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História No Limite do Amor - Capítulo 6


Escrita por: Kaneki482412

Capítulo 6 - Capítulo 06: Conselho de amigo.


Fanfic / Fanfiction No Limite do Amor - Capítulo 6 - Capítulo 06: Conselho de amigo.

                      Ian

     Deitado na cama com as cobertas esparramadas e emboladas ao meu redor bufei olhando o teto. 

     Estava cansado, na última semana mal vi meu tio, ele conseguiu ficar mais ocupado que o normal, e apesar de ele não confirmar eu sabia era por causa do Eric.

     Venho tendo pensamentos recorrentes sobre o alfa. 

    Estava preocupado com ele mas meu tio não quer falar sobre o assunto, também perguntei prós colegas dele quando fui no hospital a uns dias mas eles desviavam do assunto, ignoravam ou diziam pra falar com meu tio. 

    Também notei que tinha muitos seguranças lá, era comum ter um ou dois por área, principalmente para lidar com alfas que entram em seus cios no hospital.

    Só que lá tava um em cada canto. 

    Mas de longe o mais estranho foi a agitação, uma hora tava até normal, outra todos os seguranças correram, um arrepiou passou em minha espinha, meu ômega ficou agitado, procurando algo. 

    Depois meu tio apareceu correndo, pegou meu braço e gritou comigo para ir embora,ele nunca, nunca mesmo tinha feito algo como aquilo, mais tarde quando meu meu tio chegou em casa ele "recomendou" evitar o hospital pelos próximos dias com uma seriedade incomum, perguntei se podia ver o Eric pelo menos, a resposta foi um pelo "Não".  

    Mas mesmo assim continuo pensando nele, as vezes por preocupação outras... Bem, o importante é que de um jeito ou outro ele não sai da minha cabeça, ou de meus sonhos.

     Tenho pensado tanto nele que nem as tarefas do colégio tenho feito direito. 

     E por isso estou aqui esperando meu amigo chegar pra fazermos um tarde de estudo, bom, no caso essa é a desculpa que dei pro meu tio, ele é meio protetor, ninguém entra em casa sem ele saber, mas na verdade nós só vamos ficar conversando e comer alguma coisa.

     - Será que ele vai demorar muito? - Disse me revirando na cama tentando reunir forças para levantar. 

     Não foi nem um minuto depois a campainha tocou loucamente. 

     Sorri me levantei caminhando apressadamente até a porta da casa enquanto a campainha não parava de tocar. 

     - Calma aí! - Gritei chegando a porta, a destrancando e abrindo. 

    - Aleluia! - O garoto falou nem esperando eu dar licença pra já ir entrando trazendo com sigo seu aroma de mel e maracujá, uma mistura estranha de doce e cítrico. 

    Esse era o Vicente, meu amigo a dois anos. 

    Um alfa louco, de olhos verdes acastanhados, cabelos marrom claro encaracolado, um sorriso contagiante, pele clara pela falta de sol, alto e magro, e com certeza o oposto do que se espera de um alfa, usando um moletom largo cinza, um calção solto da mesma cor e uma sandália rider preta com detalhes laranja, sempre com o costume de se auto convidar pra casa dos outros.

     - Nem demorei tanto. 

     - Só uma eternidade. 

    - Exagerado. 

     Ele me encarou indignado e eu o encarei de volta, depois de um segundo começamos a rir, ele é uma das únicas pessoas com quem eu sou realmente solto. 

    - Então, me conta, o que aconteceu pra te deixar tão distraído nas aulas? - E claro, ele não tem muito filtro. 

     - Não quer comer primeiro? Normalmente comida é a primeira coisa que tu pede. 

    - Meu amigo está com problemas! Obviamente isso tem prioridade. - Ele falou de maneira exagerada e teatral, e sorriu de canto. - Então me conta enquanto comemos. - Completou já indo a cozinha e eu ri alto, não importa quanto tempo passe ele não muda.

    - Tá, já esperava por isso. - Disse chegando a cozinha e abrindo uma prateleira, logo jogando um pacote de salgadinho para o glutão que pegou e abriu em um segundo logo começando a comer antes mesmo de se sentar na mesa

     Como esse desgraçado continua magro comendo tanto? É magro de ruim mesmo, pensei e me sentei ao seu lado.  

    - Sou todo... - Ele começou a falar ainda comendo, e fez uma pausa para engolir. - Ouvidos. - Mau terminou de falar e logo voltou a enfiar comida na boca, ele basicamente respira a comida. 

     O encarei indignado vendo ele quase acabar com o pacote de salgado em apenas algumas mãozadas. 

    - Tá olhando o que? - Ele falou mastigando, depois engoliu e sorriu brincalhão. - Teve uma "recaída" por mim? - Disse brincando se aproximando de mim e mandando um falso beijinho, rapidamente meti a mão no seu rosto e o afastei que começou a rir enquanto meu rosto ficava vermelho. 

    Só de pensar que eu já tive um quedinha por esse cara já me envergonho, mas foi assim que nós conhecemos, ele chegou na minha sala do primeiro ano achei bonitinho, dois meses depois me confessei e fui rejeitado, ou melhor, ele riu e pediu pra sermos amigos primeiro. 

     Sinceramente, foi sorte, porque depois disso viramos amigos, e confesso, não conhecia ele ainda, achava que era um tipo de príncipe mas eu percebi uma coisa três dias depois que comecei a ser amigo dele, esse alfa é um folgado! 

    -  Tá bom, chega de brincadeira. - Ele disse depois de terminar o salgadinho, amassando o pacote e jogando fora com um arremesso para o lixeiro, comemorou um pouco quando acertou, mas logo voltou ao foco. - O que te deixou tão distraído durante a semana?   

    - Bom, sabe meu- 

    - Sei que não foi sei tio, quando você se distrai por causa de seu tio é mais depressivo, mas essa semana foi... Sei lá diferente. 

    - Diferente como? - Perguntei me fazendo de desentendido.

    - Bobo apaixonado. - Falou me deixando rubro, sem querer minha mente vagou para as memórias daquele momento e eu corei ainda mais.

    - N-não sei do que você tá falando.

     - Parando pra pensar acho que você tava com outros feromônios grudados em você outro dia. - Ele comentou brincalhão, esse desgraçado, já deve ter presumido tudo.

     - Tá, eu meio que conheci um alfa esses dias. - Confessei envergonhado e ele né deu um soquinho no ombro. 

    - Finalmente me superou em? - Revirei os olhos rindo, é essa brincadeira toda vez que eu começo a gostar de alguém ou que fico com alguém, então nem respondo mais. 

     - Não! Quer dizer, sim, mas não nesse sentido. - Me atrapalhei todo enquanto falava. - A história é mais complicado que isso. 

     - Me conta tudo! - Ele ordenou animado se levantando e indo rapidamente pegar outro salgadinho, escutei ele abrir a prateleira, daí a geladeira e depois voltou a mesa com dois pacotes e dois refrigerantes, entregou um refri pra mim. 

    - O salgadinho. - Falei estendendo a mão para ele.

     - Meu. - Nem me olhou quando respondeu.

     - Folgado. 

     - Agora que estou reabastecido me explica. 

    Suspirei e depois o encarei e comecei a explicar.

    Meia hora de explicações, três pacotes de salgadinho e 4 refrigerantes depois;  

     - Tá, então recapitulando. - Vicente falou confuso. - Você se encontrou com um alfa descontrolado que te atacou?

    - Sim. 

     - E agora tá apaixonado por ele? 

    - Sim, quer dizer, não. - Me apressei em me corrigi, me embolando com as palavras de novo.

    - Está preocupado com ele? 

    - Muito. - Confessei desviando o olhar.  

    - E tem tido sonhos eróticos com ele?  

     - Não diria isso. - Falei desviando o olhar.

    - Sim ou não? - Ele insistiu na pergunta.

    - Meio que sim. 

    - Meio que o que? - Ele tá brincadeira mesmo só pode!

     - Tá! Sim! Tô tendo, contente? 

     - Você só gosta dos complicados né? 

     - Não é minha culpa. 

    - Então você gosta mesmo dele? - Ele pergunta sorrindo vitorioso. 

      - Não distorça minhas palavras! - Reclamei fazendo biquinho, achei que falar com ele faria eu ficar com os pensamentos mais claros, mas só me deixou mais confuso. 

    - Cara, tenho uma ideia pra você. 

    Me animei um pouco e o encarei ansioso, o alfa sorriu de canto e apontou para mim confiante. 

     - Faz uma semana que vocês não se vêem né? Então vai logo! Vai pegar o seu macho! - Ele falou como se tivesse descoberto o significado da vida. 

     É, esqueci, esse cara, é um romântico incurável. 

    - Você não tem jeito.

    - Isso claramente foi um encontro do destino! 

    - Você e esse destino né? - Apesar de não parecer esse alfa é um dos que acredita em pares destinados, romances impossíveis, amor eterno e coisas do tipo, por isso ele nunca namorou ninguém, até ficou com algumas pessoas, mas bota todos pra correr com as conversas dele sobre o futuro, casamento, filhos e assim por diante. 

    - Vai negar que sentiu algo?

    - É mais complicado que isso! - Falei um pouco frustado. 

    - Tá, então descomplica. - Ele fala como se fosse fácil. 

     - Provavelmente só estou preocupado com ele. 

    - Preocupado em quando ele vai te beijar de novo? 

    - Babaca. - Suspirei cansado, já chega desse assunto para mim. 

     - Mas e você? Encontrou sua alma gêmea? - Perguntei mudando de assunto e vi ele quase instantemente mudar de descontraído para tristonho. 

    - Ainda não. - Ele comentou se esparramando na mesa. - Achei que tinha consegui dessa vez, mas foi alarme falso. - Disse fazendo cara de cão chorão, dramático mais uma vez, depois ele se ajeitou rapidamente, ficando reto e voltando a sorrir. - De qualquer forma não posso desanimar! Tenho certeza que minha alma gêmea está em algum lugar... Só tenho que encontrar. - Disse se esforçando para manter o sorriso. 

    Não devia ter tocado no assunto, não gosto de ver ele triste. 

    Já ia me desculpar quando a porta foi aberta de novo, eu e Vigente pulamos da mesa olhando de um para outro assustados

    - Você chamou mais alguém? 

    - Não. - Respondi. - E você? 

    - Sou folgado mas não tanto. 

    Suando frio, com cuidado fomos olhar quem entrou. 

    - Ian! Cheguei! - A voz do meu tio ecou pela casa antes de pudéssemos o ver, eu e o alfa suspiramos aliviados indo de encontro com meu tio. 

 - Senhor Ricardo, não mata a gente do coração assim não. - Vigente falou com a mão no peito, meu tio o olhou depois olhou para mim, parecia cansado, olheiras muito maiores que o normal, pálido, ombros curvados como se tivesse um peso enorme em casa ombro, não falou nada e suspirou cansado. 

     - Tá tudo bem tio? - Perguntei preocupado. 

    - Tudo, tudo sim, tudo ótimo. - Ele falou tirando os sapatos e jogando em qualquer canto enquanto aliviava o nó da gravata sem cuidado algum, depois tirou as suas chaves do bolso e colocou em cima do criado, isso é mal, ele sempre é cuidadoso e meticuloso com as menores coisas, pra ele ficar desleixado, mesmo que um pouco deve ser algo grave. 

    Ele não me deixou falar mais nada, e foi andando feito um zumbi até às escadas subindo até seu quarto. 

     - Ele não tá nada bem né? - Vigente perguntou meio preocupado.

    Um estrondo de uma porta batendo fez a gente pular de susto 

     - Com certeza. 

    - Será que ele vai dormir muito? - Vigente perguntou com um sorriso de canto. 

    - Pela cara dele, no mínimo a tarde toda. - Respondi levantando uma sombrancelha olhando para ele acusador, esse cara tem alguma ideia idiota. - Por quê?

    Em vez de me responder ele foi até o criado mudo e pegou uma chave de lá, era uma chave simples como as que usam no hospital, com uma placa branca pendurada por uma corrente nela contendo de um lado três números pretos que indicavam de que quarto ela era, do outro lado tinha as iniciais do hospital e o endereço do mesmo bem pequeno embaixo. 

    - Algo me diz que esse é o quarto do seu alfa. - Ele falou jogando a chave para mim, peguei por instinto e a encarei, era incomum meu tio trazer coisas do hospital para casa. 

     Alguns documentos, talvez, se eles não forem muito importantes ou pessoais, mas uma chave de um quarto? Isso é muito estranho principalmente porque as portas desses quartos não ficam trancadas, pelo menos, normalmente não. 

    - E o que isso tem a a ver? - Questionei. - E ele não é meu alfa! Já disse! 

    - Tu é tonto de nascença ou fez curso? 

    - Não precisa ofender. - Disse virando o rosto e fazendo piquinho. 

    - Pega essa chave, troca de roupa e vai até ele burro! - Ele falou abrindo a porta e gesticulando para eu sair, por um momento me senti tentado a fazer isso mesmo mas logo retornei a realidade.

    - E-eu não posso. - Gaguejei jogando a chave pra ele se volta.

    - Mas você quer?

     - Meu tio nunca ia me perdoar. 

    - É claro que ele iria. - Vigente falou puxando minha mão e colocando novamente a chave na minha palma. - Sem falar, que ele nem tem que saber, vai lá, dá oi pro seu... "Amigo" e volta.

    - E se meu tio acordar? 

    - Eu fico aqui e te aviso se ele acordar, também posso dar um enrolada nele. - Ele falou sorrindo travesso, "E vou comer tudo o que tem na cozinha", completei mentalmente já sabendo como a cabeça dele pensa.  

    - Eu não sei não. - Digo hesitante. 

    - Vai logo que eu sei que tu se cochando pra ver ele. 

   - Não tô não! - Me defendi vermelho de vergonha.

   - Só cala a boca e vai lá. - Ele disse bufando. - Leva isso como um tipo de sei lá... Experiência. 

   - Experiência? - Perguntei confuso.

   - É. - Ele respondeu animado. - Faz assim, vai lá bate um papo com ele, vê no que dá. 

    - Vê no que dá? 

    - Isso, depois de conversar com ele talvez você entenda melhor o que sente por ele e pare de pensar tanto nele ou vir- 

    - Não ouse completar essa frase! - O interrompi envergonhado. 

    Ele não disse mais nada e continuou a apontar a porta com um sorriso convencido, sabia que tinha ganhado. 

    - Vou num pé e volto no outro. - Falei calçando um chinelo que tava na porta mesmo. 

    - Não vai trocar de roupa? - Vigente perguntou sorrindo. 

    - Por que trocaria? - Falei olhando minha roupa, calção moletom e regata confortável com uma gola fechada.

    - Bom tá, mas podia se vestir melhor pra se encontrar com seu futuro namorado. 

   - Idiota. - Falei saindo envergonhado. 

    Estava com o coração batendo forte, ansiedade subindo pelo meu estômago, estaca com medo ou com pressa para o encontrar? Não sabia dizer. 

    Saí correndo indo para o hospital, conhecendo meu tio não podia confiar que tinha muito tempo até ele acordar então tenho que ser rápido. 

                  ~Fim do Capítulo~

                      ~Contínua~



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