1. Spirit Fanfics >
  2. No Excuses And I Know >
  3. Don't Follow

História No Excuses And I Know - Capítulo 13


Escrita por: MyLoveJerry1990

Notas do Autor


Esse talvez seja o capítulo mais importante dessa história, é claro, não pude deixar de colocar como título minha música preferida, não só do Alice in Chains, mas de toda e qualquer música do mundo, Say goodbye and don't follow.

Capítulo 13 - Don't Follow


Fanfic / Fanfiction No Excuses And I Know - Capítulo 13 - Don't Follow

Eu estava tão cansada que logo me virei de lado na cama vazia, e gelada e adormeci. Acordo bem cedo pela manhã, era em torno de 5:00 horas, me levanto e saio da cama, ainda meio desnorteada de sono, entro no banheiro, me despido e entro no chuveiro, fazia frio em Seattle, a água estava fervendo, queimava um pouco minha pele, mas eu não me importava, enrolei-me na toalha e saio do banheiro, faço tudo em silêncio para não acordar o Jerry na sala, chego no quarto, pego minhas roupas que já tinham um cantinho separado, uma camiseta do Foreigner, uma flanela amarela e minha jaqueta  preta de sempre, uma calça jeans e All Star, eu já havia pegado o estilo daquele lugar, coloco meus assessórios e arrumo o cabelo, vou até a cozinha e decido tomar um café no caminho, não queria me atrasar, afinal, tinha que passar no apartamento para pegar algumas coisas antes de ir para o trabalho. Saio pela porta e olho uma última vez aquele homem dormindo ali, caminho dois passos e fecho a porta atrás de mim, minutos depois eu estou na rua, na esquina de cima tinha um café, paro lá e compro um expresso, vou tomando até o apê, subo as escadas de madeira que rangem alto, destranco a porta e entro.

- Bom dia amiga, tudo bem? Como foi sua noite?

- Foi ótima, nem te conto, dormi com o John.

- Que? Pergunto admirada. Sério? Ele chegou em você?

Ela ia me contando tudo enquanto pegávamos nossas coisas e saíamos, caminhamos pelas ruas até a gravadora. Pelo jeito, Frusciante tinha ido conversar com ela, eles se deram bem e começaram a se pegar, o que resultou em uma longa noite de felicidade. Eu não contei nada muito concreto pra ela do Jerry, eu não gosto de falar de mim para as pessoas, sinto que é melhor assim. Eu começo um assindo que a muito eu queria tratar com ela.

- Anne, eu estive pensando e... você não acha que podemos evoluir um pouco e mudar do apartamento? Para um maior ou algo do tipo? Temos condições de pagar um bom lugar no centro, perto de tudo..

- Sabe que, eu pensei o mesmo, mas eu preciso me livrar emocionalmente do nosso, era de meu pai, eu moro ali desde criança, tenho boas lembranças, mas não é mais o mesmo, o prédio está destruído, você tem razão, vou procurar um melhor pra gente.

Que bom que ela concordou, não suportava mais aquele lugar, eu sequer tinha um quarto. Trabalhamos a manhã toda, produzindo para uma banda que estava começando, depois eu decido ligar para Susan e marcar um encontro com ela em algum lugar. Marcamos numa praça próxima, quando eu chego, ela já está lá

- Olá Susan, tudo bem?

- Oi amiga, estou ótima, eu acho, e você? Como você está?

- Porque acha? Aconteceu algo?

- Chris. Foi isso que me aconteceu, ele é difícil, você sabe.

Ela já havia me contado que seu relacionamento com o Cornell era muito conturbado, principalmente pelo fato de ele usar muitas drogas e ela não suportar isso, ela sempre dizia que ele ia acabar morrendo.

- Ai amiga, você não devia ficar aguentando isso, é tortura.

- Eu sei, mas eu amo aquele traste e alguém precisa estar com ele.

- Tudo bem.

- Mas por que queria falar comigo assim, tão urgente?

- Eu acredito que você conheça bem seu amigo Jerry.

- Se conheço.

- Ontem ele me disse uma coisa, mas não sei até onde isso é verdade.

- Hm, o que ele disse?

- Ele me chamou de amor e depois disse que só chama de amor, quem ele realmente ama.

- Olha, estou surpresa com isso, não posso evitar, Jerry não mente, nunca, mas também não se apaixona, só que ninguém nunca viu ele assim, do jeito que ele está com você, se eu conheço o Jerry, ele disse a verdade, ele gosta mesmo de você e isso é muito louco, até pra ele. Espero que vocês não se decepcionem, eu sei que você gosta dele, está estampado nos rostos de vocês.

- Eu sei, é bom saber disso, obrigada Susan, eu não sei como te agradecer por ouvir sempre minhas bobagens e resolver meus problemas, eu te amo amiga.

Me levanto e a abraço.

- Vai dar tudo certo com o Chris tá?

Volto para casa com Anne aquela noite, comemos uma porcaria, ela vai para o quarto e fecha a porta, eu pego uma cerveja e me sento na frente da TV, ligo e começo a assistir qualquer coisa, mas o telefone toca.

- Alô?

- Oi meu amor, sou eu.

- Oi baby, tudo bem?

- Melhor agora que estou falando com você, por que não me acordou? Eu queria ter te dito um tchau..

- Você tava tão perdido no sono, que não quiz te incomodar.

- Você nunca me incomoda, a princípio, estou morrendo de saudades, sinto seu cheiro em todos os lugares.

- A gente pode se ver esses dias.

- Claro, que tal agora?

- Agora?? Baby, eu tô cansada, são 20:00 da noite.

- Amor, eu preciso te ver.

- Tudo bem, onde?

- Na lanchonete perto daí, eu passo te buscar, aliás tô indo, beijo.

E desliga o fone, eu aviso Anne que iria sair com Jerry e ela concorda, Anne gostava muito de Jerry, ela dizia que éramos o casal mais rockeiro que ela já viu, Anne era engraçada, ou era uma boba, algo entre os dois. Em 5 minutos ele estava na porta, fiquei imaginando a que velocidade aquele homem veio, e em quantos semáforos vermelhos ele passou.

- Boa noite Mr. Cantrell, devo dizer que não estamos em uma corrida de fórmula 1.

Digo enquanto entro no carro.

- Mas eu precisava vir o mais rápido possível.

E me beija, sua boca estava quente, aliás, seu corpo todo era quente. Nos largamos e partimos para a lanchonete, sentamos em uma das mesas lá fora, a gente gostava de aproveitar o frio.

- Eu tenho que te contar uma coisa.

- O que? Não faça mistério.

- Prometa que não vai ficar mal com isso, seria a última coisa que eu iria querer.

- Não prometo nada, desembucha, que eu já tô ficando nervosa.

- Calma amor, é que a gente vai entrar em turnê. Mas vai ser só nos USA mesmo, só que vai durar um mês.

Tá, aquilo era bem triste, um mês sem nos vermos, sem nos tocarmos, tinha também o perigo da turnê, de um lugar desconhecido, com pessoas desconhecidas, também tinham muitas mulheres, sempre tinham, nessas coisas e drogas e álcool. Apenas fechei meu olhos e respirei fundo absorvi todos aqueles pensamentos e aquele fato, ele pega na minha mão.

- Me desculpa, mas não posso evitar, é pro lançamento do novo álbum, não fique mal baby.

- Tá tudo bem Jerry. Abro meus olhos novamente, mas até eu tinha percebido o quão foram frias as minhas palavras, eu não queria aquilo, mas também não tinha que querer nada, era a vida dele.
Ele se joga para trás e se encosta na cadeira, estava desapontado.

- Droga Layne, eu disse que assim não ia dar certo. Ele diz para si mesmo.

- Que?

- Layne me disse pra te contar francamente, mas eu queria transar e beber e depois te contar. Ele sorri de canto.

- Com certeza Layne estava mais certo que você, mas é que é algo difícil, mas tudo bem, eu vou engolir e ir embora.

- Já? Você não quer comer nada baby?

- Não, eu quero ir pra casa.

- Quer ir pra minha meu amor?  E acaricia meu rosto.

- Na verdade não. Eu me levanto e saio, atravesso a rua e espero Jerry do outro lado.
Caminhamos juntos mais um pouco e paramos perto do carro.

- Me abraça, por favor.

Eu abraço ele, nossos corpos descansam um no outro, eu sentia cada parte dele e ele minha, ele me olha nos olhos e encosta nossas testas.

- Eu te amo.

- Eu também me amo. Digo.

Ele ri e me beija, eu o beijo de volta.

- Está frio aqui. Ele diz. Você tem certeza que não quer ir pra casa? Eu preciso ficar com você, é sério, te imploro.

E me olha com uma cara de cachorro pidão.

- Tudo bem, mas só essa noite, só porque vou morrer de saudades de você durante um mês.

- Eu também vou morrer de saudades de você, acho bom você me atender, porque vou ligar todos os dias, incansavelmente, e se a gente tiver com vontade um do outro, fazemos sexo pelo telefone.

- Ein?? Ai Jerry Cantrell, só de pensar eu fico triste, mas quero aproveitar esse nosso tempo juntos então.

Fomos para casa dele, como eu disse, eu já tinha umas coisas minhas ali, peças de roupas, escova de dentes e coisas assim. Tomamos banho e eu vesti apenas uma camiseta e fiquei só de calcinha, do jeito que eu me sentia mais confortável, Jerry estava sem camisa, com o peito nu, mostrando seu abdômen magro, porém sarado. Eu me deito no sofá e ele fica parado ao meu lado, de pé.

- O que foi baby? Quer deitar aqui comigo?

Ele simplesmente concorda com a cabeça, afasta minhas pernas com suas mãos e se deita ali, repousando sua cabeça por entre minhas coxas, eu coloco seus cabelos em minha barriga e começo a acaricia-los, Jerry coloca suas mãos em minhas coxas e começa a acaricia-las também, não falávamos nada, não estávamos assistindo nada na TV, estávamos só nos sentindo, nos tocando, nos amando.

- Tá quentinho aqui.

- Tá meu amor?

- Huhum, eu poderia ficar aqui pra sempre, se não estivesse morrendo de vontade de te beijar.

Ele se levanta e se coloca sobre mim, apoiando suas mãos ao meu lado e me beija, me beija muito, talvez tenhamos ficado ali por 10 minutos ou mais, eu passava minhas mãos em suas costas enquanto ele beijava meu pescoço, nossos corpos estavam muito próximos, como jamais estiveram, envolvi minhas pernas em sua cintura e ele se levanta, com a respiração ofegante e eu fico em seu colo, pois minhas pernas estavam entrelaçadas nele.

- Baby, eu quero te foder todinha agora.

Ele sussurra em meus ouvidos com aquela voz grossa, logo em seguida morde a ponta de minha orelha. Eu senti seu membro rijo bem embaixo de minha parte, já estávamos perdidos de desejo, como sempre, novamente. Eu olho no fundo de seus olhos azuis, como quem diz, vá em frente, faça isso, então ele começa a tirar seu cinto e logo após fazer isso, tira minha camiseta de dormir, deixando meus seios a mostra, eu estava toda arrepiada com seus toques, então ele encara eles e massageia-os vagarosamente, com suas mãos enormes, então ele encosta seus lábios e os suga levemente, levanta sua cabeça e olha em meus olhos, naquele momento nos perdemos, eu estava presa em seu olhar, uma áurea azul como o mar pairava no ar, eu poderia ficar ali para sempre, sentir o cheiro da água salgada, pisar naquela areia macia e deixar aquelas ondas de um oceano chamado Jerry Cantrell me levar, mas volto a mim e quer saber, tiro  tiro o resto de roupa que sobrava em mim e ele faz o mesmo, estávamos completamente nus agora. Ele me joga para um lado no sofá e me deita, abre minhas penas e ao mesmo tempo que as acaricia move sua língua e distribui beijos por minha intimidade, eu estava muito excitada e não conseguia parar de demonstrar isso, revirava meus olhos e minhas mãos puxavam seus cabelos suavemente e de forma involuntária, eu sentia duas mãos quentes em meus quadris e desciam para as coxas, aquilo estava me deixando maluca.

- Baby, eu não vou aquentar por muito tempo.

- Você quer agora?

- Agora mesmo.

Então ele se senta e me coloca em cima dele, desliza seu corpo um pouco mais pra frente, para que minhas penas coubessem no espaço entre o encosto e seu corpo.

- Vai, eu quero te ver fazer hoje.

Sorrio para ele maliciosamente, ele aperta os olhos para me encarar, então eu o coloco dentro de mim e me movimento indo e vindo bem devagar, nós nos olhavámos nos olhos, e foi assim o tempo todo, até chegarmos ao nosso ápice ao mesmo momento. Ainda com ele me mim, eu o abraço forte e ele beija meu ombro enquanto acaricia minhas costas e me diz

- Eu vou sentir tanto a sua falta.

- E como você acha que eu vou ficar? Só de pensar meu coração dói.

Então saio de cima dele, visto minhas peças de roupa, que estavam ali mesmo, junto as de Jerry no chão e ele faz o mesmo.

- Você promete que vai me atender?

- Prometo.

- Eu vou ligar todo dia, pra saber do meu amor.

- E eu vou atender pra me certificar de que você não está aprontando.

- Eu vou esperar pra aprontar com você aqui.

E faz cara de bobo, rimos muito, mas eu já estava morta de cansada.

- Baby, eu tô morta, vamos dormir?

-  Pode ir indo, que eu já vou.

Eu me levanto do sofá saio da sala, caindo de sono caminho no corredor e adentro no quarto, me deito na cama e jogo o cobertor por cima, segundos depois Jerry se deita também e liga um abajur ao lado da cama, agora o quarto possuía uma luz amarela aconchegante.

- Amor, eu tenho uma coisa pra você.

E me entrega um CD.

- O que é isso anjo?

- Um CD do nosso novo álbum, não foi lançado ainda, ninguém tem um desses, mas você têm.

- Muito obrigada meu amor, eu vou ouvir tudo e quardar com muito carinho.

Selamos nossos lábios rapidamente e eu começo a olhar o presente, reparar nos detalhes. Jerry não tinha me falado desse álbum ainda.

- Hmmm, Dirt, um bom nome. Adorei a capa.

- Pois é, eu também gosto do nome, a capa é incrível, as músicas também, fazem o seu tipo, você vai gostar, depois me conta, eu quero saber sua opinião.

Concordo com a cabeça e coloco o CD na mesinha ao lado da cama, me deito de costas para ele.

- Amanhã vou acordar bem cedo, preciso trabalhar, boa noite Mr. Cantrell.

- Me acorde pra tomar café com você, boa noite meu amor.

Ele me dá um beijinho na bochecha e se aconchega atrás de mim, me abraçando pelas costas e encosta sua cabeça na minha, de modo que seu nariz ficasse em meu pescoço, eu sentia sua respiração e seu corpo quente debaixo do cobertor, aquela era uma sensação maravilhosa, me sentia protegida, sentia que estava bem, estava no meu caminho, eu era eu mesma, livre e independente, ou pelo menos, era isso que eu pensava.

Acordei no dia seguinte as 05:30, me levanto da cama e Jerry resmunga com uma voz grossa de sono.

- Bom dia meu amor, você tem certeza que precisa ir hoje? Fica aqui comigo..

- Não posso baby, eu preciso trabalhar, mesmo.

Ele resmunga mais um pouco e vira para o lado, eu pego minhas roupas e vou em direção ao banheiro, tomo meu banho quente e me troco, eu resolvi colocar botas de salto, estava inspirada, uma camiseta Ramones por dentro da calça jeans e uma jaqueta, por que para variar, fazia frio em Seattle. Saio do banho e vou até a cozinha preparar o café, mas não foi preciso, Jerry se adiantou e já estava com o balcão cheio de coisas pro café. Ele sela nossos lábios e se senta.

- Que lindo, fez o café Zé Preguiça?
Ele soltou uma gargalhada alta.

- Você merece. Estou mudado, agora eu faço café pra minha mulher.

- Eu sou sua mulher?

- Você é tudo pra mim.
Ele coloca os cotovelos na mesa e apoia o rosto nas mãos, me encara e eu sorrio.

- Quando você vai?

- Provavelmente sexta feira, mas não é certo, vamos pra Los Angeles primeiro, o último vai ser aqui.

- Hum, então está bem, quero que se cuide tá, falo sério, depois do trabalho vou pra casa.

- Que? Você não vai ficar aqui comigo?

- Não baby, eu preciso ficar em casa um pouco também, preciso ensaiar, trabalhar, escrever, enfim..

- Sua casa é aqui..

- Não, não é. Deixa disso vamos tomar café.

Tomamos nosso café, voltei para o quarto e deixarei a louça todinha só para ele, fui terminar de me arrumar para o trabalho, estava pronta e com as coisas que eu tinha na casa do Jerry numa bolsa, afinal eu não ia ficar ali por um mês, não precisava deixar nada lá.

- Vai levar tudo? Meu Deus, parece que você está indo embora, isso é horrível, estou ficando mal. Não quer ficar com uma chave daqui? Pra você ficar quando quiser.

- Não estou indo embora Jerry, você está, não fique mal meu amor, eu vou ficar em casa, tranquilo, aliás, acho que vamos nos mudar de lá, não nos cabe mais, fique tranquilo, vamos aproveitar muito quando você voltar.

- Eu quero te ver antes de ir, você me promete?

- Não prometo nada nunca. Vamos nos ver, se acalme.

Então envolvo meus braços ao redor de seu pescoço e me jogo para ele, que me segura forte pela cintura e me beija. Nos separamos e eu abro a porta.

- Até mais amor.

- Até logo Mr. Cantrell.

Olho para ele e ele estava com uma cara meio triste, parecia que eu estava abandonando um cachorrinho na rua, mas eu iria vê-lo antes de ir, eu acho. Desço as escadas e olho no relógio, estava atrasada, saio correndo pela rua e só para ao chegar na gravadora. Empurro a porta e entro.

- Bom dia pessoal, desculpem o atraso, perdi hora.

- Huhum sei, bom dia amiga. Diz Anne.

Trabalhei a manhã inteira em uma remasterização de uma banda antiga, depois de finalizar me lembro que precisava falar com uma pessoa, pois minha insegurança e medo falavam mais alto. Ligo para o Layne perto da hora do almoço.

- Alô, Layne? Sou eu, Jo.

- Oi Jo, tudo bem?

- Éh, mais ou menos.

- O Jerry te contou?

- Sim e é sobre isso mesmo que eu queria conversar contigo, podemos nos encontrar no almoço?

- Claro, só falar onde.

Combinamos um horário e um local, quando eu cheguei ele já estava lá, em uma mesa, no canto mais escuro da lanchonete, dei um abraço forte em meu amigo e me sentei a frente dele.

- Ele soube falar? Jerry não tem muito jeito para as coisas, ele é grosso.

- Eu sei, mas ele contou bem, do jeito que você disse pra ele, mas eu ainda tenho receio, eu sei o que acontece nessas turnês, e sei que o Jerry é capaz de muita coisa quando está bêbado.

- Já sei, você quer que eu cuide dele? Pode deixar senhorita Jo, Jerry vai ser minha responsabilidade, não vou deixar nada acontecer, fica tranquila.

- Obrigada amigo, você mora no meu coração.

- Você também mora no meu, mudou o meu amigo pra mil vezes melhor, parabéns, você é demais.

Almoçamos juntos e conversamos sobre várias coisas aleatórias, Layne realmente era um amigo pra mim, um grande amigo, quase um irmão, ele me entendia em cada detalhe e eu entendia ele. Pagamos e saímos, nos despedimos na porta.

- Boa sorte na turnê, vai dar tudo certo, vocês são brilhantes.

- Claro que somos, obrigada Jo.

Voltei pra gravadora, mas no caminho um sensação estranha me invadiu, como se algo não estive certo, havia algo errado no mundo naquele dia, será que eu havia feito besteira em falar com Layne? Ou em levar minhas coisas do Jerry? Foi algo que eu disse a Anne? Bem, não tinha como saber, ignorei e voltei a trabalhar. Já era quase sete horas quando saímos da gravadora, eu e Anne, voltamos para casa a pé como sempre fazíamos, no frio enregelante de Seattle, o céu indicava chuva, as pessoas andavam com pressa para retornar para suas casas após o dia de trabalho. Subimos as. escadas quase desmoronando do nosso velho prédio, quando Anne coloca a mão na maçaneta da porta e gira, a maçaneta fica na mão dela.

- Merda, que inferno, está caindo aos pedaços, estou vendo um novo apê pra gente, perto do do seu namorado.

- Ele não é meu namorado Anne, sabe disso.

- Não é mas parece muito, vocês se amam, não se desgrudam.

- Na real eu não sei o que a gente é, eles vão entrar em turnê, será que Susan vai?

- Ela mesma me contou hoje no almoço e disse que não vai, tem mais o que fazer, mas ela já cuidou de tudo pra eles mesmo..

- É, imaginei. Quer comer alguma coisa?

- Na verdade não, vou tomar banho e dormir, estou cansada.

- Está bem então, boa noite Anne.

Eu decido fazer algo para comer, mas só tinha miojo, então foi isso mesmo. Enquanto comia, o telefone toca, corro atender, era Jerry.

- Oi amor, tudo bem?

- Oi baby, tudo e contigo?
Volto para a mesa e me sento.

- Estou ótimo, queria falar com você, ouvir sua voz, estou morrendo de saudades.

- Nem vem Jerry Cantrell, eu não vou aí de novo hoje, estou cansada demais pra isso.

- Tudo bem, calma, eu só queria falar com você mesmo, é claro que se mudar de ideia as portas estarão totalmente abertas e a cama livre pra você e pra mim em cima de você.

- Você é demais, sério. Me rio.

Ficamos conversando coisas bobas e contando do nosso dia por mais ou menos meia hora, quando resolvo desligar e ir tomar banho, depois me sento no sofá e ligo a TV. Adormeci e as onze da noite acordei assustada com o telefone tocando novamente, pensei af, Jerry de novo a essa hora.. Mas não era Jerry, quem dera fosse, era o cuidador da fazenda de meus avós, por que ele estava me ligando e por que aquela hora?

- Alô?

- Alô, Jo? Sou eu Marcel.

- Marcel? O que houve? Por que me ligou?

- Infelizmente sua avó faleceu hoje a tarde, sinto muito.

Minha avó havia falecido, que? Eu estava vivendo minha vida tão ridícula e tão egoísta naquela cidade que me esqueci que sequer tinha família, não lembrava sequer que tinha família, não lembrava mais da minha avó, não sabia se ela estava bem, não liguei mais, não pude mais falar com ela, e nem poderei, ela está morta. Uma tristeza e angústia profundas inundaram meu coração, lágrimas de agonia rolaram de meus olhos e, o mesmo pensamento que quando eu cheguei em Seattle havia voltado, o que eu estava fazendo ali? Eu não podia falar, não podia expressar tamanha dor e tamanha saudade de casa e da minha avó, que merda, eu precisava vê-la uma última vez.

-Jo? Jo? Você tá aí?

- Oi Marcel, eu estou, me desculpe.

- Ela vai ser velada amanhã, se quiser vir..

- Eu vou, obrigada Marcel.

Desligamos e eu continuei a chorar, refletindo sobre todos os momentos bons que já tive com minha vozinha e o quanto eu saí brigada da casa dela, ela havia feito tanto por mim, eu era uma ingrata, eu iria voltar pra casa, nem que aquilo fosse a última coisa que eu fizesse. Comecei a arrumar todas as minhas coisas possíveis em uma mala, em silêncio para não acordar Anne, coloquei minha guitarra na mochila e olhei para as partituras que eu tinha ali, vou deixá-las, isso não era só meu, era das outras meninas também deixei mesmo e escrevi em uma das músicas: Diga adeus e não siga.

Saio pela porta, sentindo os ares dali uma última vez, desci as escadas putrefeitas, e sua andando até a rodoviária, eu demoraria mais de um dia para chegar no Texas. Comprei a passagem do ônibus e esperei num banco gelado, naquele momento começou uma tempestade imensa, ótimo, só pra ajudar, eu não pensei duas vezes quando o ônibus chegou subi e sentei no primeiro banco abraçada com a mochila, enquanto saíamos de Seattle dei adeus a cidade uma última vez, aquilo tudo acabou, era como um sonho, não existiu, eu nunca mais voltaria ali.

 






 


Notas Finais


Eai? Tá comprido, mas é porque há algo especial nele.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...