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História No caminho - Imagine Kageyama Tobio - Haikyuu - Capítulo 6


Escrita por:


Notas do Autor


Oiee, eu disse que não ia demorar <3 boa leitura

Capítulo 6 - Agitação


Fanfic / Fanfiction No caminho - Imagine Kageyama Tobio - Haikyuu - Capítulo 6 - Agitação

Yokoyama Aiko 

Era por volta de 4 horas da manhã quando escutei barulho de panelas vindo da cozinha. Minha primeira suposição foi, como de costume, supor que fosse um ladrão, mas logo após o barulho cessar escutei um resmungo familiar.

Ainda sonolenta e com o corpo pesado levantei da cama e tateei na escuridão à procura do interruptor para acender as luzes. Por precaução, abri apenas uma fresta da porta do quarto e espiei. Avistei as luzes da cozinha acesas e escutei um novo resmungo, desta vez mais audível.

    — Mas que diabos — Kageyama Tobio xingou entre os dentes enquanto juntava as panelas que havia derrubado. Não pude deixar de rir, ele estava com uma expressão cômica, mas minha agitação acabou por delatar minha espionagem. — Ei, o que você está rindo aí?

    — De você — respondi e me aproximei para ajudá-lo. Foi quando percebi que ele já estava usando o uniforme. — Meu relógio está errado? Já está na hora de sairmos?? — Perguntei assustada.

    — Ah, não. Não se preocupe, eu só tenho treino com o Hinata às 5 horas. — ele respondeu enquanto revirava o cesto de frutas tentando decidir quais das maçãs era a melhor.

    — Tão cedo? — perguntei.

    — Sim. Estamos banidos do ginásio até o jogo de sábado, por isso precisamos treinar escondido antes do treino que acontece às 7.

    — Oh, isso parece divertido…

    — Você acha? — ele perguntou e eu assenti com a cabeça em afirmação. — Quer vir junto? — Dois dias atrás, quando nos conhecemos, eu não imaginava que ele poderia me convidar para alguma atividade, mas estávamos nos acostumando um ao outro tão rapidamente que chegava a assustar. Ele havia me convidado com tanta naturalidade, de forma tão descontraída que isso me deixava nervosa, mas eu não sabia ainda o porquê. — Eu preciso focar no Hinata, então ainda não vou poder te ajudar como eu havia prometido, mas se quiser pode assistir e ver como vai ser sua primeira impressão sobre o esporte… — ele complementou. 

    — Acho que pode ser… — respondi com uma pontinha de insegurança. — Tem certeza que não vou atrapalhar?

    — Deixa de besteira, não vai atrapalhar. Mas precisamos nos apressar, fica pronta em 15 minutos?

    — Em 10 — respondi pegando uma maçã da cesta e correndo para o quarto para trocar de roupa.

* * *

    No caminho para a escola, Kageyama tentava me explicar quais as posições que existiam no vôlei e que tipo de jogadas os jogadores nessas posições podiam fazer. Ele explicava usando palavras como “gwaaa” e “poow”, e por isso eu não conseguia entender quase nada, mas ele estava tão animado, então não queria desanimá-lo admitindo isso.

    Estávamos quase chegando quando de repente minha barriga roncou alto. Tentei disfarçar pigarreando e tossindo, mas estava com fome, aquela mísera maçã não me sustentou por muito tempo e minha barriga continuou a roncar. Depois do terceiro ronco, Kageyama que estava se segurando, não aguentou e desatou a rir.

    — Aqui, — ele disse abrindo o zíper da bolsa e pegando um tamago sando (sanduíche de ovo, bastante popular no japão) guardado em um ziplock. — pode comer, você não é alérgica a ovo, certo?

    — Mas é seu… Não precisa… — antes que eu pudesse terminar a frase, minha barriga roncou novamente e Kageyama desatou a rir mais uma vez.

    — Tudo bem, eu fiz pra você quando foi trocar de roupa, eu sabia que só uma maçã não ia bastar. — ele disse e jogou o sanduíche nas minhas mãos. 

    — Você também só comeu uma maçã e tá bem… — comentei.

    — Nada disso, eu já havia comido antes de você acordar. Se você quer ser uma atleta precisa cuidar do seu corpo, ele é seu templo. Achei que soubesse disso já que é ginasta…

    — Era — o corrigi rapidamente — não sou mais… — dei uma mordida no sanduíche enquanto um silêncio constrangedor se estendeu, eu havia o interrompido muito bruscamente. — Eu sei que meu corpo é meu templo, eu só não queria te atrasar… — justifiquei tentando quebrar o silêncio.

    Kageyama era um mistério não desvendado. Desde que havíamos nos conhecido havia momentos onde ele era rude e outros onde era surpreendentemente gentil, como da primeira vez que almoçamos e ele me cedeu uma fatia de frango, ou quando consertou meu troféu. Mas mais estranho do que isso era me sentir tão à vontade com uma pessoa que eu havia conhecido à apenas 3 dias.

    — Sem problemas, de qualquer forma, nós já chegamos — ele disse me tirando dos devaneios, enquanto nós adentrávamos os portões da escola.

    Quando nos aproximamos do ginásio, avistamos de longe Hinata sentado na frente da porta com a cabeça apoiada em um dos braços e olhos fechados. Ele estava dormindo sentado de um jeito engraçado, ficava extremamente fofo com aquela carinha de criança dormindo, mas é claro que Kageyama não teve dó nem piedade.

    — Oô, boke! — Kageyama gritou e jogou uma bola certeira no garoto, que acordou de supetão com cara de assustado.

    — As portas estão trancadas — Hinata disse desanimado e ainda sonolento, vindo em nossa direção. — Ohh, Yoko! — ele cumprimentou quando percebeu que eu estava ali também. — Pera aí… Por que você está aqui?

    — Ahh, o Kageyama fez muito barulho quando… — eu estava contando quando Kageyama me interrompeu com um tapa  atrás da cabeça, o que me relembrou de que eu não poderia contar o real motivo, ou saberiam que moramos juntos.

    — Tinha um… Inseto, foi mal — Kageyama inventou para justificar o tapa. Mas Hinata estava com uma cara confusa.

    — Então… — Falei rindo nervosa tentando pensar rápido em uma mentira. — É que na verdade nós moramos no mesmo prédio e o Kageyama fez muito barulho no corredor… E… Eu fui ver se tava tudo bem… E… Ele me convidou para assistir o treino… Porque…E-eu… Tava com insônia! É, eu tava com insônia e não tinha nada pra fazer… Heh… — Meu deus, eu era uma péssima mentirosa, minhas mãos até haviam começado a suar frio de nervosismo.

    Hinata me encarou por alguns segundos, parecia desconfiado, senti que entragaria o jogo se ele continuasse me encarando, mas felizmente fui salva por Kageyama.

    — Hinata, se você chegar naquela árvore em 10 segundos eu te ensino o saque viagem  — Kageyama o desafiou e o garoto saiu em disparada sem pensar duas vezes. Com Hinata longe Kageyama puxou meu braço de leve.  — Se você continuar a mentir mal desse jeito vamos ser descobertos, fica de bico calado e deixa comigo  — ele disse em um tom baixo e grave próximo à minha orelha. Aquela frase havia sido o suficiente para me causar um calafrio estranho, suas palavras soavam ameaçadoras, mas afáveis ao mesmo tempo, se é que era possível.

Hinata voltou derrotado sem conseguir cumprir o desafio e os dois iriam começar o aquecimento para o treino ali no pátio mesmo, já que as portas do ginásio estavam trancadas. Eles estavam alongando a alguns poucos minutos quando uma silhueta robusta surgiu entre a sombra dos prédios:

    — Oê, oê, oê — um garoto careca se aproximou. Ele usava o agasalho do clube de vôlei e brincava com uma chave entre os dedos. — Eu sou o melhor senpai, não é mesmo? — ele perguntou confiante enquanto levantava a chave como se fosse um objeto sagrado. De repente ele percebeu que eu estava ali. — Hã? Quem é essa?

    — Minha vizinha — desta vez Kageyama tomou a frente da explicação, seria um problema se um senpai desconfiasse de nós. — Ela quer aprender a jogar vôlei e eu a convidei para assistir e ver o que acha.

    — Hum… Certo. Pelo menos agora tenho uma plateia para exibir minhas jogadas sensacionais — ele disse fazendo pose. Mais tarde descobri que o nome do garoto era Tanaka Ryunosuke, ele estava no segundo ano e era o atacante de ponta do time titular.

    Quando Tanaka destrancou as portas, Hinata e Kageyama brigaram feito duas crianças para competir sobre quem entraria primeiro no ginásio. Tanaka-senpai então os agarrou pelas orelhas e deu espaço para que eu passasse primeiro, assim, nenhum dos dois “ganharia”. A cara de decepção dos dois havia sido impagável.

    O ginásio de vôlei não era tão surpreendente quanto eu esperava, colocando alguns colchões de impacto, algumas barras e cavalos com alças espalhados pela quadra ficaria igualzinho ao antigo ginásio onde eu treinava ginástica artística… Tinha até o mesmo cheiro de salompas e aquele aroma amadeirado que o piso de carvalho polido exala. Um misto de saudade e conforto havia me tomado.

    Hinata, por sua vez, estava maravilhado com o ginásio, pulava e rodopiava de um lado para o outro encantado com a grandeza do lugar. 

    — Que ginásio incrível! — Hinata disse quase sem fôlego de tanto saltitar, ele tinha energia demais.

    — Você esteve aqui ontem — Tanaka o lembrou.

 

    Sentada em um canto da quadra, assisti os garotos se aquecerem. Observei Kageyama, ele estava concentrado e fazia uma cara séria, como se estivesse completamente compenetrado em uma partida real que estivesse prestes a acontecer. Era interessante vê-lo assim, seu amor pelo vôlei ficava evidente quando o via ali na quadra, cada movimento era cuidadosamente calculado e bem executado usando a medida certa de vigor e energia… De repente havia sentido algo estranho, uma agitação desconhecida dentro do peito… E naquele momento Kageyama voltou seu olhar para o canto onde eu estava sentada, nossos olhares se cruzaram e senti a agitação cessar repentinamente junto com minha respiração. “O que diabos é isso?” pensei.

   


Notas Finais


Aie, sei lá, dá um quentinho no coração escrever a histórias desses dois <3

Bebam água, lavem as mãos e usem máscara! Fiquem bem <33


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