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História No Limite do Amor - Capítulo 7


Escrita por: Kaneki482412

Capítulo 7 - Capítulo 07: Uma tarde, Parte 1


Fanfic / Fanfiction No Limite do Amor - Capítulo 7 - Capítulo 07: Uma tarde, Parte 1

                   Eric 

     Tentava dormir me escondendo de baixo das cobertas. 

     Nos últimos dias é só isso que eu faço, tento dormir, porque, por mais que até nos sonhos eu não tenha paz relembrando daqueles malditos dias de prisão, ainda é melhor que quando eu estou acordado. 

    Achei que estava tudo bem com a notícia de meus pais naquele dia, mas acho que não foi bem assim, eu não senti raiva ou ódio, muito menos tristeza, foi só vazio. 

     Mas o pior é que fico me remoendo lembrando daquele frasco. 

    Toda a dor que eu senti, todo aquele tortura sem fim foi para simplesmente causar mais dor e sofrimento em outras pessoas. 

     Nesse exato momento alguém pode ter usado aquela droga, nesse exato momento alguém pode estar sofrendo por causa minha, e assim como eu culpo os malditos que me prenderam, essa pessoa pode me culpar também. 

    Talvez eu não tenho feito ele tomar a droga ou ter a criado, mas ele veio de mim, minha existência atestou a existência desse mau, é minha culpa. 

     Quando penso nisso simplesmente queria deixar de existir, "Se eu não tivesse nascido nada disso teria acontecido?". 

      Perguntei isso uma vez ao doutor mas ele não respondeu, apenas me encarou com pena com aqueles olhos cansados, isso também era minha culpa, ele tem ficado aposto pra me ajudar a qualquer momento, ao mesmo tempo que estuda a tal droga e atende os outros pacientes, há, e, até me deu aulas sobre o biologia do sistema a/b/o, confesso, essa parte foi meio vergonhosa, mesmo fingindo não prestar atenção não consegui evitar de me envergonhar quando entendi o que fiz com o Ian, e se eu tivesse o marcado naquele dia? Sorte que o Doutor e os seguranças chegaram a tempo. 

    Quase tive vontade de falar pro doutor mandar desculpas ao Ian por mim, mas fiquei ainda mais envergonhado

     Bem, e também tem o outro problema que eu causo.

   Basicamente quando eu não estou dormindo, tentendo dormir ou tendo aulas com o doutor, o tal maldito alfa interior está no controle, nem tento mais o controlar. 

     Até prefiro entregar o controle as vezes. 

     Nos primeiros dias ele aceitou com prazer, acho que até fiquei um dia e meio com ele no controle. 

    No dia seguinte o Doutor me repreendeu severamente mas depois suspirou e me deu mais uma aula sobre alfas, enfatizando que devem controlar suas personalidades interiores, nada discreto. 

      Mas agora acho que minha depressão passou para meu alfa interior, ele está ainda mais mal humorado que o normal e sem ânimo. 

     Agora mesmo chamando ele não parece com muita vontade de e aparecer. 

    Mas isso talvez tenho algo a ver com o fato de ter destruído o quarto umas 4 vezes, sempre o arrumavam rapidamente entre os surtos, ou com levar uns 5 taser quando tenta atacar os seguranças, mas por incrível que parece eles não estão tentando me ferir, na verdade, evitam isso ao máximo, só usando ou aumentando a força da arma de choque quando necessário, alguns deles tem armas e podem usar balas de borracha se quiserem, só que não usaram até agora. 

     De qualquer forma, o que eu sempre desejei agora é realidade, a fera que sempre queria causar a destruição está calma, então porque eu não estou feliz com isso?

    Escuto o barulho da fechadura da porta abrindo, não me dou ao trabalho de olhar para quem entra, não me importa. 

     Pelo menos até o aroma do visitante se espalhar pelo cômodo substituindo parcialmente o meu. 

     Me sento na cama rapidamente olhando para o ele. 

     Meu coração palpita e erra uma batida ao ver Ian sorrindo sem jeito para mim enquanto fecha a porta. 

    Quase não contenho o sorriso, mas me esforço em parecer indiferente. 

     - O que veio fazer aqui? - Perguntei o encarando inquisidor, mas interiormente queria sair correndo e o abraçar, dizer que senti saudades deles. 

     - E-eu queria falar com você. - Fala visivelmente surpreso com minha resposta amarga. 

     - Já falou. - Falei deitando de novo e me escondendo nas cobertas, meu peito aberta, mas não posso hesitar, se ele ficar aqui muito tempo posso perder o controle de novo. 

     - Você não me quer aqui? - "Sim! Quero muito!", Quase respondo quando ele perguntou magoado. 

      - Se não tem mais nada a dizer vai embora. - Por favor, vai logo, não quero te machucar. 

     O cômodo fuca em silêncio por um momento. 

     Escuto ele andar até a minha cama. 

     Depois se senta e eu me viro para o encarar suas costas. 

     - Eu... Fiquei preocupado. - Droga, será que ele podia só ir embora? Fica difícil ser indiferente e dói muito mais ser babaca. - Não vai falar nada? 

      - Não tenho nada para falar.

     - Entendi. 

     Mais uma vez ficamos em silêncio, mas mesmo assim podia saber que ele estava magoado, seu aroma o denunciava, foi bom aprender a entender os aromas de outras pessoas. 

     - Não vai embora? - Perguntei vendo ele dobrar um pouco as costas murchando. 

     - Você quer que eu vá? - Questionou hesitante.

     - Sim. - Afirmei, o tom da minha voz falhou um pouco, espero que não tenha percebido. 

     - Eu... - Ele tentou falar algo mas parou no meio. - Foi bom te ver. - Falou triste, meu peito abertou novamente, só que ainda conseguia, pelo menos até ele olhar para trás e eu ver seu rosto. 

      Ele sorria melancolico e tinha um olhar triste, mas seus olhos ainda brilhavam um pouco.

     Acho que foi o impulso do momento ou eu ter me segurado demais, mas quando ele tentou levantar eu agarrei seu pulso. 

      - Não vai. - Falei hesitante e ele me encarou por um momento confuso 

     Percebi o que fiz e me apressei a o soltar, uma hora o manda embora outra peço para ele ficar? O que ele vai pensar de mim? 

     - Esquece. - Falei o soltando. 

    - Você... - Ele começou a falar mas parou no meio, parecendo segurar o riso.

    - Que foi? - Perguntei indignado e ele rapidamente balançou as mãos em negativa tentando e falhando miseravelmente segurar o riso.

    - Desculpa, mas é que você pareceu uma criança emburrada. 

     - Criança emburrada? 

    - É! - Ele respondeu rindo um pouco. - Tipo quando brigam com os amiguinhos e querem atenção mas não querem admitir que querem atenção. - Ele explicou sorrindo e eu o olhei descrente, nos últimos dias fui tratado como um monstro e agora ele me chama de criança? 

    - Eu não pareço nada. - Falei irritado e ele parou de rir me encarando por um momento só para cair na gargalhada descontroladamente depois. 

    - Não, não, agora foi de propósito né? - Ele perguntou segurando a barriga de tanto rir. 

    Tentei ficar bravo com ele, tentei mesmo, mas no fim comecei a rir sem com ele. 

      Uns 2 minutos depois começamos a parar e ele se jogou na cama ambos tentando estabilizar a respiração. 

     - Você é muito fofo sabia?

     - Fofo? - Perguntei o olhando incrédulo e ele enrubeceu. 

    - Desculpa, não quis ofender, falei sem pensar. 

     - Não, não me ofendeu. - Me apressei a corrigir. - Mas é que... Fofo? Para me descrever? 

      - Tem algum problema? - Ele perguntou me olhando diretamente vi a luz aumentar em seus olhos. 

    - Normalmente não usam fofo para se referir a mim. - Falei sorrindo e o encarando, nem eu sei se era um sorriso de alegrei ou tristeza. - Está mais para monstruoso, sanguinário, feral e, nos últimos dias, depressivo e triste. - Desabafei irônico, mas pelo jeito não foi isso que Ian percebeu.  

     - Desculpa. 

    - Você gosta de se desculpar não é? - Questionei rindo.

     - Des- Ele se interrompeu quando eu o encarei levantando uma sombrancelha. - Acho que é costume mesmo. 

     - E não precisa se desculpar, é só um fato, todos tem medo de mim. 

      - Eu não tenho. - Ele falou e eu o encarei descrente de novo. 

     - Mentiroso. 

     - É verdade. 

     Em um movimento rápido fiquei em cima dele segurando as suas duas mãos e o imobilizando. 

    - E agora? - Perguntei o olhando bem no fundo dos olhos. 

     - Nada. - Ele afirmou nas não era verdade, tinha algo. 

    Seus olhos brilhavam ainda mais, e eu vi hesitação quando ele falou, mas não era medo, não, parecia algo diferente. 

    - Está mentindo de novo. - Falei ainda mais próximo de seu rosto, vi ele cortar um pouco e sorrir. 

    - Você está triste por não conseguir me assustar? - Ele perguntou se aproximando de mim e eu senti a sua respiração fazer cochegas em meu rosto. 

    Não avia percebido antes mas estávamos tão perto que podia sentir o batimento de seu coração vibrando por meu corpo. 

    Assim como podia sentir a pele pálida e macia de seus pulsos contra a minha. 

      Ele parece notar isso também, se silenciando e me olhando de um jeito estranho. 

     - Agora me conta. - Ele falou sem desviar o olhar do meu. - Porque você queria que eu fosse embora? 

     Eu queria que ele fosse embora? Nem consigo pensar nisso, na verdade, nem consigo pensar em nada direito enquanto encarava seus olhos hipnotizado. 

     - Não me queria por perto? - Ele falou se aproximando, seus lábios estavam perigosamente próximos aos meus, algo lá no fundo da minha mente dizia que devia me afastar, mas a voz parecia tão distante que mal ouvia. 

    Para minha surpresa, o ômega cortou a distância entre nossos lábios inciando um selinho calmo que quase instantaneamente eu correspondi, e o beijo evoluiu de um selinho calmo a algo selvagem.

     Minhas mãos escorregaram por seus pulsos até suas palmas e entrelacei nossos dedos por um momento, logo em seguida Ian desfez o contato, eu me apoiei no colchão e ele levou as mãos aos lados do meu rosto e me puxou para mais perto. 

     Não devia estar o beijando, não devia estar perto dele, mas sinceramente, estou cansado do que "devia" fazer. 

     Levei minhas mãos a sua cintura o puxando para perto e garrando forte a carne da região. 

    Em resposta ele soltou um gemido abafado pelo beijo e eu soltei um rosnado agarrando ainda mais forte o local. 

     Ele passou os braços pelo meu pescoço aproximando ainda mais nossos corpos. 

    Parecia tudo tão certo, tão bom, não pensava em nada que me atormenta, tudo que existia era eu e Ian. 

     Afastei nossos lábios desfazendo o beijo ouvindo uma reclamação em resposta, sorrir e ataquei o pescoço dele, distribuindo beijos e leves mordidas. 

     Ian aproveitou o momento para passar as mãos pelas minhas costas e puxar minhas costas.

    Um momento depois ele me puxou e olhou nos meus olhos de novo.

     Quis falar alguma coisa mas ele selou novamente nossos lábios, agora invadindo minha boca com sua língua. 

       Ele parecia faminto, ou melhor insaciável.

     Me senti perdendo os sentidos, poderia perder a razão a qualquer momento, e o que veria depois só Deus sabe. 

     Mas foi quando minhas mãos iam entrar em sua camisa, e ele nem se incomodou, não, pareceu que ele queria, foi aí que eu tomei um choque de realidade. 

     Rapidamente afastei nossos corpos desfazendo o beijo a contra gosto do ômega. 

      Nós olhamos com a respiração desregulada e corados até eu conseguir falar de novo. 

     - Porra... Isso foi inesperado. 

    - Foi bom. - Ele falou sorrindo corado e acho que eu também corei, isso eram os instintos dos alfas? - Ah, Eric. - Ele chamou minha atenção ainda mais envergonhado e me tirou do transe. 

    - Que? - Perguntei confuso e ele só se envergonhou mais e apontou para baixo. 

    Demorou uma minuto para processar a informação, mas um segundo depois entendi o que ele estava apontando e fiquei mais vermelho que um tomate me apressando a sair de cima dele, deitar na cama e puxar a coberta para esconder o probleminha dos países baixo, não consegui nem olhar em seu rosto assim como ele não olhou no meu.

     - Isso é uma reação natural. - Ian falou sem me encarar, tentando arranhar uma desculpa ou me confortar.

    - É. - Confirmei envergonhado.

    - Não é nada demais. 

     - Sim. - Afirmei forçando um sorriso.

      - São os instintos. 

     - Claro.

     Ficou um clima estranho, sem nenhum de nós o encarar, até que tomei coragem e olhei para ele e ele olhou para mim, depois simplesmente começamos a rir. 

      Rimos até ficarmos sem ar e nossa barriga doer. 

     Provavelmente isso não foi uma boa ideia, eu podia ter perdido o controle de novo, podia ter machucado ele, mas por um momento, eu esqueci tudo, esqueci meus problemas, esqueci a pressão bem meu peito, esqueci a tristeza, tudo pareceu tão... Leve, tão certo, tão bom, só que não podia me apegar a isso, logo tenho que voltar a realidade. 

     - Porque essa cara? - Questionou ainda meio sem ar.

     - Que cara? - Rebati levantando uma sombrancelha.

     - Sei lá, tristeza ou algo assim. - Ele respondeu confuso.

      - Tô, voltando a realidade. 

     - Que realidade? 

     - A que eu sou o monstro e você não aqui.

     - Parece triste. - Ele falou se ajeitando na cama. 

     - E é. - Respondi sorrindo amargo. 

     - Então por que você fica nessa realidade? 

    - Porque é a verdade. 

     - Mas eu estou bem aqui e você não é um monstro. 

     - Corrigindo, você está aqui por enquanto, e eu não sou um monstro por enquanto. - Falei sem nenhuma emoção, apenas apontando os fatos. 

      Ian não respondeu mais, só se aproximiu de mim e me convidou para um abraço. 

    Hesitei, mas ele pareceu tão confiante que não pude negar. 

     O abracei e me aconcheguei em seu peito aproveitando seu aroma enquanto fechava os olhos, e ele só riu da cena, era realmente algo engraçado, principalmente por ele ser mais baixo que eu então eu tinha que me abaixar para o abraçar nessa posição. 

      E também acho que me aconchegar em seu peito tenha sido meio infantil e isso somado a nossa conversa de antes...

    Tá, talvez, só talvez eu pareça uma criança as vezes, mas não me importo, apenas quero aproveitar o calor do corpo dele, seu aroma, ele fazendo carinho em meus cabelos, e o sono reconfortante que me alcançava.  

                ~Fim do capítulo~

                     ~Continua~



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