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História No Limite do Sentimento - Capítulo 22


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Notas do Autor


Olá. :)

Capítulo 22 - Flashbacks - parte 2


— Sabe o dia que encontramos aquele homem que você trabalhava pra ele?


— Quem? O Borges?

— Sí. É que ele agiu estranho com a gente.

— Talvez seja só impressão. Ele mudou depois que perdeu quase tudo.

— Como assim? Que eu me lembre, ele só perdeu aquela ação e foi obrigado a pagar pensão justa.

— Sim, mas depois disso ele tentou voltar pra mulher e ela não quis. Aí começou a beber muito e jogar. A sorte foi que em um lapso de consciência ele resolveu abrir uma rede de supermercados com o que sobrou e tá se reerguendo.

Três meses antes.

3° flashback


— Acorda, Henrique! Já são 10 horas da manhã e precisamos ir ao supermercado.

— Humm, vai sozinha. Te espero aqui pra almoçarmos juntos.

— Nada disso. Ontem combinamos de fazer compras pra esse lugar. Você só come porcaria.

— Porra, que saco!

Paola puxou a coberta que cobria Henrique, deixando-o chateado. Ele se levantou da cama e foi até o banheiro para tomar um banho.

Quando voltou já vestido, Paola estava de frente ao espelho que havia na porta do roupeiro dele. Vestia apenas uma calcinha vermelha e segurava um vestido longo nude em frente ao seu corpo tentando decidir se usaria mesmo aquele.

Foi surpreendida por ele que a abraçou por trás colocando a mão na sua cintura e com a outra livre apalpou os seus seios.

Henrique destribuiu beijos pelo ombro de Paola e ela arqueou a cabeça para trás dando passagem para ele beijar o seu pescoço.

— Pra quem estava irritado há alguns minutos, você mudou rápido de humor. - ela disse voltando a encará-lo através do espelho.

— Não tem como ficar de mau humor te vendo assim no meu quarto a essa hora da manhã.

— Que bom, ahora me solta. Deixa eu me vestir para irmos logo.

Enquanto Paola se arrumava, era observada pelos olhares atentos de Henrique que estava sentado na cama a esperando.

— Qué passa?

— Han? Quê?

— Por que cê me olha tanto, hombre?

— Cê é louco. Tava admirando cê se arrumar.

— Mas eu só vesti um vestido e tô fazendo um rabo de cavalo no cabelo, nada demais.

— Cê é linda toda produzida cheia daquelas paradas de pintar a cara e roupas da hora, mas consegue ser igualmente linda natural assim.

— Por que isso agora? Parece que tú andas lendo muito romance, hein?!

— Por nada, ué. Só tava pensando isso aqui e falei. Ainda não sei como consegui que uma mulher tão foda como você se apaixonasse por mim.

— Quem disse isso? - falou divertida

Ela se virou indo em direção à cama, o puxou pela mão, colou seus corpos e depositou um selinho em sua boca.

— Porra, isso quer dizer que ainda não atingi meu objetivo?

— Vou deixar ficar subentendido. Ahora precisamos ir, vem.

Foram direto para o supermercado. Ao chegar lá, pegaram um carrinho e saíram andando lado a lado pelos corredores escolhendo o que iam levar. Pareciam um casal – na verdade eles eram, só não tinham se dado conta ainda.

Distraídos com a conversa, não viram dois homens em sua frente conversando e o carrinho bateu levemente na perna de um.

— Foi mal aê, mano.

Quando o homem se virou, deu de cara com alguém um tanto familiar.

— Olha só quem é. O meu ex advogado e a namoradinha juíza dele fazendo compras. Eu sempre suspeitei do envolvimento de vocês.

— Quem é esse, Henrique? Acho que conheço, mas no lembro bem.

— É aquele...

— Deixe que eu me apresento, Fogaça. Bom, sou aquele que perdi uma ação para a ex-mulher, porque o Fogaça resolveu comer a juíza e não fez o serviço bem.

— Ah, lembrei. Aquele idiota, um tal de Borges que tinha muitas posses e estava pagando o Henrique para ocultar isso. Uma pena pra vocês dois que essa tática não deu certo. Vamos, Henrique.

Ela tentou passar por ele com o carrinho de compras e sentiu a mão de Borges segurar seu braço, mas antes que ele pudesse falar alguma coisa, ela se soltou bruscamente e Henrique o alertou.

— Nunca mais toque nela, não lembro de cê ter essa liberdade.

— Não se preocupe, já soltei ela. Cuidado por onde andam... e até breve.

Henrique e Paola notaram o tom de ironia nas palavras do homem, mas resolveram não revidar e saíram dali indo em direção a outro corredor.

Flashback off

Ainda deitados, tentavam entender o que tinha acontecido ao certo naquele dia.

— Aquele cara é doido, nada a ver aquela ceninha.

— Culpa do senhor que estava ajudando aquele cara de pau a ocultar o que não devia.

— Mas cê descobriu e ficou tudo certo. - ele falou e deu uma risada

— Engraçadinho.

Já se passava da meia noite e Henrique chamou Paola para dormir, mas ela disse que estava adorando relembrar como foi estes últimos 5 meses em que se aproximaram tanto.

2 meses antes.


4° flashback


Em mais uma manhã fria de São Paulo, Paola acordou com o barulho do despertador e levantou indo em direção ao banheiro para fazer sua higiene matinal, se arrumar e ir trabalhar.

Antes de sair do quarto, chamou Henrique que estava dormindo pesadamente em sua cama e disse que já estava de saída. Ele entreabriu os olhos e fez menção de levantar, mas foi impedido.

— Pode ficar aí dormindo. Eu tenho que trabalhar, mas você tá de folga. Aproveita, tem algumas coisas suas aqui, então depois toma um banho e desce pra tomar café. A Maria vai preparar algo pra você.

— Tá bom, tenha um bom dia, amor.

Deram um selinho e ela reforçou o quanto achava chato quando ele a chamava daquela maneira – "amor"–, mas nunca pediu que ele parasse.

Ultimamente eles estavam dormindo frequentemente na casa um do outro e inevitavelmente tinha coisas dos dois em suas casas.

Alguns minutos após Paola sair de casa, Henrique se levantou. Fez sua higiene matinal da forma mais demorada possível e saiu do quarto. Tomou o café que Maria preparou para ele e foi resolver alguns assuntos pendentes.

...

Quando o expediente de Paola terminou, pegou seu carro e voltou direto pra casa.

– Boa noite, Paola.

– Boa noite, Maria. O Henrique tá no meu quarto?

– Não. Ele saiu logo depois de tomar café e disse que voltava pra janta.

– Pra janta?! Que cara folgado! Ele deve estar pensando que você tem que fazer serviços pra ele também.

– Ah, Paola, não me importo. O seu Henrique é muito bonzinho, sabe?

– Puxa-saco. – a juíza revirou os olhos –. Vou tomar banho. Quando ele chegar, diz que tô no meu quarto.

Maria assentiu e Paola subiu as escadas. Quando entrou em seu quarto, viu uma toalha molhada de Fogaça em cima da cama.

– Mas que porra! O Henrique tem 15 anos agora?! – ela pegou a toalha e a estendeu na varanda.

Quando abriu uma das suas gavetas de roupas íntimas, viu meias dele misturadas. Algumas aparentemente usadas, das noites em que ele tirava pra transar com ela e aparentemente jogava ali, e outros pares limpos.

– No acredito... porra, Fogaça!

Ela pegou uma calcinha qualquer e entrou em seu banheiro.

Ela podia jurar que estrangularia Henrique quando o visse.

Um furacão parecia ter passado ali e tinha nome e sobrenome. As roupas sujas dele estavam espalhadas pelo chão; pasta de dentes aberta; escova de dentes em cima da pia; cesto de roupa suja lotado; tapete do banheiro molhado; tampa do vaso sanitário aberto e sujo de urina.

– Se ele pensa que sou a mãe dele e vou limpar toda essa bagunça, está muito errado.

Paola respirou fundo uma, duas, três vezes.

Tomou um banho rápido. Quando terminou, se enrolou na toalha e ouviu a porta abrindo.

– Lindinha? - Fogaça gritou.

A argentina saiu do banheiro com a expressão mais irônica possível em seu rosto. Braços cruzados, olhos cerrados.

– Ah, cê tá aí. Oi.

– Oi, Fogaça.

– Tudo bem?

– Você está carente, precisando de uma mãe ou algo do tipo?

– Hmm, não que eu saiba. Aconteceu alguma coisa?

– Aconteceu! Porra, Henrique! Você acha que aqui é a casa da mãe Joana? Que você tem alguma empregada?! A Maria no tem obrigação nenhuma de limpar a SUA bagunça. - ela apontou o dedo indicador pra ele, enquanto com a outra mão segurava a toalha.

– Paola, foi mal... pode ser mais clara?

– Como a luz do dia! Toalha molhada em cima da cama, meias suas na minha gaveta, o banheiro aquela zona!

– Caralho, que vacilo. Eu saí correndo e nem me liguei de limpar nada. Desculpa. Cadê a toalha?

– Já estendi. Agora vai limpar a nojeira que tá o banheiro.

– Tô indo.

Paola deu espaço e Henrique entrou no banheiro. Após limpar tudo, voltou pro quarto com o cesto de roupas nas mãos. Viu uma juíza de óculos, deitada com uma camisola de seda vermelha decotada, lendo um livro com muita atenção. Ela o olhou de relance.

– Gata pra caraio, hein?!

– Leva isso logo e não tira o pouco de paciência que me resta. Tô de saco cheio de você.

– Tô indo.

Depois de finalizar a organização de tudo que havia bagunçado, se deitou ao lado de Paola.

– Você não cansa, Paola? - ele disse após ver que o livro de tratava de Direito.

– Do quê? - ela murmurou sem tirar os olhos do livro.

– De só pensar em trabalho?

– Não penso só em trabalho.

– Seu expediente já acabou e você continua estudando.

– Estudar nunca é demais. - ela retirou os óculos e o olhou. – O que você quer?

– Quero sua atenção. - Henrique beijou o pescoço dela.

– Ainda tô puta da vida com você. Você sabe que não suporto desorganização. - Paola bufou.

– Caralho, Paola! Como você é insistente. Já pedi desculpas e organizei tudo.

– Caralho digo eu, Henrique! Você sabe como desorganização me incomoda, ainda mais na minha casa e principalmente no meu quarto.

– Foi mal, ok? Não vai se repetir.

– Foi péssimo, mas te desculpo.

– Você não tá vendo?

– Não, tô sem óculos.

– Não é disso que tô falando, meu. Essa briguinha parece de casal.

– Nem tudo o que parece é.

– Vai se foder, Paola.

– Vem você me foder.

– Com todo prazer.

Flashback off

– Você é chata pá carai...

– Sou chata por não suportar você fazendo bagunça? Menos, Fogaça.

– Talvez não seja chata e sim exagerada.

– Só quero manter as coisas em ordem.

– Eu sei, lindinha, eu sei. Mas pelo menos mês passado depois disso você me deu um canto pra guardar as minhas coisas.

Algumas semanas atrás. 


5⁰ flashback


1 semana depois da pequena discussão que tiveram, estavam saindo do fórum juntos.

– Seu carro ou o meu?

– O seu. Vamos passar na sua casa.

– Vamos? Cê disse que a Maria tá fazendo uma janta pra gente, não podemos deixar ela na mão.

– Eu sé, Henrique. Fui eu que te falei. Mas no discute comigo e vamos logo.

– A madame que manda.

Os dois entraram no carro de Fogaça e ele começou a dirigir tranquilamente. Os ouvidos de Paola quase estouravam com o rock pesado que ele havia colocado no rádio, mas achava graça do balançado dele conforme o ritmo da música.

– Acelera, Fogaça!

– Não sei se você percebeu, mas o trânsito de São Paulo é trancado pra caralho. Se você quiser que eu passe por cima dos carros, posso tentar. Tudo por você.

– Nossa, você é um traste. Quem fala ironias aqui sou eu, no você.

– Aprendi com a melhor professora.

Henrique riu quando ela revirou os olhos, mas não se aguentou e gargalhou.

Foram o restante do caminho conversando sobre coisas aleatórias e brigando de vez em quando para escolher a música.

Quando chegaram, o advogado estacionou o carro.

– Vem.

– No, vou esperar aqui.

– Sério? Mas eu nem sei por que viemos aqui. Qual é a sua?

– É pra você pegar algumas coisas suas. O básico mesmo, sabe? Camiseta, calça, bermuda, cueca...

– Vamos viajar e não tô sabendo?

– No bamos, infelizmente. Depois você vai saber por que tô te pedindo isso. Só pega.

– Beleza.

Henrique entrou em casa e pegou algumas peças, conforme Paola tinha pedido. Colocou tudo numa pequena mala de mão e voltou em menos de 20 minutos.

– Bom menino.

– Cê me faz de gato e sapato, né, argentina safada?

– Você gosta.

– Pra caralho.

Mais alguns minutos e chegaram à casa de Paola. Na sala, dava pra sentir o cheiro gostoso que vinha da cozinha. Maria preparava um stroganoff com cogumelos no capricho pra eles.

– Oi, casal. A comida já tá quase pronta. Vão comer agora ou tomar banho primeiro? Recomendo comer agora pra não esfriar.

– Menos, Maria. Se é assim, vamos comer agora.

– Agora, Maria. – disse Fogaça.

— Tá certo. Mais 5 minutinhos e tá pronto.

– Beleza. Valeu. - Henrique falou e a senhora deixou a sala com um sorriso no rosto. – Cê deveria pegar mais leve com ela, Paola.

– No tente me ensinar a como tratar as pessoas.

– Tá, né...

Henrique deu de ombros e preferiu não falar mais nada. Sabia que Paola não gosta de ser contrariada e queria evitar qualquer tipo de clima ruim.

Poucos minutos depois, Maria apareceu trazendo uma panela quente e colocou sobre a mesa. Foi para a cozinha e voltou até trazer tudo o que havia preparado.

– Bom jantar!

– Valeu. Não vai comer com a gente? - Henrique falou.

– Não, meu filho. Fui provando enquanto fazia e tô sem fome. Aproveitem!

– Tendi. Boa noite pra senhora.

– Boa noite, Maria. - Paola disse.

– Boa noite. Se divirtam. - a senhora sorriu gentil e logo se retirou.

Paola e Fogaça se sentaram à mesa e se serviram.

– Tá gostoso pra caralho isso daqui! É como se eu estivesse comendo a comida da minha avó.

– A Maria tem mãos de fada mesmo.

– Eu como tanta besteira por causa do horário corrido. É muito bom comer algo assim de vez em quando.

– Sí, eu te entendo. - Paola falou e sorriu de maneira suave.

Eles estavam sentados de frente um para o outro. Henrique estendeu a mão e acariciou os dedos da argentina, que fez menção em retirar a mão, mas foi repreendida pelo olhar de Henrique e permaneceu ali por alguns segundos.

– Hmm, como foi aquela audiência de hoje que você me contou que era importante? - Ela falou e o clima foi cortado. Fogaça tirou a mão dos dedos dela.

– Foi foda. Ficamos muitas horas na sala e ainda não houve um consenso. Foi marcada pra outro dia.

– Tendi. Tô torcendo por você.

– Obrigado, lindinha. Era mais prazeroso passar tantas horas na sala de audiência olhando pra você do que pra aquele cara feio que tenho que trabalhar agora.

– Você prefere só me olhar ou me ter na sua cama? Você sabe que no podemos trabalhar juntos.

– A segunda opção, lógico. - ele riu – Tô curioso... por que você quis que eu pegasse as roupas? - ele disse enquanto raspava o prato de comida.

– No é pra nada demais. Vou te mostrar, vem. - ela se levantou após limpar a boca com um guardanapo.

Henrique foi atrás dela e entraram no quarto de Paola. Ela abriu algumas gavetas vazias que havia separado pra ele.

– Pra isso. Essas gavetas são suas a partir de ahora enquanto você frequentar a minha casa. Pode fazer a bagunça que quiser nelas, só não mexe nas minhas coisas, ok?

— Ca-caralho... ok, entendi. Acho que demos um salto na nossa relação, hein?!

– No faz eu mudar de ideia.

– Não vou fazer.

Ele se aproximou dela e a puxou pela cintura. Alternou o olhar entre a boca e os olhos dela.

– Você é tão linda... e tudo com você é tão mais foda.

– Obrigada, corazón.

– Você quer namorar comigo, Paola?

– Desculpa, acho que no entendi direito. - ela se afastou dele.

– Namorar. Darmos um nome para o que somos. Usarmos um anel de compromisso...

– Eu... eu preciso pensar, Fogaça. De verdade. No posso te dar uma resposta agora.

– No seu tempo. - ele foi até ela e lhe deu um selinho.

– Gracias. Vou tomar um banho ahora.

– O que acha de tomarmos juntos?

– Perfeito.

Flashback off.

– Tô até agora esperando você aceitar o pedido...

– Como você sabe que vou aceitar? Se toca, Fogaça.

– Eu tenho certeza.

– No tenha. A solicitação ainda está em análise.

– Você é o ser mais chato, implicante e debochado que eu conheço, Paola Carosella. E mesmo assim não sei mais viver sem você.

– Obrigada pelos elogios. Ahora quero dormir. Boa noite, Henrique.

– Boa noite, Paolinha. - ele beijou o cabelo dela e em seguida ela adormeceu deitada no peitoral dele e ele só conseguia pensar que ela é a figura mais linda que seus olhos já viram.

Os últimos 5 meses deram uma virada de 180 graus na relação deles. Cada detalhe de cada momento era importante para o crescimento deles juntos. Não estavam ainda no nível que Henrique desejava, mas estavam mais à frente do que pensara conseguir.



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