História Noivado com a pessoa errada - Capítulo 1


Escrita por: e LUTTERJu

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Sehun
Tags Casamento, Exo, Exozone, Fluffy, Hunbaek, Sebaek
Visualizações 227
Palavras 9.805
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, Fluffy, LGBT, Shoujo (Romântico), Slash, Violência
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Só um aviso antes que vocês comecem a ler: todos os diálogos que estiverem em itálico sugerem que foi uma ação ocorrida no passado, pode ter sido do dia anterior ou de anos atrás. Boa leitura!

Capítulo 1 - Capítulo único


O homem andava de um lado para o outro, segurando uma caixa de sapatos com a mão direita e na esquerda ocupava um vestido de tecido esbranquiçado, estilo tomara-que-caia. Nas bordas, jóias e pedras brancas jaziam, cintilantes ao contato de qualquer mínimo raio de luz. Estava cansado e suado, mas isso não impedia de ter um sorriso amigável nos lábios. Precisava ser atencioso, afinal, era o seu trabalho.

Caminhou tranquilamente até a noiva, a futura esposa de um homem. A mulher sorriu abertamente quando viu o que BaekHyun trazia nas mãos. A mesma deu uns pulinhos no sofá de couro negro, enquanto a mulher de mais idade ao lado sorria fraco, sendo a mãe da jovem noiva.

BaekHyun se abaixou na frente da mulher, de joelhos, tirando de dentro da caixa preta um lindo par de saltos altos branco, cobertos por cristais e pedras brancas. Era belo, brilhando lindamente com as luzes no teto, entrando em contraste e colorindo-o em raios de luz nas cores do arco-íris. O sapato era mais do que perfeito. A mulher quando pôs os olhos no salto alto tapou a boca com as duas mãos.

— Esses sapatos são perfeitos! — deu pulinhos, batendo eufóricas palminhas. Os olhos da mulher brilhavam de tamanha satisfação por encontrar os sapatos dos sonhos para um dia tão perfeito e especial em sua vida.

BaekHyun sabia mais do que ninguém que aquele poderia ser simplesmente o sapatinho de cristal de qualquer garota, escolhendo propositalmente aqueles para a jovem vaidosa e alegre. Sorriu.

— De fato, são belos… — analisou a mulher mais velha, arrumando os óculos em frente o rosto.

— Garanto que ficará fabulosa com esses saltos. O vestido já é lindo, é a melhor combinação — respondeu, sorrindo abertamente para a mulher mais velha.

BaekHyun guardou o par de saltos e se levantou do chão, dando à mulher mais velha a caixa preta com os tão queridos sapatos e o vestido esbranquiçado, guiando as mulheres até o caixa, onde uma atendente esperava por elas.

Após as duas se guiarem até o caixa, o rapaz de cabelos castanhos suspirou, segurando na gola da camiseta branca social, abanando-a. Já não havia sequer clientes a serem atendidos e BaekHyun agradeceu aos céus, andando até o fim do salão, perto dos provadores da loja, sentando ao lado do menino que mexia em seu celular, com a cabeça abaixada.

O dia não estava sendo corrido, mas o fato de andar pra lá e pra cá com caixas de sapatos, vestidos brancos e véus nas mãos o cansavam. Haviam dias em que nem conseguia descansar, porém, ainda assim amava o que fazia.

E era verão. A época em que as jovens moças de Seoul desejam se casar. Mas as noites eram sempre frias.

O rapaz ao seu lado tinha cabelos negros e um sorriso bobamente encantador. Sua pele era morena e suas covinhas completavam o charme do garoto. Ele era lindo e belo, preguiçoso e esbelto. Mas continuava sendo só um estudante do Ensino Médio. Não é errado achar uma pessoa bonita, mesmo que ela só tenha dezessete anos e seja neto da sua chefe, certo?

— Até quando vai ficar aí, JongIn? — bisbilhotou por cima dos ombros do garoto, vendo-o jogar um MMORPG de Android.

—- Estou quase ganhando, hyung! — falou de imediato, apertando freneticamente os dedos contra a tela do celular, vidrado.

Kim JongIn era neto da proprietária da loja, a chefe. Ele não era tão mimadinho como nas histórias de conto de fadas e nem era esnobe, só preguiçoso. JongIn era quase um NEET. A senhora Kim já havia lhe dito diversas vezes que queria um filho como si, choramingando enquanto olhava as péssimas notas do jovem Kim em suas provas semestrais.

E ela adorava apertar bochechas também.

Já havia perdido as contas de quantas vezes teria visto Kim JongIn matar aulas para ir em fliperama gastar a sua mesada. Vez ou outra, BaekHyun era responsável para ir buscá-lo e o levar até a escola – mesmo não fazendo parte de seu trabalho, Byun só queria ajudar – e era a única fonte de ajuda consoladora nas horas ruins. O Kim não tinha amigos.

Quando encarava algum problema, JongIn ligava para BaekHyun de madrugada após perder as partidas ranqueadas em League Of Legends. Reclamava de como seus aliados feedavam e não iam em direção ao objetivo. Byun BaekHyun não entendia uma palavra sequer.

Byun BaekHyun tinha medo de ser promovido para babá particular de Kim JongIn.

BaekHyun suspirou, fechando os olhos. Estava cansado demais para pensar.

Abriu-os levemente, encarando o teto que era pintado em estilo de arte renascentista e estava em um ótimo estado. Nunca deixava de se surpreender com aqueles belos traços. Depois de anos trabalhando ali, jamais perguntou à senhora Kim quem havia pintado aquilo. Deixaria sua curiosidade para depois.

O desenho era enorme e cobria todo o teto da loja na área do salão. No desenho, uma noiva de cabelos loiros, com um enorme vestido branco, como as de princesas de contos de fadas, com alças nos ombros. O véu cobria seu rosto. Em mãos, um enorme buquê de Jasmim do Caribe. BaekHyun só sabia o nome daquela flor porque JongIn o contou.

Em frente à noiva, havia um homem. Cabelos pretos e sorriso aberto, seus olhos quase sumiam. Ele era perfeito aos olhos de BaekHyun. O terno preto marcava cada parte de seu corpo e, seu rosto... era lindo. Os traços marcantes do homem e seus cabelos se destacavam mais ainda. Várias vezes, ele se perguntava se existia alguém assim. Se havia alguém se casando que era assim. Se alguém realmente poderia ter aquela expressão no rosto quando for dizer o “Sim’’.

BaekHyun suspirou, triste. E fechou os olhos. Toda vez que entrava na loja e via aquela pintura, lembrava de que estava solteiro. Super mega hiper ultra solteiro.

Fazia quase cinco anos desde seu último namorado, ChanYeol. Conheceram-se no Ensino Médio. Era o namoro perfeito. E até mesmo havia conhecido a família do felizardo. Saiam sempre que podiam, comiam juntos e até mesmo dividiam o mesmo apartamento, como as contas de luz, de água e iam ao mercado juntos.

Park ChanYeol era ambicioso e orgulhoso, frio e calculista, mas nunca deixou de ser um bom namorado ao Byun. Tinha suas habilidades e seus charmes, mas, cozinhar não estava entre eles.

O motivo do término: ChanYeol queria se concentrar na sua faculdade e BaekHyun era um estorvo, estava atrapalhando a vida universitária do namorado. O Park jogou fora todos aqueles três - quase quatro - anos de namoro no lixo para seguir sua carreira como advogado. O Byun não se arrepende e nem se esquece dos momentos bons em que passaram juntos. Três anos não se esquecem em um estalar de dedos.

Depois de esvaziar várias, várias e várias garrafas de Soju, saídas para ambientes barulhentos e estressantes com e maratonas de séries com KyungSoo serviram para superar o trágico término que o levou a ruína, choradeira, noites em claro e vício em chocolate quente.

Mas no fundo, ele se lamentava por estar solteiro. Claro, tinha superado o ex-namorado, mas ainda assim, estava solteiro.

Aos 25 anos, Byun BaekHyun era um gay assumido, solteirão bonito que trabalhava em uma loja de noivas. E a melhor loja de vestidos de noivas de Seoul.

Nunca poderia negar que já fora cantado dentro da loja. Dentro do ambiente de trabalho, o de cabelos castanhos tentava ser profissional ao máximo e ser educado com os clientes, levando em conta suas opiniões. Precisava ser atencioso, afinal, era o seu trabalho.

A senhora Kim – avó de JongIn – outrora disse que as noivas se derretiam pela compreensão, carinho e atenção que BaekHyun proporcionava a elas, que quase se matavam para largar seus noivos e dar umas beijocas no Byun.

Mas, Baekhyun não era muito fã dessa praia.

Suspirou baixinho quando sentiu um dedo o cutucar incessantemente o seu ombro. Jurou e rezou algumas pragas à JongIn, mas logo se desculpou mentalmente. Não queria ser demitido. Se não fosse o Kim, já teria aberto a boca pra dizer algo. Encarando o rapaz, já de olhos abertos, ele continuava a cutuca-lo, apontando para algo atrás de si.

— Mas que diabos, Jong— sua nova praga foi interrompida ao olhar para trás e avistar os novos clientes no meio do salão, que olhavam admirados o local ao redor.

BaekHyun parou no tempo e analisou a situação. Era uma reunião de família?

Levantou do sofá e arrumou-se rapidamente, ajeitando sua camisa social impecavelmente branca. Caminhou até o quarteto que estavam um tanto perdidos. Sorriu, alegre.

Quando a mulher de mais idade viu BaekHyun se aproximar, caminhou em direção ao rapaz, cumprimentando-o e ditando o que queria, sorrindo. O Byun sorriu de volta, curvando-se respeitosamente à mulher. Os cabelos escuros dela eram curtos e haviam ondulações nas pontas.

— Tudo aqui é lindo! — exclamou a mulher de cabelos negros e rosto jovial. A noiva. Ao ver BaekHyun, sorriu alegremente, quase correndo em sua direção, dizendo o quão lindo era o ambiente e que havia adorado as esculturas nas pilastras.

BaekHyun cumprimentou a noiva, assim como o seu pai, o homem de cabelos negros e alguns fios brancos já aparecendo. Havia um rapaz de cabelos negros e olhos escuros, que andava ao lado da noiva e parecia entretido em apenas observar a loja, parecia querer decorar cada canto dela, com seus olhos curiosos que rolavam pelo globo.

Os olhos do Byun vagou pelo corpo do homem. Desde a camisa social preta dobrada até os cotovelos, até os sapatos sociais. BaekHyun discretamente mordeu o lábio inferior.

Vagava com o olhar pelas paredes brancas e pelo teto colorido, onde jazia – além da enorme pintura – um grande e brilhante lustre branco, próximo a entrada da loja.

‘’Deve ser um parente. Talvez o irmão‘’ pensou BaekHyun.

— Você deve ser o irmão da noiva — falou BaekHyun, caminhando até o homem que outrora olhava o ambiente ao seu redor.

O de cabelos negros virou na direção de BaekHyun, fitando-o com intensidade, analisando o seu rosto, encarando o corpo do Byun. Os olhos do noivo estavam fixos nos do funcionário, que aguardava uma resposta. Ele soltou uma leve risada, e sorrindo, mostrou seus perfeitos dentes brancos.

Um simples sorriso havia deixado BaekHyun sem ar. Ele era gato demais para ser verdade. Parecia uma obra de arte, uma escultura feita por algum Deus. Seria errado dar em cima do irmão da noiva? Talvez, um pouquinho.

— Sou o noivo — sorriu novamente, curvando a cabeça em respeito a BaekHyun, que observou o rapaz inclinar o corpo em sua direção. Por um instante ficou boquiaberto, mas logo se recompôs.

BaekHyun e seu pequeno mundo de fantasias desmoronou. ‘’Ele é o noivo? Esse é o noivo???!!! O que diabos faz o noivo junto com a família da noiva para experimentar o vestido de casamento?! Espera, espera, esse é mesmo o noivo? E que noivo, hein... ’’ pensou Baekhyun.

Por um momento, sua pele arrepiou e seus pêlos de todo o corpo se enrijeceram. Viu todo o seu possível plano de conquistar o irmão da noiva ir a baixo d’água. E que noivo, hein.

Mas, seria mais errado ainda dar em cima do noivo bonitão? A resposta é óbvia: sim. BaekHyun iria seguir o código de ética e conduta de respeitar homens comprometidos que se casariam em algumas semanas? A resposta é óbvia: não.

Baekhyun coçou na garganta com a ponta dos dedos.

— É bem raro os noivos acompanharem suas noivas nessa situação — deu seu melhor sorriso, olhando para os lados, fingindo estar perdido, tentando esquecer a pergunta idiota – porém necessária – que fizera. — Sou BaekHyun, Byun BaekHyun — estendeu a mão, esperando que a mesma fosse apertada.

O de cabelos negros atendeu o chamado, apertando a mão do funcionário à sua frente. BaekHyun sentiu a ternura da palma do homem que sorriu de volta.

Um arrepio percorreu pelo corpo de BaekHyun, seguindo até seu baixo ventre, fisgando o seu membro. O rosto de BaekHyun corou ao pensar em estar rígido no meio do trabalho e tudo por um aperto de mãos que um noivo bonito lhe deu.

‘’Eu sou um pervertido… ’’, BaekHyun se xingou mentalmente por esses pensamentos impuros.

— Oh SeHun — respondeu, sorrindo de forma simpática e educada. BaekHyun se derreteu e sorriu como um bobão apaixonado.

Em sua mente, surgira uma ideia animalesca, mas desta vez, ele não se puniu.

[...]

BaekHyun preguiçosamente puxou a cortina branca na frente da noiva, expondo a família - e ao noivo - o vestido escolhido pela noiva. Era a sexta vez em menos de vinte minutos. A noiva era uma mulher indecisa e tudo o que o Byun não precisa é de uma mulher que não consegue decidir nem mesmo o próprio vestido.

O vestido tinha duas alças brancas, transparentes. Branco como neve. Realçava os seios e havia uma abertura na parte de trás, expondo as costas. Era liso e ia até o chão, desmanchando-se em ondas de babados com tecidos esbranquiçados e suaves.

A noiva deu uma olhada em si mesmo pelo enorme espelho, enquanto fitava as alças, incomodada com algo. Ela virava-se diversas vezes e rodopiava na frente do espelho, como uma jovem princesa que decidia qual vestido era mais adequado para o baile. BaekHyun estava impaciente com a indecisão da mulher. Só queria almoçar.

A mãe da jovem noiva sorriu, levantando do sofá de couro negro, abraçando a filha de lado pela quinta vez, apontando para os tecidos brancos, admirando a qualidade, tocando suavemente o vestido. Aproveitando a deixa, BaekHyun fez uma pequena avaliação mental do vestido. Mesmo não vestindo-o, sabia que estava apertado em algumas áreas e as alças a incomodavam, o tecido naquela região não era suave e nem confortável.

BaekHyun desceu suavemente as alças do ombro da noiva, escorregando aquele tecido áspero pela pele pálida e delicada da jovem noiva. Seus olhos focavam na vermelhidão que a causou. Estava realmente apertado.

A mulher se admirou com a delicadeza e a atenção que BaekHyun a proporcionava. Ele estava atento a cada movimento dela, enquanto a mesma tentava inutilmente esconder o rubor em seu rosto. Ela estava envergonhada com tamanha gentileza. BaekHyun sorriu para ela pelo espelho.

Retirou calmamente o feixe que o prendia, tornando-o um estilo tomara-que-caia. A jovem noiva movimentou os ombros confortavelmente, passando os dedos pelos locais vermelhos que a alça deixara um rastro. As pernas da mulher pediam socorro. BaekHyun abaixou e puxou levemente o tecido para baixo, as coxas da jovem noiva estavam sendo marcadas. Ela suspirou aliviada e sorriu para o Byun.

“Estava mesmo apertado hein”, pensou BaekHyun.

— É um tecido bem suave — comentou, tentando não parecer o sabichão. — Seda. É caro e o tecido internacional é melhor. Não é difícil de achar um vestido feito totalmente de seda nos nossos catálagos — na verdade, não era tão caro assim, mas, realmente era um tipo de tecido difícil de encontrar na Coréia.

A mulher mais velha de óculos mostrou-se curiosa sobre o conhecimento de BaekHyun acerca de tecidos.

BaekHyun não quis mostrar seu conhecimento para impressionar a noiva e sua família, mas sim o noivo bonitão.

Ele estava mais interessado em desenhar algo em seu celular. Os óculos redondos caiam muito bem nele. Seus dedos guiavam a caneta que deslizava sobre a tela rapidamente, traçando algo. Concentrado, ele não prestava atenção nas pessoas ao seu redor.

Os lábios entreabertos chamavam a atenção do Byun. Ele mordeu os lábios disfarçadamente e voltou a sua atenção à noiva e seu vestido desconfortável. Vez ou outra, Oh SeHun passava as mãos pelos fios e fazia alguma careta, franzindo as sobrancelhas. BaekHyun achava aquilo encantador. Era lindo. Cada expressão, cada movimento, cada pequeno gesto. Queria guardar aquilo dentro de uma caixa e lembrar sempre daquelas mínimas caretas bonitinhas.

Mas ele tinha uma noiva. Alguém que amava ele. Alguém que ele esperaria no altar, alguém que usaria branco e seguraria um buquê, um alguém que diria sim e que faria parte de si. Alguém que seria um só com ele. BaekHyun pensava se poderia ser esse alguém de uma pessoa, se poderia ser esse alguém do homem que ele se sentia tão atraído, Oh SeHun.

— Oppa? — disse a garota, caminhando até SeHun.

SeHun sequer se movimentou, ou respondeu ao chamado da mulher. BaekHyun se manteve em pé, atrás da noiva, encarando o homem. Imerso em seus pensamentos, ele nem prestou atenção aos gritos da mulher, que mexia as mãos em frente ao seu rosto.

O pequeno coração de BaekHyun parou de bater quando o olhar de Oh SeHun pousou sobre si. Ele estava olhando-o, encarando sua alma, lendo seus pensamentos. Mesmo estando em pé atrás da noiva, podia sentir que aquele olhar fixo e intenso era para si. Engoliu em seco.

“Será que tem algo no meu cabelo, ou no meu rosto?”

As mãos de BaekHyun suavam frio e ele mordia o lábio inferior com força.

— SeHun! — ela gritou mais uma vez, desta vez atendida pelo olhar de seu noivo. — Por que não presta um pouco de atenção em mim? Você está há tempos desenhando nesse maldito celular! — a noiva se aproximou do homem, sustentando seu rosto com a mão esquerda no queixo de SeHun – Por que está tão distante hoje? Você não costuma ser assim! – ela berrou novamente, esperando uma resposta, mas o que conseguiu foi o silêncio e o olhar vago de seu amado.

Ela rosnou e o balançou pelos ombros, sacudindo-o de um lado para o outro, como se fosse um brinquedo quebrado.

BaekHyun quis vomitar. A mulher mostrara uma atitude tão possessiva e controladora, algo que não esperava de uma moça tão jovem, tão delicada... mas, as aparências enganam, não é mesmo?

Ela continuava a gritar, xingando-o e batendo em seus braços. A expressão tímida dela foi substituída por uma raivosa e maliciosa. Não era modo de tratar o seu futuro marido. O Byun mordeu os lábios e cerrou os punhos.

— Nós temos muitas regras importantes, BaekHyun – disse a senhora de vestes negras, a proprietária e gerente da loja. Andava calmamente pelo salão, apresentando cada canto da enorme loja ao mais novo funcionário, Byun BaekHyun. — Uma delas é sempre respeitar a decisão do cliente, não importa o que eles digam, não importa o que eles façam.

BaekHyun pareceu surpreso, mas logo se manteve sério novamente, recompondo a postura.

— A regra mais importante é: nunca se envolver em assuntos pessoais dos nossos clientes. Não podemos interferir em suas vidas e nem influenciá-los, assim como não podemos influenciar uma noiva a vestir um vestido que ela não se sinta bem – continuou, sorrindo docemente e colocando algumas caixas sob o colo de BaekHyun, ele guardaria aquilo no andar de cima mais tarde. — Pode ser que você se depare com uma noiva problemática algum dia. Mas não se preocupe, filho.

BaekHyun não a questionou e nem fez perguntas.

— Podemos mostrar escolhas, caminhos e variedades de opiniões e opções, assim como os nossos vestidos. Desde o mais curto até o mais longo, dos mais estranhos até os modelos mais belos, do mais barato ao mais caro. Devemos ajudá-las e eles só podem sair daqui totalmente satisfeitos. — bocejou. — Consegue compreender isso, filho?

— Sim, senhora. — ele desmanchou a compostura séria e sorriu. E a senhora Kim sorriu de volta.

Ele nada podia fazer. Estalou seus dedos atrás no corpo e franzia a sobrancelha de tamanha raiva e desgosto da mulher. A qualquer momento ela poderia voar no pescoço do pobre noivo.

BaekHyun lembrou-se de seu antigo amigo do Ensino Médio, o chinês Tao. Lembrava de como ele era encrenqueiro e não levava desaforo pra casa. ZiTao acabaria com ela em meio segundo.

O de cabelos castanhos já não queria mais ouvir eles brigarem incessantemente, não queria se envolver e não estava pronto para encarar as conseqüências caso acontecesse algo com a noiva descontrolada e seu temperamento ruim.

— Vou buscar os saltos, aguardem um minuto... — BaekHyun se pronunciou, virando-se rapidamente para tentar ir para longe da confusão, bem longe daquela noiva lunática e suas crises.

Mas ele sabia que, só não queria mais ver SeHun sendo tratado daquela forma. BaekHyun não podia se envolver. Cerrou os punhos e fechou os olhos, se direcionando para o segundo andar da loja.

A regra mais importante é: nunca se envolver em assuntos pessoais dos nossos clientes.

A mulher de vestido branco e expressão raivosa segurou o pulso de Baekhyun e o puxou para perto de si, segurando-o pelo braço, encarando furiosamente o noivo que estava sentado no sofá de couro negro.

Byun Baekhyun parou no tempo e pensou em três possibilidades onde se encaixava aquela situação incômoda, da qual fora arrastado. Não podia se envolver, mas já era tarde demais.

Caso dissesse algo ruim, seria demitido.

Era totalmente restrito um funcionário se envolver em situações assim. Seu trabalho era indicar vestidos, ajudar a montar um figurino perfeito para uma noiva e nada além disso. Baekhyun não era um psicólogo e eles deveriam estar cientes de que ali não era o local ideal para uma terapia de casal.

Se por acaso se metesse demais na confusão, iria esfaquear a noiva e roubar Oh SeHun.

Talvez isso não fosse tão importante assim, mas Baekhyun queria esganar a louca, mas ainda assim, ela era uma cliente e ele não podia dar tapas nela dentro da loja. Não dentro da loja, não com uma cliente.

E depois seria demitido por isso.

Uma conseqüência por se enfiar em uma discussão sobre relacionamento e por roubar – possivelmente – o noivo.

Começara a suar frio, pensando se acabaria sendo demitido. Haviam contas para pagar e coisas para comprar. Não queria ser demitido da melhor loja de noivas de Seoul.

— Deveria ser atencioso como ele, SeHun! — apontou, cerrando os dentes de raiva. A mãe da noiva tentava acalmar a filha, segurando-a pela mão, com carinho. A noiva estava consumida por uma raiva descomunal.

“Eu não sou psicólogo

Eu não sou psicólogo

Eu não sou psicólogo”

— Você viu a preocupação dele comigo e como ele foi doce e gentil comigo?! Oh SeHun, você deveria ser como… — ela olhou de leve para o Byun e Baekhyun silabou seu nome em seu ouvido. — Como o BaekHyun é.

Oh SeHun suspirou e levantou do sofá. Ele retirou os óculos de descanso do rosto, e pendurou em sua camisa. Seu olhar era sério e sua expressão fria o deixava ainda mais bonito. BaekHyun achou aquilo muito... sexy.

BaekHyun engoliu seco quando SeHun o segurou pelo pulso e o empurrou levemente para trás, tentando afastá-lo da confusão. Talvez SeHun soubesse que BaekHyun não poderia se envolver em brigas de casal ou só não queria que ele se intrometesse na confusão.

— É só o trabalho dele, YoonNa. Não se iluda com isso, é só a função dele e… — um tapa foi desferido no rosto de Oh SeHun.

Lágrimas caiam do rosto da noiva. YooNa estava chorando. Sua maquiagem estava levemente borrada. SeHun virou o rosto para encará-la, e se espantou com aquela troca súbita de humor. A expressão séria e fria em seu rosto foi alterada por uma de preocupação.

— Como tem coragem de dizer isso, SeHun? — ela se afastou dele, e correu para a provador, enquanto derramava lágrimas.

A mãe de YooNa apenas suspirou, logo indo atrás da filha. A mulher mais velha conhecia a filha melhor do que ninguém, sabia que uma pequena mudança de humor ou um simples gesto poderia causar uma tempestade no interior da jovem.

O homem que apenas observava tudo sentado no sofá de couro enquanto lia apenas deu uma olhadela por cima da revista de moda da Gucci, se levantando logo em seguida, saindo da loja.

YooNa retornou com sua mãe do provador, fungando, borrando ainda mais a sua maquiagem perfeita. Suas bochechas e nariz estavam avermelhados, ao redor dos olhos, uma vermelhidão. Ela devia ter coçado os olhos com força.  

A garota caminhou timidamente até BaekHyun com cabeça abaixada, parecia envergonhada com a confusão que havia causado. Em suas mãos delicadas repousavam o vestido de tecido branco, sendo apertado com certa força. Uma lágrima caiu dos olhos da garota, manchando o tecido branco em uma pequena gota, se acinzentando. BaekHyun não soube como reagir, então apenas sorriu gentilmente e apertou as mãos da moça, olhando-a com ternura. Não queria ser falso, mas estava sendo, ou não.

Ele também conhecia o sentimento de estar frustrado com alguém que ama, com alguém que pretendia construir um futuro, um lar, uma família, com alguém que seria um só consigo, que seriam apenas uma única carne, que seria seu marido.

Apesar da grosseria da jovem com o seu noivo, BaekHyun sabia que deveria ser neutro e buscar apenas trabalhar e mostrar as melhores escolhas. E sua escolha naquela hora foi ser gentil e doce com a jovem noiva magoada, mesmo sabendo que em sua visão, ela não merecia ser tratada assim. Byun BaekHyun mostrou compaixão, empatia. Mas no fundo, ele sabia que não deveria estar fazendo isso.

BaekHyun não sabia que Oh SeHun também o admirava em segredo por trás dos panos. Seu sorriso radiante encantou o homem de cabelos negros, que colocou as mãos sob a boca. Ele não tirou os olhos um segundo sequer do funcionário, queria guardar aquele sorriso em sua memória para sempre. SeHun via o Byun como uma criatura angelical e seu doce sorriso apenas confirmou aquilo.

Ao ter as mãos apertadas, a jovem levantou a cabeça surpresa, e se deparou com um sorriso doce de BaekHyun, onde ele não mostrava seus dentes, mas seus lábios avermelhados faziam um traço perfeito em uma curva tão bela. YooNa ficou admirando o funcionário em sua frente e imaginou como poderia existir alguém tão educado assim.

As bochechas de YooNa coraram, e não foi pelo choro de outrora. Os olhos dela brilharam quando o vendedor disse:

— Volte sempre, senhorita. Estarei esperando-a aqui, há muitos vestidos para provar, aquele último parecia apertado — ele sorriu mais uma vez, soltando as mãos da garota, se curvando levemente.

— Pode ser que você se depare com uma noiva problemática algum dia. Mas não se preocupe, filho.

Por instinto, a garota se curvou rapidamente, nervosa. Ela não sabia quanto tempo ficou admirando o homem em sua frente.

Quando levantou sua cabeça, ela pôde dar uma olhada melhor em BaekHyun. Ele tinha alguns músculos, marcados pela camisa social preta apertada. Suas coxas eram grandes e tinha pernas grossas. Seus ombros eram um pouco largos e seu rosto... ah, o seu rosto.

YooNa se perdeu naqueles cabelos castanhos claros, quase loiro. Os olhos de BaekHyun eram escuros, e parecia estarem cheios de mistérios. A maquiagem leve do Byun não passou despercebida pela jovem, que admirou-o por algum tempo.

Depois de algum tempo, BaekHyun coçou a garganta com o dedo indicador, nervoso.

— Algum problema, senhorita? — perguntou o funcionário, envergonhado por ser olhado por muito tempo.

Não, para BaekHyun era extremamente desconfortável ser observado por uma mulher problemática. Ele não sabia o que diabos se passava na cabeça daquela jovem que, há pouco tempo atrás havia surtado por falta de atenção.

“Será que ela quer me matar? Não, não, eu acho que ela está pensando em formas de me matar sem ser presa”, pensou BaekHyun.

A jovem despertou dos seus pensamentos. Ainda segurava o vestido em suas mãos. Ela fungou e entregou ao funcionário, que estendeu as mãos e pegou o vestido.

— Eu voltarei! Não experimentei os saltos ainda — virou-se de costas e andou até a porta, sendo seguida pela mãe, que se curvou à BaekHyun e correu para alcançar a filha problemática.

BaekHyun observou a garota sair pela porta de vidro com sua mãe e... suspirou profundamente quando ela havia sumido de sua vista. Ele caiu sentado no sofá de couro, respirando fundo. Estava mais cansado que o normal.

Sua cabeça doía e suas pernas tremiam levemente. Aquela garota era louca, precisava fugir dela. E aquele noivo. Que diabos era aquela família?, pensou BaekHyun. Suas emoções foram ao ápice quando a mulher o colocou na confusão por causa de seu noivo.

— Ei, ei, que porra foi aquela, Baekkie? Que mulher doida! — disse JongIn atrás do sofá, sussurrando em seu ouvido. O garoto pulou no sofá, desengonçado, quase esparramando-se no chão. — Ela era doidona, mano! E aquele tapa?!?!?! Meu Deus, eu me tremi todinho, hyung! – ele fez uma expressão engraçada.

— Olha o linguajar, JongIn. Sua avó não vai gostar de te ouvir dizendo essas palavras feias — seu sermão não adiantou, o garoto continuou a tagarelar.

— Parecia novela mexicana, e aí você foi lá e... POW! — levantou os braços, gritando — E apertou as mãos dela e ela ficou tão: OMG! – animadamente, ele pulava no sofá, como se estivesse vendo um Dorama. – Eu me apaixonaria por aquele sorriso, hyung!

BaekHyun olhou para o garoto ao seu lado e suspirou.

— Não diga besteiras, JongIn. Aliás, amanhã você tem teste de Álgebra. Já estudou? — perguntou, cortando o assunto. — Espero que tire uma nota boa.

JongIn arregalou os olhos. Não se lembrava desse teste, precisava estudar. Pegou o celular no bolso, discou um número na tela e saiu correndo em busca da sua mochila, logo desaparecendo na enorme loja.

BaekHyun se levantou e foi atrás de um copo d’água. Estava um pouco mais calmo, mas ainda pensava naquele maldito noivo. E que noivo...

A forma que ele fora tratado pela jovem noiva foi totalmente surpreendente. Doeu em si as palavras, a forma que ele era controlado como uma marionete. Lembrou-se de ChanYeol e respirou fundo.

Gentileza nunca é demais. BaekHyun tende a ser um masoquista idiota, tentando ajudar as pessoas que de certa forma, acabam o ferindo. Os atos daquela mulher eram extremamente... obsessivos. Ainda não havia se conformado com isto, mas não poderia interferir. Não podia se esquecer que havia mostrado gentileza demais.

— A regra mais importante é: nunca se envolver em assuntos pessoais dos nossos clientes. Não podemos interferir em suas vidas e nem influenciá-los, assim como não podemos influenciar uma noiva a vestir um vestido que ela não se sinta bem. 

Mas, de alguma forma, BaekHyun acabou se metendo na confusão no momento em que seu altruísmo e seu lado gentil foi ativado ao demonstrar compaixão com a noiva problemática após a briga de casal.

BaekHyun havia quebrado uma regra.

Pensou em como ele havia conhecido e como havia se apaixonado por uma mulher tão doida. Suspirou. Talvez ele fosse bom demais pra ela, ou talvez fosse apenas impressão de BaekHyun de que SeHun merecia alguém melhor. E ele era lindo demais para aquela magrela.

Ah, como ele era lindo, bonito, lindo, parecia engraçado, lindo, se vestia bem, e tinha um olhar de tirar o fôlego, e lindo. O Byun fechou os olhos e fantasiou o homem por cima de si, tocando-o. Sua respiração acelerou e suas mãos apertaram as próprias coxas, tentando ter autocontrole. Afinal, ainda estava no trabalho. E ainda por cima, estava fantasiando histórias de amor com um homem comprometido.

Foi surpreendido quando ouviu seu nome ser chamado. Virou-se para trás e se deparou com aquele homem de cabelos negros e olhos penetrantes o encarar. SeHun.

— Podemos conversar um pouco, BaekHyun? — convidou-o, timidamente.

BaekHyun olhou-o surpreso. Ele não havia ido embora? Aquela ideia animalesca e sem noção de roubar o noivo para si havia surgido em sua cabeça novamente.

— Tudo bem, o meu horário de almoço é em poucos minutos — sorriu gentilmente.

[...]

Os minutos pareciam uma eternidade para Oh SeHun. Suas mãos tremiam em nervosismo. Ele não sabia onde esconder o rosto de tamanha vergonha pelo ocorrido de outrora, mordia o lábio inferior com força.

Sua perna tremia levemente e sua mente estava totalmente nublada, se perdendo em pensamentos e em um ‘’branco’’, que não o permitia pensar logicamente. Segurou firmemente o celular entre as mãos, ansioso.

Minutos depois, apareceu um Byun BaekHyun caminhando em sua direção. SeHun admirou o andar do homem, tão adorável.

— Desculpe pela demora — disse o de cabelos castanhos ao se aproximar do moreno. O mais alto apenas sorriu em resposta.

Caminharam juntos para fora da loja. Os cabelos castanhos de BaekHyun voaram com os ventos da grande Seoul, estava meio frio. O Oh apenas o olhou de relance. As ruas movimentadas da cidade era uma visão típica para o Byun, já que sempre era arrastado para algum fliperama por JongIn.

As grandes mãos de SeHun se esconderam nos bolsos da calça, em uma tentativa falha de aquecer as mesmas e esconder o suor frio que nela havia. Para ele, BaekHyun era sinônimo inquietação, os olhos escuros pareciam profundos demais para mergulhar sem morrer afogado.

SeHun tinha vontade de conversar com ele, de conhecê-lo e de saber mais sobre BaekHyun, mas, como poderia fazer isto tendo metido o mais baixo em uma confusão com sua noiva? Culpou-se por estar trabalhando naquela hora.

Entraram num restaurante familiar dali, onde era fornecida as melhores sopas da região. Estava esfriando e era a escolha ideal, o lugar perfeito. O ambiente era quieto e rústico em tons quentes e amadeirados, tornando tudo simples, mas ainda assim belo.

BaekHyun e SeHun caminharam até uma mesa livre, onde logo foram atendidos por um garçom, que havia anotado seus pedidos e desaparecido em seguida.

SeHun tentou iniciar uma conversa.

— Bom, eu acho que não me apresentei da forma correta — falou vergonhosamente, coçando a cabeça. — Meu nome é Oh SeHun, eu sou ilustrador, trabalho em uma empresa de desenvolvimento de jogos.

BaekHyun ficou chocado e, finalmente havia compreendido o porquê do moreno estar desenhando no celular, antes da confusão.

O Byun se perguntou o que SeHun havia desenhado, mas resolveu guardar a curiosidade para si.

— Eu nunca havia conhecido um ilustrador antes. É uma honra — BaekHyun curvou levemente a cabeça, rindo. SeHun soltou uma gargalhada gostosa, observando o de cabelos castanhos e sua tamanha educação. — Eu sou BaekHyun, trabalho naquela loja de noivas há alguns anos.

SeHun sorriu.

— É um prazer conhecer você, BaekHyun — curvou a cabeça, formal. — Tenho que pedir desculpas pelo ocorrido de hoje, infelizmente, YooNa acabou arrastando-o para aquela confusão… peço perdão.

— Não, não se preocupe com isso — sorriu docemente. — Está tudo bem, sério. Todos nós brigamos de vez em quando… —- falou, sorrindo fraco.

SeHun o observou com curiosidade, fixando seu olhar no rosto calmo do homem na sua frente.

— Você briga muito com sua namorada? — perguntou.

— Eu não tenho uma namorada — respondeu simplesmente, sorrindo.

 A sua vontade era de se jogar no homem na sua frente, que ainda não havia notado na sua sexualidade.

O garçom de antes surgiu novamente, desta vez, com os pedidos em mãos. Os olhos escuros de BaekHyun brilharam, e ele juntou as mãos em frente ao rosto, enquanto cantarolava alguma música.

SeHun fitou a faceta do rapaz e não consegui não dar uma risada. Parecia uma pequena criança ao ganhar um brinquedo novo. Estava atento aos pequenos gestos e aos mínimos movimentos que BaekHyun fazia.

O Oh imaginou como não havia conhecido alguém como BaekHyun antes. Ele era totalmente o oposto da garota com quem havia de se casar. Por um momento, SeHun imaginou como deveria ser casado com alguém tão gentil e simples como o Byun.

A hora passou, e as conversas jogadas fora foram ficando mais divertidas. Estavam se conhecendo cada vez mais e buscando mais intimidade. Ao longo da conversa, descobriram algumas coisas uns dos outros, e SeHun finalmente havia notado que BaekHyun era gay, e o moreno, revelou ser bisexual. Aquilo acendeu uma chama no Byun, mas ele resolveu guardar isso para si.

Ambos estavam animados e por um momento, BaekHyun havia se esquecido que queria roubar aquele homem para si e SeHun, de que estava se casando com uma mulher que não o trazia felicidade.

— Sabe, Baek, você é uma pessoa realmente divertida. Conversar com você é quase como desabafar com um terapeuta -- sorriu abertamente, mostrando os dentes.

— Me sinto honrado, Ó grande ilustrador Oh SeHun — reverenciou o de cabelos castanhos, dando gargalhadas.

SeHun deu uma risada divertida e sentiu o seu celular vibrar no bolso. Faltava pouco tempo para seu turno começar e ele precisava ir ao trabalho, assim como o horário de almoço de BaekHyun estava chegando ao fim.

— Caramba, o meu horário de almoço já vai acabar! — gritou BaekHyun, chamando o garçom para pedir a conta. — Eu pago.

SeHun sentiu um incômodo em si.

— Vamos dividir a conta, Baek.

BaekHyun o fitou por um instante, surpreso. Ele sorriu e concordou.

Depois de pagar a conta e saírem do confortável restaurante, trocaram seus números e SeHun prometeu que iria ligar para almoçarem juntos sempre que conseguirem. Haviam encontrado várias coisas em comum e para ele, tinha muitas coisas que queria perguntar, muitas coisas que queria dizer para ele. Finalmente havia encontrado alguém que o entendia tão bem.

Já BaekHyun, estava surpreso e contente em como SeHun era amigável e uma companhia super mega hiper ultra agradável. Entre eles, o que não faltava era assunto. Conversaram durante um longo tempo e o Byun finalmente compreendeu que realmente estava um pouquinho interessado naquele homem. Mesmo ele sendo comprometido, não o deixaria fugir de si tão rápido.

Não havia bolado uma estratégia de como conquistá-lo, mas, ele apenas seria o BaekHyun de sempre, o jovem simples que conseguia rir fácil.

BaekHyun se despediu de SeHun, caminhando até a loja onde trabalhava. O mesmo afirmou que poderia ir sozinho, não querendo incomodar o mais alto. O de cabelos escuros o observou andar, e de vez em quando o mais baixo olhava para trás e acenava, ou simplesmente gestuava com as mãos para que ele fosse ao trabalho, dizendo em um gesto mudo um “vá logo” “você vai se atrasar”.

SeHun ficara encantado com aquela criatura de 1,67 de puro carisma e coração de ouro.

Mas, estava na hora de voltar a realidade.

Caminhou até a empresa onde trabalhava, discando um número no celular, colocando logo em seguida o aparelho em sua orelha.

— YooNa… precisamos conversar.

[...]

SeHun retirou os óculos do rosto, colocando-o sobre a mesa. Ergueu a cabeça para o teto, fechando os olhos. Estava cansado.

Seu dia havia sido estressante pela manhã. Havia tido uma briga séria com sua noiva e não falava com ela desde a ligação depois do almoço.

O almoço que teve com BaekHyun, o funcionário da loja de noivas que assistiu aquela confusão de camarote - e ainda acabou se metendo nela ao ser arrastado por YooNa - sentia tamanha vergonha pelo ocorrido.

Sorriu.

Não havia tido uma conversa tão boa com alguém e um almoço tão agradável com uma ótima companhia desde que começou a namorar YooNa. Sua noiva era uma namorada extremamente ciumenta e possessiva - e ainda é -, não como antes, mas ainda sim ciumenta.

Acabou se afastando de grandes amigos pelo amor que nutria por ela. E esse mesmo amor o machucava, o assustava, o deixava inquieto e com medo. E depois de anos, eles iriam se casar.

SeHun iria se casar com uma mulher problemática.

Novamente se pegou imaginando como seria ótimo se YooNa fosse como BaekHyun, exatamente como ele é. O modo como conseguiu arrancar risadas gostosas dele, o jeito simples e educado, a voz suave e a delicadeza sem fim que nele havia. BaekHyun era quase uma menina e YooNa um lutador de MMA.

Depois aquele pequeno tempo que passou com o Byun, só conseguia pensar nele. Talvez fosse porque não tinha tantos amigos e porque se sentia atraído pelo que não havia em sua noiva. Ou, no fundo, talvez só quisesse pensar que poderia ficar com BaekHyun, mas isso estava fora de questão.

Já era quase o fim do seu turno e uma dor de cabeça o consumia. Acariciou levemente as têmporas e respirou fundo.

— YooNa, precisamos conversar — a voz do homem soou séria.

Ele ouviu um pequeno ruído no fundo. Ele sabia que ela estava em seu quarto, dormindo, ou chorando pelos cantos.

— O que é, SeHun? Estou ocupada… — a voz sonolenta dela não enganava o mais velho.

 Ele também sabia que ela não estava ocupada, as suas desculpas haviam se tornado repetitivas.

SeHun respirou fundo e ela pôde ouvir, pois resmungou.

— Estou te esperando em casa — e desligou o telefone.

SeHun se perguntava o que lhe aguardava quando chegasse em casa.

— Ei, você parece muito pensativo hoje, hyung — disse o jovem rapaz.

SeHun abriu os olhos para encarar o indivíduo e não se surpreendeu ao encontrar Junmyeon, o estagiário de Design. Ele trazia consigo duas canecas de café e um sorriso amigável.

— É, acho que sim. Estou pensando em coisas demais — falou, tomando uma das canecas para si e bebericando um pouco do café.

Junmyeon puxou uma das cadeiras de rodinha e se aproximou do mais velho, como uma criança curiosa que não sabia exatamente o que estava acontecendo.

— Como assim, hyung? — perguntou.

SeHun também não sabia exatamente o que estava acontecendo.

— Digamos que… — pensou, pensou e pensou, e achou uma ótima desculpa. — Estou com um projeto de um jogo. Na história, só tem três personagens principais.

Junmyeon parecia atento, concordou com a cabeça, pedindo silenciosamente que o mais velho prosseguisse.

— Um dos personagens ama muito uma garota, que ele conhece a muito tempo. Mas essa garota só deixa tudo mais complicado. Por enquanto, o nome dela é A.A — disse, tentando não deixar óbvio que estava mais falando sobre si do que de um jogo que acabara de inventar.

— Essa personagem parece ser bem complicada… — comentou, dando mais um gole no café.

SeHun queria levantar da cadeira e berrar o quão difícil era lidar com YooNa, que ela era muito, muito imprudente e só sabia agir pela emoção.

Queria dizer o quão é insuportável ficar no mesmo ambiente que ela, que sua família é péssima e que todos ali os odeiam, mas tentam agradar, falsos hipócritas. Ele odiava cada um deles.

— Quem é o outro protagonista, hyung? — perguntou, curioso.

SeHun agarrou a caneca com força e sorriu, olhando para seus pés.

— É uma garota também. Ela é delicada, gentil e simples, ela é atenciosa. Quando o protagonista masculino conhece essa personagem, ele fica encantado pela sua personalidade incrívelmente linda. E então, ele começa a ter pequenos indícios de interesse nela. Vamos chamá-la de B.B

Junmyeon vibrou, deu alguns pulinhos na cadeira, mas se recompôs, olhando atentamente para os olhos de SeHun.

— A história começa a desenrolar quando o protagonista faz amizade com B.B, tendo segundas intenções, não maldosas, já que ele ama a A.A, mas se sente atraído pela B.B -- Junmyeon fez um “oooh” e bateu palminhas. — Mas, o que você acha melhor, Jun?

Junmyeon havia terminado de beber o seu café e sua caneca repousava em suas mãos.

— Sobre o que exatamente, hyung?

— Qual seria a melhor escolha do protagonista? Ficar com a A.A, que só o tortura e o faz mal, mas é a garota que ele ama, ou com a B.B, que é gentil e atenciosa, uma pessoa que ele poderia confiar, mas que ele não conhece totalmente?

Junmyeon ficou um tempo pensando, passando a mão pelo queixo, como se estivesse alisando uma barba invisível. Seu rosto era liso como o de um bebêzinho, e só não era um talvez pelo seu tamanho.

— A resposta é óbvia, hyung! — disse, batendo uma palma, chamando a atenção do mais velho.

— E qual é? — ansioso, suas mãos tremiam. Ainda não acreditava que estava pedindo conselhos - indiretos - amorosos para o estágio, Kim Junmyeon.

— O protagonista deve ficar com a A.A, oras. É ela quem o protagonista ama, e não a B.B. Se eles ficassem juntos, seria um Happy End, não?

SeHun refletiu sobre aquilo. Seria mesmo um Happy End?

— Mas… se a B.B é tão boa assim e faz tão bem assim ao protagonista, então se eles ficassem juntos, seria um… Truly Happy End? Seria uma ótima rota alternativa, hyung! — sorriu animado.

— E aliás, hyung, quem é essa personagem? — apontou com a cabeça para a tela do computador, onde SeHun havia desenhado BaekHyun em uma versão feminina. Ele havia captado todos os traços do Byun e transferido para uma aparência feminina. — Ela é realmente bonita. É a A.A?

SeHun sorriu abobalhado.

— Ela é a B.B, Junmyeon. E ela é linda.

[...]

Passaram-se dias, meses e algumas semanas. O tempo corria rápido demais para a jovem noiva, que se casaria muito em breve. Mas para BaekHyun e SeHun, as noites viradas jogando conversa fora ou jogando jogos online juntos, o tempo simplesmente parava.

Estavam todos ansiosos para o casamento, inclusive BaekHyun - que já havia perdido as esperanças de ter SeHun só para si. Ele desistiu - que de alguma forma acabou sendo convidado pela noiva, sendo um “convidado de honra”, já que havia passado horas e dias com a noiva a procura do vestido perfeito, do salto perfeito e da maquiagem perfeita.

O pobre Byun era arrastado pela jovem de vez em quando para provar alguma iguaria do buffet, mesmo que esse fosse o trabalho do noivo - que estava sempre ocupado com seu jogo - que nunca comparecia.

BaekHyun e SeHun haviam se tornado bons amigos, e amizade os fazia bem. BaekHyun descobriu que SeHun era um outro viciado em League Of Legends e que seu elo era superior ao de JongIn, um mero Prata.

 Oh SeHun era um diamante que só sabia reclamar.

Mais uma vez, BaekHyun tivera que ouvir suas reclamações também, e de vez em quando, JongIn e SeHun jogavam juntos, em sua casa! E isso lhe dava um pouquinho de ciúmes.

Já para SeHun, passar seu tempo com BaekHyun era simplesmente mágico. Suas piadas o faziam rir e suas histórias de Ensino Médio o faziam gargalhar durante horas.

 Ah, como ele adorava aquela risada.

Mas no fundo, ele adorava mesmo era o dono dela.

SeHun se via cada vez mais apaixonado por BaekHyun, e secretamente pensava em como seria bom se eles ficassem juntos. Tinha a consciência de que não deveria pensar nisto, já que era o noivo de um outro alguém. Um alguém que seu coração estava deixando de lado.

Uma parte de Oh SeHun estava inteiramente apaixonado, e outra, estava assustada e apavorada em como seria contar isso a sua futura mulher.

E ele, infelizmente, não havia decidido se contaria isso ou não, mas tinha que fazê-lo.

Lembrava-se dos conselhos de Junmyeon, o estagiário.

Truely Happy End. Era o que ele queria. Ele queria estar com a B.B, a pessoa dos seus sonhos.

Mas ele também sabia que BaekHyun não gostaria de se envolver com uma pessoa quase casada.

 Não desse jeito.

[...]

SeHun acordou com seu celular vibrando. Coçou os olhos e resmungou alguma coisa. Era sábado, e eram 8h da manhã, não tinha paciência para responder ninguém e jurou que mataria Junmyeon se fosse ele a mandar mensagens e perguntas sobre o seu jogo.

A sua expressão de sonolenta foi transformada num sorriso quando leu o contato.

[08:03-AM] Baek: Bom dia, ó Grande Mestre dos Magos (ao lado, um emoji de um velho careca)

— Você é uma graça… — riu sozinho.

— Quem é uma graça? — perguntou YooNa, encostada na porta do quarto.

SeHun levou um susto que caiu da cama, com os olhos arregalados. Tratou de bloquear o celular e segurar o peito com força, tentando não ter um ataque do coração.

— Você me assustou, YooNa… — falou, se levantando do chão.

Ela mantinha uma expressão séria em seu rosto.

— Quem é uma graça, SeHun? — e lá estava mais uma das suas paranóias e ciúmes obsessivo.

— Junmyeon — mentiu. — Era um GIF no grupo do trabalho, sabe como ele é incoveniente — havia um pouco de verdade nisso.

YooNa apenas murmurou um “hum” e desapareceu logo em seguida, caminhando até outro cômodo. SeHun respirou fundo e vestiu-se adequadamente para tomar café da manhã com sua noiva.

Quando se sentou na mesa, foi encarado pela mesma. SeHun despejou café em uma xícara, como se aquilo fosse totalmente normal. E realmente era.

— Você parece de bom humor, SeHun.

Ele deu um gole na sua bebida e encarou ela de volta.

— Talvez seja o clima. Ontem na previsão do tempo disse que estaria nublado, sabe como eu amo dias nublados, não é? — falou simplista, tomando um biscoito e comendo-o.

Ela continuou encarando-o com certa desconfiança no olhar. Seus olhos pareciam querer encontrar qualquer mínima falha para servir de acusação.

YooNa apoiou a mão no queixo, e continuou assim por um bom tempo.

— O que foi agora? — perguntou depois de terminar a sua segunda xícara de café. Ela virou o rosto para o lado ao contrário, como se, subitamente, não quisesse mais olhá-lo.

— Nada.

SeHun não sabia, mas, YooNa estava se perguntando como seria a reação de BaekHyun, o homem em que ela tinha uma pequena quedinha, se notasse que ela estivesse um pouquinho estranha.

O Oh apenas decidiu deixar por assim. Levantou-se da mesa e rumou até o banheiro.

[...]

BaekHyun apoiou o cotovelo no balcão de mármore, fechando os olhos e suspirando. Não estava cansado, mas estava simplesmente acostumado a suspirar sempre.

Era sábado e a loja ficava mais agitada ainda nos finais de semana, mas naquele horário em específico não havia nenhum cliente, e nenhuma noiva problemática.

JongIn, do outro lado do balcão, estava praticamente deitado na cadeira, enquanto jogava o seu típico MMO de Android, resmungando alguma coisa de vez em quando e socando a mesa com força.

O celular no bolso de BaekHyun vibrou.

 Era SeHun.

[15:26] Hunnie: Preciso conversar com você. Está livre hoje?

BaekHyun estremeceu por um momento. O que diabos SeHun queria conversar? Nunca havia recebido uma mensagem séria e seca do amigo, já estava acostumado com os áudios gritando, as fotos tremidas e as mensagens idiotas com emojis.

Respirou fundo e contou até dez.

[15:28] Baek: Sim, claro. Meu turno acaba às 17h.

BaekHyun ainda estava em dúvida sobre o que diabos Oh SeHun queria conversar, algo que só poderia ser conversado pessoalmente. Respirou fundo novamente.

Guardou o celular no bolso da calça social quando ouviu o sino da porta da loja, indicando um novo cliente. Mostrou o seu melhor sorriso e caminhou até ele.

[...]

O turno de BaekHyun já havia acabado e agora ele caminhava em direção a uma cafeteria conhecida por ambos. Eram praticamente mobília daquele estabelecimento e já haviam feito amizade com um garçom chinês, Yixing, que fazia questão de atendê-los, afirmando que eram bons amigos e que ambos “ficavam bem juntos”.

SeHun concordava internamente. Eles realmente combinavam.

Depois de muito custo, BaekHyun conseguiu convencer o chinês que eles eram apenas amigos e que SeHun estava noivo. Noivo de um outro alguém. O jovem chinês chorou ao finalmente entender que o Oh era quase marido de uma outra pessoa, e pediu perdão no idioma de sua terra natal centenas de milhares de vezes, enquanto chorava e fungava sem parar.

Mais tarde naquele dia, os três tomaram café e comeram bolo.

BaekHyun sorriu, lembrando-se do ocorrido. Sentou-se no confortável banco acolchoado de couro e colocou a mochila branca ao seu lado. Não demorou muito para que sua companhia chegasse, SeHun foi recebido com um aceno de BaekHyun e um sorriso largo, ansioso.

Oh SeHun também estava ansioso, nervoso, e principalmente, assustado.

O Oh apenas decidiu deixar por assim. Levantou-se da mesa e rumou até o banheiro.

YooNa mordeu os lábios e levantou-se rapidamente da mesa. Ela foi atrás do seu noivo.

— Você vai me ignorar, SeHun? — gritou a garota. SeHun virou-se para ela, nada surpreso com aquela brutal mudança de comportamento.

— O que diabos você está falando? Você é quem não quer conversar… — falou, tirando a camisa e abrindo a porta do banheiro.

Ela não aceitaria perder uma discussão.

— BaekHyun é muito mais gentil que você.

E finalmente, a bomba havia explodido.

SeHun tinha que concordar. BaekHyun era realmente muito mais gentil que ele, e muito mais gentil que YooNa. BaekHyun era sinônimo de inquietação para si, e isso só ficava mais claro ainda quando o mesmo sorria para si ou ficando encarando-o.

— É, ele é — confirmou, sorrindo bobo. SeHun estava de costas para sua noiva, mas sabia que ela estava fazendo uma cara de choro.

— E eu acho que gosto dele, SeHun —revelou, por fim.

SeHun virou de costas, encarando incrédulo a jovem. Ela estava de joelhos no chão, pondo-se a chorar baixinho, enquanto seu rosto era mergulhado em suas pernas magras.

Não podia acreditar. Sua noiva estava gostando do homem que ele era apaixonado? Isso era inacreditável demais.

— O quê? Como assim, YooNa?

Ela levantou o rosto, e sua maquiagem estava terrivelmente borrada. Mesmo pela manhã, YooNa usava muita maquiagem, e agora, parecia um palhaço.

— Eu gosto dele, porra! Ele é lindo, gentil, simpático, educado, tem um bom coração e sempre me ajuda quando eu peço —SeHun quis dizer “sempre me ajuda porque eu o forço a me ajudar”, mas preferiu se calar. — Ele é mil vezes melhor do que você e eu já me decidi, SeHun.

SeHun estava com medo do que viria. Mesmo amando-a, sabia que o relacionamento era 100% tóxico e que nunca o traria a verdadeira felicidade. Ele queria mais, ele queria muito mais do que YooNa tinha para lhe oferecer. E ele havia encontrado a pessoa ideal para suprir suas necessidades em uma loja de vestidos de noivas.

— Parece que… eu não te amo mais, SeHun. Meu coração só pode pertencer a um, e ele não pertencerá a você — disse a garota, por fim. — Eu vou me dedicar ao BaekHyun, e então eu —

SeHun havia avançado sobre ela. Por um segundo, teve uma crise de ciúmes. Seu olhar assustador sobre YooNa havia paralisado-a. Era a primeira vez em anos que tinha confrontado YooNa de frente.

Ele queria gritar que Byun BaekHyun era seu e que seria seu, somente seu.

Ela paralisou, encarando o homem em sua frente. Ele sorriu, fracamente, desfazendo a faceta séria.

— Eu também gosto dele, YooNa —finalmente, havia dito o que estava preso em seu peito há muito, muito tempo.

A garota ficou boquiaberta, encarando-o, não acreditando no que havia ouvido.

— Por isso, acho que seria melhor terminarmos agora. Eu amo o BaekHyun, YooNa. E eu quero estar com ele.

BaekHyun era sinônimo de inquietação e seu olhar sobre si o deixava nervoso e ansioso. Queria gritar aos sete mares que era totalmente louco por um alguém que, talvez, nunca gostasse de si da mesma forma.

Mas SeHun nunca descobriria se não dissesse algo, se não agisse. Retirou a aliança de compromisso e pegou a camisa que estava em seu corpo, vestindo-a novamente.

Ele saiu do quarto, deixando a garota ainda paralisada lá, sozinha. Oh SeHun havia ido embora, enquanto ela chorava por ter sido abandonada e por amar a mesma pessoa que seu noivo. 

Ex-noivo.

Ele sentou no banco em frente ao de BaekHyun. Depois que haviam virado quase irmãos, tinham feito um pacto de amizade, um Hi-Five. BaekHyun levantou a mão, esperando ela ser batida pelo moreno. Ele apenas fitava o Byun, que continuava com a mão levantada.

— O que foi, Hunnie? — perguntou, preocupado.

SeHun agarrou a pequena destra de BaekHyun com as suas mãos grandes, escondendo-a dentro de sua palma. O mais baixo não conseguia entender o que raios estava acontecendo. Oh SeHun estava criando coragem. Ele abaixou a cabeça e abriu as mãos, beijando a mão destra do homem na sua frente. Sua pele era lisa e macia, como a de um bebê.

BaekHyun estava sem reação e com o rosto corado.

— Eu gosto de você, BaekHyun — disse. Finalmente, havia dito. Desta vez, não para si mesmo, não para YooNa, mas para o próprio Byun. — Não, eu não gosto de você, eu amo você.

BaekHyun arregalou os olhos e abriu a boca várias vezes para tentar dizer algo, mas não conseguia. Sua mente estava nublada e suas mãos geladas.

Estava começando a suar frio.

— Eu amo tudo em você. Seu rosto, seu sorriso, sua risada, a sua voz, as suas fotos zoadas, a sua gentileza, a sua empatia, a sua força de vontade…

— SeHun… —se pronunciou.

— Eu amo os seus cabelos castanhos, ah, como eu amo essa cor, ela fica tão linda em você. Eu amo o jeito que você mexe no cabelo, eu amo o jeito que você fica quando estou reclamando de algum jogo, amo quando você fica bravo quando demoro a te responder.

O rosto de BaekHyun esquentou, e sua mão ainda estava sendo segurada por SeHun. O ar-condicionado parecia não estar funcionando.

— Eu te amo tanto, Baek, eu não sei o que fazer, eu briguei com a YooNa e nós terminamos e então eu…

A mão livre de BaekHyun tocou o rosto de SeHun, fazendo um carinho suave ali. O moreno se surpreendeu com o sorriso enorme que havia nos lábios do homem que amava. SeHun deitou o rosto na mão de BaekHyun e pôs-se a aproveitar aquele contato gostoso da mão suave com seu rosto.

— Você não sabe quanto tempo eu fiquei esperando você dizer isso — BaekHyun gargalhou, tendo a sua mão solta pelas do outro.

SeHun arregalou os olhos.

— Baek, eu… — BaekHyun fez um sinal de silêncio na frente dos lábios, e o moreno apenas obedeceu.

— Eu havia perdido a fé quando nos conhecemos, lá na loja. Eu estava com medo de dar em cima de um homem comprometido, não queria problemas —falou, e SeHun estava concentrado nos lábios avermelhados do de cabelos castanhos e no que esses lábios diziam. 

— Quando viramos amigos, eu percebi que estaria tudo bem em estar contigo dessa forma, porque eu quero o seu bem.

Os olhos de SeHun estavam começando a ficarem marejados.

— Mas, agora que você disse isso, então… eu também gosto de você, Hunnie.

SeHun derramou uma lágrima e começou a chorar, como um bebê chorão que havia se perdido da sua mãe. Não era um choro triste, era um choro de felicidade, porque afinal, finalmente poderia ser feliz. 

Verdadeiramente feliz.

— Ei, ei, não chora — disse BaekHyun, abraçando-o por cima da mesa.

Demorou um tempinho para que SeHun acalmasse os nervos. No fim, foram quase expulsos pelo gerente do café, porque estavam fazendo barulho demais. No fim, decidiram sair dali, e conversar em outro lugar.

No apartamento de BaekHyun.

Ao chegarem lá, tomaram chocolate quente e comeram pipoca. Decidiram assistir algum filme e Oh SeHun se encarregou de escolher um.

— Eu sempre soube que estava em um noivado com a pessoa errada — falou SeHun, baixinho. — Mas só tive certeza quando te conheci, Baek.

BaekHyun se aproximou  do moreno e beijou sua testa.

— Então acho que pode finalmente entrar em um com a pessoa certa, não é? —sorriu.

E SeHun o beijou intensamente, com carinho, transbordando seus sentimentos em um único beijo, derrubando-o no sofá e arrancando a sua camisa branca social. BaekHyun começou a gargalhar.

— Eu te amo, Baek — inalou o cheiro suave de Jasmim dos cabelos castanhos de BaekHyun e deu um pequeno beijo no topo da cabeça daquela pequena criatura.

No fim, BaekHyun havia quebrado muitas das suas regras de trabalho. Se meteu em confusão, acabou se enfiando na vida amorosa de YooNa e SeHun, virou amigo do noivo que queria roubar, e destruiu um noivado que já não ia bem. Não sabia se seria demitido ou não, mas, enquanto tivesse SeHun ao seu lado, sabia que seria feliz.

Rota alternativa do jogo.

<3 Truly Happy End <3

 

 

 


Notas Finais


Jasmim - Significa sorte, doçura e alegria. Possui perfume marcante que se acentua durante a noite, e, por causa disso, é conhecido como o Rei das Flores.


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