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História No Happy Endings - Capítulo 1


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Notas do Autor


Boa leitura, espero que gostem.

Capítulo 1 - Single Chapter


Cristiano estava apoiado próximo à porta, tentando, em vão, não demonstrar irritação com a cena patética protagonizada por Isabel.

- Tudo bem, já chega – ele fechou a porta, mas se manteve encostado a ela. – Pode me explicar, o que está fazendo?

- Bom, acho que ficou bem claro que isso aqui não vai funcionar – a loira fungou, antes de continuar arrumando a pequena mala. – Se é que algum dia funcionou.

- Tudo isso pelo que aconteceu na boate? – ela ficou calada. – Por favor. Achei que a principal regra do nosso relacionamento fosse, ‘sem cobranças’.

- Ah, claro – ela riu sarcástica. – E só por causa disso você pode flertar com uma garota na minha frente, e pior, eu não posso me sentir mal com isso? Definitivamente, futebol é sua profissão, mas estupidez, seu hobby.

- Você quer que eu peça desculpas? – ele perguntou de forma debochada.

- Não faça isso – ela o encarou. Os olhos azuis estavam marejados, era evidente que a uruguaia travava uma batalha interna, querendo, a todo custo, impedir que suas emoções aflorassem.

- Então...

- Não, não me refiro as desculpas – ela o interrompeu. – Não aja como se eu não tivesse o direito de sentir o que estou sentindo, não aja como se eu estivesse agindo como uma completa desequilibrada ou carente de atenção. Você me conhece há tempo suficiente para saber que não sou esse tipo de pessoa.

- Bom, não é exatamente o que você está demonstrando – ela revirou os olhos, negando a cabeça antes de voltar a arrumar suas coisas. – Por Deus, o que você quer que eu diga?

- Não faz diferença. O que eu gostaria de ouvir de você não é a mesma coisa que você diria por espontânea vontade – ela tratou com indiferença, já havia aceitado tudo. – Eu... Eu preciso de um tempo, preciso sair daqui.

- Faça o que achar melhor, você tem o direito de ir e vir, está na Constituição – o português se aproximou da garota, ficando há milímetros de distância de sua orelha. – Apenas certifique-se de que não vai demorar com essa palhaçada. Não garanto manter a cama vazia por muito tempo, você sabe, não tenho vocação para dormir sozinho.

Isabel virou-se para Cristiano, incrédula, decidida a golpeá-lo no rosto, para talvez, causar metade do dano que ele já a havia causado. Mas a mão acabou pairando no ar. Enquanto as lágrimas involuntárias desciam por seu rosto esguio, Isabel tentava entender como havia se deixado levar por um homem como aquele.

- Eu não te impediria – ele a tirou do transe. Pela primeira vez naquela noite ele demonstrava certa insegurança, eles estavam em um relacionamento há praticamente um ano, porém, se conheciam há muito mais que isso, e nunca havia visto Isabel chorar, sabia que tinha ultrapassado o limite, mas não retiraria o que disse.

- Não – ela negou ao colocar a mala no chão. – Por mais que você mereça, e eu sei o quanto merece. Um tapa não vai te fazer sentir um terço do que estou sentindo, muito menos atribuir um pouco de caráter a você.  – Mantinha suas convicções de que ninguém merecia um tapa no rosto, nem mesmo ele. – E Cristiano... – ela disse, de costas para ele, ao pé da porta. – Fique a vontade para colocar quem bem entender no lugar, não finja ter o mínimo de respeito por mim, por nós, pelo que tivemos, agora percebo que não era real. Sinta-se livre de arrependimento para colocar alguém na sua vida, na sua cama, no meu lugar. Sei que no fundo nunca tive a mesma importância de você tem para mim.

- Isabel, eu...

- Não, está tudo bem – ela deu de ombros. – Mas eu não posso continuar mentindo para mim mesma, você nunca irá me amar. E por mais que isso doa, será menos doloroso sair da sua vida agora. – Cristiano desviou o olhar para o chão quando a uruguaia se virou. – Eu não vou voltar, Cristiano.

E naquela noite de outono, Isabel sorriu condescendente com a própria situação antes de fechar a porta, não apenas literalmente falando, mas para algo intangível, algo que um dia chegou a acreditar que lhe pertencia.

Não há segunda parte nessa discussão, ela tinha isso bem claro, talvez mais do que ele.



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