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História No seu próprio tempo. - Capítulo 6


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Capítulo 6 - Capítulo Seis.


 Louis saiu pisando firme pela porta. E quase é atropelado por um garoto.

— Ei... — Diz o pegando pelo braço antes que caísse. 

O menino estava eufórico, e após ser "salvo", fez um sinal para que esperasse ele recuperar o fôlego.

— Senhor... Louis... — Começa a tossir.

— Vá com calma, Poul... — Louis começa a dar batidinhas nas costas dele. — O que aconteceu?

— Tem... soldados da Rainha... 

— A Guarda Real está aqui? — Pergunta surpreso.

O garoto balança a cabeça concordando.

— O senhor Giovani está tentando conversar com eles, mas parece que eles querem falar só com o "Líder"... — Fala Poul finalmente se acalmando. 

Louis levanta as sobrancelhas e olha rapidamente para a Central. Havia um grande alvoroço lá. 

— Poul, venha — Ordena já se dirigindo para Central.

A cada passo em que dava, podia-se ouvir um desespero nas vozes. Giovani estava tentando ao máximo para falar com um dos guardas reais, mas não estava adiantando.

— O que está acontecendo aqui? — Louis pergunta seriamente. Ele olhava para os lados com autoridade e depois fixa os olhos do guarda real — o que aparentava ser o comandante de todos os outros.

— Você é o responsável por esse Acampamento? — Pergunta o guarda.

— Sim — Responde. —, sou eu. 

— Há alguma garota aqui? 

Louis congela, mas não demonstra. "Como eles...", pensou. Os olhos do guarda em nenhum momento se desviaram.

— Se eu disser que não, você não acreditaria, correto? — Cruza os braços. 

O guarda levanta uma sobrancelha com ar de ignorância. 

— Ela não está aqui no momento — Comenta Louis. Ele pisca devagar e suspira. — Está em recuperação de uma de nossas missões, senhor.

Silêncio pairou no ar. O guarda apenas o observava por bastante tempo calado. 

— Voltarei assim que ela se recuperar — Disse por primeiro. Ele pega seu chapéu e o retira, se curvando. — Me perdoe todo esse alvoroço — Se levanta, coloca o chapéu de volta e se vira indo em direção ao portão. — Vamos.

Louis o observava as tropas da Guarda Real se afastando.



Uma semana se passou. Karah finalmente podia andar pelo Acampamento, após encher a paciência de Mashx implorando por dar alta para ela. Sua cintura e braço estavam enfaixados, pois ainda precisavam de tempo para serem curados. 

Karah também percebeu que a maioria de seus colegas de trabalho estavam preocupados com ela. Quando Mashx disse aquilo, ela não acreditou de imediato, mas quando viu pessoalmente... é, aquilo meio que a pegou muito de surpresa e não deixou de se sentir desconfortável. Sempre que precisava de alguma coisa, alguém aparecia do nada e a entregava para ela. E aquilo era muito estranho, pois praticamente se esqueciam de sua existência.

Fellip estava aos prantos quando a viu andando. Karah teve que o acalmar várias e várias vezes, dizendo que estava tudo bem e que não foi algo tão sério enquanto ele a abraçava delicadamente. 

— Você não tem noção o quanto me preocupei, Karah! — Ele gritava com ela enquanto os dois caminhavam sem rumo. — Por que não me chamou pra ir junto? Eu poderia ter matado aqueles homens! 

Ela não se aguentou e começou a rir. 

— Não estou vendo graça! — Disse furioso enquanto cruzava os braços. — Ainda bem que eles foram presos, pois senão eu... 

Karah coloca sua mão em seu ombro e dá o melhor sorriso de si para ele.

— Fellip, não se preocupe. Eu estou bem — Dá batidinhas leves com a sua mão. — Eu estou aqui, na sua frente. Estou segura agora, afinal, você está aqui para me proteger, certo? 

Sua expressão era de um alívio doloroso. Fellip estrava prestes a chorar.

— Ei, ei... — O puxa para um abraço. A diferença de altura entre ele e ela era enorme, e mesmo assim ele se curvou e a abraçou, colocando sua cabeça no ombro dela. — Está tudo bem, está tudo bem... me desculpe por te fazer ficar assim. 

Ele murmura algumas palavras, mas ela não conseguiu identificá-las e soltou um riso fraco. Karah finalmente reparara. Fellip era como um irmão mais velho e uma cópia do Louis, tanto nas atitudes e na aparência — para ter uma noção, imagine o Louis mais novo, mas com olhos verdes. Sim, esse é o Fellip.

O dia passou rápido e logo chegou à noite. Durante esse curto período, ela teve que ser ajudada em praticamente tudo, como: para comer, tomar banho, se vestir e até para pegar alguma coisa para ela. E hoje não tinha sido diferente. O único meio que conseguia fazer era andar. 

Fellip era o responsável por ela. Ele fazia tudo, e não a desgrudava nenhum segundo. Era como um guarda-costas, só que mais amigável e conhecido. 

Havia chegado a hora de dormir. Ela e ele conversavam na frente da barraca dela. Não tinha um assunto específico, mas pode apostar que todos chegavam no mesmo destino: uma pessoa em quem ele já achara bonita. Karah o agradecia por dentro, por fazê-la esquecer de tudo o que aconteceu e por fazê-la se esquecer de que se sentia inútil naquela condição — pior de como se sentia todos os dias naquele Acampamento.

De repente se escuta um assobio e os dois se viram na direção ao som. Mashx estava com uma roupa simples, práticas para dormir e trazia consigo um travesseiro, um colchão e uma espécie de maleta. Ele para ao lado dela e bagunça o seu cabelo esboçando um sorriso.

— Obrigado garoto — Diz ele se virando para Fellip. —, fez um bom trabalho cuidando dessa pestinha. 

Fellip ri.

— Sem problemas, já estou acostumado com a fera — Comenta.

Karah franziu as sobrancelhas. Por acaso eles se esqueceram que ela ainda estava ali, ouvindo aquilo tudo?
Mashx a encara após reparar na aura de ódio ao seu lado e ela retribui o olhar com uma expressão de: "tá de tiração com a minha cara?". Ele simplesmente a ignora, e esse ato a deixa com vontade de pegar uma pedra e arremessar aquele rosto bonito dele.

Fellip se despede dos dois e vai em direção a sua barraca. Mashx e ela fazem o mesmo, entram no quarto de Karah e se preparam para dormir. 

— Tem certeza de que precisa dormir comigo, Mashx? — Pergunta se ajeitando em sua cama.

— Sim — Responde rapidamente. — Se acontecer qualquer coisa contigo, eu já estarei aqui para cuidar de você.

— Hum...

"Bem, até que isso faz sentido", pensa.

Karah olhava Mashx deitado e observava ele lendo um livro. Ela pisca devagar e o acompanhava em silêncio na leitura.

— Não está com sono? — Pergunta Mashx.

— Na verdade, não — Diz. — Normalmente eu demoro muito para dormir. 

Não queria ter que contar a parte de que ela só conseguia dormir rapidamente após chorar muito e se sentir um lixo. Ele para de ler e vira a cabeça para olhá-la nos olhos. Havia pequenas marcações roxas nas pálpebras inferiores de seu rosto. Mashx fecha o livro, o coloca no chão e se senta em seu colchão.

— Por que não me disse que tinha problemas na hora de dormir? — Pergunta suspirando.

— Eu... — Olha para baixo. — Não pensava que era um problema...

— Você tem insônia, Karah — Fala. — Isso foi recém descoberto, mas não imaginava que você teria. Têm sentido muitas dores de cabeça ultimamente? 

Ela balança a cabeça concordando.

— E lentidão ao fazer as coisas? 

Antes que pudesse concordar novamente, ela deixa escapar um gemido de dor. A sua coluna do nada começou a latejar e seu machucado na cintura começava a arder muito.

— Mashx... — O chama se sentando na cama. — Está... doendo muito... — Ergue sua camisa até a parte do machucado e as bandagens brancas rapidamente começaram mudar para vermelho.

Os olhos dele se arregalaram e com um pulo, ele chega perto dela. Agilmente retira as bandagens e vê o ferimento, o que tanto parecia uma fruta podre e que escorria um grosso líquido vermelho, quase preto. 

Karah sentia uma extrema dor, mas tentava segurar. Mashx pegou um pedaço de tecido e molhou com algum tipo de produto, passando sobre a pele dela. Aquilo ardeu. Mas como ardeu. Tentou segurar ainda mais os gritos, fazendo com que apenas alguns gemidos fracos saíssem.

O seu responsável — Mashx — estava abalado. Ele pediu para ela segurar fortemente o pano contra o machucado e a pegou no colo. Sem pensar duas vezes, saiu andando apressado da barraca até a Ala Médica. Colocou ela sobre um tipo de mesa e Karah ficou cega durante alguns segundos por causa da luz forte do lampião ao seu lado.

A última coisa que viu após recuperar a visão foi o rosto desesperado de Mashx. Ela pôde sentir a mão quente dele na sua bochecha. Aquilo fez com que se sentisse confortável, mesmo doendo horrores a sua cintura e coluna. E antes que percebesse, a sua visão estava ficando embaçada, como daquela vez. A vez em que salvou aquela garota.

"Como... como era mesmo o rosto dela?", perguntou para si mesma mais uma vez. Mas, no final, ela não se lembrava. Karah apagou-se, deixando o breu a levar. 



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