História No Worries (Fillie) - Capítulo 8


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Categorias Stranger Things
Tags Fillie, Finn Wolfhard, Mcfly, Millie Bobby Brown, Songfic
Visualizações 58
Palavras 1.207
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


[links para as músicas ao final do capítulo!]

Capítulo 8 - We ran past strawberry fields and smelt the summer time


Descer do ônibus foi a parte fácil, deu pra fazer isso com uma determinação que eu nem sabia que tinha. Mentira, eu sabia sim ou não estaria caminhando e arrastando aquela bagagem emocional enorme debaixo de uma garoa chata em direção ao táxi que me levaria até a casa dos meus pais. 

Mais ou menos como qualquer outra cidade do interior, a minha não tinha nada de excepcional, exceto que agora era a cidade em que Finn Wolfhard tinha nascido e crescido e aquilo havia, de fato, colocado ela no mapa, mas, na prática, ela seguia como sempre havia sido: muito verde, muito tempo livre para fazer absolutamente nada, muito tédio e muitas recordações.

 

O barro grudava nas solas de nossos tênis enquanto passávamos pelos canteiros, os vários tons de verde em ambos os lados e a perder de vista.  A visita à chácara, que era o programa para o passeio de geografia naquele verão, estava sendo um terror e não era incomum ouvir as garotas mais frescas reclamando de toda aquela terra molhada. Nada daquilo era novidade pra mim. Eu conhecia basicamente todas aquelas verduras e legumes, além de as árvores da entrada, mas isso era porque meus tios tinham uma hortinha muito menor do que aquela no sítio em que eu ia passar um fim de semana ou outro com meus pais.

- O que é isso? - Um Finn com as maiores bochechas que uma criança de 8 anos teria perguntou. Ele apontava para uma das moitinhas verde-escura enfileirada à nossa esquerda. Ele olhou pra minha cara e eu sussurrei ‘cenoura’. Ele estreitou os olhos e ergueu a mão bem alto pra perguntar para algum adulto o que era aquilo e quando responderam a ele que aquilo era uma cenoura, não pude deixar de rolar os olhos. - Posso pegar? - ele pediu com uma certa petulância, arrancando a moitinha da terra quando o disseram que era permitido. - Uau! - o garoto bobo que nunca tinha visto uma cenoura recém saída da terra sacudiu o legume na minha cara - vou lá lavar isso, vem - e então nós dois saímos amassando o barro, chapinhando na lama à procura de água.

 

Era esquisito o tipo de memória que às vezes voltava à nossa cabeça. Lembrar daquela história da cenoura tinha me feito rir baixinho no banco de trás. O motorista ajeitou o retrovisor e eu só limpei a garganta e olhei pro lado, sentindo a lembrança esvaecer e me abandonar por completo. O maior hotel da cidade passou rápido por nós, imponente mesmo em suas cores sem-graça. O cinema também estava ali, mas a placa de ‘aluga-se’ me passou uma sensação esquisita. Parecia que mais coisas tinham mudado desde então. A igreja no centro ainda estava do mesmo jeito, só o jardim à sua frente que parecia um pouco menor do que eu costumava me lembrar, mas talvez eu só tivesse crescido mesmo.

Se eu ainda tivesse uns 13 anos, acharia um saco minha mãe ter me abraçado do jeito que ela fez na porta de casa, mas eu também estava com saudade então a abracei debaixo de chuva mesmo antes de ela me ajudar com a mala. A mesa estava posta e acho que justamente por isso ela ficou meio desapontada quando não demorei nem dez minutos sentada ali. 

- Você não vai nem comer um pedaço do bolo? Me contar da sua vida? Millie? - E eu já tinha subido para o meu quarto.

Sabe quando você passa muito tempo sem ir à algum lugar que costumava ir muito e quando você volta, ele está do mesmo jeito mas não está exatamente do mesmo jeito? Mais ou menos como quando você cresce e vai cada vez menos na casa dos seus avós e, embora as coisas pareçam as mesmas de quando você ia todos os dias quando era criança, tem um porta-retrato aqui que não estava antes, uma plantinha ali que sua avó ganhou de alguém... uma coisinha pequena que te incomoda ao ponto de você saber que algo não está do jeito que costumava ser e até você entender você fica meio… confuso? Então, era assim que a atmosfera daquela cidade me fazia sentir, de coisas mínimas que mudaram e eu não estava presente durante a mudança. Assim como as coisas do meu quarto. 

 

Joguei o celular na cama e fiquei encarando o teto, depois a janela, depois a sujeira no vidro da janela e por fim minha estante com todos os livros de lombadas coloridas que me olhavam de volta. Eu queria contar a ele como havia sido minha semana, que eu finalmente tinha saído do grupo de RPG e que o novo álbum do Good Charlotte era bem melhor que o anterior, queria contar que minha nova música favorita era a faixa escondida e que quando ela tocou a primeira vez senti até um arrepio. Queria contar da briga na escola e de quase ter ido parar na diretoria por uma bobeira que agora me fazia dar risada, mas que no dia tinha me dado uma bela de uma dor de barriga. Eu sentia tanto a falta dele que um nó na minha garganta não me deixava respirar direito, e esse mesmo nó que não deixava o ar entrar também não me deixava chorar, então eu ficava ali, empacada, impedida de qualquer coisa para aliviar aquilo. Eu sentia que metade do meu mundo tinha ruído de um jeito que, mesmo que eu levasse anos, jamais conseguiria reconstruir. Porque eu não tinha construído isso sozinha da primeira vez, e eu precisava de ajuda. 

 

Contrariando os apelos da minha mãe, eu disse que voltaria pra casa assim que tivesse respostas, o que na minha cabeça fez bastante sentido mas é claro que ela não entendeu. 

- Você não vai nem trocar essa blusa molhada? - Ela gritou lá da porta antes de eu virar a esquina. 

Eu tinha uma leve noção de como aquele moletom vermelho úmido e meu cabelo meio-molhado-meio-bagunçado davam àquela situação um leve tom clichê de comédia romântica perto do fim. A mocinha caminha pelas ruas da sua cidade natal sentindo a chuva no rosto, ensaiando as palavras para dizer ao seu amor de infância quando os dois se encontrarem depois de tantos anos. Ela ensaia seu sorriso mesmo sabendo que seu garoto vai amá-lo de qualquer jeito e os dois se abraçam sentindo cada milímetro de tempo perdido ser recuperado naquele curto espaço em que seus corpos se tocam e que antecede o beijo apaixonado do casal perfeito. Meu estômago revirou. Eu sabia que não era a mocinha, ele não era o garoto perfeito ou qualquer coisa parecida, meu melhor sorriso não o agradaria de primeira e, para completar, um muro de mais de dois metros que não existia ali antes me fez estacar, estática, o contemplando com descrença.

Conferi o endereço, olhei as casas dos dois lados. Olhei a casa da frente. Procurei a placa com o nome da rua, dando voltas em torno de mim mesma. Estava tudo certo. Mas é claro, como aquela não era a comédia romântica clichê e o meu cara perfeito era um dos maiores ídolos teen dos últimos 20 anos, naturalmente mais algumas coisas ali naquela cidade estariam diferentes.


Notas Finais




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