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História Ninguém muda o destino - Capítulo 1


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Notas do Autor


Oi Pissual!

Esta é a minha primeira Fanfic e claro que eu queria começar pelo anime que tanto amo...
Bem, amo todos os personagens e os casais nela formados, no entanto, desde que li a primeira fic com o casal SesshyKag que passei a shipa-los, tanto, mais tanto, que passou a ser o meu casal favorito, não me julguem por favor!! Como as histórias são um pouco escassas deste lindo casal, e eu sou muuuuuuuuito ansiosa e gulosa por mais, eu não consegui esperar mais postagens, então decidi que enquanto espero mais novidades desse Shipp também vou criar a minha própria narrativa!! :D :D

*Alguns podem achar a fic um pouco lenta, mas é só impressão pissual... Eu não considero ela nem lenta demais e nem rápida demais, a considero normal, gradativa. Mas opiniões divergem não é mesmo?! ;)

Gostaria de esclarecer algumas coisas:

1-Enquanto as minhas aulas da Faculdade não começarem, postarei um capítulo por semana, promessa! Quando iniciar o meu curso novamente, postarei apenas um capítulo por mês, ok?!
2-Meu objetivo é manter uma média de 7000 palavras por capítulo (espero conseguir). Pq 7000? Não sei... Gosto do número sete rsrsrsrsrs;
3-Nunca vi um personagem tão complicado de trabalhar quanto o Sesshoumaru, mas tentarei não fugir muito da sua real personalidade, então por favor não sejam tão críticos com relação a isso, onegai;
4-A Kagome, nesta história, será um pouco suicida. Vocês entenderão enquanto estiverem lendo...
5-Quando as frases estiverem entre "aspas e itálico" considerem isso como sendo o pensamento dos personagens;
6-Quando vocês virem: -----\----- significa passagem de tempo;
7-E por fim... Se um cap. ou outro possuir uma cena mais forte aqui nas notas do autor possuirá a palavra GATILHO, já para vocês se prepararem.

Ah e desculpem-me qualquer erro de digitação, quando encontrarem algum por favor me avisem!
E... Acho que é isso! Boa leitura a todos e até a próximaaaaa!

Capítulo 1 - Novidades


"Não lamento por ter conhecido as pessoas que apareceram na minha vida. As piores me deram lições, e as melhores me deram memórias." (Desconhecido)

 

 

-- Tchau mamãe! -- Acenou para sua mãe, já descendo as escadas do templo indo de encontro às suas amigas.

-- Sabe Ka-chan, não dá nem pra comparar quem você é hoje com aquela de quase três anos atrás. -- Falou Eri normalmente enquanto caminhavam rumo à escola. Yuka e Eri à direita da sacerdotisa e Ayume à esquerda. -- Será que foi porque você se afastou daquele seu namorado ciumento e violento? -- Pensativa, ela questionou com o indicador no queixo mais para si mesma do que para as outras.

Yuka rapidamente cutucou Eri por ter soltado algo assim tão displicentemente. Então, sem parar de caminhar, temerosas, lentamente elas viraram suas cabeças para quem estava no meio delas e era o alvo dessa conversa. Mas ao olharem para Kagome, entenderam que esse assunto já não lhe afetava tanto quanto antes, ela transpirava serenidade.

-- Realmente. Eu consegui me focar mais nos estudos e na minha vida social depois que nos separamos. -- Respondeu Kagome, agora segurando sua maleta escolar com uma mão e utilizando a outra para por uma mexa de cabelo, que teimava em sair do seu lugar, para trás da orelha. -- Hoje eu consigo falar disso sem derramar rios de lágrimas. -- Falou olhando para suas amigas com um olhar sincero e um sorriso conformado. -- Embora tenha sofrido muito no começo, consegui superar. E com todo esse tempo longe dele percebi que o amor que sentia, não era de fato aquele entre um homem e uma mulher, era mais fraternal, sabe... Demorei meses para perceber isso... Mas hoje consigo enxergar melhor as coisas, com outros olhos... -- Compartilhou, sendo completamente sincera consigo mesma e com elas, como sempre foi. -- "Eram seus sentimentos não eram kikyou? Seus desejos enraizados na minha alma, que se foram assim que você se desvinculou por completo de mim e descansou em paz." – Pensou, contemplando a frente da escola sentindo aquele vento agradável acariciar sua pele e soprar seus cabelos.

Enquanto as quatro caminhavam pelos corredores da escola em direção à sua sala, Houjo aparece de supetão abraçando Ayume por trás e dando-lhe um beijo na bochecha. Todas acham graça quando ela fica vermelha feito um tomate e tampa os olhos envergonhada.

-- Ohayou Auyme-chan. Ohayou meninas. -- Saudou Houjo com um enorme sorriso ainda abraçado sua namorada.

-- Estão juntos já faz um ano e ela ainda fica constrangida com qualquer demonstração de carinho em público... Kawaiii! -- Cochichou Yuka discretamente para as outras duas sorrindo.

-- Ohayou Houjo-kun. -- Responderam em uníssono.

-- Você não cansa de fazer isso, né?! -- Indagou Eri sorrindo.

-- Fazer o quê? Não posso dar bom dia à minha namorada e suas amigas? -- Questionou inocentemente, fingindo não entender a pergunta e pegando a mão de Ayume puxando-a para dentro da sala.

Então os cinco tomam seus respectivos lugares, assim como o restante da turma, enquanto o professor entra e começa a dar sua aula de literatura japonesa.

-----\-----

Após se despedir de seu namorado, Ayume vai de encontro as meninas que a esperam um pouco mais afastadas da saída da escola, para dar privacidade ao casal, e juntas caminham de volta para casa conversando. O que já era rotina há anos.

-- Eu sempre achei que o Houjo-kun fosse ficar com a Ka-chan... – Iniciou Yuka, fazendo o restante rir, lembrando-se do dia em que ele disse que queria apenas cuidar da amiga com doenças estranhas.

-- Ele me disse: Como ela sempre passava mal, faltava muito às aulas e apresentava um quadro clínico ‘assombrosamente diversificado’, ele achava que ela poderia morrer a qualquer momento e só queria enchê-la de boas lembranças... – Relembrou Ayume suspirando e pegando todas numa nostalgia bastante agradável. E silenciaram-se por alguns instantes. – Foi aí que ele olhou pra mim com aqueles olhinhos brilhantes e bochechas coradas... Dizendo que na verdade sempre gostou de mim, só não tinha reunido coragem suficiente para falar... – Suspirou totalmente apaixonada.

-- Você saiu correndo e deixou o coitado no vácuo sem uma resposta sequer... Faltou uma semana dizendo que estava doente... e só disse o tão esperado ‘sim’ na outra semana... – Kagome falou dando risadas e fazendo as demais rirem também da amiga atrapalhada. – Estava tão nervosa naquela hora que o seu ‘sim’ saiu mais baixo que um sussurro...

-- Eu lembro disso... Ele não conseguiu escutar o que você disse... então ficou bem pertinho de você... quase colado... e pediu pra repetir... – Soltou Eri sem conseguir conter as gargalhadas.

-- E você nervosa... gritou um ‘sim’ tão alto que a escola inteira ouviu e o pobre Houjo quase ficou surdo... – Continuou Yuka, secando as lágrimas nos olhos com uma mão e a outra na barriga tentando, sem sucesso, parar de rir.

-- Ah meninas! Eu nunca tinha recebido um pedido de namoro... não sabia como reagir... me dêem um desconto! – Se defendeu Ayume, com as bochechas vermelhas infladas e os braços cruzados. Mas logo cedeu ao humor contagiante de suas amigas e caiu na gargalhada junto com elas. Sempre era desse jeito quando se lembravam desse assunto.

Foi assim até um pouco mais da metade do percurso, entre um humor leve, risadas, lembranças e brincadeiras. Até que mudaram o rumo da conversa:

-- Então gente, vocês já sabem qual faculdade fazer? -- Perguntou Yuka.

-- Ainda estou em dúvida. Não sei se vou para medicina, literatura japonesa ou arquitetura...

-- Ka-chan, se você me dissesse essas opções anos atrás eu diria que medicina seria impossível, arquitetura impensável, e literatura ou qualquer outro curso estaria completamente fora de cogitação. -- Disse Eri enquanto descartava as opções nos dedos e todos a ouviam com uma gota na cabeça e um sorriso sem graça sabendo que era verdade o que ela acabara de falar. -- Mas agora sei que conseguirá qualquer um que escolher. Você possui uma das médias mais altas da escola, não é mais atrapalhada e esquecida como antes, se esforça, e ainda forma grupos de estudo para ajudar aqueles que mais têm dificuldades, seja qual for a matéria.

-- É isso aí, sabemos que você se sairá bem em qualquer opção. -- Reforçou Yuka dando um largo sorriso e fazendo um sinal de ok para sua amiga.

Kagome agradecida e emocionada abraçou suas amigas. Estava contente e feliz por tê-las em sua vida. Não se achava mais pessoas assim.

-- Obrigada meninas! De verdade... Muito obrigada! Mas e vocês? -- Perguntou se separando delas e voltando a andar.

-- Eu vou fazer TI na Osaka Daigaku. -- Revelou Yuka enquanto coçava a cabeça com a mão esquerda rindo sem graça por só agora estar revelando a notícia.

-- E eu vou para a Le Cordon Bleu na França, estudar gastronomia. Já está tudo pronto para quando eu concluir o terceiro ano. Este mês! E o Houjo vai junto comigo, só que ele pretende cursar medicina. -- Ayumi, um pouco acanhada e olhando para baixo, aproveitou para compartilhar a novidade também.

-- E eu passei no exame de admissão para a Chiba University, para psicologia. -- Falou Eri saltitante de alegria e feliz por dividir esse momento com elas.

Kagome estancou os passos, estava em choque. Até uns minutos atrás estavam todas rindo e sorrindo de tudo e agora... É como se estivessem se despedindo. E era praticamente isso mesmo, já que estavam no último mês do último ano do ensino médio. Elas estavam praticamente liberadas, só iam ainda porque gostavam de lá... dos alunos, da companhia, do caminho de ida e volta diário, iam apenas por prazer. Ela não sabia se ficava pasma com as revelações de suas amigas, feliz por elas, triste porque em breve todas iriam se separar, decepcionada por não ter decidido o seu próprio curso ainda ou tudo isso junto. Então apenas deixou sua bolsa cair no chão e chorou juntando as mãos contra a face. Extravasando tudo isso ao mesmo tempo. Todas as outras entendendo e compartilhando o mesmo turbilhão de sentimentos abraçaram-na e ficaram assim por um tempo.

-- Estou orgulhosa de cada de uma de vocês... Sabia que esse dia chegaria, mas... não me preparei... para ele... Amo tanto vocês... -- Desabafou Kagome entre soluços se afastou delas e se abaixou para pegar um lenço na sua bolsa e secar seus olhos, depois levantou-se olhando determinada para suas queridas amigas consciente do rumo que daria à sua vida . -- Já me decidi. Vou fazer medicina aqui em Tóquio mesmo. É. É isso o que quero. -- As viu acenar com a cabeça lhe passando confiança.

E foi assim o caminho de volta para casa naquele dia. Felizes por já terem decidido os seus destinos e ao mesmo tempo tristes por serem caminhos tão diferentes e distantes. Mas elas nunca perderiam o contato. Pelo menos era isso que acreditavam.

-----\-----

Do alto da escadaria do templo, a sacerdotisa acenava com a mão direita para suas amigas, enquanto às olhava se afastando, não sabia se era só um até logo ou um adeus, mas desejava que jamais se afastasse definitivamente delas, afinal, a tecnologia ta aqui pra isso, não é mesmo? Então Kagome deu meia volta e correu em direção à porta de sua casa abrindo-a com tudo, ansiosa para contar as novidades a sua mãe. Seguiu o delicioso aroma que vinha da cozinha onde a encontrou no fogão despejando alguns legumes, que acabara de cortar, numa panela média.

-- Ma...Mamãe... eu...– Tentou proferir algo mas sentiu um grande nó na garganta a impedindo, e lágrimas transbordavam de seus olhos sem permissão.

Sua progenitora imediatamente foi de encontro à sua filha procurando algum ferimento ou algo que acusasse que ela havia se machucado. Vendo que o problema não era físico tratou de guiá-la até o sofá e a acolheu da melhor maneira que pôde. Parecia uma criança sentada e encolhida no colo da mãe, agarrada ao seu pescoço e com a cabeça apoiada em seu ombro. Ela deixou que sua primogênita chorasse o quanto quisesse, apenas ficou ali a embalando de forma protetora e acariciando seus belos e longos cabelos negros azulados até que ela se acalmasse e se sentisse pronta para falar. Sabia que ela havia amadurecido muito desde que o poço parou de funcionar. Todavia, viu e ouviu inúmeras vezes sua menina dormir chorando e acordar com os olhinhos inchados ainda transbordando lágrimas e tristezas, isso lhe partia o coração, queria tomar essa dor para si, mas não podia, e tudo ficou ainda pior quando o vovô faleceu, ela passou por tudo de uma vez só. Por pouco ela não se entregou à Depressão. Kagome só não pereceu graças à família e aos amigos maravilhosos que possui e que nunca a abandonaram. Jamais a viu tão apagada e triste quanto no primeiro ano que se passou sem ela poder viajar para a outra Era ou ter aqueles papos malucos com o Oji-chan, mas percebeu que aos poucos ela começou a mudar, acredita que as meditações e treinamentos que a obrigaram a praticar diariamente fizeram muito bem a ela e a seu espírito. Pois cansava seu corpo e ocupava sua mente. Mais precisamente um ano e meio atrás, seus olhos ganharam vida novamente e seus sorrisos não eram mais forçados. Foi então que ela se abriu para a mãe, disse que havia conseguido organizar seus pensamentos e sentimentos, e em uma de suas muitas meditações, algo mais aconteceu e a fez entender que o que sentia por Inuyasha não era real, eram projeções dos sentimentos de Kikyou enraizados nela. Nunca foram uma só alma, no momento em que Kikyou desencarnou junto com a jóia, suas almas se cruzaram e parte dela junto com a jóia ficaram presas à sua alma na hora de sua encarnação. Ela ainda não sabe explicar como conseguiu ter essa visão, mas que finalmente toda a tempestade dentro de seu ser havia se acalmado. Desde então ela tem sido outra Kagome. Dedicou-se tanto aos estudos que sua nota nunca mais ficou abaixo de 9,5, tornou-se a melhor arqueira do clube de arco e flecha, popular entre os garotos, e mesmo sem ter youkais nesta época, ela nunca parou de treinar seus poderes espirituais. Imagina o que ela poderia ter feito aqui sem a interferência da outra Era... Mas mesmo tendo evoluído tanto, ela só possui 18 anos, e ainda continua mantendo sua personalidade doce e sensível...

Kara sai de seus pensamentos quando sente sua filha, agora calma, se afastar de seu pescoço, sair de seu colo e sentar-se ao seu lado no sofá, de frente para ela.

-- Já está melhor meu amor? Se você preferir nós conversamos depois... – Falou calmamente olhando nos olhos de sua filha. Mas Kagome balançou a cabeça negativamente, demonstrando que queria conversar agora mesmo. – Tudo bem, só vou desligar o fogo e já volto se não acabaremos tomando papa de legumes ao invés de sopa. – disse sorrindo.

-- Eu espero okaa-san. – Pronunciou, observando sua mãe ir à cozinha e desligar o fogão.

Quando Kara retornou, acomodou-se melhor no sofá de forma a ficar frente a frente com sua menina. Ela respirou fundo antes de começar a contar tudo para a mãe.

-- Okaa-san... a senhora sabe que já estamos na reta final do ensino médio e que mesmo assim eu ainda não tinha decidido o que faria da minha vida. Mas as minhas amigas já escolheram seus futuros, já estão encaminhadas. Fiquei muito feliz por elas mas... não queria me separar, não agora sabe... Foi só hoje que a ficha caiu. De que eu estava apenas vivendo o hoje e nunca planejando o amanhã...

-- Meu anjo! – Kara Interrompeu melodiosamente, levando a mão a face da filha limpando os últimos resquícios de lágrimas. -- você sabe que não precisa fazer isso, não se cobre demais, cada um tem o seu ritmo, seu tempo. Se não sabe o que cursar, experimente um pouco de cada até você descobrir sua vocação. E quanto às suas amigas... Hoje temos ligações, e-mails, vídeo chamada, individual ou em grupo, as férias da faculdade, enfim... opções não faltam não é mesmo?

-- Eu sei. Mas mesmo assim... continua difícil. – Respondeu mais conformada e segurando a mão direita da sua mãe entre as suas. – E... bem... eu decidi hoje o que vou fazer... – Enquanto fazia um pouco de suspense, ela viu os olhos de sua progenitora ficarem cada vez maiores de tanta curiosidade que a dominava. Sorrindo contou. – Irei prestar vestibular para medicina. O que a... – Sua mãe nem a esperou terminar a pergunta. Ela a abraçou com força.

-- Estou orgulhosa e feliz por você ter feito sua escolha meu amor. Mesmo que venha a mudar de opção algum dia, o que importa é sempre continuar tentando, até achar o livro certo para escrever sua própria história. – Ouvir isso deixou a sacerdotisa muito grata e abençoada por ter uma mãe assim.

Mas tudo é interrompido por um barulho de um ronco, vindo mais precisamente do estômago de Kagome. Então as duas se separam dando risadas e tomando o caminho da cozinha.

-- Está uma delícia. – Elogiou logo depois de ingerir a primeira colher. – Onde está o Souta? – Indagou após perceber que somente as duas estavam à mesa. – Foi dormir de novo na casa de um amigo? – E como confirmação a viu balançando a cabeça enquanto engolia mais uma colherada de sopa.

Entre conversas, ambas terminaram de jantar. E após lavar, secar e guardar a louça, Kagome seguiu para o banheiro para banhar-se e escovar os dentes. Kara deu um beijo de boa noite em sua filha e se dirigiram para seus respectivos quartos, uma indo dormir, já a outra sentou-se na cadeira de frente para sua mesinha abrindo os livros, pensando na prova que faria para entrar na faculdade. Já havia adquirido este hábito de estudo noturno há muito tempo, quando não conseguia ou não queria dormir e acabou se adaptando e tomando gosto por isso. Eram quase três horas da manhã quando coçou os olhos e decidiu ir para a cama, já havia decidido que só compareceria à escola novamente no dia da cerimônia de encerramento, precisava se acostumar à inevitável distância que se estabeleceria entre ela e suas amigas e ficar vendo-as todos os dias só cutucaria uma ferida recém aberta, impedindo-a de cicatrizar, será mais fácil se a comunicação ficar apenas pelos meios eletrônicos, sei que elas entenderão. Levantou-se em direção à cama e deitou-se confortavelmente apoiando a cabeça no macio travesseiro puxando a coberta até os ombros e então seus olhos azuis pesados finalmente fecharam e ela entrou num sono profundo.

O nível atual de seus poderes não a permitia sentir a energia do ser encapuzado que lhe observava sentado de lado na janela encostando-se na lateral esquerda dela, mesmo nos dias atuais era difícil qualquer um perceber, tinha tornado-se mestre em ocultar sua presença, cheiro e qualquer outra coisa que o denunciasse. De longe dava-se para notar que era do sexo feminino, suas belíssimas curvas, pele delicada e cabelos negros e médios denunciavam isso.

“Em breve você voltará pro lugar do qual nunca deveria ter saído” – Pensou a estranha enquanto olhava a miko dormindo serenamente, sem preocupação alguma. – “Não vejo a hora de te colocar de frente ao seu destino. Só aí poderei assumir o seu lugar... Ou melhor: MEU LUGAR. O projeto já está concluído, agora é só esperar a hora certa. Estou tão ansiosa.”  -- Então saltou sorrindo e desapareceu num piscar de olhos antes mesmo de tocar o chão.

-----\-----

E o grande dia chegou. As amigas da miko não quiseram manter-se afastadas como ela havia pedido. Embora não saísse de casa nesses últimos dias, elas sempre passavam no templo para jogar conversa fora, e mesmo que Kagome se entristecesse quando lembrava do inevitável afastamento, também se enchia de alegria por passar tempos agradáveis com elas. Ela estava se olhando no espelho conferindo se tudo estava em ordem com o uniforme, e sim, ela estava linda, com os cabelos lisos soltos, sedosos e brilhantes até o quadril, a roupa bem passada e impecável, uma maquiagem leve como sempre dando destaque para a cor dos seus olhos... estava sentindo-se ansiosa com tudo. Queria que este dia fosse inesquecível.

-- Onee-chan eu e mamãe vamos na frente para conseguir um bom lugar pra poder gravar tudo, ok? A Eri, Ayume e Yuka ainda vão te encontrar aqui para irem juntas?! – Perguntou Souta normalmente, agora do seu tamanho e com uma voz um pouco mais grossa. Ele estava lindo naquele terno, um verdadeiro homenzinho.

-- Tudo bem Souta. Sim, as garotas já devem estar chegando, nos encontramos lá. – Disse. Se aproximando e dando um beijo e abraço bem forte em seu irmão. – Sabe o quanto te amo, não sabe?

-- Que conversa estranha Kah, claro que sei. Eu te amo e tenho muito, mais muito orgulho de você. Eu tenho sorte de ter a melhor irmã do mundo. – Falou apertando ainda mais o abraço e depois se separando acenando um tchau e indo de encontro à sua mãe para seguir em direção à escola. Ela foi a primeira a falar com Kagome, por isso já estava lá fora esperando seu filho mais novo.

A sacerdotisa voltou para o espelho. Foi quando o seu telefone tocou. Atendeu quando viu o nome de Ayume.

-- Ka-chan? O nosso carro furou o pneu, vamos acabar nos atrasando, o papai acabou de chamar o reboque e disse que vai demorar um pouco. – Eri disse com uma voz frustrada. – É melhor você ir primeiro para não se atrasar também, te acharemos lá, ok?!

-- Que chato! Mas ok... nos vemos lá! – Se despediu e desligou o celular. Instintivamente colocou a mão no peito, tinha a impressão de que algo não estava certo, era como um pressentimento, como se alguma coisa fosse acontecer a qualquer momento. Decidiu ir sozinha para a cerimônia mesmo, mas seria cautelosa, cuidadosa a cada passo. Enquanto saía de casa e trancava a porta sentiu um arrepio na espinha que a fez entrar em alerta e olhar ao redor, mas nada encontrou, estaria ficando louca? Talvez, afinal sentia que quem quer que fosse estava se ocultando bem. Sabia que não havia youkais naquela Era, ou estava enganada? Decidiu liberar seus poderes e ver se conseguia rastrear algo. O máximo que conseguia expandir era um raio de dez metros. Nada. Mas aquela sensação não desaparecia. Apressou os passos descendo as escadas. Não sabia o porquê mas sentia que algo ou alguém estava cada vez mais perto. Por isso começou a correr. O percurso que sempre fez tranquilamente a pé com suas amigas agora lhe parecia longo demais, quieto demais, silencioso demais. Olhou para trás e constatou que não havia ninguém, mas ao voltar o olhar para frente, parou. Avistava uma mulher há uns 5 metros de distância. Usava um casaco azul acinzentado comprido que quase chegava aos pés e tinha um capuz, o que a impedia de ver seu rosto com clareza, uma blusa preta sem mangas que cobria apenas o pescoço, colo e seios, deixando uma barriga lisinha amostra, um pequeno short preto com uma meia calça marrom e por cima usava um tipo de protetor preto nos joelhos e uma bota preta que quase os alcançava e luvas pretas que descobriam apenas os dedos. A sacerdotisa não sentia hostilidade vinda dela mas todo o seu ser lhe mandava cair fora dali. Então a desconhecida começou a ir em sua direção colocando a mão direita atrás das costas, por dentro do casaco, e trouxe uma arma junto apontando para a miko. Ela não conseguia se mexer, era como se seus pés estivessem colados ao chão. Era uma arma pequena preta e dourada. “Então é isso? Vou morrer aqui?”

-- Isso não vai te matar, pelo menos é o que espero, não tenha medo! – Pronunciou com uma voz melodiosa, calma e confiante num timbre semelhante ao seu. Parou a mais ou menos um metro e meio de distância de seu alvo. Só agora Kagome pôde notar o colar que ela possuía. Era uma corrente de tamanho médio, prateado e possuía três pingentes com algumas pedras azuis incrustadas, uma lua minguante, uma chave e um coração em forma de cadeado. Era lindo. A mulher viu para onde a outra olhava e sorriu passando a mão por cima dele e chamando a atenção da garota novamente. – Presente do meu marido. Gostou? Você se distrai muito fácil mini Kagome. – Foi o que disse antes de apertar o gatilho e acertar o peito de sua vítima a fazendo cair no chão, mas ela estranhamente não sentia dor alguma, e julgava que não estava saindo sangue do ferimento, pois nenhuma gota vermelha espirrou com o impacto, apenas sentia seu corpo dormente. “O que está acontecendo?” Então a atiradora se abaixou e ficou cara a cara com ela. Kagome estava louca. Era a única explicação para estar vendo tal coisa. Era como se fosse um espelho.

-- Como... – Foi só o que saiu dos lábios da miko quase sem consciência, que tentava em vão mexer algum músculo.

-- Seu destino já foi traçado. Mas não se preocupe eu cuidarei de tudo e todos por aqui. – Piscou para ela. -- Apenas aproveite e viva intensamente cada momento que está por vir. – Disse docemente passando a mão nas madeixas de seu alvo e depois fazendo um leve carinho em sua bochecha. Então aos poucos o corpo de Kagome foi desaparecendo como fumaça sem deixar vestígios de que um dia já houve um corpo ali. Feliz com seu trabalho levantou a mão esquerda e puxou de um pequeno buraco dimensional uma muda de roupa igual a que sua vítima estava usando instantes atrás e guardando dentro dele a arma que acabara de usar. Desde que aprendeu a abrir esses espaços suspensos sua vida ficou mil vezes mais prática, agradecia a Merida por isso. Logo mais se teletransportou para o quarto de Kagome, trocando de roupas apressadamente, se olhando no espelho em seguida, não havia quase nenhuma diferença entre as duas. Mesmos olhos, só que mais intensos, mesmo rosto, mesma cor, mesma altura, só o cabelo que estava com quase dois palmos de diferença, mas era só dizer que cortou, e também tinha um pouco mais de corpo do que a outra, mas dava para disfarçar se usasse as roupas certas... Se teletransportou novamente e agora estava passando pelos portões da escola, toda sorridente e mais feliz do que nunca, se dirigindo para a sua cerimônia de encerramento. Olhou no celular quando o sentiu vibrar e viu que era uma mensagem de seu amado: Estou na primeira fila ao lado da Kara e do Souta. Depois de lê-la e respondê-la guardou o aparelho de volta no bolso. Deu tudo certo. Tudo saiu conforme tinha planejado. Esperou quinhentos anos para viver este momento e iria agarrá-lo com todas as forças! Agora sim a sua felicidade era plena.

-----\-----

-- Senhorita? – Escutou alguém dizer.

-- Hum... – Foi o que saiu enquanto tentava abrir os olhos.

-- A senhorita está bem? Consegue se mover? Consegue me ouvir? Sabe dizer o que aconteceu?

-- Onde estou? Quem é a senhora? – Perguntou sem responder as perguntas que lhe foram feitas, enquanto sua visão recuperava o foco e se sentava olhando ao seu redor. Parecia uma cabana. Era bem humilde, lembravam muito as construções de quinhentos anos atrás.

-- Eu a encontrei desacordada na estrada perto daqui ontem de manhã. Estava indo com minha neta buscar água no rio. Foi aí que a vimos. Como ainda estava respirando, a trouxemos para nossa casa. Se lembra de como foi parar lá, de quem fez isso a você?

-- Eu... – Então de repente ela arregala os olhos e começa a se lembrar de tudo o que tinha acontecido. O pneu furado... A cerimônia da escola... A mulher que possuía a mesma face que ela... O tiro... Ao se lembrar disso, começou a passar a mão pelo peito e abdômen, mas não havia sinal de bala ou de qualquer outro ferimento. Não estava entendendo mais nada. Qual seu objetivo com isso? O que aquela maluca queria a trazendo para cá? – Que dia é hoje? E onde estou por favor?

-- Estamos em Hokkaido, mais precisamente nas terras governadas pelo Lorde Sesshoumaru Taisho, no ano de 1519, na Era Sengoku Jidai minha jovem. – Respondeu a senhora sorrindo calmamente, vendo que a menina não se lembrava nem mesmo da data.

O coração de Kagome falhou algumas batidas. Ela devia estar alucinando. Sonhando talvez. Ou morta quem sabe?! Devia ter escutado mal? Ela correu em direção à saída da cabana, ainda meio tonta, e viu que sim... Ela realmente estava de volta, como? Não sabia. Mas ali estava ela de novo. E logo nas terras do irmão de Inuyasha... Agora... Como voltaria? Com certeza o que a trouxe de volta foi aquele tiro estranho que levou. Voltou-se para a mulher baixinha de cabelos grisalhos e olhos pequenos e escuros que havia lhe socorrido e que agora se aproximava dela a passos lentos e arrastados:

-- Muito obrigada por ter cuidado de mim senhora. Desculpe por tomar seu tempo. – Agradeceu. Curvando-se e começando a andar pelo vilarejo.

-- Não há de que minha criança. Espero que encontre o que procura e tome cuidado de agora em diante. – Respondeu a velinha acenando para a jovem que já se distanciava acenando também. Logo ela voltou-se para frente e começou a pensar.

Precisava voltar para sua Era, será que o poço funcionaria daqui pra lá? Não custa tentar. Mas vai levar algum tempo até chegar na aldeia da Dona Kaede. Será que conseguiria alguma coisa se fosse ver Sesshoumaru? Achou difícil, mas era a única opção existente. Parou com os pensamentos quando percebeu que todos a olhavam estranho. Com uma gota na cabeça ela já tinha uma ideia do por que. Eram as vestimentas. Foi assim da outra vez. Então se apressou logo em pedir informações sobre a localização da moradia do Lorde e fugir daqueles olhares acusadores e inquiridores.

-- Bom dia. O senhor saberia me informar onde mora o Lorde Taisho? Onegai!

-- Oh, bom dia senhorita. – Saudou de volta a olhando torto de cima a baixo. Mesmo achando estranho o tipo de roupa que usava ele a tratou com educação. E ela agradeceu internamente por isso. – Basta seguir em linha reta, nessa mesma estrada, não tem como errar o castelo dele, tem grandes muros e um Rio que o rodeia quase todo. É gigantesco para acomodar todos os youkais e suas famílias que servem a ele. É raro um humano se aproximar de lá, tome cuidado minha jovem ele não tem piedade. – Advertiu com temor em sua voz.

-- Muito obrigada. Tomarei cuidado sim. – Agradeceu Kagome curvando-se e seguindo pelo caminho informado. Minutos depois ela escuta seu estômago roncar e agradece aos céus por ter árvores frutíferas pela estrada. Pegou umas três maças e umas laranjas também. Estavam tão docinhas... Andou pouco mais de uma hora até começar a avistar uma construção com as mesmas características informadas a ela. Notou que havia uma barreira muito poderosa do tipo que permitia a entrada e saída de pessoas selecionadas. Quando tocou na barreira ela foi repelida como imaginava. “Vai ser difícil”. Sentou-se numa pedra que encontrou e começou a pensar em algo que chamasse a atenção deles, mas não tanto a ponto de considerarem ela como inimiga. “Pensa, pensa...” Foi aí que viu uma menina de longos cabelos castanhos trançados usando uma linda yukata preta com grandes lírios alaranjados dobrada até os joelhos sair num cavalo branco muito lindo com a crina e rabo pretos, então decidiu chamar sua atenção.

-- Oi, tudo bem? – A menina se assustou ao ouvir a frase, mas quando virou-se para ver quem era tomou um susto ainda maior. Desceu do cavalo devagar e com uma elegância e equilíbrio invejáveis, mas foi só pisar no chão para sair correndo de braços abertos e um sorriso, que não cabia em seu rosto, indo de encontro a ela.

-- Kagome-samaaaaaaaaa – Disse Rin a reconhecendo na mesma hora e pulando em cima dela a abraçando e derrubando-a no processo. A sacerdotisa custava a acreditar. Aquela era mesmo a Rin? A pequenina que não saía do lado de Sesshoumaru? Como estava grande... E bela também...

-- Ohayo Rin-chan, quanto tempo não? Como você cresceu, está tão linda... – Elogiou Kagome retribuindo aquele abraço meio desajeitado por causa da queda.

-- Quando o poço parou de funcionar eu achei que nunca mais nos veríamos. O Inuyasha sofreu tanto... Na verdade todos sofreram... Kaede-obaa-san, Sango-san, Miroku-sama, Shippou-chan, Kohaku-kun e eu também... Demorou muito, mas aos poucos cada um de nós conseguiu retomar sua rotina. Até mesmo Inuyasha... Por um ano e meio ele ia todos os dias, sem falta, no poço, ver se ele tinha voltado a funcionar. - “igual a mim", pensou a miko - Mas depois ele... Não sei explicar... Parecia outro Hanyou... Tinha um olhar mais conformado, maduro e disse que guardaria sempre no coração os melhores momentos da grande amiga sacerdotisa que ele teve. Tínhamos certeza que ele te amava assim como amou a Kikyou sabe?!... Mas há aproximadamente um ano ele se apaixonou de novo, casou-se e está para ser p... -- De supetão Rin senta-se depressa e coloca as mãos na boca. Sempre falava demais e hoje não foi diferente, ela fez de novo. – Me desculpa Kagome-sama, eu saí disparando tudo de uma vez e... Kami-sama... Não deveria ter feito isso, por favor, não vai embora de novo! – Suplicou a garota já chorosa com as mãos juntas em frente ao corpo e os olhinhos fechados.

-- Ei... Não precisa chorar ou me pedir desculpas Rin-chan. Está tudo bem. Não irei embora. O sentimento que o Inuyasha tem por mim eu também tenho por ele, não estou triste. Na verdade estou aliviada agora, pois não haverá discussões. – Revelou sorrindo a olhando nos olhos e afagando a cabeça da menina. – Não foi só ele quem mudou minha menina! E porque não me chama de onee-san ou onee-chan? Acho muito melhor!

-- Hai! Kagome-onee-san. – Fez de bom grado o que lhe foi pedido. – Como você chegou aqui e há quanto tempo? O poço voltou a funcionar? Todos já sabem que está de volta? O que faz aqui na frente do castelo de Seshoumaru-sama? Deseja falar com ele ou era comigo mesma? A jóia de quatro almas voltou para este mundo?

-- Calma Rin-chan! – Se apressou em parar a enchurrada de perguntas da mais nova. – Uma de cada vez. Bem, antes disso... Aonde você estava indo?

-- Ah... Be-bem... Eu estava... Era... ah... – A menina começou a se atrapalhar na explicação. Estava vermelha igual a um tomate e gesticulando desordenadamente olhando para todos os lados.

-- O que você está aprontando? – Inquiriu matreira estreitando os olhos notando o constrangimento da garota. – Hummmm, por acaso você estava saindo escondida? – Estava com uma suspeita, só precisava confirmar da boca dela.

-- Promete guardar segredo? – E a miko balançou a cabeça afirmando. – Certo... Eu me encontro com o Kohaku-kun às vezes – disse baixinho tocando os indicadores um no outro, corada. – Como ele é o líder do clã de exterminadores fica difícil de nos vermos. Só conseguimos um tempo a sós quando ele vem realizar alguma missão por aqui. Saio escondida não por causa do Sesshoumaru-sama, afinal de contas ele sabe de tudo, mas sim por causa dos outros do palácio, pois...

-- Não cairia bem a protegida de um Lorde youkai namorar um exterminador isso causaria problemas. – Completou a miko compreendendo melhor a situação. – Vocês formam um casal muito lindo e... Peraí, então quer dizer que eu estou te atrapalhando, tomando o seu tempo. Gomen Rin-chan vá encontrá-lo depois nós conversamos com mais calma e tempo!

-- Não tem problemas, ele entenderá se eu me atrasar um pouco. – As duas riram colocando a mão a frente da boca e fechando os olhos simultaneamente.

-- Será que teria como eu entrar para...

-- Rin! Desistiu de sair?– Foi interrompida por uma voz forte e grave, que mesmo sem ouvi-la por anos jamais esqueceria o dono dela. Ele estava parado um pouco mais atrás da jovem à sua frente. Rin assustou-se mas se levantou virando-se rapidamente para o Lorde.

-- Sesshoumaru-sama olha quem voltou! – Comentou estendendo a mão para que Kagome também se levantasse. E assim o fez. Ele apenas a olhou dos pés a cabeça e sem dar qualquer importância logo voltou a atenção para sua protegida num pedido mudo para que continuasse. – Eu estava saindo quando por acaso a encontrei aqui. Acho que... vou deixa-los a sós e... cavalgar um pouco, até mais Kagome-onee-san. – Falava enquanto se afastava e subia de volta no animal. Acenou um último tchau aos dois antes de pôr o cavalo para correr.

Então a miko lentamente voltou-se para o Lorde diante dela. Ele a observava com os olhos quase fechados e com o mesmo interesse que um idoso tem por tecnologia, ou seja, nenhum. Ele virou-se no intuito de voltar para o castelo.

-- Sesshoumaru! – Ela precisava aproveitar a oportunidade. Ele parou, mas não se virou.

-- O poço hoje não passa disso, apenas um poço. Como voltou? E o que faz aqui tão distante daquele hanyou? – Questionou o Dai-youkai.

Ela ouvia tudo observando suas costas. Como um ser conseguia ser tão perfeito? Voz perfeita, pele bem cuidada, cabelos de dar inveja, corpo monumental, cheio de classe e uma postura que deixava qualquer um acuado e desconcertado. Sem falar no seu poder que deixava a maioria tremendo de medo. Porque os deuses tinham que reunir tanta perfeição em um só ser? E tinha que ser logo neste ser? Espera... Mas o que é isso?! De onde vieram tais pensamentos? Tocou-se que estava divagando demais, então bateu as duas mãos nas bochechas, trazendo-a de volta à pergunta que lhe foi feita.

-- Eh... Eu... Não cheguei aqui pelo poço, achei que tivesse morrido na minha era após ser atingida no peito por uma mulher... Mas pelo visto... De alguma forma... Acabei voltando pra cá e... – Esclareceu, um tanto atrapalhada.

O Lorde do Oeste voltou a andar antes mesmo da Miko terminar de falar e ela começou a acompanhá-lo a passos inseguros, pois não tinha certeza se era isso que devia fazer, afinal ele não falou siga-me ou algo semelhante. Não queria ser barrada por ele ou expulsa. Estava tão absorta na possibilidade de ser enxotada dalí que sequer notou que já havia passado pela barreira e finalizava a travessia da ponte. Aproximou-se da entrada e viu muitos guardas inuyoukais, Ruivos, marrons, pretos... Todos em suas formas humanóides... Todavia não encontrou um albino sequer além do próprio Sesshoumaru. Seria uma característica apenas dos nobres? Ou de sua família? Estava curiosa agora... Não perdia um detalhe sequer de toda a imponente estrutura, pelo menos era assim que ela aparentava exteriormente, com enormes e pesados portões de aço na entrada, muralhas e paredes totalmente feitas de pedras, já por dentro, foi percebendo um ambiente mais familiar e muito bem cuidado e organizado. Ainda existiam guardas por todo o lado, mas também via crianças youkais brincando e correndo por todos os lados e o restante continuava com suas atividades cotidianas. Tinha que admitir... Não era esse tipo de ambiente que imaginava ser administrado pelo Daí-youkai. Previa algo mais sombrio como gritos, escravos acorrentados, miasma por todo o lado... Mas felizmente estava enganada! Notou alguns olhares hostis, mas logo se dissipavam quando o albino se direcionava a esses olhares. Todos se curvavam a ele. Mulheres, soldados, idosos, crianças, todos. Ela quase fez o mesmo, quase, tamanha era a imponência e presença daquele ser. Chegaram à construção principal, devia possuir uns cinco ou seis andares, era belíssimo. Podia ouvir a calmante melodia vinda de algum lugar próximo, olhou ao redor e avistou uma inuyoukai de franja e cabelos negros e olhos amendoados sentada na entrada do palácio. Ela era linda e o som que produzia do instrumento koto era gracioso assim como o ar que ela transpirava. Adentraram sem cerimônia e ela após reverenciar o Lorde, voltou a tocar. Será que este era o dever dela aqui no castelo? Kagome continuou pensando em coisas aleatórias enquanto subia lances e mais lances de escadas e Sesshoumaru não estava tão diferente dela:

“Da última vez que ela apareceu por aqui trouxe a jóia de quatro almas, depois a despedaçou em inúmeros fragmentos trazendo o caos por todo o lugar, despertou aquele maldito hanyou, removeu a espada do túmulo do chichiue sem esforço algum, entre outros infortúnios... Achei que ela tivesse desaparecido para sempre assim que a shikon no tama fora destruída, mas se está aqui novamente... não é por acaso, ainda mais aqui, em minhas terras... Quem quer que a tenha enviado para cá, não foi de propósito, algo me diz isso! Descobrirei tudo o que poder até juntar todas as peças. Vou tirar todas as informações dela e mantê-la sob vigilância até saber o que está havendo.Tenho o controle de tudo que ocorre por aqui, esse acontecimento não será uma exceção.”

Já no último andar, eles percorriam um corredor e do lado direito Kagome ficou maravilhada com o que via. Dali ela enxergava o vilarejo que estava mais cedo e terras que iam muito além dele que possuía campos de flores, muitas árvores, estradas... Nada escapava da sua vista. “Bem estratégico. Quem teria sido o arquiteto?” O Lorde parou e abriu uma porta dupla de correr à esquerda e entrou. O escritório dele tinha uma vista de tirar o fôlego, graças a uma janela do lado oposto ao da porta, e quando o albino se escorou nela, de costas para a sacerdotisa, a vista ficou inexplicavelmente mais atraente, ao seu ponto de vista.

-- Explique-me tudo. Do começo. – Ordenou ele a tirando de seus devaneios... Não precisava olhá-la nos olhos para saber se mentia, seu cheiro diria isso.

-- E-eto... Eu... – "Anda! Fala logo! Desaprendeu foi?" Sua consciência a questionava enquanto tentava formular uma frase completa. – Na verdade... Eu só queria saber qual a distância daqui para o vilarejo da Dona Kaede e que direção seguir, já que eu nunca estive por aqui ant...

-- Quero que me diga como veio parar aqui. Não me faça repetir Miko, pois não o farei! – Repreendeu-a. Agora se virando e encostando-se na janela, a encarando de braços cruzados e olhos semicerrados.

“Mas é claro... Velhos hábitos nunca mudam. Ele vai me atirar dessa janela caso eu não o responda. Bem... Ninguém fala assim comigo. Talvez eu aprenda a voar hoje, mas valerá à pena." Ela cruzou os braços, de frente para ele, o encarando de volta, em puro sinal de desafio. “Acho que sou uma suicida em ascensão!”

-- Primeiramente eu tenho um nome sabia? É KA-GO-ME. E sei o quão boa é a audição dos inuyoukais. Provavelmente você escutou a minha conversa com a Rin-chan e também já falei o que tinha pra falar antes de entrar aqui. Isso só diz respeito a mim, não a você. Se não quiser me informar a distância nem a direção tudo bem. Pergunto a outra pessoa. – Foi breve. Mas conseguiu ver um mísero brilho de divertimento nas íris douradas. Contudo não quebrou o contato visual, não mudou a pose, e por mais inacreditável que fosse, não demonstrava o medo que estava sentindo naquele momento. Mas de repente ela estava sendo pressionada contra a parede com os dois braços acima de sua cabeça, segurados pelo pulso com a mão esquerda do Dai-youkai. “Tá legal... Talvez eu tenha cutucado a onça com vara curta.”

-- Você precisa enxergar as coisas com mais frieza MIKO... – Deu ênfase na última palavra deixando claro que a chamaria como quisesse. -- Acha mesmo que tudo foi obra do acaso? Encontrar alguém que é totalmente igual a você?  Você provavelmente ter sido morta no seu mundo? E de tantos lugares neste mundo você veio parar logo AQUI, lugar que ainda não havia passado? Vejo que esses anos longe do bastardo do Inuyasha não te deixaram mais inteligente... PENSE! – Enquanto falava tudo isso mantinha sua cara de paisagem, mas estava irado por dentro. Segurava com a mão direita, pressionando as duas bochechas, o pequeno rosto da sacerdotisa. Viu os olhos dela tão vívidos pelas lágrimas que começavam a se formar que por um momento achou que seria possível nadar naquele oceano azul.  “Eles sempre foram assim?" Mas o que estava pensando? Nunca seus pensamentos divagaram desta maneira! Raramente perdia o controle e não seria hoje! Ele soltou os seus pulsos e virou-se para a sua mesa sentando-se de frente para a mesma olhando alguns papéis, mas sem lê-los de fato. “A possibilidade de estar sendo usado como peão de algum plano deveras me incomoda, e essa humana petulante não colabora com nada. Sei que tudo acontece com uma finalidade e vou descobrir qual. Custe o que custar...”


Notas Finais




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