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História No País das Maravilhas - Capítulo 2


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Capítulo 2 - O Cavaleiro e a Menina Do Guarda-chuva


Izuku Midoriya não era de brincadeira – sério, até para formular uma piada tendia a ser péssimo (nem queira vê-lo tentar contar uma, é simplesmente desastroso). Quando ele afirmou, constrangido pelo meu comportamento audacioso e afetuoso demais, que não me conhecia, fiquei igual aquele meme do Pikachu com uma mistura do quadro “O grito” tamanho impacto da descoberta. Inspecionei o garoto com os olhos afiados de uma águia – julgando-o –, explorando curiosamente os trajes dele, acessórios e até o estilo do cabelo e cataloguei a quantidade de sardas, tudo exatamente igual ao que lembrava, exceto a roupa é claro. Pensei em teorias que explicassem esse fenômeno alucinógeno estranho de ver a cara de Midoriya em outra pessoa, porém, assim que realmente pus os neurônios para trabalhar, queimando alguns no processo, caiu a ficha: cai em um mundo alternativo doido como Alice e tem uma versão J.R.R Tolkien de um colega meu.

– Me belisca pra ver se não estou sonhando – pedi aleatoriamente, certa de que seria uma boa ideia comprovar a lógica.

– O quê? – ele ganiu atordoado com minha solicitação e não a acatou, visivelmente corado.

– É para ajudar – esclareci, mesmo não tendo surtido o efeito desejado em persuadir o rapaz. – Ajude essa pobre dama necessitada.

– Eu não sei se é uma boa ideia – engoliu em seco, mexendo na alça da bolsa dele.

– Vai, por favor?

– Tudo bem – suspirou derrotado, beliscando delicadamente meu braço.

Soltei um grito.

Ele gritou também.

Nos unimos em um coro de gritos.

– Aí, aí, aí – arfei, esfregando o local que recebeu a dorzinha. – Por que está gritando?

– Eu gritei porque você gritou – respondeu embaraçado. – Você me assustou!

– Desculpe – abri um sorriso para amenizar o clima. – Eu sou... Que droga é aquilo? – berrei ao avistar uma criatura planando em nossa direção.

– Aquilo o quê? – Izuku indagou, atônito pela minha reação tempestuosa.

– Abaixa! – exigi e não querendo desacatar meu pedido, supondo que ele deveria estar com um pouco de medo de mim, ele abaixou e eu, em um impulso, bati com toda minha força na besta alada com o guarda chuva, arremessando-o a uma boa distância.

Izuku se ergueu rapidamente indo até a criatura desacordada com o intuito de estudá-la minuciosamente, já que ele escrevia sem parar no que parecia um bloco de notas. Me aproximei com cautela e cutuquei o monstrengo com a ponta do meu guarda chuva para verificar se estava vivinho ou não.

– Sua reação foi incrível – ele comentou terminando de catalogar o bicho. – Era um Devorador de Homens, eles não são comuns nessa região.

– Nome bem sugestivo esse – faço uma careta, examinando o estado da minha arma improvisada que, por sorte, não sofreu algum dano. – E já que salvei sua vida, poderia me ajudar na minha jornada épica e extremamente perigosa para achar um meio de voltar para minha casa, não?

Midoriya esfregou reflexivamente o queixo, fazendo inconscientemente uma pose estilo “O pensador”.

– Tudo bem, será uma boa experiência. E visto que sabe o meu nome, poderia me dizer o seu?

– Eu sou Skarlet e desculpe pelo que houve antes, você parece com um amigo meu.

– Oh, Skarlet, você tem alguma ideia para onde ir?

– Nenhuma – ri um pouco sem graça. – Mas vamos para o norte, o norte é a resposta!

E lá fomos nós, dois aventureiros embarcando numa viagem que revelaria um mundo fantástico cheio de desafios e tudo que uma história de fantasia clichê tem a oferecer.

– Eu não consigo, Midoriya! Não aguento mais! – choraminguei agonizando com o cansaço avassalador que percorria meus pobres membros, lutando bravamente contra essa adversidade com garra enquanto subia uma porcaria de ladeira íngreme. – Não posso! Me deixe aqui! Vá sozinho nessa jornada!

– Ah... Bem... Quem começou a jornada foi você – ele coçou a nuca com um sorriso forçado. – E também... Não faz nem cinco minutos que começamos.

– Aí, aí, aí – dramatizei, rindo internamente da reação dele com minha encenação.

– Eu... Te carrego se quiser

– Não precisa não – me levanto cheia de disposição como se nada tivesse acontecido, deixando-o desorientado.

– Isso não é justo, fiquei preocupado de verdade!

– Sério? – virei para encontrá-lo poucos centímetros pertinho de mim, tirando proveito de tal proximidade, aperto a bochecha dele. – Que rapaz solícito!

Izuku corou em todos os tons de vermelho.

– Não brinque comigo! – ele gaguejou envergonhado.

Seguimos em frente com o espírito renovado, pelo menos eu no caso, toda animada com as circunstâncias, pois comecei a perceber a vantagem de se estar em um tipo de universo paralelo onde Guerra dos Tronos poderia retratar com facilidade: eu tinha poderes, um guarda chuva descolado que magicamente era inquebrável e, de bônus, consegui o primeiro companheiro de altas batalhas e viagens. Seria como um Final Fantasy, só que real e mais divertido sem muitos diálogos enfadonhos e monstros aparecendo do nada quando tudo que você quer é chegar logo no objetivo. Trilhando o caminho para a floresta, nos deparamos com um gato, não era qualquer gato, o felino tinha a cara do professor Aizawa... Só que gato.

– Misericórdia! Professor, te transformaram em um gato? – gani surpreendida. Ele abriu os olhos preguiçosamente, esticou o corpinho felpudo e se arrumou para deitar.

– Eu sempre fui um gato.

– Esse gato fala? – Izuku gritou estarrecido.

– Não grita, garoto. Não vê que estou tentando dormir? – o Gatizawa resmungou.

– Desculpe, senhor... – fez uma reverência apologética.

– Você por acaso é um gato mágico e virtuoso que vai passar uma lição com moral ou um provérbio sábio e inspirador para que possamos desvendar durante nossa aventura? – perguntei, ponderando o quanto o professor Aizawa iria amar a versão felina dele.

– Não. Eu só sou um gato. – respondeu como se fosse óbvio que ele não faria nada daquilo. – Agora sumam e não atrapalhem meu sono.

– Gatinho mais mal humorado – Izuku comentou baixinho pra mim.

– Eu ouvi isso garoto – o gatizawa olhou tediosamente para Izuku.

– Pode dizer, pelo menos, onde fica a cidade mais próxima?

– Se seguirem reto por esse caminho, antes de anoitecer chegarão em algum lugar. – eu e Izuku o fitamos com uma expressão neutra e nos entreolhamos como se chegássemos na mesma conclusão: ele explicou o óbvio.

– Obrigada, gatinho – quis até dar um afaguinho, mas o Gatizawa não parecia muito amigável. – Vamos, Izuku. Nossa jornada ainda não terminou!


Notas Finais


Como a duplinha criada com açúcar, tempero e tudo que há de engraçado vai se virar nessa jornada? Isso e muito mais... Só no próximo capítulo mesmo :v

Até a Próxima!


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