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História NO SEIO DA ROCHA, NASCE UMA ROSA - Capítulo 2


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Notas do Autor


Galerinha, pela primeira vez na História temos a oportunidade de salvar o mundo praticando a melhor atividade de todas: fazer nada.
Aproveitam o climinha de fim de mundo para assistir Netflix, colocar leitura em dia, desenhar, dançar...
Se você é jovem e saudável, faça pelas pessoas menos afortunadas. Até porque estão surgindo evidências de que mesmo os sobreviventes jovens ficam com sequelas respiratórias. A perda é de 20 a 30% da capacidade pulmonar! Se isso não for suficiente, faça pelos nossos avozinhos, gestantes, imunodeficientes e outros grupos de risco.

FIQUEM EM CASA!

Capítulo 2 - A DANÇA DAS BARATAS


Fanfic / Fanfiction NO SEIO DA ROCHA, NASCE UMA ROSA - Capítulo 2 - A DANÇA DAS BARATAS

Faltando apenas dois meses para o fim do ano escolar em Hogwarts, o único interesse dos alunos era discutir o desaparecimento de Draco Malfoy. O jovem bruxo não fora visto por duas semanas, o que abria a oportunidade para o surgimento dos mais esquisitos rumores. Teorias variavam desde a transformação em lobisomem, passando por ingestão de poção do desespero, até chegar à fuga para viver um romance proibido com Blaise Zabini, que havia se exilado na Itália desde o fim da guerra.

A hipótese mais provável, menos criativa, era de que Draco teria passado todos esses dias em tratamento medibruxo, recuperando-se de um mal súbito. A questão é: teria ele sido levado para o Hospital Santo Mungo para doenças e acidentes mágicos, ou teria continuado sob os cuidados de Madame Pomfrey?, perguntou-se Harry, ao observar o cochicho dos colegas. A resposta indicaria o estado de saúde do jovem bruxo, considerando-se que a pequena enfermaria de Hogwarts não tinha licença para atuar em casos de maior complexidade mágica.

— Deve ser remorso, é o que eu digo. Se é que aquela serpente de sonserina realmente é capaz desse sentimento - declarou Ron, diretamente à frente de Harry. O ruivo estava a minutos discutindo com a namorada, enquanto rabiscava num pedaço de pergaminho, para dar a  impressão de estar ocupado. Como se a professora McGonagall não fosse reparar em quinze alunos distraídos dentro de uma sala de aula.

— Não seja insensível, Ronald. Pode haver algo seriamente errado com Malfoy. - Ralhou Hermione - E se você é incapaz de se solidarizar com quem considera um inimigo, então qual a diferença entre nós e eles? - Terminou, com um olhar suplicante no rosto.

— Qual a diferença entre nós e eles? Qual a diferença? A tentativa de exterminar todos os trouxas? A tortura? O uso das maldições imperdoáveis? Ora, ‘Mione, precisa mesmo que eu continue?! - Ron ergue a voz ao longo de seu discurso inflamado.

—  Shhh - sibilou McGonagall, de repente a centímetros do rosto de Rony. - Ou talvez você queira terminar nossa lição sobre Desilusão e Charmes, já que parece ter tantas informações importantes para compartilhar. - Ralhou a velha bruxa, erguendo uma sobrancelha elegante para o rapaz.

— N-não, obrigado, professora McGonagall. Quero dizer, uhm, não irá se repetir... farei silêncio. - Gaguejou Ron, reclinando o tronco no assento para se esquivar do olhar sério da professora.

Parecendo satisfeita, a velha bruxa tornou à frente da sala, voltando a discutir as peculiaridades do charme emitido pelos Veelas. O tema costumava ser popular entre os alunos, cujos corações jovens conjuravam ideias ardentes sobre romance com as criaturas. Não passava da mais pura romantização, mas costumava manter os estudantes entretidos pela hora e meia da lição. Não hoje, ponderou McGonagall, ao observar os alunos.

Ao seu redor, as carteiras esculpidas de salgueiro estavam inundadas por material de estudo: “O Charmoso livre dos Charmes”, de Ruanda Sollingwey, pedaços de pergaminho, tinta e penas. Porém, nenhum dos alunos sequer fazia menção de pegar seus materiais de trabalho. O falatório ocupava a todos, enchendo o grande salão de murmúrios incessantes. Continuar a aula seria impossível naquele ambiente, admitiu a professora para si mesma, com um profundo suspiro.

Apoiando-se na escrivaninha, finalmente se resignou à única solução possível:

— Estão todos dispensados, considerando que pareço estar lecionando para as paredes - declarou.

Imediatamente, um burburinho tomou conta da sala: cadeiras sendo empurradas, livros sendo guardados, penas sendo atiradas dentro das bolsas de couro... Claramente estavam ansiosos para debater seus rumores em paz. Não tão depressa, pensou a professora, antes de continuar: - Mas, eu quero uma redação completa acerca da natureza e objetivos do desenvolvimento evolutivo do charme dos Veelas. Pelo menos um rolo de pergaminho completo. Tenho certeza de que não será difícil terminar com base no que discutimos nessa aula.

Ignorando os grunhidos desanimados dos alunos, a professora guardou sua varinha num compartimento entre suas vestes, deixando a sala numa nuvem da capa azul-celeste que vestia. Quase atravessara o grande arco da entrada quando foi interrompida por um corpo alto que se interpunha no caminho. Bastou erguer os olhos para se encontrar cara a cara com os olhos verdes e cabelo bagunçado de Harry Potter. Mas que surpresa, pensou, com certa ironia.

— Como posso ajudá-lo, Sr Potter? Tenho certeza de que estará ocupado com a tarefa que passei, considerando  não ter passado um único segundo da última hora prestando atenção na lição.

— Desculpe, professora. - Disse o rapaz, tendo a decência de desviar os olhos em sinal de constrangimento. - Acho que estamos todos… preocupados? Malfoy caiu duro bem na nossa frente, sem que Madame Pomfrey tenha nos explicado coisa alguma. Acredito que se não houvesse todo esse mistério cercando o caso estaríamos mais tranquilos.

Pomfrey? Teria Potter procurado a enfermaria atrás de notícias acerca do jovem Malfoy?, perguntou-se a professora, surpresa. O rapaz era mesmo uma caixinha de surpresas. Mas por que estaria interessado no seu proclamado arqui-inimigo?

Seus olhos dançaram rapidamente pela extensão da grande sala de mármore negro da torre de astronomia, checando se algum curioso os observava. Nenhum par de olhos, nem de ouvidos se concentrava na dupla, notou. Os alunos abandonaram a aula rapidamente para fofocar, deixando uma única figura solitária para trás. Era o jovem Longbottom, cujas mãos desastradas ainda travavam uma luta mortal contra os botões teimosos de sua mala de couro. Isso será de grande utilidade, concluiu a professora, deixando um sorriso discreto lhe repuxar o canto dos lábios.

— Vou levar suas opiniões em consideração, Sr Potter, já que parece entender melhor o caso do que o próprio Ministro da Magia - disse ela, observando o leve arregalar de olhos do rapaz ao ouvir que autoridades mágicas de alto nível estariam envolvidas.

Em seguida, deu meia-volta e caminhou direto para suas instalações, no topo da torre de Grifinória. Com um pouco de sorte, a Srta. Granger desvendaria sua dica após ouvir o relato do jovem Potter, que certamente compartilharia sua descoberta com os melhores amigos.

Às suas costas, um Harry Potter atônito analisava cada palavra dita pela professora. Por que o Ministro Shacklebolt se preocuparia  com o súbito mal-estar de Draco Malfoy? Talvez os rumores sobre a mordida de lobisomem estivessem corretos? Tratam-se de criaturas regulamentadas pelo ministério, afinal. Sobretudo quando se é um ex-comensal da morte adolescente, filho do braço direito de Voldemort.

— Harry! - chamou Ron, do fim do corredor. - Hermione e eu vamos para a biblioteca, fazer essa maldita tarefa que McGonagall passou. Você vem?

Encolhendo os ombros, Harry se dirigiu a passos lentos até onde o amigo esperava - Parece que não temos escolha, não é mesmo?

— Sim! Tudo por culpa daquele furão albino. Mesmo quando ele não está tentando, acaba destruindo nossas vidas. Ou talvez tenha até sido de propósito - declarou o garoto, num suspiro só. As bochechas pálidas logo ficaram vermelhas, do esforço de discursar enquanto caminhava escada abaixo.

Cansado da ladainha do amigo, Harry não tardou em desviar do assunto:

— Mas e a tarefa, Ron? Você chegou a prestar atenção a uma palavra sequer do que a professora explicou? Porque eu estava distraído demais para isso.

— Ora, Harry, mas é claro que não prestei atenção à aula quando tinha preocupações muito mais importantes na cabeça. Como vamos saber que Malfoy não está tramando algo contra nós? - declarou, inflamado por ódio pelo colega da Sonserina. - Você não compra a história de que ele foi mordido por um lobisomem, não é mesmo?

Harry parou de caminhar para tomar um suspiro profundo antes de responder. Estavam às portas da biblioteca, onde Hermione aguardava com mais sensatez do que seus dois amigos tinham somados. - Eu acho que não sei, tá bem, Ron? E também acho que você não sabe. E não me parece justo presumir o pior das pessoas, mesmo o Malfoy.

O jovem bruxo estava se sentindo aborrecido, o que dizia para si próprio ser resultado do calor opressivo daquela manhã de maio. Afrouxando a gravata escarlate-dourada do uniforme, procurou respirar fundo para não explodir com seu melhor amigo. Se o estado emocional de Rony andava instável desde a morte de Fred, ninguém podia culpá-lo.

— Ron, Harry, o que fazem aí, parados feito esfinges? - indagou a inconfundível voz de Hermione, da biblioteca. Virando-se para a garota, Harry não se surpreendeu ao ver um volume de “A vil vida dos Veela”, de Newt Scamander, em suas mãos. O grosso volume pendia pesadamente de seu braço esquerdo, enquanto a garota gesticulava com a mão direita para que seus amigos se apressassem em entrar na biblioteca.

O labirinto de prateleiras que compunha a sessão de magizoologia estava apinhado de estudantes do último ano. O desespero para encerrar a tarefa tomara conta de todos. Não o suficiente para Malfoy deixar de ser alvo de murmúrios, mas algumas cabecinhas se ocupavam também da mágica dos Veela. A mesa redonda de mogno escolhida por Hermione, sozinha, abrigava sete livros diferentes sobre o assunto.

— Como podem ver, já selecionei os livros de maior importância - declarou, orgulhosa. O namorado, ao seu lado, enviou um olhar alarmado para Harry. Ambos sabiam que uma tarde árdua de estudos estava por vir. - Meu preferido é do Professor Scamander, uma verdadeira obra-prima!

Ron escolheu o assento mais próximo da namorada, enquanto Harry se sentou diretamente à sua frente. - Sei muito sobre os Veela, ‘Mione. Mesmo antes de Gui descobrir ser o espelho d’alma de Fleur, minha mãe passou nossa infância inteira enchendo nossas cabeças com histórias de Veel--

— “Espelho da alma”? - papagueou Harry, certo de que entendeu mal.

Hermione lhe lançou um olhar desanimado, antes de erguer um dos livros até a altura da testa e ler uma longa passagem para o amigo:

—  “Espelhos d’alma” são indivíduos dotados de núcleo mágico idêntico, apresentando perfeita compatibilidade espiritual. Descobertos por Nicolau Prittstaw em 1327, sua união resulta em descendentes de poderio mágico inigualável. É teorizado que os quatro fundadores de Hogwarts -Godric Grifinória, Helga Lufa-Lufa, Rowena Ravenclaw e Salazar Sonserina- fossem fruto do relacionamento de espelhos. Os Veela são as criaturas mágicas com maior potencial para possuir essa capacidade mágica, potencializada pelo cruzamento com outras criaturas, como lobiso--

—  Ahh - interrompeu Harry, de repente se lembrando da conversa que teve com a professora McGonagall. - Esqueci de contar: descobri algo importante sobre Malfoy - exclamou o rapaz. A animação era tanta que não reparou no olhar exasperado dos amigos ao vê-lo se lançar novamente em sua obsessão preferida - Ela deixou escapar que Malfoy foi mordido por um lobisomem.

Ronald lançou uma gargalhada: - O furão albino, um lobisomem? Não com aquela aparência de saco de ossos ambulante! 

Hermione pareceu intrigada com a revelação de Harry, as sobrancelhas franzindo em concentração. Os sintomas observados no dia do desmaio de Malfoy não eram compatíveis com licantropia. O despertar de criaturas mágicas se assemalhava a uma segunda puberdade, causando mudanças físicas, transtornos de humor,  dores no corpo… Nada parecido com o suor frio, dor, palidez e perda de consciência que tinham acometido seu colega da sonserina.

— McGonagall falou em licantropia, Harry, ou você presumiu? Que palavras exatamente ela usou? - indagou Hermione. 

Harry se concentrou em relembrar a cena de minutos atrás.

Na sua melhor imitação da professora sisuda proclamou: - Sr Potter, dispenso seus palpites, porque o próprio Ministro da Magia determinou as medidas a serem tomadas. - Soltando um pigarro, o rapaz continuou em sua voz normal - Algo assim, que eu me lembre.

Ron e Hermione olharam para o garoto com olhares atônitos idênticos. Ronald cruzou os braços sobre o peito. - É tudo? Não entendi a ligação com lobisomens - disse o rapaz.

— Bom… - começou Harry, de repente percebendo o quão precipitadas eram suas conclusões. - Tem lógica, não é? Shacklebolt se envolve nos casos de criaturas regulamentadas. E não tem muitas delas. Eu só -- eu presumi que a teoria do lobisomem está correta. Explicaria tudo! - insistiu.

Ron não parecia convencido. - Estamos falando de um comensal da morte. Existem milhares de razões para o Ministério querer manter o furão sob rédeas curtas. - Soltou uma gargalhada - Francamente, amigão, sua teoria é furada. McGonagall não deixaria escapar nenhuma informação realmente confidencial.

O cérebro aguçado de Hermione percebia que algo não se encaixava na história de Harry. Bastou se concentrar um pouco, para capturar a verdade nas palavras do namorado. - Exato, Ronald, você é um gênio! - exclamou para um Ron sorridente - McGonagall não “deixou escapar” o paradeiro de Malfoy. Foi um alerta para intervirmos, o que quer dizer…

— ...Que aquela cobra peçonhenta foi pega num complô contra o mundo mágico, como eu desconfiava. Os comensais da morte só estavam esperando baixarmos a guarda - Falou Ron, num suspiro só.

— ...Ou, McGonagall quer que ajudemos Malfoy. Se ele realmente for lobisomem, isso daria uma desculpa para atirá-lo em Azkaban - disse Harry - Confio em Shacklebolt, mas muitos inimigos da família devem estar pressionando no ministério. Os Malfoy só se livraram do beijo do dementador porque eu testemunhei em seu favor, e ainda assim Lucius… Vocês sabem…

Perdida em pensamentos, Hermione alisou distraidamente as páginas amareladas do livro diante de si. Acreditar que Malfoy estaria mancomunado com comensais da morte para provocar um levante de puros-sangue não tinha sentido. O estado de saúde de Malfoy afastava dúvidas quanto à hipótese de ter planejado tudo aquilo… Por outro lado, a hipótese de um complô do ministério parecia igualmente improvável.

— Você pode perguntar, Harry - disse a garota, de repente se dando conta do fato - Shacklebolt não pode negar um favorzinho ao salvador do mundo mágico.

— Que espera que eu faça, ‘Mione? Envie uma coruja ao ministério da magia pedindo detalhes de um caso confidencial?! - exclamou Harry.

— Pode funcionar - respondeu a amiga, dando de ombros.

Surpreso, Harry parou um segundo para cogitar a ideia. Shacklebolt não ousaria contrariar o-menino-que-sobreviveu-e-venceu. A comunidade mágica jamais permitiria que seu maior representante, o ministro, fosse um inimigo de seu salvador… Isso poderia ser útil.

Harry, de repente, se dava conta de que não era mais o garotinho preso debaixo das escadas dos Dursley. Era um mago prestigiado, poderoso e com mais ouro no seu cofre em Gringotts do que algumas pessoas veriam em toda a sua vida.

Hora de testar minha influência, pensou, antes de agarrar o pedaço de pergaminho mais próximo e uma pena. Rabiscou uma breve mensagem endereçada ao “Velho amigo Shacklebolt”. Os quatro parágrafos seguintes descreviam que o rapaz consideraria “um favor pessoal” ter acesso ao caso Malfoy. Por último, assinou seu nome com as palavras “aguardo ansiosamente sua resposta”.

 

Mal sabia o jovem bruxo que viveria para se arrepender por  mil vezes daquela meia-dúzia de palavras.


Notas Finais


Esse capítulo é um interlúdio parado, mas fundamental para dar corpo à história. Prometo que mais drama segue no próximo capítulo: preparem os lencinhos de papel.


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