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História No Complication - Shikasaku - Capítulo 24


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Notas do Autor


Oii, gente capítulo novo pra vocês!

Nesse capítulo e no próximo quis abordar algo diferente... Nem sempre o "felizes para sempre" é algo perfeito. Como o Shika diria, a vida é problemática haha. Os problemas aparecem, isso é fato. Mas o que realmente importa é como lidamos com eles e os superamos.

Não poderia deixar de dar um agradecimento especial a @EvilHope e a @Bluefox203 por toda a ajuda com o capítulo. Muito obrigada, suas lindas!

Boa leitura! 💚

Capítulo 24 - Ciúmes?


Fanfic / Fanfiction No Complication - Shikasaku - Capítulo 24 - Ciúmes?

I wasn't jealous before we met

Now every man that I see is a potential threat

And I'm possessive, it isn't nice

You've heard me saying that smoking was my only vice

But now it isn't true

 

Há três meses atrás eu havia tomado a melhor decisão da minha vida: pedir a Sakura em casamento. Eu tinha certeza que não poderia ter escolhido alguém melhor. Além da Sakura entender minhas responsabilidades e me ajudar com cada uma delas, ela era a mulher que havia me deixado perdidamente apaixonado, eu amava cada pequena parte dela e nada nesse mundo me fazia mais feliz do que estar com ela. 

Nesses meses, ela já havia aprendido praticamente tudo o que havia para se saber sobre o meu clã e se tornou minha melhor conselheira. Além disso, passei para ela a administração do cultivo de ervas da nossa floresta, o que ela conseguia fazer com mais eficiência do que qualquer um faria. Como ela já trabalhava no hospital e cuidava da parte de suprimentos, conseguia administrar as coisas de uma forma muito mais prática. 

Mas se tratando da Sakura, era óbvio que ela não faria apenas isso. Ela sabia quais ervas medicinais eram mais úteis e expandiu a produção delas. O que não era utilizado por Konoha ela comercializava com outras localidades. Como se já não bastasse isso, ela e Tenten estavam desenvolvendo uma linha especial de armas envenenadas e nós fornecíamos as ervas necessárias para a elaboração desses venenos. Com o conhecimento que Tenten estava adquirindo em Suna e as habilidades da Sakura, esse negócio tinha tudo para ser muito promissor. 

Minha mãe tinha toda razão quando disse que eu e Sakura poderíamos fazer coisas incríveis pelo clã Nara. Só em três meses a Sakura já havia conseguido expandir de forma significativa os nossos negócios e eu já havia feito mudanças importantes dentro do meu clã que melhoraram bastante as coisas. 

Enquanto Sakura se desdobrava entre o hospital, a clínica e o cultivo de ervas, eu fiquei responsável por acompanhar a construção da nossa futura casa. Apesar de ser uma única tarefa, era uma tarefa muito cansativa e problemática…

Não sabia que uma simples construção poderia dar mais dor de cabeça do que ser conselheiro do Hokage, aqueles pedreiros me tiravam do sério. Porém, quando eu pensava no que eu iria viver com a Sakura naquela casa, conseguia a motivação e a paciência necessária. Só de ver ela toda feliz quando vinha visitar a construção para ver como tudo estava, todo esforço valia a pena. 

Apesar de estarmos mais atarefados do que nunca, nos víamos todos os dias, já que eu praticamente havia me mudado para o seu apartamento. Toda manhã saíamos juntos, ela ia para o hospital e eu ia para a construção acompanhar como estavam as coisas, depois ia para a Torre do Hokage e ficava o dia inteiro por lá sendo consumido por todas aquelas burocracias chatas e problemáticas. Por fim, chegava o melhor momento do meu dia que era quando eu ia buscar a Sakura na clínica e íamos  para casa. 

Tínhamos uma rotina perfeita e nada nesse mundo era capaz de me segurar um minuto a mais naquele escritório. Tudo o que eu mais gostava de fazer era voltar para casa, ter uma noite tranquila e descansar com a minha bela noiva. Não era novidade nenhuma que eu adorava descansar, mas fazer isso com a Sakura do lado era melhor ainda. 

Essa já poderia ser considerada a minha vida perfeita, mas eu sabia que tudo iria melhorar ainda mais…

Faltava apenas um mês para o meu casamento com a Sakura e apesar de termos tanto tempo ainda, minha mãe, Ino e a Dona Mebuki estavam consumindo toda a nossa energia com os preparativos. Desde que demos a notícia de que casaríamos, as três se uniram determinadas a fazer com que o nosso casamento fosse o evento do ano. 

Claro que estávamos animados para o dia que uniríamos as nossas vidas para sempre, porém não queríamos gastar tanta energia com uma cerimônia. Mas, não vou mentir que adorava quando a Sakura chegava cansada depois de ter que resolver alguma coisa com o Esquadrão Casamento do Ano. Ela se jogava no sofá e reclamava que não queria saber da cor do guardanapo combinando com o centro de mesa e dizia “tudo que eu quero é você, Shika”. Ficava morrendo de felicidade quando ouvia isso, oferecia uma massagem para que ela relaxasse e uma coisa acabava levando a outra… É, até que esses preparativos não eram de todo ruins. 

A minha vida com a Sakura era maravilhosa. 

Mas, vez ou outra, aparecia algumas coisas para perturbar a nossa rotina. Hoje era um almoço com a Ino e o Sai. Não que eu não gostasse da companhia deles, mas era melhor quando eu podia almoçar rápido e ter tempo de tirar um cochilo. Mas, fazer o que? A vida tem dessas. 

Eu estava na frente do restaurante com a Ino e o Sai, ouvindo  ela  tagarelar sobre como estavam os preparativos para o meu casamento enquanto esperávamos que Sakura chegasse. 

De longe, pude avistar a única que fazia meu coração disparar sem explicação nenhuma. Ela estava acompanhada de Ichiro, um ninja médico de Kumogakure que veio para Konoha especialmente para aprender com a Sakura. Desde que chegou, ele a seguia para quase todo lugar, o que não vou mentir, me deixava um pouco incomodado. Tudo bem que ele queria aprender com ela, mas precisava de tudo aquilo?

- Oi, Ino! Oi, Sai! - Ela falou assim que se aproximou. - Estava com saudade, amor. - Disse depois de me cumprimentar com um beijo. 

- Eu também senti sua falta. - Ela sorriu pra mim. Tão perfeita...

- Muito obrigada por me acompanhar, Ichiro. Nos vemos daqui a pouco. - Como eu disse, sempre tinha alguma coisa para atrapalhar… Agora, era esse tal de Ichiro. 

- Não precisa agradecer, Sakura. Você sabe que sempre que precisar eu estarei à disposição. Além do mais, te fazer companhia é a coisa mais divertida que tenho para fazer aqui. Você é muito… - Ele olhou para mim antes de continuar. - Agradável. 

Será que ele estava pensando em dar em cima da minha noiva bem na minha frente? Não era possível que esse sujeitinho fosse tão cara de pau. 

- Ah, obrigada. Até mais, Ichiro. - Ela se virou e me puxou para que entrássemos no restaurante. - Vamos, gente! Estou morrendo de fome. 

Ainda bem que a Sakura nem deu ousadia para ele. No fundo, eu não o culpava, ela era realmente incrível e sua companhia era mesmo agradável. Tanto é que foi só conviver um pouco mais com ela para que eu me apaixonasse. 

Ah, não… Será que esse carinha estava se apaixonando por ela?

De qualquer modo, era melhor eu não pensar nisso, estávamos noivos e ela nunca deu motivos para que ele a visse de outra forma. Eu me esquentar com isso seria só um grande desperdício de energia, além de ser muito problemático. 

O almoço com a Ino e o Sai até que foi bem agradável, era bom ter momentos tranquilos e felizes como esse, ainda mais depois de tudo que passamos anos atrás. Era nessas situações em que eu percebia que apesar de tudo de ruim que havia acontecido e de todas as perdas, nós conseguimos seguir em frente e crescemos com tudo aquilo que aprendemos. Nós mudamos e as coisas também mudaram, para melhor, claro. 

- Ino, a gente precisa ir para o hospital, nosso horário de almoço está quase no fim. - Sakura disse desanimada enquanto verificava a hora. 

- Ah… tem razão. - Ino parecia ainda mais desanimada. - Até mais, meu amor! - Ela deu um beijo no Sai e se preparava para sair. - Shika, faz o favor de escolher um quimono decente! Não quero você destoando do trabalho perfeito que estou fazendo. Peça ajuda para Dona Yoshino. - Assenti. Se eu não fizesse o que elas queriam, a Sakura ficaria viúva muito antes do tempo. - Até mais!

- Mais tarde te espero na clínica, Shika. Te amo. - Sakura também se despediu de mim com um beijo. - Até mais, meninos. 

As duas se levantaram e partiram. 

- Também vou nessa, já que não vou ter tempo de dormir um pouco depois do almoço, é melhor ir adiantando as coisas. Quem sabe consigo sair mais cedo...

- Está indo para a Torre do Hokage, né? - Sai perguntou e eu assenti. - Vou com você, preciso resolver umas coisas com o  Hokage-sama.

- Então vamos logo. 

Pagamos a conta e em seguida nos dirigimos para a Torre. O Sai até que era uma boa companhia, ele era um tanto estranho, admito. Mas também era um cara inteligente e muito observador, eu até que gostava disso nele. 

- Shikamaru, qual era a daquele tal de Ichiro? - Sai me perguntou enquanto andávamos. 

- Ah, ele é um ninja médico de Kumogakure que está treinando com a Sakura. - Respondi desinteressado. 

- E você não notou nada suspeito nele, não? - Fora dar em cima da minha noiva descaradamente bem na minha frente e ter se tornado praticamente a sombra dela, ele até que parecia gente boa. 

- Não.

- Hm… Mas então quer dizer que você não viu que ele deu em cima da Sakura bem na sua frente? - Então não foi só uma impressão minha…

- Ah, às vezes ele só estava querendo ser gentil. - Desconversei. 

Do meu relacionamento com a Temari, havia aprendido que ciúmes pode ser algo bem problemático. Por isso, não queria trazer nada disso para o meu relacionamento com a Sakura. 

Ela era muito tranquila quanto a isso. A única vez que tivemos uma situação parecida com ciúmes, foi uma vez em que eu estava com Naruto e algumas admiradoras dele se aproximaram de uma forma muito inconveniente. Antes que conseguíssemos despistá-las, Sakura apareceu e só a sua presença foi o suficiente para espantá-las. Ela apenas disse: “Shannaro, essas desorientadas não respeitam mesmo homens comprometidos”. Foi algo sútil e até fofo. E eu adorei ter ela bem pertinho de mim depois disso, além do mais, ela até que ficava fofa com aquela carinha meio brava. 

Por isso, não achava nenhum pouco inteligente trazer esse aborrecimento pro meu relacionamento com a Sakura. Isso traria brigas e problemas desnecessários e a gente perderia o nosso tempo brigando sendo que poderíamos fazer outras coisas bem melhores. Foi a mim que a Sakura escolheu para passar o resto da sua vida, eu não tinha porque me preocupar e atrapalhar o nosso relacionamento por causa de um carinha inconveniente.

A melhor coisa que eu poderia fazer era ignorá-lo, por mais que a sua presença forçada me incomodasse. 

- Eu tenho certeza que ele não estava apenas sendo gentil. - Sai respondeu. - Antes de começar a namorar com a Ino, li muitos livros sobre relacionamento. Pela linguagem corporal dele dava para ver que ele está interessado nela. Além do mais, se colocar à disposição e elogiar alguém deliberadamente é uma das estratégias para se conquistar uma mulher comprometida. - Por que diabos Sai tinha esse tipo de conhecimento? - Ele pode achar que o relacionamento de vocês está esfriando e está oferecendo para ela aquilo que você pode estar deixando a desejar. 

- Olha, Sai, isso não tem muito sentido… - Estávamos às vésperas do nosso casamento, não fazia sentido ele pressupor que nosso relacionamento estivesse esfriando. 

- Você até pode pensar assim, mas dava pra ver que ele te encara como um oponente. - Bem, parando pra pensar, a forma que ele me olhava era mesmo estranha. - De qualquer modo, você deveria pensar que se ele tem coragem de fazer esse tipo de coisa bem na sua frente, o que será que ele não faz quando está sozinho com ela? Não que eu ache que a Sakura vai te largar pra ficar com ele, mas não te incomoda nenhum pouco esse tipo de atitude? - Incomoda. E muito. - Se fosse com a Ino, eu não deixaria. Talvez ela não tenha se dado conta… Você deveria falar com ela.

Talvez. Mas agora, era melhor não dar atenção a isso. 

- Acho que não é algo com que eu deva me preocupar. A Sakura sabe se cuidar, se ele a desrespeitar, eu é que não gostaria nem um pouco de estar na pele dele, então… É melhor deixar isso com a Sakura.

- Você pode até estar certo... Mas saiba que as mulheres adoram ver que seus parceiros se preocupam em perdê-las e gostam de serem cuidadas e protegidas. Li até que ciúmes é um bom afrodisíaco. 

- A Sakura não é como as outras, Sai. - Disse acendendo um cigarro e dei a primeira tragada. Só queria encerrar aquele assunto chato e espairecer um pouco antes de encarar toda aquela papelada.

Chegando no escritório, logo fui ler todos os relatórios que estavam pendentes. Kakashi detestava essa tarefa e por isso tinha delegado para mim. Eu tinha que ler a maior parte dos relatórios, enquanto ele lia o seu Icha-Icha, caso eu achasse algo relevante, reportava para ele. 

Era um saco. Ainda mais quando eu tinha que ler o mesmo parágrafo umas cinco vezes para assimilar a informação. Depois daquela conversa com o Sai, minha mente começou a caminhar para um rumo perigoso… 

Aos meus 12 anos minha meta de vida era muito clara: eu queria ser um shinobi comum, levar uma vida comum, me casar com uma garota comum que não fosse nem tão bonita e nem tão feia, ter dois filhos, uma menina e depois um menino, me aposentar quando a minha filha se casasse e o meu filho se tornasse um ninja bem sucedido e passar o resto dos meus dias jogando shogi. Uma boa aposentadoria despreocupada e tranquila, e aí, eu morreria de velhice antes da minha esposa.

É, essa era vida que eu queria. 

Embora tudo que eu quisesse fosse levar uma vida despreocupada e tranquila, em algum momento acabei me desviando do meu objetivo. Meu emprego era basicamente o segundo mais importante da vila, eu era o líder de um dos clãs mais poderosos de Konoha e estava prestes a me casar com a mulher mais extraordinária que eu conhecia. 

Sakura era uma mulher complexa e com inúmeras características peculiares, mas comum era uma coisa que ela definitivamente não era. Desde sempre ela chamava atenção. Ela foi a única garota pela qual Sasuke Uchiha se interessou, o Naruto fora apaixonado por ela durante anos, o Lee desde que a viu pela primeira vez também ficou encantado, fora outros vários ninjas que encontraram ela por aí e também ficaram caidinhos pela mulher maravilhosa que ela era. 

Comigo também não foi diferente, bastou um tempo a mais convivendo com ela para querer entregar toda a minha vida nas mãos dela.

E ao que tudo indicava, Sai estava certo. Aquele tal de Ichiro estava mesmo apaixonado por ela. Pelo que eu sabia, ele ajudava a Sakura com tudo, ajudava até demais. Por que razão um homem faria tanto esforço por uma mulher, se não estivesse apaixonado?

Ah, isso ia ser problemático…

Não que fosse algo com que eu precisasse me preocupar. Era de se esperar que a Sakura tivesse uma lista grande de admiradores. E eu confiava cegamente nos sentimentos dela por mim. O nosso amor era forte e inabalável. 

Não tinha a menor razão para eu sentir ciúmes. 

E era óbvio que não era isso que estava tirando minha concentração. Definitivamente, ciúmes eu sabia que não era.

Afinal, não tinha nenhum motivo plausível para que eu sentisse isso. Eu apenas estava incomodado. 

O que era perfeitamente normal. 

Quem não se incomodaria de ter um cara cercando a sua tão amada noiva?

E pior, que tivesse a ousadia de fazer isso na minha presença?

“Se ele tem coragem de fazer esse tipo de coisa bem na sua frente, o que será que ele não faz quando está sozinho com ela?”

Droga, Sai! Agora isso não saía da minha cabeça! 

Enquanto eu estava aqui lendo esses malditos relatórios, ele provavelmente estava lá desfrutando da companhia da minha noiva em um treinamento particular. 

Com a minha Sakura.

Claro que o fato dele estar com ela não me incomodava em nada. Eu não era esse tipo de cara. Nunca fui ciumento e sempre achei que o ciúme prejudicava os relacionamentos, tanto é que a maioria das minhas brigas com a Temari eram por causa disso. O que me incomodava eram as investidas nada respeitosas dele. 

E se o Sai estivesse certo e a Sakura não tivesse percebido nada disso?

É claro!

Sakura sempre foi boa, gentil e tinha um coração enorme. Ela não costumava ver a maldade das pessoas. Então, era de se esperar que ela não percebesse que as intenções de Ichiro não são assim tão boas…

Eu poderia seguir o conselho do Sai e alertá-la sobre isso. Seria apenas um aviso, nada demais,  apenas um alerta de alguém que a ama muito e que só quer o melhor para ela. Eu sei muito bem que a Sakura sabe se cuidar e que  eu não preciso me preocupar quanto a isso, mas ela pode não ter percebido que aquele sujeitinho a está cercando…

Ou então, também é possível que ela mesma já esteja se sentindo incomodada, e só não quis ser rude com o rapaz. Se eu dissesse que ela tinha motivos para ser incomodar e que estava no seu direito em impor limites ao rapaz poderia ajudá-la, e se ela preferisse, eu mesmo poderia cuidar disso. Bem, eu sempre detestei qualquer tipo de conflito, mas pela Sakura eu faria esse sacrifício.

Estava decidido: assim que saísse daqui iria conversar com ela.

Depois de resolver o que faria, minha mente ficou mais tranquila e eu consegui terminar de ler aqueles relatórios. Ainda consegui enrolar o Kakashi e sair uma hora mais cedo. Como sempre, depois de sair do escritório do Hokage fui até a clínica. Ela ainda estava trabalhando quando eu cheguei lá, já que eu havia me adiantado bastante.

A secretária me informou que ela não estava realizando nenhum atendimento, por isso, resolvi ir até a sua sala fazer uma surpresa. Chegando lá, antes de bater na porta, senti a presença de um outro chakra… Claro, tinha que ser ele, tsc. 

Bati na porta e ela logo autorizou minha entrada. 

Lá estava ela sentada em sua cadeira e ele em pé ao seu lado mostrando algo em cima da sua mesa. Bem perto dela. Perto demais. 

- Oi, amor! Chegou chegou cedo hoje, hein? - Ela me cumprimentou. 

- Oi, linda! Pois é, acabei saindo mais cedo. Oi, Ichiro. -  Cumprimentei a razão do meu desgosto de forma ríspida. 

- Shikamaru. - Ele disse sério. Com o tom totalmente diferente daquele que ele estava usando quando estava sozinho com a Sakura. 

O cara nem se dava o trabalho de disfarçar?

- Deu um perdido no Kakashi-sensei, né? - Assenti. - Eu preciso terminar de ver algumas coisas com o Ichiro, pode ir indo para casa. Se der, pode comprar algo para o jantar? 

- Não estou com pressa, posso te esperar, amor. No caminho a gente compra algo. - Respondi enquanto me sentava no sofá que tinha ali.

- A gente ainda vai demorar. - Olha lá, o desaforado achando que tinha algum direito de dirigir a palavra a mim. - Não precisa se preocupar, eu posso deixar a Sakura em casa. 

Ah, pronto! Até nisso o idiota queria se meter!

- É a minha função acompanhar minha noiva até a nossa casa, Ichiro. Não me importo de esperar. - Fiz questão de deixar claro que ela era uma mulher comprometida e ele não tinha nada que ficar bancando o folgado.

- Hm. Vamos esclarecer algumas coisas: eu não preciso que ninguém me acompanhe até em casa, posso muito bem ir pro lugar que eu quiser sozinha, certo? Mas como eu sei que meu querido noivo ama a minha companhia e quer me esperar, eu não me importo. Mas você não vai ficar aí sentado só olhando a gente trabalhar. Organiza esses prontuários aqui pra mim, Shika.

Ela tinha ficado brava? Parecia… O que só reforçava a minha tese de que ela não estava percebendo o que  aquele sujeitinho estava fazendo. É, eu teria mesmo que ter uma conversa séria com ela.

Se eu tivesse que organizar uns prontuários para não deixar minha noiva na companhia daquele cara de pau sozinho, tudo bem. Eu detestava trabalhar, era verdade, mas detestava muito mais gente sem noção.

Ela me entregou os papéis para que eu os organizasse e eu logo comecei a fazer o que ela tinha pedido enquanto observava os dois. Logo percebi que o que eles estavam olhando na mesa dela quando cheguei era um livro sobre medicina muito raro de Kumogakure que ele tinha dado de presente para ela. 

Certo, agora ele estava querendo comprá-la com presentes. Esse cara não tinha mesmo nenhuma noção de limites?

Quando finalmente ela terminou o que estava fazendo fomos embora, como ela tinha sugerido, passamos em um restaurante e compramos algo para o jantar. Assim que entramos nos apartamento ela depositou as sacolas em cima do balcão e me olhou de forma séria.

- Você pode me explicar o que foi aquilo na minha sala? - Ah, então ela tinha notado algo estranho também, não esperava menos da minha Sakura.

- Notei sim e fico aliviado que você também tenha notado, aquele Ichiro é mesmo um cara de pau. - Ela arqueou a sobrancelha e me olhou de forma julgadora. 

- Eu não estou falando do Ichiro, Shika. Estou falando de você! De algum tempo pra cá, percebi que você olha pro coitado do rapaz de cara feia e hoje resolveu dar aquele showzinho na minha sala! Acha que eu não vi você revirando os olhos e bufando toda vez que ele falava alguma coisa? - É, ela estava brava. - Você está com ciúmes, amor? Porque se for, sério, você não precisa disso. O meu coração é todo seu, Shika. É você quem eu quero para minha vida. Você e ninguém mais. 

- Claro que não é ciúmes, Sakura. - Até parece que eu estava sentindo ciúmes, claro que não era isso. Eu só estava incomodado com a cara de pau de Ichiro. Só isso. Ciúmes era algo totalmente irracional e eu não ia perder meu tempo com um sentimento tão fútil assim.

- Então qual é o problema? - Ela colocou as mãos na cintura e me encarou.

- O problema é a forma como aquele cara está te tratando, te cercando… Dando em cima de você na minha frente! Você já viu como ele fica todo incomodado quando estou perto?

- E isso não é ciúme?

- Claro que não, amor! Eu sou um cara racional, Sakura, eu não vou sentir ciúmes de um cara qualquer, isso é coisa de gente que se deixa levar pelas emoções, você sabe que não sou assim! Só estou incomodado com ele te desrespeitando. 

A reação seguinte dela foi inesperada, ela começou a rir de forma irônica. 

- Então, deixa eu ver se entendi. Você é racional demais para sentir ciúme, mas eu sou cega o bastante para não perceber um cara me faltando com respeito? Mas ainda bem que  você, Shikamaru Nara, o grande conselheiro do Hokage, o cara mais inteligente e analítico de Konoha é o meu noivo e  percebeu que o Ichiro estava me desrespeitando coisa que eu fui incapaz de perceber?

- É! Digo, mais ou menos. Não que eu esteja te subestimando, mas é que você é gentil demais e tem um coração enorme, talvez você só não tenha enxergado a maldade por trás das intenções dele. Se você não quiser se indispor com ele pode deixar que eu falo com ele, amor. Eu não vou permitir que ele fique te desrespeitando e te cercando dessa forma. Eu vou cuidar e proteger você, meu amor, mesmo que para isso eu tenha que falar com aquele babaca. Você não vai precisar discutir com ele, pode deixar que eu cuido disso. 

- Shannaro! - Agora eu não entendi mais nada, ela parecia estar muito irritada. Ela cerrou os punhos, fechou os olhos e começou a respirar fundo como se quisesse se acalmar. Eu estava errado em querer protegê-la? - Você por acaso pensou nisso que está me dizendo? Você acha que isso tem algum fundamento? 

Mulheres eram realmente problemáticas… Nunca dava para saber exatamente em que pé estávamos com elas, uma única coisa poderia arruinar tudo. E nesse momento, eu tinha feito alguma coisa errada com a Sakura, mas eu não conseguia pensar exatamente o que era…

A pergunta dela parecia uma armadilha. 

E se ela achasse que eu estava dizendo tudo isso por pura imprudência e que na verdade tudo isso não passava de um ciúme bobo?

Talvez se eu dissesse que minha tese era muito bem fundamentada, talvez eu conseguisse reverter a situação.

- Claro que pensei! Eu tenho reparado na forma como ele vem agindo e hoje só foi a gota d’água. Ele tentou te comprar com um livro, Sakura. Alguém tem que colocar esse cara no lugar dele.

- E claro, esse alguém tem que ser você. Porque eu sou incapaz de me defender sozinha! - Ah, agora eu tinha entendido. - Olha, Shikamaru, saber que você pensou nisso antes de me dizer torna tudo ainda pior. - Não era a minha “imprudência” que tinha deixado ela brava… - Se fosse apenas ciúme, por mais absurdo que fosse, eu juro que entenderia, mas isso?! Para sua informação, eu percebi sim as atitudes estranhas do Ichiro e já venho impondo limites a ele, mas isso você não notou, não é mesmo? O livro foi algo que eu mesma tinha pedido para ele, e não, Shikamaru, não é com um simples livro que um cara vai me conquistar. Sabe como é que alguém pode me conquistar? Me dando apoio, acreditando em mim, estando ao meu lado e me fazendo feliz, exatamente como você fez, mas agora está fazendo tudo ao contrário. 

Eu tentei tanto pensar para fazer as coisas totalmente certas e acabei metendo os pés pelas mãos. 

- Porque agora, você apenas está me subestimando. Logo você está achando que eu não sou capaz de perceber as coisas ao meu redor e tomar as rédeas da situação. - Só agora dei conta do absurdo que eu tinha pensado. - A minha vida inteira vi as pessoas ao meu redor me subestimando e achando que eu precisasse ser protegida… E você consegue imaginar o quanto eu lutei, o quanto eu me esforcei para provar que isso não é verdade? E quer saber? Eu não me importo se outros pensam assim, porque eu sou a única para quem eu tenho que provar alguma coisa, mas eu me importo com o que você pensa. A sua opinião vale muito para mim porque é com você que eu vou passar o resto da minha vida… Eu esperava isso de qualquer pessoa, Shika, menos de você. 

Sempre achei que a raiva fosse a pior emoções das mulheres, mas agora havia descoberto que havia uma muito mais perigosa: a mágoa. E era exatamente isso que os olhos da Sakura revelavam naquele momento, ela estava magoada comigo. De alguma forma, eu havia deixado ela chateada comigo e acho que nunca me arrependi tanto de algo na minha vida… 

Custava admitir que era só ciúmes?

- Sakura, me desculpe. Essa nunca foi a minha intenção. Eu jamais te subestimaria  de propósito, me perdoa, minha flor, por favor. Eu errei. - Pedi em um tom suplicante depois de ter notado a merda que eu tinha feito.

- Agora não, Shika. Eu preciso de um tempo pra pensar. - Ela pegou o casaco que estava pendurado na porta. - Vou para o hospital. Por favor, não venha atrás de mim.

- Sakura, espera! Você nem jantou ainda…

- Acredite, Shika, eu sei me virar. - Ela abriu a porta e saiu me deixando ali. 

Sozinho. 

Arrependido. 

E com o coração partido. 

Droga! Será que eu tinha arruinado tudo?

 

Are we taking time or a time out?

I can't take the inbetween

Asking me for space here in my house

You know how to fuck with me

Acting like we're not together

After everything that we've been through

Sleeping up under the covers

How am I so far away from you?

 

 

 


Notas Finais


Vixi.
Shika, meu amigo, pisastes na bola, hein?
Sakura, mulher, tenha um pouco de paciência, plmdds!
Conselhos para o nosso casal?

Obrigada pela leitura! 💚

Obs: Quem me acompanha em outras fics, tenham fé que irei atualizá-las sim. Quem sabe essa semana não sai alguma coisa, haha.


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