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História No Seu Olhar - Capítulo 1


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Notas do Autor


Espero que gostem do universo de Naruto integrado ao livro de um do autores mais adorados da minha vida! No Seu Olhar é um bebezinho para mim. Amo demais esse livro e o casal - Colin e Maria - dessa obra. Muitas coisas do universo de Naruto eu tive que alterar aqui e algumas coisinhas pequenas na narrativa original do livro.
Os capítulos podem demorar para sair, pois tenho que edita-los - ler o livro de novo - e revisar a história. Entretanto vou postar sempre que possível.

Capítulo 1 - Prólogo


Fanfic / Fanfiction No Seu Olhar - Capítulo 1 - Prólogo

Não foi preciso nem mais do que um dia em Wilmington para ele saber que aquela era uma cidade em que nunca se estabeleceria. Era turística demais e parecia ter crescido sem o menor planejamento. Ainda que o distrito histórico tivesse o tipo de casa que ele queria – varanda na frente, colunas, lambris e pés de magnólia no quintal -, esses bairros adoráveis acabavam atraindo áreas comerciais com shoppings de beira de estrada, lojas de conveniências, redes de lanchonetes e revendas de automóveis. O tráfego interminável serpenteava pelo distrito, ficando ainda mais insuportável durante o verão.

Mas o terreno da Universidade da Carolina do Norte em Wilmington era uma surpresa agradável. De algum modo ele imaginava um campus onde predominasse a feia arquitetura dos anos 1960 e 1970. Havia algumas construções maravilhosas: passeios com sombra e gramados bem-cuidados, as colunas georgianas e fachadas de tijolos do Hoggard Hall e do Kenan Hall reluzindo ao sol do fim de tarde.

Ele admirou também as áreas públicas. Havia uma torre de relógio e, ao chegar, contemplou a imagem refletida no pequeno lago, o próprio tempo espelhado e ilegível ao primeiro olhar. Enquanto estivesse com um livro aberto no colo, podia ficar sentado espiando as atividades, quase invisíveis aos estudantes que circulavam.

Fazia calor para o fim de setembro, e os universitários usavam bermudas e miniblusas, pele exposta por toda parte. Imaginou se os jovens se vestiam daquele jeito também para assistir às aulas. Como eles, estava no campus para aprender. Visitara o local três vezes em três dias, mas ainda havia muita gente ao redor; muitas chances de haver lembranças, e ele não queria ser lembrado. Cogitou ir para outra área antes de finalmente decidir que não havia motivo. Pelo que dava para ver, ninguém se importava com sua presença.

Estava perto, muito perto, mas era importante manter a paciência por enquanto. Respirou fundo. Viu uma dupla de estudantes indo para a aula, mochilas penduradas nos ombros, mas a essa hora estavam em número muito menor do que os colegas que saíam, dando início ao fim de semana mais cedo. Aqui e ali alunos se reuniam em grupos de três ou quatro, conversando e bebericando em garrafas d’água que ele suspeitava estarem cheias de bebidas alcoólicas, enquanto dois rapazes jogavam um frisbee para lá e para cá, com as namoradas batendo papo ali por perto.

Viu um homem e uma mulher discutindo, o rosto dela estava vermelho. Ela empurrou o namorado, criando espaço entre os dois. Deu um sorriso. Respeitava a raiva dela e o fato de que, diferentemente dele, ela não se sentia compelida a esconder os sentimentos. Para além do casal, outro grupo de estudantes jogava futebol com a falta de preocupação de quem não tem responsabilidades.

Acreditava que muitos alunos planejavam sair naquela noite e na seguinte. Casas de fraternidade. Bares. Boates. Para eles o fim de semana começaria ainda naquela noite, já que não havia muitas aulas às sextas-feiras. Ficara surpreso ao descobrir isso. Com o custo elevado da educação universitária, imaginava que os estudantes exigiriam mais tempo na sala de aula, e não fins de semanas de três dias. No entanto, supunha que essa programação satisfazia tanto os alunos quanto os professores. Hoje em dia todo mundo queria que as coisas fossem fáceis, não era? Fazer o mínimo de esforço possível? Pegar atalhos?

Era exatamente isto que os estudantes estavam aprendendo ali: decisões difíceis não eram necessárias, não era importante fazer a escolha certa, principalmente se isso implicasse trabalho extra. Por que estudar ou tentar mudar o mundo numa tarde de sexta-feira quando você podia estar curtindo o sol?

Olhando da esquerda para a direita, imaginou quantos daqueles alunos ao menos pensavam na vida que iriam levar. Konan costumava pensar nisso. Tinha planos. Tinha mapeado o futuro aos 17 anos, embora houvesse um pouco de hesitação no modo como ela falava sobre isso. Ele tinha a impressão de que ela não acreditava totalmente em si mesma. Por que outro motivo teria tomado aquelas decisões?

Ele tinha tentado ajudá-la. Tinha feito a coisa certa, cumprido com a lei, preenchido relatórios para a polícia, até falado com a assistente da promotoria. E até ali acreditava nas regras da sociedade. Mantinha a crença ingênua de que o bem triunfaria sobre o mal, que o perigo poderia ser encurralado, que os acontecimentos poderiam ser controlados. As regras manteriam as pessoas a salvo do mal. Konan também acreditava nisso. Afinal, não era o que ensinavam às crianças? “Olhe para os dois lados antes de atravessar a rua.” “Não entre num carro com um estranho.” “Escove os dentes.” “Coma legumes.” “Ponha o cinto de segurança.” A lista era interminável, repleta de regras para nos proteger e salvar.

Mas também podiam ser perigosas. As regras tinham a ver com situações gerais, não com específicas. Como as pessoas eram condicionadas desde a infância a aceitar regras, era fácil segui-las cegamente. Confiar no sistema. Era mais fácil não se preocupar com possibilidades aleatórias. Isso significava que não era preciso pensar em consequências potenciais. Quando o sol brilhava nas tardes de sexta-feira, todos podiam jogar frisbee sem qualquer preocupação.

A experiência era a lição mais dolorosa. Durante quase dois anos, ele só conseguira pensar nas lições que aprendera. Haviam consumido sua mente, mas aos poucos uma clareza tinha começado a emergir. Konan sabia sobre o perigo. Ele a havia alertado a respeito do que poderia acontecer. No fim, ela só se preocupou em seguir as regras porque era conveniente.

Olhando seu relógio, viu que finalmente era hora de ir. Fechou o livro e se levantou, parando para avaliar se seu movimento havia feito com que outras pessoas o notassem. Nada. Então foi embora, atravessando o gramado com o livro embaixo do braço. Trazia uma carta no bolso. Ele caminhou até a caixa de correspondência do lado de fora do prédio de ciências. Enfiou o envelope na fenda e aguardou; alguns instantes depois, viu Ino sair pela porta, exatamente na hora esperada.

Já sabia muito sobre ela. Atualmente, todo jovem tinha Facebook, Twitter, Instagram, Snapchat etc., deixando a vida à mostra para qualquer um que se importasse em juntar as peças. De quem a pessoa gostava, quem eram os seus amigos, onde passava o tempo. Já sabia, por causa de um post no Facebook, que ela almoçaria com a irmã na casa dos pais no domingo. Enquanto a olhava caminhar à sua frente, o cabelo loiro caindo até abaixo da cintura, notou mais uma vez como era linda. Havia nela uma graça natural. Ela atraía sorrisos de admiração dos homens por que passava, ainda que não parecesse notar. Estava andando com uma morena baixa e acima do peso, colega de turma. As duas tinham participado de um seminário sobre educação; sabia que ela queria ser professora do ensino fundamental. Fazia planos, como Konan.

Manteve distância, excitado pelo poder que sentia na presença dela, um poder que poupara nos últimos dois anos. Ela não tinha ideia de como ele estava perto nem do que podia fazer. Nem ao menos olhou por cima do ombro, mas por que deveria? Ele não era ninguém, apenas mais um rosto na multidão…

Imaginou se ela estaria contando à morena sobre os planos para o fim de semana, os lugares ou as pessoas que pretendia ver. De sua parte, ele planejava se juntar à família para o almoço no domingo, ainda que não como convidado. Em vez disso, iria observá-los a partir de uma casa próxima, localizada num bairro de classe média. Fazia um mês que a casa estava vazia: os donos a haviam perdido por falta de pagamento, mas ainda não fora posta à venda. Apesar de as fechaduras serem boas, ele conseguira entrar por uma janela lateral sem muita dificuldade. Sabia que, do quarto principal, dava para ver a varanda dos fundos e a cozinha deles. No domingo iria assistir à família reunida, rindo e brincando à mesa da varanda.

Sabia de algo sobre cada um deles. Kizashi Haruno tinha a clássica história de imigrante bem-sucedido; a matéria de jornal orgulhosamente emoldurada no restaurante da família contava como ele havia chegado ilegalmente ao país na adolescência, sem falar uma palavra de inglês, e começado a trabalhar como lavador de pratos num restaurante local. Quinze anos mais tarde, depois de se tornar cidadão americano, tinha economizado dinheiro suficiente para abrir seu próprio estabelecimento num shopping – The Pig & The Lady – servindo as receitas de sua mulher, Mebuki.

Enquanto ela cozinhava, ele fazia todo o resto, principalmente nos primeiros anos do negócio. Pouco a pouco o restaurante se expandira, e agora era considerado um dos melhores estabelecimentos asiáticos da cidade. Apesar de terem mais de quinze empregados, muitos eram parentes, o que mantinha o caráter familiar. Ino era garçonete três vezes por semana, assim como sua irmã mais velha, Sakura, já fora. Kizashi era membro da Câmara de Comércio e do Rotary Club. Todos os domingos, a esposa e ele frequentavam a missa das sete horas na igreja de St. Mary, onde Kizashi também atuava como diácono. Mebuki era um pouco mais misteriosa; ele só sabia que ela ainda se sentia mais confortável falando japonês e que, como o marido, sentia orgulho por Sakura ter se tornado a primeira pessoa da família a se formar numa faculdade.

Quanto a Sakura…

Ainda não a vira em Wilmington. Ela estivera fora da cidade nos últimos dias, numa convenção de advogados, mas ele a conhecia melhor do que todos. No passado, quando morava em Charlotte, ele a vira muitas vezes. Tinha falado com ela, tentado convencê-la de que estava errada. Por fim, ela o fizera sofrer muito, e ele a odiava por isso.

Quando Ino se despediu da amiga com um aceno e rumou para o estacionamento, ele continuou andando em linha reta. Não tinha motivo para segui-la. Ele a veria no domingo, ao lado da família pequena, mas feliz. Especialmente Sakura.

Sakura podia ser considerada ainda mais bonita do que a irmã, se bem que, sinceramente, as duas eram vencedoras na loteria genética, com os olhos verdes e uma estrutura óssea praticamente perfeita. Tentou imaginá-las juntas, sentadas à mesa: apesar da diferença de sete anos, muitas pessoas poderiam presumir que fossem gêmeas. No entanto, eram diferentes. Enquanto Ino era totalmente expansiva, Sakura sempre fora mais quieta e esforçada, a mais séria e estudiosa das duas. Mesmo assim eram unidas, melhores amigas, além de irmãs. Ele especulava que talvez Ino visse na irmã traços que quisesse imitar, e vice-versa. Sentiu-se empolgado ao pensar no fim de semana, sabendo que podia ser uma das últimas vezes que a família estaria reunida com algum resquício de normalidade. Queria ver como agiriam antes que a tensão infectasse a família doce e feliz… antes que o medo tomasse conta. Antes que a vida de todos começasse lentamente – e depois furiosamente – a ser arruinada.

Afinal de contas, ele havia chegado com um objetivo, e esse objetivo tinha um nome.

Vingança.


Notas Finais


Alguma teoria de quem é o narrador vingativo desse prólogo?! Deixe aqui em baixo a sua teoria e sua opinião sobre esse livro maravilhoso de Nicholas Sparks!! Vejo vocês no próximo capítulo.
XOXO


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