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História Night Wars - Capítulo 2


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Notas do Autor


Hello!
Boa leitura!

Capítulo 2 - Two


 

Night Wars

Capítulo II

 

Jaemin

— Você vai à festa da Sihyon unnie?

Minha irmã mais nova, Yuna, me tirou dos devaneios. Eu estava cozinhando para nós dois. Como sempre, nosso pai não estava. Vivia no escritório ou viajando; era uma pessoa muito desligada, mesmo que bondosa.

— Não sei — dei de ombros. — Você quer ir?

— Me deixaria ir?

Sorri, colocando a panela com o espaguete na bancada da cozinha.

— Por que não? Sihyon noona é bem responsável, e a festa não começa tarde.

Yuna comemorou com um gritinho e depois enfiou uma grande porção de macarrão na boca, sujando o queixo com molho de tomate.

Me serviu enquanto refletia se a festa era mesmo uma boa ideia. Ultimamente tudo estava sendo bem estressante. A escola, minha posição no grêmio estudantil, a ausência do nosso pai, praticamente o tempo todo me obrigando a cuidar de Yuna e da casa. Tudo isso me sobrecarregava. Além disso, Jeno estava agindo de um jeito bem estranho nas últimas semanas, e eu sabia que era por conta da conversa que tivemos na primeira semana das aulas[C1] .

Meus pensamentos estavam sempre sobrecarregados, e era exaustivo.

— Oppa! Você não tá me ouvindo.

— Oh! Desculpe, Yuyu.

— Você tá com cara de cansado.

Suspirei.

— Tô me sentindo como um morto-vivo. Tirando a parte do vivo.

Yuna riu e saltou da banqueta.

— Então vá se deitar. Eu cuido da louça.

— Não oferece que eu vou mesmo.

— Pode ir, oppa — ela me puxou da banqueta e me empurrou pela cozinha. — Xô, xô!

— Não vai dormir tarde.

— Boa noite, oppa!

Sorri e segui pelo corredor. Queria tomar um banho quente e me deitar ouvindo minha playlist de Sons do Oceano para Sono Profundo. Amanhã seria um novo dia cheio de oportunidades.

Naquela noite, a insônia me impediu de dormir mais uma vez.

#

 

Renjun

 

Eu estava deitado em minha cama. Lia um artigo para a aula de geografia enquanto escutava Slipknot pelos fones de ouvido. Acho que o som alto demais havia atraído a atenção de meu colega de quarto, YangYang, que obviamente me encarava do outro lado do quarto.

Ele se levantou e se jogou sentado na minha cama.

— Desculpe, você me chamou? — perguntei depois de tirar um dos fones.

— Como você consegue estudar escutando música nessa altura?

Não segurei a risada quando vi seus olhos arregalados dramaticamente.

— Sei lá. Já acostumei, então é até melhor do que estudar no silêncio.

YangYang deu de ombros.

— Está estudando o quê?

— Curioso… — sorri. — É aquele texto chato sobre atividade sísmica.

— Ah, tá. Então, daqui a pouco vamos sair com os outros.

O encarei confuso.

— Sair? Pra onde?

— Curioso… — YangYang me imitou, debochado, e se levantou. — Segredo. Vou só comer alguma coisa e já volto aqui pra te buscar. Coloque um casaco.

YangYang simplesmente saiu do quarto sem me deixar responder.

Que doidera eles querem fazer?, pensei reticente.

Não tive mesmo escolha, ou alguma chance de argumentar com os outros quando todos se enfiaram em meu quarto. Hendery me jogou um casaco e Chenle me puxou pelo braço. Eu não sabia que era possível fazer uma algazarra daquelas tão silenciosamente.

— A vovó não sabe? — perguntei em voz baixa.

— Vovó está dormindo. Ela sempre se deita cedo e apaga até de manhã — Kun disse.

— E pra onde vamos? — eu os acompanhei descendo as escadas.

Segredo — todos entoaram baixinho.

Chenle e Hendery deram risadinhas esganiçadas que me fizeram girar os olhos.

Ventava bastante do lado de fora, então fechei meu casaco e enfiei as mãos nos bolsos. Os outros não pareciam tão incomodados com a baixa temperatura. Dejun até mesmo jogava sua cabeça para trás, de olhos fechados, deixando o vento sacodir seu cabelo e o casaco vermelho como se fosse uma bandeira. Pude sentir que havia uma conexão ali. Algo relacionado com o dom de Dejun. Parecia ser tranquilo e pacífico, bem diferente do que eu sentia quando meu dom me chamava.

— Ei, distraído — YangYang me cutucou nas costelas. — Vam’bora.

Forcei um sorriso e os acompanhei, tentando mudar meus pensamentos.

Nosso grupo caminhava pelas ruas fazendo bagunça e muito barulho. Descobri que o “lugar secreto” era, na verdade, uma área industrial onde alguns prédios estavam sendo construídos. A ideia do grupo era simplesmente subir nos prédios até os pontos mais altos. Não era exatamente o programa que eu gostava, mas não podia negar que aqueles caras baderneiros eram divertidos.

Estávamos no prédio mais alto, escalando vigas de metal para nos sentar em uma plataforma. Senti a adrenalina começar a tomar conta do meu sangue. Um frio golpeou na barriga e me forcei a não olhar para a queda livre até o pátio do prédio.

— Maluquice… não acredito que tô me metendo nesse tipo de coisa — eu murmurava enquanto escalava. As vigas eram geladas e eu sentia a sensibilidade nos dedos se esvaindo.

— É só não parar — ouvi YangYang gritar logo abaixo.

Quando estava, enfim, sentado na plataforma, encarei a vista da cidade iluminada a se perder no horizonte. Era assustador, de um jeito belo de perder o fôlego.

— E aí? Valeu a pena dar um tempo naqueles gritos de maluco?

Franzi as sobrancelhas e olhei para um YangYang sorridente.

— Está falando das músicas que eu escuto?

— Aquilo era música? Desculpa, pensei eu estava estudando um tipo diferente de magia.

— Você parece minha mãe falando assim.

YangYang fez uma careta que me arrancou uma gargalhada.

— Olha só quem sabe rir — Kun comentou ao meu lado, envolvendo meus ombros com o braço.

— Finalmente tá saindo da toca — Hendery falou.

— Eu meio que fui obrigado.

— Foi mesmo — YangYang disse. — Já estava crescendo mofo em você de tanto ficar naquela cama.

Dei de ombros.

— Ficar em silêncio é melhor do que sair falando merda.

— Com isso eu concordo — Dejun falou, os olhos fechados enquanto sentia o vento.

Olhei para o horizonte enquanto os outros jogavam conversa fora. Era agradável ali, mesmo que algo parecesse estranho. Ao longe, observei relâmpagos projetando clarões em tons de roxo.

— Acho que vai chover.

— Nah, relaxa. A chuva só tá circulando naquela parte mais alta.

Olhei para YangYang, curioso.

— É, eu tenho um lance com as nuvens.

— Tipo uma conexão?

— Aham. E o Dejun tem com o vento.

— E não — Dejun falou. — Eu não sei tocar flauta.

Os garotos riram, comentando sobre o assunto enquanto eu tentava imaginar como seria ter uma conexão daquelas. Eu já havia lido muito sobre o assunto. As conexões dos druidas com as forças da natureza existiam em vários níveis. As mais comuns estavam relacionadas com os quatro elementos básicos: ar, água, fogo e terra. Também eram as mais fáceis de lidar e, em minha opinião, mais úteis na arte da magia, e mais… agradáveis.

Ao contrário daquilo que eu considerava não um dom, mas uma maldição.

— Ei, você tá legal?

Pisquei os olhos rapidamente e os voltei para YangYang. Sorri levemente, assentindo. Ele ainda ficou me analisando, procurando o que estava de errado. Mas, por sorte, não disse nada aos outros que estavam alheios à minha mudança de humor.

Continuamos na plataforma por mais algum tempo. Comemos balas que Chenle havia tirado dos bolsos largos do moletom. Continei calado e pensativo, mas sorria vez ou outra para não matar o clima leve.

Um tempo depois decidimos voltar pra pensão. Caminhamos devagar pelas ruas desertas. Vez ou outra, ficávamos muito barulhentos e Kun tinha que chamar nossa atenção.

Estávamos caminhando na rua que contornava os limites do Parque de Bukhansan quando o familiar calafrio subiu pela base da minha coluna. Parou de andar e fixei o olhar nas árvores envoltas pela escuridão. Todo meu corpo enrijeceu. A respiração entrecortada acelerava e, mesmo sentindo o pânico se aproximar, eu ansiava por adentrar o parque e seguir aquela energia macabra que me atraía.

Então, como se emergisse de águas profundas, ouvi meu nome sendo chamado por Kun. Ele me segurava pelos ombros com firmeza, seus olhos fixos em mim com cautela e preocupação.

Ele sabia. Vovó Xia devia ter contado para ele. Será que os outros também sabiam?

— Eu tô bem. — Me afastei, olhando para o asfalto.

Apenas agora notava o vento gelar meu rosto molhado com lágrimas. Pude sentir os outros me encarando com estranheza, como se eu fosse um esquisito. E era mesmo. Até mesmo para um druida. Mas também me confirmava de que eles não sabiam o que me fazia esquisito.

— Renjun.

Ignorando Kun e sem olhar para os outros, segui pela rua.

Ninguém tentou me parar ou alcançar.

#

 

Durante a semana, ninguém falou sobre o ocorrido. Fiquei aliviado por todos agirem como se nada tivesse acontecido, mesmo que às vezes pegasse Chenle e Dejun me observando e desviando o olhar quando eu os olhava.

Nosso grupo também saía todas as noites. Andávamos pela região, nos enfiavam em prédios em construção ou abandonados, jogávamos papo fora e eles me atualizavam sobre pessoas que não conhecia e fofocas antigas da escola; ou falávamos sobre os livros que a vovó Xia nos dava para estudar. Voltávamos para casa tarde, por rotas diferentes, mas repetimos a rota pelo Parque de Bukhansan em uma noite. Fiz de tudo para não perder o controle quando a mesma sensação gelada me subiu pelas costas, dessa vez ainda mais forte. Os outros pareceram notar meu desconforto, pois começaram a tagarelar ainda mais freneticamente e Kun passou o braço por cima de meus ombros. Depois do que pareceu tempo demais, nos afastamos do parque, deixando os arrepios para trás.

Quando chegávamos, eu quase não dormia. Sabia que assim que eu pegasse no sono, os pesadelos começariam e eu acordaria sobressaltado pouco tempo depois, com um YangYang preocupado me encarando, como foi na noite da primeira vez que saí com o grupo.

Então eu ficava acordado e estudava as matérias da escola ou lia os livros que vovó Xia dera sobre astrologia, astronomia e as influências cósmicas na natureza. Às vezes eu ficava conversando com YangYang, que era outro que não dormia direito por conta da insônia.

Apesar de nenhum dos dois falarmos sobre nossos hábitos pouco saudáveis de sono, nós adquirimos o costume de nos revezar para coar um café preto bem forte antes das aulas e depois que chegávamos da escola. Hendery brincava dizendo que YangYang finalmente havia arrumado um parceiro de cafeína, o que havia dado mais tempo de sono para ele e Dejun. Não entendi direito a brincadeira, mas via como ela deixava YangYang vermelho como seu moletom – que eu podia jurar já ter visto Dejun usando.

Também me permitia me aproximar dos colegas da escola, principalmente Jaemin e Serim, com que eu dividia a mesa. No intervalo eu sempre me sentava com o mesmo grupo animado, que me fazia rir e me distrair das seriedades da vida.

Jeno aparecia às vezes, mas ficava a maior parte do tempo livre com Mark, seu primo veterano. Nas poucas vezes que ficava com a gente, Jeno agia como um babaca mal-humorado, fazendo Jaemin ficar pra baixo, e eu sentia o ambiente mudar, como quando o sol era escondido pelas nuvens. Eu observava aquilo calado, mas cada vez mais sentia meu peito se enchendo de raiva, gradativamente mais perto de explodir. Eu me segurava, pois sabia que se explodisse aquilo não ia ficar nada bonito. Mas ver o adorável e brilhante Jaemin sendo ofuscado por palavras bruscas e injustas, como se ele fosse um incômodo para Jeno, fazia com que algo ardesse dentro de mim.

E, fazendo um estrago ou não, eu sabia que não me seguraria para sempre.

#

 

Na sexta-feira de manhã, os alunos só falavam sobre a festa de Sihyon. Jaemin correu na minha direção no instante em que me viu entrar na sala de aula. Como sexta-feira era dia livre de uniforme, ele vestia um suéter cor de rosa claro que combinava com seu cabelo rosa chiclete e o deixava uma gracinha.

— Você vai à festa hoje, né? — Ele me segurou pelo braço. — E você e os outros garotos também — falou para YangYang.

— Isso é uma pergunta ou uma intimação? — indagou YangYang.

— Hm… uma convocação — Jaemin estabeleceu.

— Sendo assim, não perderíamos por nada.

O sorriso brilhante que Jaemin direcionou para mim deixou meus passos mais leves enquanto eu me direcionava para seu lugar ao lado de Serim. Meu olhar encontrou brevemente o de Jeno e meus pés vacilaram por um momento, me fazendo tropeçar no pé da mesa e cair sentado com força na minha cadeira.

Eu estava ficando doido ou Jeno realmente parecia com raiva de mim?

Mas quando voltei a olhar para ele, Jeno estava virado para a janela, encarando o clima nublado do início da manhã e ignorando Jaemin que usava toda sua fofura para tentar chamar a atenção dele. Vendo que aquilo não funcionou, Jaemin suspirou e apoiou o queixo nas mãos, o biquinho que nos lábios, apesar de adorável, só me deixou com vontade de vê-lo sorrir de novo. Ao mesmo tempo, eu não sabia dizer o que acontecia entre ele e Jeno que, apesar de serem melhores amigos, como me foi dito várias vezes, pareciam ter uma relação tensa; até um pouco tóxica, eu diria.

Estava se tornando comum eu ter que me repreender mentalmente toda hora de que aquilo não era da minha conta. Mas tudo ficava mais óbvio conforme eu me aproximava de Jaemin e me sentia alvo da raiva de Jeno.

Bem, eu não planejava me afastar de Jaemin por causa de um garoto com ciúmes infantis seguidos por atitudes ainda mais infantis. Jeno que se conformasse com isso, ou viesse resolver o problema direto comigo. De qualquer forma, eu sentia que isso não seria resolvido com suavidade e, sinceramente, não me importava.

 


Notas Finais


Jeno que lute :B

Sim, Norenmin tá bem triângulo, mas o foco não vai ser esse, pq não tenho saco pra esse tipo de drama kkk O que vocês acham que aconteceu entre Nomin?
Apareceram as primeiras características do grupo dos druidas, que devem ser sutis mesmo, mas qualquer coisa é só perguntar.
Lobisomens e vampiros logo virão ;)
Espero que estejam gostando. Logo o capítulo 3 chega trazendo o começo da treta forte.
Obrigada por ler! <333


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