História No Mesmo Time - Capítulo 3


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Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Kai, Personagens Originais, Sehun, Taeyeon
Tags Basquete, Chanhun, Colegial, Exo, Sechan, Seyeol, Slight!kaisoo
Visualizações 31
Palavras 4.615
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Esporte, Ficção Adolescente, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Eu quase ia criando uma outra história e postando o capítulo nela. Cuidado com a burra.
Hoje não tem muito o que falar sjkana.
Obrigada mais uma vez à @mrsmanuvilhosa por estar betando a história e a todos que estão acompanhando.
Espero que gostem e boa leitura!

Capítulo 3 - O (nem tão) sumiço de Kai


Todo ser humano já deve ter soltado um palavrão, mesmo que sem querer. O palavrão é uma maneira de expressar, muito forte para uns, normal para outros.

Uma situação muito comum para se falar palavrões é o momento de raiva, frustração, e é exatamente por isso pelo que estou passando.

Mas como eu não quero começar isso aqui com os palavrões que pensei durante a partida de basquete na aula de educação física, porque seriam muitos e, sei lá, vai que eu sou taxado como mal educado, quero que você aí insira todos os palavrões possíveis que você conhece e multiplica por dez que ainda vai dar pouco.

Aí você me pergunta:

“Nossa, Christopher, pra que tanta agressividade?”

E eu te respondo:

“Deu empate.”

 Deu empate aquele caralho de partida! 4×4.

Vocês entendem o quão frustrante é um empate? Tá que eu poderia ter perdido, mas quando há um empate, mostra que tanto sua equipe quanto a outra são do mesmo nível. Sendo assim, você não poderá ganhar e saborear o doce sabor da vitória.

Logan me encheu o saco depois da aula, falando coisas do tipo “mano, você é foda”, “você é tipo um Romário”. Eu olhei bem para a cara dele e falei:

— Romário era um jogador de futebol.

— É?

Por um momento, eu quis me matar e levar Logan para o inferno comigo.

Não existe pessoa mais pessimista que eu. Quer dizer, tem, inclusive minha irmã na época de prova de faculdade falando “acho que vou começar a tocar piano na rua. Ah, é! Eu não sei tocar piano. Eu sou uma merda.” Mas, bem, eu sou uma hipérbole em pessoa.

Durante todos os momentos após a aula de educação física, estava eu com cara de quem comeu e não gostou. Não importava o quanto falassem sobre o garoto que levou Sam Oh (ui, Sam Oh) para a diretoria também é um ótimo jogador de basquete e empatou com ele.

As pessoas começaram a nos comparar como se fôssemos Harry Potter e Percy Jackson, Sonserina e Grifinória, Katy Perry e Taylor Swift. Ora eu era de Grifinória, ora Sam que era.

E mesmo com tudo isso, eu continuava com cara de...

— Que cara de chupa-cu é essa? — Taeyeon perguntou, roubando uma coxa de frango de Kai que retribuiu com um olhar mortal, mas ela ignorou.

Não era bem isso que eu esperava.

— Quem?

— Chupa-cu, cara.

Franzi o cenho espantado com o que Taeyeon dizia. Eu ia perguntar a ela do que diabos ele estava falando, — se era um bicho ou o nome de um pornô — mas Logan viu minha reação e logo começou a explicar.

— Chupa-cu é uma “criatura” que virou notícia no Brasil. É difícil de falar sobre um bicho que…

Kai levantou a cabeça imediatamente.

Não! — disse em um tom de ameaça. — Se vocês não comem em paz, deixem os outros comerem. — E com dureza, mordeu um pedaço do frango.

Logan parou na mesma hora e sussurrou um “você entendeu”. Sim, eu entendi, e nunca pensei que existisse um bicho chamado “chupa-cu” e que eu parecia um quando estivesse sério e furioso.

— Mas, sério, por que você tá assim? — a loira me questionou após a breve ameaça de Kai.

— Hoje teve basquete na aula do Matthew, e eu empatei com o Sam — eu disse entredentes.

— O que eu não entendo. Se empatasse com Sam, eu já estaria me achando o rei da cocada preta, sinceramente — Logan falou.

Voltei ao meu espírito normal de espírito “puto da vida” e olhei frio para Logan.

— O que você entende sobre esporte? Você achava que Romário era um jogador de basquete.

Taeyeon e Kai riram soprado, quase cuspindo o que comiam.

— Ei!

— Desculpa, Baekhyun, mas Romário jogador de basquete? — Kai gargalhou.

Logan fechou a cara e cruzou os braços, nervoso. Seu rosto tomou um tom vermelho como tomate e automaticamente os dois param. Taeyeon bebeu a água de sua fiel garrafa, a qual ela nunca larga, para recuperar o ar que tinha perdido de tanto rir e voltou a nos olhar.

— Mas o que Logan disse sobre o empate é verdade. Você deveria estar feliz.

— É claro que não! — eu falei nervoso e bati na mesa. — Ou você é melhor ou pior. Lema meu e de Sehun.

— Vocês são piores que a competição da Tae e do Logan. — Kai me olhou espantado, os outros dois balançam a cabeça em afirmação.

— Olha, como sabem, eu conheço a peste Sam desde quando ele entrou no jardim de infância. Crescemos juntos, um odiando ao outro, só tem uma coisa que une a gente: basquete. Mas com uma única condição: no mesmo time. Se nós ficamos em times diferentes, a raiva intensifica, ou perde ou ganha. Não há chance de empate!

Os três me olharam desconcertados, como se acabassem de ver um novo conteúdo de física.

Ah é, Taeyeon é de exatas e provavelmente seria uma das primeiras, senão a primeira, a pegar o conteúdo.

Ok, talvez História.

Logan é bom em humanas.

Ah, foda-se!

Voltando ao assunto. Eu sei que é confuso, então entendi um pouco eles.

Em jogos como o da aula de educação física, eu e Sam normalmente ficávamos em times diferentes. Quando empatava, era como se perdessemos. Nós dois estávamos competindo entre um e outro na maioria do tempo.

Só não em um momento: quando estávamos na mesma equipe.

A fúria sumia e era substituída por algo que só existia nas quadras: cooperação, sem nenhum tipo de ódio. Era como um contrato. Sam era o armador, e eu o ala-armador. Sendo assim, quase sempre estávamos atuando juntos. Não que os outros meninos fossem ruins, pelo contrário, mas era melhor assim.

Tudo na época do ginásio.

E parece que o espírito de competitividade não havia desaparecido. Pois, quando o sinal tocou e eu e ele percebemos que o jogo estava empatado, ficamos extremamente vermelhos.

Parece coisa de gente esnobe. Eu poderia perder e seria muito pior, mas a verdade é que se tem uma coisa que todos nós queremos é vencer. Empatar é mais ou menos e ganhar é o ápice da maravilha.

— Vocês parecem aqueles usuários Apple contra os de Android e vice-versa —  Logan comentou por fim antes do horário bater e todo mundo ir correndo para a sala de aula.

Então, quando o dia de aula acabou e eu finalmente saí da escola, encontrei com Yoora na rua e ela me fez questão de perguntar:

— Que cara de chupa-cu é essa?

Naquele dia, eu fui dormir pensando o que era a cara de um chupa-cu e me senti um homem das cavernas por não saber o que o bicho era. Mas depois eu descobri que só o meu grupinho e Yoora sabiam o que era o chupa-cu, porque ao perguntar para o meu primo de Saint Louis durante uma das nossas conversas, ele falou:

— Isso é o nome de um site pornográfico?

Assim, eu me senti mais aliviado.

Porém, durante dias eu continuei com a provável cara do chupa-cu, porque minhas últimas três semanas se resumiram em uma palavra: empate. A gente tinha 15 minutos para resolver o resultado da partida, mas se Matthew prolongasse até se ter um resultado definitivo, ninguém mais jogaria.

Se passaram três semanas desde minha entrada desastrosa na escola e o primeiro jogo de basquete. E acredite ou não, isso começou a ser o cúmulo do irritante.

Quando eu entrei nesse novo colégio, eu só queria estudar mesmo e evitar de dormir nas aulas, — menos de Biologia, essas são impossíveis — nada de querer virar popular, só deixar a vida levar-me.

Mas é claro que o destino pegou um taco de beisebol, uma bola escrita um “não” em vermelho gritante e disparou contra minha cara.

Eu encontrei Sam e, se já não fosse suficiente, o basquete com um treinador maluco atrás de mim como brinde, porque eu era o único ali que conseguia empatar com Sam Oh.

Tanto que, enquanto eu passava pelo corredor ontem, ouvi a voz grave do professor de educação física falando entusiasmado sobre mim com Abigail, que eu descobri alguns dias antes ser a prima de Matthew.

— Você precisa ver o garoto jogando.

— A senhora Wright disse que ele era bem do barulhento e um mau exemplo.

Torci o nariz. A senhora Wright me persegue até na hora de eu escutar a conversa alheia.

— Mas eu não acredito que Christopher seja assim, ele não é tão bagunceiro — ela acrescentou o que me deixou feliz e, ao mesmo tempo, constrangido. Aquele tão ali não me encorajou muito. — Mas por que toda empolgação? Não me diga que…

— Ah, Abigail, eu adoraria ter aquele garoto no meu time. A gente finalmente poderia reviver a equipe dos Red Tigers de São Francisco.

— Hm… E se ele não aceitar? — ela perguntou com a voz trêmula e recebeu um suspiro alto como resposta.

— Não quero ser negativo agora, vou tentar que ele se junte. Vai que ele quer. Nunca se sabe.

Mas eu não quero. Só de pensar em meu ser jogando em campeonatos eu sinto como se algo estivesse faltando e realmente tem. Querendo ou não, minha mãe e suas palavras encorajadoras fazem falta. Ela era a única que ligava para o que eu achava ou deixava de achar do basquete. E traz uma dor ao lembrar da ausência dela.

Respiro fundo após lembrar dela e coço o nariz com a palma.

— Ai, que merda, de novo não. — digo baixinho. — Não é hora disso. Não agora.

— Tá falando sozinho? — Logan pergunta ao meu lado. Antes que eu possa falar, ele diz: — Sabe, eu também falo sozinho e tals. É engraçado porque as pessoas dizem que é loucura, mas não é, porque…

E não, nada aconteceu entre o clubinho do menino que se veste como rockeiro, a louca por cálculos, o cara que é bom em basquete tanto quanto Sam Oh, e o mais normal do grupo, também conhecido como Kai. É assim como somos conhecidos na escola. Ou seja, todo mundo ainda se junta no intervalo na mesma mesa e Baekhyun continua parecendo o Ligeirinho, só que falando.

— Eu apenas estava murmurando algumas coisas para não esquecer hoje  — respondo, interrompendo o discurso dele sobre falar sozinho, e fecho meu armário. Eu minto muito mal, mas ainda bem que Logan apenas dá de ombros.

— Você viu o Kai? — ele pergunta depois de um período de silêncio entre nós. Nego imediatamente.

Ah sim, esqueci de contar-lhes, Kai sumiu. Não literalmente, mas sumiu há uns dias. Segundo os relatos de Taeyeon, Kai chega mais tarde na primeira aula do dia com alguma líder de torcida do time de futebol, ignora a loira e fica falando com as outras garotas. Ele some durante o intervalo e vai embora mais tarde da escola.

— Talvez ele esteja tendo um caso caso com uma ou umas delas. — Logan disse ontem. Fez sentido no primeiro momento, porém lembramos de dois fatos importantes. — Ah é, ele é gay e é apaixonado pelo garoto misterioso do 3° ano B. Retiro o que disse.

Então, não se sabe o que Kai faz para estar tão sumido nesses últimos dias.

— Ele nem manda mais mensagem de bom dia com um solzinho ao lado que eu sei que ele copia e cola para enviar para, literalmente, todo mundo — Logan comenta enquanto nós andamos até a escada que dá acesso do segundo andar ao terceiro, o ponto de encontro desde aquele dia em que eu cheguei mais cedo que o normal.

Mal nos sentamos e vemos Taeyeon vindo em nossa direção.

— Vocês viram ele quando chegaram? — ela diz em um tom de esperança.

— Não — respondo e ela faz um muxoxo chateado típico de Taeyeon Kim.

— Isso é estranho. — Baekhyun se levanta. — Isto é mais um caso para eu, — ele engrossa a voz — Sherlock Baekhyun Holmes.

Eu e Taeyeon encaramos ele com as sobrancelhas arqueadas.

— Logan, para. Você não é o Sherlock Holmes ou qualquer detetive que seja.

Mas o pedido da Kim é em vão e Logan me puxa até o lado dele e faz carão.

— Eu e o meu amigo íntimo e associado, doutor Park, iremos resolver o desaparecimento de Kai. Apenas… Christopher, abaixa um pouquinho. O Watson é menor que o Holmes.

Reviro os olhos e dobro os joelhos.

— Pronto — digo.

— Perfeito — ele fala alegremente. — Continuando, senhorita Kim, iremos resolver o desaparecimento de Kai Kim, só espere um pouco. — E sorri confiante.

— Minhas pernas estão doendo — digo, mas sou ignorado.

— Qual foi a última vez que você viu Kai Kim, senhorita?

Taeyeon vê que Logan não vai parar até dizer algo, ou melhor, Sherlock Baekhyun Holmes, então ela faz sua melhor expressão facial séria e fala calmamente:

— Ontem, no corredor, conversando com as meninas da torcida. Como sempre.

Logan parece ponderar sobre.

— Eu só não digo “elementar, meu caro Park”, porque nos livros nunca apareceu isso. Mas o que você acha disso, Park?

— Que minhas pernas estão doendo.

Ele respira fundo, estufando o peito.

— Isto me parece mais um caso para Sherlock Baekhyun Holmes.

— É o seu primeiro caso — Taeyeon diz.

— Não, segundo. O primeiro foi descobrir onde estava meu saco de balas de caramelo que eu tinha ganhado no meu aniversário de doze anos.

— E onde estava?

— Na estante da minha mãe. Ela escondeu de mim, mas eu sozinho achei. Isso já é um começo, não acha?

Taeyeon balança a cabeça em negação, murmura vários “tsc” e cruza os braços.

— Por que eu namorei você, hein?

— Porque eu, Taeyeon, sou um conquistador nato. — ele volta com sua voz normal, confiante. — Os garotos e as garotas que fiquei não foram algo à toa, eu os conquistei. E você foi um deles.

 Taeyeon suspira cansada.

— Eu, pelo amor de Deus, posso levantar? — pergunto frustrado.


☆☆☆


Aparentemente eu sou agora o Dr. Park de Sherlock Baekhyun Holmes. Nos últimos dois dias, Logan realmente está focado nisso. E toda vez que ele quer dar uma de detetive, eu tenho que me abaixar. Para evitar essa dor de ficar agachado pelos minutos que ele incorpora o personagem, eu inventei a desculpa de que o “Dr. Park” usa salto e por isso ele é mais alto.

— Mas o Watson não usa salto — Logan protestou.

— E nem você é o Sherlock Holmes.

Depois disso, ele ficou calado.

Eu tenho que acompanhá-lo em todo lugar enquanto ele segue Kai. Taeyeon apenas nos segue e diz que não nos conhece para quem vê o Logan com um binóculo (que eu não sei por que ele tem um na mochila), usando um boné já que ele não tem cartola e sussurrando coisas (que eram para ser) dedutivas. Não julgo, porque provavelmente faria a mesma coisa.

Já é final de dia de aula, mas eu tenho que esperar o Byun e suas análises. Pelo menos Taeyeon fica do meu lado, porque ela vai embora junto com Baekhyun e também precisa ficar esperando. Então a gente fica jogando as damas da biblioteca enquanto ele persegue as meninas da torcida e Kai.

— Ganhei! — a loira exclama alegre após comer minha última pecinha. A bibliotecária nos olha furiosamente e coloca o dedo indicador sobre os lábios. — Ganhei — ela sussurra.

— Parabéns. — Bato as palmas mais miseráveis e descontentes que alguém já pode ter ouvido. — Eu nunca vou ganhar da filha de um profissional em jogos de tabuleiros. — Ela sorri arteira.

A gente ia arrumar as pecinhas novamente, — eu com as brancas e ela com as pretas — mas escutamos murmúrios vindos detrás da porta da biblioteca.

— Você vai explicar tudo para nós, seu traidor. — É Logan.

— T-t-traidor? M-mas eu nem fiz nada. — É Kai balbuciando nervoso.

— Explique-se no tribunal!

Os dois entram na biblioteca, Logan segurando a gola de um Kai assustado e de que não sabe nem onde está. Eles são severamente recebidos com a bibliotecária com fogo nos olhos e os olhares de todo mundo que está aqui.

— Entrem logo — ela sussurra em um tom mal-humorado.

Petrificados, os dois fecham a porta e andam lentamente, com medo da severa Gina, a bibliotecária. Eles andam até nós.

— Vamos lá para fora — Logan diz baixinho e começa a voltar com Kai ainda preso ao seu lado, do mesmo jeito silencioso que entraram.

Eu e Taeyeon nos entreolhamos. Pego o jogo de tabuleiro arrumadinho e entrego para Gina.

— Obrigada — Taeyeon fala gentilmente.

Ela não dá nem um mero sorrisinho, mas murmura um “por nada” seco. Melhor do que nada.

Silenciosamente, eu e a Kim saímos. Nós nem andamos muito para encontrar os outros dois nos esperando.

— Kai, onde você estava? — pergunto.

— Err…

— Kai não. Traíra — Logan diz. — Diga a eles, traíra, o que você estava fazendo. — Ele sorri e acaba parecendo um vilão.

Realmente, quando Logan quer dar medo ele consegue. Deve ser por isso que muita gente o considera temido. Seus olhos cobertos por sombra negra junto a um olhar irônico e medonho, é de causar mãos geladas e testas suadas.

Kai suspira.

— Desculpe, gente, eu não queria assustá-los. Entretanto, eu lhes mandei uma mensagem avisando sobre. Vocês não viram?

Um silêncio se instala entre nós.

— Ah, eu não entro muito no aplicativo de mensagens — Taeyeon diz cabisbaixa — E quando entro, normalmente tá entupido de mensagens e grupos e dá preguiça de procurar.

— Você está sumido desde a quinta, quase uma semana atrás, e deve ter mandado a mensagem um dia antes e eu apago as mensagens às quartas — Logan deduz confiante. — Estou certo, não é?

Kai balança a cabeça, afirmando, porém sua expressão não é uma das melhores, então Logan desfaz o sorrisinho.

— Vejo as mensagens pela barra de notificação para evitar conversas com quem não curto — digo e Kai abre a boca, mais indignado ainda. — Não que você não seja legal para conversar, mas foi que nem no caso da Taeyeon, eu devo não ter visto. Eu só evito pessoas entediantes e algumas tias que mandam “eu te amo” e quarenta emojis de corações diferentes, e que, mesmo você respondendo que também as ama, elas continuarão enviando.

Kai coloca as mãos no quadril, suas sobrancelhas estão quase formando uma só. Ela está chateado, mas mais do que isso, está irritado por seus amigos serem tão descuidados.

— Mas a gente se importa com você, Kai, foi apenas sem querer — Logan diz, tentando tranquilizá-lo, mas só tentando mesmo. — Eu até senti falta das suas mensagens de bom dia.

— Você disse que elas eram chatas e copiadas e coladas — ele rebate com uma indignação presente na voz.

— Eu disse? — Coça a nuca.

— Sim! E eu realmente tô muito chateado. Eu avisei-os que iria ficar um tempo fora porque estaria tentando entrar na torcida e depois sou acusado como traíra! — Direciona o olhar a Baekhyun que encolhe um pouco.

Torcida?

— Então você está tentando entrar na torcida? — Taeyeon ergue a cabeça e pergunta curiosa.

— Mas é claro. Eu não desperdiçarei meu talento. Sendo assim, entrarei na torcida do futebol e do basquete junto às garotas e alguns outros garotos.

— Basquete? — digo sem nem perceber como meu tom de voz saiu mais alto e grave.

— É. Está completo o time.

Fico paralisado. Como assim “está completo” de uma hora para outra?

— Quem entrou?

— Você.

Se eu tivesse com um copo, certamente ele teria caído. Mas eu não precisei de copo nenhum para entrar em desespero.

— QUÊ?!

Kai parece confuso e dá de ombros.

— Você não…?

— NÃO! — Arregalo os olhos. — Quem lhe disse isso?

— As meninas, ué.

Eu não entrei em porra nenhuma! Saio andando apressado afastando-me dos outros, que me olham confusos. Eu que estou confuso! Quem diabos iria me inscrever em algo que eu nem quero?

Eu não sei nem para onde estou indo ou quem estou procurando, apenas procuro alguém para tirar minhas conclusões.

Pode ser qualquer um que fez isso, mas… só há um quem administra os times e quem entra ou sai.

Matthew.

Eu sei que ele tem aulas na quarta, porque o vejo sempre conversando com Abigail e com alguns meninos do primeiro ano. Mas o problema é onde encontrá-lo. Ele não é do tipo que fica na sala dos professores, mas também não é do que sai antes de ninguém ver, e sim fica batendo papo em lugares aleatórios.

Nesta escola de não-sei-quantas-salas, ele pode estar em qualquer lugar.

Desço as escadas que dão acesso entre o primeiro e segundo andar e esbarro com alguém que estava passando, com direito a ombrada e empurrão.

— Meu Deus, desculpa. — Balanço a cabeça e ergo a cabeça.  — Foi sem querer.

A pessoa levanta o rosto e eu cerro os dentes.

— Retiro o que disse. Não-desculpa — digo.

Sehun me olha incrédulo e abre em um ‘O’ enorme como se fosse gritar comigo. Dramático. Ele nem grita.

— Você é terrível, Chanyeol — ele sussurra. Eu não falei?

— Percebeu isso agora?

Sehun revira os olhos e conserta sua postura, deixando a coluna reta. Esse aí nunca vai ter problema de coluna se continuar andando como se fosse um guarda do Palácio de Buckingham.

—  Onde está indo com tanta pressa?

— Não é da sua conta. — Me viro e começo a dar meus primeiros passos em direção oposta.

— É para falar com o treinador sobre sua entrada no time basquete?

Dou um passo para trás e um giro de 180° rápido para encarar o ser com um sorriso seguro de si no rosto.

— Como sabe? — interrogo curioso, muito curioso.

— Não é óbvio, Chanyeol? — ele faz uma pausa para eu responder, entretanto vê que não lançarei nenhuma resposta concreta, então continua: — Eu estava conversando com Matthew no ginásio há alguns minutos e ele estava muito seguro de si, falando pelas orelhas que arranjaria um novo jogador para o time e finalmente completar um time digno. Imaginei que fosse você. Não querendo me gabar, porém não são muitos aqui que sabem de basquete. Podem até saber na teoria, mas na prática não. Você viu com seus próprios olhos. A maioria coloca a carga da equipe em cima do melhorzinho do time.

É verdadezinha qual odeio. Durante essas últimas três semanas eu joguei com diferentes pessoas, não só com a menina do óculos escuros amarelo, Andrew, Jessica ou Anne. Depois do primeiro jogo, as pessoas que escolhiam o time ficavam na dúvida entre mim e Sehun. E quando chegava a nossa vez de jogar, alguns nem sequer tinham o trabalho de fazer algo. Não só comigo e com Sam, mas outros também, inclusive Jessica e Andrew. Eles esquecem que basquete não é só duas pessoas boas jogando, e sim uma equipe.

— Mas o problema, Sehun, é que eu não vou entrar para equipe.

 Ele arregala os olhos.

— M-mas… — ele não consegue terminar.

— É, é estranho até para mim. Eu não vou e se eu for mesmo esse novo jogador, Matthew terá que me explicar uma coisinha.

E dou de costas, indo um pouco mais rápido para o ginásio. Eu deveria imaginar que ele estaria onde normalmente fica.

Entro no ginásio. Estão algumas meninas sentadas na arquibancada, suponho que sejam as garotas do futebol e as líderes de torcida. Todas me olham, e o último a me ver é Matthew.

— Christopher? — ele diz surpreso pela minha aparição repentina.

— Oi. Desculpa atrapalhar, eu queria falar com o senhor. Não vai demorar muito.

Ele parece pensar um pouco, murmura algo para as meninas que balançam com a cabeça e vem em minha direção com um sorriso.

— Oi, eu não…

— Como assim eu estou no time de basquete? — pergunto direto.

Ele coça a nuca e seu sorriso some.

— N-não e-exatamente. É que… Christopher, eu pensei que você quisesse, então…

— Então me colocou no time de basquete sem minha permissão? — Arqueio as sobrancelhas e cruzo os braços intrigado.

— Não! Eu pensei que você quisesse entrar, não te adicionei diretamente.

— Mas pelo o que eu ouvi, o senhor estava tão seguro de si que contou para as meninas e para o Sehun, digo, Sam que já tinha completado o time?

Ele não responde e parece envergonhado.

— A resposta é não, eu não quero — digo firme.

— M-mas por quê? Você é ótimo e seria um jogador destaque na competição! — insiste e fico um pouco atraído pela fala, mas de qualquer forma, não dá.

— Desculpa, Matthew, mas não. Procure outro, eu não posso.

E saio. Talvez eu esteja me sentindo um pouco burro por negar a oferta, mas sem o apoio na competição, eu sinto que não será a mesma coisa...


☆☆☆


— Christopher — meu pai me chama, tirando minha atenção dos meus pensamentos para ele.

— Hm?

— Você tá comendo o lápis e rabiscando sua tarefa. Se tiver com fome, tem comida na geladeira e, por favor, pare de riscar o caderno novinho  — ele avisa em um tom calmo, mas rígido, enquanto arruma os armários.

— Desculpe, é que aconteceu uma coisa hoje e eu não paro de pensar nela.

— Tipo o quê? — Ele se vira para mim e passa a me encarar.

 Respiro fundo.

— Pai, o que você acha de eu voltar a jogar no basquete?

Ele pondera por um tempo.

— Eu não sei, Christopher. Quem ligava para isso era sua mãe, eu nunca fui muito próximo de esportes que não envolvem socar a cara de outra pessoa. — Ele dá uma risadinha.

Pode-se dizer que meu pai é um grande fã de luta, apesar de não ver muito hoje em dia. Porém se tiver alguma luta com um de seus jogadores favoritos, ele com certeza verá. E ele sabe de cor a maioria dos golpes e bláblá.

— Mas… — ele faz uma pausa enquanto fecha os armários — Se isso te faz bem, por que não vai? Você era um dos melhores jogadores da sua antiga escola do ginásio, não lembra?

— É claro que lembro — bufo.

— É que sua memória normalmente não é muito boa, Christopher. — O olho seriamente. — Desculpa, mas é a verdade, oras. Você uma vez nem lembrou o dia do seu aniversário.   

— Em minha defesa, eu estava meio que perdido nos dias da semana.

A campainha toca, interrompendo nossa conversa. Jake me olha com a expressão “vai você!” e eu, como um bom filho, ando até a porta e a abro, mas é só ver a pessoa na minha frente que a primeira coisa que passa pela minha cabeça é fechar a porta.

— Olá. — Ele lança um sorriso caloroso.

— Como soube meu endereço?

— Eu tenho meus contatos.

— Quem é, Christopher? — Jake aparece no hall da casa. — Oh! Quem é esse? Um dos seus amiguinhos?

Amigo? Tira o ‘a’ e coloca ‘ini’ no lugar.

— Olá, senhor Park. Quanto tempo. Não lembra de mim? Sam Oh ou Sehun.

Meu pai fica surpreso.

— Sam? Meu Deus, você cresceu! Na época que o vi, você era menor que o Chanyeol.

— E continua sendo — sussurro e Sam  me lança um olhar irritado. Meu pai nos olha confuso.

— Você quer entrar para conversar com o Christopher?

Não, pelo amor que eu tenho à aba anônima.

— Eu adoraria, senhor Park, porém a conversa que eu terei com seu filho será rápida.

Jake dá de ombros.

— Ok. Vejo você por você aí então. Que mundo pequeno, não é mesmo? — E vai embora, deixando eu e a praga sozinhos. Só foi ele virar para a sala que me viro impaciente a Sehun.

— Fala logo o que você quer — digo.


Notas Finais


Ixi, o que será que Sam quer? Snksnaak.
Até o próximo capítulo, tchau, tchau!


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