História Nights of a Hunter III - Capítulo 17


Escrita por: ~

Postado
Categorias Supernatural
Personagens Bobby Singer, Castiel, Chuck Shurley, Crowley, Dean Winchester, Ellen Harvelle, Jo Harvelle, Jody Mills, Lúcifer, Meg Masters, Miguel, Personagens Originais, Sam Winchester
Tags Bobby Singer, Castiel, Comedia, Crowley, Dean Winchester, Drama, Mistério, Romance, Sam Winchester, Supernatural, Terror
Visualizações 71
Palavras 3.723
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa leitura *-*

Capítulo 17 - Keep The Faith


Fanfic / Fanfiction Nights of a Hunter III - Capítulo 17 - Keep The Faith

Antes

– Mas não foi você que acabou com a vida dos outros. – Falou Dean.

– E quem disse que foi por ações? Eu me sentia aliviada quando ela dizia coisas que eu jamais pensei em dizer.

Dean assentiu.

– E você tá falando isso por...

– Por tudo. Até mesmo as coisas que eu disse pra você.

Os dois fizeram alguns segundos em silencio, até Dean dizer:

– Bem, pelo menos agora eu sei o que você realmente pensa sobre tudo... Sobre mim.

– Dean, eu não posso negar que realmente fiquei magoada com tudo, mas...

– O que você acha de enterrarmos esse assunto?

Michelle o encarou indignada.

– Como é que é?

Dean a olhou.

– Michelle, eu não tô com cabeça pra discutir, pelo menos não hoje... Por favor.

Michelle o encarou por alguns segundos. A vontade de falar e deixar tudo claro era grande, mas ela entendia ele. O dia não havia sido fácil para ninguém, ainda mais para ele que soube de algumas “verdades” pela boca de um demônio.

–Tudo bem.

Dean deu um sorriso fraco e se levantou saindo da casa.

Agora

Já era praticamente inicio de tarde quando as irmãs decidiram que era hora de ir embora. Nenhuma das duas havia tocado no assunto desde que saíram da casa no meio da madrugada. E para Rachell aquilo tornava tudo pior.

A irmã era mais reservada, mas havia algumas coisas que ela não conseguia apenas esquecer. Então enquanto as duas arrumavam as malas no total silêncio, Rachell pigarreou e disse:

– E aí, tudo bem?

Michelle deu de ombros.

– Tá, ué.

– Você quer falar sobre ontem?

– Falar o quê? Você estava lá.

– Eu sei, mas eu me refiro a tudo. Como você tá dep...

– Depois que eu fui possuída? Tô ótima.

– Michelle...

– Olha, eu sei que você quer falar sobre isso e tal, mas eu não quero... Não por enquanto.

– Tudo bem, se você prefere assim...

Assim que Michelle fechou a mala e a pegou, as duas ouviram batidas na porta. Então, já que ela estava de saída, a mesma abriu a porta e deu de cara com Sam.

– Oi. – Falou ele com um leve sorriso.

– Oi.

– Tudo bem?

– Tá, e vocês?

– Estamos bem.

– Que bom... Bem, já que você não veio aqui apenas pra me perguntar como estou então, entra aí.  – Disse dando espaço.

Sam assentiu, mas antes que a moça se afastasse, ele a chamou. Michelle o olhou, e Sam se aproximou.

– Olha, eu falei com a sua irmã ontem e eu queria falar o mesmo com você. Sinto muito por você ter passado por... Você sabe.

– Tudo bem, Sam. Não é porque você libertou Lúcifer e que sua cabeça valha ouro, que você tem que se sentir culpado. – Sam apenas assentiu e baixou a cabeça. E pela expressão do rapaz, Michelle percebeu que falara de mais. – Olha, não foi isso que eu quis dizer.

– Não, tudo bem. De qualquer maneira você tá certa.

Michelle suspirou, e deu um passo se aproximando dele.

– Sam, eu sei que você sabe o que fez. E também sei que você tem consciência de que os seus atos não têm mais volta. Mas nem por isso você tem que ficar por aí se sentindo culpado. O que aconteceu só foi uma amostra de que todos corremos riscos, e que às vezes ser um caçador não é o suficiente pra evitar que esse tipo de coisa aconteça.

Sam assentiu e a olhou.

– É, talvez você tenha razão.

– Talvez? Eu tenho razão. E eu te digo isso porque eu não quero que você viva assombrado pelos fantasmas de uma decisão mal tomada. – Disse, fazendo com que sua mente se lembrasse de Dean.

– Obrigado.

– Não seja por isso. – Respondeu com um leve sorriso. – Agora vá lá se despedir da Rachell, porque não temos o dia inteiro.

Sam apenas assentiu e sorriu, e Michelle se afastou.

Assim que entrou no quarto, Sam encontrou Rachell saindo do banheiro com seu nécessaire em mãos.

– Pensei que eu teria que ir lá pra me despedir. – Comentou humorada, guardando o nécessaire na mala e a fechando em seguida.

Sam apenas sorriu e encostou-se à cômoda ao lado da cama da moça.

– Tem certeza de que é uma boa hora pra viajar?

Rachell o fitou.

– Nós temos uma casa que precisa ser checada de vez em quando.

– Eu sei, mas eu pensei que... – Parou de falar, tentando encontrar as palavras certas.

– Pensou... – Rachell o incentivou.

– Que talvez não seja bom nos separarmos.

Rachell franziu o cenho.

– Você tá dizendo que deveríamos seguir juntos?

– É... Por um tempo.

Rachell sorriu, e se aproximou.

– Por um acaso você tá preocupado?

– E eu não deveria?

– Sam, nós já somos grandinhas, não acha?

– Acho, e sei que são experientes e tem capacidade de se cuidarem. Mas isso que aconteceu pode ser apenas um aviso de que coisas piores podem acontecer.

Rachell sorriu e passou os braços pela cintura de Sam.

– Qual é a graça? – Perguntou confuso.

– Eu já falei que você fica uma gracinha todo preocupado?

– Ray, é sério.

– Olha, eu acho que eu que deveria estar neurótica, morrendo de preocupação com você. A sua cabeça, ou melhor, o seu corpo está a prêmio e eu tenho certeza de que o Lúcifer não vai desistir tão cedo.

Sam a puxou para mais perto, e a abraçou em seguida.

– Eu acho que você não deve ficar pensando nisso.

– E como não? Sam, eles só vão sossegar quando conseguirem o que querem. E nós sabemos que você é o que eles querem no momento.

– Mas vai ser em vão.

– Você tem certeza disso?

– Ray, eu sei que a tendência é de tudo piorar e eu tenho consciência de que eles não vão sossegar. Mas eu não direi sim se vocês todos estiverem bem... E pra isso, seria melhor se todos nós permanecêssemos juntos.

– Nada inconveniente essa sua proposta, não é? – Brincou, arrancando um riso de Sam.

– Confesso que não reclamaria.

Rachell sorriu. Ela estava feliz por saber que ele se preocupava tanto a ponto de pedir para ficarem, mas a verdade é que tinha muito que considerar. Ela sabia que seu sim não afetaria só sua vida, mas também a de sua irmã. E apesar de que adoraria passar um tempo com Sam, no fundo ela sabia que aquilo acabaria interferindo no seu relacionamento com ele. E não que fosse um problema os dois se acertarem de vez, mas em sua opinião, o relacionamento que eles ainda estavam construindo tinha algumas falhas, e as tais falhas nunca seriam reparadas se eles pulassem a fase da reconstrução e fossem direto para o finalmente.

Difícil de entender? Talvez. Mas o fato era que eles estavam reconstruindo o que tinham do zero, e não era prudente voltarem a agir como velhos namorados, como se nunca tivesse acontecido nada. Afinal, não foi apenas um erro (Ruby), mas sim uma escolha de seguir com o que ele achava o que era certo mentindo para aqueles que mais se importavam, no caso ela e os outros.

– Eu acho que estamos bem, continuando do jeito que estamos, não é? Ou você não pensa do mesmo jeito?

Sam apenas a olhou por alguns instantes, e aos poucos assentiu.

– Eu sei que estamos, mas não nego que gostaria que as coisas voltassem a ser como antes.

– E elas vão voltar, mas no tempo certo. Eu não quero dar um passo maior que a perna... Eu estou aprendendo a confiar em você novamente, e eu não quero estragar isso.

– Por quê? Você tem medo que eu cometa o mesmo erro?

– Não. Mas não posso negar que eu tenho medo de cair de cabeça, e no final nós...

– Olha, eu sei que não tem como saber o que o futuro reserva, mas eu te garanto que aprendi a minha lição. Eu me arrependo amargamente das minhas escolhas, e se eu pudesse faria tudo diferente só pra voltarmos a ser como antes. Dean e sua irmã, eu e você...

– Eu sei, e por isso a cada dia eu tenho mais certeza de que me arriscar por esse relacionamento vale a pena. – Disse alisando a bochecha de Sam. ­– Eu te amo, Sam. Como nunca amei ninguém.

Sam apenas sorriu e a puxou para mais perto (como se aquilo fosse possível).

– E eu também te amo, talvez mais do que imaginava.

Rachell apenas sorriu passando os braços pelo seu pescoço.

– E isso é bom, não é?

– É ótimo.

Rachell apenas acabou com a única distancia que separava os dois, o beijando. E naquele beijo, a verdade era explicita. Apesar de ambos quererem que tudo desse certo logo, um único toque, um único beijo, e caricias era o suficiente para se esquecerem dos problemas e viverem o momento.

 

Michelle P.O.V On

Depois de colocar a mala no porta-malas, eu me recostei no carro e fitei o Impala que estava estacionado mais a frente.

E aquela era a parte que eu mais odiava. Lembranças. Como aquele carro conseguia ativar lembranças que eu fazia questão de esquecer? Era tão automático, que quando me dei conta, minha mente voltou para o dia em que eu e Dean “fizemos aquele carro tremer” após o meu acidente.


Flashback On

Meses atrás.

– Por quê? Você quer ir embora? – Perguntou Dean.

Eu dei de ombros.

– Eu não sei... Eu tava bem... Quase bem, tentando ter uma vida normal. Fiquei de fora quatro meses, e acabei voltando no fim das contas. Acho que acabei falhando miseravelmente. E estreei no melhor estilo suicida. – ri sem graça.

– Eu não quero te desanimar nem nada, mas a gente não tem muita chance lá fora quando resolvemos parar de fazer o que fazemos. De uma forma de outra a gente volta pra proteger nossa vida.

– Eu percebi isso, vai por mim. Independente se eu voltar pra casa ou não, viver uma vida normal ou não, eu vou ter que continuar fazendo munições de sal pra garantir o dia de amanhã.

Dean assentiu com um meio sorriso.

– E se for pra você correr riscos, eu prefiro que você corra riscos com a sua irmã, com o Sam e comigo... Ainda mais depois de um susto desses.

– Dean, eu...

– Não precisa falar nada. – ele sorriu e fez uma pausa. – Sabe, eu passei quatro meses fora, mas pra mim parecia anos. E todo dia eu me lembrava do que me disse aqui, nesse quarto.

Arregalei os olhos e sentiu uma vergonha enorme. Eu entendia exatamente o que ele estava falando e também sabia que pela sua expressão, Dean sabia que eu sabia. Droga!

– Dean, esquece esse assunto. – comentei sem graça.

– Ué, por quê? Não estraga esse momento, me deixa falar! – ele parecia se divertir com minha vergonha. – Enfim, eu me lembrava a todo instante do que você disse e no meio de todo aquele sofrimento... – ele fez uma pausa dramática. Dramática mesmo. Eu percebia que ele se sentia mal só de lembrar. – Eu pensava que faria qualquer coisa pra voltar no tempo e fazer tudo diferente, ou pelo menos poder ter uma nova chance.

Agora eu estava chocada, com a sensação de que tudo era um sonho.  Eu nunca imaginaria Dean sendo tão sentimental.

– E graças a Deus, – ele riu envergonhado. – eu ganhei uma nova chance e a oportunidade de tentar fazer o certo... Então não vá embora.

Eu o encarei. E por um momento, eu não pude impedir o silencio constrangedor. Eu tentava assimilar aquelas palavras, mas a verdade é que eu precisava mais do que palavras. Naquele momento – e pelo que eu entendi – ele estava me chamando para fazer parte de sua vida – o que pensando bem, é meio clichê, mas o Dean é tão bom com as palavras que não fez parecer tão ridículo­.

Mas pensamentos a parte, eu precisa sentir uma “sustentação” naquelas palavras. E de uma forma incrível, eu encontrei aquela sustentação em seu olhar.

– Olha, você pode falar agora. – soltou um riso sem graça.

Voltei a assentir sem graça e o fitei por mais alguns segundos.

– Desculpe, você me pegou de surpresa – Desviei o olhar. – Eu não, eu não posso ficar.

Dean baixou a cabeça e assentiu, como se não esperasse aquela resposta. E a confirmação de meus pensamentos veio quando percebi que o mesmo estava sem jeito. E eu não pude deixar de rir.

– Ah, qual é! Para de rir do constrangimento alheio.

Agora eu gargalhava. E instantaneamente, Dean começou a rir sem graça.

– Tudo bem, Dean. – eu parei de rir e logo fiquei séria. – Eu não posso ficar, preciso pegar mais roupas se eu for ficar aqui.

Nos olhamos, talvez surpresos pelas nossas palavras e eu não pude negar que aquilo era realmente incrível.

Era a primeira vez que o beijava desde que ele voltara, e eu não pude deixar de sentir meu coração saltar de meu peito. Sentia-me morta de saudade e desde que o vi naquela fazenda, foi como se uma chama se acendesse dentro de mim, trazendo-me de volta a vida.

Flashback Off.

Era engraçado como aquelas palavras começaram a parecer tão distantes e impossíveis. Pensando bem, eu não posso deixar de cogitar que aquelas palavras vieram no calor do momento.

Bem, é normal que depois de um acidente todos fiquem sensíveis, não é?

Mas lá no fundo havia uma pequena chama acesa, que tentava me convencer de que era possível as coisas realmente ser do jeito que pareciam ser, já que percebi no olhar de Dean que aquelas palavras eram sinceras.

Onde foi que erramos?

Essa é uma pergunta que até hoje eu não sei a resposta. Me pego revirando o passado, e tudo que eu encontro são lembranças boas, são coisas que faziam a vida valer a pena, coisas que pareciam ser certas...

Nós dois não éramos um casal típico, que vivia demonstrando nosso amor, mas nós nos contentávamos com o que tínhamos. Não precisava de muita coisa para nos sentirmos bem. Às vezes ficávamos satisfeitos apenas conversando, às vezes ignorando um ao outro... Admito que até as brigas eram interessantes, já que a reconciliação era incrível.

Me pergunto se as coisas seriam as mesmas até hoje, caso ele não tivesse decidido dar outro rumo em nossa relação. Mas ao mesmo tempo em que eu compreendo que ele teve os motivos dele para fazer aquilo, eu não consigo deixar de me sentir mal e traída pelo que ele fez.

Não é exatamente um rancor, mas uma mágoa. Mágoa por em nenhum momento, eu sentir que ele realmente pensou nos prós e nos contras de suas ações, mágoa por não saber se ele agiu pensando em nós ou em apenas como ele se sentia traído pelo irmão.

Uma mágoa que eu não sei se algum dia irá acabar.

– Vocês já vão? – Me virei para o lado dando de cara com Dean

– É, não temos mais o que fazer aqui.

– E já tem ideia de onde vão?

– Pra falar a verdade não. Eu só quero sair daqui, os últimos dias não foram fáceis.

– É, você tem razão.

– E vocês, já tem um destino?

– Não exatamente. Estamos pensando em dar uma passada no Bobby, e depois de lá eu não sei.

– Hm. – Ficamos alguns segundos em silencio, e afirmo com todas as letras que o constrangimento não pairava apenas em mim. – Dean, eu queria te pedir desculpas.

Dean olhou para mim.

– Desculpas?

– É, por ontem e pelos outros dias.

Dean suspirou e voltou a fitar o nada.

– Tudo bem.

– Tudo bem?

– É. – deu de ombros. – Considere tudo esquecido.

– Considerar tudo esquecido?

Dean me olhou confuso.

– É.

Balancei a cabeça desviando o olhar, inconformada.

– Tudo bem? – Perguntou.

– Mas é claro. Melhor impossível. – Respondi mostrando minha leve irritação.

– Tem certeza?

Suspirei, tentando aliviar todo o meu estresse.

– Tá, tá tudo bem. Quer saber por quê? Porque de uma forma inacreditável, você decidiu colocar uma pedra sobre o assunto. – Respondi sem deixar a sarcasmo de lado.

– Por que você falando assim não parece bom?

– Porque não é! Dean, eu passei esses últimos dias te perseguindo, falando tudo o que não devia e tudo o que você faz é deixar quieto?

– E o que você quer que eu faça?

– Que você faça o mesmo!

Dean balançou a cabeça, e suspirou:

– Você sabe que isso vai ser o inicio pra mais uma discussão.

– Uma discussão? Dean, eu acho que nós temos muito que discutir a tempos, mas você faz questão de ignorar quando estamos juntos.

– Do que você tá falando?

– Você sabe muito bem do que eu estou falando!

Dean me fitou como se tentasse se lembrar, até que o mesmo suspirou e desviou o olhar.

– Você ainda não esqueceu sobre aquele dia, não é?

– Quer ser mais especifico?

– Você sabe muito bem. Tá na cara que você ainda quer discutir sobre a nossa separação.

Franzi o cenho.

– Eu acho que esse não é o ponto. – Disfarcei.

Sim, é estranho, já que eu comecei com o assunto.

Mas o fato é, mesmo que eu tivesse com muita coisa entalada na garganta, eu não estava disposta a realmente falar, não estava disposta a me expor, já que conversas como aquelas faziam as pessoas ficarem vulneráveis e acabar falando mais do que deviam.

– Como não? Sempre que estou perto de você eu tenho a impressão de que você tem algo a falar, e sinceramente, me surpreende você ter mais coisas pra falar depois desses últimos dias.

– Você sabe que tudo o que eu falei enquanto estava possuída não conta.

– E por que não? – O olhei sem entender. – Pra ser franco, você foi mais honesta do que todas às vezes.

– Você realmente acha que aquilo foi ser honesta? – Dei um riso nervoso.  – Isso prova que você não me conhece.

– Ah, não?

– Não, e sabe por quê? Porque todo mundo que me conhece sabe que aquilo era apenas o inicio de tudo que tá engasgado.

– Então por que você não se poupa, e fala logo? – Perguntou mostrando certa irritação.

Sério, mesmo? Aquela era a deixa para me livrar do fardo que vinha carregando durante todo esse tempo?

Engraçado como aquela oportunidade parecia ser menos tentadora do que eu pensava. Era um fato que eu não consegui superar o passado, mas a minha consciência e o resto da minha dignidade não faziam parecer certo. Certo falar tudo o que queria e apenas partir em seguida. Sem falar da pena e do aperto no coração que começaram a serem perceptíveis por mim. Eu estava com uma puta raiva dele, mas mesmo assim, eu não me sentia bem o suficiente para jogar tudo em cima dele.

Olhando por esse lado, até parece que eu ainda sinta alguma coisa. Talvez sim. Mas nesse momento, os meus sentimentos não são os melhores, e se eu não quero causar danos maiores, eu devia deixar de lado.

Pelo menos por enquanto.

– Quer saber? Deixa quieto.

– Como é que é? Você começa a discussão e mais uma vez vai dar as costas?

Apenas assenti com a única frase que se passava em minha mente: “Michelle, você não tá com cabeça pra discutir, pelo menos não hoje... Por favor.” Se Dean que era o Dean, queria evitar uma discussão para não piorar a situação, por que eu não faria?

– É o melhor, ainda mais pra nós.

Dean se desencostou do carro incomodado, e me olhou.

– Então é assim que vai ser?

Dei de ombros, com um pouco de desdém.

– Tem ideia melhor?

Dean suspirou, e eu percebi o quanto irritado estava, mas resolvi me manter firme. Como eu disse: Era o melhor.

– Quer saber? – Falou, e eu o olhei com impressão de que ele falaria alguma coisa que pudesse me fazer voltar atrás. Mas tudo o que ele disse foi: – Boa viagem.

Assenti, e antes que eu pudesse dizer algo, Dean deu as costas.

Por vários momentos, eu pensei em dar um desfecho diferente, mas assim que uma ideia passou pela minha cabeça e a minha coragem – mesmo que pouca – deu as caras, eu recuei ao notar que Rachell e Sam saíam do quarto. Suspirei mais uma vez, como se aquilo fosse me ajudar em algo, mas a verdade era que fiquei mais frustrada do que jamais estive.

Michelle P.O.V Off.

 

Assim que Rachell e Sam saíram do quarto, os dois se depararam com uma cena um pouco que confusa.

Assistindo a cena parados de frente a porta, os dois apenas ouviram Dean dizer alguma coisa a ver com um “Quer saber...” nervoso, e do nada sair em seguida em direção aos dois.

– Perdemos alguma coisa? – Rachell perguntou a Sam, que também parecia surpreso.

Dean passou por eles, e ali perceberam a irritação do rapaz, ao caminhar direto pelos dois e entrar no quarto.

– Se perdemos ou não, parece que as coisas não terminaram bem.

Rachell assentiu olhando para a irmã, que entrava no carro e pela forma que a mesma bateu com a porta do carro, ela tinha certeza de que a viagem não seria tão fácil quanto imaginava.

– Eu acho que vou lá falar com ela.

– Tudo bem. – Disse Sam entregando a mala da moça que ele segurava.

Rachell a pegou e sorriu.

– Desculpa, por não ter tempo pra me despedir da forma correta.

– Eu entendo. – Ela assentiu e o abraçou.

– Vê se não fica muito tempo sem dar noticias.

– Pode deixar. – Os dois se afastaram. – Boa viagem.

– Obrigada. – Respondeu, dando um selinho rápido, e se afastando.

Sam assentiu, e quando Rachell deu alguns passos adiante, ele a chamou.

– Olha, como eu voltei a caçar com Dean, e seria mais que desnecessário seguirmos viagem em dois carros, eu deixei o Camaro na casa do Bobby, ok?

– Tudo bem. Depois eu passo lá e pego. – Sam assentiu e deu um sorriso. – Até breve.

– Até.

Para não enrolar mais, Rachell hesitou olhar para trás e caminhou até o Challenger, jogando a própria mala no banco de atrás antes de entrar.

– Tudo bem? – Perguntou para a irmã que estava visivelmente... Indescritível.

Sem desviar o olhar, Michelle apenas assentiu e ligou o carro.

– Não esqueceu nada? – Perguntou manobrando o carro.

– Não... Tem certeza de que tá tudo bem?

– Melhor impossível. Por que a pergunta?

– Ah, eu só to perguntando por que o Dean parecia meio irritado e você parece não estar muito diferente.

– Tá tudo bem.

– Hm... E o que ele queria?

– Se despedir.

– Tem certeza?

– Tenho, ué... Não é todo mundo que tem uma despedida fácil.

– Sei...

Michelle suspirou e aumentou o radio que tocava uma musica qualquer, deixando claro que papo, era a coisa que ela menos queria naquele momento.

 

 

 


Notas Finais


Até amanhã.


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