveu lhe mandar uma mensagem. Foi frio, é claro, era inegável que sentia ódio dela e de tudo que ela lhe fazia sentir, principalmente o amor, surpreendente e maior do que ele mensurava. Isso era o pior. Queria odiá-la, larga-la e tirar tudo dela, mas o maldito amor que sentia por ela, aquele mesmo de quando era um jovem deslumbrado e apaixonado, permitia a ele apenas ser um bêbado chato, irresponsável e sem coragem de fazer qualquer coisa.

Ele estava em casa, Christine estava na escola e ele sabia que ela não estava no hospital, ela mesma havia avisado que tiraria alguns dias de folga. Não era difícil imaginar onde ela estava. Ficou mandando mensagens sem sentido, falou que seus pais estavam sentindo a falta dela – o que não era mentira – e, inconscientemente – ou não – falava o que lhe viesse à cabeça, querendo atrapalhar o que fosse que Piper estivesse fazendo com a mulher que ele preferia nem lembrar o nome. Ela visualizava as mensagens, todas. E também as ignorava, todas. Teve vontade de jogar o celular na parede e ir até lá, flagra-la e ver o que ela tinha a dizer. Respirou fundo e pensou mais naquela ideia. Realmente deveria fazer aquilo. Não era isso o que ela queria? Um escândalo? Todas as atenções voltadas para ela? Alguém finalmente tomando uma decisão por ela? Pois ele bem poderia armar todo aquele palco.

Levantou-se e foi até o quarto, pegou uma roupa qualquer e preparou-se para vestir quando viu o telefone tocar. Pensou que era Piper com alguma resposta furada às milhares de mensagens que ele havia enviado, mas era seu pai. Olhou para o aparelho e pensou em não responder, não teria coragem de fazer o que queria naquele momento em outra hora. Deixou o telefone tocar até que seu pai se cansasse mas, logo que terminou a primeira ligação, iniciou-se outra.

- Droga! – Jogou a camiseta que estava prestes a vestir em cima da cama. Não queria atender mas ficou preocupado, podia ser algo grave.

- Oi, pai – atendeu já respirando fundo.

- Larry, você precisa vir me buscar no hospital. É urgente, nós temos que ir a uma reunião no centro.

- Pai, eu não posso ir, chame algum motorista, outra pessoa, tenho um compromisso agora – disse tentando parecer calmo, estava extremamente ansioso.

- Larry? O que está acontecendo?

- Nada. Não está acontecendo nada.

- Eu sei que você não tem compromisso nenhum. Nós temos que conversar, inclusive. Você sabe que eu tenho deixado você viver esse momento mas isso não pode durar muito tempo, você é um homem com responsabilidades.

- Eu sei, pai – sentou-se na cama e respirou fundo, passando a mão no rosto.

- Eu sei que você sabe. Mas esse não é o momento para essa conversa. Eu te espero aqui em 20 minutos.

- Pai, eu realmente...

- Larry, o que você tem tanto para fazer? Eu já falei que a reunião é importante!

- Pai, eu sou um homem adulto, tenho outros compromissos que não envolvem o meu trabalho ou você! – Falou nervoso.

- Larry, não é porque você é meu filho que eu vou ficar te dando colher de chá a todo momento. Se você não estiver aqui em 20 minutos, considere-se demitido do seu emprego – Howard alertou.

Larry desligou o celular e o jogou longe. Odiava quando ele fazia aquilo, mas sabia que não estava na posição de se rebelar. Vestiu uma roupa mais formal e saiu de casa pisando firme pela frustração de seus planos.

 

Dirigindo sem respeitar sinais de trânsito, limites de velocidade, ou qualquer pedestre distraído, Larry dirigia com raiva, quase cego. Pensou várias vezes em desviar do caminho e ir até onde queria, mas sabia que o ato teria consequências. Chegou no hospital no limite do tempo que seu pai havia estabelecido e ele já estava lá, no estacionamento, lhe esperando. Entrou no carro calado, apenas o olhando com o olhar comum de pais que estão insatisfeitos com os filhos, em qualquer idade. Larry também não falou nada, virou o rosto depois de receber o olhar reprovador e continuou a dirigir, quase da mesma forma imprudente que estava dirigindo antes.

- Larry, dirija direito! Você está bêbado? – Seu pai perguntou, assustado com a maneira como ele passava pelas ruas.

- Não – respondeu seco.

Howard o olhou com uma careta, com certeza Larry estava transtornado.

- Larry, eu não pretendo morrer hoje, ou você dirige direito ou pode me deixar aqui mesmo! – Repreendeu-o.

- Que inferno, pai! Pare de falar o que eu tenho que fazer! Eu tenho 32 anos, eu sei dirigir! – Larry alterou-se.

Howard calou-se, apesar de conseguir ver o carro envolvido em um acidente em breve. Não sabia se era proposital ou se ele estava fazendo aquilo por conta do claro descontrole em que estava, mas Larry estava mudando o caminho.

- Larry? Que porra você está fazendo?

- Eu vou por um caminho mais rápido! – Mentiu.

- Você está enlouquecendo? Não tem caminho mais rápido, até parece que não cresceu nessa cidade! Vamos, volte logo para o caminho ou iremos chegar atrasados – ordenou.

Larry fingiu que não ouvia, continuou seguindo para o caminho onde queria ir a princípio. Seu pai falava sem parar, ordenava que ele voltasse ao caminho correto, já estava praticamente gritando, mas ele não ouvia, não prestava atenção, nada mais importava.

- Larry, onde você está indo? O que está acontecendo com você? – Seu pai perguntava, já impaciente e preocupado.

- Pai, fica só um minuto em silêncio, eu juro que você vai chegar na sua reunião – falou e bateu a mão no volante.

Howard ficou em silêncio. Era óbvio que Larry estava transtornado e ele já tinha cansado de tentar entender toda aquela loucura. Entraram em uma rua de prédios estreita e ele estranhou ainda mais. Era óbvio que Larry tinha algum destino em mente.

Quando entrou na rua que já havia visitado uma vez, o coração de Larry acelerou, assim como o pé afundou ainda mais no pedal do carro.

- Larry, tome cuidado! – Howard segurou-se na lateral do banco e o alertou, era a única coisa que podia fazer.

Ele realmente não ouviu nada que o pai falou. Ia com os olhos firmes em seu objetivo.

Chegando mais perto do prédio de Alex, diminuiu a velocidade. Provavelmente não veria nada de mais, mas precisava passar ali para ter ao menos uma confirmação. Para a sua surpresa, desespero e confirmação de tudo o que já sabia mas não tinha comprovação direta. Viu Piper andando na calçada em direção ao carro. Sentiu todo o seu corpo tremer e lágrimas incontroláveis desceram por seus olhos. Não chamou por ela, não falou palavra alguma. Viu que ela entrou no carro e saiu na direção contrária a que ele estava.

Howard não viu nada, só achou estranho quando viu o filho chorar copiosamente, aquilo tudo era muito esquisito.

- Larry,  o que está acontecendo? Fale comigo, meu filho – implorou.

Ele apenas balançava a cabeça, não tinha força alguma para falar. Continuou a dirigir mas suas vistas estavam embaçadas, suas mãos e pés mal obedeciam aos seus comandos e ele não tinha muita consciência de nada que fazia. Sentiu as vistas escurecerem e a última coisa que ouviu, antes de não se lembrar de mais nada, foi o grito de seu pai.

- LARRY!

***

 

Alex estava sentada no tapete, no meio da sala. Ela olhava algum ponto fixo e respirava fundo, não se passava muita coisa por sua cabeça, a excitação do momento ainda tomava conta de seu corpo, sentia as mãos geladas e trêmulas, a respiração descompassada, os movimentos involuntários. Nunca havia sentido nada como o que sentia naquele momento. Já havia passado por tanta coisa na vida, situações de quase morte, mas nada era comparado à felicidade sufocante que sentia agora.

Novas lágrimas escorreram por seu rosto e ela conseguiu formular alguns pensamentos. Pensou que não estava preparada para tanta felicidade. Nunca em sua vida havia sido genuinamente feliz, não sabia nem como era aquilo, mas imaginou que era parecido ao que estava sentindo no momento. Levantou-se e começou a andar sem rumo. Pensou em como seria dormir e acordar todos os dias ao lado da mulher que amava, em como seria compartilhar um lar com ela, como seria poder sair na rua de mãos dadas, declarar-se em alto e bom som, sentir-se parte de uma família. Pensou em sua mãe, em como ela ficaria feliz em saber que ela encontrou uma pessoa como Piper para viver ao seu lado, em saber que as coisas em sua vida estavam se ajeitando e que agora ela seria feliz, saudável e teria uma companheira para a vida. Sabia que tinha esperado muito tempo por aquilo, mas também sabia, no fundo, que iria acontecer porque, apesar de todos os percalços pelos quais havia passado, mantinha a esperança em um lugar protegido, mantinha porque sabia que um dia aquele momento chegaria, que no fim haveria uma recompensa.

A voz de Piper dizendo “eu quero você” ecoava em sua cabeça, conseguia ouvir o sussurro, sentir a respiração quente dela em sua orelha e seu pescoço... Era tudo muito perfeito. Sabia que enfrentariam ainda alguns obstáculos, mas nada mais importava, contanto que estivessem juntas.

Diferente do que havia pensado, não sentia medo algum do que viria pela frente. Estava pronta para a nova vida, as novas experiências, os novos problemas. Era como se agora estivesse pronta para ser uma pessoa de verdade, fazer as coisas comuns que todo mundo fazia. Sabia que seria difícil, que talvez não tivesse todas as habilidades necessárias, mas sabia que sobreviveria e, o mais importante de tudo: viveria, porque, agora, finalmente, a vida lhe havia sido presenteada.

 

***

Piper recebeu a notícia do acidente por Pete. Ele não deu muitos detalhes, só ordenou que ela fosse ao hospital depressa pois a situação não estava nada boa. Ela ainda estava na rua quando recebeu o telefonema, então foi direto para o hospital. Sentia todo o seu corpo estremecer ao imaginar o que poderia ter acontecido. Apesar de ainda nem saber o ocorrido de fato, já conseguia se sentir culpada por qualquer coisa, pela situação de Larry, por tudo. Dirigia no automático, ao mesmo tempo que sabia que tinha de chegar logo, não queria chegar e ter que receber qualquer notícia. Também não conseguia chorar, seu corpo havia entrado em um limbo no qual todas as emoções eram sentidas, mas nada transparecia fisicamente, a não ser pelo tremor no corpo inteiro.

Quando chegou ao hospital, estacionou o carro em qualquer lugar e correu até encontrar algum rosto conhecido. O primeiro que viu foi o de Polly, o jeito que a amiga a olhou já denunciava tudo: as notícias não eram boas. Sentiu o coração apertar pensando que poderia ter acontecido o pior.

- Piper... – Polly chegou perto dela e a abraçou, isso já lhe deixou preocupada, visto que Polly não era muito adepta aos toques.

- O que aconteceu, Polly? – Perguntou olhando em seus olhos.

Polly retribuiu o olhar e mordeu o lábio inferior, nervosa.

- Howard morreu, Piper – foi direta.

Piper não conseguiu esboçar reação alguma. Ficou vários segundos parada, em choque, olhando para Polly. Aquilo era ruim, muito ruim.

- Tem certeza, Polly? – Ela perguntou, Polly apenas cruzou os braços e assentiu.

- Meu deus... – Piper passou a mão nos cabelos e começou a dar passos sem direção. – O que houve? Como isso aconteceu? – Perguntou com a voz chorosa para Polly.

- Não sei, P. As pessoas que estavam no local disseram que o carro estava em alta velocidade, eles bateram com tudo em um poste...

- Por que ninguém me ligou antes? Por que parece que eu sou a última pessoa a chegar aqui? – Piper questionou, nervosa.

- Piper, nós tentamos, seu celular chamava, chamava e ninguém atendia! Além disso, tudo acabou de acontecer, o Larry acabou de entrar para a sala de cirurgia!

Piper olhou séria e atenciosa para ela.

- O que aconteceu com ele?

- Eu não sei direito... Parece que ele machucou a perna, pelo que o Pete me falou, não é muito grave, pelo menos ele estava consciente.

- Deus do céu – Piper esfregou as mãos no rosto.

- Você estava com a Alex? – Polly perguntou baixinho. Piper olhou para os lados e assentiu.

- Isso é tão fodido... Polly, por que? – Perguntou para a amiga. O seu olhar era desolado.

- Piper... Foi um acidente, essas coisas acontecem... – Polly tentou confortá-la.

- O Larry vai ficar tão triste. Ele já sabe? – Ela sentou-se em uma cadeira que tinha ali perto. – E a Christine? Como eu vou dar essa notícia a ela?

- O Larry ainda não sabe, não quiseram dar a notícia antes de ele entrar na sala de cirurgia.

- Como eu vou olhar para ele? Como eu vou apoiar ele nesse momento com tudo o que tem acontecido na nossa vida? – Piper perguntava para a amiga em desespero, agora as lágrimas tomavam conta de seu rosto.

- Piper, deixe para lidar com as coisas conforme elas forem acontecendo. Foi um acidente, é claro que o Larry vai ficar abalado e enfim... Eu não sei o que te dizer, só que estou do seu lado – Polly sentou-se ao lado dela e segurou a sua mão.

Piper a olhou nos olhos e não segurou as lágrimas que vieram. Deitou a cabeça no ombro da amiga e chorou, parecia que o universo conspirava para que as coisas dessem errado em sua vida.

***

 

Piper ficou por horas esperando, esperando, pensando no que aconteceria dali para a frente. A cirurgia de Larry consistiu em um procedimento de urgência devido a um deslocamento que ele teve no joelho. Segundo o médico que realizou a operação, não era grave, ele iria ter a mobilidade reduzida por conta da imobilização da perna e, posteriormente, teria que passar por algumas sessões de fisioterapia. Ele também estava com alguns ferimentos no corpo e dormia devido ao efeito da anestesia.

Piper estava na sala de espera quando a mãe de Larry chegou. A expressão dela era abatida, arrasada, com toda a razão. Piper sentiu um remorso enorme ao vê-la daquela forma. Sabia que não tinha culpa do que tinha acontecido mas ainda assim se sentia mal, com um peso nas costas, sentiu até vergonha de falar com ela em um primeiro momento, mas sabia que não era a hora de respeitar todas as suas vontades.

Levantou-se e olhou para ela. Sentiu em seu olhar a confirmação daquele sentimento latente de culpa. As pessoas não eram burras. Todos sabiam o que estava acontecendo.

De todo jeito, foram educadas. A relação que mantiveram durante todos esses anos era de respeito e, até mesmo, de amizade.

- Eu sinto tanto – Piper disse quando levantou-se e ficou de frente a ela, sua voz era chorosa.

- Eu sei – Amy respondeu e lhe abriu os braços para um abraço. Aquilo reconfortou Piper. Abraçaram-se durante um bom tempo. – Eu não sei o que vou fazer agora, estou sem rumo, sem noção alguma do lugar por onde seguir... – Disse enquanto ainda estava abraçada a Piper.

- Nós estaremos aqui com você, ok? Eu, o Larry, a Chris... Você não vai estar sozinha – Piper se afastou do abraço mas segurou nas mãos dela enquanto falava.

Amy assentiu enquanto chorava. – Ele já sabe?

- Não – falou balançando a cabeça.

- Você vai dar a notícia a ele?

- Eu... – Respirou fundo – eu não sei se sou a pessoa mais indicada a dar esse tipo de notícia ao Larry agora – as duas se olharam nos olhos. Piper sabia que era entendida. – Digo, se a senhora achar que não tem condições, eu posso...

- Eu posso fazer isso, Piper – ela respondeu. – Acredito que cabe mais a mim, nesse momento, ter essa conversa com ele – ela tinha cessado o choro e falava com mais rigidez. Piper sentiu-se acuada.

- Eu agradeço – respondeu baixinho. – Eu posso ficar encarregada de cuidar da burocracias do velório e...

- Já tenho pessoas encarregadas disso, querida. Você precisa estar aqui, ao lado dele – segurou em sua mão.

Piper assentiu e engoliu a seco. Com certeza grandes dilemas a esperavam.

Depois de mais ou menos uma hora e meia de espera, Larry acordou. A cirurgia havia sido bem sucedida e ele estava consciente, querendo saber notícias do pai. A mãe dele entrou no quarto no qual ele faria repouso para lhe dar a notícia e Piper ficou de fora, esperando. Sentia que seu coração sairia pela boca a qualquer momento, aquele notícia seria devastadora para Larry.

Minutos depois, ouviu alguns gritos e choro vindos do quarto, já que estava esperando ali perto. Chorou junto, sabia o quão dolorido aquilo era para ele, ainda mais por ser ele quem estava dirigindo no momento do acidente. Howard era pai e guia de Larry em todos os sentidos, a ausência dele na vida do marido seria devastadora.

Após alguns minutos, percebeu que o clima estava mais calmo e também se acalmou, teria que ser muito sábia com suas palavras e decisões dali para a frente, sentou-se e ficou olhando para a porta, esperando que Amy saísse de lá e lhe desse algum sinal. Estava receosa em entrar ali, falar com ele. Os últimos diálogos dos dois incluía séries de brigas, ofensas e começos de brigas nas quais um saía e deixava o outro falando sozinho. De qualquer forma, era hora dos dois serem adultos e enfrentarem a situação como tal.

Finalmente, Amy saiu do quarto. Ela chorava e Piper a abraçou novamente. Depois de deixa-la se acalmar, tentou conversar com ela.

- Como foi? – Perguntou enquanto passava a mão de leve em seu rosto, secando suas lágrimas.

- Horrível, ele se sente culpado, disse que deveria ter sido ele ao invés do pai, está muito abalado – balançou a cabeça e se sentou em uma das cadeiras que tinha por ali.

- Eu sinto tanto, toda essa situação...

- Eu sei, Piper, eu sei.

As duas se abraçaram por mais alguns segundos até Piper se manifestar.

- Eu acho que deveria ir falar com ele...

- Sim, você deve – olhou-a nos olhos.

- Você vai ficar bem?

- Sim, querida, eu vou ficar mais um tempo por aqui mas logo devo ir embora, tenho tantas coisas a resolver – passou a mão nos cabelos.

- Eu sei – Piper balançou a cabeça olhando para baixo enquanto segurava a mão dela. – Você sabe que pode contar comigo para qualquer coisa. Eu estou à disposição – levantou a cabeça.

- Eu sei, meu bem, não se preocupe, eu te chamarei se precisar – deu um beijo no rosto da loira. – Cuide do meu filho, esse é o favor que você pode me fazer no momento – apertou a mão dela e lhe deixou ali, praticamente sem ação.

Após respirar fundo e tentar repassar os últimos acontecimentos de sua vida em um rápido flash, tomou coragem para entrar no quarto. Fez tudo devagar, abriu a porta com medo e entrou de costas, fechando a porta. Virou-se lentamente para encontrar o rosto impassível do marido a observando. Olhou nos olhos dele com medo. Se ele já estava rude e insensível a ela antes disso, agora é que as coisas não iriam melhorar.

Os dois se olharam nos olhos e Piper deu alguns passos até chegar perto dele. Não falaram nada. Piper colocou a mão por cima da dele, apenas encostando. Ele olhou o gesto e não se moveu, mas também não tirou a mão dali.

- Larry, eu sinto tanto, tanto... – Falou com os olhos fechados, mesmo assim uma lágrima escorreu.

- Eu sei que sente.

Ela olhou para ele.

- Vai ficar tudo bem, ok? Eu não consigo nem imaginar a dor que você está sentindo agora, mas você... Nós, nós vamos passar por isso.

Ele apenas assentiu com a cabeça. Parecia querer segurar o choro mas não aguentou.

- Larry... – ela passou a mão no braço dele, ao que ele sutilmente se afastou. – Você não precisa segurar o choro, a sua dor... Sou eu quem estou aqui.

- E o que isso significa? Que você é minha companheira? Que está ao meu lado? Que vai passar por tudo isso comigo? – Falou com acidez na voz. Piper olhou para ele surpresa.

- Não adianta me olhar desse jeito. Você acha que não tem responsabilidade nisso? Que eu faria algo assim se estivesse no meu estado normal? Você não consegue tirar os olhos daquela vagabunda e perceber o que tem feito comigo?

Piper sentiu o corpo congelar, tirou a mão de cima da mão dele e se afastou. Cruzou os braços e ficou alguns segundos olhando para o chão.

- Do que você está falando, Larry? – Levantou a cabeça e olhou para ele. Era a hora da verdade.

- Você quer que eu explique do que eu estou falando? Eu explico. – Se arrumou na cama sob o olhar de Piper. Ela estremecia da cabeça aos pés mas permanecia do mesmo jeito, com os braços cruzados e o olhar firme, pronta para o que viria.

- Você acha que eu não sei que todo esse tempo você anda me traindo com a porra de uma mulher? Uma puta vagabunda que você teve a coragem de colocar dentro da minha casa e expor a nossa filha? Você não tem vergonha, Piper? – Ele cuspia as palavras.

- Larry, eu não vou me rebaixar ao nível dessa conversa, se você quiser conversar como uma pessoa normal, eu estou aqui, caso contrário, eu saio desse quarto agora!

- Você quer que eu tenha classe? Onde estava a sua classe quando você tava na cama com outra mulher? Mentindo para mim falando que estava trabalhando, que tinha saído com as amigas, que sempre tinha compromissos intermináveis? – Falava com a respiração pesada, as palavras saiam de sua boca com raiva.

Piper não falou nada, sabia que tinha que deixa-lo soltar a raiva, jogar na cara dela tudo o que ela, de fato, havia feito. Era a hora de abaixar a cabeça e ouvir.

- Por que você fez isso, Piper? – Ele agora chorava. – Com uma mulher? Uma prostituta, Piper. Eu nunca esperei isso de você – ele falou e virou o rosto.

- Como... – Ela balbuciou. – Como você soube?

- Isso importa?

- Importa, Larry, eu preciso saber o que você sabe, até onde você sabe... Nós precisamos conversar como pessoas civilizadas.

- Eu recebi fotos de vocês duas, nunca descobri quem foi, não importa – ele falava com amargura.

Piper o olhou surpresa e apavorada.

- Fotos? Que tipo de fotos, Larry?

- Fotos de vocês duas na porra de um clube, sei lá, naquele congresso que você supostamente foi sozinha e me deixou em casa culpado por não poder te acompanhar. Você quer ver as fotos? – Perguntou irônico.

- Não, Larry – respondeu e começou a andar pelo quarto, pensando em como tudo aquilo tinha acontecido. Ela sempre tinha sido tão cuidadosa, mal saiam de casa para não serem flagradas. Quem será que tinha feito aquilo?

- Há quanto tempo você sabe? – Perguntou com a voz chorosa.

- Não sei, um mês, talvez, tempo suficiente – ele olhava para qualquer ponto que não fosse ela.

- Eu não sei o que você sabe, o que você pensa, como pensa em lidar com isso... Tudo o que eu posso fazer – pausou e deixou as lágrimas saírem, não conseguia falar. – Tudo o que eu posso fazer é te pedir desculpas, dizer que eu me arrependo de não ter te falado antes e... E dizer que nada disso foi feito com a intenção de te machucar, por mais que eu saiba que tenha feito isso – olhava para ele que ouvia a tudo de cabeça baixa, chorando da mesma forma. – Isso nunca foi sobre você, foi sobre mim e a minha cabeça fodida, minha moral duvidosa e um sentimento que eu não espero que você entenda – falou e virou de costas para ele, chorando desesperadamente.

- Sentimento? – Ele perguntou com revolta. – Você está apaixonada por ela?

Ela virou e o olhou, seus olhos eram cobertos por lágrimas. Ela apenas assentiu.

- Fala, Piper! – Ele gritou.

- Eu estou, Larry! Eu estou apaixonada por ela! – Ela respondeu também gritando.

- Porra! – Ele gritou e esmurrou o colchão da maca. Como eu posso ser tão burro assim? Você teve tempo de se envolver com essa mulher, se apaixonar por ela, tudo debaixo do meu nariz – ele falava chorando, apesar de parecer mais revoltado do que triste.

Piper não conseguia falar nada, só olhava para ele e chorava, sentindo remorso e culpa.

- Sabe, no fundo eu sempre soube que isso ia acontecer, era óbvio que você estava se segurando todos esses anos, fazendo o teatrinho hetero de mãe de família que era mais fácil para você! Eu sempre soube que uma hora você não ia aguentar mais, só não achei que fosse ser tão baixo, tão nojenta a forma como você ia fazer tudo isso. Eu tenho nojo de você! – Ele dizia quase gritando, com ódio.

- Então você sempre soube que isso iria acontecer e decidiu continuar comigo? Que tipo de obsessão é essa? – Piper rebateu.

- Por algum tempo, por um bom tempo, na verdade, eu achei que o meu amor seria suficiente – falou agora olhando para ela. – Eu achei que ia conseguir te segurar, fazer com que você gostasse de mim, da ideia de ficar comigo, eu te amei tanto que achei que o meu amor fosse suficiente para nós dois. Eu te amei tanto... – Ele parou porque não conseguia falar, nem tentava mais disfarçar as lágrimas. Os dois estavam altamente abalados. – Eu te amei tanto que acabei de matar o meu pai em um acidente por sua culpa – apontou o dedo para ela enquanto falava respirando fundo – e mesmo assim eu não consigo sentir ódio de você! – Terminou de falar e colocou o braço na frente do rosto, tentando seca-lo.

Piper olhou para ele com horror. Como assim culpa dela?

- Do que você está falando? – Sua voz quase não saiu.

- Você sabe onde aconteceu o acidente? Sabe o que eu vi antes que tudo acontecesse? Aposto que não, afinal você estava muito ocupada com coisas mais importantes – passava a mão no rosto com raiva, livrando-se das lágrimas.

- O que você fez? – Piper perguntou com mais firmeza.

- Eu te vi lá, saindo do apartamento dela. Já tinha tempo que eu ia lá, ficava olhando, só para ver se você aparecia por lá, enquanto não aparecia eu tinha esperança de estar errado, de ser tudo coisa da minha cabeça, mas hoje eu vi, eu vi e, infelizmente, a pessoa que eu mais amava no mundo estava comigo e teve que pagar com a vida pela minha falta de controle. E você – apontou para ela novamente – você não pense que foi um acidente, que foi um descontrole MEU, porque você tem culpa, e eu quero que você sinta essa culpa pelo resto da sua vida – disse olhando nos olhos dela.

Ela estava em um estado de choque tão intenso que não conseguia mais nem chorar.

- Eu não... – começou a andar pelo quarto perturbada. – Eu não posso ficar aqui agora... – Foi saindo do quarto.

- PIPER! – Larry gritava. – Piper, volta aqui! – Ela continuava chamando mas ela não conseguiria olhar para ele por mais um segundo sequer. Tantos pensamentos passavam por sua cabeça que ela achou que enlouqueceria a qualquer momento.

 

***

Piper estava em um completo estado de choque. Jamais imaginou que Larry sabia tantos detalhes, até mesmo o lugar onde Alex morava. Pensava no que ele poderia ter visto, em tudo o que havia deixado escapar, no quanto poderia ter exposto a própria família. Sentia-se extremamente culpada. A morte de Howard era o ápice de tudo aquilo, de toda a irresponsabilidade que cometera durante todos aqueles meses. Sentou-se no chão do corredor do hospital e abaixou a cabeça, chorando descontroladamente. Sabia que tinha sido errada e pagaria um preço caro por aquilo. Já estava pagando, na verdade.

- Mamãe! – Ouviu o gritinho conhecido vindo em sua direção.

- Oh... – Não conseguiu pronunciar uma palavra. Christine se jogou em seus braços e ela embalou a menina de forma que só uma mãe consegue fazer. A pequena chorava muito, falava palavras incompreensíveis e a apertava com força, como se aquele abraço fosse tirar a dor que ela estava sentindo.

- Meu bebê, não chore desse jeito – Piper pedia, passando a mão na cabeça da filha, tentando acalmá-la.

- Mamãe, eu quero ver o vovô! Onde ele está? – Ela perguntou olhando nos olhos da loira.

Piper olhou para cima e viu seus pais parados olhando para elas. Sua mãe fez uma careta como se dissesse que já havia explicado, mas Christine parecia não querer aceitar.

- Meu amor, o vovô não está mais aqui com a gente... Eu sei que é difícil para você entender isso, mas eu sei que você é uma menina esperta e sensível e sabe do que eu estou falando... – Piper dizia se segurando, queria desabar ali, mas tinha alguém precisando de seu apoio.

- O vovô morreu, mamãe? Por que ele morreu?

- Não existe uma razão pela qual as pessoas morrem, meu amor – Piper dizia passando a mão nos cabelos dela e olhando seu rostinho vermelho e tomado pelas lágrimas. – É a ordem natural da vida, as pessoas simplesmente se vão... – Disse e não aguentou, começou a chorar novamente.

- Eu não disse tchau para o vovô, mamãe, por que ele não esperou? – Christine fazia perguntas fixando seus olhos azuis nos da mãe. Ela esperava por resposta, assim como qualquer criança de seis anos espera.

- Meu bem, as pessoas não sabem quando isso vai acontecer. Foi um acidente, ninguém sabia – secou uma lágrima com o dorso da mão nesse momento. – Você não tem que ficar pensando nisso, o seu avô te amava e vai continuar te amando onde quer que ele esteja, tudo bem?

- O vovô está no céu?

- Claro que sim, amor – sorriu e passou a mão em seu braço. – Ele está no céu e dentro do seu coraçãozinho, eu tenho certeza que você sempre vai carregar ele aqui, juntinho com você – encostou no dedo no peito dela. Christine olhou-a com tristeza e encostou a cabeça em seu peito. Piper chorou em silêncio, lágrimas incessantes escorriam por seu rosto e ela sabia que jamais se perdoaria por, mesmo que indiretamente, causar aquele sofrimento à filha.

- Piper... – Seu pai a cutucou de leve no ombro, ela olhou para ele com o ar derrotado que agora era seu companheiro. – Sente-se em algum lugar, vocês não podem ficar no chão.

- Só um minuto, eu preciso ficar aqui por um momento – pediu falando baixinho. Além de não ter energias, sentiu que Christine estava quase dormindo.

Declinou qualquer conversa que seus pais tentaram puxar com ela e continuou ali, sentada no corredor do hospital com a filha no colo. Não chorava. Olhava fixamente para as paredes e deixava os pensamentos fluírem. Se atropelarem, na verdade. Pensou em Alex, claro, lembrou do que há algumas horas tinha vivido com ela. Pensou no homem acidentado no quarto em sua frente, na criança em seus braços, em tudo pelo que era responsável. Parecia que sua cabeça iria explodir.

- Piper... – Seu pai lhe chamou novamente. Ela fez um sinal para que ele pegasse Christine no colo e ele prontamente atendeu, levando-a para um quarto ali perto que estava vazio.

- Por que vocês trouxeram ela? Vocês sabem que esse ambiente não é apropriado, ainda mais hoje – reclamou com a mãe.

- Até parece que não conhece a filha que tem. Ela ficou incontrolável quando nós contamos a ela. Disse que queria você ou o Larry, nós não tivemos alternativa – Carol respondeu.

- Piper, ela está chamando por você – seu pai anunciou da porta do quarto.

Piper foi até lá.

- Mamãe – Christine disse sonolenta. – Fica aqui comigo?

- Claro, meu bem, eu não vou sair daqui – sentou-se na poltrona que havia do lado da cama e Christine pediu sua mão para segurar. Parecia pensativa, eram raros os momentos em que ela não estava falando, então Piper sabia que ela realmente estava abalada.

Sentiu uma vibração no celular e pegou para ver o que era. Várias mensagens e ligações de Alex, ela parecia preocupada, provavelmente já sabia o que tinha acontecido. Não respondeu, não tinha cabeça para conversar com ela no momento.

- Mamãe – despertou com o chamado da filha.

- Sim, meu bem – olhou para ela e forçou um sorriso.

- Fica aqui comigo – pediu.

- Eu estou aqui, meu amor, descanse, eu não sair daqui, ok?

- Não vá embora, mamãe – disse olhando em seus olhos. Piper apenas assentiu, sabia que o pedido não se referia somente ao ato de deixar aquele quarto.

 

Ela está pronta pra mudar a sua vida para sempre
Já imagina como tudo pode ser tão diferente
E aquele lugar lá na frente
Vai ser seu

 


Notas Finais


até a próxima :*


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