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História Nos braços da Máfia. - Capítulo 5


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Notas do Autor


Naruto, obviamente não me pertence.

Capítulo 5 - Haruno Sakura.


No fundo, todos sabemos que não somos bons em perder, por isso só damos valor nas pessoas difíceis, não por amor, ou por importância, mas sim pela obsessão de ter o que não podemos ter”.

 

Capítulo 4.

Haruno Sakura.

 

Esperei pelo otousan a noite toda, mas conforme as horas foram passando percebi que Hiashi não chegaria tão cedo em casa. Como não queria esbarrar com Neji pelo corredor, tratei de me trancar em meu quarto. Pela manhã resolveria a minha situação.

Eu sabia que aquele horário era o melhor momento para falar com o meu pai. Depois do café da manhã ele sempre ia para o escritório fumar um charuto, um dos poucos momentos que conseguíamos vê-lo relaxado. Devido a isso, acordei muito cedo, antes mesmo que os pássaros começassem a cantar em minha janela. Fiz a minha refeição junto com ele, mantendo uma conversa trivial, afinal, Hiashi não gostava de discutir coisas importantes à mesa.

Assim que ele se levantou da mesa indo em direção ao seu escritório, esperei alguns minutos antes de correr para o corredor e chegar em frente a porta de mogno vermelha. Bati delicadamente e aguardei.

– Entre.

Vi seu charuto pela metade e soube que agora podia levantar o assunto que não me deixou dormir à noite.

– Otousan Hyuga, podemos conversa?

Ele me encarou antes de dar uma longa tragada, soltou a fumaça densa que já começava a se dissipar pelo cômodo. O cheiro não me incomodou, já estava acostumada ao cheiro forte do tabaco.

– Não acabamos de fazer isso tomando café?

Confesso que minhas pernas começaram a tremer um pouco ao escutar as palavras dele. Agarrei forte o espaldar da cadeira com uma postura ereta.

– Gostaria de falar sobre o que conversamos antes – disse com suavidade, mas com firmeza – Em sua promessa de pensar em relação ao meu pedido.

O silêncio que se seguiu foi enervante. Hiashi Hyuga era um homem difícil de ler ou eu nunca fui uma boa leitora de pessoas.

– Sente-se, querida.

Enquanto eu fazia exatamente o que ele pediu, Hiashi permaneceu em pé indo até a janela para observar o extenso quintal em frente a casa.

– Seu pai ainda estava vivo quando conseguimos trazê-lo para dentro de casa. Seu último pedido não foi apenas que cuidássemos de você – disse ele, e embora já tivesse escutado muitas vezes sobre essa história, esse detalhe era novo para mim, de que havia algo mais – Ele pediu que a levássemos para longe e a mantivéssemos em segurança.

– Meu pai não queria que eu ficasse aqui? - indaguei atordoada – Por que me mantiveram?

– Senti que era o meu dever – explicou sem nem um pingo de arrependimento por não ter feito exatamente como o meu pai pediu que fizesse – Depois, Hanabi se afeiçoou a você – ele tragou mais uma vez e soltou a fumaça devagar pelo nariz – Então, sobre seu pedido, se for mesmo o que você deseja, querida, eu acho que posso atender. Eu já estou velho, como Neji costuma dizer. Não poderei protegê-la para sempre.

Isso era algo que eu já havia refletido muito. E estava entre aliviada e triste por partir. Hiashi tinha sido um bom pai para mim. De certa forma, era minha família, dizer adeus seria triste.

– Decida para onde quer ir e verei quem eu tenho de contato – ele virou para mim quando me levantei correndo até ele – Não vou deixá-la desprotegida.

– Quando poderei ir, Otousan?

– Depois da sua festa de 21 anos.

– O senhor sabe que não quero uma festa.

A maioria dos convidados não eram meus amigos. Isso era uma invenção de Neji, apoiado por Hinata que adorava se exibir.

– Faça por mim. Quero carregar uma doce lembrança sua – disse ele beijando o topo de minha cabeça – Talvez seja a última.

– Não diga isso! - o abracei mais forte – Não está velho e viverá mais uns quarenta anos.

Ele riu, fazendo meu rosto sacudir em seu peito.

– Acho que Neji tem razão. A velhice está me enfraquecendo.

– Não mesmo. Seu coração sempre foi bondoso comigo.

Hiashi Hyuga ainda era um homem forte. Talvez não vivesse por mais quarenta anos, mas eu arriscaria pelo menos uns trinta e rezava para que fosse assim. Deseja que ele me visitasse e presenciasse a minha felicidade com a família a qual eu viesse a construir.

 

(***)

 

Comecei a andar em círculos conforme o nervosismo me assolava. Parei em frente do grande espelho redondo em meu quarto, suas laterais eram de bronze fundido. Usava um vestido império em um estilo bem romântico. Era todo branco com bordados em fios de ouro na saia. Logo quando o vi estendido sobre a minha cama, achei um pouco exagerado, afinal, era só a minha festa de aniversário, mas foi um presente do meu otousan e não quis desapontá-lo, colocando algo mais simples como realmente gostaria.

Meus cabelos foram presos em uma trança grega, com pequenos brilhantes salpicados. A minha única exigência foi a maquiadora, que aplicasse o mínimo de maquiagem possível. Agradeci as duas mulheres que ajudaram a me arrimar e as dispensava no mesmo momento em que Hinata entrava em meu quarto.

Ela me olhou de cima a baixo com um sorriso torto nos lábios. Carregava uma caixa quadrada preta com detalhes prateados, mas não dei muita importância, provavelmente necessitava de ajuda para colocar o colar, que certamente poderia ter pedido para uma das cinco mulheres em seu quarto.

– Você está linda, Sakura – ela se colocou às minhas costas, a mão com a caixa-preta em meu ombro e a outra em meu braço – Ele não conseguirá desviar os olhos de você essa noite.

Ele?

Olhamos uma para a outra através do grande espelho. Hinata também estava muito bonita. Ela usava um vestido balonê na cor lilás, o tecido se fechava em direção à barra como um balão, e fazia os seus quadris parecerem um pouco maiores do que realmente eram. Já os cabelos estavam torcidos para o lado esquerdo do rosto, a maquiagem estava mais marcada e escura que a minha. De certa forma, combinava com ela. Hinata era a típica mulher que se impunha na forma sexy de se vestir e se comportar.

– Você também está muito bonita, Hinata – retribuí o elogio com um sorriso gentil – Mas quem não tirará os olhos de mim?

Seria algum amigo de Naruto? Alguém que estivesse interessado em mim sem que me desse conta? Eu não podia pensar em ter um relacionamento agora, não depois de conquistar a minha liberdade. Faltava pouco para me ver livre.

– Neji – disse ela, fazendo meu sorriso se desfazer de imediato – E pediu que te entregasse isso. Quer que use esta noite.

Olhei para a caixa em sua mão, se fosse uma serpente a olharia com menos horror.

– Não quero nada que venha do seu irmão – afastando-me dela, fui em direção a janela.

Vi mais pessoas e carros chegando. Um arrepio estranho percorreu meu corpo. Otousan ou Hinata – era mais provável ter dedo dela nisso – sabia como dar uma festa. Nós fomos educadas muito bem para isso.

– Por que não? - sua voz estava próxima, então soube que me seguiu – Ele também é seu irmão.

– Neji não é meu irmão, Hinata!

Ouvi ela se afastar e bufar com a minha colocação.

– Não de sangue. E é melhor que não seja mesmo, seria no mínimo estranho se ele fosse – virei-me para ela, confusa, às vezes achava que Hinata falava por incógnitas – Em todo caso, não acredito que isso o impediria.

Enquanto ela falava, abria a caixa e vi um lindo colar surgir, muitas pedras e, sem dúvida, muito caro. Vindo de qualquer outra pessoa, eu acharia lindo e até mesmo o usaria, mas como o presente havia sido de Neji, não passaria de uma coleira fria presa ao meu pescoço.

– Usarei o colar que foi da minha Okaasan – disse a ela, indo até minha cama onde uma caixa de joias se encontrava – Ela ganhou quando eu nasci.

Peguei um lindo colar trançado de ouro branco de umas das divisões na caixa e o ergui no ar. A peça era simples e delicada.

– Pode devolver o colar ao Neji – instruí-la, colocando o colar de minha mãe em meu pescoço – Ou fique para você.

Seus olhos brilharam de empolgação e desejo, mas logo os mesmos perderam o brilho e a apreensão veio ao seu rosto.

– Sempre que for usar, diga que emprestei a você – resolvi o assunto que pudesse estar deixando-a receosa – Problema resolvido.

Hinata fechou a caixa com um leve som que morreu devido ao barulho que vinha do corredor e não voltou a insistir mais. Sempre fui mais dócil e pacífica que ela, mas quando tomava uma decisão, nada me fazia mudar de ideia. Não precisava de joias ou de qualquer presente que Neji pudesse me dar. Tinha as aplicações que meus pais fizeram para mim e Hiashi também fez um fundo de pensão que passei a ter direito ao completar vinte e um, há dois dias.

– Você já é uma adulta, sabe o que faz – disse caminhando para fora do quarto e quando chegou à porta parou, girando em minha direção – Só lembre-se de seu próprio conselho, provocar ou irritar Neji não é uma coisa boa.

Senti um alerta, como uma profecia e quando fui questioná-la sobre o que queria insinuar, Hinata saiu apressada. Levei a mão ao colar em meu pescoço, desejando que ele tivesse o poder de me proteger.

Enrolei dentro do quarto o máximo que pude antes que otousan Hyuga, ou até mesmo Neji, mandasse alguém me buscar, ou pior, ele mesmo viesse ao meu quarto.

Cheguei à grande sala onde muitas pessoas circulavam, conversavam, comiam e bebiam, vendo alguns rostos conhecidos de quando eu estudava. Um deles era de Konan Yamamoto*, ela era filha do capitão Yamamoto, de Primeira Elite, e era quem cuidava de toda a área educacional dentro da Irmandade. De escolas a universidades, que não deixavam nada a desejar às melhores instituições do mundo. Hinata e eu concluímos os estudos no Centro Educacional Yamamoto com Konan e outras garotas da Yakuza.

– É bom ver você de novo, Konan – cumprimentei ao me aproximar dela – Soube que está estudando algo sobre inteligência.

Sempre gostei de Konan, porque apesar dela vir de uma família importante e absurdamente rica, ela era na dela e passava mais tempo enfiada nos livros do que exibindo seu status de garota privilegiada.

– Contrainteligência Corporativa – explicou ela, com orgulho na voz – E espionagem industrial.

– Acho que não sei pronunciar isso – rimos juntas da minha tentativa de piada – Mas fico feliz por você. Isso que dizer que um casamento em breve está fora de questão.

No dia a dia, Konan se vestia de forma bem casual e sem nenhuma afetação. Alguém que a olhasse sem interesse a consideraria uma pessoa comum, com seus olhos castanhos avermelhados e cabelos tão escuros que quando os raios de sol ou qualquer luz refletisse neles, um tom de azul-escuro brilhava com intensidade, mas vestida para uma ocasião como esta, ela ficava encantadora e linda para quem observasse com olhar mais atento suas singularidades.

Fomos bastante amigas no colégio, pena ter acontecido o que se acontecia sempre, o tempo e objetivos opostos afastavam os amigos. Ela seria uma das poucas pessoas que levaria em meu coração quando fosse embora.

– Esse é um momento que devo agradecer pelos meus pedidos para ter irmãos na infância nunca terem sido atendidos – confessou baixinho – Eu não conseguiria ter convencido meu pai a deixar que fizesse o que realmente quero se tivesse um. Claro que tive que fazer um acordo com ele.

Isso era natural. Muitas vezes, para conseguirmos aquilo que queríamos, tínhamos que ser inteligentes e barganhar. Eu não conseguia ser tão astuta como Hinata e Konan.

– E o que você prometeu ao capitão Yamamoto?

– Que casaria quando concluísse o curso – ela piscou e me deu um sorriso maroto.

– Você não cumprirá, suponho.

– Você sabe, após a graduação há a pós-graduação, mestrado, doutorado…

– E o que mais você puder usar a seu favor e prolongar isso.

– Eu sempre achei você uma garota muito inteligente, Sakura.

– Não tanto quanto você, Konan.

Eu queria continuar a conversar com ela, mas a boa educação exigia que falasse com todos pelo menos uma vez. Circulei por todos os ambientes abertos aos convidados, falando com algumas pessoas mais do que com outras. Havia muitos que só conhecia por nome ou de vista.

– Aqui está ela – Otousan Hyuga me chamou assim que me viu entrar em uma sala onde a maior parte dos homens estava – Aproxime-se, querida.

Fui avisar que o jantar seria servido em alguns minutos, e após ele, a pista de dança montada para os mais jovens no lado de fora da casa, próximo ao jardim, seria aberta. Enquanto isso, os mais velhos jogariam, conversariam, e os anciões se recolheriam mais cedo.

– Bonita, não? - notei pelos olhos brilhando que ele já havia bebido o suficiente.

O que não me incomodava. Se havia algo que a Irmandade sabia fazer bem era beber e brigar muito.

– Qualquer capitão ficaria orgulhoso em recebê-la no seio de sua família, não acham?

Assim que a pergunta foi feita, senti medo e me encolhi nos braços de otousan. Não queria me sentir um pedaço de carne em exposição, mas era exatamente assim que me sentia. Passei muito tempo ficando nas sombras, não apenas por timidez, mas porque não queria que algum capitão, ou algum de seus filhos, seja da segunda ou da primeira elite, prestasse atenção em mim. Causaria um desconforto muito grande para Hyuga se precisasse recusar alguma oferta de casamento. Mesmo não sendo uma Hyuga, fui criada e amada por ele como uma.

– Esse não é o momento de falar sobre isso, otousan – disse Neji que estava ao seu lado – Hoje, Sakura está aqui apenas para se divertir.

Foi bastante irônico, mas não gostei nenhum pouco de ter a defesa de Neji, sentia como se existisse algo oculto nisso. Seu tom de voz e brilho no olhar estavam mais para um garotinho que não queria dividir o brinquedo.

– Você tem razão, meu filho. Além disso, o destino de Sakura já está bem resolvido – acrescentou otousan Hyuga.

– Com certeza está, pai – Neji falou olhando com atenção para o meu pescoço – Com certeza, está.

Levei a mão automaticamente à minha garganta. A forma que ele me olhava e me estudava inteira, me deixava desconfortável.

– Bem, amigos, vamos ao salão de jantar – disse Hiashi Hyuga, tendo o grupo de homens o seguindo.

Estava pronta para segui-lo quando Neji segurou o meu braço, forçando-me a voltar para dentro da sala com ele.

– Onde está o calor que lhe dei? – indagou, fechando a porta às suas costas.

Já que não podia fugir sem causar um pequeno escândalo, caminhei para longe dele o máximo que consegui.

– Não gostou? – ele caminhou até mim, colocando os dedos frios em meu pescoço – Não tinha pedras o suficiente?

Neji era uns dez centímetros mais alto que eu, e isso era bom, porque não precisava olhar em seus olhos ao dizer a mentira necessária que impediria sua ira de cair sobre mim quando todos os convidados tivessem ido embora.

– Ele é lindo. – agradeci da forma mais subserviente que consegui – Você foi muito gentil, meu irmão.

Hinata e Konan usavam estratagemas e acordos para conseguirem o que queriam, eu usava o que fosse possível para me manter em segurança física e emocional. Conhecia Neji o suficiente para saber a melhor forma de lidar com ele. Ele precisava acreditar que sempre estava no controle de tudo. Se tivesse tido essa sabedoria aos dezesseis anos, Lee ainda estaria vivo, e seus pais não chorariam a morte de seu único filho, o jovem que um dia sonhara se tornar um saldado de primeira elite, enchendo-os de orgulho e dando a eles uma vida melhor.

– É que recebi as joias da minha Okaasan. Eu queria de alguma forma homenageá-la esta noite.

Eu era muito apegada à memória dos meus pais, então, ele não tinha como refutar minha declaração. Sobre isso, estou sendo sincera. Usar as joias da minha mãe fazia com que sentisse ter um pouco dela de volta.

– Justo – ele abriu um sorriso que consideraria bonito se chegasse a seus olhos frios – Você pode usar o meu colar quando oficializarmos tudo entre nós.

Neji era um homem bonito. Tinha os mesmos cabelos escuros que Hinata e o mesmo tom de olhos. Seu corpo era todo tatuado do pescoço para baixo. Gostava de tatuagem, tinha um grande pavão nas costas, mas homens como Neji, não me atraíam.

– Oficializarmos?

– O nosso noivado, meu amor.

Não era o “seu amor” e não acreditava que ele havia colocado em palavras o meu maior temor.

– Neji, não podemos ficar noivos – eu o alertei, tensa – Nós somos irmãos.

Eu não sabia que seu olhar poderia ficar mais frio do que o habitual, e isso me causou medo. Do meu pescoço, suas mãos se fecharam em meus braços. A força com que me agarrou fez com que eu ficasse nas pontas dos pés.

– Não somos irmãos e nem nunca seremos, Sakura – proferiu, e a calma com que disse isso me deixou ainda mais aterrorizada do que se tivesse gritado – Achei que tinha deixado isso claro desde que veio morar com a gente.

– Sim, você nunca gostou de mim, embora eu nunca tenha entendido a razão.

Como Neji podia propor um noivado agora?

– Quando éramos crianças, achava que roubava a atenção dos meus pais de mim, sentia ciúmes – confessou, pondo mais força nos dedos em volta do meu braço, isso me fez retorcer e gemer – Mas eu cresci e você também. Meus sentimentos por você mudaram, meu amor.

– Neji, nós não somos irmãos de sangue – tentei falar, apesar da dor que começava a sentir onde ele apertava – É o que você e Hinata significam para mim. Tudo bem, irmãos nem sempre se dão bem, podemos mudar isso agora construindo uma relação melhor. Eu acho que isso é o que você sente e está confundindo as coisas.

– Não estou confundindo nada, Sakura. Sei o que sinto por você e o que quero desde que fez dezessete anos.

Agora fazia sentido ele ter mandado eliminar Lee. No fundo, sempre soube que isso não foi um gesto de um irmão mais velho ciumento, mas preferi enterrar as suspeitas, quando otousan Hyuga afirmou que isso era coisa de irmão tentando proteger a irmã de um jovem sem futuro.

Na máfia, muitas coisas eram resolvidas com sangue. Eliminava-se o inimigo e o problema estava resolvido.

– Não posso me casar com você, Neji. E não posso retribuir os seus sentimentos. Não sobre isso.

Ele riu debochadamente. Era como se ele fosse o gato que brincasse com o seu precioso ratinho. Uma de suas mãos soltou o meu braço e ele segurou firme o meu queixo, fazendo com que eu o encarasse.

– Você não está entendo, meu amor. Não é um pedido. É um aviso. Tenho esperado todos esses anos por você, Sakura. Será minha. Isso é uma promessa.

Seu rosto se aproximou e seus lábios tocaram os meus. Fechei os meus olhos, não apreciava o beijo como ele poderia estar imaginando, mas para impedir que as lágrimas fossem convertidas mostrando minha fraqueza e repúdio. Uma vida ao lado de Neji seria pior que do que a vida levada pelas jovens traficadas por Capitão Yamanaka.

Elas, pelo menos, teriam o direito à paz e tranquilidade dentro das comunidades criadas para elas quando seus trabalhos deixassem de ser requisitados. Só a morte me livraria de Neji se me casasse com ele. Uma vez sua esposa, teria que servi-lo e obedecê-lo.

– Conversaremos depois em alguns dias – ele se afastou, finalmente me soltando – Preciso tirar outro empecilho do meu caminho antes. E, em breve, serei o homem que se orgulhará de estar ao seu lado, meu amor.

Tive que morder a língua para não perguntar se ele estava se referindo ao novo líder da Yakuza, Sasuke Uchiha, mas recordei que Hinata pediu segredo sobre isso. Neji estava insano se achava que poderia vencer um homem como Sasuke. Era como acreditar que um reles soldado pudesse vencer seu rei.

Tinha certeza agora. Precisava ir embora o quanto antes.

– Como quiser – disse, buscando toda a tranquilidade em mim.

Pelo visto otousan Hyuga não disse nada para ele e Hinata sobre os meus planos de ir embora do Japão. Isso mostrava que conhecia bem os filhos e, como disse, pretendia me manter protegida. Ficaria quieta até otousan conseguir me tirar do Japão, depois disso, não teria alternativa além de cortar todos os laços com qualquer membro da família Hyuga. Neji poderia tentar machucar Hiashi Hyuga, seu próprio pai, para tentar me encontrar.

Não podia e nem suportaria carregar a morte de mais alguém em meus ombros, principalmente, de alguém que aprendi a amar como pai.

– Agora, vamos nos unir aos outros para o jantar – disse ele, colocando o braço em minha cintura – Afinal, você é a estrela da festa.

Eu também tinha que ser cínica e dissimulada. Para vencer Neji, precisava usar a inteligência e a paciência mais do que nunca.

– Sim.

Sorrindo amavelmente para ele, o acompanhei para fora da sala. Para quem observava de fora, éramos apenas dois irmãos curtindo um momento familiar com os amigos. Por dentro, eu estava fervendo de ódio.


Notas Finais


Yamamoto* Sobrenome que dei para Konan, já que a mesma não possuí um no mangá/anime.


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