História Noiva até Sexta - Capítulo 20


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Capítulo 20 - Acampamento


Fanfic / Fanfiction Noiva até Sexta - Capítulo 20 - Acampamento

O ar era muito mais frio nas montanhas que no deserto de Nevada e Utah. Yoongi estava de olho nas nuvens. A última coisa que precisavam era de mau tempo.

A barraca era frágil e tinha sido feita para condições de tempo perfeitas, não para um dilúvio. Ele tinha checado a previsão do tempo no hotel, mas de várias centenas de quilômetros de distância, e era sabido que as montanhas tinham seus próprios padrões climáticos.

Jennie ficou em silêncio depois de ele revelar parte de seu passado. Ele estava surpreso com o raciocínio lógico dela, que muitas vezes chegava às mesmas conclusões que ele. Yoongi já havia pensado na possibilidade de o Gralha ter um irmão, e que ele fosse um canalha terrorista do mesmo tipo e estivesse atrás deles. Mas descartara a ideia quase imediatamente.

Terroristas eram bons em destruir grandes alvos e causar pânico em massa. Confrontos diretos não eram do estilo deles, pois não geravam grande repercussão. Quanto a Chen ou Baekhyun guardarem algum rancor... Baekhyun estava longe, provavelmente em outra missão, do outro lado do mundo. E Chen havia procurado Yoongi. E não estavam os dois trabalhando para encontrar o responsável pela morte de Suho?

Yoongi sabia que havia uma pequena possibilidade de Chen ou Baekhyun terem problemas com ele. Suho não dera o tiro, pois Yoongi não havia dado a ordem. E o resultado poderia fazer de Suho ou dele mesmo um alvo na mira dos outros caras da equipe.

Yoongi queria pensar mais, analisar todos os ângulos possíveis antes de abrir o jogo para qualquer um. Até mesmo para Chen.

Ele se convenceu de que não tinha telefonado para Chen assim que seus planos mudaram porque precisava resolver as coisas sozinho. Yoongi trabalhava sozinho agora.

Não havia mais ninguém em sua equipe que dependesse dele. Ninguém mais para morrer. Seus olhos percorreram o local por onde Jen havia desaparecido na mata, em busca de alguma privacidade. Você não está sozinho, Suga, pensou. Havia alguém de quem ele gostava, que dependia dele. Que corria risco por causa dele. Não estou sozinho, em absoluto. Só que dessa vez, quando a missão fosse concluída, os dois sairiam vivos.

Antes de voltar ao carro para pegar suas coisas, Yoongi chutou algumas pedras no local onde montariam a barraca. Duas noites acampando com Jen no meio do nada. Poderia ser pior. Pensou nela na noite anterior. Ele havia fantasiado com ela mais vezes do que podia contar.

Nunca a imaginara tão receptiva. Já havia transado com muitas mulheres, algumas das quais esquecera rápido, o que provavelmente fazia dele um canalha. De algumas ele se lembrava com carinho, mas nenhuma o deixara sentindo um vazio por dentro quando se fora. Jen mudaria isso; Yoongi sabia desde o começo. Suas emoções já estavam em jogo antes que ele a tocasse. E isso tornava a missão ainda mais perigosa.

A pessoa que estava atrás dele sabia disso e se aproveitaria desse trunfo. A melhor coisa para Yoongi era tomar as rédeas da situação, se fortalecer e pronto. Assim que Jen estivesse na torre de marfim, ele resolveria as coisas e seguiria em frente. Yoongi ouviu um galho estalar atrás de si. Seu corpo se retesou.

— Está montando a barraca?

Ele suspirou. Relaxou a mão que havia voado para a arma por impulso. Já havia puxado a arma para Jen uma vez; nem fodendo deixaria isso acontecer de novo. Não havia ninguém ali, exceto eles e os cervos.

— Sim.

Ele esvaziou o conteúdo da sacola no chão e separou os tubos da barraca.

— Este lugar é lindo. Você já tinha vindo aqui? — perguntou Jen.

— Faz alguns anos.

— É tão silencioso... mais que o deserto.

Yoongi aspirou o cheiro dos pinheiros.

— O barulho da estrada ecoa no deserto. Aqui em cima, a floresta abafa o som. — Ele fechou os olhos e apurou os ouvidos; virou o rosto contra o sol. — Escute.

Quando abriu os olhos, encontrou Jennie o fitando com um sorriso. Caminhou até ela e a girou para leste.

— Feche os olhos.

— Para quê?

— Shhh... — ele respondeu, descansando as mãos nos ombros dela e se inclinando até seu ouvido. — Respire fundo e escute.

Jennie seguiu suas instruções, e ele se juntou a ela no silêncio. Quando ele fechou os olhos, um mundo de sons se abriu, como uma inundação.

— Agora... o que está ouvindo?

— Pássaros. Talvez um esquilo.

Ele ouvia a mesma coisa.

— O que mais?

Yoongi abriu os olhos e a observava com um sorriso no rosto enquanto ela ouvia os sons da floresta.

— O vento no alto das árvores... e algo mais.

Ela abriu os olhos e apontou para leste.

— Ali.

— Um córrego, se estiver perto. Um rio, se estiver mais longe — ele explicou.

— Que legal! A gente devia ir ver.

Ele esfregou os braços frios de Jennie.

— Amanhã. Precisamos montar acampamento antes do anoitecer.

— Tudo bem.

— Mas, primeiro, feche os olhos de novo e me diga o que você não ouve.

Ela obedeceu. Yoongi olhou para o chão e viu um galho a seus pés.

— Nada de carros. Nada de buzinas distantes ou sons de outras pessoas além de nós. Nada de aviões. Nada mecânico.

Ele apoiou o pé no galho caído e esperou.

— Mais alguma coisa?

Ela hesitou, depois balançou a cabeça. Yoongi pisou no galho e ela deu um pulo, abrindo os olhos.

— O que foi isso? — perguntou, olhando para ele com a mão no peito.

— Só um galho. Mas você ouviu porque removeu um dos seus sentidos. Escute como eu ando, memorize o som. Assim, se alguém se aproximar, você vai saber antes de ver a pessoa.

Jennie virou e abraçou Yoongi pela cintura.

— Ninguém se atreveria a se aproximar de mim com você por perto, Yoongi.

— Todo cuidado é pouco aqui.

Ela sorriu, ficou na ponta dos pés, lhe deu um beijo rápido e desceu novamente.

— Vou treinar. Agora, que tal você montar a barraca enquanto eu vou buscar um pouco de lenha?

Yoongi a observava enquanto ela andava por ali, recolhendo madeira. Não demorou muito para montar a barraca e ajeitar as coisas para dormir.

— Eu nunca acampei — disse Jennie, a vários metros de distância. — Nunca.

O mais próximo que cheguei disso foi quando eu tinha doze anos. Uma amiga passou a noite em casa e acabamos dormindo nas espreguiçadeiras, no pátio em frente ao meu quarto, em Albany.

Ele sorriu.

— Isso não conta.

— Imagino que não — disse ela, jogando alguns troncos maiores na pilha que havia feito e se afastando para pegar mais. — Tem algumas cabanas na propriedade da Inglaterra. Eu costumava escapar para lá quando precisava ficar sozinha. Minha mãe sempre queria gente em volta. O tempo todo havia convidados em Albany quando o meu pai era vivo, e muitas vezes eu procurava refúgio nas cabanas.

— Você se dava bem com o seu pai? — Yoongi sabia que Jungkook não se dava.

— Ele me deu um desconto por ser mulher. Eu era problema da minha mãe, não dele. Quando o Jungkook decidiu trilhar o próprio caminho, pensei que o meu pai notaria que eu era mais do que um enfeite a ser apresentado para os seus amigos e logo deixado de lado. Que ingênua! Ele foi um marido e um pai horrível. Se tivesse nascido cento e cinquenta anos atrás, talvez se encaixasse muito bem.

— Parece um homem difícil de conviver.

Ela colocou mais madeira na pilha e se sentou em um tronco caído.

— Era mesmo. Mas eu não devia falar mal dos mortos.

— Eu não vou contar para ninguém.

Só Jen mesmo para se preocupar com os sentimentos de um espírito. Yoongi pegou um tronco e cavou com ele a terra macia, fazendo um buraco para a fogueira.

— E os seus pais? Acho que nunca ouvi você falar deles — disse Jen.

Yoongi não pensava em seus pais havia muito tempo, muito menos falava sobre eles.

— A minha mãe foi embora quando eu era criança. Fui criado pelo meu pai. Ele também era fuzileiro naval. Serviu por mais de vinte anos antes de morrer.

— Quando ele faleceu?

— Há sete anos. Câncer de pulmão. Fumou até morrer.

— Que horrível...

Yoongi deu de ombros.

— Poderia ter sido pior. Depois que ele foi diagnosticado, a coisa foi rápida. Eu tento enxergar pelo lado bom.

Jen sorriu, apoiando o queixo nas mãos entrelaçadas.

— Como ele era?

— Era um bom homem. Mas não era de falar muito. Eu sabia que ele gostava de mim. Ele tinha um bom grupo de amigos, cujas esposas ajudavam comigo quando eu era mais novo. Nós nos mudamos bastante no começo e nos estabelecemos aqui no Colorado quando ele estava perto de se aposentar. O coitado nem tivera a chance de aproveitar a aposentadoria.

Yoongi juntou os pedaços menores de madeira, descartando os galhos que ele sabia que fariam muita fumaça, e os empilhou para acender a fogueira.

— Ele deve ter sido o motivo pelo qual você entrou para a marinha.

— Essa era a única vida que eu conhecia. E tinha dado certo para ele. Eu nunca pensei em ser nada além de fuzileiro naval.

— Aposto que ele tinha orgulho de você.

Yoongi se lembrou de uma foto sua vestido com o uniforme completo. Ficava no console da lareira de seu pai.

— Sim, ele tinha.

Em seguida acendeu um fósforo sobre o musgo seco e o abanou. Jen suspirou.

— Ele não se casou de novo?

— Namorou um pouco. Mas nenhuma delas foi para a frente.

Os galhos foram pegando fogo devagar, e Yoongi empilhou mais alguns. Quando o sol estava baixo no horizonte, o fogo já estava suficientemente forte para aquecê-los e para preparar a comida.

Vestiram as blusas de moletom e se sentaram ao lado da fogueira, depois de compartilharem a refeição. Jen havia preparado espetos de marshmallow. Estava apoiada em Yoongi, fazendo perguntas sobre a vida nas forças armadas e sua mãe desaparecida.

Essa era uma pessoa em quem Yoongi não se dava o trabalho de pensar. Ele nunca a conhecera, exceto pelo que seu pai lhe contava quando era pequeno. De acordo com seu pai, eles eram muito jovens para se casar, e ela não estava pronta para ser mãe e assumir uma vida de constantes mudanças e responsabilidades.

Yoongi tinha certeza de que havia mais, mas seu pai não falava sobre ela, e ele também não perguntava.

— Eu nunca pensei que um dia estaria aqui, assim, com você — disse Jen, enquanto rodava o espeto no fogo.

— Não foi planejado.

— Não posso dizer que estou feliz pelo modo como chegamos aqui, mas também não posso dizer que estou odiando.

Ela apoiou as costas em seu peito, e ele passou a ponta dos dedos no braço dela. Esperava que ela se sentisse assim depois, quando o novo Gralha desaparecesse.

Jennie lhe ofereceu um marshmallow. Ele abriu a boca e aceitou o doce. O sorriso sedutor dela se abriu quando ele lambeu seus dedos.

— Estou começando a achar que você é como um desses marshmallows. Meio duro e queimado por fora, e todo macio e meloso por dentro.

Ele terminou de mastigar e sorriu. Yoongi não sabia se era meloso por dentro. Mas, se isso fizesse Jen olhar para ele com tanta confiança, deixaria que ela acreditasse.

— E você não tem como ser mais doce, Jen.

Ela relaxou e se recostou nele de novo, dessa vez soltando o espeto.

— Quer saber um segredo? — perguntou.

Quando Jennie deixou a cabeça cair no peito dele, Yoongi se permitiu inspirar o cheiro de seu cabelo.

— Que segredo?

Ela entrelaçou os dedos nos dele.

— Eu sempre quis ser uma garota malvada. Sabe, do tipo que usa couro e bebe uísque direto da garrafa.

Ele não podia imaginar isso.

— Na garupa de uma moto, com o nome de um cara tatuado no braço?

— Não sei quanto ao nome, mas talvez algo assim. Talvez um piercing no umbigo — disse ela.

Ele agora a imaginava, e a imagem fez seu membro endurecer.

— Podemos te levar para pôr um piercing em Colorado Springs.

Ela riu. Ele amava sua risada.

— Eu iria amarelar.

— Posso te embriagar, e você acordaria com o piercing no dia seguinte.

Ela riu ainda mais.

— Só você para achar essa ideia atraente.

— Foi você que começou. Piercing no umbigo é sexy.

Quando fora a última vez que ele dissera algo assim para uma mulher? Nunca.

— E você, Yoongi? Tem algum segredo?

— Você viu a minha tatuagem.

— Sim, eu vi. E é realmente muito sexy. — O sotaque de Jennie tornava tudo certinho e apropriado. — Alguma coisa que você não teve coragem de fazer?

Ele apertou a mão dela e esperou que ela o olhasse. Então se inclinou e pousou os lábios nos dela. Em seguida a virou em seu colo, sem parar de beijá-la. O sabor dela explodiu em sua língua e o aqueceu por inteiro. Quando ele se afastou, o olhar lânguido de Jennie encontrou o dele.

— Eu sempre te desejei — ele confessou.

— Você sabia que eu também te desejava. O que te impedia?

Ele afastou uma mecha de cabelo dos olhos dela.

— Eu sou duro por dentro e por fora, Jen. E você é uma princesa que merece um príncipe.

Não alguém como ele. Alguém que não conseguia dormir porque seu passado não permitia. O sorriso de Jen se desvaneceu, e ela segurou o rosto dele entre as mãos.

— A princesa quer o cavaleiro, não o príncipe. Ela quer alguém que saiba o que quer e que se arrisque para conseguir.

— Não há garantias comigo. Sou uma aposta arriscada.

Ela o beijou brevemente.

— Os dados estão lançados, Yoongi. Você não vai me convencer a me afastar.

— É isso que eu estou fazendo? — Ele sabia que sim. Ela assentiu.

— Além disso, se eu quisesse ter tédio garantido, teria namorado alguém do clube de polo do meu pai.

— Motos versus pôneis?

— Você pilota uma moto, não é?

Fazia muitos anos que não, mas ele não estragaria a fantasia dela.

— Pelo menos agora eu sei de onde saiu seu fetiche por couro.

— Ah, não. Isso é por causa de todos os filmes pornôs que eu vi.

— É, você não é o melhor exemplo de princesa — disse ele, rindo.

— Certamente não — ela acrescentou, descendo a mão pelo peito dele até alcançar seu membro. — Quer ver o que uma falsa princesa é capaz de fazer?

O sorriso de Yoongi desapareceu e o desejo tomou seu corpo.

— Para a barraca. Agora.

Ela saiu de seu colo e ele apagou a fogueira, antes de se juntar a Jennie para alimentar o outro tipo de fogo que queimava dentro dela.



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