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História Nos Bastidores - TK - Capítulo 26


Escrita por: e itsnasuke


Notas do Autor


Sinto que devo avisar então eu marquei a parte sensível do capítulo, onde tem a narração de uma crise de ansiedade (usei as minhas como inspiração).

A parte que pode servir como gatilho está marcada com: [●] no início e no fim.

Se se sente desconfortável lendo esse tipo de conteúdo não recomendo que leia, fica a sua escolha.

Boa leitura.

(Sem notas finais, me esforcei pra escrever esse capítulo, eu não ando bem psicologicamente e talvez isso tenha afetado o capítulo, peço desculpas se for o caso, mas essa fase na primeira versão ja tinha sua melancolia, eu posso só ter pesado um pouco em cima dela).

Capítulo 26 - Eu não quero ficar sozinho - parte 2


~

– Na hora, eu estava dolorido, mas a dor de verdade veio no outro dia, quando tentei ficar em pé – finalizei a história.

~

Narradora

Todos olhavam abismados os seus hyungs, alternando o olhar entre cada um, fora de fato chocante, mesmo sem detalhes tiveram a imagem perfeitamente projetada em suas cabeças e isso foi um tanto quanto... perturbador.

– E-eu acho que vou vomitar – Jimin disse enquanto se abanava, o Park agora tinha imagens obscenas demais em sua cabeça, mais até mesmo do que sua sanidade permitia.

– Não foi tão ruim assim! – SeokJin falou emburrado.

– O problema não é a primeira vez que você deu o cu! – O Park se explicava, seu tom soando horrorizado, sua expressão deixando tudo ainda mais óbvio, ele estava confuso e perturbado - o problema tá aqui! -apontou para sua cabeça.

– Como assim? – Namjoon franziu o cenho ao que perguntava.

– Meus hyungs... – o Park murmurava, tendo uma conversa consigo mesmo enquanto caminhava de um lado pro outro no cômodo – jin hyung... Namjoon-ah... os dois!... Pare de imaginar isso! – gritou e puxou seus cabelos com força.

– Mas que porra-

– Jin! – Jungkook chamou-o - não percebe que ele está assim porquê imaginou vocês... hã... – o Jeon engoliu em seco – no ato.

– Chimmy tem uma imaginação bem fértil – Taehyung disse enquanto analisava seu amigo com cautela, parando no rosto do mesmo – não me surpreende que ela tem lhe pregado essa peça.

Taehyung se colocou de pé, fazendo agora com que Jungkook franzisse o cenho, o mesmo ia protestar, mais parou ao ver o Kim indo em direção do Park, que estava encolhido do outro lado da sala.

– Jimin-shi? – o Kim lhe cutucou as costelas, um sorriso no rosto direcionado ao melhor amigo – Vamos Jiminie! Olhe para o seu amigo!

– Tae... - choramingou erguendo o olhar, dando de cara com o sorriso do outro, o mesmo que murchará ao ver os fios de cabelo na mão do menor.

– Quer ficar comigo no meu quarto hoje? – o mais novo ofereceu, não ligava para a plateia que tinham (Jin, Jungkook e Namjoon) – somente eu e você, o que me diz?

– Com direito a filme, comida e ficar de conchinha? – os olhos do mais velho brilhavam, nem parecia que o mesmo a dois minutos estava surtando porque imaginou seus dois amigos transando.

– Tudo o que meu melhor amigo quiser – Taehyung disse sorrindo largo ao escutar a risada do outro.

– Você é perfeito! – O Park disse ao que enlaçava o pescoço do melhor amigo com os braços, agora o mesmo estava bem, gargalhando enquanto Taehyung o levantava.

– Eu sei disso – falou convencido e deu dois tapinhas na coxa do amigo, em um pedido silencioso para que ele enlaçasse as pernas em sua cintura –qual fora rapidamente atendido–.

Os dois saíram da sala, deixando três pessoas boquiabertas para trás.

– Como ele... ele... – Namjoon apontava para a porta e para onde o Park estava.

– O Jimin e o Taehy se conhecem a muito tempo, são melhores amigos, logicamente ele saberia o que fazer – Jungkook respondeu, teclando rapidamente em seu iPhone, o Kim não passaria o dia consigo, não fazia sentido ficar em casa, por isso mandou mensagem para seu grupo de amigos, perguntando quais estavam disponíveis para darem uma volta pela cidade.

– Eu e Yoongi nos conhecemos a mais de dez anos, e ele não faria isso – Namjoon retrucou.

– A amizade de vocês é confusa – o mais novo disse – um demonstra afeto tentando parecer indiferente, o outro tem vergonha de demonstrar afeto em público e em casa, vocês são opostos que se dão bem, mas é confuso sabe? – se sentou de forma mais relaxada e deixou o celular de lado – como se tornaram tão próximos?

– Eu e Yoongi hyung temos pensamentos, opiniões e várias coisas parecidas, a questão é: nós nos damos melhor mostrando isso em músicas do quê em gestos e palavras - explicou, de forma simples e direta.

– Isso é verdade – concordou o mais novo, ficando em pé logo em seguida – Spring Day está aí como prova.

– É – Namjoon respondeu sorrindo nostálgico, aquele música tinha significado, e um significado importante.

– Pois bem, vou me arrumar – sorriu depois de receber duas mensagens de confirmação, em duas horas encontraria Mingyu e Yugyeom em um restaurante.

– Vai pra onde? – Namjoon perguntou substituindo o sorriso por uma expressão séria.

– O melhor amigo do cara que eu gosto teve um surto depois de imaginar outros dois amigos meus transando, e agora o cara que eu gosto tem que cuidar dele – explicava e fazia uma careta toda vez que pronunciava “cara que eu gosto” ainda era estranho, passou boa parte da sua vida crendo que era hétero – como ele não vai me dar atenção hoje, não vejo motivo pra ficar em casa – finalizou e deu de ombros, ficando de pé.

– Consideração mandou beijinho! – O mais velho do recinto alfinetou.

– Só vocês quatro vão ficar em casa – Jungkook falava enquanto ia para longe, fazendo a sua voz soar distante e difícil de entender – aproveitem! – gritou a última palavra e começou a subir as escadas.

A ordem dos quartos era simples, primeira porta da direita: Hoseok. Primeira porta da esquerda: Jin. Segunda porta da direita: Yoongi. Segunda porta da esquerda: Namjoon. Terceira porta da direita: Jimin. Terceira porta da esquerda: Jungkook. Quarta porta da direita: Taehyung. Haviam mais três quartos, dois sendo para staffs e o outro sem utilização, até o momento.

O Jeon ao chegar ao corredor pode ouvir as risadas de Taehyung enquanto uma música tocava em uma altura razoável, provavelmente Jimin estava fazendo uma de suas dancinhas para o Kim, pensou em ir até o quarto e participar da brincadeira, mais lembrou-se que seus hyungs andavam afastados, o motivo? A pessoa que agora retirava sua roupa para tomar banho.

Taehyung focara tanto em estar lá com Jeongguk para que aproveitassem o sentimento que por anos –para eles– não era demonstrado. Isso acarretou em Jimin as vezes ficando sozinho, o Park não reclamava, afinal entendia, e também não ousaria sequer opinar na relação dos amigos, não achava que tinha direito, não quando o mesmo sentia uma coisa estranha dentro de si desabrochando, não quando sentia desconforto em ver o ”casal” interagindo, achava que não tinha o direito de opinar quando estava se apaixonando pela mesma pessoa que seu melhor amigo.

O Park dentro de si via que Jungkookie não era somente seu amigo, dentro de si havia uma luta sua contra seu inconsciente que insistia em lhe fazer acreditar que o Jeon dava certo consigo, que todas as interações não foram insignificantes para o outro, que a química existia, que com um pouco de carinho e atenção, o amor e o desejo por si nasceria na mente do mais novo. Ele não acreditava ao mesmo tempo que queria que fosse real, toda vez que via eles abraçados, trocando beijos pelos cantos, ou quando descobrirá que a virgindade de Jungkook estava destinada a ser entregue a outro, sentia suas esperanças morrerem. Mais a cada interação que tinham, a cada vídeo que via deles, a cada sorriso que o menor lhe dava, elas voltavam como um soco.

[●] Era uma luta que ele enfrentava, mas não só ele, todos carregavam seus conflitos. Taehyung carregava a culpa e o receio, nos últimos dias o Kim notará, não era idiota nem nada do tipo, conhecia o amigo bem demais para saber de que ele estava sofrendo, depois de algumas análises descobriu o porquê, desde esse dia seu inconsciente não lhe deixava em paz, lhe mostrando flashbacks de Jimin e Jungkook juntos, lhe causando pesadelos, nos quais sempre era abandonado, por seu melhor amigo e por seu garoto.

A culpa que desenvolverá lhe assombrava tanto, que se recusava a dormir com o Jeon, se recusava pois se sem a companhia do menor em sua cama já tinha seus pesadelos, com ele nela sequer conseguiria dormir.

A três semanas ouvirá da doutora Park que tinha ansiedade e início de depressão, a depressão já tinha noção que tinha, mas ansiedade? Nunca tivera um crise forte, por isso não considerava que tinha algo do tipo. Não até duas noites atrás, quando sonhou com Jungkook lhe dando as costas e indo embora junto de seu melhor amigo de mãos dadas, se encontrava de joelhos no chão, chamando por eles, mas era ignorado.

Nessa noite acordara atordoado e ao olhar seu reflexo no espelho algumas coisas lhe vierem na mente: “você nunca será ninguém!”, “você é um lixo!”, “por que está vivo ainda?! Se mate e poupe as pessoas de ter que olhar para você!”. Todos comentários maldosos que já havia recebido –os que conseguiu ver– lhe atingiram como um choque, sempre chorava quando lia algo do tipo, mas ouvir isso na sua mente foi demais, atingiu seu limite ao ouvir seu inconsciente lhe repetir isso diversas vezes, só que era como se ouvisse a voz de seu melhor amigo e do outro lhe dizendo aquilo.

Desabou, chorou incontrolavelmente enquanto sussurra para que parasse, aquilo machucava, pareceu doer mais quando o ar faltou, seus batimentos aceleraram, sua temperatura abaixou de forma drástica, sentiu tanto frio naquele momento que começou a tremer, tremia tanto que se desesperou, quanto mais ar puxava mais parecia lhe escapar, seus soluços aumentavam junto do choro, o desespero e a angústia crescendo dentro do seu peito até que sentisse como se seu coração fosse fugir de sua caixa torácica. Com dificuldade pegou seu celular, quase derrubando-o ao que tremia muito ainda, não conseguia enxergar a tela, as lágrimas nublavam sua visão, o máximo que conseguiu foi entrar no aplicativo de chamadas e ligar para o último número que havia tido contato. Já se passavam das duas da manhã, mas fora atendido no quinto toque.

“– Taehyung? -ouviu a voz baixa de sua doutora e tentou lhe responder, mais a dor e o choro estavam tão intensos que não conseguia, abria a boca disposto a gritar por ajuda, mais nada saía, o que lhe desesperava mais.- Kim?

– Do-dou-to-tora Pa-Park – gaguejou, chorando incontrolavelmente, hora o ar voltava outra ele ia embora, sentia seus pulmões doerem tamanho esforço que fazia para respirar.

– O quê está acontecendo? – a voz da mulher soou mais alta, ouvirá um barulho de passos apressados, a doutora parecia com pressa.

– E-eu nã-não consi-sigo res-respirar – falou com dificuldade, a mão vaga abanava seu rosto em uma tentativa inútil de ajudar-lhe.

– Tente se acalmar... – a voz da Park soou baixa, não por que ela havia falado de tal forma, sua cabeça que agora latejava. A voz da doutora saia baixinha, fazendo-o não conseguir ouvir suas instruções, mas ao ouvir o barulho de um carro ligando, recuperou um de seus sentidos – Taehyung! Consegue me ouvir?

– Si-sim – murmurou, olhou em volta e não conseguiu ver nada com clareza, seu quarto estava iluminado, o problema era sua visão que ficava turva a cada piscada que dava, arregalou os olhos e sentiu as lágrimas descerem com mais força.

– Tem alguém perto de você? Alguém pode lhe ajudar? – embora estivesse nervosa a doutora lhe passava segurança, pelo menos tentava lhe passar.

– Na-Não – falou mais alto que antes, queria gritar, tudo doía, seu peito, sua cabeça, sua garganta, seus olhos... seu coração- me aju-juda!

– Calma Tae -lhe chamou pelo apelido, usando da intimidade que ganhará nas ultimas sessões junto da confiança - eu estou chegando, pode ir me esperar aí fora, vamos sair um pouco o que acha?

O Kim assentiu mesmo que a mulher não estivesse vendo, se levantando rapidamente e ignorando a tontura que sentiu ao fazer isso tão depressa, abriu a porta de seu quarto e correu até as escadas, descia tão rápido que escorregou no último degrau, caindo e batendo a barriga na mesinha que ficava no corredor, antes de seu corpo atingir o chão e fazer um barulho alto, apoiou as mãos no chão, sentindo a dor lhe atingir em cheio ao colocar seu peso sobre seus punhos, seu celular havia caído um pouco longe, juntou suas últimas forças e com os dedos trêmulos e o choro mais forte devido às dores físicas, pegou o mesmo e aproximou-o da orelha novamente.

– Eu ouvi um barulho, você está bem? – ouviu a voz da doutora e negou com a cabeça, se sentou e abraçou seus joelhos, se encolhendo no meio do corredor enquanto chorava copiosamente.

– Eu estou no seu condomínio, estarei aí em cinco minutos Tae, você aguenta né? – a voz da doutora falhou por um momento, ela ouvia os soluços, os gemidos doloridos, ouvia o Kim fungar e ouvia o choro, mais o que mais queria ouvir não escutava, não ouvia a voz dele respondendo suas perguntas.

O Kim encarou a porta, exatos dois minutos depois ouviu um carro freando na frente da casa, se levantou e correu, destrancando a porta e sentindo o frio da madrugada lhe abraçar –estava sem camisa, não dormia mais usando a parte de cima a um tempo–, viu quando a porta do motorista se abriu e a doutora apareceu com uma calça moletom xadrez e uma blusa de alcinha de renda preta, um hobby branco cobria suas vestes, o cabelo preso em um coque desajeitado, o óculos de grau escorregando por seu nariz. Viu a mesma abrir a boca assustada ao ver seu estado -estava com o rosto inchado, uma marca vermelha que mais tarde ficaria roxa em sua barriga, a calça moletom preta um pouco caída mostrando o elástico de sua box, seria sexy se não fosse trágico-, Viu o momento em que ela começou a correr na sua direção instante que seus joelhos cederam, fazendo-o cair chão, já sem forças para se erguer, ele não levantaria dessa vez.

– Vamos Tae! – a doutora ignorou seu torço nu, focou somente em pegar o braço do mais novo e ajudá-lo a ficar de pé, usando-a como apoio para entrarem no carro, e logo depois de fazê-lo, correu para o lado do motorista, partindo para o mais longe possível, levaria o Kim ao seu lugar, o lugar para onde ia para espairecer...[●]

~Jeon Jungkook~

Depois de um longo banho, e de me arrumar, estou secando meu cabelo em frente ao espelho, encarando meu reflexo, fitando meu rosto intensamente, estava tão concentrado em analisar minha aparência que meu olhar foi atraído para dois pontos, um era o chupão que Taehyung havia feito ontem, outro era um roxo que consegui enquanto brincava com Jiminie, ambos teriam que ser cobertos. Os dois eram importantes, eu gostava de Taehyung, mas com Jimin hyung... eu-

– Jungkook? – ouvi a voz de Namjoon vindo de meu quarto.

– No banheiro! – avisei e logo a figura alta do Kim apareceu dentro do cômodo.

– Não almoçara aqui? – perguntou o outro.

– Não, comerei com meus amigos.

– Volta muito tarde?

– Não sei – respondi e repousei o secador na bancada e me virei para fitar meu hyung- eu deveria demorar? -ergui a sobrancelha com um sorriso ladino.

– Não seja tão pervertido criança! – brigou e não evitei rir de sua reação.

– Talvez eu demore, talvez chegue cedo, tudo depende do tempo que eles vão poder ficar -expliquei ao que pegava a base e começava cobrir a marca de meu pescoço e a que estava perto de minha clavícula.

– 97 line? – perguntou rindo.

– Sim – sorri para o meu trabalho bem feito após terminar de esconder as marcas, coloquei duas argolas, alguns anéis e passei um pouco de lip-tint em meus lábios, gostava de ficar bonito– pode me dar esse boné?

– Você não cansa de usar preto? – Nam hyung perguntou -novamente- depois de me entregar o boné preto que estava atrás de si, preso na porta.

– Preto é a minha cor – sorri para ele e sai do banheiro, pegando meu celular e carteira no criar do mundo, digitei uma mensagem rápida para Taehyung e sai do cômodo, sendo seguido pelo Kim.

– Já vai?

– Eles estão me esperando, Tchau! – me despedi e continuei caminhando, não passaria na cozinha para me despedir do hyung mais velho.

Desci as escadas rapidamente, fui até a garagem e peguei a primeira chave do quadro onde todas eram penduradas, apertei o controle e sorri satisfeito ao ver as luzes do Hyundai Equus piscarem.

– Vamos dar uma volta belezinha – disse ao que acariciava o volante, já estava dentro e com o cinto, só esperava a garagem terminar de abrir.

~Kim Taehyung~

Ter momentos com Jimin se tornaram raros a algum tempo, a dois dias, quando retornei para casa -às 5 da manhã- ao abrir a porta vi ele dormindo no sofá, subi até meu quarto, afim de pegar uma camisa, afinal não queria que ele visse aquele hematoma gigante em minha barriga, aproveitei que fui até lá e guardei os comprimidos que a doutora Park me deu, eram apenas três, ela jogou todos fora, deixando somente três cápsulas dentro daquele tubinho laranja. Quando voltei na sala, ele ainda estava lá, me aproximei e tentei levá-lo para o quarto, mesmo com dores no corpo não deixaria ele ali, sabendo que o mesmo só estava naquela situação porquê estava me esperando.

“– Saí Nam! – empurrou meus braços quando tentei pegá-lo no colo- já disse que só vou para o quarto quando o Tae... chegar -bocejava vez ou outra, quase não conseguindo terminar a frase.

– Então vamos nos deitar - sussurrei, a voz mais rouca que o normal, depois de horas chorando e de um cochilo de 15 minutos no colo da doutora Park, era de se esperar.

– Tae! – abriu os olhos e me agarrou pelo pescoço, me abraçando com força e me derrubando no chão, seu corpo ficará em cima de mim, e isso estava machucando, machucando mesmo.

– Sa-saí – pedi ofegante e com a voz saindo sôfrega – por favor... saí.

Jimin arregalou os olhos e se levantou, puxou meu braço me colocando de pé em praticamente um pulo, ótimo! Mais um lugar dolorido!

– Onde você estava? – perguntou enquanto me analisava do pescoço para baixo, me olhava atentamente, olhou até que começou a passar a mão no meu dorso, até chegar abaixo das costelas, acabei gemendo só com o toque leve de suas mãos na área – levanta a camisa.

Pelo tom de voz sério vi que não era hora pra discutir, ergui a camisa e quando o hematoma estava os olhos dele lacrimejaram.

– O quê aconteceu? – perguntou, a voz saindo chorosa. “Sonhei que você e Jungkook me abandonavam e quando acordei tive uma crise de ansiedade porque meu inconsciente é um filho da puta" não podia lhe contar a verdade.

– Eu... eu tive um pesadelo com minha avó – disse primeira coisa que me veio na mente.

– Você deixou seu celular no chão e eu vi que a última ligação sua foi pra doutora Park, me desculpe – abaixou a cabeça, não encarando mais meu rosto. Ah Chimmy... se você soubesse.

– Liguei para ela porquê precisava conversar um pouco – cocei minha nuca, não costumo me sentir desconfortável na presença de Jimin, mas hoje, sinto que posso desabar novamente se tivermos muito contato, o choro e a dor foram embora, mais as vozes ficaram.

– Como se machucou? – encarou novamente a marca roxa e tentou tocar-me, porém recuei um passo.

– Eu caí da escada e bati minha barriga na mesinha – fui sincero pela primeira vez.

– Está melhor? – me encarou, ele queria olhar em meus olhos para ter certeza.

– Claro! – menti, um sorriso no rosto disfarça sofrimento, fiz isso e vi que era verdade.

– Quando vi que tinha sumido eu acordei o Namjoon – explicou envergonhado- temos que avisar que você voltou.

– Vamos lá então! – continuei sorrindo, o abracei de lado e caminhamos até a escada, Jimin olhava para frente enquanto falava o quanto havia ficado preocupado, limpei uma lágrima silenciosa e me escondi atrás da máscara sorridente, nunca imaginei que ficar perto de meu melhor amigo doesse tanto.”

Agora aqui estávamos nós, ele dormindo enquanto um filme qualquer passava na tevê, flashs de dois dias atrás vinham em minha mente, e isso levou-me a encarar meu criar do mundo, e ainda estava lá, a chave com um fio vermelho amarrado.

– T-Tae? – olhei para baixo e vi Jimin coçando os olhos, ele acordou só com o movimento que fiz para ficar de lado?

– Sim? – sorri para ele.

– Eu queria conversar com você – a voz ainda rouca soava baixinha, Jimin se sentou de forma confortável e me fitou.

– Sobre o quê? – me endireitei para que ele se aconchegasse em mim, repousando a cabeça em meu ombro depois que nos sentamos.

– Sua primeira vez – não podia ver seu rosto, mais a melancolia em sua voz era palpável.

– Jungkook já contou – respondi friamente, a tensão no quarto aumentou quando os créditos do filme deram início, reduzindo a iluminação.

– Me conte! Por favor! Eu quero que me conte com detalhes! – insistiu.

– Okay... -murmurei vencido, se isso seria desconfortável para ele, para mim então.

– “Nós estávamos ouvindo uma música no estúdio, bem... Jungkook na verdade estava cantando, ele me mostrou alguns de seus solos, ele queria minha ajuda pois queria saber se devia mudar seu desempenho, sabe como ele é perfeccionista. Enquanto ouvíamos as músicas, nós bebíamos também, uma mente alcoolizada é uma mente livre e sem barreiras, e sem as barreiras nós nos soltamos, permitindo flertarmos descaradamente, mais toda provocação tem limite, e o de Jungkook foi atingido primeiro -deixei uma arfada escapar ao lembrar do Jeon naquele dia – ele me segurou pela cintura e sentou em uma das cadeiras, me fazendo ficar no colo dele, estávamos bêbados mais ao mesmo tempo sóbrios, entende? – vi Jimin concordar com a cabeça e então continuei- nós teríamos ficado só nós beijos se não estivemos com álcool no sangue, mais a bebida tem seu lado bom e esse é um deles. O beijo foi evoluindo, aos poucos fomos perdendo as peças de roupas, e depois de uma discussão sobre quem seria o passivo, Jungkook tentou me penetrar pela primeira vez-"

– Pera aí! O que quer dizer com “tentou"? – Jimin se afastou somente para me olhar, ele cobria os lábios com as mãos.

– Digamos que ele ficou com pena ao me ver com os olhos cheio de lágrimas? – falei segurando a risada também.

– Ele não te preparou? Sabe, com os dedos? – perguntou agora meio chocado.

– Não, só com lubrificante – respondi e dei de ombros

– Nossa... -murmurou e dois segundos depois me encarou- continua!

– “Na segunda vez, eu o puxei para perto de mim e escondi meu rosto no pescoço dele, aí ele entrou... em mim, e depois de 10 minutos nós... você sabe! Não foi tão bom na primeira, doeu -vos uma careta ao lembrar da sensação- mas na segunda... foi bom, muito bom.”

– Quantas camisinhas vocês tinham? – o Park perguntou abismado.

– Três – respondi.

– Vocês fizer-

– Sim – interrompi o mais velho, sabia o que ele perguntaria, já estava com vergonha demais, não queria escutar a pergunta inteira.

– Seus safados! – me deu um tapa enquanto sorria, mais nos seus olhos, lá no fundo deles eu pude ver a tristeza.

Se você soubesse Jimin hyung... se pelo menos cogitasse a idéia que eu sei o que você sente... talvez nós não estaríamos nos machucando tanto.

– Estou com fome – ele mudou de assunto, fazendo uma careta ao encarar sua barriga.

– Vá tomar um banho e eu irei ver se o almoço está pronto – disse já me colocando de pé, ajeitei o moletom, tampando bem meu antebraço esquerdo, eram apenas marcas que... fiz nas duas últimas noites, Yerin noona me disse para usar o remédio só em casos extremos, então para não usar, acabei me machucando, nada sério só... apertei meu braço com força e agora estou com algumas marcas.

– Não demore! – Jimin gritou depois que fechei a porta.

– Não irei! – gritei de volta e fui em direção a cozinha, havia trocado minhas roupas -novamente- por um conjunto moletom preto, estava frio dentro do quarto e também é mais fácil de esconder.

Não era nada fácil, chorar em silêncio é o mesmo que não chorar, querer gritar e não poder faz com que me sinta mudo, a doutora Park vem me ajudando, nessa viagem os planos são analisar meu comportamento, nas últimas semanas liguei pra ela quase todos os dias mas depois da crise que tive, só nos vimos quando ela veio deixar-me a cópia da chave do cadeado, o que era um voto de confiança para mim, agora teria que fazer o meu... passar 4 dias na mesma casa que ela para ser ajudado. Para me permitir ser ajudado.

Só espero que no final... eu não fique sozinho.

Eu não quero ficar sozinho. 




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