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História No Fim da Estrada - Capítulo 24


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Capítulo 24 - Capítulo Vinte e Quatro


Com o alarme do celular tocando cada vez mais alto, crie coragem para finalmente levantar. Sento na cama, e encaro as caixas já prontas com a minha mala. Hoje é um dia diferente, um dia que é para ser especial, e nem por isto eu posso dizer que estou animado, e admito estar até mesmo um pouco assustado. Não é como se eu conseguisse ter hoje a mesma firmeza que tive um dia.

Depois de tudo o que aconteceu, sabendo de todas as dificuldades que encontro comigo mesmo em encontrar um meio de continuar, decidi começar a passos pequenos. Sou muito grato a tudo que meus amigos tem feito por mim, mas claro que sei que não posso ficar assim para sempre. Por isto, embora a passos lentos, decidi encontrar meu meio de continuar minha vida a modo que não tenha que prejudicar os outros e nem a mim mesmo.

Para começo, como trabalhar e me jogar no mundo de primeira, o primeiro passo que me pareceu viável foi me acostumar a viver sozinho, para tanto, depois de diversas pesquisas na internet e de Dominic me ajudar com algumas papeladas, consegui alugar uma casa pequena no bairro vizinho a casa de Dominic.

Já estou morando com ele a mais de um ano, e embora ele seja contra, sinto que está na hora de dar este passo, ou então, nunca vou conseguir me acostumar com a falta deles, e isto é certamente ruim para todos, principalmente para mim.

Dominic foi muito solicito em me ajudar com as papeladas e Jude também tem me dado muito apoio, me ajudando com o que preciso. A irmã de Adam também me dado certo apoio. Não financeiro, mas verbal, já que ela ocasionalmente me liga para saber se estou bem, se estou me recuperando bem. Ela tem sido outra presença marcante na minha vida. Não era exatamente da minha vontade, mas ela acabou lentamente se aproximando de mim e acabou se tornando uma presença que tem permanecido na minha vida.

Não é muito fácil para mim ficar perto dela, mas eu me esforço para ser educado e também agradecido, pois eu sei de toda a dor que ela também sente e como poderia simplesmente ignorar minha existência, fingindo que eu não existo, ou me odiando pelo o que aconteceu com Adam. Afinal, muito provavelmente, se ele não estivesse comigo naquela natal, não estaria morto. Ela não precisa fazer isto, mas está fazendo e isto é mais do que especial para mim. Faz eu me sentir bem por ter alguém com que posso contar, ainda que eu não saiba como lidar com a presença dela tão bem quanto gostaria.

Saio da cama com um único impulso de coragem momentânea. Tomo um banho rápido e troco de roupa, vestindo o que já havia separado na noite anterior. Já tudo pronto para que eu finalmente me mude para a nova casa. Nada foi mobilado ainda porque eu ainda quero ter o devido tempo de montar tudo sozinho, tendo colocado na casa apenas o que mais preciso como cama, geladeira e o que mais uma casa precisa.

Esta é a primeira vez que vou morar sozinho na vida, e também a primeira vez que vou ficar sozinho depois que eles morreram. É um desafio, um que estou com certo medo de ter que viver, mas não é como se pudesse ficar preso nisto para sempre, afinal. Já pronto para seguir com meus planos e meu dia, coloquei as chaves da casa e o celular no bolso da casa. Dominic me prometeu ajudar com o que mais era necessário, enquanto Melody insistiu muito em me ajudar com a mudança já que ela tem um grande carro.

Saí do quarto. Dominic estava como sempre fazendo o café da manhã. Os óculos quase caindo do seu rosto enquanto ele tentava virar uma panqueca.

— Bom dia, Lu. — cumprimenta ele assim que consegue virar a panqueca e colocar no prato.

— Bom dia.

A pilha de panquecas já estava em um prato. Quando termina, ele pega outra frigideira para encerrar o processo de rechear as panquecas com carne moída e queijo.

— Ainda vai demorar um pouquinho, se puder esperar.

— Sem pressa alguma.

Puxo uma cadeira e me sento. Pesco meu celular no bolso da calça. Mando outra mensagem para Melody para ter certeza que ela pode vir mesmo. É final de semana, e mesmo assim, me sinto mal por fazer ela vir da casa dela até aqui só para me ajudar com este tipo de coisa. Ela respondeu positivamente, sempre com um sorriso no rosto.

— Acha que consegue mesmo fazer isto, Lu? — Dominic me indaga. As panquecas já foram postas no forno para assar por alguns poucos minutos e ele apoia o braço direito na mesa, me fiando seriamente.

Dominic, apesar ter me dado apoio e ajudado bastante com todo o processo e o que mais era necessário, sempre foi contra a ideia de eu dar este passo, ao que ele considera ser cedo demais. Em parte, eu sei que é culpa minha e da forma como estou agindo. Não transparece nenhuma confiança, e nada que signifique eu esteja bem mesmo para dar este passo. Só que eu sinto que se não der agora, nunca mais vou dar.

— Não posso ficar aqui para sempre. Preciso recomeçar. — O que eu digo para ele é o mesmo que digo a mim mesmo para me convencer. Para me dar coragem. Por outro lado, no fundo, eu sei que estou certo. Não é como se eu devesse me congelar no tempo desse jeito. Preciso dar algum passo na vida em algum momento, é necessário continuar, afinal.

— Claro que eu entendo, mas estou preocupado com você.

— Agradeço. Mas, você já fez muito por mim, Dominic. Preciso começar a dar meus passos, mesmo que lentamente.

Dominic me fita por um longo tempo, como se estivesse lendo, ou buscando falhas em minhas afirmações. Como amigo, ele tem me ajudado muito e eu sou imensamente grato pelo apoio. E estou sim aterrorizado, mas estou também certo de que este é o passo que devo tomar.

— Se é assim que você deseja, então saiba que tem todo meu apoio.

Assenti, com o coração confortável por saber que tenho alguém com que posso contar.

As panquecas ficaram prontas pouco tempo depois. Dominic serviu para mim. E eu comi. Já quando terminei, a campainha tocou. Dominic se levantou e foi logo atender. Quando ele volta, Melody está seu lado, carregando uma bolsa bonita. Ele é muito bonita e tem uma aparência muito gentil. A presença dela é muito alegre, e me lembra bastante de Adam, e dos bons tempos que tive com ele. Por isto que é tão difícil ficar perto dela.

— Como está, Lu? — pergunta ele abrindo um grande sorriso para mim.

— Estou bem. — respondo. Pego o copo de suco e o bebo.

Me levanto. Melody vem e me dá um abraço demorado, e um beijo na bochecha.

— Obrigado por estar me ajudando.

— Que isto.

Separamos o abraço. Dominic nos observa a poucos centímetros sem dizer nada.

— Acabei de fazer panquecas, se quiser comer...

— Não precisa, obrigada. — Ela pega minhas mãos. — Me deixa te ajudar.

— Não precisa carregar peso por mim.

— Eu mesmo ajudo a levar tudo no carro. — Dominic se propôs, praticamente decidindo por nós dois.

— Eu agradeço. — digo. Dominic assente.

Dominic e eu seguimos para o quarto enquanto Melody foi para seu carro para deixar o porta-malas abertos. Dominic me ajudou a levar as malas e caixas para o grande carro vermelho dela, um Jeep. Não que eu tenha muita coisa para ser levada, havia bem menos do que eu pensava. Já em poucos minutos, eu já tinha colocado tudo dentro do carro dela.

Coube tudo sem grandes problemas, e quando já tudo dentro, ela fechou o carro.

— Nem tenho como te agradece por todo este tempo cuidando de mim.

— Fique bem e não precisará me agradecer.

Dou um abraço demorado em Dominic. Ele também me aperta com força. Os braços dele são fortes e me passam uma grande segurança.

— Deixei o endereço na sua agenda. Venha me visitar assim que puder.

— Claro.

Me despedi calorosamente de Dominic e entrei no carro de Melody.

Ela dirigiu até o local de minha casa. É um local simples, uma casa prática que me serve muito de agora em diante para me ajudar a encontrar o meu mais do que preciso recomeço. Melody olhava para mim de vez em enquanto dirigia.

— Você está bem, Lu? — questionou ela, maneando de leve a cabeça com a sombra de um leve sorriso no canto.

Estava distraído a algum tempo já, observando a paisagem do novo bairro aonde vou morar. É um lugar calmo, com várias casas, mas um tanto distantes uma da outra, me permitindo ter um pouco de paz e um meio de encontrar uma boa forma de continuar e de me arranjar comigo mesmo. É só uma casa alugada porque não quero ter que me prender neste momento. Não acho que também que consiga, agora eu preciso de tempo e creio que um pouco de espaço. Mas é cedo para dizer ainda se estou bem, eu acho que ainda posso ficar de novo, ao menos, é assim que eu espero.

— Estou.

Melody abriu um leve sorriso no rosto e continua dirigindo.

Quando chegamos a casa, saímos do carro. Melody me ajudou a descarregar as coisas e eu pus tudo na sala da casa. Não tem grandes móveis aqui, o que torna a cada bem mais vazia do que deveria estar. Por outro lado, como parte do projeto de recuperação, espero poder remontar toda a casa, e assim deixar o lugar com a minha cara.

— Você tem um bom gosto para escolher casas. — Ela disse quando terminamos de trazer tudo.

É uma casa simples, com um todo arrojado e um pequeno quintal em que posso montar um pequeno jardim. Eu pretendo fazer um jardim e cuidar da casa, de forma que eu possa arranjar um hobby até que eu encontre uma forma de trabalhar e quem sabe, voltar a estudar.

— Eu acho que sim. — concordo com ela brevemente.

— Eu acho que você precisa disto. Vai fazer muito bom para você. — Melody diz, como sempre ela é a maior incentivadora e eu devo muito a ela pelo grande apoio que ela me dá desde sempre. — Você pode contar comigo para qualquer coisa, se lembre disto, ok?

— Claro que sim.

— Você vai fica bem morando aqui?

— Eu acho que sim, espero que sim, ao menos.

— Está inseguro? — indaga ela, se aproximando de mim. Ela segura minhas mãos com gentileza. — Vai ser bom para você recomeçar e eu estou certo de que você consegue. — Melody me puxa para outro abraço, me apertando firme como uma irmã mais velha. Ela me veio me ajudar, mas não vai ficar já que ela precisa ir a um compromisso, mas espero poder me sentir confortável um dia para a convidar para passar um tempo de qualidade com ela.

— Eu espero que sim.

Depois que Melody foi embora, eu me sentei no sofá da casa, e me deixei levar pelos sentimentos que me traziam por estar morando aqui. Não é como se fosse fácil, mas estou disposto a tentar da melhor forma que puder.

Deitei no sofá, fechei os olhos e me deixei descansar um pouco, adormecendo pouco tempo depois. Tive bons sonhos, sonhos em que os dias eram mais fáceis e quando eu era feliz e não tinha ideia de como era. Agora, como forma de continuar, só posso me agarrar com força a tudo o que preciso para mim mesmo e tentar encontrar nisto as forças que preciso para continuar.

A sorte é que estou tendo apoio de pessoas com que eu posso contar, e isto é maravilhoso. Por isto mesmo que acredito piamente que preciso me tornar cada vez mais forte a modo que posso dar estes passos e encontrar este meio de continuar. Me acostumar a morar sozinho e me dedicar a mim mesmo é o passo mais longo que dei agora, e até o mais importante.



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