História Nocturn - Capítulo 3


Escrita por: § e SoulShaker

Postado
Categorias League Of Legends (LOL)
Personagens Caitlyn, Ekko, Ezreal, Personagens Originais, Riven, Vi, Viktor
Tags Angst, Cyberpunk, Darkfic, Distopia, Drama, Mount Lunari, Piltover's Finest, Projeto, Pulsefire
Visualizações 51
Palavras 3.851
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Científica, Orange, Romance e Novela, Sci-Fi, Suspense, Universo Alternativo, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Inhaí ~

No capítulo de hoje, temos o primeiro conflito entre a Caitlyn e a Vi, além da aparição do Ekko. Queria poder contar mais sobre a história, mas aí seria spoiler :X

Tudo o que eu (Krysliu) posso dizer é: fiquem atentos(as) aos pequenos detalhes (?)

Espero que gostem e boa leitura <3

Capítulo 3 - System Error


Caitlyn estava realizada. Em tantos anos de árduo estudo e prática, nunca tivera a oportunidade de estar tão conectada com aquilo que sempre estudou. A mulher não demorou tanto tempo a projetar o que seria a carcaça inicial da armadura de Zed, seu torso já havia ganhado uma pintura branca e azul, e em suas costas jaziam detalhes luminosos que formavam o símbolo da corporação PROJETO. Todavia, aquela não era sua parte favorita do trabalho, mas sim os aprimoramentos de combate.

PROJETO Zed ganhou lâminas laranjas em seus antebraços que se projetam conforme o impulso para o golpe é dado, possibilitando uma batalha muito mais letal do que uma simples técnica de luta; e se o caso fosse uma briga à distância, Caitlyn anexou um compartimento pequeno e leve, onde ele poderia puxar mais lâminas e lança-las na direção do inimigo.  

Suas pernas exigiram menos trabalho, pois a técnica utilizada pelo homem necessitava muito mais de agilidade e liberdade de movimento do que um aprimoramento para duelos. Logo, ficaram simples peças robotizadas que auxiliavam na rapidez em que se mexiam.

Entretanto, o motivo pelo qual a mulher havia sido contratada era muito maior do que pequenos aprimoramentos. Caitlyn fôra contratada pela genialidade, e isso se mostrava no que ela havia pensado de complemento. A mulher projetou um holograma que iria servir como a sombra de Zed, imitando os seus movimentos e lançando lasers nos mesmos formatos das lâminas do ninja. Poderia ser ativado na hora que o homem desejasse em meio ao combate, e além disso, havia um método de teletransporte para que Zed pudesse ocupar o lugar da sombra se assim quisesse.

Viktor observou atentamente as explicações da mulher, que apontava os detalhes na projeção em tamanho real da armadura vinda do seu projetor. Em seus comandos de voz, a máquina demonstrava peça por peça que constituía a invenção, e em seguida apresentava seus efeitos em combate. O CEO da companhia se via maravilhado, pensando consigo mesmo que havia acertado em cheio ao chamar justamente aquela mulher.

— Não consigo achar um defeito sequer nas suas construções, Caitlyn. — O homem afirmava abismado com o que acabara de presenciar.

— E eu não esperava uma reação menor do que a sua, Viktor. — Ela sorriu de canto, orgulhosa do trabalho que havia feito.

— Diga-me, e quanto ao capacete que você projetou?

— Fiz com os neurotransmissores que me pediste. Se seu objetivo é ordená-los, então assim o fará.

— Sabia que não havia cometido erros ao lhe contratar. — Viktor levantou da cadeira e apertou a mão da mulher. — Tenho mais um PROJETO para você então.

— Diga-me, o farei com perfeição assim como qualquer outro. — A determinação na voz de Caitlyn soava como música aos ouvidos do homem à sua frente.

—Acalme-se, minha cara. Se eu não me engano, lhe pedi duas armaduras, tem algo para me mostrar da segunda? — Ele encarou a cientista atentamente, de modo que pudesse observar a figura autoconfiante se encolher em uma posição defensiva. 

— ... Estive ocupando minha mente apenas com a de Zed, Viktor, mas lhe garanto que entrego a próxima antes mesmo do final da semana. — A verdade era que Caitlyn evitou ao máximo trabalhar na armadura de Vi, pois toda vez que pensava em como a faria, pensava também naquele corpo musculoso e atraente se encaixando nas peças, e sua concentração se perdia facilmente.

— Assim espero. Não querendo lhe apressar, mas seus prazos não são longos.

— Eu disse que irei entregar, e assim o farei até o final de semana. Não é necessário me intimar, dou minha palavra nisso. — Respondeu no mesmo instante, disfarçando o nervosismo. Caitlyn sabia que havia atrasado mais do que gostaria, mas o fato de ter sido advertida, não incentivava ou agradava em nenhum aspecto.

— Tudo bem. O menino que você vai trabalhar está tirando as medidas no momento. Mais tarde, os dados irão chegar em sua mesa. — Ela não quis admitir tal fato nem para si mesma, mas o olhar atento do diretor a fez estremecer. Considerando a rapidez com que alcançou o segundo cargo mais importante de uma multinacional tão prestigiada quanto a PROJETO, era de se esperar que a perfeição fosse considerada um pré-requisito, tanto para ela quanto para o homem que estava à sua frente.

— Agradecida. — Viktor se retirou e fechou a porta, deixando a mulher sentar-se cansada na poltrona.

Sua frustração era evidente, pois ela se viu obrigada a começar a trabalhar justamente naquilo que estava evitando durante dias. Já tinha uma ideia de como montaria a armadura, mas só de abrir o holograma da zaunita seminua, perdia a compostura de mulher séria e fechava rapidamente — para ela, era quase impossível olhar por muito tempo sem sentir suas bochechas avermelharem.

Caitlyn não sabia porque estava agindo daquela forma, tampouco sabia por quais motivos não conseguia parar de pensar naquela garota. Quanto mais tentava se convencer de que deveria ser apenas uma relação profissional, mais ela se revoltava com a situação.

Como se não bastasse o misto de sentimentos que estavam afligindo a cientista que costumava ser apática como as suas criações, o som de alguém entrando em sua sala se sobressaiu ao leve ruído das batidas na porta do escritório; ironicamente, era justamente quem ela não queria encontrar nem por acaso.

— Ah, você aqui de novo. — Caitlyn resmungou, jogando as longas madeixas negras por trás dos ombros e arrastando a cadeira em direção à sua escrivaninha. — Pensei que demoraria um tempo para voltar. — Ao longo de sua fala, ela observou a visitante sentando na cadeira à sua frente. Naquele dia, estava usando roupas inteiramente pretas, o que lhe dava um ar sério demais para ser a mesma garota atrevida que conhecera recentemente.

— Já se passou uma semana desde a primeira vez que nos encontramos, madame. — Vi afirmou sarcástica, sorrindo de canto. — Não precisa falar, sei que você já estava com saudades.

— Não seja ridícula. — A morena a encarou com os olhos semicerrados, e Vi manteve o mesmo sorriso debochado. — Considerando que estou em pleno horário de trabalho, a que devo a honra de sua visita, senhorita Violet? — Por mais que tivesse tentado usar toda a sua polidez ao se dirigir àquela garota, sua pergunta soou deveras grosseira. 

— Me chamaram ‘pra fazer mais alguns testes, mas eu vim por outro motivo. — O final de sua sentença intrigou a cientista, tanto quanto a seriedade em seu semblante, mas ela preferiu não questioná-la. — Enfim, como vai o andamento da minha armadura?

— Até você resolveu me apressar, francamente... — Caitlyn resmungou, sem perceber que a mais nova ouviu sua sentença. Ao notar que Vi estava lhe encarando com a sobrancelha arqueada, ela pigarreou e voltou ao assunto. — Ainda não comecei a trabalhar na sua armadura, mas prometo que não irei demorar. — Respondeu na defensiva, ainda sentindo-se incomodada por estar sendo pressionada em uma tarefa que não seria difícil de ser executada, se ela não estivesse tendo dificuldades por conta de uma “distração”.

— Sem problemas. Não sei se vou usar tão cedo, então fique à vontade para trabalhar no seu tempo. — Vi afirmou simplista, se ajeitando na cadeira e olhando para a mulher sem muita emoção. — Na verdade, eu quero ficar aqui na cidade mais um pouco. ‘Tô começando a me preocupar com a minha irmã. 

— Com tantas pessoas ansiosas para servirem à corporação, isso é algo raro de se ver. — Caitlyn se mostrou surpresa com tal afirmação, e continuou a falar como se tivesse ignorado completamente a última parte da sua sentença. — Você tem que admitir que o seu receio para se alistar à PROJETO é totalmente descabido, se for pensar nos milhares de jovens que gostariam de estar ocupando o seu lugar nesse exato momento.

— É fácil dizer esse tipo de coisa quando você vive dentro da sua bolha e nada mais importa. — A jovem retrucou, encostando-se na cadeira de braços cruzados e olhando-a enraivecida. — Desde que eu cheguei nessa cidade, Jinx não me escreve mais. Falaram que ‘tá tudo bem com ela, mas ainda não estou tranquila. — Um suspiro pesado escapou de seus lábios, demonstrando o seu aborrecimento com aquele assunto. — Não sei como é a sua vida familiar, e isso pode soar exagero ‘pra você, mas ela é tudo o que eu tenho-

— Não estou interessada nisso. — Caitlyn a interrompeu sem pensar duas vezes, mal conseguindo lidar com o próprio estresse por ter recebido uma intimação de Viktor. — Eu também tenho os meus problemas, e além disso, não estou recebendo um salário grandioso para ouvir suas lamúrias. — A cada palavra dita pela cientista, Vi ficava boquiaberta com tamanha insensibilidade. Desde a primeira vez em que se encontraram, ela constatou que Caitlyn era uma pessoa difícil de lidar, mas não imaginou que a mais velha se mostraria tão mesquinha e tóxica diante de um assunto sério.

— Você ouviu o que acabou de dizer? Quer dizer, você ouve alguma outra coisa a não ser o próprio narcisismo? — A jovem de estilo punk não soube fazer outra coisa além de encará-la com o mesmo desprezo que ela teve ao encerrar o assunto, sem se preocupar com o que estava sentindo naquele momento. — Eu realmente ‘tô preocupada, e você só quer saber do dinheiro caindo na sua conta ao final do mês!

— Escute, eu não tenho culpa se a sua irmã não te mandou mais cartas ou algo do tipo. Se quer tanto reencontrar essa garota, vá atrás dela e me deixe em paz! — Em menos de dez minutos de conversa, Caitlyn estava no auge da irritação. Arrogante como era, odiava ser confrontada daquela forma, embora não tivesse aparecido uma pessoa tão audaciosa quanto Vi para enfrentar o seu lado mais orgulhoso. 

— Você realmente acha que vai conseguir se livrar de mim? — Vi riu soprado, levantando-se bruscamente e pousando ambas as mãos sob a mesa, fazendo-a recuar com a súbita aproximação. — Sim, eu vou procurar por ela, mas vou continuar na sua cola. Quero fazer você se arrepender de ser essa pessoa fútil e esnobe.

— Boa sorte, querida. — Caitlyn sorriu sarcástica, notando a fúria nos olhos azuis da mais nova. — Ninguém foi capaz de mudar um traço da minha personalidade até hoje, e não é você que vai conseguir isso.

— Veremos, madame. — Vi arrastou a cadeira de volta ao seu devido lugar e caminhou a passos largos em direção á porta, sem olhar para trás. 

Ao ver a jovem de cabelos rosados saindo da sala como um furacão, Caitlyn se levantou do próprio assento e também saiu da sala, caminhando de uma maneira tão imponente que nem parecia que havia acabado de discutir com Vi. Apesar de mais um encontro caótico, ela só queria saber de tomar um café fortíssimo e voltar ao seu trabalho, não estava interessada em refletir sobre o que acabara de acontecer e tampouco o que a jovem lhe disse no momento da raiva. 

 

[...]

 

Vi estava tão absorta em seus pensamentos que sequer notou o cair da noite quando saiu da corporação PROJETO. Após sair de uma conversa revoltante com a cientista-chefe da maior empresa tecnológica do distrito, sua mente continuava refletindo cada palavra dita por aquela mulher, mesmo que já não estivesse mais perto dela. Estava dividida entre a raiva por ter sido destratada e a ambição de mudar tal comportamento tóxico, nem que fosse para diminuir sua arrogância grotesca.

No meio do caminho, Vi encontrou Ekko, seu amigo de infância e também o seu companheiro de viagem até Piltover, porém não foi um mero acaso; afinal, ele também fôra chamado para fazer testes na PROJETO. Embora tivessem muito tempo para conversar sobre as suas novas experiências, já que os dois dividiam um pequeno apartamento a poucos metros dali, Ekko rapidamente percebeu a inquietação da mais velha, e preferiu não iniciar uma conversa. Ainda que quisesse muito falar a respeito da primeira vez em que colocou os seus pés na sede da PROJETO, decidiu que seria melhor apreciar o cenário da cidade em silêncio. 

A província, que antes era cercada de velhos casarões com ornamentos dourados e indústrias movidas à energia do vapor e das caldeiras, se tornou um pólo tecnológico mesmo fora dos prédios das empresas mais conhecidas nesse ramo. As máquinas à vapor foram substituídas pela tecnologia Hextec encontrada nas profundezas do deserto de Shurima, cada cidadão usufruía do privilégio de morar em uma cidade completamente modernizada pelo valioso artefato descoberto em território shurimane — tanto homens quanto mulheres utilizavam artefatos feitos a base de Hextec, seja em forma de acessórios e jóias, quanto em forma de próteses.

Carros que não possuíam rodas sobrevoavam as ruas da metrópole, os pedestres andavam livremente com seus visores de neon que lhe davam qualquer informação que quisessem, como se fosse um computador portátil. Não haviam funcionários nas lojas pois tudo era comandado pela alta tecnologia, e quem comandava o território fazia questão de expulsar qualquer moribundo das ruas, levando-os direto para as fronteiras de Zaun, assim a cidade parecia impecável, onde nenhum morador vivia abaixo da linha da riqueza. Considerando o preconceito esmagador dos piltovenses com os menos favorecidos, o qual aumentava drasticamente se esses indivíduos fossem zaunitas, Ekko não fazia ideia de como ele e Vi conseguiram se estabilizar em um estado que não os aceitava de forma alguma. Todos os dias, ele agradecia por ter a melhor amiga para protegê-lo daquele lugar hostil, já que a discriminação com jovens negros era ainda mais preocupante.

Os dois estrangeiros seguiram o caminho sem trocar uma palavra sequer, e pararam em um estabelecimento que fazia jus à modernidade e ao futurismo da Cidade do Progresso que, atualmente, era chamada apenas de A Cidade. O ambiente era escuro, tinha apenas painéis de luzes neon para iluminar determinadas áreas. Não havia qualquer resquício de humanidade naquele recinto, pois todos os atendentes eram máquinas que gravavam os pedidos e levavam-os até as mesas, e até mesmo as pessoas de carne e osso pareciam robóticas, presas em seus smartphones e airpods enquanto seus cafés e bolos iam esfriando. Outros indivíduos ainda ousavam desconectar-se de tudo e todos, usando seus óculos de realidade virtual para fazer qualquer outra coisa enquanto esperavam seus pedidos. O lugar não estava cheio, mas mesmo tendo pessoas dividindo o mesmo espaço, era possível sentir uma angustiante solidão.

Faziam alguns minutos que ambos se aconchegaram em uma mesa isolada da cafeteria que também funcionava como lanchonete. Podia-se ver a coloração vívida do Hextec pelas paredes de vidro, contrastando com a chuva forte que dava um aspecto sombrio ao distrito. Haviam muitos detalhes interessantes daquele local que mereciam ser observados, como as placas luminosas que trocavam de cor a cada minuto, e a trilha sonora que variava entre melodias suaves e batidas marcantes, no entanto, Ekko estava mais intrigado com o comportamento de sua amiga do que com o ambiente à sua volta. 

Após terminar de tomar seu milkshake, o garoto de moicano platinado pousou a taça vazia sob a mesa e ficou observando Vi, que estava entretida demais com o celular para perceber que seu café já havia esfriado. Numa única tentativa de chamar a atenção, ele se ajeitou na poltrona de couro envelhecido e pigarreou alto, o que foi suficiente para fazer a mais velha bloquear o aparelho eletrônico e voltar à sua realidade.

— Ao menos, você não demorou tanto dessa vez. — Disse Ekko em um tom brincalhão, vendo a garota sorrir levemente e retribuindo o gesto. 

— Desculpa, carinha. ‘Tô tão preocupada com algumas coisas que até esqueço do mundo ao meu redor. — Vi afirmou um tanto desanimada, levando a xícara de café até a sua boca. Em seguida, sua expressão mudou para uma carranca terrível, em seguida, ela devolveu o objeto de porcelana à mesa. — Tinha esquecido como café frio é uma merda. — O comentário mal humorado fez seu amigo rir baixo.

— Pelo jeito que você tava antes, tenho certeza que não é só o café que ‘tá assim. — Foi possível ouvir um resmungo ao final de sua sentença, e então ele prosseguiu. — A conversa com a cientista não foi boa?

— Cara, hoje ela ultrapassou os limites da arrogância. — Só de relembrar o péssimo momento que tivera com Caitlyn, Vi sentiu a raiva tomar conta de si outra vez. — Ela disse que meu receio de me alistar na PROJETO é totalmente descabido, mesmo sabendo que eu ‘tô preocupada com a Jinx. Pior, ela nem quis ouvir o que eu tinha ‘pra falar! — Seus olhos emanavam tanto ódio, que Ekko ficou um tanto quanto apreensivo com a sua reação.

— Antes de você me encontrar, eu fui entrevistado por ela. Mal entrei na sala e ela já me mandou o papo reto: apenas responda o que eu te perguntar, não quero saber de historinhas. — A cena da cientista enraivecida passou na mente do garoto, e não demorou muito até perceber que ela estava daquele jeito depois de ter reencontrado sua amiga. 

— Essa mulher é ridícula. Ridícula! — Vi estava tão revoltada que tomou o resto do café frio em um gole só. — Eu ainda vou fazer essa mulher se arrepender de ter me tratado desse jeito. Anote o que eu ‘tô te dizendo!

— Cuidado ‘pra não fazer ela se apaixonar por você. — Ekko sorriu sacana, ocasionando um olhar torto vindo da mais velha. Ele gostava de zoar Vi, pelo fato de que ela foi a “paixonite” de algumas garotas que faziam parte do seu círculo de amizades em Zaun. — Falando sério agora, conseguiu alguma informação sobre a Jinx?

— Nada. — Ela suspirou aborrecida. — Disseram que não podem falar sobre quem acabou de se alistar na PROJETO. Eu só queria saber como ela ‘tá, nem precisava receber um relatório completo ou algo do tipo. 

— Talvez ela não possa falar contigo no momento. —  O mais novo nunca se considerou um ótimo conselheiro, mas ele queria fazer o possível para confortá-la. — Não sei se isso te conforta, mas pense que ela ‘tá bem e feliz por estar realizando um sonho, assim como nós estamos realizando os nossos sonhos. 

— Tem razão. — Vi pôs a sua mão por cima da mão de Ekko, sorrindo de canto. — Obrigada pelo apoio, carinha. — O garoto pensou em lhe responder, mas tudo o que ele fez foi sorrir timidamente. Do jeito que conhecia a mais velha, Ekko já estava ciente de que, mais tarde, seria zoado por ter ficado tímido com a sua amiga de infância.

Embora já tivessem terminado de consumir o que foi pedido, Vi e Ekko passaram um bom tempo na cafeteria, conversando e se divertindo apesar das adversidades. Contudo, mesmo que não tivesse tocado no assunto ao longo daquela noite, Vi continuava convicta com a ideia de mudar a personalidade tóxica de Caitlyn, e não demoraria muito até ela dar início ao seu plano mais ousado.

[...]

Enquanto Vi “degustava” seu café frio e amargo no outro lado da cidade, Caitlyn passava a bebida quente no coador da cozinha, esperando ficar pronto. Sua mente divagava entre os projetos que faltavam terminar até o final do mês, como a armadura nova do menino de moicano branco, e a armadura de Vi, na qual ela não queria pensar naquele momento. Em meio aos seus devaneios, Caitlyn ouviu uma voz na sala da espera que era deveras familiar.

— Eu só sei que os testes ainda estão sendo feitos, mas ao que tudo indica dessa vez vai dar certo. — A voz era do menino que sempre estava enchendo sua paciência no trabalho, qual era o nome dele mesmo? Ezreal? — Eu espero que dê certo.

— Ela foi contratada para que dê certo, Ez. Mais um erro grotesco daquele e a PROJETO estaria em maus lençóis. — Uma voz feminina que Caitlyn nunca tinha ouvido, talvez uma subordinada que trabalhava em outro setor. No fundo, pensou que ela não era importante o suficiente para manter contato, assim como tinha de fazer com Ezreal. — Ela não é reconhecida como a melhor cientista de Piltover por qualquer coisa.

— Devia ser conhecida como a cientista mais arrogante e mal-educada de toda Piltover, isso sim. Riven o jeito que ela me tratou foi horrendo. — Ezreal disse um tanto aborrecido por ter sido tratado daquela forma, sendo que ele tinha a boa intenção de recepcionar a nova chefe. Caitlyn nem se importou com as ofensas do menino, pois seu ego inflado apenas ouviu a parte da “melhor cientista”.

— Eu ouvi boatos, mas odiar ou amar ela não muda o fato de que ela obteve sucesso na armadura do Zed, e é isso que precisamos. Se perdermos o controle de mais uma armadura...

— Riven, não somos autorizados a comentar sobre esse assunto. É melhor falarmos sobre qualquer outra coisa. — Ainda que estivessem sozinhos ali, certos assuntos eram confidenciais, e uma simples menção poderia custar o emprego de ambos.

— Eu sei Ez, me perdoe, mas eu preciso desabafar. Com essa última menina, são três armaduras que saíram completamente do controle, isso sem contar algumas que foram perdidas de contato durante os anos. — Era nítida a preocupação na voz de Riven. Mesmo sem conhecer aquela garota, Caitlyn imaginou que ela sabia muito bem o que estava falando, provavelmente estava envolvida no caso. 

— Riven, eu realmente não quero falar sobre isso. — O nervosismo estava tomando conta do rapaz. Para ele, Riven era uma engenheira brilhante, não merecia perder o cargo que havia batalhado tanto para conseguir, em troca de uma informação que nem sequer deveria estar sendo mencionada por alguém que só deveria fazer o seu trabalho sem grandes questionamentos.

— Mas Ez, não adianta a gente fingir que nada aconteceu! Nossas falhas anteriores além de criar monstros criaram também grupos de resistência, ou você acha que ninguém aqui sabe sobre a G/NETIC?

— Riven, chega! — O tom de voz do loiro aumentou consideravelmente, assustando até mesmo a cientista que ouvia tudo do outro cômodo. — Se a pessoa errada ouvir você falando esse nome aqui, vai sobrar para nós dois, e eu não quero correr riscos por algo fútil. Ou mudamos de assunto, ou eu vou te deixar falando sozinha.

— Desculpa. – Riven baixou a guarda, agora parecendo mais encabulada, e Caitlyn ouviu seus passos se direcionando até o cômodo em que estava escondida.

A cientista apressou-se a despejar seu café em sua caneca e saiu ligeiramente da cozinha, vendo o rosto da mulher de cabelos brancos expressar um misto de surpresa e medo. O menino loiro teve a mesma reação, e Caitlyn conseguiu ouvir a mulher perguntando baixinho para Ezreal se havia a possibilidade de a cientista ter ouvido a conversa.

 Normalmente, aquela conversa não interessaria Caitlyn. Afinal, para ela, seria apenas fofoca de trabalho, mas por algum motivo aquilo chamou sua atenção. Que erros grotescos seriam esses? O que seria essa tal G/NETIC? Quem são os donos das três armaduras que apresentam risco iminente para a população? E por que Viktor nunca comentou um fato sequer com ela?

A curiosidade da mulher latejava em sua cabeça. Ela não era de se envolver profundamente naquilo que não a competia, mas a história estava tão mal contada e faltando tantas informações que era inevitável manter sua cabeça naquelas dúvidas. 

De qualquer forma, era hora de voltar a trabalhar na maldita armadura daquela zaunita de cabelo rosa, logo não tinha tempo para ficar remoendo questões sem respostas. Quem sabe, Viktor poderia responder suas perguntas no próximo encontro que eles tivessem.


Notas Finais


Devo reforçar que, por mais que a Caitlyn seja uma baita fela da mãe no momento, ela não é vilã ou algo do tipo. Só precisa de alguém que faça ela tomar um choque de realidade :T


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