História Nós dos dedos - Capítulo 1


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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Adolescente, Fluffy, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência
Avisos: Drogas, Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - I



Sasuke Uchiha se afundou cada vez mais no banco de passageiro do Chevrolet Astra de sua melhor amiga, Hinata Hyuga. Automaticamente, uma dor se alastrou pelo seu ombro direito e ele se impulsionou pra frente, esfregando o local. Dessa vez seu punho todo doeu, e ele simplesmente gemeu de dor. Hinata sequer fez questão de olhar, e também não fez menção de preocupação. Sasuke só podia ler em sua expressão raiva e medo, tanto quanto ele estava sentindo. 

Ninguém sabia como seria quando chegassem em casa. O Uchiha se perguntava se ela iria gritar com ele pela primeira vez em dois anos, ou se ela simplesmente deixaria-o á própria sorte e iria dormir; e a última opção não parecia nem um pouco injusta, já que Sasuke havia a tirado da cama onze horas da noite porque havia apanhado de uma gangue de traficantes.

Sasuke estava devendo. Sasuke havia pago metade da parcela naquela noite, e Deus sabia que seu corpo não seria o mesmo por alguns meses. 

Ele jogou a cabeça fracamente contra o vidro temperado do carro, tentando enxergar algo. Hinata grunhiu e falou pela primeira vez, assustando-o de verdade. Ele não esperava que ela fosse falar naquela noite.

- Não suje meu vidro de sangue. 

Sasuke assentiu e voltou pra posição inicial, com a cabeça apoiada no encosto do banco e as costas á uma distância saudável do couro frio. Mesmo que pouco, o moreno ainda conseguia ver lampejo das árvores e da noite estrelada e extremamente gelada. O vento chiava, mas quase não se era percebido por conta do motor barulhento e sôfrego. 

Hinata estacionou na frente do prédio aonde eles moravam, perto da faculdade. Ela tirou a chave da ignição, suspirou e deslizou as mãos pelo volante lentamente. 

- Posso ficar sozinha por um minuto? - Ela pediu, com a voz firme e olhar vago. Sasuke assentiu e desceu do carro. Esperou do lado de fora, trocando o peso entre as pernas. Agora que ele havia parado, todo o corpo rangeu e explodiu de dor. O Uchiha soltou um grunhido longo, satisfatório. O frio não ajudou, arrepiando-o literalmente dos pés á cabeça. 

Hinata deixou o carro lentamente, contornado a figura grande do amigo e ainda sem olhá-lo nos olhos. Sasuke a seguiu. 

Quando a Hyuga parou na frente da porta velha e amarelada da casa deles, Sasuke percebeu que ela não iria conseguir abrir a porta com facilidade. Ela tremia inteira, da forma mais literal possível. 

- Deixa que eu te ajudo. - Murmurou Sasuke, tentando pegar as chaves na bolsa dela. Hinata demorou um minuto pra processar os movimentos do amigo, mas afastou a mão dele rapidamente e pegou o molho no primeiro bolso rapidamente. 

- Eu consigo fazer as coisas sozinha, Sasuke. 

O Uchiha assentiu e voltou a tentar ficar ereto. Não conseguiu. Hinata abriu a porta e entrou no apartamento, então Sasuke viu que tinha uma pequena brecha para tentar contato. Esticou as mãos sangrentas e machucadas em direção ao pulso da Hyuga, mas ela virou bruscamente, corada e trêmula como antes. 

- Não, Sasuke. Só não. 

O Uchiha assentiu de novo e assistiu a melhor amiga, a inteligente Hinata Hyuga das artes cênicas, correr pelo corredor e se trancar no quarto. Ele mesmo se arrastou pelo corredor até a porta do quarto dela (que havia sido pintado de um azul bebê adorável) e encostou uma orelha - que tinha um filete nojento de sangue seco - na madeira. Não ouviu nenhum som, só o eco das molas da cama. 

Voltou a se arrastar pelo corredor, os joelhos ralados sentindo o impacto do próprio peso. Entrou no único banheiro da casa, rezando para não demorar muito e atrapalhar ainda mais a noite de Hinata, e se encarou pela primeira vez na noite. 

Ele entendeu um pouco mais do porque Hinata estar tão brava. 

Um de seus olhos estava quase fechado por causa do inchaço, o nariz estava levemente deslocado e seus lábios estavam rachados e cortados. Sangue havia saído de um de seus ouvidos, o primeiro a colidir no asfalto, e manchas roxas começavam a aparecer em seu queixo e em seu olho esquerdo. Nos cotovelos expostos ele percebeu ralados e uma mancha amarela em cada um. Os nós dos dedos estavam roxos pelas tentativas de revidar algum soco. 

Pois é, Sasuke podia ter morrido, mas Naruto Uzumaki havia o poupado. 

Na realidade, o Uchiha nunca quis se envolver tanto com drogas. Gostava de fumar, as vezes, mas extrapolara em uma festa e comprara vários tipos de drogas que nem usava para pessoas aleatórias. Ele estava muito bêbado. 

Pensou em abandonar a faculdade de cinema que tanto sonhava para conseguir pagar o apartamento que dividia com a Hyuga, mas a morena fez um empréstimo e pagou o seu aluguel por dois meses. Agora ele estava devendo cem dólares para eles, apenas, mas ninguém disse que eles iriam perdoar. Sasuke deu de ombros, olhando para o próprio reflexo e sentindo realmente muita pena de si mesmo. 

Pensou em tomar um banho, mas estava cansado e realmente dolorido, então também estava pensando em se jogar na cama e dormir com as roupas do corpo. De repente, a porta do banheiro abriu com um estrondo. Ele pulou, mas se arrependeu no mesmo minuto. 

Seus olhos se encontraram com o de Hinata pela primeira vez na noite, e ele achou que podia sentir faíscas saltando dos olhos esbranquiçados. 

A Hyuga sempre fora um pouco hipocondríaca e obviamente ela tinha uma caixa de primeiros socorros. Sasuke nunca ligou pra nada, então claramente ele não tinha nem uma cartela de Advil no quarto. Agradeceu a Deus por tê-la ali, naquele momento.

A morena pulou na pia de mármore, quase gemendo por causa do frio. Sasuke sentiu o coração amolecer um pouco e, só de perceber que ali já estava mais quente, começou a se sentir um pouco mais feliz. 

- Merda. - Ele disse simplesmente, tentando iniciar uma conversa. Hinata continuou remexendo na maleta, interessada. Tirou gazes, algodões e outros remédios. Pegou álcool na cestinha de vime que deixava ao lado da torneira, já que Sasuke vivia levando tombos de skate e precisava desinfectar feridas toda semana. - Eu 'tô fudido.

- Pare de falar. - Mandou a morena. Sasuke obedeceu. Hinata pegou um pedaço de algodão e molhou com álcool, levando primeiro para o filete de sangue que escorria da orelha. Provavelmente era o que mais a incomodava. 

Hinata levou em média vinte minutos para terminar o trabalho com o rosto, mas conseguiu fazer um trabalho satisfatório. Acabara de colocar um esparadrapo sobre o nariz deformado do melhor amigo e, sinceramente, sentia um leve impulso de dar um beijo ali. Ignorou-o. 

- Tire a camisa. 

- Hm? 

Hinata revirou os olhos, como quem diz: "É isso mesmo". Sasuke deu de ombros e deslizou o tecido sujo pela pele, sentindo frio e alívio por ter se livrado da peça suja e rasgada. A Hyuga segurou-o pelos ombros e o virou, olhando seus ombros. As unhas, longas e finas, tocavam levemente a pele pálida. Hinata passeou as mãos por toda a coluna de Sasuke, sentindo os ossos mais salientes e a pele grosseira. Segurara a respiração para não arfar. 

- Alguma coisa doeu? - Perguntou finalmente, livrando as mãos. Era como uma espécie de vício, mantê-las por ali. 

- Ombro.

- Quer fazer uma tala? - Ela perguntou, tentando manter a voz firme. Sabia que não conseguiria, de qualquer forma.

- Não. - Sasuke constatou, se virando novamente para a Hyuga. O cabelo esvoaçou e ela quase riu, percebendo que os fios já passavam os ombros largos. - Hinata, desculpe a pergunta. Mas eu não entendi... porque você está tão brava comigo. O que eu fiz? 

Uma nuvem negra cobriu o banheiro. A expressão de Hinata endureceu, os olhos buscavam a resposta menos ofensiva na energia destrutiva do cômodo. Sasuke se encolheu. 

- Você é estúpido? O que você fez, Sasuke, foi se envolver com drogas. Continua envolvido, inclusive, fazendo coisas horríveis pra quitar a merda de uma dívida. Vendendo. Você sabe o que você 'tá fazendo. 

- Pois bem, desculpa por não ser esperto o suficiente como a srta. Hyuga para conseguir bancar um apartamento num trabalho honesto. Eu não sou esperto, Hinata. - Ele gritou. Gritou como nunca. - Mas não sou nenhum cachorro pra você me tratar do jeito que você está me tratando por causa dessa merda. Vamos, me chame de burro! Eu preciso da merda do dinheiro! 

Hinata balançava a cabeça, horrorizada. Uma mão fina e ensanguentada, com o sangue de Sasuke, cobria sua boca. O moreno assistiu, tão horrorizado quanto ela, uma lágrima rolar por sua bochecha sem vida. 

- Você é idiota? É assim que você acha que eu te vejo? - Ela disse, com um suspiro fraco. O Uchiha sentiu seu coração se partir e quase escutou o som. 

Hinata pulou da pia e saiu correndo para o quarto, aonde se trancou até às onze e quarenta, quando cedeu às batidas de Sasuke. De cinco em cinco minutos, ele aparecia na porta e a chamava bem baixinho. Na quinta a morena abriu, mas não liberou a passagem. Deixou-o ali na batente, olhando-o como se ele fosse a pior pessoa do mundo. 

- Me desculpe. - Ele começou, engolindo bem o orgulho. 

- Você não percebe? - Ela perguntou, rindo nervosamente. Sasuke segurou o impulso de secar as lágrimas, como sempre fazia. 

- O quê? 

- Toda a noite eu rezo pra você voltar vivo pra casa. Toda vez que a merda do telefone toca - Ela resfolegou selvagemente nesse momento - me passa pela cabeça se você não está morto! Ninguém se importa se você tá vivo lá ou não, Sasuke. Eu... eu só me preocupo com você porque eu te amo tanto e eu não quero ver você virar mais um! 

- Você me ama?

- Eu amo, Sasuke. Claro que amo. - Ela disse, parecendo não muito convencida. Pela expressão, parecia que ela também tinha acabado de constatar que amava Sasuke. 

te amo tanto te amo tanto te amo tanto 

- Eu te amo. - Disse Sasuke, não querendo responder. Só quis dizer que, naquele momento, estava fodidamente apaixonado por Hinata Hyuga. Pela franja, pela moletom cinza e pela blusa amarela. Pelo jeito que ela havia o tocado e cuidado de si. 

A morena suspirou e se aproximou, indo deixar finalmente um beijo no nariz de Sasuke. Não gostava de ficar brigada com ele. Quando sabia que estavam respirando o mesmo ar, Sasuke rapidamente levantou-se e Hinata beijou-o nos lábios machucados e banhados de álcool. Sasuke gemeu de dor e Hinata levou um susto, se afastando automaticamente.

- Eeeewh! - Disse a morena, rindo. Ele levou os dedos para os lábios. - Doeu? 

- Não importa. - Disse Sasuke, passando um braço em volta do pescoço da Hyuga e a puxando para mais um beijo leve. - Eu prometo pra você que eu vou ficar seguro. 

Mais um beijo. Mais um gemido de dor. Hinata não se importou dessa vez. 



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