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História Night Wars - Capítulo 1


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Notas do Autor


Eu tô enrolando com essa história há tempo demais. Chega. Já tava na hora de tomar vergonha na cara kkkkk

Olá! Quem é vivo sempre aparece. Estive longe do meu lado escritora por um longo período, até entrei em um fandom (nctzen) que me pegou de jeito e eu precisei escrever uma long com um tema que amo, dando umas modificadas, é claro. A fanfic vai ser uma mistura de coisas na minha cabeça com histórias que eu gosto e não sei bem quantos capítulos vai ter, mas será long, tipo Signos de Sangue (vou me esforçar pra não enrolar que nem essa, haha...)

Mais detalhes nas notas finais. Fiquem com o primeiro capítulo. Espero que gostem TuT

Capítulo 1 - One


 

Night Wars

Capítulo I

 

Renjun

 

Eu estava tão mal humorado que não me aguentava.

Pra começar, estava tendo pesadelos desde a primeira noite que passei no chalé de vovó Xia, na sexta-feira. Era só pegar no sono que flashes sangrentos e criaturas espreitando no escuro do bosque surgiam para atrapalhar meu descanso. Acordei várias vezes durante a madrugada e só consegui dormir direito quando o sol já estava nascendo. Isso me dava míseras duas horas de sono antes que os moradores do chalé levantassem e começassem a fazer barulho como se estivessem em uma feira de peixe – não importava se era fim de semana.

Se fosse generoso, diria que dormira cinco horas naqueles dois dias.

Já naquele dia havia acordado no susto com o despertador de meu colega de quarto, YangYang, que, por falar nisso, era outro barulhento inconveniente movido à cafeína – pelo amor de deus, quem usava um remix de cabras berrando como despertador?

Agora, eu encarava a cidade pela janela do carona emburrado e com dor de cabeça. Holly Hell, da banda Architects, tocava alto em meus fones de ouvido, e ainda assim não era o suficiente para abafar a tagarelice escandalosa entre meu primo Chenle e vovó.

Ela nos levava porque teria que assinar alguns papeis na secretaria do colégio confirmando a transferência de seus dois netos chineses. 

Eu não estava nem um pouco animado por começar o último ano do ensino médio num colégio novo – e três semanas depois do início do ano letivo. Teria sorte se algum professor sem noção não me fizesse discursar na frente da sala me apresentando.

Vovó Xia virou à esquerda em um cruzamento e pude avistar a estrutura cinzenta e bruta do colégio. Parecia um caixote de concreto, retangular e sem graça. Não era a melhor escola de Seul, mas vovó insistiu com meus pais de que “atendia às expectativas de ensino”.

Guardei os fones enquanto vovó terminava de estacionar o carro. A risada esganiçada e aguda de Chenle fez minha cabeça latejar dolorida.

— Prontinho, chegamos bem na hora — disse vovó, forçando a visão para o reloginho de pulso. — De tarde vocês podem encontrar os meninos pra voltar de ônibus.

Entramos na escola e fomos direcionados pela recepcionista até a secretaria. Uma moça com cabelos bem vermelhos, sorridente demais para uma hora daquelas avisou a diretora da chegada dos estudantes transferidos e nós logo fomos recebidos por uma mulher de meia idade com postura séria e voz tranquila.

Depois de concluir a papelada, vovó Xia se despediu e foi embora. Curiosamente, isso me fez sentir mais nervoso. Respirei fundo, balançando a perna.

A diretora se levantou da cadeira e foi abrir a porta que separava sua sala da secretaria. Dois garotos esperavam ali e se aproximaram com o chamado da mulher.

— Bom, meninos, antes de irem quero apresentar vocês a dois dos nossos melhores alunos. Pedi a eles que fossem seus guias durante esses primeiros dias. Eles fazem parte do grêmio estudantil, então qualquer dúvida vocês podem falar com eles.

Chenle e eu nos levantamos e fomos apresentados a Jisung e Jaemin, cada um deles era da mesma sala que nós transferidos, respectivamente. Eram garotos sorridentes e pareciam legais.

Quase senti pena de Jaemin que teria que aguentar minha cara de cu, mas se ele havia notado meu mau humor, não demonstrou.

A diretora finalizou as formalidades e nos mandou para a aula.

Chenle, sendo o bom tagarela que era, engatou em uma conversa com Jisung como se ambos se conhecessem há eras. Os dois seguiram pela direção oposta no corredor principal, deixando Jaemin e eu em um silêncio pesado.

— Ah! Na hora do almoço eu tenho que te mostrar o seu armário — Jaemin falou repentinamente, como se houvesse abacado de se lembrar daquela informação. — Aí aproveito e te mostro a escola. Acho que você vai gostar daqui, o conselho estudantil é bem liberal. A gente até tem um dia de roupa livre toda semana, sabe, sem precisar usar o uniforme. E tem uns alunos chineses caso você precise de ajuda com o coreano.

— Tudo bem, eu sou bem confiante no meu coreano.

Jaemin me olhou e abriu um largo sorriso.

— Uau! Você realmente tem um bom coreano. Ah! Aqui é a nossa sala, 127. Agora é a aula do professor Shin Donghee, ele ensina sociologia. Ele é bem engraçado, e estava animado por você chegar durante a aula dele.

Paramos em frente à porta e Jaemin bateu na madeira com os nós dos dedos. Logo um rosto surgiu pela janelinha e um homem nos recebeu barulhentamente.

No final, tive que me apresentar em frente à sala. O professor Shin me encheu de perguntas sobre a vida na China e outras coisas estranhas, como se eu gostava de dançar e qual prato coreano estava mais ansioso para provar.

Passei por aquilo tortuosamente. Jaemin ficou ao meu lado e, após um tempo, ressaltou como meu coreano era bom, e isso foi bem legal da parte dele.

A classe parecia bem receptiva. Observei brevemente os rostos amigáveis dos outros alunos e avistei YangYang no fundo da sala; nossos olhares se cruzaram e YangYang abriu um meio sorriso. Não havíamos conversado muito, e eu desconfiava de que ele não ia muito com a minha cara. Enfim, eu não achava que pudesse fazer muito a respeito disso.

Finalmente pude me sentar, dividindo a mesa com uma garota simpática chamada Jo Serim. Jaemin estava na mesa ao lado, junto a um garoto de olhos brilhantes e sorridentes.

Inspirei fundo silenciosamente e prestei a atenção na aula até que divertida do senhor Shin, e fiquei na minha até a hora do almoço.

#

 

Confesso que Jaemin era uma gracinha. Desde seus sorrisos constantes até seu cabelo cor de rosa, ele parecia ser feito de alegria e fofura. Nosso tour pela escola foi o suficiente pra espantar meu mau humor, porque era bem engraçado o modo como o Jaemin falava rápido, sempre muito acelerado.

Não me surpreendi ao notar como Jaemin era popular. Por onde passávamos, os outros alunos acenavam para ele e me olhavam com ares de curiosidade. Jaemin era sempre muito amigável e até fez questão em me apresentar para alguns funcionários com quem esbarrávamos.

Terminado o tour, seguimos para o refeitório, onde mais atenção nos esperava.

— Você tem que ir à minha festa de volta às aulas, Renjun-ah — disse Kim Sihyeon, presidente do grêmio estudantil e veterana.

— Ah, eu tô tão animada, unnie! — comentou Choi Eunji, uma garota que estava na minha sala.

— Meus pais vão liberar o casarão antigo da minha família — Sihyeon continuou. — A arquitetura é in-crí-vel. Vamos começar a decorar hoje mesmo. Se quiserem, podem ir pra lá também.

Os outros alunos que ocupavam aquela mesa continuaram a conversa com empolgação. Jaemin se virou para mim e sorriu.

— Eles são sempre barulhentos. Mas a festa vai ser bem legal mesmo. Vai ser bom pra você se enturmar, né?

— Como sabe se vai ser legal? Viu na sua bola de cristal? —provoquei, surpreso em me sentir tão à vontade.

Jaemin estreitou os olhos como se dissesse “espertinho”, mas sorria divertido.

— Pra sua informação, senhor Huang, as festas de volta às aulas são sempre as melhores.

— São mesmo — Sihyeon entrou na conversa. — É uma tradição da minha família. Meus irmãos davam essa festa quando estudavam aqui, e depois chegou a minha vez — ela deu de ombros. — Pena que ano que vem vocês não serão agraciados com a minha presença.

A mesa estourou em brincadeiras debochadas. Girei os olhos e ri também.

— Ah! Olha o Jeno ali — Jaemin falou de repente e se levantou para acenar.

Vi um grupo de garotos entrando no refeitório. Um deles avistou Jaemin e acenou de volta, apesar de que com menos energia. O reconheci como o garoto de olhos sorridentes que dividia a mesa com Jaemin.

— O que ele tá fazendo com o time de basquete? — Jaemin murmurou e franziu o cenho.

Todos nós observamos enquanto Jeno se aproximava preguiçosamente e cumprimentava a mesa antes de se sentar ao lado de Jaemin.

Um silêncio esquisito tomou conta da mesa.

— Não precisam parar de conversar por minha causa — Jeno comentou sarcástico.

Logo todos desmentiram a fala de Jeno e recomeçaram a falar sobre tudo e nada.

— Então, Jeno-yah, festa de volta às aulas na sexta — Eunji cantarolou.

— Legal — Jeno sorriu seco.

Os outros tagarelavam entre um assunto e outro.

— Por que estava com o Mark? — Jaemin perguntou.

A mesa logo voltou a se calar. Até pra mim o clima tenso era óbvio.

Jeno deu de ombros.

— Estávamos só conversando.

— Assim, de repente, ele quis conversar com você?

— Ele é meu primo. É normal família se falar — Jeno debochou ácido.

Jaemin o encarou por um momento.

— Não foi o que pareceu quando ele virou a cara pra você.

— E o que isso tem a ver com você? — Jeno estourou com raiva. — Até onde eu me lembro, não preciso da sua permissão pra conversar com ninguém.

— Jeno, não é isso, eu só estou preocupado…

— Você só está sendo um controlador irritante. Será que dá pra parar de querer tomar conta da minha vida?

Jeno bufou e se levantou do banco, se afastando da mesa com passos pesados e deixando o refeitório sem olhar para trás.

Alerta de ataque de pelanca. Todos na mesa se entreolharam. Até as pessoas das mesas próximas pareciam estranhar a situação, e logo o burburinho começou.

— Mas que merda? — Sihyeon exclamou.

Jaemin estava com o rosto vermelho, o olhar lacrimoso perdido na mesa. Fiquei o observando com atenção e irritação, mas não disse nada.

— O que o Jeno tem esses dias? — Eunji indagou.

— Ele anda bem grosso, mesmo — comentou Choi Yeonjun, namorado de Sihyeon.

— Jeno só está estressado. — Todos se viraram para Jaemin, que deu de ombros e abriu um pequeno sorriso. — Ele sempre fica assim antes da semana de provas.

— Semana de provas? — Eunji riu sarcástica. — As aulas mal começaram.

— Ainda assim. Os professores estão passando matéria nova toda hora, trabalhos, cobrando atividades extracurriculares — Jaemin insistiu. — E eu o pressionei. Não devia ter martelado no ouvido dele.

Os outros não pareceram convencidos e, sinceramente, eu também não. Jaemin continuava a agir de um jeito estranho, como se fingisse que estava tudo bem. E, pra mim, aquilo não estava nada bem.

— Jaemin — sorri. — Será que você pode me mostrar o caminho para a biblioteca de novo? Meu cérebro deu um nó e eu me confundi todo.

O sorriso que Jaemin me deu poderia acabar com guerras.

— Claro que mostro! Vamos. Daqui a pouco o almoço acaba.

Nos levantamos para sair.

— Foi bom conhecer vocês — falei aos outros, notando que eles entenderam minha evasiva.

Já fora do refeitório Jaemin parecia mais relaxado, mas ele não comentou nada sobre Jeno até que eu o fizesse.

— Então, qual é a do Jeno?

Jaemin mordeu o lábio inferior, os olhos virados para o chão de pedra lisa.

— Ele só está tendo um dia ruim. Normalmente ele é bem calmo.

— Você parece ansioso com isso.

Jaemin me encarou surpreso.

— Eu sou bom em ler a emoção das pessoas — justifiquei.

— Bem — ponderou. — Jeno e eu somos amigos há um bom tempo, e nos damos muito bem. Mas essa situação toda é bem nova pra mim. Normalmente eu é que tenho explosões temperamentais. Eu só espero que essa fase estranha acabe logo.

— Fase? Pensei que você tivesse dito que era só um dia ruim.

— Está mais pra uma semana… — Jaemin coçou a cabeça sem graça. Então riu. — Desculpa estar falando disso, a gente acabou de se conhecer. Acho que a sua vibe de psicólogo faz com que eu me abra.

Vibe de psicólogo? — ri.

— Eu acho — Jaemin riu junto. — Nunca fui a um psicólogo pra ter certeza.

— Deveria ir. Faz muito bem pra mente.

— Mas não é mais pra gente doida?

— Com um mundo caótico como o nosso, eu acho estranho quem não é meio doido — brinquei. — Todo mundo pode se beneficiar da ajuda de alguém pra organizar um pouco a bagunça mental.

Jaemin balançou a cabeça devagar, concordando.

— Legal — disse. — Você vai ser meu psicólogo então.

Aquilo me fez rir alto.

— Você não deveria jogar uma responsabilidade dessas pra mim.

— Não vai ser muita coisa. Eu sou bem pleno.

— Claro — sorriu de lado.

Chegamos à porta da biblioteca, mas eu não quis entrar. Então voltamos em direção à sala de aula, o sinal do fim do almoço soando.

Conversávamos tranquilamente, rindo e fazendo brincadeiras. Senti Jaemin mais leve e ele não pareceu tão ansioso quando Jeno apareceu na direção oposta. Eles trocaram olhares receosos e Jeno parecia hesitante – eu diria até que um pouco envergonhado – antes de entrar na sala.

Jaemin me sorriu resignado e entrou também.

Antes de segui-lo, senti um formigamento na nuca, do tipo que acontece quando tem alguém me encarando. Olhei para o fim do corredor e vi um garoto recostado à porta de uma sala de aula.

Era Mark, o tal primo de Jeno. Quando nossos olhares se cruzaram, ele balançou a cabeça em um cumprimento e se afastou, entrando na própria sala.

Não entendi nada. Mas não demoraria para que as coisas fizessem sentido.

#

 

Liu YangYang estava parado em frente à sala 127 me esperando sair. Quando apareci, acompanhado de Jaemin e um ansioso Jeno, YangYang não se intimidou.

— A vovó Xia disse que você voltaria com a gente.

Ergui as sobrancelhas.

— Sim. Chenle também vai, eu acho.

— É, ele avisou no chat. Você saberia se tivesse um celular.

YangYang sorriu amistoso apesar do que disse.

— Eu ainda não entendo como é possível alguém da sua idade não ter um celular — Jaemin se manifestou. — Estamos em dois mil e vinte, como você consegue sobreviver?

— Você fala como se celular fosse um órgão — retruquei com um sorriso. — Eu respiro muito bem só com meus pulmões.

Jaemin alargou o sorriso e revirou os olhos de brincadeira. Não notou o olhar de Jeno passando de si para se fixar em mim, mas eu, obviamente, notei. Nos encaramos em silêncio; seus olhos pareciam refletir as dúvidas e desconfianças que eu sentia, e tentar capturar respostas para perguntas não verbalizadas. Senti sua inquietação como quem nota algo fora do lugar. E, de alguma forma, Jeno soube que eu havia reparado.

Este momento durou apenas um instante.

— Então, vamos? — YangYang perguntou.

Concordei. Me despedi de Jaemin com um sorriso – agradecendo pela ajuda no primeiro dia – e de Jeno com um breve aceno.

#

 

YangYang e eu andávamos em direção à frente da escola em silêncio. Era o mesmo silêncio que reinava no quarto que dividíamos. Um silêncio que dizia que deveríamos conversar um com o outro, nos aproximar, e, ao mesmo tempo, que não queríamos passar por isso.

YangYang bocejou longamente.

— Cansado? — perguntei.

— Sempre — deu de ombros.

— Acho que suas saídas noturnas com os outros não te deixam dormir muito.

YangYang parou de andar e me olhou.

— Então você sabe.

O imitei dando de ombros.

— Não é muito fácil dormir quando um bando de garotos nada discretos fica andando naquela escada barulhenta.

Ele bufou.

— Eu sabia que aquela escada ia foder com a gente uma hora. Pelo menos a vó Xia tem um sono bem pesado.

— Escuto o ronco dela lá da minha cama.

Nós rimos.

Então o silêncio voltou. YangYang me observava, e eu fingia não notar, deixando meu olhar vagar pelo pátio da escola.

— Então você não é um cuzão antissocial?

Aquilo me deixou surpreso.

— Só quando estou de mau humor. Acho que não posso te culpar por ter tido essa primeira impressão de mim.

— De boa.

Nós voltamos a andar.

— Quem foi que espantou seu mau humor? Na Jaemin?

Franzi as sobrancelhas e observei YangYang, tentando captar o motivo da pergunta, mas ele agia naturalmente.

Era verdade que o bom humor de Jaemin parecia passar para as outras pessoas. E, talvez, ter alguém com quem passar o primeiro dia de aula houvesse acalmado minha ansiedade.

— Provavelmente. Ele é engraçado — dei de ombros.

— Bem, é aquele ditado sobre gosto e cu.

Minha careta foi involuntária e fez YangYang rir.

— Você não gosta do Jaemin?

— Não tenho nada contra — YangYang sorriu. — Mas também não tenho nada a favor. Eu ainda o encarava com a expressão confusa. YangYang girou os olhos. — Sem paciência pra raiozinhos de sol. Pessoas felizes demais estragam a minha vibe.

Aquilo me fez rir. Não dá mesmo pra agradar todo mundo.

Chegamos à frente da escola e Hendery, Dejun e Chenle já nos esperavam.

— Até que enfim as madames chegaram. A gente tava quase deixando vocês pra trás.

O garoto barulhento, que parecia um personagem cômico de anime, era Hendery; ainda não o vira de mau humor ou sem fazer brincadeiras. A voz dele podia ser escutada em qualquer lugar da pensão.

— Ué, você não tem treino hoje? — perguntou YangYang.

— Tinha, mas o Mark hyung tem algum compromisso então a gente achou melhor adiar pro começo da noite — Hendery passou o braço ao redor do ombro de YangYang. — Não dá pra treinar sem o capitão do time, né?

— Mark?

Os garotos me olharam e eu notei que havia pensado alto.

— É que ele é meio canadense — Hendery falou. — Ele até tem um nome coreano, mas deve preferir ficar com a vibe de gringo pra chegar mais fácil nas meninas — balançou as sobrancelhas.

— Tipo você com “Hendery”? — YangYang cruzou os braços e sorriu afrontoso.

— Funciona, não é? — devolveu a provocação e o sorriso.

— Não é que eu queira interromper a xavecação de vocês, mas será que a gente não pode conversar e andar pra longe da escola ao mesmo tempo? Eu tô doido pra fumar, mas a inspetora troll fica me encarando.

Xiao Dejun era o contrário de Hendery. Eu só o escutava na pensão quando Dejun estava tocando violão ou cantarolando. Exceto poucos momentos, eu nem o via pela casa.

— Você que manda, meu querido — Hendery passou o outro braço ao redor do ombro de Dejun enquanto se afastavam da escola. — Como foi o primeiro dia, Renjun?

— Podia ter sido pior — dei de ombros.

— Ele ficou amigo do Jaemin — YangYang sorriu ácido.

— Eita, isso que é plot twist.

— Primeiro: não somos amigos, eu o conheci hoje porque a diretora o mandou me mostrar a escola. Segundo: qual é o problema com ele?

— Nenhum, que eu saiba. Só é… inesperado. — Hendery falou, e YangYang, Dejun e Chenle riram.

— Não entendi.

— O Jisung disse que o Jaemin é super popular e tem a personalidade de uma loja de doces — Chenle respondeu.

Franzi as sobrancelhas.

— E…?

— E daí que você é um baixinho amargo.

Eles tiveram a audácia de rir alto quando fiz me fiz de ofendido.

— Baixinho amargo?

— Tipo um café expresso humano? — Dejun perguntou.

As risadas aumentaram, principalmente quando Chenle soltou uma gargalhada aguda, provavelmente algo proveniente da língua dos golfinhos. Girei os olhos, mas não pude me impedir de sorrir também. Eu merecera a fama.

— Tá, eu sei que estava mal humorado pra caralho. Foi mau.

— Tudo beleza, mano — Hendery se aproximou e passou o braço ao redor dos meus ombros. — Quem sabe você não encontrou a versão humana de cubos de açúcar pra te adoçar. Se é que você me entende — sorriu malicioso e balançou as sobrancelhas.

Chenle fingiu vomitar e os outros gargalharam.

— Tá, chega de metáforas estranhas — torci o nariz.

—  O dia que as metáforas estranhas acabarem acho que o Hendery morre —  Dejun falou.

—  Vai demorar muito?

YangYang soltou um grito e fugiu de Hendery, que o perseguia bradando “ultraje!”. Ri com os outros, me sentindo confortável. Ali me ocorreu que talvez aquele ano não fosse ser o tormento que eu imaginara

Aquele meu momento de esperança em breve seria drenado, pouco a pouco, como o sangue de uma presa.

#

 

A fenda se abriu no meio do nada; uma ferida no ar. Elas nunca haviam imaginado que luz poderia parecer tão escura.

Não pararam os cantos. Não desviaram a atenção; também, como poderiam?

A luz se alargou e se tornou mais intensa, uma espécie de vapor iridescente escorrendo em volta, até abraçar o círculo.

Elas respiraram aquilo. Umas estavam estáticas; outras, hipnotizadas. Havia uma cujo coração pulsava violentamente como o de um animal selvagem.

O vapor encheu seus pulmões e a dor as consumiu.

Havia medo, confusão, êxtase.

E depois, quando não havia nada, surgiu algo, lá no fundo.

Elas renasceram, e não estavam mais sozinhas.


Notas Finais


Olá de novo :D

Avisos rápidos:
- A fanfic será OT21, mas o foco maior será em norenmin (spoiler de ship), pq são VINTE E UM CARAS e eu ficaria surtada tentando fazer ponto de vista pra todos eles. Mas de vez em quando até que aparece um ponto de vista especial;
- Foco no plot em si, não em romance (vai ter, eu juro, vou por bastante ndjsgbvjsdgv) e muito menos em lemon (não tô confiante nisso, se tiver vai depender do meu estado de espírito kkkkkk);
- O gore não vai ser forte, mas vai ter uma violência, crianças, Tá avisado;
- Só norenmin é fixo, então torçam por seus ships favoritos ;D

Obrigada por lerem até aqui. Espero que gostem da história. Vou forçar, pq senão nunca posto kkkk
BEIJO <3


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