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História No Ritmo do Amor - [YOONMIN] - Capítulo 4


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Capítulo 4 - Strawberries & Cigarettes


A melhor definição para a semana de Jimin depois de começar a frequentar os ensaios da FSC, seria: surpreendente. 


Estranhamente, depois de ir pela primeira vez, os próximos convites foram fáceis de aceitar, principalmente quando vinham de Yoongi. Jimin não ia todos os dias, porque precisava continuar com os ensaios para sua primeira audição que estava próxima. Mas, sempre que conseguia — ou se dava — um tempo, e Jungkook e Hoseok avisava que iam lá, os acompanhava. Como naquela sexta, um dia antes da audição, Jimin pensou que dar um tempo e se distrair com seus amigos ajudaria a relaxar um pouco da tensão e ansiedade que estava sentindo.  

 

Sentado onde costumava ficar para assistir os ensaios, observava Namjoon e Yoongi enquanto ensaiavam. Eles eram muito sincronizados e estavam totalmente focados no que faziam. Mesmo com tão pouco tempo de amizade com os meninos da FSC, Jimin percebeu que a companhia deles o fazia bem. Todos eram divertidos e transmitiam uma energia boa. Estava tão acostumado ao clima pesado em casa, que, passar um tempo com eles, era como ser recarregado. Principalmente com a companhia de Yoongi que no final de todos os ensaios, o chamava para dançar alguma música, fazendo o se divertir.  

 

Jimin notou que sua animação nos treinos de balé aumentou depois que começou a frequentar a escola de Namjoon. Às vezes, arriscava uns passos de hip-hop, os quais decorava enquanto assistia aos meninos, em frente ao espelho, mas, não levava muito jeito. 


Resumindo, estava se sentindo de um jeito que há muito tempo não se sentia: feliz.  

 

Enquanto observava os dois ensaiando, em certo momento seu olhar cruzou-se com o de Yoongi. Seria mentira se dissesse que não percebia como Yoongi sempre procurava por seus olhos enquanto dançava. Era como se quisesse ter certeza de que Jimin o observava, e principalmente, admirava o que estava vendo. Jimin tentava disfarçar em alguns momentos, quando era pego de surpresa encarando o outro descaradamente, com as bochechas salientes ficando sempre num tom mais avermelhado, desviava os olhos e encarava qualquer outro ponto, por mais desinteressante que fosse. Yoongi, por outro lado, sempre achava encantador quando isso acontecia.  

 

Jimin despertava sua curiosidade a cada vez que eles se encontravam. Ele sabia que precisava se aproximar gradualmente do loiro, pois Jimin era sempre muito fechado e na dele. Aproximar-se através da dança foi a maneira mais inteligente de fazer isso, porque, por mais que Jimin se fechasse, a dança o atraia e fazia com que ele se soltasse. 


Ainda o encarando, Yoongi sorriu, piscando em seguida, tentando ser discreto, mas Hoseok estava  os observando de perto. Ainda que achasse Yoongi um cara incrível, Jimin era como seu “bebê” e não queria que ele se machucasse de nenhum jeito, então por um instinto de proteção, sempre analisava a aproximação dos dois, e se sendo sincero, perceber como Jimin estava minimamente mais relaxado nos últimos dias, mostrava o quanto Yoongi fazia bem ao amigo.  

 

— Eu vi isso. — disse baixinho perto do ouvido de Jimin, o encarando com um sorriso malicioso.  

 

— Viu o quê?? — perguntou na defensiva.  

 

— Essa troca de olhares “discreta” — Hoseok riu, fazendo aspas com os dedos. — E a piscadinha para completar.  

 

— Não tem nada de mais.  

 

— Jimin — continuou em tom baixo, apenas para que ele o ouvisse. — Você gosta dele, qual o problema nisso!?  

 

— Defina gostar. — pediu levantando uma de suas sobrancelhas.  

 

— Gosta da atenção que ele te dá, ainda que não saiba como lidar com ela. E está relutante sobre deixar com que ele se aproxime, do que você tem medo?  

 

Jimin mordeu o lábio inferior, encarando as próprias mãos pousadas sobre o colo. A resposta não era óbvia!? Poderia enumerar vários motivos para ter receio em deixar com que Yoongi se aproximasse totalmente, mas o principal era a mãe. O segundo era por simplesmente não saber como agir perto dele. E se, se deixasse levar e agisse sem pensar e o ele o achasse um bobo? 


Nunca foi o melhor com interações sociais, nem sabia como Hoseok e Jungkook tornaram-se seus amigos. Talvez fosse o fato de os ter conhecido ainda criança, quando as coisas eram fáceis se comparadas com o agora. 


Muitas vezes, se pegava pensando em como gostaria de ser mais como eles.  Cada um tinha seu jeito particular de conquistar as pessoas. Hoseok era sempre alegre e divertido, apenas seu sorriso conseguia conquistar a todos, sempre sabia o que dizer e era tão descolado. Já Jungkook, era doce e companheiro. O tipo de amigo que ficava ao seu lado sem dizer uma palavra e ainda assim o confortava do melhor jeito possível. Além disso, tinha aquele jeito meigo e encantador, um ar de inocência que fazia as pessoas quererem cuidar dele.  

 

Gostaria de ser uma junção dos dois. O que tinha de interessante além do talento para dançar Balé? Não era divertido, não sabia como manter uma conversa que não fosse com seus amigos, e corava sempre como um tomate quando os olhares estavam sobre ele fora dos palcos. Apenas quando dançava conseguia ser um pouco mais interessante. Quando estava no palco, Jimin se transformava. Vestia uma máscara onde podia ser o que quisesse, principalmente, o melhor bailarino. Seus movimentos tornavam-se precisos e delicados, seu corpo automaticamente dava tudo de si e mostrava toda a entrega que tinha pela dança.  

 

— Tenho medo de que ele perceba que eu não sou tão interessante quanto pensa. — Confessou num fio de voz.  

 

— Ji, quem disse que você não é interessante? — Hoseok tocou seu queixo, fazendo-o levantar o rosto e encará-lo. — Por favor, pare de acreditar nas palavras mentirosas da sua mãe.  

 

Jimin estava prestes a respondê-lo, quando notou Yoongi se aproximar e esticar a mão em sua direção, como estava criando o costume de fazer quando os ensaios terminavam. Encarando-o ainda sentado, viu o sorriso gengival direcionado a ele.  

 

— Vem, terminamos de ensaiar. Agora podemos dançar.  

 

Seria possível que, em apenas uma semana, já tivessem esse tipo de “coisa só deles” como dançar juntos após o fim do ensaio? Jimin não sabia como se sentir a respeito, e ao encarar Hoseok, entendeu seu olhar de “não pense tanto, apenas aproveite”, então, decidiu que não ficaria se questionando sobre isso. 


Talvez o problema, como o amigo e o próprio Yoongi haviam dito, fosse pensar demais. Não era sua culpa, entretanto, já que foi ensinado desde pequeno a agir assim, porém, podia ser uma escolha sua a partir de agora, quando adulto e “dono” de si mesmo, deixar de pensar tanto nos”e se” e seguir o que seu coração pedia. Levantou-se, segurando a mão de Yoongi e o acompanhou ao centro da sala. 


Não pensar e deixar as coisas acontecerem. Esse seria seu lema.  

 

E se Jimin pensava demais a respeito de sua proximidade com Yoongi, em um canto mais afastado da sala, inseridos na bolha que criaram, Taehyung pensava demais a respeito de como perguntar a Jungkook se gostaria de sair com ele. Tae nunca teve problemas em convidar as pessoas para sair, pelo contrário, sempre foi muito atirado e direto. Contudo, com o moreno de feições de anjo à sua frente, se sentia inseguro. Era óbvio para ele que eram de “mundos” diferentes. Não só por Jungkook dançar balé e ele hip hop, mas também porque o bailarino era o típico príncipe de Seul. Rico, educado e lindo.  

 

Taehyung não se achava feio, tinha consciência do quanto sua beleza era exótica e única. Entretanto, beleza não era o suficiente para dar a alguém como Jungkook tudo o que ele merecia. Se o convidasse para sair, onde o levaria? Queria fazer o convite justamente para conhecê-lo melhor, mas, que tipo de lugar costumava frequentar? Será que preferia cinema ou um restaurante elegante de gente rica? 


Estavam cada vez mais próximos, e todas as vezes que Jungkook ia a FSC assistir um ensaio com os amigos, quando tudo terminava ficavam horas conversando e rindo, além é claro, de trocarem beijos escondidos antes que o mais novo fosse embora. Ainda assim, não sabia o bastante sobre ele para ter certeza de que o convidar para fazer qualquer coisa que ele gostava, fosse ser simples demais.  

 

— Então... – Taehy começou, encarando Jungkook que mantinha os olhos que pareciam galáxias brilhantes presos aos seus. – Eu meio que queria te fazer uma pergunta — Continuou, coçando a nuca e sorrindo quadrado timidamente.  

 

— Que pergunta? – Jungkook perguntou curioso.  

 

Mordendo o lábio inferior, ainda um pouco em dúvida, Taehyung decidiu por ir direto ao ponto. Afinal de contas, se ele estava correspondendo seu interesse, não só em palavras, mas em gestos, como os beijos que sempre aceitava de maneira calorosa, significava que queria estar com ele também.  

 

— Você quer sair comigo?  

 

— Sair? Tipo, como um encontro? — perguntou, sentindo as bochechas esquentarem, sem conseguir evitar sorrir com os dentinhos em destaque.  

 

— Sim, tipo um encontro. Só eu e você, sabe? Sozinhos, sem os meninos perto.  

 

— E onde iríamos? — de repente, sentiu um frio na barriga em ansiedade.  

 

— Isso é surpresa. Você vai saber se aceitar — Tae sorriu piscando para ele.  

 

— Eu adoraria sair com você, Tae – Respondeu, finalmente.  

 

Por mais que estivesse preparado para um sim ou um não, ouvir Jungkook aceitar com tanta animação, deixou o coração dele acelerado. Ele aceitou e agora estava ansioso para caramba.  

 

— Mesmo? – questionou de novo, apenas para ter certeza.  

 

— Mesmo. Quando vai ser?  

 

— Hum... tipo hoje... a noite? – sugeriu mordendo o lábio inferior em dúvida.  

 

— Hoje à noite, então. — concordou com um enorme sorriso.  

 

— Eu passo te buscar... umas 19:00 horas, fica bom para você?  

 

— Fica perfeito. Vou te mandar meu endereço por mensagem depois.  

 

— Combinado. Agora, vamos dançar um pouco com os meninos – levantou estendendo a mão a Jungkook que prontamente aceitou, então foram onde Jimin e Yoongi estavam.  

 

O restante do dia passou tranquilamente para os garotos. Quando eram 17:00 horas, Hoseok, Jungkook e Jimin decidiram ir embora. Hoseok porque precisava ajudar a mãe em algumas coisas, Jimin porque queria descansar para audição que teria na manhã seguinte, e Jungkook porque afinal, tinha um encontro algumas horas mais tarde e precisava se arrumar. Namjoon e Yoongi permaneceram na escola, pois, algumas aulas seriam aplicadas e Joonie estava esperando por Seokjin para os dois passarem a noite juntos.  

 

Taehyung foi para casa logo depois que Jungkook e os outros foram embora. Estava nervoso, mais do que na hora de fazer o convite. Agora que realmente sabia que iriam sair sozinhos, as coisas pareciam ficar mais verdadeiras. Ele sabia onde o levaria, e sinceramente torcia para que fosse um lugar que Jungkook gostasse. Não era elegante e cheio de pompa, mas seria extremamente divertido.  

 

Ao chegar em casa, separou as roupas que vestiria, em seguida tomou um bom e relaxante banho, tentando diminuir um pouco da ansiedade. Quando saiu, com a toalha em volta da cintura, viu seu celular avisar uma mensagem. Como prometido, Jungkook mandou o endereço para ele. Namjoon emprestou seu carro para que Taehyung pudesse buscá-lo, já que Jin o encontraria na escola com seu carro.  

 

Às 18:30 horas, Tae ficou pronto e encarou seu reflexo no espelho. Escolheu roupas confortáveis e simples, uma calça marrom, uma camiseta clara com uma estampa divertida e uma jaqueta. Saiu de casa colocando o endereço de Jungkook no GPS e seguiu até lá, sentindo as mãos suadas enquanto segurava o volante. 


Saiu com tantas pessoas, por que com Jungkook se sentia tão nervoso?  

 

Ao chegar em frente da casa onde Jungkook morava com seus pais, Tae mandou uma mensagem avisando que chegou. Não demorou para que ele aparecesse, como se também estivesse tão ansioso esperando por Tae que simplesmente se materializou, indo em direção ao carro. Assim que o avistou, Tae saiu do carro dando a volta rapidamente no mesmo, abrindo a porta para Jungkook. Ele estava tão lindo, com uma roupa toda preta e uma camisa jeans jogada por cima de maneira despretensiosa. Os olhos de jabuticaba brilharam ao encarar Taehyung assim que se aproximaram.  

 

— Oi – disse sorrindo timidamente.   

 

— Oi, lindo. — Sem conseguir se conter, Taehyung o puxou para perto, selando os lábios deles em um selinho demorado. – Você está incrível.  

 

— Obrigado. Você também está lindo — Respondeu com as bochechas coradas.  

 

Tae adorava como Jungkook sempre reagia a ele. Em alguns momentos, quando estavam apenas se cumprimentando, ele ficava um pouco tímido, e as bochechas assumindo um tom levemente avermelhado. Em outro, quando estavam aos beijos, se entregava de um jeito tão atrevido. O contraste era enorme, um combo perfeito para deixar Taehyung louco por ele.  

 

— Podemos ir agora!?  

 

— Claro — respondeu animado e curioso. — Quero muito saber onde vamos.  

 

Abrindo a porta do carro para ele, Taehyung sorriu se divertindo com sua ansiedade. Deu a volta, entrando do lado do motorista, e logo estavam a caminho do lugar que Taehyung escolheu para irem. Durante o trajeto, ficaram conversando, animados e presos na própria bolha. Uma música suave tocava preenchendo o ambiente, e quando estavam próximos do lugar, Jungkook arregalou os olhos vendo as primeiras luzes iluminando o local. Como um sorriso enorme no rosto, encarou o mais velho.  

 

— Um parque de diversões!?

 

— Sim... espero que você goste disso.  

 

— Eu adoro esse lugar, Tae!  

 

Ver o sorriso no rosto de Jungkook mexeu com Taehyung. Principalmente com seu coração, que a cada vez que via o sorriso de dentes salientes errava uma batida. Jungkook nem se esforçava para o deixar todo bobo, sentindo-se um adolescente se apaixonando pela primeira vez. 


Pensar nisso o fez engolir em seco. Quanto tempo levava para as pessoas se apaixonarem? Tinha uma regra básica para isso? A teoria do amor à primeira vista tinha fundamento!? Porque, a maneira como Jungkook o fazia se sentir tinha que ser algo além de uma simples atração física.  

 

Após estacionar numa das vagas do estacionamento do parque, foram até à entrada. Durante o percurso, Tae tomou a liberdade de segurar na mão de Jungkook e entrelaçar seus dedos, e ficou satisfeito quando ele não resistiu, pelo contrário, ao aceitar o gesto, acarinhou a palma de sua mão delicadamente com o dedo indicador.  

 

A noite estava perfeita. Uma lua incrível dominava o céu, iluminando a tudo, cheio de estrelas ainda mais brilhantes. Parecia uma cena perfeita de filmes, e os dois se sentiam felizes e abençoados por estarem juntos. Começaram o passeio decidindo os brinquedos que mais queriam ir, e juntos eles se divertiram trocando sorrisos e toques carinhosos a todo momento. Em uma das barracas que passaram, num jogo de tiro ao alvo, Jungkook torceu enquanto Tae tentava acertar a placa com o alvo para ganhar algo para ele. Taehyung não tinha uma mira muito boa, mas como prêmio conseguiu que pudesse escolher duas tiaras com “orelhinhas” de animais que combinassem.  

 

— Qual você quer, Kookie? – perguntou ao mais novo.  

 

— Hum... temos sapinhos, tigre e gatinho. – Ele analisou suas opções por alguns segundos. – Esse. – Decidiu por fim, apontando para as tiaras com olhinhos de sapo.  

 

Tae pegou as tiaras das mãos do dono da barraca e sorrindo, colocou uma nos cabelos de Jungkook quase tendo um ataque pela fofura que o outro ficou. Então, deixou que ele fizesse o mesmo consigo, e pegou o celular.  

 

— Acho que esse momento merece uma foto!  

 

Se aproximaram, posando para a foto, mas na hora que Tae apertou o botão para registrar o momento, Jungkook o surpreendeu, virando o rosto e o beijando na bochecha. Tae riu, achando incrível como a foto ficou espontânea e a mostrou para o jovem.  

 

— Ficou perfeita. Me manda depois. Podemos ir agora na roda gigante? – pediu juntando as mãos  animado.  

 

Engolindo em seco, mas disfarçando muito bem, Taehyung concordou e foram onde estava o brinquedo. Tae não se dava muito bem com altura, na verdade, tinha pavor, mas enquanto escolhiam os brinquedos para irem, Jungkook ficou tão animado em ir à roda gigante que não conseguiu se atrever a negar. Chegaram ao brinquedo, e como se conspirasse “contra” Tae, nem a fila para entrar estava grande. Uns dez minutos aguardando e estavam sentados lado a lado numa das cadeiras do brinquedo. Tae segurou firme na trava a frente do seu corpo antes mesmo do brinquedo começar a funcionar. Sua mão estava suada e sentia um frio na barriga enorme.  

 

A roda gigante começou a se movimentar, subindo gradualmente. Ele queria fechar os olhos e sabia que devia estar pálido.  

 

— Tae? – escutou a voz de Jungkook chamando quando o brinquedo parou no topo. A vista de lá era incrível, dava para ver praticamente o parque todo, mas Tae só conseguia fitar as próprias mãos apertando a trava do brinquedo. — Tae? – chamou novamente, levando uma das mãos até o queixo dele o levantando e fazendo-o encará-lo. — Você tá com medo?  

 

— Nã... não — Ele gaguejou.  

 

— Você tem medo de altura! E veio aqui comigo, por quê? — perguntou sorrindo. Já imaginava a resposta dele, e achou a atitude extremamente fofa.  

 

— Você estava tão empolgado. — deu de ombros.  

 

— Você não precisava ter feito isso por mim, Tae. Poderíamos ir em algo que você não tivesse medo — tirou a mão que estava em seu queixo, levando-a até uma das dele a segurando, entrelaçando seus dedos. — Segura minha mão, e olha para mim. Só para mim. Assim você não vai mais ter medo. – Completou sorrindo.  

 

Diante daquela atitude tão carinhosa, Tae sentiu seu coração acelerar, e dessa vez não tinha nada a ver com o medo de altura, por que imediatamente, olhando nos olhos de Jungkook simplesmente se esqueceu de qualquer coisa que pudesse assustá-lo. Sem se conter, diminuiu a curta distância entre o rosto deles e levou a mão livre a nuca de Jungkook, puxando-o para um beijo. O tocar de lábios foi calmo e carinhoso, não demorou para que as línguas se enrolassem numa dança lenta e gostosa que fazia os dois sentirem coisas novas passarem em seus corpos.  

 

Para Jungkook, era como sentir que finalmente encontrou seu caminho. Agora conseguia entender o que antes estava tão confuso para ele em relação a sua sexualidade. Gostava sim, de garotos, mas principalmente, estava gostando muito de Taehyung. Já para o mais velho, tinha a sensação que encontrou uma jóia tão valiosa que nem ao mesmo sabia se merecia, mas que naquele momento, jurou que cuidaria com todo cuidado e carinho que pudesse, pois, Jungkook era isso, uma jóia tão rara que o fazia se sentir a pessoa mais sortuda do mundo.  

 

Quando separaram o beijo, eles se encararam dando o sorriso mais verdadeiro e cúmplice do mundo. E de repente, o medo de altura de Taehyung não era nada perto da segurança que segurar nas mãos de Jungkook e olhar em seus olhos lhe davam. O resto do passeio foi ainda mais incrível, e depois de deixar Jungkook em casa no final de tudo, com mais um beijo apaixonado antes do mesmo sair do carro, Taehyung soube. Soube o quanto estava rendido por aquele garoto que apareceu do nada em sua vida.  

 

[...]  

 

Jimin não conseguiu realmente dormir naquela noite. Seu nível de ansiedade atingiu um pico tão alto, que mesmo cansado e com sono, o cérebro simplesmente não desligava. Apenas quando estava perto de se levantar foi que conseguiu cochilar. O resultado foi sentir que um caminhão passou sobre seu corpo quando o despertador tocou às 07:00 horas da manhã.  


A primeira audição estava marcada para às 10:00 horas. Os integrantes do corpo docente da academia de Nova York estavam em Seul apenas para isso, então era extremamente importante que ele saísse bem e não perdesse essa oportunidade.  

 

Estava tão nervoso e ansioso que se arrumou tão rápido que nem percebeu. Ao descer, sua mãe estava tomando o café da manhã, vestindo uma roupa elegante enquanto comia e folheava uma revista distraidamente. 


— Bom dia, mamãe — cumprimentou, olhando a comida sobre a mesa e sentindo fome, mas ciente que se comesse algo naquele momento provavelmente colocaria tudo para fora pouco tempo depois. Não conseguia comer quando estava ansioso.  

 

— Bom dia Jimin, está pronto para a audição? – perguntou sem rodeios, levantando seus olhos da revista, o encarando.  

 

— Sim... estou nervoso. — Confessou, esperando alguma palavra de conforto que pudesse amenizar sua ansiedade, mas sabia que seria exigir demais de sua mãe.  

 

— Não cometa erros. Essa é uma oportunidade incrível para impressionar. Você ensaiou, não foi? 

 

— Sim — respondeu engolindo em seco. Ensaiou a vida toda para aquele momento. 


Errar, realmente não era uma opção.  

 

— Ótimo — disse, levando a xícara de chá até os lábios cheios e delicados como os do filho, dando um gole. — Posso te levar até lá.  

 

— Não precisa, mamãe. Hoseok vai passar aqui para irmos juntos.  

 

— Ok, me avise do resultado quando terminar.  

 

Concordando com um aceno que nem ao menos foi visto, Jimin foi até a porta de entrada para esperar seu melhor amigo. Combinaram na noite anterior, que o mais velho passaria pegar Jungkook e depois ele para que fossem juntos. Mesmo Jimin morando numa distância que poderia ir caminhando, os três queriam chegar juntos, já que aquele momento era importante para todos. Hoseok e Jungkook também estavam em busca de uma vaga na renomada academia, mas era mais como uma oportunidade para eles, e não a obrigação que era para Jimin. Eles ficariam felizes se conseguissem, afinal era a New York Company Ballet, mas se conseguissem para uma companhia local também estaria bom.  

 

Quando estacionou em frente à entrada da enorme mansão, Jimin correu, entrando no banco de trás, recebendo os cumprimentos de seus amigos.  

 

— Como você está, Ji? – Hoseok perguntou o observando pelo espelho retrovisor.  

 

— Com vontade de vomitar. — disse sincero, dando um sorriso fraco.  

 

— Vai dar tudo certo, Ji. Você vai ser incrível. – garantiu, e Jungkook concordou virando o corpo no banco o suficiente para olhar o amigo no banco de trás e tocar seu joelho num carinho de apoio.  

 

— Eles vão ficar apaixonados por você, Ji.  

 

— Eu espero que sim. – disse torcendo as mãos no colo.  

 

Durante o caminho, buscando distrair a ansiedade de Jimin, Jungkook contou como foi seu encontro com Tae na noite anterior. Jimin estava feliz pelo melhor amigo. Ele parecia tão animado que sua felicidade transbordava. Enquanto se esforçava para prestar atenção em tudo que Jungkook falou, Jimin sentiu o celular em seu bolso vibrar. 


Pegando o aparelho, viu uma notificação de mensagem. Ao abrir, sentiu seu coração bater mais forte ao notar que a mensagem era de Yoongi. Eles trocaram telefones numa noite depois dos ensaios. Seguindo o conselho de Hoseok, decidiu não pensar tanto e deixar as coisas acontecerem como tinha que ser entre ele e Yoongi, e agora o outro mandou uma mensagem, era curta, mas tão significativa que automaticamente seu coração acalmou um pouco da ansiedade.  

 

“Boa sorte na audição hoje. Nós sabemos que você vai ser incrível. Vou esperar você aqui para comemorar.”  

 

Com um sorriso no rosto, Jimin guardou o celular de volta no bolso. De repente, tudo parecia que ia dar certo.  

 

[...]  

 

Os docentes da companhia de Nova York estavam sentados atrás de uma mesa comprida. Eram três pessoas, dois homens e uma mulher, loira de olhos claros como o céu num dia de verão, mas com um olhar tão sério e cortante quanto um dia de tempestade. Jimin observou que enquanto seus colegas se apresentavam, ela não tirava os olhos de nenhum movimento deles. Seu olhar era clínico, e ao final de cada apresentação, ela dava alguma opinião ou fazia uma crítica. Ela elogiou, assim como os outros dois homens, a apresentação de Jungkook e Hoseok, o que deixou Jimin feliz e orgulhoso pelos amigos.  

 

— Park Jimin — ouviu seu nome logo depois que uma de suas colegas acabou de se apresentar. Seu coração acelerou e ele respirou fundo antes de ir ao meio da sala de ensaio que estavam usando para a audição. – Park? Filho de Park Jisoo? – perguntou olhando algumas anotações a sua frente.  

 

— Sim, senhora – confirmou, sentindo todos os olhos na sala sobre ele. Estava acostumado com esse tipo de situação, mas sempre o incomodava quando as pessoas ficavam o encarando como se fosse um animal de zoológico só por ser filho de quem era.  

 

— Oh! Uma pena que sua mãe tenha se machucado antes de conseguir estar conosco. Ela com certeza seria nossa primeira bailarina. – disse com um sorriso. — Estou ansiosa pela sua apresentação. Pode começar quando estiver pronto.  

 

Jimin acenou, sentindo-se mais nervoso depois daquela sútil comparação entre ele e sua mãe. Virou-se de costas, se posicionando para iniciar a música, antes olhando para os amigos e recebendo um apoio mudo. Depois, acenou confirmando que estava pronto para o rapaz que cuidava do som e logo a música preenche o ambiente.  

 

A música era lenta e delicada. Jimin começou a se movimentar, dominando a sala inteira. Ninguém falava nada enquanto ele se apresentava, hipnotizados pela maneira perfeita que ele se movimentava. Enquanto dançava, esqueceu do mundo pelos minutos em que a música tocava, focando-se apenas naquilo. Era o sonho dele, e ele estava fazendo aquilo muito mais por ele do que pela mãe, ainda assim, era inevitável pensar na mulher enquanto estava ali. Pensar que ela teve a mesma oportunidade que ele, mas se machucou.  

 

Quando a música terminou, parou numa posição cirurgicamente perfeita, conseguia ouvir as pessoas soltando a respiração quase que em sincronia. Era como se todos tivessem ficado sem fôlego ao vê-lo e até mesmo seus amigos tiveram que se conter para não bater palmas empolgados.  

 

— Uau — A loira disse impressionada — Sinceramente, eu não via uma técnica tão perfeita quanto a sua, desde sua mãe. Você conseguiu superá-la – elogiou, os homens ao seu lado concordando. Jimin fez uma leve reverência em agradecimento, sem saber como se sentir por ouvir aquilo. Como sua mãe se sentiria ao ouvir que ele a superou? — No entanto — voltou a falar — O que nossa companhia busca, além de uma técnica perfeita, é originalidade, Jimin. E sua coreografia não tem isso.  

 

Jimin engoliu em seco, sentindo como se tivesse levado um soco no estômago. Todos os dias em que treinou até tarde e até seu corpo reclamar passaram em sua cabeça como um filme.


Então ele falhou? Era isso?  

 

— Você está na próxima fase da audição, mas como um conselho pessoal: nos surpreenda da próxima vez – Finalizou.  

 

— Obrigado. Vou trabalhar duro para isso – prometeu, fazendo uma nova reverência e caminhando até seus amigos.  

 

— Aos que passaram para a próxima fase, nós nos veremos novamente daqui alguns meses. Vocês terão tempo para se preparar e entregar algo inovador e original. Estou ansiosa para voltar a Seul e assisti-los. Obrigada por hoje. – concluiu enquanto todos agradeceram num coro sincronizado.  

 

— Foi incrível, Ji. – Jungkook elogiou enquanto abraçava o amigo.  

 

— Não o bastante. Eles gostaram da minha técnica, mas não acharam a apresentação original. Sinto como se tivesse treinado tanto para nada. – Confessou sentindo-se frustrado.  

 

— Não fica assim Ji, estava perfeito. Use os conselhos que eles te deram para melhorar ainda mais – Hoseok apoiou.  

 

— Taehy mandou mensagem nos convidando para ir à FSC. Depois vai ter uma festa num outro lugar, ele disse que seria legal se formos.  

 

— Eu não estou muito animado, sério. – Jimin disse, visivelmente mexido pelo que a loira falou a ele.  

 

— Não, nem ferrando que você vai ficar sozinho se martirizando. Você vai conosco e vai se distrair – Hoseok disse, sem dar oportunidade de protestar.  

 

Então, sem escolha, após se trocar no vestiário, os três seguiram para Itaewon, mais precisamente para a Free Spirit Company.  

 

[...] 

 

Yoongi estava acostumado com Jimin ser fechado e tímido. Mas naquela tarde, porém, o loiro parecia ainda mais quieto e preso em si mesmo. Ao chegar com Hoseok e Jungkook, ele cumprimentou a todos e foi para o canto que costumava sentar-se para assistir aos ensaios do grupo de Hip Hop. Yoongi notou como ele estava cabisbaixo e parecendo desanimado, e aproximando-se de Hoseok, perguntou num tom baixo.  

 

— O que aconteceu com ele? Não foi tudo bem na audição?  

 

— Ele foi incrível. Passou para a próxima fase, mas a professora da companhia disse que apesar de ter uma técnica perfeita, ele não foi original. Isso o deixou chateado.  

 

Yoongi encarou o loiro ao canto, distraído enquanto fitava um ponto qualquer da sala de ensaio. Mordendo o lábio inferior, se sentiu estranhamente incomodado por ver o loiro tão triste. Era como se não vê-lo sorrir, incomodasse. Caminhando até o loiro, parou a sua frente e estendeu a mão para ele.  

 

— Vem comigo. – disse simplesmente. Jimin pego de surpresa o encarou sem entender.  

 

— O quê? Para onde?  

 

— Só vem, você já vai descobrir – insistiu, balançando a mão na frente dele.  

 

Ainda desconfiado, Jimin segurou sua mão e se levantou com a ajuda dele. Então, o puxou consigo em direção a uma porta lateral na sala de treino. Saíram por ela e uma pequena escada de quatro degraus levava para uma abertura. Quando Jimin passou por ela, deu de cara com o telhado da escola de Namjoon. O local era enorme e espaçoso, e tinha uma vista incrível que deixou Jimin sem fôlego.  

 

— Caramba! Isso é lindo – disse impressionado, soltando a mão que ainda segurava a de Yoongi e andando um pouco, sentindo os raios do sol fraco atingirem sua pele.  

 

Yoongi que o observava, sentiu-se tentado a dizer que apesar da vista ser mesmo incrível, vê-lo com a luz do sol refletida nele era uma imagem ainda mais bonita. Porém, ele se conteve e apenas se aproximou de Jimin, as mãos no bolso da calça, tentando parecer casual.  

 

— Você fica melhor sorrindo, do que como estava lá dentro, emburrado e parecendo desanimado.  

 

— Ah... – começou, abaixando o rosto para os próprios pés e respirando fundo. – Está tudo bem, eu só estou me sentindo um pouco... frustrado.  

 

— Hoseok me disse que você foi bem na audição. Passou para a próxima fase.  

 

— Sim, mas... – sorriu desanimado. — Não me acharam original, e bom... é isso que eles procuram.  

 

— Eu duvido que você não tenha sido incrível – Yoongi tentou animá-lo, mas a expressão em seu rosto mudou minimamente, e isso causou uma sensação de impotência no mais velho.  

 

Não queria vê-lo daquela maneira. Ele sempre aparentava tristeza, e nos últimos dias frequentando a FSC com os outros garotos, Yoon notou como ele estava, aos poucos, mudando e aparentando estar mais feliz.  

 

— Não fui incrível o suficiente para surpreendê-los. Acho que não vou me dar bem na próxima audição. Eu não sei o que fazer para melhorar, já me esforço tanto, e agora... aff me sinto tão cansado. Como se eu tivesse só perdido todo meu tempo durante esses anos. – desabafou sem conseguir controlar sua frustração.  

 

— Ei, eu duvido que você ensaiar tantos anos tenha sido em vão. Vai, me mostra sua coreografia.  

 

— Quê? Não... sério, não vou fazer isso.  

 

— Jimin, estamos só nós dois aqui em cima. Me mostra. Prometo que vou te dar minha opinião sincera a respeito. – prometeu, caminhando a um canto do telhado e sentando-se sobre um compartimento de concreto.  

 

— Eu nem estou usando minhas sapatilhas Yoon! – reclamou, sem perceber a maneira como o chamou, porém Yoongi notou e sentiu seu coração derreter com como o som saiu dos lábios bonitos dele. 


Um apelido nunca teve tanto significado como naquele momento.  

 

— Pare de pensar loirinho. Apenas aja. Lembra? – recordou com um sorriso, piscando.  

 

— Ok... tá bem! Eu vou tentar. – disse descalçando os sapatos, os deixando de lado e decidindo fazer a coreografia vestindo apenas as meias escuras.  

 

Assim como momentos antes, começou a dançar, mesmo sem música e sem estar vestido adequadamente. Engoliu todo o receio e constrangimento que poderia sentir por dançar apenas para o loiro, e se entregou aos passos. Yoongi fixou seus olhos nele, o vendo dançar. Era diferente de quando o chamava para dançar aos finais dos ensaios, nunca tinha visto Jimin dançar balé, e agora que tinha a oportunidade, conseguia entender toda a agitação sobre o pequeno Park. Ele era perfeito. Seu corpo lindo nasceu para a dança. Jimin parecia uma pluma flutuando contra o vento, no sentido mais literal da palavra.  

 

Yoongi não conseguia desviar os olhos das curvas perfeitas se movimentando, os pés delicados trocando de posição em sincronia, a luz do céu o iluminando. Era como a visão perfeita de um anjo voando. Caramba! Estava tão ferrado que não conseguia nem definir o quanto. Seu coração estava acelerado e sua garganta seca. Queria filmar aquele momento para assistir num looping infinito sempre que se sentisse triste, pois aquele tipo de visão tinha poder curativo.  

 

Jimin terminou a dança, respirando fundo cansado, olhou para Yoongi, esperando sua reação, mas o loiro ainda estava meio hipnotizado e levou alguns segundos até voltar a realidade. Uma que não fosse ele levantando e pegando Jimin em seu colo para o encher de beijos como queria fazer naquele momento. Jimin era tão bonito, delicado e inocente que Yoongi sentia um instinto quase perturbador de protegê-lo, e nem conseguia entender o porquê.  

 

— Isso foi lindo, Jimin — elogiou sinceramente. – Seus movimentos são tão precisos, e perfeitos. Mas, entendo o que a professora quis dizer. É tudo tão perfeito que acaba ficando muito — pensou um pouco tentando encontrar uma palavra. — Mecânico? Não parece natural, sabe? Quero dizer, passa a impressão sim, de que você treinou para caralho para isso, mas não tem emoção.  

 

— Oh! Uau. Nossa, você foi sincero mesmo – disse chateado, enquanto calçava os sapatos de novo, prestes a voltar para dentro da escola.  

 

Yoongi rapidamente levantou-se, caminhando até  ele e segurando seu braço sem força, apenas para fazê-lo o encarar.  

 

— Jimin, eu disse que ia ser sincero. Você é um bailarino incrível. Contudo, você visivelmente não dança por amor. Parece mais como uma obrigação de conseguir um objetivo pelo qual você treinou a vida toda. Seu objetivo precisa mudar. Precisa ser por você realmente gostar – disse firmemente — Quando você dança comigo e os meninos depois do ensaio, é visível a diferença. Seus olhos brilham e você fica preocupado apenas em se divertir. Mas com essa coreografia... você se concentra apenas em não errar e ser perfeito. 

 

A declaração de Yoongi era como um tapa na cara. Jimin entendia que a intenção de Yoongi não era magoá-lo. A maneira como falava, apesar de ser direta, tinha um tom carinhoso. Ele estava dizendo o que observou nesse tempo em que estavam convivendo. No fundo, Jimin sabia que Yoongi tinha razão. Em qual momento o balé perdeu tanto o real significado para ele? Quando era criança se divertia muito dançando. Era um prazer e fazia com amor. Agora, em certos momentos, parecia uma obrigação, um castigo que infligiu a si mesmo e nem sabia o porquê.  

 

— E o que você sugere que eu faça? – Jimin perguntou, encarando Yoongi. A mão dele ainda em seu braço, causando no local uma sensação de formigamento.  

 

— Por que você não tenta misturar na sua coreografia original, alguns passos que aprendeu aqui?  

 

— Eu não posso fazer isso, Yoongi – respondeu rindo de nervoso — Existem regras, e eu tenho que cumpri-las. Há movimentos específicos que preciso fazer em cada coreografia. Balé e hip hop são coisas totalmente diferentes. — Completou, como se fosse óbvio.  

 

— Os dois tem o mesmo objetivo, Jimin. Dançar. Mostrar através do seu corpo a dança. E se há regras, é simples. Quebre-as. Foi para isso que elas foram feitas, para serem quebradas.  

 

Então Yoongi pegou seu celular no bolso da calça. Abriu a conversa deles e começou a digitar.  

 

— Estou mandando um endereço para você no WhatsApp com uma data e um horário. Vá até esse lugar. Eu vou te mostrar como Ballet e Hip Hop podem sim, andar juntos.  

 

— Que lugar é esse? – perguntou curioso.  

 

— Vá até lá no dia e você vai descobrir.  – Yoongi concluiu, guardando o celular no bolso da calça e encarando o loiro — Às vezes, tudo o que você precisa fazer para sobressair sobre os outros, Jimin, é quebrar algumas regras, e está tudo bem. Você não vai ser menos perfeito por isso.  

 

Eles se encararam. Tão próximos que nem perceberam. A respiração de Jimin tocava as bochechas de Yoongi e o mesmo acontecia com o loiro. Ele não conseguia desviar os olhos e muito menos se afastar. Só fizeram isso quando Namjoon apareceu pela abertura que dava passagem até ali.  

 

— Yoon, o ensaio vai começar – começou, mas parou ao vê-los. – Uh! Eu não queria atrapalhar. – desculpou-se rapidamente.  

 

— Não atrapalhou, Joon – Yoongi garantiu, finalmente soltando o braço de Jimin e se afastando dele. — Já vamos descer.  

 

Concordando, Namjoon sumiu pela abertura. Yoongi virou para encarar Jimin de novo lhe lançando um sorriso.  

 

— Prometa que vai ao local que te mandei. – pediu em expectativa.  

 

— Tudo bem. – cedeu. Estava curioso para saber do que se tratava e sua curiosidade sempre acabava falando mais alto.  

 

— Ótimo. Vai mais arrumado. Algo como uma roupa social – piscou para Jimin e caminhou para abertura sumindo nela em seguida.  

 

Jimin permaneceu alguns minutos sozinho, processando toda aquela conversa, tentando entender como se sentia naquele momento, ainda com a sensação do toque firme da mão de Yoongi em seu braço. 


O que ele podia esperar desse convite? Que endereço era aquele? E o mais assustador, aquilo seria considerado um encontro? Afastando os pensamentos, respirou fundo e seguiu pelo mesmo caminho que Yoongi, voltando à sala de prática onde todos estavam, e os meninos da D-Town iniciando o ensaio. 


Sentou-se ao lado de Jungkook e durante o resto do tempo lutou entre prestar atenção no ensaio e prestar atenção apenas no loiro que dançava de maneira incrível, lançando olhares e sorrisos sempre que podia para ele. 

 

 






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