História No Escurinho do Cinema... - Capítulo 10


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Kim Taehyung (V)
Tags Angst, Bottom!jeongguk, Cinema, Taekook, Top!taehyung, Vkook
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Palavras 10.173
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Fluffy, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi, gente <3
eu ia postar quinta-feira, mas quis fazer um mimo pra gabi e decidi postar hoje logo.
Fiquei feliz demais pelo feedback de vocês por tudo aaaaaa muito obrigada mesmo, gente!!! Vocês são incríveis demaaaais.

espero que gostem, boa leituraaaa

Capítulo 10 - Wall-E


Fanfic / Fanfiction No Escurinho do Cinema... - Capítulo 10 - Wall-E

"Nunca é tarde demais para mudar"

 

– WALL-E, 2008

 

Será que é verdade quando dizem que a vida imita a arte?

Se tem uma coisa que eu gostaria de “imitar” são as diversas narrativas de diversos filmes que assisti durante toda minha vida desde que fui ao cinema pela primeira vez com oito anos de idade.

Queria me tornar um protagonista tão legal quanto os que eu via, queria realizar atos heroicos, salvar o mundo, fazer a diferença, mas acabei descobrindo que a realidade da vida pode ser bem cruel quando quer, mas se tem algo que nos mantém sãos quando paramos para refletir no quão o ruim o mundo é, são os nossos sonhos.

Sonhar é bom. Em excesso, nos torna em pessoas frustradas, em escassez, nos torna em pessoas amarguradas.

Eu gostava de imaginar que me encaixava nas duas. Às vezes eu sonhava demais com coisas inalcançáveis, às vezes, minha falta de sonhos me fazia chorar e lamentar.

A conclusão que cheguei é que não devemos parar de sonhar, mas também devemos manter o pé no chão. Eu ainda sonhava bastante, mesmo com 21 anos de idade. A diferença era que dessa vez, eu tinha alguém para me acompanhar nos sonhos.

No entanto, por um tempo, há alguns anos atrás, acabei ignorando qualquer tipo de perspectiva acerca de sonhos e me tornei imprudente demais para merecer ou conseguir sonhar.

Me sinto desconfortável de falar sobre meu passado, minha vida. Não existem muitas coisas bonitas para serem contadas, na verdade. Minha mãe era uma renomada médica-cirurgiã, e meu pai era empresário, controlando uma rede de hospitais por toda a Coreia e em cidades chinesas como Hong Kong, Macau, Pequim e Shangai.

Como tudo o que eles conquistaram foi a base de muito sangue e suor, eu era cobrado dia e noite em casa. Minhas notas tinham que ser as melhores, eu tinha que ser o melhor filho, o melhor exemplo. Para minha irmã mais velha era fácil, ela gostava da vida de luxo que levava e estava acostumada a viver daquele jeito. Mas, eu observava meus colegas de escola falarem sobre coisas que faziam com suas famílias e acabava me perguntando porque a minha também não poderia ser assim.

No início, meu pai até brincava muito comigo. Ele me dava atenção sempre que podia, me dava um beijo de boa noite, e me levou ao cinema no dia do meu aniversário. O dia em que minha vida mudou quando descobri a sétima arte.

Nunca vou me esquecer de como me senti. Fiquei extasiado, impressionado. Tudo ali era tão bonito, tão colorido, tão legal. Íamos assistir Zathura: Uma Aventura Espacial. Lembro-me exatamente o que pensei no segundo que o filme começou. Me perguntei se aquele lugar tão bonito que mostrava no telão existia. Eu queria ir para aquele lugar, queria entrar dentro daquele filme, jogar aquele jogo, ser uma daquelas pessoas. Meu pai riu de mim e me disse que nada daquilo era real. Eram apenas efeitos especiais. Mal sabia ele que aquela constatação fora o seu erro. Porque foi a partir daquele momento que eu coloquei em minha cabeça que eu queria aprender a fazer aquilo. Queria saber como aquilo era feito.

E então, contrário ao o que minha mãe desejava, comecei a me dedicar ao cinema e programação. Contratei profissionais que me ensinassem coisas de computação e de produção de filmes caseiros. Prometi a mim mesmo que um dia, eu seria um cineasta, e além de produzir meus filmes, eu participaria de toda a edição e todo o processo de efeitos especiais, trilha sonora, direção principal, direção de fotografia. Eu queria saber tudo.

A medida em que fui crescendo, passei a dividir meu tempo entre estudar todas as línguas, direito, filosofia, história, política (todas essas coisas que minha mãe exigia) e assistir ao maior número possível de filmes e estudar o cinema a fundo. Mas, infelizmente, com o tempo meu pai foi se afastando quando os negócios começaram a se expandir. Como nunca tive uma relação próxima com minha mãe ou irmã, acabei por me sentir só. Minha vida era regada a benefícios e vantagens, mas era tão... vazia.

Chegando no final do Ensino Fundamental, parti para o uso de narcóticos e consumo de bebidas alcoólicas. Me tornei o popular adorado por todos, passei a estudar cada vez menos, e a agir como se não precisasse me preocupar com nada. Ninguém ligava para mim mesmo.

Com o passar do tempo, conheci Yoongi – que estudava no mesmo colégio – e os anos foram passando.

Meu namoro foi Chaeyoung foi tranquilo. Ela era linda, inteligente, extrovertida e mais velha. Quando consegui namora-la, ganhei o respeito de todos no colégio. E sinceramente, não tenho nada a reclamar do período que passamos juntos. Eu gostava dela, e ela gostava de mim. Até perdemos a virgindade numa agradável noite de sábado. Porém, com o tempo, nosso namoro foi se desgastando e ao invés de agirmos como namorados, agíamos mais como velhos amigos. Não estávamos mais nos comportando como antes, então, decidimos terminar em comum acordo, como duas pessoas responsáveis. Ainda nutrimos grande respeito e carinho um pelo outro (e isso provavelmente nunca irá mudar), e fiquei extremamente feliz de saber que ela estava noiva de um advogado bem-sucedido e muito alegre com o casamento. Não poderia desejar nada menos do que a felicidade para uma garota tão incrível como ela, e que fora minha primeira namorada.

Na época que namoramos diminuí o uso de narcóticos e bebidas, mas, ao terminarmos, voltei com força total aos vícios. Isso porque eu procurei esconder essa parte da minha vida de Chaeyoung. Acabei por ter diversos rolos quando fiquei solteiro, nunca procurando ir a fundo com ninguém.

Terminei o Ensino Médio, entrei na faculdade de cinema contra a vontade da minha mãe, mas meu pai resolveu aceitar. Deve ter concluído que eu provavelmente não faria outra coisa mesmo.

E foi aí que aconteceu o acidente. Foi aí que num estalo, despertei do meu constante estado de entorpecimento. Foi aí que recebi um golpe duro da vida e escutei as duras palavras de meus pais afirmando que eu era a escória que não deveria ter nascido e que me deserdariam.

Num ato de coragem, juntei minhas coisas e implorei para o reitor da faculdade me deixar pegar um quarto do dormitório. E claro, após conseguir, comecei a me sustentar de meus trabalhos com computação. Tudo o que estudei durante tanto tempo acabou me ajudando nisso. Mas, então, começaram as reações. As pessoas me tratavam e me olhavam de forma tão repugnante que me fez querer desistir. No entanto, resolvi não me deixar abalar. Eu estudava na melhor faculdade de artes de Coreia por mérito próprio e não perderia minha chance por causa de um erro meu. Porque aquele acidente, as consequências que vieram com ele, aquelas reações eram tudo resultado do meu erro. Eu aprenderia a viver com aquilo, custe o que custar.

Não direi que foi fácil, no início chorei muito escondido. Tentando unir forças para conseguir seguir em frente e me manter ali. Foi aí que conheci Namjoon, o bobão das covinhas que acabaria por se tornar meu melhor amigo para toda a vida. Ele me pegara chorando dentro da sala do zelador certa vez (que ficava ao lado de seu armário) e me convidara para sentar consigo na hora do almoço. Com ele, aprendi a gostar muito de jogos e descobri que eu era muito bom neles. Desenvolvi uma personalidade nerd sem igual andando com Namjoon, e ele não parecia se importar com o que eu fizera. Apenas balançava a cabeça e afirmava que “ele não era ninguém para me julgar”.

Certa vez, quando tive uma crise de choro em sua frente, ele começou a cantarolar uma música para mim:

 

Smile, though your heart is aching

Smile, even though it's breaking

When there are clouds in the sky

You'll get by...

 

If you smile

With your fear and sorrow

Smile and maybe tomorrow

You'll see the sun come shining through, for you

 

Light, up your face with gladness

Hide, every trace of sadness

Although a tear may be ever so near

That's the time you must keep on trying

Smile, what's the use of crying?

You'll find that life is still worthwhile

If you'll just smile

 

That's the time you must keep on trying

Smile, what's the use of crying?

You'll find that life is still worthwhile

If you'll just smile.

 

Então, ele sorriu e eu sorri também. Sorri para não tirar aquele sorriso do meu rosto nunca mais. Decidi que iria sorrir toda vez que as pessoas me ofendessem, iria sorrir sempre que estivesse triste. E assim prossegui nos próximos anos.

Eu sorria a todo tempo, parecendo um grande idiota, mas quem liga? Aquele tratamento de sorrisos definitivamente me fazia bem e servia como uma espécie de anestesia para toda a dor que eu sentia dentro de mim. Sorrir era o melhor ingrediente para quando você sente que sua vida está uma merda, para quando você só quer chorar. E eu adotei isso como uma verdade.

Tempos depois, ajudei Namjoon a confessar sua paixão por Sunhee, e a garota acabou por se tornar uma grande amiga minha também. E ver os dois juntos me deixava melancólico, me fazia querer ter alguém também. Eu sentia falta daquela intimidade. E embora os dois fizessem o máximo para me assegurar que eu não era um encosto, era assim que eu me sentia.

E aí, aconteceu o tal projeto que mudaria a minha vida para sempre. O projeto que me faria me apaixonar perdidamente pelo cara mais oposto possível a minha pessoa.

Eu gosto de pensar que o destino existe, e que quando duas pessoas estão destinadas a ficarem juntas, no momento em que elas baterem o olho uma na outra, saberão que encontraram sua cara metade.

Nos filmes, essa é uma narrativa muito bonita e parece ser real.

Mas, infelizmente não foi a minha realidade.

Até porque, no momento em que vi Kim Taehyung pela primeira vez, não senti absolutamente nada. Nadinha mesmo.

Claro, não nego que o achei um gato logo de início, mas naquele fatídico dia em que nos esbarramos sem querer e eu o “mandei” tomar cuidado por onde ele andava, nada de mágico aconteceu. Ignorei os olhares mortais que enviou em minha direção, e enquanto me afastava, o ouvi me xingar com todas as palavras, exatamente como quase todos faziam. O número de pessoas que me ofendiam diminuíra bastante (eu até conversava amigavelmente com um considerável número de alunos por ali), mas minha personalidade alegre acabou se convertendo em algo irritante quando pesavam o meu passado. Não era o tipo de coisa que as autoridades da faculdade conseguiam conter.

E quando o projeto veio à tona, me preocupei por pensar que não conseguiria um par já que todas as pessoas que poderiam fazer par comigo já estavam engajadas em outras coisas. Até que o Sr. Lee me disse que eu faria dupla com Taehyung. Não vou mentir que isso me impressionou bastante (até porque eu não fazia a mínima ideia de quem era esse cara. Só depois descobri ser o “cara que eu esbarrei no corredor”) e me deixou intrigado.

No início da aula na segunda-feira, fui até a administração e falei por vinte minutos nos ouvidos dos funcionários para deixarem eu alugar a menor sala de projeção por uma semana. Com muito custo, eles cederam, e em seguida, coloquei um bilhete no armário de Taehyung o instruindo para me encontrar lá.

Como faríamos o trabalho junto, eu queria que fizéssemos algo que fosse emocionante, que fosse bonito, que mostrasse paixão, que fizesse as pessoas se encantarem, e como aquele dançarino de cara fechada só sabia fazer careta, duvidei muito que ele soubesse sentir alguma coisa. Voltei em meu dormitório e observei minha coleção de filmes, escolhendo quais eu levaria.

Eu gostava de associar minha vida ao cinema e estava completando minha lista particular de filmes em ordem de década e gênero para fazer meu pequeno monólogo escrito (ou “roteiro” como eu gostava de chamar. Porque para mim, servia como um treinamento para minha escrita de roteiro. Embora, as vezes o texto não me agradava e eu ficava noites em claro acordado tentando escrever algo que me agradasse), e decidi levar filmes na mesma ordem de década e gênero para assistir com Taehyung – pena que levei De Volta Para o Futuro primeiro por engano...

O aguardei com A Noite dos Mortos-Vivos naquela sala de projeção com um saco de pipoca e comprei um refrigerante. Filmes e pipoca eram uma combinação incrível, de fato. Não poderia negar isso jamais.

Porém, o esquentadinho chegara atrasado e ainda teve a audácia de tentar argumentar comigo que queria fazer o trabalho de qualquer jeito. Não tive escolha senão chantageá-lo e convence-lo a assistir os filmes comigo pelo resto daquela semana. Queria que o dançarino fosse menos rabugento e fosse capaz de entender as coisas, ou pelo menos tentar vê-las como eu via.

Ele simplesmente olhava para o telão e descrevia um filme como se não fosse nada demais, como se fosse um mero vídeo passando perante seus olhos e isso me chocou. Ele não podia estar falando sério... no entanto, ele estava. E mesmo agindo da forma mais rabugenta possível, Kim Taehyung aceitou minha proposta/chantagem.

Naquela noite, a avó de um dos amigos de Yoongi estaria inaugurando sua lanchonete num parque de diversões e eu resolvi ir. Mas, assim que cheguei, pedi para o Min me emprestar sua inseparável câmera fotográfica. Ele a tinha levado para fotografar a inauguração, mas estava ocupado demais conversando com seus amigos, então, acompanhado do objeto vaguei pelo parque tirando fotos aleatórias de pessoas sorrindo, de famílias unidas, de amigos juntos.

Encontrei Namjoon e Sunhee por ali, mas resolvi deixá-los curtir um momento em casal, até encontrar Taehyung fantasiado de ketchup na fila do banheiro. Minha primeira reação foi tirar uma foto, até porque aquela era uma cena cômica demais para ser ignorada, mas o Kim simplesmente berrou comigo mandando eu apagar a foto. Fiquei tão indignado com sua reação exagerada que decidi não falar com ele mais naquele dia, mas o mal-humorado me chamou e pediu desculpas. Entendi o motivo: ele precisava da minha ajuda para ir ao banheiro.

Assim o fiz, claro. O ajudei a tirar a fantasia e acabei tendo a melhor surpresa de todas. O vi só de cueca (!!!!!!!!)

E caramba... Ele sabia bem o que fazia, porque minha nossa...

Seus ombros eram compridos, seu peito largo, e embora não fosse exatamente musculoso, ele possuía um corpo maravilhosamente definido e esculpido. Sua pele era morena, suas veias saltadas e contrastava com seus cabelos escuros. Taehyung era tão bonito que chegava a doer olhar para ele. E eu fiquei alguns minutos hipnotizado por seu corpo até resolver voltar a razão.

No outro dia, acabei ficando extremamente chateado porque ele não apareceu na sessão de novo e fiquei bravo comigo mesmo. Eu devia ter lembrado que muita gente não gostava de mim e ele compunha essa lista. Mas, então, ele apareceu todo suado e extremamente arrependido de ter pisado na bola comigo, ainda mais depois de eu o ter ajudado no dia anterior. Embora eu estivesse com muita raiva ainda, falei muitas coisas para ele, e até tentei pôr um fim na coisa das sessões de cinema assumindo ser um erro, mas ele acabou me abraçando por trás e me fazendo garantir que as outras sessões aconteceriam. Fiquei desconfortável por senti-lo tão perto e terminei concordando para acabar logo com aquilo.

Na quarta-feira assistimos O Poderoso Chefão, comecei a demonstrar meu amor incondicional pelos filmes, jogando sobre o coitado todas as informações que achei pertinente. Fiz comentários de todos os tipos, demonstrando o quanto aquilo era mais do que um mero vídeo no telão. E para minha grande surpresa, após a sessão, ele me chamou para assistir seu ensaio num estúdio de dança. De início fiquei sem graça, depois fiquei animado que ele estava ficando menos rabugento, mas depois me arrependi quando chegamos lá e conferi as pessoas me fitando de forma não muito legal. Eu devia ter previsto, claro...

Mas, Taehyung ignorou isso, me fez sentar num canto e jogou suas coisas para mim num pedido silencioso de que eu as guardasse.

Nos primeiros minutos da coreografia, apenas observei enquanto ele e Jung Hoseok conversavam e aqueciam, mas então, decidi pegar meu caderno de desenho e pensei no que poderia desenhar. Enquanto não me vieram ideias, encarei o grupo de dançarinos, para então focar minha atenção exclusivamente em Taehyung.

E caramba, aquele foi o pior erro de todos.

Porque eu simplesmente não consegui desviar o olhar. Se antes ele já me impressionara com seu corpo esculpido pelos deuses, no momento em que o vi dançar, minha perspectiva mudou completamente. Seus movimentos eram suaves e afiados ao mesmo tempo, ele se movia com muita graça e leveza, seus braços possuíam uma sincronia impressionante com suas pernas, e a maneira como mexia o quadril, como seu rosto ficava sério e seu olhar concentrado... Ele começou a suar, mas não parecia se importar. Seus cabelos negros ficaram molhados e ele ficou ainda mais bonito – se é que isso era possível. 

Não resisti. Foi simplesmente mais forte do que eu, e quando me vi, comecei a rabiscar o caderno de desenho com os traços marcantes daquele Taehyung sensual enquanto minha mente vagava... Em lugares nada legais.

Comecei a imaginar como seria Taehyung sem roupa alguma, com aquele corpo maravilhoso do jeito que veio ao mundo. O imaginei dançando só para mim, rebolando daquele jeito, só que para mim. Imaginei como deveria ser a sensação de beijar ele. Será que se eu levantasse e o beijasse agora seria inapropriado? E caramba... será que ele era bom de cama? Nunca havia transado com um homem, mas não me faltava vontade e não deixei de me perguntar. Ele requebrava bem demais. Imaginava que na cama seu desempenho devia ser incrível a julgar por sua performance como dançarino. E o volume em sua calça me fez teorizar que o documento dele não era nada pequeno... Só um palpite mesmo... Então, poxa, isso significava que ele tinha que ser bom...

Infelizmente, tive meus devaneios interrompidos por um Taehyung todo suado e depois sorridente ao ver o desenho. Só então saquei. Eu tinha desenhado o cara dançando, todo suado... Que bosta, eu era tapado demais...

Hoseok nos chamou para ir beber, mas desde o acidente, eu fizera a promessa de nunca mais beber e estava cumprindo isso fielmente. Fugi de forma meio esbaforida por dois motivos: por causa dessa coisa da bebida, e porque eu queria ficar longe de Taehyung.

Inclusive, juro que vi o amigo dele me lançar olhares suspeitos que me fizeram ter certeza de que ele me vira o secando. Eu não sabia onde enfiar minha cabeça depois disso. E procurei ficar o mais longe possível de Taehyung. Era o melhor, e eu sequer sabia de onde tiraria coragem para encara-lo de novo...

Pobre de mim que mal sabia que aquele dançarino rabugento queria me provocar... Ah, se queria...

Ele me ligou mais tarde naquela noite falando sobre o desenho e sobre o fato de eu estar babando enquanto o observava (queria cavar um buraco no centro da Terra e me manter lá até 2095), o que me fez ficar extremamente raivoso. A questão era que eu fiquei assim porque lembrei exatamente o que se passava em minha mente durante aqueles momentos nada... inocentes e fiquei puto por ele estar me provocando daquela maneira. Taehyung devia saber que esse tipo de coisa não se faz, já bastava meu orgulho e minha cara que estava no chão, ainda tive que digerir o fato de que após desligar o telefone, tive a proeza de agarrar meu pau no breu de meu dormitório e me masturbar pensando em tudo o que eu havia divagado mais cedo. Fechei os olhos e foquei em Taehyung. Foquei em seus movimentos, em seu corpo, em tudo... e merda, a coisa foi boa demais. Gozei gemendo seu nome e ficando com um humor pior do que antes.

Claro que no outro dia, a praga do Taehyung não queria me deixar em paz, e ficava me fazendo lembrar o tempo inteiro o que acontecera no dia anterior. Como ele havia demonstrado um interesse grande nos escritos do meu “roteiro” resolvi fazer uma espécie de acordo para que ele parasse de me fazer recordar, por tudo o que era sagrado. Minha consciência já me assombrava, e ele parecia insistir nisso também.

O problema era que eu estava completamente afim daquele cretino rabugento e gostoso para caramba. Eu estava tão na dele que era um verdadeiro milagre que ele não tenha notado. Bastaram dois dias só observando o corpo de Taehyung, o que me fez querer ele nu na minha cama. Me senti um verdadeiro tarado, sério...

E também me senti um verdadeiro idiota.

Dentro daquela sala de projeção, vendo um filme junto do cara por quem eu me sentia irremediavelmente atraído, acabei por revelar coisas sobre a minha vida de forma natural. Falei sobre como minha paixão pelo cinema começou, acabei falando de maneira profunda até demais e confessei coisas pessoais demais sobre mim, sobre como eu via a vida, como as experiências, como as coisas que passei me mudaram e moldaram a pessoa que eu era.

E ele não falou nada. Me disse que precisava ir.

Contive muito bem a minha raiva e fui embora em silêncio, quando por dentro, eu o xingava de qualquer coisa que surgia em minha mente. Aquilo fora um erro, dos grandes, dos que te fazem questionar seriamente. Deixei minha atração física nublar meu bom julgamento e agi pela emoção, não pela razão. Segui meus sentimentos e me joguei numa situação constrangedora com um cara que não gostava de mim e que já me insultara. Eu devia ter perdido completamente as estribeiras. Não era errado sentir atração física, creio eu, até porque ele era um gato. Mas agir como se ele fosse algo mais, como se fosse uma espécie de amigo com quem poderia contar... Grande vacilo.

Ele não era Namjoon e Sunhee.

E para recordar-me disso, aceitei ir ao cinema com os dois naquela noite afim de espairecer. Até aceitei ver o tal filme de terror lá que Namjoon tanto queria mesmo não curtindo filmes que mexiam com tema de espíritos e demônios (custei assistir O Exorcista). Mas Taehyung resolveu aparecer por lá como uma das Dez Pragas do Egito (ou todas elas talvez).

Não contive meus olhares mortais em sua direção e ele claramente notou, entretanto, o pior viria na hora que fomos entrar na sala de cinema. Sunhee e Hoseok deviam estar de complô cupido porque os dois quase imploraram para que eu me sentasse ao lado do Pragas Egípcias. E até que na primeira metade do filme as coisas correram normalmente, e eu simplesmente ignorei sua presença e concentrei-me no filme. Até, por reflexo, agarrar sua mão com força quando fiquei meio embasbacado com uma cena em especial. Ao notar o meu vacilo, afastei nosso contato físico e recusei-me a fita-lo. Talvez, o melhor fosse fingir que aquilo não acontecera, mas não era isso que Taehyung queria. Ele se levantou de sua poltrona e lançando seu pacote de M&M no meu colo, encaminhou-se para a saída.

Aquela atitude me deixou simplesmente possesso. Aquele grande babaca.

Praticamente corri para fora da sala de cinema a tempo de avista-lo entrar no banheiro masculino, e com desejo por sangue, marchei a passos duros para a toalete. Joguei o saco das balinhas de chocolate com força contra suas costas, lhe dei um tapa certeiro (não sei de onde tirei mira para isso) e desabafei tudo o que ficara entalado em minha garganta desde mais cedo com o que ele fizera. Gritei, praticamente esperneei, ele segurou meus pulsos e me beijou.

Puta que pariu, Taehyung...

Nunca vou conseguir descrever com exatidão as milhões de sensações gostosas que passaram pelo meu corpo quando fui beijado. Senti uma pressão agradável contra meu ventre, e fiquei extasiado com o contato de nossas línguas quando lhe dei passagem para que explorasse o quanto quisesse. Eu perderia meu chão logo, beijar aquele homem era bom demais. Agarrei seu casaco e o puxei para mais perto de mim. Sei lá, provavelmente fosse errado beijar alguém que você sabe que não gosta de você, mas era só um beijo, beijar não mata ninguém...

E ele não estava com pressa. Sugava cada gota da minha sanidade com aquele ritmo calmo, mas ao mesmo tempo nada sutil. Taehyung explorava minha boca com vontade, o que me fez não conseguir reprimir um gemido. Aquilo estava gostoso.

E infelizmente, meu gemido pareceu desperta-lo e o fez parar.

Contudo, ele ainda iria me impressionar.

“Jeongguk, você por acaso acha que essa é uma atitude de alguém que simplesmente te atura? Eu te beijaria dessa forma se eu te aturasse? Eu estaria me sentindo excitado se eu te aturasse? ”

Sinceramente, ele sabe muito bem como levantar sua autoestima, porque não me incomodei em esconder como suas palavras me afetaram. O dançarino rabugento estava tão atraído por mim quanto eu estava por ele. E aparentemente, também me queria nu em sua cama, como eu o queria nu na minha.

Desconversei e saí dali o mais rápido possível falando de uma trilha sonora que eu particularmente amava muito.

Precisava ir para minha casa espairecer, avaliar a situação e tentar não surtar, porque eu estava bem perto disso. Não sei nem como conseguir ir para a sessão de sexta também. Só sei que começamos a discutir, e ele mais uma vez revelou seus desejos carnais para comigo.

Na noite anterior, eu ficara surpreso para caramba. Já naquela sala de projeção, não hesitei, não falei, não analisei, sequer pensei. Apenas o beijei com força e ele retribuiu. Mas não era suficiente. Não para mim. Eu precisava de mais contato, precisava ficar mais perto dele. Então, numa atitude completamente guiada pelos meus desejos, levantei-me e sentei-me em seu colo antes de agarra-lo mais uma vez. Taehyung claramente ficou impressionado com a minha atitude, e claramente a amou também, pois parecia tão animado quanto eu.  

Infelizmente, tivemos de parar. De novo. Ele admitiu mais uma vez que me desejava e foi explícito em revelar que gostaria de transar comigo. Desconfio que Taehyung não sabia que o desejo era recíproco, pois falava de uma maneira como se quisesse me assegurar isso, afim de ver se eu queria também... Mal sabia ele...

Terminamos aquele amasso com ele me dizendo que faria um paralelo de sua vida com um dos filmes que vimos – o que me encantou – e concordando que precisávamos conversar sobre aquela situação. E precisávamos mesmo. O que exatamente estava acontecendo?

Nos defini como amigos coloridos porque era o melhor que vinha em mente. Quando nos encontramos na cafeteria no dia seguinte, fiquei muito feliz por ele respeitar meu espaço enquanto falávamos sobre o projeto até minha vergonha baixar o suficiente para conseguirmos falar sobre a coisa. E mais uma vez, Kim Taehyung me impressionou com palavras.

“...você tem alguma ideia do que eu queria fazer com você? Do que eu quero fazer com você? ”

Eu não tinha ideia do que ele queria fazer comigo, mas supunha que devia ser algo muito bom. A maneira como ele falara era deveras afetada demais para ser brincadeira. Porém, mesmo com tudo aquilo, resolvi me manter com os pés no chão. Eu aceitava que estava atraído por ele, e ele por mim. Aceitava que podíamos nos pegar ocasionalmente, mas não passaria disso. Não tinha como passar na verdade. Taehyung passou de um eventual desgosto aparente para uma fase onde isso não importava porque ele queria transar comigo. E eu não sabia até quando essa fase duraria, mas a verdade era que não importava muito. Duvidava muito que algo ruim fosse acontecer, então, decidi apenas curtir o momento.

E caramba! Não imaginei que ele fosse ficar tão alterado quando eu disse que ele parecia sem emoção para mim. Pensei que sairia um comentário ácido, um revirar de olhos, uma careta, qualquer coisa que fosse a cara dele, mas não esperei ser arrastado até o banheiro da cafeteria. No entanto, me fazer de ingênuo nunca uma das minhas especialidades, então quando o garoto fechou a porta, não pensei duas vezes antes de beija-lo e nos agarramos dentro daquele banheiro.

Não me contive ao sussurrar:

— Tae, eu te quero.

Não sei de onde tirei essa intimidade toda para chama-lo dessa forma, só sei que fiquei extremamente satisfeito quando ele respondeu:

— Eu também, Gukkie.

Minha vontade era de ficar o dia inteiro beijando Taehyung, mas precisei me despedir logo que saímos da cafeteria. Tinha que trabalhar hoje.

Eu lhe disse:

Lembra quando eu te disse sobre aplicar filmes à minha vida? Pois bem, gosto de pensar que podemos fazer o que quisermos quando não ouvimos as outras pessoas. Eu gosto de pensar que estou no controle da situação, e foi graças a isso que aprendi a manipular o sistema a meu favor. Não ligue para o que os outros digam sobre você, Taehyung. Eu aprendi essa lição há muito tempo e ela me é valiosa até hoje. Eu sei bem o que quero, sei bem o que eu mereço, e quando temos certeza disso, corremos atrás.

E segui meu caminho.

No domingo, jantei em sua casa e cozinhei pela primeira vez. Tive de vestir suas roupas para dormir após ser obrigado a tomar banho para não pegar um resfriado e passei um tempo brincando com o famoso Yeontan, o cachorro de Taehyung. A bolinha de pelos era realmente adorável.

Devidamente alimentado, deitei-me junto dele no sofá. Uma loucura para muitos, mas no meu estado de sono, não liguei muito na verdade. Quando fiquei perto de si, me senti muito bem. Tão bem que fiquei seguro o suficiente para beija-lo e começar a cantar uma canção que eu gostava muito que falava sobre querer saber o que era o amor. Cantarolei até começar a ficar sonolento e desmaiar perto do Kim. Não soube se ele ficou irritado por eu ter feito isso, mas isso simplesmente não importava mais. Só sei que eu não sabia onde enfiar minha cara quando me vi embalado em seus braços no dia seguinte.

Até o fim da semana enquanto resolvíamos os detalhes do projeto sobre dança e cinema, coisas extremamente estranhas começaram a acontecer comigo, e eu definitivamente não gostei nem um pouco.

Resumidamente:

Na segunda-feira eu fiquei com vergonha por ter dormido na mesma cama que ele.

Na terça-feira eu cantei uma das minhas músicas favoritas para ele dormir.

Na quarta-feira o deixei ficar com a folha do rascunho principal do meu “roteiro de vida”.

Na quinta-feira eu surtei.

Na sexta-feira não tive coragem de vê-lo.

No sábado, ele me pediu em namoro e eu o rejeitei.

No domingo, chorei o dia inteiro.

E na outra segunda, terça, quarta e quinta também.

E tudo isso era culpa daquele idiota do Kim Taehyung!

Desde o início, eu estava empenhado em manter uma linha naquilo que chamávamos de Amizade Colorida. Tomei cuidado para não passar daquilo, até porque eu não sabia como lidaria caso isso mudasse.

Então, quando comecei a me sentir engraçado, estranho, e cheio de novos sentimentos e sensações que não estavam lá anteriormente fiquei desorientado. Me peguei querendo ver Taehyung a toda hora, pensar nele me fazia divagar por minutos inteiros, eu me sentia bem perto dele, meu corpo se arrepiava só de ouvir a voz do filho da mãe, e aquela maldita vontade de beijá-lo... Se eu pudesse, eu o agarraria o tempo todo.

Borboletas voavam em meu estômago, eu ficava feliz quando falava com ele, eu mal podia esperar para poder falar com ele de novo, merda...

Quando o deixei pegar o papel com meu roteiro na quarta-feira, sentia-me desanimado. Aquele turbilhão de emoções me deixou triste. Me deixou com a impressão de que aquilo era besteira. Por isso, não me importei em dar aquilo a ele.

Não planejei que teria um colapso emocional ao olhar no calendário no dia seguinte e constatar que naquele dia fazia doias anos que o acidente que mudara a minha vida acontecera. E eu me senti miserável, me senti sujo, me senti a pior pessoa do mundo, então perdi o controle, fui até um bar, bebi e peguei um táxi até a casa de Taehyung. Eu queria transar com ele. Era uma vontade que eu tinha há muito tempo já, entretanto, naquele dia, eu precisava. Queria que ele me fodesse até que eu esquecesse quem eu era, perdesse a consciência e não me lembrasse daquele dia. O dia que me fazia me odiar mais do que tudo.

Mas, então, ele me rejeitou, me fez confessar tudo e eu chorei em seus braços até ficar completamente exausto e dormir. Taehyung não me julgou, não brigou comigo, apenas me ouviu e me confortou. Ele disse que estava lá. Por mim.

Quando fora a última vez que alguém dissera isso para mim? Alguém já dissera isso para mim? Que estava comigo?

Ao despertar, na sexta-feira, fui embora dali, morrendo de vergonha e com o emocional abalado. O que diabos estava acontecendo comigo? Por que eu estava tão mal assim? E pior: por que eu tinha medo de encarar o Taehyung? Por que eu o estava evitando? Era somente porque eu estava com vergonha, certo? (Não importa se passo por essa situação com uma frequência assustadora, a única coisa pertinente ali a se pensar era que manter distância era o sensato a se fazer).

Mas, aí, chegou o sábado, e a confissão de Taehyung, e eu não medi palavras, pois duvidei completamente de tudo o que ele dissera.

Quando concordei em manter a amizade colorida com ele, tracei a linha de que não passaria de alguns beijos. Então, quando o dançarino chegou no meu dormitório admitindo estar apaixonado por mim, fiquei chocado. Para mim, era tudo para manter uma relação sem compromisso, mas agora, o garoto que até duas semanas atrás não gostava de mim estava se declarando.

Muitas pessoas considerariam minha atitude sem sentido já que eu havia “pegado” ele, mas é fácil falar. Atração física é uma coisa, agora, a misture com sentimentos, com amor e veja como as coisas mudam. Na minha cabeça, ele estava apenas querendo tirar uma com a minha cara e isso me deixou arrasado. E arrependido de ter deixado que as coisas chegassem nesse nível. Eu devia ter empurrado Taehyung quando ele me beijou no banheiro do cinema, eu não devia tê-lo beijado na sala de projeção, e mais uma lista de coisas.

Além da minha cabeça já estar confusa demais porque eu não sabia como lidar com meus novos sentimentos, não sabia exatamente o que fazer. E eu não conseguia confiar em Taehyung da forma que ele estava pedindo. Namorados. Ele estava me pedindo em namoro. Mas eu não sabia se seria capaz de confiar nele dessa forma. Uma pessoa pode decidir que ela quer transar com você mesmo não gostando de você por causa do seu corpo, e você pode até aceitar isso, mas você reagiria tão bem se essa pessoa afirmasse estar apaixonada por você? Acreditaria sem rodeios?

Eu não consegui. O expulsei de meu quarto e fiquei curtindo uma bela fossa pelos próximos dias. Chorei e chorei, e chorei de novo até Sunhee vir me visitar, me dar um puxão de orelha, e após eu descrever a situação, ela sorriu gentilmente, olhou nos meus olhos e afirmou:

“Jeongguk, você está apaixonado pelo Taehyung. É por isso que você está se sentindo assim. Nessa semana que você o conheceu melhor e se aproximou dele, você acabou se apaixonando”.

E foi como se uma luz iluminasse a minha vida. A luz da sabedoria de quando você faz a descoberta do século. E eu fizera a minha. Estava perdidamente apaixonado por Kim Taehyung.

Aquele dançarino mal-humorado, grosseiro, e rabugento que só sabe reclamar, revirar os olhos, fazer caretas e comentários que me irritam. E isso só me fez ficar ainda mais triste. Quando meus sentimentos começaram a mudar dessa maneira? Eu me sentia um verdadeiro idiota. Era como se todas aquelas coisas que eu sentia jogassem na minha cara o quão otário eu tinha sido por Taehyung. Se apaixonar era perigoso. Se apaixonar pela pessoa errada era pior ainda. E eu pagava o preço ao chorar dentro de meu dormitório pensando no quanto eu estava com saudades daquele cretino.

Só aceitei sair de minha cama no dia da apresentação de Namjoon e Sunhee no anfiteatro. Não sabia se ele estava lá, e não quis descobrir. Fiquei o mais afastado possível e assisti a tudo de longe. Os dois cantaram cinco músicas no total. Mandei uma mensagem os parabenizando pelo show e peguei o primeiro táxi para o dormitório logo que acabou. Eles teriam de me perdoar, mas eu realmente não queria ser visto, não queria ter de interagir com ninguém. Porém, naquele mesmo dia, fui obrigado a interagir enquanto estava deitado, apenas fitando meu teto, ao ouvir uma batida na porta. De pijama, levantei de mal gosto e ao girar a maçaneta, dei de cara com alguém inesperado: minha mãe.

Ela trajava um vermelho azul-escuro, seus usuais saltos altos, a bolsa de alguma marca caríssima pendia em seu ombro direito, seus cabelos escuros estavam presos num coque elegante, e seu rosto mostrava as linhas de expressão da idade. Seus olhos escuros me analisavam dos pés à cabeça, como se estivesse conferindo se havia algo errado comigo. Não nos falávamos diretamente há mais de seis meses. Com o acidente, me afastei completamente da minha família e só me comunicava com eles de vez em quando através de mensagens. Eles pareciam preferir assim, e eu também, para ser sincero. Não gostava de brigar com a minha família, então, evitar contato era a melhor forma de não haver brigas.

Em silêncio, dei espaço para ela entrar (ainda bem que meu quarto andava estranhamente arrumado. Com essa minha tristeza palpável, acabei me incomodando com a bagunça. Ela parecia refletir meu estado de espírito, então ajeitar o cômodo foi uma maneira que eu achei para tentar encontrar ordem em minha cabeça. Um ambiente organizado te ajuda), e fechei a porta atrás de mim. Minha mãe analisava bem meu quarto, decorando cada detalhe daquele espaço que eu chamava de lar há dois anos.

— Olha o tamanho desse lugar — resmungou finalmente me encarando —¸ não consigo aceitar que meu filho caçula esteja morando num cubículo desses....

— Oi, mãe. Como a senhora está? — Perguntei sorrindo fracamente.

Ela suspirou.

— Estou bem, Jeongguk, obrigada — respondeu —, e não preciso perguntar como você está. Seu estado já diz tudo. Essas olheiras, essa cara inchada. Por que esteve chorando?

Estremeci um pouco.

— Nada demais, só estive um pouco triste. Mas ao que devo sua visita?

— Eu vim aqui para te buscar, para te levar para casa — afirmou —, chega de deixar você aqui sozinho. Não consigo engolir essa situação mais. Você é nosso filho, nosso herdeiro. Precisa estar perto de nós.

Não acreditava no que estava ouvindo.

— Não quero voltar para casa — retruquei, sério —, quero evitar brigas, e não quero passar o dia inteiro ouvindo vocês falarem do meu fracasso ou de como eu sou uma escória que nunca devia ter nascido por ter envergonhado e sujado o nome da família.

Apertando os lábios, minha progenitora caminhou até mim em poucos passos e me envolveu num abraço apertado. Ela era menor do que eu mesmo estando de salto, mas conseguia me esmagar naquele toque. Receoso, a envolvi em meus braços, aguardando uma resposta. Eu estava extremamente surpreso com aquela atitude.

— Jeongguk, você nunca foi uma escória nas nossas vidas. O dia em que você nasceu foi um dos dias mais felizes da minha existência, eu não poderia agradecer mais aos céus por você existir — murmurou —, eu sempre quis o melhor para você, filho, que você tivesse capacidade de ser um bom homem. Me perdoe por ter dito aquelas coisas. Eu estava chateada com você por ter feito aquilo, por ter descoberto o que você fazia, e custei vencer meu orgulho para aceitar que parte da culpa era minha também por ser tão ausente, por ser tão rígida. Somos todos falhos, meu filho. Eu mais do que qualquer um. E eu só quero que saiba que não importa o que aconteça, sempre vou te amar, porque você é meu filho, e eu sou sua mãe.

E pelo que pareceu ser a milionésima vez naquela semana, chorei de novo. Mas, dessa vez, não foi pelo Taehyung. Não foi por amor, por sentimentos. Chorei nos braços da minha mãe como um garotinho abandonado por toda minha vida, pela minha infância, adolescência, desabafei tudo o que ficara preso na minha garganta por todos aqueles anos. Ela me ouviu, me pediu perdão, me entendeu. Ela me dissera que não suportou mais quando estava vendo um álbum de fotos minhas e da minha irmã de quando éramos crianças, e que naquele momento, decidiu que precisava ir atrás de mim e me buscar. Até afirmou que poderia engolir o fato de eu fazer cinema (comecei a rir. Algumas coisas não mudam) desde que eu não deixasse de comandar minha parte da herança que envolvia os investimentos. Prometi que faria isso, mas, com muito custo, a fiz aceitar que eu não voltaria para casa. Eu gostava de morar no dormitório, e aquela casa me trazia lembranças não muito bem-vindas de um passado que eu não queria ficar recordando.

Minha mãe disse que gostaria que fizéssemos uma reunião e conversávamos como uma família: eu, ela, meu pai e minha irmã.

Concordei na hora, claro. Se tinha uma coisa que precisávamos fazer era conversar. As coisas poderiam não mudar drasticamente, mas pelo menos elas melhorariam.

Ela se despediu já tarde da noite, e no outro dia, acordei tão feliz, mas tão feliz que decidi ir para a faculdade. Eu estava em paz comigo mesmo, eu estava bem. Eu conseguia sorrir. Mesmo que meu coração estivesse defeituoso, de alguma forma, eu sobreviveria e estaria bem. Porquê dessa vez, eu não teria só Namjoon e Sunhee comigo. Eu teria toda a minha família também.

No entanto, evitei completamente passar pelos lugares que eu sabia serem frequentados por Taehyung. Não almocei no refeitório. E assim continuei... até chegar a sexta-feira.

Confesso que no momento em que Taehyung interrompeu o palestrante e começou a falar aquelas coisas, minha mente deu pane e eu não pensei em nada. Não consegui pensar. Fiquei apenas lá, sentado, estático, feito um pateta, vendo o garoto por quem eu estava apaixonado se declarar para mim na frente da faculdade, pedir perdão, e praticamente implorar para que eu o aceitasse... usando todos os filmes que vimos naquela semana para fazer um pequeno roteiro igual ao meu, mas contando sua história, e encaixando os filmes naquela situação, além de também citar outros filmes que comentei com ele durante aqueles dias.

Ali, na frente de todos, Taehyung fez a maior e mais linda prova de amor do mundo para mim. Utilizou do que eu mais amava, os filmes, para me convencer de que seus sentimentos eram sinceros, e de que eu podia confiar nele. E ainda por cima, falou contra todos sobre erros.

Ele dissera: Se você não sorrir nos momentos de dificuldade, quando você se sente para baixo, você acha que alguém fará isso por você?

Não soube muito bem como reagir, isso até Sunhee me empurrar até o palco sussurrando: um dia, você ajudou Namjoon e eu a ficarmos juntos. Hoje, nós te ajudamos a ficar com o cara que você ama.

E foi assim que aceitei Taehyung, pedi perdão por ter lhe dado um tapa na cara, por ter o expulsado de meu dormitório e ter dito todas aquelas coisas. E foi assim que as coisas começaram a mudar completamente. Foi assim que eu comecei a namorar o dançarino mais rabugento da faculdade.

 

[...]

 

Minha vida na faculdade não mudou drasticamente após o ocorrido no auditório. As pessoas não eram mais tão ácidas, e a grande maioria simplesmente me ignorava. Não era lá a melhor coisa do mundo, mas já era melhor do que ser ofendido o tempo todo.

Taehyung claramente foi castigado por ter interrompido a palestra, mas nem ligou muito. Ele dissera que valera a pena correr o risco por mim.

Ah sim, Taehyung como namorado era uma coisa de outro mundo. Ele era uma pessoa completamente diferente em alguns sentidos, em outros continuava o mesmo (como por exemplo, no quesito de ser rabugento), mas ao mesmo tempo, era carinhoso, atencioso, tinha paciência para me escutar falar por horas sobre filmes e quando assistia algum comigo, comentava coisas sobre a produção junto de mim.

Pelo menos umas três vezes na semana, eu ia até sua casa para cozinharmos e assistirmos algum filme juntos. Ficávamos abraçadinhos no sofá, apenas aproveitando o momento.

Mas também, após o início de nosso namoro, acabei descobrindo o que eu chamava de “Síndrome de Dupla Personalidade” no garoto. Ele não teve escrúpulos ao afirmar que me queria antes mesmos de namorarmos, e se controlou muito. Porém, quando nos tornamos um casal efetivamente, Taehyung me mostrou um lado extremamente safado de sua personalidade. E que caramba, eu amei demais.

Ele estava sempre me provocando, me beijando em lugares inapropriados, me surpreendendo. Não vou negar que eu estava completamente ansioso para que nós transássemos logo, só que o próprio tarado do Taehyung não parecia estar com pressa. Filho da mãe, só queria me deixar naquela expectativa.

Contei a ele sobre a reconciliação com minha família e ele ficou muito feliz de saber que eu estava me acertando com eles. Até o levei para conhecer meus pais e minha irmã num almoço de domingo (e os três ficaram sendo totalmente indiscretos falando sobre bebês conosco. Acabei por descobrir que os pais de Taehyung queriam netos e os meus também. Argh).

Exatamente duas semanas após começarmos a namorar, fomos ao cinema com Namjoon, Sunhee, Jimin e Hoseok – todos que ajudaram Taehyung a fazer a surpresa para mim (com exceção de Yoongi, ao que parecia).

Em contraste daquela vez que fomos ao cinema, a coisa foi completamente diferente. Levantei o encosto para braço que separava nossas poltronas, e fiquei deitado sobre o peito dele durante todo o filme, enquanto ele me abraçava e acariciava meus cabelos. Foi simplesmente tão gostoso sentir seu cheiro, ficar junto de si. Eu parecia um bobo apaixonado a cada dia que passava.

Quando fomos embora, pegamos um pouco de chuva até chegarmos ao carro, e quando chegamos ao prédio de Taehyung, fiquei um pouco acanhado ao entrarmos no elevador. Afastei-me um pouco para tirar algumas gotas de chuva do meu sobretudo preto e parei para observar o garoto parado ao meu lado. Ele estava tão bonito, com os braços cruzados, usando uma calça jeans azul, uma camiseta preta e um casaco também azul por cima, com os cabelos úmidos graças a chuva. Ele era tão bonito, caramba. E era meu namorado.

E eu queria beijar ele.

Só que uma vergonha me bateu e não me deixou agir. Eu nunca tive vergonha de beijar Taehyung, sempre que queria, ia lá e selava nossos lábios, e ele sempre me correspondia. Mas, daquela vez, fiquei tímido. Não sei explicar exatamente o porquê, apenas decidi não fazer nada.

As portas duplas do elevador se abriram e eu saí na frente, querendo chegar logo ao apartamento para poder retirar meu sobretudo molhado.

— Jeongguk — Kim me chamou e ao me virar, me surpreendi.

Antes que eu respondesse, quando dei meia volta para encara-lo, seus lábios se encaixaram sobre os meus, automaticamente minando qualquer força que eu pudesse ter e sugando todo o ar de meus pulmões.

Encostei minhas mãos em seu peito em apoio enquanto ele me sustentava pela cintura, puxando-me para perto até não haver mais espaço entre nós. Meu coração disparou e meu ventre começou a formigar, passando aquela sensação boa. Eu me sentia tão bem toda vez que beijava Taehyung. Era sempre muito gostoso, e eu torcia para que daquela vez, fôssemos até o final.

Enquanto nossas línguas travavam uma deliciosa batalha, fui guiado de costas, até o apartamento. Ele sempre parecia me envolver com um cuidado e posse sem igual, coisa que me fazia suspirar. Não nos incomodamos em parar as carícias, caminhamos devagar até chegarmos a porta. E me beijando devagarzinho, naquele ritmo lento e gostoso, Taehyung pegou as chaves de casa de seu bolso e abriu a abriu.

Entramos em passos curtos, e rapidamente, ele fechou a porta atrás de si, trancando-a com dificuldade, já que eu não o deixei parar de me beijar.

Ele deve ter prendido Yeontan antes de sair, pois o cachorro não nos recepcionou quando chegamos.

Fui guiado até o quarto principal do apartamento, e suspirei de prazer, só imaginando o que estávamos prestes a fazer. Eu o desejava tanto, e sabia que ele me desejava muito também. Aquele momento já havia sido adiado por tempo demais. Estava mais do que na hora de prosseguirmos com aquela etapa.

Interrompi o beijo, colando nossas testas e respirando com dificuldade, minhas mãos, que descansavam em seu peito, baixaram quando ele levou os dedos para os botões do meu sobretudo, abrindo cada um sem desviar os olhos dos meus. Taehyung era sempre tão calmo, tão contido. Nunca havia pressa em suas ações, ele sempre fazia tudo como se quisesse apreciar cada milésimo de segundo. Como se quisesse recordar daquilo para sempre.

Suas mãos deslizaram por meus ombros após abrirem meu sobretudo e empurraram o gigantesco casaco até o chão. Procurei fazer o mesmo com o casaco dele (não tendo a mesma calma e paciência, claro), mas sem pressa.

Taehyung voltou a me beijar de forma carinhosa, enquanto procurava a barra de minha camiseta, puxando-a por meu abdômen até passa-la por minha cabeça.

— Eu te amo — sussurrou baixinho, olhando nos meus olhos.

Meu coração se aqueceu com aquelas palavras que eu sabia serem mais reais do que tudo. Eu sentia seu amor em cada toque, cada gesto, cada olhar, cada palavra.

— Eu também te amo — respondi, sorrindo timidamente, para também agarrar sua camiseta e puxa-la para fora de seu corpo.

Inconscientemente, soltei um gemido de prazer só de ver seu peito nu. Eu já sabia o quanto o corpo de Taehyung era bonito demais para palavras descreverem, e simplesmente não resisti ao erguer minhas mãos e tocar seu peito, vagando por sua costela, seus ombros e sua barriga. Ele se arrepiou com meus toques, e não impediu nenhum deles. Apenas me deixou desfrutar do momento em que explorava seu corpo.

Gravei cada detalhe que pude, convicto de que o desenho que eu fiz dele naquela vez não fazia jus à como ele realmente era. Após toca-lo o quanto desejei com a ponta dos dedos, fui guiado até a cama, onde deitei e relaxei, observando-o desabotoar minha calça e livrando minhas pernas. Com cuidado, Taehyung engatinhou sobre a cama até me cobrir com seu corpo e passando o nariz sobre minha bochecha num gesto carinhoso, murmurou:

— Hoje, nós vamos fazer amor pela primeira vez, mas, vamos focar apenas no seu prazer. Eu quero que a sua primeira vez comigo seja a mais especial possível.

Não protestei, apenas aquiesci e aguardei ele dar o próximo passo.

Taehyung beijou meus lábios preguiçosamente, explorando minha boca com avidez antes de descer até meu pescoço e clavícula, distribuindo beijos, lambidas e chupões. Eu sentia que poderia praticamente explodir do quão quente me sentia toda vez que sua língua tocava minha pele. Não contive os gemidos baixinhos que surgiram em minha garganta, e mordisquei meu lábio inferior quando ele beijou a linha do meu maxilar de forma faminta. 

Descendo os beijos pelo meu corpo, Taehyung focou em meus mamilos, chupando-os até que eu fechasse os olhos, apreciando as carícias, extasiado demais. Suspirei de prazer quando ele baixou os lábios até minha barriga, dando beijinhos molhados. Minha ereção já era visível sob minha cueca, e para meu grande alívio, ele não perdeu tempo com torturas. Eu não estava com fôlego suficiente para provocações.

Libertando meu pênis de dentro da cueca e baixando a mesma até retira-la de meu corpo, Taehyung começou a movimentar a mão, fazendo movimentos de vai-e-vem sobre toda a minha extensão, deixando toda aquela região úmida. Aproximando seu rosto, o vi soprar meu falo excitado antes colocá-lo na boca e chupa-lo. 

 Entorpecido no prazer absurdo que eu sentia, não foquei em nada. Não consegui, era impossível. Ele fazia sucção na minha glande, e depois lambia tudo antes de engolir e levar até os fundos de sua boca. Não que eu tivesse sido chupado muitas vezes na vida, mas caramba, Taehyung sabia bem mesmo o que fazia. E em troca, eu gemia alto, mas alto mesmo. Não estava nem aí, que a vizinhança dele soubesse que eu estava ganhando um boquete divino dele ali...

Afastando-se de mim, o vi se arrastar pela cama até chegar na cômoda e tirar de lá um tubo de lubrificante. Bem, eu sabia que não era exatamente tão necessário, mas se o plano era deixar tudo o mais gostoso e confortável possível, que fosse... (e não vou dizer que não fiquei curioso ao ver o volume em sua calça... Poxa, eu queria logo comprovar o que pensei antes...)

Lambuzou três dedos com o líquido transparente e voltando a posição de antes, passou um pouco ao redor da minha entrada antes de retomar a ação, me chupando com mais força do que antes. Eu suspirava com sua língua divina fazendo maldades contra meu pau, e acabei por suspirar novamente ao senti-lo penetrar um dedo. A sensação gelada do lubrificante me causou arrepios, e facilitou muito a penetração. Não cheguei a sentir nada claro até ele acrescentar um segundo dedo e me fazer sentir uma ardência descomunal naquela área. Seus dois dígitos começaram a se mover dentro de mim, enquanto ele não cessava de meu chupar.

Não demorei muito para alcançar meu limite, e sem aviso, gozei dentro de sua boca. E caramba, ele engoliu tudo. 

Aproveitando de meu atual estado de torpor graças ao orgasmo recente, Taehyung colocou o terceiro e eu preciso admitir que estava tão mole que a dor realmente foi menor. Movendo os três dedos dentro de mim, ele aguardou até que eu estivesse visivelmente mais relaxado antes de retira-los de dentro de mim e se levantar da cama para se despir completamente.

Não vou mentir, me senti aqueles penetras de óculos escuro apenas assistindo ao show de camarote quando Taehyung ficou nu e colocou uma camisinha. Ah, mas eu definitivamente vou morder aquela bunda algum dia... ele que me aguarde... E o seu... bem, teoria comprovadaTotalmente comprovada.

Acho que ele viu meu olhar pois começou a rir... Aquele bastardo... e pegou o lubrificante novamente, dessa vez lambuzando seu próprio pênis.

 — Você não está nem piscando — comentou divertido, notando como eu o observava.

— Taehyung, eu te dou um milhão de dólares se me deixar desenhar seu corpo nu — falei, meio embasbacado.

Dando um sorriso com segundas intenções, ele subiu na cama mais uma vez, e se posicionou entre as minhas pernas abertas. Instintivamente, dobrei meus joelhos, lhe dando mais espaço para ficar ali.

— Tem certeza de que prefere desenhar quando pode fazer outra coisa com o meu corpo nu?

Aquele filho da mãe gostoso...

Não respondi. Ele forçou seu pau em minha entrada e senti meus olhos encherem de lágrimas. Eu já sabia que aquela merda doeria para caramba na primeira vez, mas que depois, valeria a pena. Empurrando até meu limite, Taehyung ficou parado por um tempo até que eu me acostumasse com a invasão, para só então, começar a mover os quadris e a me violar com seu pau.

De início, senti um incômodo sem precedentes naquela região, mas com tempo, a sensação ficou cada vez melhor e eu pude me sentir confortável o suficiente para entrelaçar minhas pernas sobre seu traseiro e envolver meus braços ao redor de seu pescoço.

Taehyung gemia próximo ao meu ouvido, me causando arrepios por todo o corpo, sua respiração batendo contra meu pescoço suado. Agarrando minhas coxas, investiu contra mim com mais força e atingiu um ponto dentro de mim que me fez gritar de tanto prazer quando relaxei. Aquilo tinha sido deveras tão bom que não consegui descrever, apenas desejei que ele fizesse de novo, e assim ele o fez. 

Com a habilidade e destreza digna do dançarino que ele era, Taehyung requebrava os quadris e me preenchia rápido e com força, arrancando gemidos de nós dois à medida que sentíamos nosso limite chegar. Imaginei que qualquer um cansaria de requebrar daquela forma, mas ele manteve o ritmo, e me estocou fundo, atingindo meu interior toda vez, além de mirar em minha próstata. 

Minhas mãos desceram para suas costas onde passei minhas unhas, marcando-o como meu enquanto ele beijava meu pescoço de forma sôfrega. Não me lembro exatamente de quando senti que ia explodir, apenas sei que gozei novamente entre nós pouco antes de ele fazer o mesmo, na camisinha. O corpo dele tremia e o meu também, recuperando do orgasmo recente. No entanto, ainda trêmulo, Taehyung se retirou de dentro de meu interior, tirou o preservativo, amarrando e jogando fora, e procurou alguma coisa para limpar a sujeira que ficara enquanto eu tentava respirar mais uma vez.

Quando ele se aquietou e deitou ao meu lado, me aninhando em seus braços, sorri. Eu estava tão feliz.

— Eu te machuquei? — Perguntou baixinho acariciando minhas costas suadas.

— Não — ronronei, apreciando o carinho —, Taehyung?

— Sim.

— Lembra quando você me disse que achava que o final daquele meu texto devia ser diferente? Que precisava de mais um filme, que merecia um final feliz?

Ele assentiu.

— Eu finalmente consegui escolher um — comentei, feliz —, escolhi o filme de um robô que desenhei certa vez antes de uma de nossas sessões. Eu tinha assistido ao filme na época e gostei demais. Acabei me lembrando de novo daquele robô, e resolvi concluir meu texto com um filme de animação dos anos 2000 para completar a sequência, afinal, já incluímos todos os gêneros nas duas listas, menos animação.

Sorrindo, Taehyung perguntou:

— E como ficou o texto final?

“Esse era eu.

Apenas um estranho chegando num planeta desconhecido, num destino desconhecido. 

Nesse planeta desconhecido conheci várias pessoas e fui obrigado a ver como os terráqueos podem ser cruéis quando não gostam de você, quando você consequentemente se mostra diferente.

E embora eu tenha conhecido alguns terráqueos que acabariam por se tornar os melhores amigos que qualquer ser poderia pedir para o resto da vida, a verdade era que eu não pertencia ali. 

Eu era um extraterrestre perdido. Um "hóspede" a mais naquele planeta. Um invasor. Um impostor. E isso me tornava um ser perigoso aos olhos dos terráqueos que não mediam esforços ao me tratarem mal.

Mas, se tem uma coisa que a gente aprende é a se defender das pessoas que nos fazem tão mal. E assim fiz. Aprendi a lutar contra isso e me revesti numa armadura protetora que simplesmente me isolava do resto do mundo. Era como se eu estivesse lá, mas estivesse tão distante que as pessoas não podiam me tocar.

E foi graças a isso que aprendi a manipular o sistema a meu favor. 

Descobri que eu poderia ser mais poderoso do que imaginava. Despertei da inércia na qual vivi e tomei uma atitude. Dispus de todo o meu potencial para mostrar que eu era o melhor de todos. Que eu era o escolhido, aquele que ia se tornar o mais talentoso intruso que aqueles terráqueos já viram.

Só que nem sempre isso muda tudo o que devia ser mudado. Como, por exemplo, o meu usual estado de solidão. Porque não importava o quanto meus poucos amigos terráqueos me asseguravam o quão importante eu era, eu sentia como se estivesse os atrapalhando.

Então eu estava só. Completamente só naquele mundo que parecia só meu. E parecia eu que continuaria nesse estado por muito tempo...

Até que apareceu outro extraterrestre. E ele era muito diferente de mim, além de não parecer ter muita noção de que era tão intruso quanto eu.

No início, esse alienígena foi hostil comigo, mas aprendeu a tolerar a minha presença, até que me vi apaixonado por ele e ficamos separados.

Porém, ele não desistiu. Porque ele estava tão apaixonado por mim quanto eu por ele. 

Ele foi atrás de mim, mas eu já não me lembrava se valia a pena dar uma chance aos meus sentimentos. Não sabia se podia confiar.

Porém, ele não desistiu. Aquele extraterrestre rabugento e idiota se lamentou e se declarou. E como num passe de mágica, meu coração de aqueceu novamente e eu não pude esconder minha alegria. Eu não estava mais sozinho em meio aqueles terráqueos porque ele estava lá. Comigo. ”

Recitei a versão final e olhei em seus olhos. Um amor muito grande transbordava deles.

— E qual o nome do filme? Quero assisti-lo depois.

E sorrindo também, contei:

— WALL-E

 



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