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História No Limite do Sentimento - Capítulo 20


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Notas do Autor


oii, gente! voltei! sentiram falta da nossa paola doidinha?
alguns adendos:
se puderem, leiam ouvindo a música "coisas que eu sei". link: https://youtu.be/cpzzZOi7a0s
a música decorre conforme a paola vai pensando.
é isto. boa leitura! ❤

Capítulo 20 - Coisas que eu não sei


5 meses depois 

A porta do quarto bateu.

Um estouro no ambiente do quarto vazio.

Maria, no andar de baixo, fez o sinal da cruz.

Paola...

A chave por trás da imensidão daquele quarto branco girou. Duas vezes. Estava trancada. 

Paola acabara de chegar em casa.

Tic tac tic tac tic tac no relógio de parede.

O silêncio naquele cômodo era tão profundo que era possível ouvir os ponteiros marcando as horas.

Tic tac.

Paola olhou para o relógio. Marcava 22 horas.

Resolveu colocar seu lado obcecado por trabalho em prática e saiu tarde do fórum.

Tic tac.

Relógio infernal.

Ela foi em passos lentos até onde estava sua caixinha de som. Ligou seu celular, conectou o bluetooth no aparelho e entrou em sua playlist.

Deu de cara com a música certa. Teria outra melhor?

Talvez os celulares sejam capazes de ler pensamentos.

Quem nunca se pegou pensando em comprar algo e depois que entrou numa rede social deu de cara com uma oferta daquele produto?

Estamos sendo espionados?

A juíza fitou mais uma vez a música perfeita. Levantou sua cabeça, mirou o teto, fechou os olhos e respirou tão fundo como se precisasse de todo oxigênio naquele momento. Abaixou a cabeça e com o dedo indicador clicou no som escolhido:

“Coisas que Eu Sei”, de Danni Carlos.

– Oh, Danni Carlos. Te pago uma bebida por me fazer um espelho em forma de música. Podemos sair qualquer dia? - Paola disse para si mesma enquanto bloqueava o seu celular. Deixou o aparelho em cima da cômoda e foi pegar uma garrafa de vinho. -

Somente a garrafa.

Naquele momento, não se fazia necessário taça.

Ela queria tomar vinho até se embriagar. 

A música começou a tocar e tapou o barulho irritante do relógio.

“Eu quero ficar perto de tudo que acho certo

Até o dia em que eu mudar de opinião”  

— Ah, vida...

Paola tirou seu salto alto com a garrafa em mãos.

Apoiou a garrafa de vinho ao lado do celular enquanto tirava sua roupa do árduo dia de trabalho.

Ficou somente de lingerie. Voltou a pegar a bebida, abriu-a e se sentou no chão apoiando as costas na porta. 

Sua mente estava fritando. Papéis, papéis e mais papéis. Casos que pareciam impossíveis. E Henrique. Seu quase brinquedo que naquela noite ela já tinha enjoado. 

— Sou a melhor juíza de São Paulo.

“A minha experiência meu pacto com a ciência

Meu conhecimento é minha distração”

— A mais estudada. Tem como alguém competir racionalmente comigo e vencer? 

Estudei tanto que cheguei a ficar obcecada

— Meus títulos me permitiram contatos que nem todos os juízes têm.

“Coisas que eu sei

Eu adivinho sem ninguém ter me contado

Coisas que eu sei”

— Sim, Danni Carlos. Coisas que somente eu sei. É bom eu ter controle de tanta coisa. Mas eu gostaria de ter do tempo. Por que não me é permitido? 

“O meu rádio relógio mostra o tempo errado, aperte o play”

— Vivo neste mundo e estou neste quarto. Mas tenho a sensação de nunca estar aqui. Tempo. Você está errado. Passou tão rápido para mim, enquanto para outras pessoas foi como se fosse uma eternidade. Você é relativo, tempo. Tempo, tempo, tempo. É o senhor de tudo. Mas eu gosto de ser minha própria senhora.

“Eu gosto do meu quarto do meu desarrumado

Ninguém sabe mexer na minha confusão

É o meu ponto de vista, não aceito turistas

Meu mundo tá fechado pra visitação”

— Meu mundo não é o que habito. Ou o mundo que 7 bilhões de pessoas dizem habitar. Bizarro, não? Chamam-no de planeta terra. Mas cada um o vê da maneira que prefere e deveria poder chamá-lo do jeito que prefere. Eu mesma, ao invés de viver aqui e dizer que sou terráquea, afirmo que meu mundo existe somente na minha mente. Meu mundo individual que eu nem mesma entendo.

Paola esticou suas pernas enquanto levava a garrafa de vinho à boca e remexia seu corpo conforme a batida da música. 

“Coisas que eu sei

O medo mora perto das ideias loucas

Coisas que eu sei”

— Não sou normal. Mas quem é? E que graça teria? Ser louco é o normal. 

A argentina largou a bebida ao seu lado no chão e passou suas mãos pelo rosto.

— Minha mãe era louca e isso a levou pra sempre pra longe de mim.

Uma lágrima escorreu pelos olhos dela.

— Não posso culpá-la. Sim, ela era louca. E a sociedade condena a loucura. 

Ah, mamá.

As lágrimas de Paola começavam a escorrer pretas. A maquiagem havia borrado. Sua máscara de cílios estava indo embora nas lágrimas que começou a cair compulsivamente dos seus olhos. O batom vermelho já havia saído da sua boca. 

“Se eu for eu vou assim não vou trocar de roupa

É minha lei”

Ela esticou para pegar seu celular. Não se sabe com que forças ela conseguiu tirar uma selfie para mandar para Fogaça. 

— Me sinto tão dona de mim. Mas eu queria deixar de ser um pouco. Deixar alguém opinar. 

Ela riu enquanto as lágrimas insistiam em descer.

— Olha essa merda que você está falando, Paola. - ela dizia pra si mesma - É você e parece que sempre será somente você. Você não sabe amar. Nunca soube. Você não é capaz de amar.

“Eu corto os meus dobrados acerto os meus pecados

Ninguém pergunta mais depois que eu já paguei

Eu vejo o filme em pausas, eu imagino casas

Depois eu já nem lembro do que eu desenhei”

— Tenho a sensação de, às vezes, ser levada para um mundo paralelo. É como se eu saísse de mim. Faço mil e uma coisas e mesmo que eu queira não posso evitar. Estou mais louca do que imaginei? E por que as pessoas fingem que minha loucura não existe?

“Coisas que eu sei

Não guardo mais agendas no meu celular

Coisas que eu sei

Eu compro aparelhos que eu não sei usar

Eu já comprei”

— Cansada de tentar me inserir nesta geração tecnológica. A compulsão em comprar me faz gastar com coisas que não preciso.

Paola tomou mais um gole do vinho tinto. 

— Por que ninguém me segura?

“As vezes dá preguiça na areia movediça

Quanto mais eu mexo mais afundo em mim

Eu moro num cenário do lado imaginário

Eu entro e saio sempre quando 'tô afim”

— Estou me perdendo em mim.

Desta vez, ela esbarrou na garrafa e a virou, sem querer, por cima de si. Mas ignorou. 

— Mentira. Já estou perdida faz muito tempo. Na verdade, acho que nunca me encontrei.

Seus olhos estavam perdidos pelo quarto. Ela fitava o nada. Seu coração estava acelerado e parecia partido em mil pedaços. Uma dor que ela não sabia explicar tomou conta do seu ser.

— Não posso mais tentar me encontrar. Quanto mais faço isso, mais me perco em mim mesma...

Ela falava parecendo que estava indo além das suas forças.

— Quem eu sou não sei mais. Mamá, papá, abuelita... vocês já souberam quem sou? 

Paola apoiou suas mãos em seus joelhos.

— Maria mal pode com ela mesma. Ela também não sabe quem sou.

Os soluços começavam a se fazer presentes. A argentina se levantou e caminhou em direção ao banheiro.

~

O barulho da notificação no celular.

Era dela. Ele sabia que era dela antes mesmo de olhar. Havia colocado um barulho especial para as mensagens da sua deusa argentina. 

Henrique largou seu copo de refrigerante em cima da mesa de centro da sala de estar e pegou o aparelho. 

Era uma foto. 

Minha Juíza 🤟🏻:

Foto

Usando o face ID, ele desbloqueou o celular. A foto já havia baixado. Era ela na imagem. 

Fogaça abriu a foto com seu cenho franzido. Ela estava estranha. Ele sabia que ela estava. Seu semblante estava anormal. Ele poderia não conhecer Paola completamente, mas sabe reconhecer os trejeitos dela.

Deu zoom na foto.

O batom borrado. 

Os olhos pretos possivelmente por causa da maquiagem que havia escorrido.

A maquiagem que havia escorrido com o choro dela.

O cabelo desgrenhado.

Os olhos quase cerrados praticamente implorando por ajuda.

Uma garrafa de vinho que já havia sido tomada mais da metade.

Porra, Paola!

Os dedos do advogado começaram a digitar freneticamente após analisar os detalhes da foto:

"Paola, vc tá bem?"

Nenhuma resposta.

"Caralho Paola fala comigo vei"

Nada. 

"Eu posso ir aí te ver?"

5 minutos depois. Mais nenhum barulho no celular.

"Tô indo abre a porta pra mim" 

Fogaça pegou a chave da moto e saiu de casa o mais rápido que pôde. Por ser tarde, o trânsito estava colaborando com ele. 

Estacionou sua moto e bateu na porta. Uma música alta tomava conta do ambiente. Henrique olhou para cima e viu que a porta da varanda estava aberta.

Alguns segundos depois, a porta principal se abriu. Era Maria. Ela sorriu gentil para ele.

— Oi, seu Henrique. Pode entrar.

— Oi, Maria. Valeu.

A senhora deu espaço e Henrique parou na sala. 

A música parecia estar mais alta ainda.

— Posso ir falar com a Paola? Ela me mandou uma foto... não parece tá muito bem.

Maria se aproximou do homem e segurou em seus ombros. 

— Acho melhor não, seu Henrique. Eu conheço a dona Paola. Ela entrou aqui hoje como um furacão, só pediu pra não ser incomodada e subiu pro quarto.

— Maria, você não tá entendendo. Preciso ver ela. Ela me assusta e me preocupa. Porra, cada dia ela faz algo diferente e tá cada vez mais estranha. 

Maria se sentou no sofá e pegou seu chá. 

— Você está há meses convivendo com a Paola e não a entendeu ainda? Ela é assim. Ela tem um mundo particular dela. O humor dela é completamente instável. Eu peço que você não tente entender o que acontece com ela ou você vai ter que fugir.

Henrique engoliu seco. Ele não sabia o que falar.

— Beleza... - ele olhou ao redor pensativo. - Vou indo, então. Preciso acordar cedão pra trabalhar. Diz pra Paola que mandei um beijo pra ela. Obrigada, Maria.

— Disponha, seu Henrique. Eu só quero pedir pra você não desistir dela, tá? Apesar de não demonstrar muito, ela gosta de você. 

— Eu sei disso. Não vou desistir. 

O advogado sorriu para a senhora enquanto saía de casa. Voltou a pegar a sua moto, ligou-a e começou a dirigir pelas ruas quase vazias de São Paulo. Pegou um rumo diferente e foi extravasar. Descontar toda sua preocupação com Paola e a frustração dela não dar a mínima abertura.

Pegou uma rua deserta e acelerou. O vento frio batia contra sua pele fazendo-o se sentir mais vivo.

Os últimos 5 meses acrescentaram na relação de Paola e Fogaça. Eles estava mais próximos. Não era só transa. Haviam virado amigos, pelo menos da parte dele. Mas Paola não dizia. Paola nunca dizia o que eles eram. Ele apenas obedecia o que ela queria no tempo dela. Se ela estava estranha e ele via que não era o momento para se chegar, ficava longe. Mas quando ela chamava, ele ia rápido. Às vezes, se sentia usado. E era mesmo. Ele tentava se distanciar, fazer birra com ela, mas não conseguia. Ela simplesmente parecia não ligar e ele se cansava. Voltava do ponto de partida.

Ele presenciou alguns momentos estranhos dela, onde parecia que ela simplesmente saía de órbita e ia para um mundo interno.

Mas e se fosse coisa da sua cabeça?

Ele não saberia enquanto não ouvisse da boca dela. 

Mas não negava que já havia procurado saber. Maria não dizia uma palavra sobre, então teve que apelar para os funcionários do fórum. 

Falou com todos possíveis e somente obtia as mesmas respostas: ela não tem amigos. Quando é convidada pra sair, normalmente recusa. É viciada em trabalho. Sabe tudo sobre a profissão. 

Pelo menos depois de descobrir todas essas informações, Fogaça soube que o modo de agir da argentina não era nada pessoal com ele. É quem ela é. Mas... 

Quem ela é? O que ela é? O que ela tem?!

Essas dúvidas estavam deixando Fogaça obcecado. 

Qual é o problema da vez? Por que ela estava naquele estado na foto?

Respira, Fogaça. Respira. 

Acelera a moto.

Ela é só alguém com personalidade forte. Ela se faz de durona, mas não é. 

Há tantas pessoas no mundo. Seria um porre se todas fossem iguais. 

Paola é só mais um ser único. 

Mas eu não sei quem ela é. 

Eu preciso saber o que ela é. 

Quem realmente é a Paola Carosella que convivo?!


Notas Finais


o que rolou com a paola agora?


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