História No Tiene Nombre - Capítulo 9


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Categorias MasterChef Brasil
Personagens Ana Paula Padrão, Paola Carosella, Personagens Originais
Tags Ana Paula Padrão, Mastercef Brasil, Pana, Paola Carosella
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Palavras 2.555
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Shoujo (Romântico), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi minha querida amiga de Cláudia. Voltamos!

Queria dizer que eu amei a ideia da minga AnigerQueen, apesar de não poder usar aqui por envolver um universo diferente e que demandaria varios outros capítulos para a fic, o que não está nos meus planos.

Está aqui o capítulo novo, enjoy! Vejo vocês no próximo.

Capítulo 9 - Conversas.


Quando eu era criança. Não muito, já com meus 12 anos eu e meu irmão nos juntávamos para cometer pequenas traquinagens da idade. Mamãe fazia suas roupas, e até mesmo as minhas. Uns vestidos lindos, saias rodadas... um dia eu e meu querido irmão fomos brincar com suas coisas de costura e acabamos bagunçando tudo. Ao chegar e nos pegar no flagra, mamãe uma leonina muito compassiva na maioria do tempo se transformou em uma fera, pois além de ser muito perigoso, bagunçamos todas as coisas e mamãe odiava desorganização. Entretanto sua bronca não era não rígida, ou talvez eu sempre preferi algo mais severo e esse algo mais severo sempre vinha de papai. 

 

Seu Fausto, taurino tranquilo, silencioso... só até a ordem ser perturbada. Eu e Junior sempre fazíamos esse tipo de coisa não importava qual fosse a bronca ou castigo, mesmo que a forma branda e severa de papai de nos chamar a atenção meu amedrontasse no momento, eu mais cedo ou mais tarde fazia por onde com uma nova travessura. 

 

Precisamos conversar" Essa frase saída de sua boca me causava arrepios na espinha, significava que estávamos em apuros. 

 

E lá estava eu, anos depois de uma infância repleta de bagunça e broncas, ouvindo novamente aquela frase, mas de Paola que me olhava atenta. Acenei positivamente e logo depois me levantei para ir para a varanda. Ao chegar lá, Paola ficou olhando nos meus olhos por um bom tempo. O silêncio torturante se fez presente por alguns segundos, ou até mesmo minutos enquanto eu fugia de seu olhar. Nem sempre sei lidar com o turbilhão de sentimentos que carrego no peito, e sequer estou dizendo que não tenha gostado daquele beijo apesar de ter sido algo quase assustador tanto para mim quanto para ela. Mas não é fácil lidar com todo esse amontoado de... coisas.

 

A grande armação grossa de óculos escondia pequenos olhos castanhos incrivelmente atentos à quaisquer que fossem meus movimentos, até mesmo minha respiração lhe parecia muito interessante.

 

-- Não vai dizer nada? - Ela perguntou, sua voz parecia estar escondendo alguma coisa. Talvez a ansiedade velada.

 

-- Você quem me chamou para conversar. - Me atentei em seus olhos desta vez completamente. Eu não sei que rumo essa conversa pode tomar, e isso me assusta um pouco. Gosto do controle das coisas, e nesse momento é exatamente o que não tenho. Não tenho domínio sobre o que Paola está disposta a dizer e isso me revira o estômago, me faz torcer os dedos das mãos. Era o vento severo de São Paulo, ou meu corpo tremia pelo nervoso antecipado? 

 

-- Bom, eu... - Soltou o ar pela boca. - Eu preciso novamente me desculpar por ontem. Eu acho que senti sua falta e expressei de forma exagerada.

 

-- Entendo... - Não, eu não entendo. Um sorriso falsamente acolhedor se instalou em meus lábios. Por que estou desapontada se foi apenas um beijo? Ela deu um passo a frente, tentando transformar aquilo tudo menos pessoal, deixar algo mais íntimo, afinal somos amigas, certo?

 

-- Eu... me sinto culpada por tê-la beijado. Não... quer dizer. Não que seja algo completamente errado apesar de impulsivo. O que quero dizer é que....

 

-- ... Que somos amigas e que você não quer que nada interfira em nossa amizade, Paola. Eu entendo perfeitamente. - Deixei que minha voz lhe passasse tranquilidade mesmo que eu não a sentisse dentro de mim. O que eu estou fazendo? -- Talvez você não tenha feito isso sozinha. Mas se é o que quer, é o que faremos. Podemos entrar agora? Está um pouco frio aqui...

 

 

Ela me acenou positivamente e em um pedido silencioso me abraçou forte, parecia ter medo de alguma coisa... voltamos para dentro abraçadas, deitei onde estava antes e ela tomou seu lugar novamente. 

 

A sensação de palavras não ditas queimavam minha garganta, mas de que ia adiantar tentar fala, se eu não sabia o que deveria ser dito? Virei para o outro lado em busca de uma noite de sono, e foi o que encontrei.

 

 

 

[...] 

 

 

 

-- Ok... E o que você fez? - A desvantagem do frio é a preguiça que se instala em mim, desde muito nova. Por isso acabo sempre acordando depois de todo mundo, não necessariamente tarde, mas ainda assim sou a ultima a acordar. A vantagem do frio é que... bom, eu sempre sou a última a acordar, e as vezes isso me rende descobertas por acharem um momento oportuno para conversarem. Não me atrevi a levantar, elas conversavam em tom de voz normal, mas o ouvido de jornalista apurado e audição curiosa me facilitaram de ouvir o que falavam.

 

-- Ah, Guta... Eu não fiz nada. O que eu poderia fazer? Beijei minha amiga na boca porque eu quis, depois dei a ré e pedi pra ela esquecer. Eu estou me sentindo uma idiota. Queria sim ter pedido desculpas, mas não estou arrependida.

 

Ouvi uns passos e fechei os olhos, mas não eram em minha direção. Guta colocou algo sobre a bancada de mármore, exasperada. 

 

-- Você tem sorte de que eu estava no vigésimo sono, Paola Polverari. Ou eu teria ido atrás das duas e dado um murro em cada uma... Francamente, eu não sei o que fazer com vocês. - Paola riu. Eu não sei exatamente o porque mas minha cabeça não para de pensar que se houvesse uma possibilidade de uma conversa menos reticente, estariamos em posições completamente diferentes.

 

-- Com ela, eu não sei. Mas você pode me dar um abraço. - Paola disse e então eu me levantei. Peguei meu casaco sobre o sofá e fui até o banheiro para a higiene matinal, e claro, para ter tempo o suficiente para disfarçar que ouvi fragmentos de sua conversa. Quando chego na cozinha, minha mesa mal tem espaço para os pratos pois Paola fez de tudo. Desde panquecas, até churros. Empanadas doces e salgadas, chá, suco, café, vitamina. Bolo, tapioca... enfim. Minha mesa estava tão farta que mais parecia um buffet. Primeiramente tomei um susto com tudo aquilo, mas em seguida eu sorri e caminhei primeiro até minha irmã que não mantinha o contato visual, com certeza queria esconder de mim o diálogo que teve com Paola, e eu não perguntaria sobre aquilo. Abracei Guta de forma carinhosa e beijei seu rosto, ela me apertou em seus braços me dando bom dia com voz infantil; revirei os olhos. Onde está a adulta de minutos atrás?

 

Fui até Paola que sorriu nervosa e abriu os braços para mim, seus abraços sempre foram tão acolhedores. Sua mao esquerda na base de minhas costas e a direita em meus cabelos enquanto me dava bom dia com um beijo na testa tão usual me arrancou um sorriso ainda maior do que já estava em meu rosto. Seguimos para sentar na mesa.

 

-- Eu posso saber quando a Rainha da Inglaterra chega? Porque eu não me preparei devidamente... e suponho que essa mesa seja para sua recepção. - Guta riu, e só então Paola deu conta de todo o exagero cometido. -- O que foi isso, meninas?

 

-- Talvez eu tenha... me distraído.  - Disse se desculpando e começamos a tomar café. O assunto que elas tiveram mais cedo nao fora tocado, sequer parece ter existido entre elas duas. Bom, se fosse para eu saber elas teriam conversado na minha frente, certo? Enquanto eu ouvia as vozes das duas ecoando pela cozinha só consigo pensar sobre o que exatamente Paola queria me dizer quando conversamos ontem a noite. Não ter controle do que pode acontecer é o que mais me tira do sério. Se eu tivesse controle do que aconteceria naquela conversa, estaria me torturando menos agora. 

 

-- Ela ultimamente tem saído do Planeta Terra e vagado pelas constelações de Sagitário e Escorpião, eu tenho certeza! - Foi tudo o que ouvi Guta dizer, por quanto tempo viajei desta vez?

 

-- Eu estava pensando no meu pai. Preciso ligar para ele mais tarde. - Disse levando minha xícara de café aos lábios, sinto que meu comentário pesou o ar. Paola esticou amão sobre a mesa com cuidado para não derrubar as coisas que tinham sobre ela e tocou minha mão quase gélida. A sua quente, acolhedora. Por que tudo nessa menina precisa ser assim?

 

-- Como está seu pai, Ana? - Paola perguntou e eu suspirei. Bem, na medida do possível. 

 

-- Está bem. - Sorri. Seu Fausto apesar de estar em uma cadeira de rodas, está melhor do que eu neste momento. Pelo menos emocionalmente tenho certeza que sim. -- Já faz um bom tempo desde sua cirurgia, ele respondeu bem, mas como sabe ele não pode andar. 

 

-- Então eu terei que ir até Brasilia conhecê-lo, certo? - Ela pareceu sentir como fiquei em apenas menciona-lo e conseguiu me arrancar um sorriso. Acariciou minha mão e piscou para mim com carinho e cumplicidade.

 

Terminamos nosso café como foi possivel, mesmo sobrando muita coisa. Mandamos para o meu síndico e sua esposa, um casal de senhores fofíssimos e carinhosos. Também para o meu porteiro e ainda nos sobrou muita coisa. As duas crianças decidiram fazer um piquenique e eu disse que ficaria em casa, queria ligar para o meu pai. Ele sempre tem ou sabe as respostas sobre tudo. Quando ele não as tem, ele sabe onde as encontrar. E quando não as tem e nem sabe onde as encontrar, pelo menos me arranca boas risadas.

 

Depois do quarto toque, mamãe atende. Depois de uma conversa breve, ela passa para meu pai que me atende da forma mais simpática que um pai pode atender a filha. Ele me criou como uma mulher destemida do mundo, mas também como sua princesa indefesa. E pelo tom de voz defensivo que mesmo que não quisesse admitir, eu tinha assumido ele concluiu:

 

-- Minha filha, você está fazendo isso de novo...

 

-- Isso o que, papai?- Perguntei baixinho, com medo de sua resposta. Por que somos sempre tão transparentes, mesmo que à quilometros de distância de nossos pais?

 

-- Você engrossa a voz para parecer bem, mostrar que está no controle. Eu vejo TV, sabia? O que houve dessa vez? - Eu não tinha percebido que fazia isso nesse momento, e so depois de seu alerta é que me dei conta. Soltei uma respiração profunda, papai sempre fora meu confidente, mesmo tendo amor desmedido por minha mãe. Claro que ela sempre soube dos meus conflitos apenas com o olhar, mas meu pai parecia varrer minha alma e por ser tão racional me encontrava as respostas que buscava em pelo meno 90% de nossas conversas.

 

-- Eu beijei alguém.... - Sussurrei e ele ficou em silêncio absoluto. -- Papai? 

 

-- Estou ouvindo, minha filha. Prossiga. Já sabemos que esse alguém tem lábios, será que tem nome também? 

 

 

Eu sorri completamente nervosa. Não seria a descoberta do ano sobre eu ter beijado uma mulher, meus pais já sabiam de meus dois beijos " experimentais". A descoberta em questão era sobre quem. Uma menina mais nova que eu, quase uma adolescente. Paola ainda tem dezenove anos.... Céus, eu beijei uma menina de dezenove anos. Eu tenho vinte e sete anos. Que vergonha, Ana Paula! 

 

-- Paola. O nome dela é Paola. Uma amiga minha e de Guta... Ela me beijou... nós nos beijamos. Dois dias atrás estávamos dançando, e nós... eu não sei, apenas aconteceu. - Papai com toda a sua paciência me ouvia em silêncio. Eu tentava me encontrar em minhas palavras, mas não conseguia.

 

-- E qual seria exatamente o problema para que você me ligue com toda essa confusão na cabeça? - Perguntou de forma descontraída. Cocei a testa, como explicar algo que nem eu mesma estou entendendo? 

 

-- Eu não sei, papai. Nos beijamos e deitamos para dormir, ontem conversamos sobre isso... Ela não me pareceu ter gostado muito de lembrar do beijo. Eu me sinto diferente quanto a isso. Não estranha... apenas diferente. Eu queria ter dito alguma coisa, mas não conseguia pensar em nada, não muito diferente desse momento... Hoje pela manhã sem querer ouvi Guta e ela conversarem sobre o ocorrido e ela  me pareceu arrependida de ter mostrado arrependimento....

 

-- Ah, minha filha, vocês jovens complicam tanto as coisas mais simples. Se vocês são amigas e isso não vai para além de amizade e irmandade assim como você e Guta, esqueça isso, mas... 

 

-- Mas...? - Perguntei como uma idiota. Eu sei o que esse "mas" significa. Eu sei muito bem o que vem a seguir, espero que ele me diga.

 

--... Mas se isso vai para além do que as linhas da amizade delimitam.... Cabe a você tomar uma decisão. 

 

-- Eu não sei o que sinto quanto a isso. - Confidenciei em voz baixa. Papai riu, algo me diz que ele já esperava essa resposta.

 

-- Você sabe que sua mãe anda uma chata, certo? E como gosta de falar! Quando os problemas cresciam entre nós eu fazia uma coisa que dava muiito certo. É o seguinte, levante de onde esta, e pegue uma garrafa de uísque e um copo.

 

E foi o que fiz. Coloquei sobre a mesinha, esperando por novas instruções.

 

-- E agora? - Perguntei.

 

-- Coloque uma dose dupla. - Eu o fiz. -- Observe-a bem...

 

Seguia suas instruções como ele mandava.

 

-- Agora beba. - Achei ter entendido errado mas ele  prosseguiu -- É verdade que não tenho todas as respostas para todos os problemas do mundo, minha filha, como você bem sabe. Mas beber é um bom remédio algumas vezes, pois se você não souber como resolver uma questão, o alcool pode lhe ajudar a não pensar nela por algum período. 

 

Meu fígado e paladar nunca estarão preparados  para essa bebida, e ainda assim eu insisti em tomar um gole grosseiro, na gana de esquecer pelo menos um pouco tudo isso. A bebida desceu queimando, me senti um dragão, com certeza os olhos e bochechas vermelhos. Coloquei o copo sobre a mesinha bruscamente, ainda com um pouco  da bebida dentro dele.

 

-- Argh, papai. Me lembre de levar essa coisa embora daqui o mais rápido o possivel. - Ele ri como se tivesse contado a piada do ano.  Conversamos por mais algum tempo, e mesmo sem uma resposta concreta ou satisfatória, me sinto mais leve quando encerramos a ligação. Troquei a bebida por algo mais agradavel ao meu paladar, vinho. Um bem doce e escuro, podia me ver refletida naquela taça.

 

Um dos grandes problemas dos seres humanos é criar uma tortura psicológica contra si mesmo por coisas que poderia ter feito e não fez, por coisas que poderiam ter acontecido e não aconteceram. Por possibilidades infinitas que não se tornaram realidade? Por que fazemos isso? Por que nos aprisionamos sempre em uma bolha, um mundo de " e se" e esquecemos de que podemos apenas... viver? Com certeza eu não posso voltar no tempo, e me sinto ainda mais angustiada por saber que esse mal hábito de tortura mental não dará uma trégua por pelo menos alguns dias. 

 

O que era pra ser apenas mais uma taça, se transformaram em duas garrafas, e quer saber? Meu pai estava certo. Depois de algumas doses de alcool no sangue você já não pensa mais no problema, ou se pensa, não o vê mais com os olhos desesperados por resposta.


Notas Finais


Hehehehehehe...

Comentem aí em baixo o que cês acharam. Até a proxima, ok? Beijinhos.


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