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História Nós - Capítulo 5


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Notas do Autor


Sim, a culpa da minha rapidez, digamos assim, é a famigerada quarentena.
Boa leitura ;)

Capítulo 5 - A coisa com Andrea Rojas.


- Eu confio em você Lena e acredito na sua capacidade, mas nesse momento não posso fazer jogadas arriscadas. Também estou num momento crítico, venho de apostas mal feitas, apostei na Luthor Corp antes e acabei por me dificultar. Eu espero que você compreenda. – Jerry disse naturalmente com seu olhar passivo.

- Eu compreendo, de qualquer forma obrigada por sua atenção. – Lena disse ao fim reconhecendo a derrota.

- Vim porque tenho muita estima por você e quis explicá-la pessoalmente, desejo sorte. – “Eu estou precisando”, Lena pensou, mas ao invés de dizê-lo apenas sorriu e agradeceu por seu desejo.

Ao retornar para a empresa, Lena soube que Lionel estava esperando-a em sua sala. Ela respirou fundo antes de entrar no cômodo, Lionel na empresa era caso de se preocupar tendo em vista que ele quem a pôs em sua atual situação.

- Pai? Que surpresa! – Disse com um sorriso forçado.

- Não precisa fingir que está feliz em me ver aqui querida. – Lionel disse diretamente com um meio sorriso e Lena sentou-se.

- Bem, você não pode esperar que eu solte fogos, você tirou bastante o crédito que a Luthor Corp tinha. De todas as reuniões que consegui até agora com os que pularam do náufrago, apenas um deles ficou de pensar na proposta. Eles acreditam no meu potencial, mas não o suficiente para arriscar uma sociedade outra vez porque você os ferrou.

Lionel coçou a cabeça com um pequeno sorriso sem graça.

- Então... Por isso que vim aqui.

- Prossiga. – Lena pediu com os olhos estreitos.

- Tem uma pessoa. Está em National City novamente e eu sei que ela apostaria em você.

- Ela? Pai, do que você está falando? – Perguntou realmente confusa e Lionel desviou seu olhar como quem nada quer.

- Andrea Rojas. – Disse então e Lena sorriu ironicamente.

- Você está realmente falando sério? – Questionou incrédula. – Você quer acabar com meu casamento?

- Não precisa se exaltar tanto, depois da última vez que eu ouvi falar dela, parece que ela estava comprometida. São negócios! A Kara vai entender! Se fala muito que ela está indo bem nos negócios.

Lena passou as mãos pelo rosto, sentia que sua paciência estava sendo muito exigida num curto intervalo de tempo.

- Só negócios? Pai se você ligasse para negócios não estaríamos nessa! E oh, claro que Kara não vai se importar de eu procurar o motivo pelo qual nós fomos embora para Amsterdã, não é? Meu casamento quase acabou por isso, eu não me importo se ela está com mil e uma pessoas ou só uma, se ela vai bem com sua própria parcialmente nova empresa.

Lionel juntou as mãos pressionando umas nas outras tendo de deixar uma grande chance escapar por entre seus dedos.

- Você tem razão. – Disse por fim, não porque concordava, mas porque sabia que a filha não mudaria de ideia, Lena sabia exatamente o motivo da concordância.

- Ótimo. – Ela respondeu secamente e Lionel levantou-se dizendo que a deixaria trabalhar, Lena o observou deixar a sala e então soltou uma profunda lufada de ar.

Que ideia sem cabimento! Um tanto quanto mercenária e desesperadora, ora vejam só! Andrea! Que audácia de seu pai propor tamanha asneira. Lena lembrava-se exatamente da severa chacoalhada que Andrea deu em seu casamento quando era sua vice-presidente.

- Sabe... Esse número aqui. – Andrea disse apontando para o dado no papel sobre a mesa e encostando-se em Lena que rapidamente sentiu o corpo contra o seu.

- Sim, sim, eu já vi. – Lena disse rapidamente arrumando sua postura e afastando-se um pouco.

- O que você acha de nós repassarmos tudo na minha casa? – Andrea questionou e o olhar de Lena caiu sobre seu decote, não exatamente porque queria fazê-lo e sim porque ele estava generoso.

- Eu acho melhor não. – Lena respondeu direta e a viu morder o lábio inferior.

- Por que você não me dá uma mínima chance? Eu já entendi quando tentamos ter um relacionamento sério que isso não funciona. Mas eu não estou pedindo para que você deixe sua esposa, eu só estou pedindo para que me sinta. – Andrea disse com naturalidade e leveza fazendo uma leve carícia no braço de Lena que tirou sua mão rapidamente dali.

- Andrea, não vai acontecer! Desista! Eu deveria demitir você. – Lena respondeu num tom repreensivo.

- Mas eu sou boa demais para você fazer isso, não sou? Seria um desperdício. – Andrea disse a centímetros de seu rosto e Lena a afastou pelos ombros.

- Sim. E essa é a sua sorte. – Andrea apenas sorriu e afastou-se antes de sair da sala, Lena sentou-se rapidamente levando as mãos a cabeça, lembrando-se das brigas que estava tendo recentemente com Kara, pois Andrea não fazia segredo que a queria e ainda assim não era demitida.

Kara não conseguia compreender como Lena não demitia aquela mulher, achava que devia ter pessoas competentes para ocupar seu cargo, mas Lena por sua vez sabia que as duas formavam uma ótima dupla e os lucros do trabalho a faziam aturar Andrea e suas investidas.

Mas o estopim viera na noite de uma festa da Luthor Corp, Kara não poderia acompanhar a esposa, pois Vênus estava doente.

- Por que você não fica? – Kara sugeriu esperançosa.

- Amor, eu sou a presidente! Se eu não comparecer algumas pessoas se sentirão desvalorizadas, alguns convidados. Você sabe, lidar com pessoas que investem ou poderem investir no seu trabalho é como pisar em ovos. – Kara suspirou em derrota.

- Pelo menos volte cedo. – Lena sorriu e a beijou rapidamente.

- O mais rápido que puder. – Afirmou, mas naquela noite ela não voltou. Kara perdera seu sono esperando-a e das vezes que cochilou, Lena não estava lá quando acordou.

Ligava para seu celular, mas ela não o atendia, deixou mensagens e recados, não obteve resposta alguma além do silêncio.

Quando Lena voltou para casa parecia estar desnorteada e tinha um olhar distante, cego para o presente.

- Você pode me explicar por que não atendeu o celular? Por que está aqui apenas à essa hora da manhã? – Kara perguntou levantando-se imediatamente.

- Eu não sei. Eu estava conversando com Andrea sobre as empresas Wayne e...

- Ah, Andrea! Claro, a sua intocável! – Kara disse exaltando-se e Lena respirou fundo, não rebateu e isso causou estranheza em Kara. – Lena. Onde você estava enquanto eu fiquei aqui cuidando da sua filha doente?!

Lena baixou seu olhar sentindo o pesar do coração no peito e então a olhou outra vez.

- Calma. – Pediu. – Eu não sei o que aconteceu, como eu disse nós estávamos conversando, bebemos um pouco e não me lembro de nada.

- Lena. – Kara disse com uma voz embargada. – De onde você está vindo?

- Da casa da Andrea.

- Ah! – Kara disse batendo palmas ligeiramente como quem desiste.

- Não, não! Olha, eu posso explicar amor. – Lena disse se aproximando tentando tocá-la, mas Kara esquivou-se.

- Não encosta em mim! – Pediu e Lena afastou-se rapidamente. – Você transou com ela? – A indignação em seu olhar marejado doía no peito de Lena e o que ela responderia iria doer mais ainda.

- Eu não sei. – Disse num fino tom de voz, mirrado e sem vontade.

- O quê? – Kara gritou em pergunta.

- Eu não sei. Eu acordei e estávamos de roupas íntimas na cama dela, ela me diz que nós entramos aos beijos, mas você entende que eu não me lembro de nada?! – Lena respondeu num crescente tom de desespero.

- Oh meu Deus! – Kara disse para si mesma começando a desabar num choro nítido. – Você me traiu?! Lena você me traiu? – Questionou com mágoa e ressentimento.

- Eu não me lembro! Por favor, Kara. Você tem que acreditar em mim, eu não me lembro, eu...

- Vai embora. Sai daqui.

- O quê? Mas e as meninas? E se...

- Eu disse para ir embora! Vá para a casa dos seus pais ou faça melhor, vá para a casa de Andrea para relembrar os momentos que você se esqueceu!

Contrariada, perdida e sem conseguir discernir exatamente como aquilo havia acontecido, Lena foi para a casa dos pais, as duas disseram para as meninas que estavam num momento delicado, no entanto as crianças ouviram parte da discussão.

Irredutível, Kara não queria falar com Lena e isso perdurou por duas semanas, Lena procurou Andrea para esclarecer as coisas que de nada adiantaram até que ela tivesse a ideia de pegar as gravações da câmera do hotel eu ficava na entrada, afinal Andrea disse que chegaram aos beijos.

Lena assistiu as gravações ansiosamente até encontrar o ponto no qual chegaram, Lena era praticamente carregada quase desacordada e Andrea pareceu pedir a ajuda de um vizinho.

Lena sorriu aliviada, Andrea mentiu! Mas queria em fato comprovar e então a procurou novamente, quis falar dessa noite e quando viu a oportunidade citou um sinal ao lado de seu seio direito.

Andrea parecia acreditar que ela havia finamente cedido e confirmou que viu o sinal em meio a um sorriso que se desfez quando Lena a informou que não havia sinal algum.

Lena fora procurar a esposa imediatamente, Kara continuava sem ao menos querer ouvi-la. Mas Samantha a ajudou marcando de encontrar Kara com um motivo qualquer e Lena fora em seu lugar.

- Eu tenho provas. – Lena disse de uma vez antes de Kara levantar ao vê-la se aproximando. – Eu tenho uma gravação de que Andrea e eu não chegamos aos beijos e tenho também um áudio onde ela confirma que viu algo em meu corpo que eu inventei. Você sabe, antes de reatarmos, eu e ela tentamos um relacionamento, mas nem chegamos bem a ir para a cama então... Bem. Ela mentiu! Eu acho que devo ter sido dopada, eu... Apenas veja as gravações. – Lena disse parecendo ansiosa e inquieta.

Kara de fato viu as gravações e sentiu-se envergonhada e uma tola por agir exatamente como Andrea queria que ela agisse.

- Me desculpa, eu... Eu fui injusta com você. – Mas acima de tudo houve o alívio: Lena não a traiu! Sua esposa não a traiu.

- Vamos apenas esquecer isso, eu posso voltar para casa, não posso? – Lena questionou hesitante, mas algo ainda incomodava Kara.

- Eu não sei. Eu tenho me sentido tão estranha, eu estou feliz que não tenha realmente me traído porque você sabe que eu a amo. Mas eu sinto que nós estamos tão desgastadas, quantas vezes brigamos por que você não a demitiu? E olha o que ela fez, qual a próxima coisa que ela pode fazer? Eu tenho me sentido sufocada nessa cidade, me desgastando e discutindo com você por causa dela, causando essa má impressão nas meninas e até mesmo tristeza. Eu não quero mais isso pra minha vida, Lena. Eu quero você para nós, para mim, eu quero você longe dessa mulher, essa mulher longe de nós. Eu quero você longe da Luthor Corp, eu quero... Sair do país! Eu quero recomeçar porque eu estou com medo de que o nosso casamento desgaste até que o divórcio pareça a coisa mais sensata a se fazer.

Eram tantas mudanças! Lena pensou com toda aquela informação, mas o medo de perder sua família e sua esposa, o vislumbre desgostoso que ela teve durante aquelas semanas, a faria fazer qualquer coisa para mantê-las, para recuperar seu casamento.

- Eu fui egoísta, a mantive ao meu lado mesmo com suas descaradas investidas puramente por lucros e quase perdi o que tenho de mais importante na vida, o que não priorizei ao fazer isso. – Lena admitiu e pegou as mãos de Kara olhando-a nos olhos. – Nós vamos para onde você quiser, nós podemos ir até mesmo para fora do planeta, eu não me importo. Eu amo você e nossas filhas e nós vamos recomeçar onde quer que seja.

Lena desabotoou dois botões de sua blusa e deixou-se recostar na cadeira se sentindo grata por tudo aquilo ter passado, mas incomodada com a informação de que Andrea estava de volta. De repente se sentia como Kara, querendo voltar as pressas para Amsterdã.

Ao retornar para casa naquele dia encontrou uma Kara pensativa.

- Oi? – Ela perguntou com um meio sorriso se aproximando e Kara deu um pequeno sorriso. – Um beijo pelos seus pensamentos.

- Meus pensamentos estão tão baratos assim? – Kara questionou fingindo estar ofendida e a viu sorrir mais largo.

- Eu dou o que você quiser pelos seus pensamentos. – Reformulou.

- Não é nada. – Era uma resposta preocupante, pois muitas vezes “nada” podia ser muita coisa.

- Ei... – Lena começou num tom baixinho pondo-se diante de Kara e tocando seu queixo fazendo-a olhar. – Eu prometo que assim que resolvermos isso, nós voltaremos.

Kara umedeceu seus lábios com a ponta da língua enquanto a olhava.

- Você gosta daqui, não gosta?

- Eu gosto mais de você. – Lena disse acariciando seu rosto. De repente, naquele dia e antes mesmo de a esposa voltar, Kara se pegou pensando que Lena realmente gostava de estar em National City e sentiu-se um pouco egoísta em querer ir embora de volta o mais rápido possível.

- Como vão os negócios? – Kara perguntou acariciando sua mão sobre seu rosto.

- Poderiam estar melhores, meu pai tornou tudo muito difícil quando prejudicou a empresa. – Lena admitiu, mas estava com uma expressão de quem tinha mais a dizer.

- O que foi? – Kara perguntou desconfiada, pois já a conhecia, Lena suspirou antes de dizer.

- Eu não quero esconder nada de você.

- Eu não gosto quando as coisas começam assim Lena. – Kara advertiu.

- É só que eu fiquei sabendo que Andrea está de volta também e talvez você ache que eu sabendo disso deveria contá-la, então eu estou falando. – Explicou com seu ar de seriedade e um toque de calmaria.

Kara emudeceu por algum tempo como se estivesse digerindo.

- Lee, eu não sou proprietária da cidade. – Respondeu por fim.

- Você tem certeza que está okay com isso?

- Você sabe que eu não queria voltar, não sabe? Mas eu não vou ficar agindo como uma mimada, eu tenho que apoiar minha esposa e você tinha que ajudar seu pai. Então é isso. – Lena estava aliviada por ela lidar com as coisas daquela forma, até pensou em dizê-la sobre a sugestão de seu pai, como ficou sabendo da volta de Andrea, mas aquilo já era demais até para ela.

- Obrigada. – Lena disse e então pôs as mãos espalmadas na barriga de Kara. – E esse moleque? Como está?

- Ele está dormindo bastante hoje.

- Eu acho que ele vai nascer com cara de gato de tão preguiçoso. Mas é meu gatinho. – Lena respondeu se inclinando para beijar a barriga de Kara que sentia o coração aquecer com o momento.

- Você parece tão cansada, não quer dormir um pouco? – Kara perguntou quando Lena arrumou sua postura novamente.

- Eu ainda tenho que ajudar Geneviève com a atividade escolar dela.

- Ah é, ela exigiu que fosse você. – Kara disse e a viu sorrir outra vez.

- Sem ciúmes, nós apenas temos uma conexão legal porque brincamos enquanto ela toma banho. – Kara negou com a cabeça, mas ainda sorrindo e a viu se afastar.

Sozinha, lembrou-se da fresca informação que Lena a trouxe, Andrea estava de volta. Lembrou-se de quando Lena a mostrou que Andrea quem havia armado a suposta traição, seu sangue fervera de maneira tão absurda que Kara a procurou. Lembrava-se de sua expressão de surpresa.

Kara a despejou palavras como “Você nunca irá destruir minha família e meu casamento”. Lembrou-se de como Andrea, com um olhar despeitado, a disse que ela não devia ter tanta segurança.

Foi quando Kara notou que discutir com ela seria como se dirigir a uma porta. Kara suspirou apenas em lembrar-se de uma época tão pesada, sentia-se grata que estavam bem e que ainda eram uma linda família que iria apenas aumentar.

O último pensamento a fez sorrir e acariciar sua barriga.

- Você já é muito bem vindo, gatinho. – Disse lembrando-se de como Lena o chamou e sentiu o filho chutar.

No dia que se seguiu, Lena chegou estressada em casa e Kara não sabia ao que se devia, com cuidado se aproximou da porta do banheiro enquanto sua esposa tomava banho e escorou-se ao lado da porta.

- Então... Aconteceu alguma coisa atípica no trabalho? – Perguntou hesitante.

- Oh sim, peguei dois funcionários fazendo sexo na mesa de uma sala. – Kara arregalou os olhos com a resposta e ouviu o chuveiro ser desligado. – Demiti os dois, mas um deles era o maldito do vice-presidente. – Ela concluiu abrindo a porta.

- Você já tem alguém para substituí-lo?

- Honestamente não. – Murmurou de volta.

- Você irá encontrar.

- Eu sei. Tudo eu. – Rebateu, foi a primeira vez que deixou transparecer que sentia alguma pressão. Antes que Kara pudesse acalmá-la com alguma resposta ou sugestão, o celular de Lena tocou e ela o atendeu rapidamente, era Amanda.

“Eu preciso de uma opinião profissional sua” ela dizia do outro lado da linha.

                          ***

- Obrigada por ter vindo, prometo que não irei alugá-la tanto. – Amanda disse ao receber Lena em sua casa. – Está um pouco bagunçado aqui por causa da...

- Reforma, imagino. Então, do que se trata? – Amanda soltou uma lufada de ar.

- Como você deve saber porque as notícias no mundo dos negócios voam, a primeira filial da Rojas Enterprise será aberta em National City. – Ela dizia muito nervosamente. – E eu queria saber sua opinião sobre eu me candidatar a uma vaga.

- Mas você não é contadora? – Lena perguntou confusa, mas fazendo a anotação mental de que Andrea parecia persegui-la.

- Bem, eu não trabalhei apenas de contadora.

- Mas não era isso simplesmente que tinha no seu currículo? Que você trabalhou como contadora em...

- Bem, eu sei. É que eu me sinto insegura para ser algo mais do que isso, mas eu soube dessa novidade e acho que talvez eu deva arriscar.

- Primeiro: Você precisa relaxar, afrouxa essa postura. – Assim ela o fez. – Agora respira fundo e solta o ar lentamente. – Amanda obedeceu. – Melhor?

- Sim. Obrigada, mas então? Você acha que eu posso ter essa capacidade?

- Você trabalhou de que antes? Digo...

- Eu já fui assistente, secretária, cheguei a ser vice-presidente, mas a empresa foi vendida e eu fui demitida e desde então me dediquei a ser contadora, mas às vezes sinto que posso ser mais.

Amanda parecia envergonhada ao dizer que achava que podia ser mais, Lena levou a mão ao seu queixo.

- Amanda.

- Sim?

- E se você tiver uma proposta?

- Uma... Proposta?

- Sim. Você aceitaria uma espécie de período de adaptação na vice-previdência da Luthor Corp?

- Nossa... – Ela disse deixando sua surpresa transparecer. – Mas Lena, no momento em que a empresa se encontra eu não acho que seja aconselhável colocar alguém num cargo desses para período de experiência.

- Amanda, eu peguei o vice-presidente transando na mesa da sala dele, você acha mesmo que será pior do que esse cara? Eu vejo potencial em você e quero pô-lo em teste, é simples, se você for bem consegue o emprego de vez. Obviamente que é uma decisão sua, a Rojas Enterprise parece que vai muito bem, a Luthor Corp como sabe está em fase de recuperação.

Amanda a olhou nos olhos com certo brilho, estava sendo reconhecida? Suas bochechas coraram envergonhada pela confiança, ela pôs uma mecha do cabelo detrás de sua orelha com um sorriso contido nos lábios.

- Você vai pensar? – Lena perguntou e antes que ela pudesse responder levantou-se. – Pensa com carinho, eu estou precisando de alguém competente, não apenas que acredite em mim, mas enfrente essa comigo. – Completou se sentindo satisfeita pelas escolhas de suas palavras.

- Eu levo você até a porta. – Amanda disse levantando-se. – E irei pensar. – Garantiu passando a frente de Lena e abrindo sua porta. – Obrigada por ter vindo.

- Não seja boba, isso não foi nada. – Lena respondeu e então se foi, Amanda fechou a porta atrás de si sorrindo como uma boba. Que proposta! Lena disse ela tinha potencial, ela acreditava nela!

                           ***

- Onde você foi salvar o dia? – Kara perguntou quando Lena voltou e a viu sorrir.

- Fui dar uma opinião profissional e acabei fazendo uma proposta. – Lena confessou parecendo feliz com aquele feito.

- Hm. Me conte se der certo. – Kara disse com um ar misterioso.

- Você sabe que sim. Quando será a próxima consulta do gatinho?

- Amanhã. – Kara respondeu.

- Eu queria ir com você. – Lena disse com pesar. – E mais do que isso eu queria ver a cara desse garoto logo! – Falou impaciente e ouviu a risada de Kara.

- Eu também quero! – Kara admitiu. – Mas vamos esperar um pouco mais. – Kara então a beijou, era um beijo daqueles calmos e tranquilos, mas comprometer, não de forma explícita, no entanto, de forma intensa.

Ela sentiu Lena sorrir contra seus lábios e quebrar o beijo, desceu sua boca pelo pescoço da esposa dando-a beijos molhados, fazendo-a se arrepiar.

- Você parece mesmo otimista depois dessa tal proposta profissional. – Kara disse de forma arrastada e a sentiu inspirar seu cheiro.

- Eu não preciso ser otimista para tocar e sentir você. – Lena respondeu rapidamente como se as palavras já estivessem presas em sua cabeça.

- Que ótimo, então segura esse fogo aí porque nós não estamos no quarto. – Kara disse fazendo-a rir e Lena se afastou.

Kara foi para a cozinha e Lena para o quarto, na cozinha Kara se deixou vagar por seus devaneios. Se sentia bem quando Lena estava em casa, simplesmente sendo sua esposa e mãe com ela, sendo qualquer coisa desde que estivesse em casa, até mesmo quando estava estressada, Kara sabia que podia dobrá-la.

Mas quando ela e as meninas não estavam, sentia-se entediada ligeiramente e presa, vinha tentando renegar olhar para seus vídeos da época de ballet, os que tentou jogar, vinha tentando evitar relembrar o gosto da liberdade.

Aquele pensamento a fez se sentir horrível, liberdade? Mas ela não estava presa! Mas Kara logo percebeu que era uma liberdade diferente, não se sentia presa a sua família, ao seu casamento, amava tudo aquilo. No entanto, não via liberdade em ser dona de casa, via liberdade e prazer em ser mãe e esposa, mas quando suas filhas estavam na escola e Lena no trabalho... Sentia que suas asas estavam cortadas.

Um pigarrear a tirou de seus profundos pensamentos.

- Blair? – Ela perguntou levantando a cabeça.

- Oi mãe... – Ela disse acanhada se aproximando devagar.

- Aprontou alguma coisa? – Kara perguntou com os olhos estreitos.

- Não! É que... É mesmo verdade que você foi uma bailarina? – A pergunta apesar de óbvia, a deixou surpresa.

- É verdade. Era o que eu era quando conheci sua mãe e fui por mais algum tempo. – Kara admitiu sentando-se a mesa e puxando uma cadeira ao lado para que Blair fizesse o mesmo e assim ela o fez.

- E por que deixou de ser? – Ela fazia as perguntas com aparente cuidado.

- Por escolha própria. – Kara se sentia satisfeita em finalmente falar sobre aquilo com alguém.

- E foi feliz com essa escolha? – Kara baixou seu olhar e deu um sorriso fraco.

- É uma pergunta difícil, eu me sinto feliz em ter abdicado da minha carreira pelo exato motivo que o fiz, mas é normal que eu tenha saudade. – Respondeu com um tom natural e um sorriso maior. – Por que as perguntas?

- Eu não acredito que você foi uma bailarina de verdade e eu sempre quis fazer ballet e nunca disse porque as mães estimulam as filhas a fazer isso, mas você e a mamãe nunca falaram nada!

Kara sorriu largo feliz com a recente descoberta.

- Meu amor, você não precisa que nós digamos o que você deve ou não fazer. Você deveria ter dito!

- Então vocês me apoiariam se eu quisesse fazer ballet? – Blair questionou incerta.

- Mas é claro! – Kara disse como se fosse óbvio com um sorriso frouxo, o sorriso que Blair mais achava bonito em seu rosto.

- Eu gostaria de ver como você dançava. – Blair falou chateada por não poder ter essa oportunidade.

- Você pode. – Kara disse convicta.

- Mãe, você não pode simplesmente dançar aqui, para mim e agora e ainda mais com essa barriga!

- Eu tenho vídeos! Eu irei buscar, vá para a sala. – Kara disse animada como uma criança, aquela animação contagiou Blair que foi imediatamente para a sala.

Quando Kara entrou no quarto, Lena não estava, devia estar com Vênus ou Geneviève, ela pensou dando de ombros e pegou sua caixa de lembranças, ou como gostava de chamar internamente: conquistas.

Voltou rapidamente para a sala e pôs uma apresentação sua para ver com Blair, o vídeo mal começara e ela olhava constantemente para o rosto da pequena como quem procura saber sua opinião apenas pela expressão.

Quando Lena ia em direção a sala com Vênus ao lado e Geneviève em seus braços, fez um breve sinal para que Vênus parasse de caminhar e ficassem em silêncio. A menina não entendeu muita coisa, Lena prestou atenção na reação de Blair e Kara assistindo, ela sabia do que se tratava pelo som.

O olhar de saudade que Kara tinha mesclado a orgulho era inquestionável.

- O que elas estão assistindo? – Vênus sussurrou finalmente.

- Sua mãe. Sua mãe quando bailarina. – Lena respondeu com nostalgia, mas sentia um leve pesar no peito. Sempre o sentia quando Kara expressava sua saudade pelo que fazia.

Pois ela sempre se perguntava se era o suficiente para substituir o espaço que o ballet deixou na vida da esposa.


Notas Finais


Taí revelado o motivo pra vocês babies
E é isso que temos pra hoje ;)


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