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História No coração do faraó - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Protegida pelos deuses


"O senhor não passou de um brinquedo nas suas mãos. Ela deve estar sendo bem tratada e mimada dentro das muralhas de sua terra. Deleitando-se com as maravilhas da natureza, quebrando o vosso voto de fidelidade perante Hórus"

Kazim

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"Blasfêmia!" Neji recusava-se a acreditar naquelas palavras de Kazim. Hinata era sua assim como ele era dela a maior parte do tempo. Ela amava-o na mesma intensidade que ele, por esses, e outros motivos similares, Neji recusou e até ameaçou o antigo braço direito do seu pai. 

Apesar das ameaças do seu faraó, o conselheiro não desistiu e dia a dia minou o coração do herdeiro do seu antigo senhor. O ódio gratuito de Kazim pela primogênita do reino inimigo não era novidade para ninguém. A novidade e o espanto de todos estava na escolha do rei em manter "a ameaça" — que era Kazim — perto de sua rainha. 

Todavia, Neji não tinha escolha, primeiro que ele precisava obedecer a promessa que fizera ao seu pai, segundo que tipo de imagem passaria para as pessoas se excluísse pessoas capacitadas para estar ao seu lado apenas porque representam uma ameaça para a sua família. Neji colocaria ordem em sua casa, e terror em todos os inimigos de sua família. 

No princípio recusou-se a acreditar, porém, aos poucos o veneno do seu conselheiro começou a surtir o efeito desejado. 

Os dias foram passando-se e Hinata não regressava, os atritos com Hiashi aumentavam, e Toneri — o único próximo a família da esposa, e que tinha caído nas graças de Hiashi — tinha se mudado para lá segundo os seus espiões na fronteira. 

A imagem de sua querida Nefertiti nos lençóis com o bastardo do regente Toneri ferveu seu sangue.

O Hyuuga tinha a certeza de que Hiashi não hesitaria em dar sua filha a outro homem, se isso significava ferir seu orgulho e sua reputação. O nível de insanidade do velho era tanta ao ponto de não temer mais a ira dos deuses. Pelo contrário, o decrépito seria capaz de assumir que tinha a bênção de Bastet e de Hathor. 

"Ela está sendo bem tratada" soltou um sorriso de escárnio. O faraó não via nenhuma mulher bem tratada a sua frente. A Hyuuga parecia estar fazendo um tremendo esforço para permanecer de pé, suas olheiras eram visíveis — sinal de que talvez perderá várias noites de sono — suas unhas estavam sujas e nada alinhadas, seu cabelo descuidado e seu corpo espancado.  

Três anos... três longos anos sendo torturada dentro da sua própria casa. Não teve o suficiente? Não merecia ela piedade da sua parte? 

O povo queria sangue, os conselheiros punição, os sacerdotes justiça e reconciliação com os deuses, mas Neji não estava pronto para executar tal barbaridade, principalmente contra ela. 

— Meu faraó. — Lee tirou-os do transe. 

O monarca olhou para o seu braço direito parado na porta dos seus aposentos. A mão do rapaz brincava com o cabo de seu punhal, ele estava pronto para acabar com ela, o seu sofrimento, mas ele não queria. 

— Lee! — o tom de aviso parou as mãos do guerreiro que entendeu o recado e baixou a cabeça em submissão. — Desimpeçam meus corredores! 

Foi quase imperceptível, mas o frio monarca prendeu a respiração antes de começar a caminhar. Cada passo na direção contrária a sua Nefertiti que dava, destruía os últimos fios de esperança que existiam no coração da azulada. 

Neji olhou para a parede a sua frente, quando o rosto feminino olhou para si, e em seguida para o mosaico. 

Céus! Ela estava pensando que ele a repudiava por livre e espontânea vontade. Se sua Nefertiti visse o quão destroçado estava o seu coração quando deixou os aposentos, refreando seu corpo de amá-la, e reconforta-la. 

Ele precisava pensar nos seus próximos passos. Set — o deus do caos — estava instalado nos seu castelo, e ele precisava retirá-lo imediatamente antes que não levasse a vida da mulher que amava. 

— Desculpe-me Hinata. — sussurrou. 

— Meu senhor! — Lee correu para alcançá-lo, em nenhum momento seu superior olhou para trás, nem fazia questão de parar para dar-lhe atenção, então tinha que acelerar seus passos e ir direto ao ponto — Os conselheiros estão à espera. E Kō deseja saber da sua parte se convoca os sacerdotes? 

— Porquê? Eu não convoquei nenhuma reunião. 

Com essa dura resposta o capitão das suas tropas sabia o que deveria fazer a seguir.

— Como desejar senhor. 

[•••]

Vários rumores circulam por detrás da ala oeste do seu castelo. Desde pequeno que fora ensinado a respeitar e preservar aquela parte do castelo, fazendo o mínimo de remodelações possíveis naquela divisão. Não que precisasse, o corredor parecia ter sido esculpido pelo próprio Rá para os seus sucessores. 

Durante quinze horas, o Hyuuga girou o vasto salão, procurando controlar suas emoções, e pensar no que era melhor para si, e para o seu reinado. 

Duas coisas que se divergiam. O povo queria a morte de sua esposa, e ele o oposto. 

Quinze longas horas isolado do mundo, e ainda não tinha decidido o que fazer. 

A movimentação reduzida permitiu o rei desfilar pelo castelo a vontade. Covarde queria adiar o encontro com a mulher de cabelo azul-escuro. 

— Pensativo meu senhor? 

O Hyuuga esboçou outro sorriso nada simpático para os céus. Definitivamente Set tinha se instalado nas paredes de sua casa. Em outras circunstâncias ficaria feliz pelo retorno do amigo, mas nesse momento ele sabia o motivo de sua visita no castelo. 

— Kō. Pensei que estavas num retiro. 

— E estava… — depois de fazer uma vénia respeitosa, sentou na borda da fonte ao seu lado — mas Lee enviou-me uma carta explicando toda situação. Horas depois recebi outra carta do conselho convocando-me. Devo agradecer ao soldado, pois ficaria perdido sem saber como agir. 

— Deixe-me adivinhar, foi Kazim que enviou a carta?

— Ele deseja saber a opinião dos deuses. 

— Não. — revirou os olhos — Ele quer que a condenes, e depois que convenças a todos que fazes por vontade dos deuses.

— E o senhor? Quer que eu a salve? — indagou. Depois de segundos de silêncio continuou — Vocês não podem manipular a vontade dos deuses. 

— Recebeste-a nos teus braços como se fosse uma filha.

— E abençoei vossa união em segredo perante os céus. — confessou — Talvez porque vi o quanto ela era especial para o senhor. Onde ela está?

— Siga-me! 

O representante dos deuses andou ao lado da reencarnação de Rá em silêncio. Embora muito jovem, o rapaz provou que estava a altura do papel que tinha sido incumbido pelas divindades. A amizade com o regente tinha sido apenas mais um bônus na sua vida. 

Os dois compreendiam o que era carregar o peso de um legado, suprimir desejos, e sonhos para um bem maior. 

Hinata não tinha ambições, não desejava o trono, e os luxos dados pelo antigo faraó — Hizashi — não passavam de bijuterias para ela. A Hyuuga queria apenas desfrutar da liberdade que tinha longe do pai, e foi esse o fator crucial que chamou a atenção do príncipe. 

— Onde ela está? — indagou furioso.

Assim que abriu as enormes portas do seu aposento, os leões correram até o seu encontro. O quarto estava vazio, porquê? 

— Lee levou-a para os seus antigos aposentos. A princesa está no harém do faraó. 

— Espero a sua convocação para o julgamento da rainha. — o sacerdote virou-se para partir. — Atrevo-me a dar um conselho ao senhor, mas na qualidade de amigo...descanse, e prepare-se para o dia de amanhã. Priva-se de sua presença por agora. Lembre-se que Hator protege os apaixonados. 

Não deveria dizer isso, mas Kō sabia que a rainha não seria castigada nem pelos deuses, porque ela estava sendo protegida pela reencarnação de um deus. 




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