História No Worries (Fillie) - Capítulo 9


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Categorias Stranger Things
Tags Fillie, Finn Wolfhard, Mcfly, Millie Bobby Brown, Songfic
Visualizações 53
Palavras 1.556
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


[link com a música ao final do capítulo!]

Capítulo 9 - I want the world to know how beautiful you are


- Mary? - Falei para a câmera depois de apertar o botão e a voz de Mary, metálica devido ao aparelho, atender. - É Millie, Millie Bobby Brown? - continuei depois de um segundo de silêncio, esperando que ela soubesse quem eu era.

 

- Minha mãe não anda ficando muito em casa, - Finn gritou da cozinha. Eu estava sentada à pequena sala onde quase todos os porta-retratos haviam sido tirados nos últimos meses, então eu encarava uma estante que parecia muito maior agora que estava cheia de espaços, meu reflexo no vidro preto da TV parecendo desengonçado demais já que meu corpo tinha começado a tomar umas proporções meio esquisitas, aquela fase em que eu acordava todos os dias querendo saber quando eu seria bonita e não só desproporcional. - Dois turnos em duas escolas diferentes e, alguns dias, ela anda trabalhando a noite também, - ele se jogou no sofá ao meu lado me entregando uma lata de coca-cola e posicionando a bacia de pipoca primeiro entre nós dois e depois do lado dele. - Acho que isso é o que o meu pai faz com as pessoas, - ele soltou uma risada amarga e pensativa, como se estivesse conversando consigo mesmo em sua cabeça entre um gole e outro, e depois um sonoro arroto - foi mal, - ele disse meio vermelho e eu só consegui rir da cara dele dizendo o quanto aquilo era realmente nojento. - Quer jogar o quê? - Ele ligou a TV e o videogame, um Super Nintendo meio amarelado que ele estava sempre jogando. Dei de ombros, eu era péssima no Super Mario World 1,  no 2, em Aladdin, em Goof Troop, Bomberman, enfim, em qualquer um deles… exceto Mario Kart, mas eu tinha minha leve desconfiança que não jogaríamos esse tão cedo depois do que tinha acontecido com o controle da última vez. 

Finn estava passando o primeiro chefe do Donkey Kong Country 2, aquela águia esquisita e difícil (pelo menos pra mim) e então o comentário veio. Do-nada.

- Acho que a Lilia e o Noah estão saindo, - ele coçou o nariz, passando o controle pra mim, enfiando a mão na tigela de pipoca e jogando tudo na boca. 

- É? - Eu não sabia o que dizer. O Noah era o cara mais lindo da escola e a Lilia, como não podia ser diferente, a garota mais linda de todas as salas do sexto e do sétimo ano. - Ah, também é justo né, - passei o controle pra ele assim que perdi a primeira vida, - ela e ele são bonitos e- 

- O Noah? - A risada debochada que Finn tinha soltado pelo nariz me interrompeu. Fiquei olhando pra ele que passeava pela fase, jogando quase sem olhar; também, ele devia jogar aquilo desde se conhecia por gente - eu juro que não entendo o que as garotas enxergam naquele tampinha convencido, - eu conseguia quase encostar na desdém da voz de Finn de tão palpável - e a Lilia é, ok, ela é mó gata… - ele fez uma pausa - que nem você. 

- Oi? - Perguntei engasgando com o refrigerante, vagamente desconfiando que ele estivesse tirando com a minha cara, o que não seria muito surpreendente. - Você tem certeza de que está tomando coca-cola pura? - Brinquei pegando a latinha dele para levar até o nariz. 

- Não, é sério, - ele tinha ficado vermelho ou eu estava vermelha e acreditava que ele estava vermelho? - Você também é gata, - e me entregou o controle de novo depois de ter terminado a fase - talvez não tanto quanto a Lilia, - ele riu e eu só rolei os olhos.

- Você é um babaca, mesmo, - forcei uma risada e apertei o controle de qualquer jeito - aposto que o Noah não fala isso pras garotas, vai ver é isso que elas enxergam nele - e foi aí que Finn bufou e esticou o maior bico antes de ir buscar mais refrigerante e o assunto morrer. 

- Cuidado com esse, valeu? - Ele disse me empurrando o controle de novo depois que voltou, só pra me lembrar que a culpa do B do outro controle não funcionar mais era minha. 

 

- Oi, - acenei sem ter certeza se acenava ou não, contendo o sorriso idiota por ver Finn depois de tantos anos, pessoalmente e não em cartazes e pela TV ou na internet. 

- Ah, oi. - Ele respondeu sem esboçar reação nenhuma, mas só o seu ah já me fazendo arrepender instantaneamente de ter feito tudo o que fiz para chegar até ali. - Quando minha mãe disse que era você, achei que ela tivesse, sei lá, se confundido. 

- Não, - infelizmente, eu quis emendar mas me contive. Estávamos parados no portão no meio daquele muro enorme e Finn parecia tão impassível quanto ele. - E aí, como você está? 

- Cansado, - ele respondeu esfregando o rosto e cruzando os braços antes de se recostar no batente molhado - foi uma viagem e tanto depois de uma turnê e tanto, você deve ter ouvido falar - seu tom era tão diferente do tom que eu me lembrava, ele estava arrogante, quase como se estivesse fazendo um favor em me encontrar ali. Se ele, que tinha viajado de avião, havia tido uma viagem e tanto, imagina eu que tinha feito o percurso todo no ônibus, revivendo os últimos anos da minha vida e todos os anteriores, onde ele parecia, basicamente, outra pessoa. 

- É, sim, - concordei afastando os cabelos molhados dos olhos. Será que ele nem ia me convidar pra entrar, sair daquela garoa que começava a engrossar, tomar um mísero chá, água, veneno, sei lá?

- Te convidaria pra entrar - ele leu meus pensamentos - mas não posso demorar, estou de partida em breve e quero aproveitar pra passar a maior parte do tempo com a minha mãe, - ele coçou o nariz e voltou a cruzar os braços. Ele nem perguntou como eu estava. - Se você não se importa eu vou - e apontou para dentro, - bom te ver, Millie. - E com um aceno de cabeça, frio e breve, ele se virou. 

- Hey, - estendi o braço, segurando o portão pouco antes de ele fechá-lo na minha cara. - Eu fiz uma viagem de merda pra conseguir te ver e é assim que você me trata? - Senti meus olhos pegando fogo e nem era só de raiva, as lágrimas quentes iam descer a qualquer momento - você nem sequer perguntou como eu estou, Finn. Eu não sou uma fãzinha sua que tenta te pedir um autógrafo ou tirar uma foto, eu não acho que te conheço só porque sei cantar todas as suas músicas, acompanho seus stories e os detalhes das suas turnês, - fiz uma pausa para me recompor, a expressão quadrada e impassível ainda estava lá, do mesmo jeito; talvez se eu estivesse contando a ele que no fim da rua uma cratera tinha sido aberta por um meteoro, ele estaria do mesmo jeito - eu passei todos esses anos, desde que você foi embora com a porcaria do violão nas costas depois daquele festival, pensando em como teria sido a minha vida se você ainda fizesse parte dela-

- Tá bom, Millie, - ele me interrompeu cansado, parecendo uns 20 anos mais velho. - O que você quer que eu diga? Que eu passei a vida pensando em você? Que puta egocentrismo, hein? - Ele disse contundente e eu mordi minha boca sentindo o gosto das minhas lágrimas pra não continuar. - Quer que eu te pergunte como você está? - Ele fez uma pausa - tá ok, como você está, Millie? - E eu solucei o encarando sem responder, ele borrado não sei se por água da chuva escorrendo nos meus olhos ou não. - Viu, não faz diferença, - Finn gesticulava - principalmente porque eu não me importo, porque não muda em nada minha vida. Agora, se você me der licença, eu queria muito poder passar um tempo com a minha mãe. Adeus, Millie. - E aí sim ele fechou o portão.


 

- Millie Bobby Brown? - Ouvi a voz de Finn metálica, o que me trouxe de volta do meu devaneio. - Mills? É você? 

- O-oi, - gaguejei balançando a cabeça, tentando espantar o que tinha acabado de acontecer dentro dela. 

- Puta mer- mas não ouvi o resto porque ele desligou o aparelho na mesma hora em que o portão destravou. - MILLS? - Ouvi ele perguntar de dentro do muro, o enxergando quando empurrei o portão com cautela. A porta vermelha estava lá, do mesmo jeito que eu me lembrava, mas a atravessando e vindo em minha direção com o sorriso que me tirava o fôlego, vinha um garoto muito maior e muito mais incrível do que quando tínhamos nos visto da última vez. - Eu achei que nunca mais fosse te ver! - Seu tom era de brincadeira. Ele ajeitava a jaqueta de couro e parou na minha frente, me esquadrinhando como só um velho amigo com segundas intenções faria. - Você está, uau, você está ótima! - Ele concluiu e eu quis morrer por sentir minhas bochechas corarem. - Posso te dar um abraço?


Notas Finais




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