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História No Return - Capítulo 3


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Notas do Autor


capítulo atualizado 24/05/2020

Capítulo 3 - 02 welcome to


Fanfic / Fanfiction No Return - Capítulo 3 - 02 welcome to

26 de julho, Domingo. 

Dominica - Missouri.

 

Já é o grande dia.

Eu e minha mãe estávamos no carro enquanto ela dirige até St. Louis, a única cidade mais próxima de Dominica, onde eu moro, com aeroporto. 

Eu estou suando tanto que tudo escorrega das minhas mãos e não consigo parar de checar se havia tudo que eu precisava dentro da minha bolsa de mão. Começo a fazer anotações mentais de tudo que possivelmente eu poderia estar esquecendo e precisaria dali em diante. E é claro que não esqueci nada, mas eu faço uma lista desnecessária mesmo assim.

Eu implorei para minha mãe pelo menos me levar até a rodoviária da nossa cidade e me deixar pegar um ônibus intermunicipal para chegar até St. Louis. Não queria que ela dirigisse tão longe sozinha. Herman, seu namorado, não pôde a acompanhar e eu odeio saber que ela vai ter que voltar sem alguém. Mas ela fazia tanta questão de me trazer que achei que a qualquer momento ela iria cair dura se eu negasse a sua vontade de me levar até o aeroporto.

Passei os últimos dias procurando sobre como funciona irmandades e vendo algumas de Clermont. Não me parecia tão ruim e havia várias pela cidade. 

Olhei algumas fotos dos membros de algumas casas nas páginas das irmandades no Facebook e tudo mais. Até arrisquei umas stalkeadas em algumas garotas. Precisava reconhecer meu futuro território.

Apesar de tudo eu estava animada para essa nova etapa. Pensar em como meus últimos três anos em Dominica foram barra pesada, me faz ter fé de que Clermont vai me proporcionar tudo que eu precisa. E eu preciso recomeçar do zero, repaginar. 

Me concentro na estrada e no carro começa a tocar "If" da Beyoncé e eu sorrio imediatamente por isso. É uma das minhas músicas favoritas dela.

Comecei a cantarolar baixinho junto a música, tentando esquecer essa ideia de anotação mental ou pensar nos meus últimos anos nessa cidade dos infernos. Eu preciso parar de torturar minha mente, isso só vai me fazer ficar mais pirada, doente, e essa tendência a me torturar assim me consome muito, já que parece que não consigo relaxar nunca.

- Você acha que dá conta de chegar em Clermont sozinha de ônibus, querida? – minha mãe pergunta, me tirando dos meus pensamentos e tentando esconder a ansiedade na voz. Ela desvia sua atenção da estrada a mim, mas voltou a olhar para frente rapidamente. 

A luz do sol que entrava no carro a iluminava. Sua pele chocolate era quase um raio de sol e o vento da janela levantava seus longos cabelos de cachos mais do que perfeitos. Ela era incrivelmente linda e jovem. Eu queria ter herdado pelo menos um porcento da sua beleza. 

- Claro que sim, mãe! – revirei os olhos, a respondendo sem saco. – Sério, não é nada. Eu consigo. 

- Tudo bem. – ela diz e sei que no fundo ela não acredita, e acho nem eu acredito tanto assim, mas quem tem boca vai a Roma e eu tenho idade suficiente para dar conta de mim mesma. Ela franze o cenho, como sempre faz quando começa a pensar demais, mas nem ela e nem eu dizemos mais nada. Sei que ela é preocupada, mas se preocupa muito mais do que é necessário.

A viagem não dura mais de duas horas e minha mãe quase desistiu de deixar que eu fosse de avião e começou a falar que seria muito melhor ela me levar de carro, o que é óbvio que era a maior tolice. Tive que fazer o maior discurso sobre como ela estava sendo maluca e super protetora, de como a viagem seria longa e pesada e que isso era a maior bobagem da parte dela, então ela achou melhor mesmo eu ir de avião.

Choramos muito para nos despedir, ela não parou de tremer por nenhum segundo e chorou tanto que atraía a atenção de todo mundo para nós. Mas eu não poderia ficar abraçada com ela para sempre e havia chegado a minha hora, eu precisava mesmo sair dos seus braços para não perder o voo que mudará minha vida. 

Esperei até dar a hora de decolar para tomar algum remédio sonífero leve que minha mãe me passou. Tenho seríssimos problemas em ficar acordada em voo. Tenho muito medo e prefiro dormir do que ficar acordada vendo tudo. Depois de já estarmos sobrevoando, adormeci rezando para chegar logo ao meu destino, seria só duas horas e um pouquinho, e isso eu consigo suportar.

 

 

- Senhorita, me desculpe acordá-la, mas já vamos aterrissar. – Uma mulher baixinha, que logo identifiquei como a aeromoça, disse enquanto me acordava gentilmente. Sorri em agradecimento com a boca seca demais para dizer um "obrigada".

Ajeitei meu cabelo e tentei domar alguns – lê-se todos – cachos rebeldes das minhas pontas para ficar um pouco mais apresentável. Estiquei a roupa no corpo e conferi a hora na telinha a minha frente.

10:18am.

Assim que saísse do avião precisava ligar para minha mãe ou ela surtaria, com certeza.

 

 

Me encontrava sentada nos assentos de espera com o celular no ouvido esperando que minha mãe atendesse e assim, logo depois, eu pudesse ir procurar uma rodoviária com ônibus em destino à Clermont.

Disco o número e encaixo o celular no ouvido. Curvo meu corpo para frente e apoio os cotovelos na coxa.

- MINY! – ela grita do outro lado da linha assim que me atende, me fazendo afastar o celular um pouco do ouvido e fazer uma careta. 

Sempre tão escandalosa...

- Hm... Oi mãe. Só te liguei para dizer que cheguei e que não precisa se preocupar. – digo breve. Não quero estender assunto porque estou cansada e sei que ela não vai se manter e começará a falar sem parar.

- Ai, graças a Deus. Nunca rezei tanta "Ave Maria" e "Pai Nosso" na vida. – brinca. Ela não acredita em Deus.

- Não se preocupe. Agora só preciso pegar um táxi até a rodoviária. – digo já me preparando para me despedir.

- Bom, quanto a isso... Eu não resisti, Miny... – ela começou falando um pouco mais baixo que o habitual e conheço muito bem esse tom de voz. – Sei que você pediu para que eu não fizesse, mas você sabe como eu sou. – tenta se defender.

- Mãe... – digo pronta para repreende-la e fecho os olhos para me acalmar. Pedi a ela que não fizesse tanta coisa que não sou capaz de adivinhar.

- Não é nada demais, querida. Eu só pedi para que Emma te buscasse no aeroporto. Filadélfia é uma cidade grande e você poderia se perder para chegar até Clermont e... – respiro fundo durante sua explicação erguendo meu corpo, afim de me conter e não surtar, e a interrompo.

- Você precisava confiar em mim quando te disse que conseguiria. Me. Virar. – digo pausadamente entredentes. – O que aconteceu com seu discurso de "Você precisa se virar sozinha, Miny. Não vou estar aqui para sempre."? – protesto realmente irritada e a escuto bufar. Ela tem uma mania incrível de ignorar tudo o que conversamos, sempre.

- Eu sei, eu sei. Mas é a última vez que interfiro na sua vida assim. – ela diz e é uma grande mentiroso. Rio internamente.

- Espero que essa ligação esteja sendo gravada. – brinco tentando parecer séria. – E quem diabos é Emma? – pergunto só agora me dando conta de que citou uma garota que não conheço e nem nunca ouvi falar.

- Ah! – ela parece cair em si e dá uma risadinha. – Esqueci de te falar sobre ela. Emma é a sobrinha de Rori, minha amiga da época de faculdade que te falo sempre. – Explica. – Emma é adorável e muito, muito linda. Um tanto diferente de você, mas você também tem quase a mesma idade dela e descobri que ela também cursará história. Não é fantástico? – ela conta tudo muitíssimo animada.

Legal. Alguém com os mesmos interesses que eu. Quase nunca vejo alguém interessado nesse curso.

- E aí você forçou a coitada a vir me buscar no aeroporto? – digo tentando não rir, soar séria, e ela bufa.

- Não a forcei coisa nenhuma. – Se defende – Só pedi, educadamente, para que ela fizesse isso para mim. – ela diz e eu solto uma risada. Controladora. – E me desaponta ela ainda não ter chegado. Eu menti dizendo que você chegaria às oito horas, para caso ela se atrasasse, e ela realmente se atrasou. – Tive que rir mais uma vez.

Quando ia dizer como ela é uma louca controladora e que eu iria pedir sua internação urgente no manicômio, vejo um cartaz com meu nome.

- Mãe... Hm... Tenho que desligar. Ligo depois. Beijos, te amo. – Digo rápido e desligo antes que ela não aceite a despedida.

Vou até o garoto com o cartaz – na verdade uma folha A4 escrito meu nome com batom roxo – e fico me questionando se Emma seria transgênero. Talvez minha mãe tenha esquecido de me contar esse detalhe e eu devesse ligar de novo para me certificar, mas fui andando em direção a pessoa ignorando algumas incógnitas na cabeça.

Chego perto do garoto que não está nem um pouco parecendo se importar em esperar por alguém, por mim. Só parece automático fazendo seu papel e logo fiquei com o pé atrás com Emma-cara-de-bunda.

- Olá. – digo tentando soar simpática quando chego bem perto. Ele tira os olhos do celular e olha para mim curioso com seus grandes olhos azuis e enrugando a testa. Emma realmente é muito linda... e eu não sei mesmo que pronome devo usar. Vestia uma camiseta preta da banda AC-DC, uma calça de jeans lavado e um tênis preto nos pés. Tinha os cabelos loiros bagunçados e era um pouco mais alto do que eu. – Você é Emma? – pergunto e o garoto me olha torto e de imediato desata a rir. Rir muito me fazendo, mais uma vez no dia, ser atração para pessoas em aeroporto. 

Fiquei um pouco sem jeito. O que eu fiz? Será que tem alguma coisa no meu rosto? Ou eu pronunciei seu nome errado? Ou ele me achou estranha? Bom, não vejo outra maneira de se pronunciar Emma, então provavelmente está rindo de algo em mim ou de mim, e me sinto mal.

- EMMA? – ele pergunta aos berros entre a gargalhada alta e isso começa a me irritar, essa sua falta de educação. Não precisa rir da minha cara assim, seja lá o motivo.

- Sim, foi isso que disse. Por quê? – pergunto tentando controlar meu tom de voz para não parecer tão irritada quanto estou. Não vou deixar que ria de mim se nem ao menos sei o "por quê".

- Não, não. Não sou Emma. – ele responde tentando regular sua respiração e riso, se curvando e se apoiando nos joelhos como se tentasse se recuperar de uma maratona. Seu sotaque era diferente. Definitivamente não é americano. – O que te faz pensar que meu nome seria Emma? Porra, eu sou um menino e definitivamente Emma não é um nome masculino. – ele diz ainda rindo.

Droga! Tenho vontade de me enfiar dentro de um buraco quando percebo meu desastre. No fim eu sempre sou uma idiota precipitada.

Patética.

- Bom é que... é que achei que seria buscada por uma Emma. Pensei que talvez você fosse transgênero não sei. Sei lá. Me desculpe. – eu digo com a maior vergonha do mundo e ele faz um aceno de mão como se dissesse para não me preocupar. – E quem é você, aliás, se não é Emma? – pergunto curiosa.

- Sou Niall Horan. – ele sorri e estende a mão para mim, que o cumprimento. – Sou meio-irmão da Emma - faz uma careta rápida quando cita o nome da meia-irmã - e ela me pediu que te buscasse. Ela não sabe muito bem andar por aqui na Filadélfia.

Só assenti com a cabeça. Não tinha muito o que falar depois desse momento horrivelmente constrangedor.

- Quer ajuda com as malas? – ele pergunta e agora sorri, mas não um sorriso de risada, e sim um sorriso de "How You Doing?" de Joey Tribbiani.

- Não, obrigada. Consigo carrega-las sozinha. – respondo e é verdade, mas ele simplesmente me ignora e as pega. O sorriso não sai da cara dele enquanto tomávamos o caminho para fora do aeroporto e estou quase perguntando se ele tem algum tique nervoso, mas não quero parecer tão sem educação.

Caminhamos até seu carro no estacionamento, um Corolla vermelho, e ele coloca minhas malas no porta-malas enquanto me pede para entrar no carro. Havia um garoto no banco de trás que dormia um sono ferrado e que Niall disse que se chamava Harry. Penso que seria melhor esconder da minha mãe, quando tivéssemos nossa próxima ligação, que dois caras desconhecidos foram me buscar no aeroporto, ou ela chama toda a polícia do estado da Pensilvânia imediatamente.

Eu devia estar com um puta medo. Poderiam ser assassinos, traficantes de mulheres ou de órgãos para o mercado negro, mas não me parece ser uma armadilha. Eu acho.

A viagem é um pouco longa, quase três horas e meia. Além de ter sido bem esquisita e suicida.

Niall trocava de pista o tempo todo, passou a maior parte da viagem acima da velocidade e para piorar nem ele e nem o dorminhoco usavam o cinto de segurança. Eu que não arriscaria minha vida preciosa sem usar cinto com um carro na mão de um meia roda do caralho.

No caminho tive que aturar infinitas repetições de uma banda country horrível e um álbum antigo da Taylor Swift. Aturei também quando Harry acordou e Niall contou ao amigo cabeludo a história de que eu o tinha chamado de Emma, e riram muito da minha cara por mais da metade da viagem. Não sendo suficiente, aquele sorriso infinito de Joey no rosto de Niall não cessava, mas pelo menos havia diminuído. Acho que a cara dele já está programada para sorrir o tempo todo. Seu maxilar deve doer horrores.

A viagem está ficando exaustiva e estou estressada, inquieta e ansiosa, mas quando vejo a placa enorme escrita "Bem- vindo a Clermont" foi impossível não me arrepiar. Minha ficha acaba de cair.

- Lar doce lar. - Harry diz irônico, com seu sotaque britânico perfeito.

- Você vai me deixar onde? – pergunto me virando para o meia roda, já pronta para dar um jeito de chamar um táxi e conseguir o endereço da irmandade. Mais um segundo com eles no carro e eu explodo.

Não os detestei mas não aguentava mais as mesmas músicas e as gargalhadas sobre a "história Emma" - o nome que eles deram para meu infeliz erro.

- Lá pra casa, ué. - Niall me responde tranquilo e calmo, e eu arregalo os olhos.

- Sua c-casa? – tento reprimi um grito, mas foi uma tentativa fracassada.

- Sim. Emma disse que você ficaria lá, você não sabia? – ele pergunta num tom curioso e no mesmo instante fazendo uma manobra rápida com o carro, quase batendo num ciclista. Me questiono se esse jovem tem habilitação.

- Bom acho que você se enganou. Eu irei ficar numa irmandade que a Emma mora. Você deve ter entendido a informação de forma errada. – explico bem convicta.

Ele ri baixo e balança a cabeça como se eu fosse a errada.

- Mas eu e ela moramos no mesmo lugar, gata. Harry também. – ele diz dando uma piscadinha e apontando para o amigo, e eu faço a maior cara de interrogação que consigo.

- Como assim vocês moram numa irmandade? Achei que isso fosse proibido. Vocês são homens. – não faço nem questão de esconder minha indignação e confusão. 

Os dois se olham pelo retrovisor. Harry ri e diz:

- Emma tem o cérebro do tamanho de um grão de arroz. Se depender dela pra passar uma informação que salvaria o mundo, todo mundo estaria morto.

O loiro assente concordando com o amigo.

- Emma não explicou nada, né? – Niall ri nasalado e nega com a cabeça. Meus olhos estão fixos nele esperando uma explicação. – Na verdade a gente mora numa... Como posso dizer? 

- "Fraternidade mista". – Harry fala pelo amigo, fazendo o sinal de aspas com a mão.

Por um momento meu raciocínio parou e voltou com tudo.

FRATERNIDADE MISTA? Que caralhos é uma fraternidade mista?


Notas Finais


Até o próximo capítulo :p

~ notas atualizadas: eu não me senti na obrigação de datar ano a fanfic. eu pensei em contar como se fosse 2020 - sem pandemia né -, mas também qria que fosse em 2017/18/19, sla. por isso não vou me decidir sobre ano agr.
os personagens vão tomar forma através dos capítulos.

bjs ~sahm~


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